Prazo para definição dos 26 do Paulista vai se esgotando

Felipão
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Os clubes que disputarão a primeira rodada do campeonato paulista deverão enviar até a próxima quinta-feira à FPF uma lista com 26 jogadores, que assim adquirirão condições de jogo para toda a primeira fase, que tem 12 rodadas.

Com 35 jogadores no elenco, depois da confirmação da saída de Allione, são necessários nove cortes na chamada “lista A”.

Felipão poderá inscrever Yan na chamada “lista B”, com jogadores formados na base do clube que tenham até 21 anos. Willian Bigode também está fora, recuperando-se de cirurgia.

Assim, restam sete escolhas para que o Palmeiras se adeque ao ordinário regulamento elaborado pela desprezível Federação Paulista de Futebol.

Quem entra, quem sai?

Felipão já mencionou que existem no elenco jogadores que precisam de um trabalho físico mais apurado no início da temporada para que as chances de lesão no decorrer do ano sejam minimizadas, casos de Edu Dracena, Moisés e Jean. Marcos Rocha é outro atleta que pode ter a preparação mais intensificada.

Todos eles abrem vaga para a observação de atletas recém contratados ou dos que retornam de empréstimo e que podem ser reutilizados, casos de Fabiano, Juninho e Matheus Fernandes.

Nico Freire é um atleta que já foi bastante observado no ano passado pela comissão técnica e não conseguiu nenhuma chance. Seu prestígio parece bastante em baixa – até pela decisão de dar uma nova chance a Juninho. O argentino deve ser um dos cortados. Assim, restariam mais dois a serem decididos até a próxima quinta-feira.

Acaso e excesso

A função onde o Palmeiras tem mais opções de jogo é a de atacante de beirada: mesmo após a liberação de Arthur para o Bahia, são seis atletas disponíveis, com as chegadas de Carlos Eduardo e Felipe Pires, a integração de Yan e a volta de Erik. Mesmo com Willian fora de combate, a função deve sofrer mais um corte.

É de se imaginar que Felipão esteja tomando essa decisão nas observações feitas nestas movimentações de pré-temporada. Assim, Erik passa a ser o maior candidato, mas Carlos Eduardo e Felipe Pires também correm risco.

A última vaga pode ser decidida no acaso. Uma lesão inesperada de qualquer atleta do meio para a frente pode “ajudar” a comissão técnica a definir o último corte. Caso nada aconteça, a escolha pode ficar na análise física – e Borja também é um atleta que por vezes precisa de uma lapidação. Caso o colombiano esteja 100%, outro que pode acabar sobrando é Hyoran, ofuscado pelo o crescimento de Gustavo Scarpa e pela chegada de Zé Rafael – o que repetiria a situação do ano passado, quando o camisa 28 também acabou preterido.

Doze jogos; três clássicos

Mesmo com o elenco dilacerado pelo limite de 26, Felipão poderá colocar em prática o conceito de rodízio implementado com sucesso no ano passado. Poderá tirar todas as dúvidas em relação a Juninho e Fabiano e observar bem os novos contratados – os nove jogos contra times pequenos devem ter esse propósito.

E a formação campeã brasileira também estará completamente à disposição para os clássicos e jogos que eventualmente se tornem importantes em termos de pontuação – essas partidas também servirão como ensaios para as partidas da Libertadores, que começam já na segunda semana de março.

É importante lembrar que cinco alterações poderão ser feitas nessa lista para a disputa do mata-mata, além de substituições na disputa da própria primeira fase em caso de lesões comprovadas.

Cresce a expectativa pelas escolhas de Felipão, que ainda tem dois dias para contar com uma ajudinha do acaso – caso contrário, será obrigado pelo estúpido regulamento imposto pela FPF a tirar um ou dois jogadores de uma importante fase do planejamento da temporada.


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Com rodízio, Palmeiras é o único time brasileiro com maioria de titulares no elenco

Thiago Santos e Felipão
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A força e a homogeneidade do elenco do Palmeiras permitiram a Felipão e à comissão técnica instituir algo inédito no Brasil: o rodízio de times. O efeito óbvio, a médio prazo, é uma diminuição na incidência de lesões musculares no time.

De fato, o Palmeiras foi um dos times que menos teve problemas dessa natureza no ano passado – isso porque o rodízio foi implementado em julho, após a queda de Roger Machado. Se o sistema tivesse sido posto em prática desde o início do ano, é de se supor que teríamos tido menos problemas ainda.

E é isso o que esperamos para 2019. Com o rodízio em pleno funcionamento desde o início da temporada, que tem previsão de 70 a 80 jogos, vai ser difícil vermos algum jogador rompendo a marca das 50 partidas. Um índice “europeu”.

Os jogadores se sentem mais confortáveis sabendo que a chance de terem que passar intermináveis semanas fazendo o insuportável trabalho de recuperação física é reduzida. A tensão é menor. O foco no desenvolvimento tático e técnico é mais intenso.

Maioria de titulares: vestiário saudável

Dudu e Moisés
Cesar Greco/Ag Palmeiras

Mas não é só a redução do índice de lesões que faz com que o sistema seja um sucesso. O rodízio intenso de jogadores faz com que o time tenha, na prática, pelo menos 20 titulares. Num elenco de 30 jogadores, os titulares são maioria, ao contrário do modelo tradicional, em que temos 11 “eleitos” e cerca de 22 ou 23 jogadores jogando de forma esporádica – e certamente insatisfeitos.

Aqui, os jogadores já não encaram os colegas exclusivamente como concorrentes. Sob a liderança de Felipão, todos entendem que o rodízio só tem pontos positivos: além do já mencionado risco reduzido de lesões, a forma física dos atletas é superior, o que dá ao time um rendimento acima da média nas partidas – o que reflete em resultados. Todos ganham, sempre.

Os reservas absolutos são minoria e não conseguem estabelecer um núcleo de insatisfeitos – as chamadas igrejinhas. Não se ouve falar em vestiário rachado no Palmeiras há muito tempo.

Resta a essa minoria trabalhar muito para tentar entrar no círculo de titulares, o que aumenta a somatória de atitudes positivas. E é isso o que faz com que o ambiente no vestiário seja tão bom, algo que é frequente notar nas entrevistas de todos os jogadores.

O Palmeiras puxa a fila para depender cada vez menos da sorte

Treino Academia Janeiro/2019
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A boleiragem conversa entre si. Um ritmo mais ameno de partidas e a consequente redução do índice de lesões, somado a um clima de trabalho diferenciado, onde o grupo pode focar apenas em conquistar títulos, é o sonho de qualquer atleta.

Junte-se a isso uma capacidade robusta de pagar salários e uma estrutura com o que há de mais avançado em todas as áreas – além de uma equipe de apoio plenamente preparada. E vale lembrar que a fome por conquistas é estimulada pelo modelo de contratos por produtividade, em que os títulos acabam revertendo em bônus gordos para os atletas. Isso se espalha pelo mercado.

Com esse modelo inédito no país, o Palmeiras puxa a fila ao proporcionar esse pacote a seus atletas. É isso que faz do Verdão o maior favorito às conquistas em 2019. E tudo isso só é possível por ter montado um elenco bastante qualificado e homogêneo.

Enquanto outros clubes insistem na velha fórmula de montar um onze titular recheado de medalhões, desprezando a exigência física do calendário e mantendo uma equipe reserva alguns degraus abaixo dos titulares, seguirão lutando contra lesões e tendo dificuldades na administração de vestiário.

Na hora de comparar time com time, posição por posição, nos exercícios botequeiros dos patéticos programas de TV, talvez os adversários fiquem em posição de equilíbrio com os titulares do Palmeiras. Mas seguirão vivendo ao bel-prazer da sorte: torcem para que as lesões não ocorram ou para que o reserva menos qualificado acerte uma sequência improvável de bons jogos; rezam para que aconteça uma química rara num vestiário onde a maioria é reserva e que o clima não se deteriore. De fato, com alguma sorte, pode dar certo. Quem sabe?


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Com 35 atletas no elenco, Verdão inicia os trabalhos em 2019 com ótimas perspectivas

Treino na Academia de Futebol.
Cesar Greco/Ag Palmeiras

Os jogadores do Palmeiras se reapresentaram ontem à tarde na Academia de Futebol para os primeiros trabalhos de avaliação física. Depois de 30 dias de férias, o elenco campeão brasileiro retornou sem nenhuma perda em relação ao ano passado – embora todos devamos rezar para a permanência de Dudu, ainda incerta.

Vitinho e Pedrão, apesar de terem se reapresentado, estão com negociações avançadas para serem emprestados e não farão a pré-temporada na Academia de Futebol.

O time de 2018 conta com os reforços de cinco jogadores contratados na janela atual, mais o retorno de cinco jogadores que estavam emprestados.

Matheus Fernandes, Zé Rafael, Carlos Eduardo, Felipe Pires e Arthur Cabral são as caras novas, contratados ainda em 2018.  Fabiano, Juninho, Raphael Veiga, Erik e Allione voltam de empréstimo e lutam para permanecer no elenco.

Panorama atual

Goleiros 2019

No gol, nosso trio recebeu a sinalização que um rodízio será implantado em 2019. Fernando Prass, Weverton e Jailson terão a chance, em princípio, de jogar mais de 20 jogos na temporada. Preocupa a ausência do quarto goleiro, que pode ser importante em situações específicas. Vinicius Silvestre, que esteve emprestado para a Ponte Preta, poderia ser uma opção, mas acabou emprestado ao CRB. A expectativa é que Mateus Teixeira ou Gomes sejam incorporados a partir de março, quando voltarem das férias.


Defesa 2019

Na zaga, as duplas de 2018 seguem intactas, embora a parceria entre Antônio Carlos e Edu Dracena tenha dado sinais de inconsistência. Juninho ocupa a vaga de Pedrão, será reavaliado pela comissão técnica e tem chances de ser efetivado, embora tenha demonstrado sérios problemas em lidar com pressão.

Nas laterais, temos duas duplas que poderiam jogar em qualquer clube do Brasil, mas preocupa a falta da terceira opção. Na direita, Fabiano, com todas as suas limitações, parece ser a escolha atual do clube, mas o Inter tem bastante interesse em renovar o empréstimo. Seria uma excelente oportunidade para lançar Matheus Rocha, que foi muito bem no sub-20 e estourou a idade, mas concorre com Jean, que também pode fazer a função.

Na esquerda, a não ser que se recorra a Luan Cândido, que tem apenas 18 anos, a terceira vaga por enquanto é de Juninho, que assim aumenta suas chances de ser reincorporado.


Meio de campo 2019

A chegada de Matheus Fernandes cobre a lacuna que o elenco tinha no ano passado: a de um volante marcador para brigar com Thiago Santos e Felipe Melo. Matheus chega não apenas para ser a terceira opção, mas para lutar por um espaço de destaque no time.

Moisés, diante da fartura nas meias, deve definitivamente ser alocado na função que mais gosta: a de segundo volante, jogando de frente para o jogo, marcando e apoiando. Ele faz companhia a Bruno Henrique e a Jean, deixando o setor bem abastecido.

Como meias centralizados, temos a permanência de Lucas Lima e Guerra, mais a chegada de Raphael Veiga, que brilhou no Athletico em 2018. É mais que suficiente.


Ataque 2019

Como meias de beirada, Gustavo Scarpa e Hyoran ganharam as companhias de Zé Rafael e Allione. Há um excesso, e provavelmente teremos uma liberação entre Allione e Hyoran, dependendo da avaliação de Felipão.

Fartura mesmo temos na posição de atacante de beirada: o craque Dudu ganhou a concorrência de Carlos Eduardo e Felipe Pires, além de Erik e Yan. Os dois últimos podem acabar emprestados, a não ser que se destaquem bastante nos primeiros meses da temporada. Não podemos perder de vista que Willian Bigode tem a volta prevista para julho. E sigamos com as orações para que Dudu permaneça no Verdão.

No comando do ataque, Borja e Deyverson ganham um concorrente que promete dar trabalho: Arthur Cabral tem números muito interessantes pelo Ceará e um estilo que, historicamente, agrada a Felipão.

Perspectivas

Não se sabe exatamente como Felipão vai tratar o campeonato paulista. Em tese, os nove jogos contra as equipes menores podem servir como vestibular para os atletas cuja permanência no restante da temporada é incerta. Os clássicos precisam ser tratados como tal, e também servirão para dar ritmo aos principais jogadores. A Libertadores começa na primeira semana de março.

A manutenção do time principal (já mencionamos as rezas para Dudu não ser vendido?) e da comissão técnica foi o grande reforço nesta virada de temporada. Enquanto nossos principais concorrentes reformulam elenco e trocam de técnico, o Verdão já está algumas casas na frente. Enquanto os outros tentam entrosar suas peças e desenvolvem um sistema de jogo do zero, o Palmeiras faz a manutenção e busca sistemas alternativos ao que já está dando certo.

Dudu
Cesar Greco/Ag Palmeiras

Essa vantagem provavelmente será visível no primeiro semestre: no mata-mata do estadual e nas primeiras rodadas do Brasileiro e da Copa do Brasil. No segundo semestre, depois da parada da Copa América, é bem possível que algum de nossos concorrentes acerte o time e se posicione para brigar conosco pelos principais troféus da temporada.

Sem soberba, apenas constatando: somos o time a ser batido. Ninguém está confortável com essa situação e todos estão se coçando para poder nos tirar do favoritismo. Ao Palmeiras, cabem duas coisas: seguir trabalhando forte para ampliar o domínio estabelecido, e segurar o Dudu.


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Suspensões marotas e lesões: o quebra-cabeças de Felipão

Antônio Carlos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A vitória contra o Ceará manteve as chances do Palmeiras conquistar o decacampeonato muito grandes e agora o time, mais uma vez, vira a chavinha para focar na Libertadores. O Verdão volta à Bombonera para enfrentar o Boca Juniors, desta vez pelas semifinais da competição sul-americana.

A sequência, no entanto, nos obriga a voltar as atenções para o Brasileirão no final de semana, para depois pensar no Boca novamente, no jogo de volta. Ensanduichado entre as duas partidas contra os argentinos, vem o jogo fundamental contra o Flamengo, pelo Brasileirão.

Para complicar ainda mais, a partida no Rio de Janeiro terá que ser disputada no sábado – apenas 3 dias depois da batalha em Buenos Aires. E o Palmeiras terá uma série de desfalques para este jogo.

Felipão tem decisões difíceis para tomar. Ao mesmo tempo em que precisa achar a melhor combinação para cada jogo, levando em consideração os desfalques, precisa também seguir administrando o físico dos atletas para que não estourem na parte mais importante da temporada.

O quebra-cabeças

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Para o jogo contra o Flamengo, Felipão não contará com os suspensos Deyverson, Mayke, Bruno Henrique e Lucas Lima. Possivelmente também não terá Marcos Rocha e Jean, baleados; e existe a grande chance de não poder contar também com Diogo Barbosa, que havia sido suspenso pela confusão no jogo do Mineirão e estava liberado para atuar sob efeito suspensivo – ele e Mayke provavelmente devem ter novo julgamento esta semana.

Para o jogo no Maracanã, a saída mais plausível para a lateral-direita é deslocar Thiago Santos, já que as três opções estão fora de combate. A dupla de volantes que restaria é Felipe Melo e Moisés. E com Lucas Lima suspenso, quem deve articular as jogadas por dentro é Guerra.

Hyoran e Scarpa, este sem ritmo algum, devem ser acionados pelas beiradas, para resguardar as condições físicas de Dudu e Willian. Isso porque os dois são considerados titulares e sabemos da predileção de Felipão pela Libertadores – ele não deve abrir mão da dupla nem na Argentina, nem no jogo da volta, na semana que vem.

Assim, o time-base para os dois jogos contra o Boca tende a ser Weverton; Mayke, Luan, Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo e Bruno Henrique; Dudu, Lucas Lima e Willian; Borja.

Já o time para jogar contra o Flamengo a escalação deve ser Weverton; Thiago Santos, Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis; Felipe Melo e Moisés; Hyoran, Guerra e Gustavo Scarpa; Borja.

Notem que Borja e Felipe Melo, além de Weverton, serão bastante exigidos nessa sequência. Façam menções especiais a eles em suas preces.

O responsável

André Luiz de Freitas Castro
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Verdazzo deu a letra no pré-jogo da partida de ontem: o árbitro André Luiz de Freitas Castro é pródigo em cartões, e nada mais conveniente para a CBF do que escalar a metralhadora de amarelos para apitar uma partida do Palmeiras no jogo imediatamente anterior à partida contra o Flamengo, o queridão da entidade.

Alexandre Mattos e Felipão, macacos velhos, provavelmente já estavam atentos e reforçaram as suspeitas nas entrevistas após o jogo. O Palmeiras tinha oito pendurados; três foram atingidos – sendo que dois deles em cartões nitidamente forçados pelo juiz.

Mayke ia cobrar uma falta, no segundo tempo. O tempo que levou para recolocar a bola em jogo foi trivial. O árbitro justificou na súmula que ele demorou demais – para cobrar um lateral. Já a justificativa para o cartão de Lucas Lima foi pior ainda: por “cometer faltas persistentemente”. No lance, Lucas Lima nem fez falta – e teria sido sua primeira no jogo. A vontade acima do normal de mostrar os cartões nos dois casos é evidente.

Pela quinta vez seguida o Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem no Brasileirão – e mesmo assim venceu os cinco jogos. O dano, desta vez, não foi apenas na dificuldade do próprio jogo, mas principalmente para escalar um time completo para a partida seguinte, que coincidentemente ou não, é contra o Flamengo.

Pelo que vemos, a tal reunião de cinco horas na sede da CBF entre o presidente Mauricio Galiotte e a comissão de arbitragem não está adiantando nada. O Palmeiras segue fraco nos bastidores e resta a Felipão e nosso bravo grupo de atletas segurar as pontas na sequência mais crítica da temporada. Se depender da torcida, eles sabem que podem contar com todo o suporte. VAMOS PALMEIRAS!


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Palmeiras precisa desativar o “modo Lacraia” em Deyverson

Deyverson
Reprodução

Deyverson foi um dos maiores personagens do clássico de ontem contra o SCCP. Com a bola, marcou o único gol da partida, criou chances, sofreu um pênalti não assinalado pela arbitragem e disputou todas as bolas como se fosse a última da carreira, incendiando a torcida.

O camisa 16 também agitou o estádio ao ser substituído, recebendo uma ovação que poucos conseguiram até hoje na História do Allianz Parque – e já do lado de fora, provocou Roger com uma prosaica piscadinha, o que causou um princípio de confusão à beira do gramado e fez o relógio andar um pouquinho mais.

Se fosse “só” isso, tudo certo. Mas Deyverson faz tudo isso oscilando emocionalmente de forma perigosa. Seu comportamento em campo destoa. Sua forma teatral de agitar os braços; seus mergulhos acrobáticos e as vezes em que se dirige à torcida para pedir apoio são exageradas e atraem antipatia dos adversários e das arbitragens. É o “modo Lacraia”.

Mesmo sendo uma peça importante nos últimos jogos – deu o passe que abriu caminho para a vitória sobre o Atlético-PR e marcou o gol solitário do Derby – Deyverson segue sendo uma figura questionável exatamente por esse tipo de comportamento instável.

Paga pelo que faz e pelo que não faz

Deyverson
Reuters

No Derby, Deyverson foi calçado dentro da área por Henrique, mas a forma com que mergulhou no gramado ajudou a já natural má-vontade dos árbitros em não marcar pênaltis contra o SCCP. Amarelado, procurando confusões desnecessariamente – incluindo um choque forçado com Cássio – obrigou Felipão a tirá-lo de campo, pois era nítido que seria expulso a qualquer momento.

Sua entrada em campo na partida contra o Cerro Porteño foi apoteótica. Pilhado muito acima do normal, provocou, sofreu faltas, deu piruetas, tomou encontrões e acabou expulso sem agredir ninguém – mas o árbitro considerou seu comportamento inadequado. O presidente do Cerro Porteño, Juan Zapag, chegou a afirmar em entrevista que el rúbio parecia um personagem de circo em meio a adjetivos como “drogado” e “possuído” – um claro exagero, mas que traduz o quanto o comportamento amalucado de Deyverson chama a atenção de forma negativa.

Contra o Bahia, Deyverson subiu numa disputa de bola com os braços abertos e acabou atingindo o lateral Mena. Anderson Daronco aplicou-lhe o amarelo, mas Leandro Vuaden, que comandava o sistema do VAR, recomendou a expulsão – totalmente injusta, já que o movimento foi claramente para equilibrar o corpo, tanto que os dois braços fazem o mesmo gesto. Mas como é o Deyverson (e joga no Palmeiras), o cartão vermelho foi aplicado – e a punição no STJD veio com bônus: dois jogos de gancho.

Com essa sequência que mistura comportamentos inadequados, falta de controle emocional e um jeitão estabanado, mesmo sendo importante quando está apenas jogando bola, Deyverson conseguiu uma proeza: está suspenso dos próximos três jogos do Palmeiras, por três competições diferentes. Borja sente uma lesão na panturrilha e Felipão pode precisar recorrer a Willian Bigode ou mesmo a Papagaio em partidas importantes da temporada.

Correção urgente

Deyverson e Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Deyverson vinha sendo o jogador que a torcida havia selecionado para ser pregado na cruz – nossas arquibancadas sustentam esse costume há décadas, sempre existe um que é o escolhido – mas conseguiu, com Felipão, dar a volta por cima. De perseguido passou a ser até uma espécie de xodó, para alguns. Mas ainda é possível notar na torcida quem não o veja com bons olhos. Há muitos palmeirenses que, com alguma razão, torcem o nariz para seu jeito canastrão dentro de campo – e as suspensões consecutivas reforçam esse argumento. Como se não bastasse, Deyverson não é exatamente alguém que tem uma relação íntima com a bola, o que aumenta a rejeição.

Essa divisão na torcida pode pender para qualquer um dos lados. Se a boa fase dentro de campo cessar, Deyverson voltará a ser uma unanimidade negativa. Mas se ele for corrigido, passando a dosar seus impulsos e seus trejeitos abilolados, focando em jogar bola e continuar sendo útil ao time, até aquele mesmo xarope que fica no Gol Sul sempre no mesmo ponto, posicionado para aparecer para a câmera do guindaste e criticando o camisa 16 mesmo quando ele acabou de fazer um gol (como fez ontem) pode passar a aplaudi-lo. Até ele.

Felipão mencionou de forma misteriosa na coletiva pós-jogo que existem algumas correções que precisam ser feitas fora de campo. Houve quem dissesse que é a influência excessiva da patrocinadora; outros disseram que só podia ser o “modo Lacraia” que se apossa de Deyverson nas partidas. Como nosso general deixou as tais correções no ar, que sejam as duas coisas; que todos os ajustes sejam feitos e que nosso camisa 16 seja controlado para que possa usar toda sua energia apenas em favor do Verdão, e não contra.


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