Inter faz pressão extra-campo para a partida de volta da Copa do Brasil

Guerrero
Reprodução

Após o jogo da última quarta-feira, no Allianz Parque, em que o Palmeiras venceu o Inter por 1 a 0 pela Copa do Brasil, integrantes da comissão técnica e da diretoria do Internacional já começaram a fazer o trabalho de pressão sobre a arbitragem e sobre a própria delegação do Palmeiras que vai a Porto Alegre para o jogo de volta.

Após a partida, o atacante Paolo Guerrero desatou a falar da arbitragem de Wilton Pereira Sampaio: “É complicado jogar com ele apitando tudo para eles, para gente nada. Não sei. Aqui é difícil cobrar porque você joga com um jogador a menos, que é o juiz. É incrível, ele apita tudo pra eles e pra gente não apita nada. É sacanagem! Mas eu vou falar o que? Eu não sou brasileiro. Para mim, não dá para cobrar nada. Então é injusto. Jogar futebol aqui é foda.”

O discurso do peruano, no entanto, não resistiu nem à imprensa gaúcha, que costuma ser bastante parcial para defender os clubes de seu estado:

Roberto Melo
Marcelo De Bona / Agencia RBS

Já a diretoria do Internacional reclama do tratamento que recebeu no camarote onde assistiram à partida no Allianz Parque. Segundo o vice de futebol Roberto Melo, em entrevista após a partida, integrantes da diretoria colorada foram “ameaçados de morte”.

“Lamentável o tratamento que recebemos no camarote do Palmeiras. É um camarote ao lado, não é de uma torcida comum. Fomos hostilizados, ameaçados de morte. Isso nunca ocorreu. Presidente de clube ameaçado por um senhor!

O camarote ao lado, que é de uma empresa de segurança, não é de torcida comum, é alugado, fomos ameaçados de morte. Queria fazer este registro, é lamentável vir para um estádio de futebol, de Série A, e passar por isso. Nunca tinha acontecido o que aconteceu hoje!

Desde o começo do jogo, a provocação. Teve gente que saiu do camarote. Mandaram ficarmos quietos. Teve ameaças, que poderiam nos matar, com sinal de arma. Em um estádio desses, um camarote alugado.”

Os dirigentes do Inter acionaram a diretoria do Palmeiras, que imediatamente aumentou a segurança e prometeu averiguar as reclamações, usando as gravações do circuito interno de TV. Decidiram não prestar queixa na polícia, apesar de ameaça de morte ser crime previsto no Código Penal.

As declarações, claro, fazem parte do jogo de pressão visando a partida de volta. Melo tirou o foco da derrota de seu time e valorizou como pôde um ato mal-educado de um idiota qualquer, algo que infelizmente ocorre em todo jogo. A menção à “sinal de arma” é patética e é risível alegar que se sentiu ameaçado com uma chacota dessas.

O Internacional tem essa fama de chorão há muito tempo. Curiosamente, a pecha nasceu de forma injusta em 2005, quando foram de fato assaltados pela arbitragem de Marcio Rezende de Freitas em jogo contra o SCCP que decidiu o Brasileirão daquele ano.

De qualquer maneira, é importante que a diretoria do Palmeiras tome suas precauções, tanto em relação à segurança no Beira-Rio, quanto no que diz respeito à arbitragem do jogo decisivo da próxima quarta-feira, cuja arbitragem ficará a cargo de Rafael Traci.


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Vasco ou Bahia será o adversário do Palmeiras nas quartas da Copa do Brasil

Zé Roberto ergue o troféu da Copa do Brasil
Marcos Bezerra/Futura Press

A CBF realizou agora há pouco em sua sede o sorteio do chaveamento final da Copa do Brasil. As bolinhas decidiram que o próximo adversário do Palmeiras será o vencedor do confronto entre Vasco e Bahia. O Bahia venceu o jogo de ida por 3 a 0 em Salvador; o jogo de volta acontecerá um dia após a final da Copa do Mundo.

Caso avance, o Verdão enfrentará o vencedor de Santos e Cruzeiro ou Atlético-PR. SCCP, Chapecoense, Grêmio e Flamengo ficaram do outro lado da chave e só poderão enfrentar o Verdão numa eventual final.

Confrontos

SCCP x Chapecoense*
Grêmio x Flamengo*

[Vasco ou Bahia] x Palmeiras*
[Cruzeiro ou Atlético-PR]* x Santos
Os times com asterisco (*) mandam a segunda partida em casa.

Confrontos das oitavas da Copa do Brasil estão definidos; Palmeiras enfrenta o América

Zé Roberto levanta o troféu da Copa do Brasil 2015A CBF definiu na manhã desta sexta-feira através de sorteio realizado na sede da entidade os confrontos de oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Em busca de seu quarto título na competição, Palmeiras vai enfrentar o América em duas partidas.

O primeiro jogo deve ser realizado na semana do dia 9 de maio, no estádio Independência; a volta será na semana do dia 23 de maio, no Allianz Parque.

>>> Confira toda a sequência de jogos que o Verdão tem pela frente.

É importante ratificar que o regulamento da Copa do Brasil deste ano aboliu a regra do gol qualificado, o que dá ao clube mandante do segundo jogo uma grande vantagem.

Os confrontos da fase seguinte serão conhecidos em novo sorteio, após a definição dos oito clubes finalistas – só então teremos a chave definitiva, com todos os confrontos projetados até a final.

>>> Confira aqui o histórico de confrontos do Verdão contra o América

Veja abaixo todos os confrontos das oitavas-de-finais. Os clubes à esquerda decidem as vagas jogando em casa.

 × América MG - Escudo

Cruzeiro × Atlético PR - Brasão

 × 

 × Santos - Brasão

 × Vitória - Brasão

Flamengo × Ponte Preta - Brasão

Vasco × Bahia

 × Atlético-MG

A obsessão pela Libertadores e a dificuldade em virar a chavinha

A apatia e a – como diagnosticou Cuca em coletiva – “falta de agressividade” verificada no time do Palmeiras na partida do último sábado é uma das poucas coisas que mesmo a porção menos emocional da torcida consegue tolerar – e isso se agrava quando se trata de um clássico. E se esse clássico é no Morumbi, aí realmente não há a menor chance de encarar de forma natural.

Dudu vs SPFC
César Greco / Ag.Palmeiras

Uma das possibilidades para se tentar entender a postura inaceitável do time em campo seria a dificuldade em virar a chavinha para o Brasileirão em meio a tantas disputas de mata-mata. O Palmeiras tem, entremeadas às 35 rodadas que ainda faltam até o fim do Nacional, potenciais 15 jogos de mata-mata – oito pela Libertadores, cujo sorteio para definir a chave acontece no dia 14 de junho, e mais sete pela Copa do Brasil – a próxima partida já acontece na próxima quarta-feira, quando o Verdão vai tentar alcançar no Beira-Rio as quartas-de-finais depois da vantagem construída na partida de ida.

Diante do afunilamento das competições, é natural que haja alguma dificuldade em acertar o foco num torneio de 38 jogos que está apenas na terceira rodada. E esse privilégio não é nosso: uma rápida corrida de olhos na classificação revela que quatro dos seis times que seguem na Libertadores estão na metade de baixo da tabela – e não estão apenas mal colocados, mas também jogando mal. O Grêmio, que ontem teve a chance de emplacar 100% de aproveitamento no Brasileirão, jogou com um time alternativo e tomou quatro gols do Sport; o Botafogo venceu o Bahia em casa e o principal jogador do time foi seu goleiro.

(Aqui, cabem parênteses: o desempenho do goleiro é um diferencial negativo na campanha do Palmeiras até agora – Fernando Prass falhou feio nos dois gols do adversário no último sábado e foi duramente criticado. Ninguém que veste a camisa do Palmeiras está imune a críticas; o que varia é o tom. Fernando Prass jamais teve um comportamento que merecesse qualquer repreensão, tem uma pilha de créditos acumulada e é, tecnicamente, um dos melhores do país. Não há nada que deva abalar nossa confiança em nosso goleiro. Ele mesmo criticou sua atuação e isso basta; ler palmeirenses o xingando e o desrespeitando é algo que torna a digestão de uma derrota com a de sábado mais difícil ainda.)

Vem de cima?

Não é apenas a falta de foco dos atletas. O próprio Cuca vem dando pistas de que o Brasileiro está um tanto à parte do foco principal. A escalação do time no sábado, sem Edu Dracena, Zé Roberto, Roger Guedes e Borja, intriga. Pode ter sido por opção técnica ou tática. Ou porque a fisiologia deu o alerta e eles estavam no limite para estourar e precisavam de descanso. Ou por mera precaução, um rodízio estruturado para administrar o esforço do grupo durante toda a temporada.

No caso da última hipótese ser a verdadeira, estamos diante de um equívoco monumental. Mesmo que estrategicamente o clube tenha avaliado que não tem condições de vencer as três competições e tenha decidido priorizar as menos longas e exigentes do ponto de vista físico – algo que por si só já seria questionável – um clássico no Jardim Leonor jamais poderia ser tratado como um jogo qualquer. Lá, tem que ser força máxima, sempre.

Vencer clássicos é o que faz a torcida abraçar um time durante uma campanha. Na mão inversa, perdê-los é o que traz para o ambiente uma tensão que nenhum atleta quer ter que enfrentar – e tudo se potencializa quando as derrotas vêm de forma estúpida, como nos clássicos em Itaquera e o do último sábado.

Aprendendo a virar a chavinha

Virar a chavinha toda hora não deve ser fácil, mas é um desafio que o atual grupo do Palmeiras precisa aprender a vencer. Mesmo que o Brasileiro tenha sido definido como objetivo secundário, a atitude em campo jamais pode ser apática como a que vimos no último sábado, nem que fosse um jogo comum.

O Brasileirão pode ser a competição mais longa e desgastante, mas também é a que o Palmeiras, diante da força de seu elenco, tem a maior chance de conquistar. Os mata-matas são empolgantes e há quem tenha obsessão pela Libertadores; de fato é a que confere ao vencedor a maior glória. Mas colocar todos os ovos em competições eliminatórias, onde um detalhe não define zero, um ou três pontos, mas sim a vida ou a morte na competição, sobretudo quando isso implica em perder clássicos de forma vergonhosa, é um risco que o Palmeiras não pode correr.

Podcast: Periscazzo (21/04/2017)

Mais um Periscazzo foi ao ar. Neste feriadão de Tiradentes, falamos do sorteio da Copa do Brasil e da expectativa pela decisão contra a Ponte Preta.

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