A diferença entre um time protagonista e um time campeão de tudo

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O setor ofensivo do Palmeiras parece ter resolvido o problema da pontaria. Depois de ter ficado atrás de Santos e Ituano no estadual, o ataque palmeirense engatou uma boa sequência e neste momento é o mais positivo tanto na Libertadores quanto no Brasileirão.

A entrada de Ricardo Goulart, em princípio, fez bem ao ataque e o camisa 11 segue sendo um dos jogadores com mais participações em gols, seja convertendo-os, seja dando assistências. O setor sofreu uma pequena, mas fatal, oscilação nas semifinais do estadual; Goulart então saiu do time e Zé Rafael encaixou muito bem – antes do jogo contra o CSA, com o time reserva, o Palmeiras havia marcado 11 gols em três jogos.

Mas se a linha ofensiva com Dudu, Gustavo Scarpa e Zé Rafael está dando conta do recado, o desempenho do comando do ataque em 2019, até agora, tem inegavelmente deixado a desejar.

Borja e Deyverson estão com desempenho sofrível; Arthur Cabral teve poucas chances até agora e o Palmeiras deixa de fazer alguns gols – e de somar alguns pontos, como aconteceu em Maceió – pela falta de eficácia do jogador mais avançado do time. Essa deficiência pode custar campeonatos.

Borja e Deyverson

Miguel Borja, a contratação mais cara da História do Palmeiras, até fez um ou outro bom jogo em 2019, mas sucumbiu à má fase. Os gols estão cada vez mais raros. Erros em lances fáceis fizeram a pressão da torcida aumentar. Sua personalidade retraída, a despeito de seu enorme coração, tornou sua situação ainda pior.

O colombiano nunca teve o nome tão especulado para deixar o clube; vendê-lo abaixo do preço investido já não é um pensamento tão absurdo diante do aparentemente irreversível prejuízo técnico. Em doze jogos, o colombiano marcou apenas três gols e deu uma assistência, em 866 minutos em campo.

Com o chip eternamente solto, Deyverson foi suspenso após um lance deplorável no Derby do estadual, mas recebeu nova chance após o gancho diante da fase ruim de Borja. Taticamente, o camisa 16 se mostra mais útil que o colombiano, mas sua limitação técnica faz com que os ataques muitas vezes terminem quando a bola chega a seus pés.

Apesar de não ser mais tão perseguido pela torcida quanto Borja, os números de Deyverson na temporada são até piores que os do colombiano: foram 13 jogos, 1060 minutos em campo, com os mesmos três gols e uma assistência. Os detalhes dos números podem ser conferidos na página de estatísticas do Verdazzo.

Arthur Cabral e a regra de Mattos

Arthur Cabral
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A aposta de longo prazo da diretoria para o comando de ataque é Arthur Cabral. Contratado em agosto junto ao Ceará, então com 19 anos, o atacante teve até agora apenas duas chances de mostrar jogo – e em uma delas foi muito bem, marcando o gol de empate numa partida complicada em Novo Horizonte, no mata-mata do estadual. Questões físicas, no entanto, seguem atrapalhando o jogador.

Mesmo que seja logo liberado por completo, seu desempenho segue sendo uma incógnita. Afinal, poucos meninos de 20 anos conseguiram carregar o fardo de assumir a camisa 9 do Palmeiras sem sucumbir à pressão. Arthur Cabral tem condições para isso: é forte, tem todos os fundamentos e um time muito bom à sua volta.

Mas mesmo que consiga, ainda ficamos sujeitos a uma temporada desgastante e seguiríamos reféns de uma eventual lesão do camisa 39, retornando ao looping infinito de Deyverson/Borja. O Palmeiras precisa urgentemente rever a posição de centroavante na janela do meio do ano.

E para achar um atleta que forme com Arthur Cabral uma dupla de centroavantes para atender ao rodízio de Felipão, Mattos precisa quebrar uma regra imposta por ele mesmo: a de investir somente em jogadores com grande potencial de revenda, visando lucro financeiro em paralelo ao ganho técnico.

Os velhos cascudos

Os maiores centroavantes do Brasileirão, hoje, são veteraníssimos – e todos seguem marcando muitos gols. Ricardo Oliveira (38), Fred (35) e Guerrero (35) conhecem muito bem o futebol brasileiro e seguem dando ótimo retorno a seus clubes, deixando as torcidas bastante satisfeitas. Além deles, apenas o jovem Pedro (21), do Fluminense, vem tendo uma performance de destaque.

Talvez seja o momento do Palmeiras repensar a estratégia de contratação de atletas, ao menos em determinadas posições. Nem todo reforço precisa dar resultado financeiro positivo; o que importa, é o balanço final. Se o clube decidir investir num jogador com idade avançada e com pouco ou nenhum valor de revenda, mas ele responder marcando os gols que podem fazer a diferença num jogo decisivo – sobretudo nos mata-matas que começam pra valer em agosto – terá valido a pena.

Neste momento, poucos centroavantes têm esse perfil – goleadores, vencedores, experientes e habituados ao futebol brasileiro. Abaixo, algumas possibilidades:

  • Jonas (34), depois de uma espetacular temporada no Benfica em 17/18, teve duas lesões na temporada atual e vem figurando na reserva – mesmo assim, tem 13 gols em 31 jogos, muitos deles vindo do banco. Resta saber se ainda tem disposição de sair da Europa para jogar no Brasil.
  • Lucas Pratto (30) vem fazendo uma temporada discreta no River Plate: 5 gols em 19 jogos. Por já ter atuado nesta Libertadores, é uma opção com pouco apelo neste momento.
  • Jonathan Calleri (25) nem é tão experiente, tampouco faz uma temporada exuberante (8 gols em 33 jogos), mas tem o atenuante de estar num time fraco, o Alavés – coincidentemente, o último time de Deyverson.
  • Gustavo Bou (29) vive na ponte Racing/Tijuana. Desde que voltou ao clube mexicano, no início do ano, fez 8 gols em 16 jogos, mesmo não sendo exatamente um NOVE-NOVE. E não sabemos sequer se teria boa adaptação ao Brasil.
  • Dario Benedetto (28), pela mesma razão de Lucas Pratto, não tem força para esta janela. Seus números pelo Boca Juniors também não empolgam: 5 gols em 17 partidas. É outro que não sabemos como se adaptaria ao país.

Notem que nenhum dos atacantes aventados teria todos os predicados para preencher a lacuna em nosso elenco na próxima janela. Mas provavelmente há no mercado algum atleta que pode atender a nossas demandas – e é exatamente por esse motivo que Alexandre Mattos é muito bem remunerado: para prospectar o mercado e encontrar reforços que atendam ao que precisa o Palmeiras

E para isso, por vezes, pode ser melhor recorrer a um atleta com baixo ou nenhum valor de revenda, mas que resolva uma necessidade premente, a se manter preso a uma filosofia que envolve ganhos financeiros e que limita os resultados.

Um centroavante realmente cascudo e matador talvez seja a diferença entre um time com meias talentosíssimos, protagonista de todos os campeonatos, e um time copeiro e campeão de tudo.


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A arquitetura de um time em busca da perfeição

Palmeiras 5x0 Novorizontino

O bom resultado diante do Novorizontino, na segunda partida pelas quartas-de-final do campeonato paulista, fez a gangorra da bipolaridade palmeirense voltasse a pender para o pólo positivo – e com força. Chega a ser engraçado.

Mas não são só palmeirenses que estão olhando o time com bons olhos: a imprensa e até torcedores de outros clubes estão se referindo ao Verdão com muito mais respeito que o costume. Pelo menos até a próxima oscilação.

O placar dos jogos seguem sendo o fator primordial para as análises do futebol jogado – o chamado resultadismo. O fato é que na última terça o Palmeiras teve um volume de jogo bem semelhante ao que já vinha apresentando nos outros jogos; a ligação entre defesa e ataque ainda foi feita na maior parte das vezes através de lançamentos longos e o número de finalizações desferidas e sofridas seguiu o bom padrão da temporada.

O que realmente fez com que a avaliação fosse diferente foi o placar, resultado de uma tarde bastante feliz na execução das assistências e das finalizações.

Os primeiros passos

Flamengo 1x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No ano passado, a primeira coisa que Felipão fez foi acertar a recomposição defensiva. O Palmeiras tornou-se um time extremamente competente na retaguarda e o índice de gols sofridos despencou. A equipe se recuperou de um início irregular no Brasileirão e venceu a competição até com uma certa folga, mesmo sem mostrar tantas virtudes lá na frente.

Felipão acertou e defesa e usou a ligação direta com o setor ofensivo, recheado de grandes jogadores, para que eles se virassem para fazer os gols. É claro, uma ou outra diretriz, mais as jogadas ensaiadas na bola parada, foram a contribuição do treinador para que o time chegasse aos gols. O resto, foi resultado do talento dos jogadores.

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Para este ano, a chegada de Ricardo Goulart deu uma perspectiva diferente a nosso ataque. Sua mobilidade e seu gosto por pisar na área, além do ótimo senso de posicionamento e de seu talento como finalizador, fazem do camisa 11 um atleta indispensável em qualquer partida, dentro do planejamento da administração da condição física.

Diante das características de Goulart, o sistema ofensivo, bastante cru em 2018, pode ser desenvolvido em função de sua presença. E outra peça fundamental para essa arquitetura é Gustavo Scarpa, com sua facilidade em flutuar por todos os cantos do campo ofensivo e preencher os espaços que Goulart deixa quando se manda para a área. Quem não tem essa característica é Lucas Lima, que acabou perdendo espaço.

Um time-base com peças de ajuste para todas as situações

Com Goulart, Scarpa e Dudu, temos um trio ofensivo que, com um centroavante com mais mobilidade e capacidade de trocar passes, como Deyverson, pode construir ataques estruturados bem mais envolventes. Claro que o apoio do segundo volante e dos laterais segue sendo essencial, mas esta configuração básica parece ser capaz de incomodar qualquer sistema defensivo.

Mas o Palmeiras pode mais. Felipão tem nas mãos um elenco com jogadores das mais diversas características, os quais ele pode usar não apenas para poupar os atletas do excessivo desgaste físico, mas também para adaptar nosso ataque da melhor forma às vulnerabilidades das defesas adversárias.

Além do quarteto ofensivo já mencionado, Felipão tem à disposição um verdadeiro bat-cinto de utilidades. Ferramentas diferentes para serem usadas em desafios diferentes.

Borja: o típico homem de área, ideal para prender os zagueiros enquanto os meias chegam de trás. Mesmo em má fase, segue sendo uma ótima opção para povoar a área quando o time estiver em busca de gols nos minutos finais;

Arthur Cabral

Arthur Cabral: ainda em fase de reaquisição de ritmo de jogo, parece ter todos os atributos de um centroavante: além da força física para jogar fixo na área, tem boa movimentação e pode trocar passes; finaliza bem por baixo e no jogo aéreo;

Lucas Lima

Lucas Lima: como quarto homem da linha de meias, alterando o esquema para o 4-1-4-1, não vai precisar de tanta mobilidade, que nunca foi sua característica. Desta forma, pode brilhar como em seus melhores momentos da carreira; com a intermediária ofensiva preenchida, não precisa percorrer tanto espaço ou forçar passes mais longos; sua grande capacidade de antever movimentos pode resultar em assistências preciosas;

Raphael Veiga: tem as mesmas características do meia clássico que Lucas Lima, com menos virtuosismo, mas com mais capacidade física, o que faz com que ele possa se converter num segundo volante quando o time está sem a bola – mais indicado para quando o time precisar trocar passes para furar defesas contra um time que tem está com o contra-ataque armado;

Felipe Pires

Felipe Pires: como ele mesmo se descreveu, é velocidade pura. Com suas características, é ideal para o jogo vertical, quando o time adversário avança a última linha e deixa espaços;

Carlos Eduardo

Carlos Eduardo: é o rabiscador, ponteiro que tem no drible sua principal arma, embora ainda precise evoluir no passe final; indicado para quebrar linhas compactas e recuadas;

Willian: meia-atacante de beirada com grande poder de finalização; também gosta de pisar na área e tem ótimo senso de colocação e finalização. Indicado para jogar pelo lado quando Goulart não puder estar em campo, para suprir exatamente essas características, de preferência com Veiga por dentro. Quem tem Willian, não precisa de Pato;

Zé Rafael

Zé Rafael: joga predominantemente pela esquerda, fazendo a mesma função de Dudu. A diferença é que não é tão rápido; em compensação, tem mais aptidão para jogar afunilando e fazer o papel do meia-armador no processo de constantes trocas de posição que a dinâmica do ataque exige;

Ainda temos Hyoran que reúne um pouco das características de Zé Rafael e Willian; e Guerra, que tem traços do jogo de Lucas Lima e do próprio Goulart. Os dois estão alguns passos atrás dos companheiros neste momento, mas são jogadores cujas qualidades podem virar esse jogo a qualquer momento.

Um passo de cada vez

Felipão e Mattos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Com a defesa acertada e o desenvolvimento pleno do sistema ofensivo, depois de finalmente poder contar com Scarpa e Goulart ao mesmo tempo (o que permite ao treinador desenvolver o esquema básico de ataque, que pode ser alterado a qualquer momento com todas essas peças específicas mencionadas) o Palmeiras será capaz de marcar gols com a mesma eficiência que consegue não tomá-los. É de se imaginar que até o final de maio esse estágio esteja cumprido.

É aí que pode ser iniciada a fase final da construção do time, que é melhorar a transição para o ataque; fazer da ligação direta uma opção a ser usada quando a defesa adversária está desguarnecida, e não a única opção. O Palmeiras tem que saber fazer a bola chegar ao quarteto ofensivo sem correr tantos riscos de perder a bola em tantos passes longos, forçados.

Essa fase, no entanto, não precisa ser feita no atropelo. Mais importante que fazer esse ajuste é cumprir as tarefas básicas para se ganhar um jogo: fazer gols e não tomá-los. Enquanto isso não acontece, precisamos saber conviver com essa quantidade de lançamentos longos.

O desespero da torcida em ver o time “jogando bem” é compreensível, mas a construção de um time que seja completamente equilibrado, forte na defesa e no ataque, e que tenha recursos para construir as jogadas de forma rápida ou cadenciada, conforme o momento do jogo exija, leva tempo. Algo que nenhum técnico teve desde o início desta nova fase do Palmeiras, com a inauguração do Allianz Parque.

Felizmente Felipão tem o estofo necessário para aguentar as pancadas que seus antecessores não suportaram; a construção da identidade desta equipe segue e, para a fase decisiva da temporada, que começa na segunda metade de agosto, é que podemos esperar um time completo: competitivo, e jogando “bem”. Por enquanto, só os resultados já estão de ótimo tamanho.


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O onze ideal; pelo menos, até agora

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

É consenso que o Palmeiras não tem uma formação titular fixa. A fartura de bons jogadores, somadas às lesões e às suspensões, fazem com que Felipão mude o time a cada jogo, conforme a característica do adversário. Não é à toa que o locutor do estádio, Marcos Costi, anuncia o “banco de titulares” logo após a escalação do time que sai jogando nas partidas no Allianz Parque.

Mas também parece claro que nas partidas que realmente valem a sequência da temporada, Felipão coloca o que tem de melhor à disposição em campo, mesmo que o rodízio de jogadores aponte em outra direção.

Até agora, foram nove jogos na temporada – todos pelo campeonato paulista. Dois clássicos e sete jogos contra times pequenos serviram para observar 25 jogadores – dos inscritos, apenas Jean ainda não entrou em campo em 2019.

Nesta nova página do Verdazzo, é possível conferir os principais números de todos os atletas, que, somados à observação das partidas, ajudam a traçar um mapa do elenco a qualquer momento. Diante do que os atletas apresentaram em 2019 até agora, já é possível arriscar um time “ideal”.

Defesa que ninguém passa

Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No gol, tanto faz. Todos vêm jogando muito bem e passam total segurança à defesa. Qualquer que seja a escolha de Felipão, terá sido bem feita.

Nas laterais, Mayke e Victor Luis estão à frente de Marcos Rocha e Diogo Barbosa, com partidas mais sólidas tanto na defesa, quanto no apoio. É claro, todos apresentaram oscilações, mas no conjunto, a dupla sugerida foi mais consistente.

A dupla de zaga não deixa dúvidas: Luan e Gómez estão bastante à frente de Antônio Carlos e Edu Dracena, não só nas atuações individuais, mas no conjunto, preenchendo bem os espaços e com um posicionamento mais afinado.

É evidente que o entrosamento não se aplica apenas à dupla de zaga, mas em toda a linha de quatro defensores. Victor Luis, neste momento, está mais alinhado com a dupla Antônio Carlos/Dracena, mas nada impede que isso seja invertido a qualquer momento.

Do meio para a frente

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Parece claro que Thiago Santos está à frente de Felipe Melo, tanto na precisão dos desarmes quanto no preparo físico. A função de segundo volante tem uma disputa interessante entre Moisés, que brilha mais nos passes e assistências, e Bruno Henrique, que tem uma chegada mais efetiva na área e finaliza melhor. Este último, pelo histórico de gols, ainda parece ter mais espaço.

Já a linha ofensiva tem jogado sempre com um ponta de origem – ou Felipe Pires, ou Carlos Eduardo, usando Dudu como meia de beirada, jogando mais afunilado. Mas o time não rende como indica o potencial. Pelo que jogaram até agora, Gustavo Scarpa de um lado, com Dudu fazendo a função do ponta jogando mais aberto do outro, tendo Goulart no meio, se posicionando mais próximo à área, parece ser uma formação que pode tanto encarar uma defesa mais fechada, quanto uma marcação mais avançada, que deixa espaços.

Fechando o time, na frente, apesar da fábrica de memes, Borja sobressai – até por falta de concorrentes. Deyverson pode até ser mais útil em determinados cenários, mas o colombiano, ainda mais com a aproximação de Goulart, pode crescer bastante.

Neste time ideal, hoje, temos dois lesionados que não poderão enfrentar o Junior, na Colômbia. Há os que sequer estrearam, como Willian e Arthur Cabral, que podem ter lugar na formação principal com o passar do tempo. E todos os outros que ficaram de fora têm potencial para virar o jogo e entrar neste time. Mas diante do que foi mostrado nos nove primeiros jogos, este parece ser o que o Palmeiras poderia montar de mais forte, considerando as lesões de recuperação mais rápida.

E um time “alternativo” teria Marcos Rocha, Antônio Carlos, Edu Dracena e Diogo Barbosa; Felipe Melo e Moisés; Felipe Pires, Lucas Lima e Zé Rafael; Deyverson.

O que acham?


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Clássico contra o Santos vale muito, pelo menos para um jogador

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O clássico de amanhã contra o Santos tem pouca importância. Na verdade, as implicações deste jogo para a temporada são praticamente nulas. O campeonato paulista está longe de ser uma prioridade do Palmeiras, embora todos dentro da Academia de Futebol tratem o torneio com respeito. Se o resultado não for bom, eventuais pontos perdidos não influenciarão as ambições do grupo, por ser um jogo de fase classificatória que pouco afetará na classificação para o mata-mata.

É claro que um clássico é sempre um clássico – mesmo que seja contra o Santos. Um mau resultado sempre pode trazer um barulho extra nas alamedas e nas redes sociais – mas Felipão e o elenco ainda têm o estofo da recente conquista do Brasileirão como escudo. Se aguentou uma derrota em casa num Derby, ainda terá força num clássico contra o Santos, três semanas depois.

Mas para um jogador, especificamente, a partida de amanhã no Allianz Parque pode ter um valor inestimável. Carlos Eduardo, o segundo jogador mais caro da História do clube, enfrenta sérias dificuldades em seu início de passagem pelo Palmeiras e precisa muito de uma partida emblemática para virar o jogo.

Sabemos o quanto as coisas mudam rapidamente no futebol. Uma boa partida, ou mesmo um lance isolado, por vezes, têm o poder de transformar o sentimento de multidões. Um clássico, com casa cheia, é o cenário perfeito para que o camisa 37 reverta o cenário a seu favor – mas também pode ser a pá de cal em sua passagem pelo clube.

Adversário ideal

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Santos de Sampaoli tem como característica o jogo ofensivo. Ainda não se sabe se o argentino virá para o clássico com seu time principal, ou se vai pensar na Sul-Americana e escalará um time misto. De qualquer forma, seja em cima de Copete, seja em cima de Orinho, Carlos Eduardo terá o espaço que não teve em nenhuma partida até agora para rabiscar em cima dos marcadores. É a partida ideal para uma recuperação.

O maior problema do rapaz parece ser a cabeça. Vestir a camisa do Palmeiras pode ser um fardo muito pesado para quem não trabalha bem a ansiedade. Por outro lado, às vezes basta uma partida boa para destravar tudo. Ainda conhecemos pouco do rapaz para saber como ele reage às diversas situações que o esporte apresenta.

O começo do jogo será crucial. Se Carlos Eduardo conseguir vencer a tensão inicial, fizer duas ou três boas jogadas e passar direito a bola, dando sequência ao lance, a torcida pode vir com ele. E aí, pode engrenar.

Por enquanto, praticamente nada do que ele tentou deu certo nos 229 minutos em que esteve em campo. No senso comum, nada indica que alguma coisa vai mudar. Mas é melhor torcer a favor. Seguimos sempre apoiando quem veste a camisa do Palmeiras – até as perspectivas se esgotarem completamente.

Será que ele joga?

Ricardo Goulart e Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Tudo isso pode cair por terra se Felipão resolver surpreender e não escalar o time, pela primeira vez, com um ponta-PONTA. Em todas as sete partidas disputadas até agora, o time iniciou o jogo tendo um extrema (Felipe Pires ou Carlos Eduardo) de um lado, e Dudu do outro, jogando mais afunilado.

Com a lesão de Felipe Pires, tudo apontaria para a escalação de Carlos Eduardo, mas sua má fase e a recuperação de Ricardo Goulart podem mudar esse panorama. Felipão pode, finalmente, iniciar um jogo sem um dos dois ponteiros, escalando Dudu nessa função.

Goulart pode jogar na outra ponta, chegando à área, como Willian, ou mesmo pode jogar por dentro, sacando Lucas Lima, e escalando Zé Rafael ou Raphael Veiga do outro lado. Até Lucas Lima pode (mas não deve) jogar na beirada. São dezenas de variações possíveis.

O que importa é que a torcida apoie quem estiver em campo durante os 90 minutos. Com toda a força, sempre. Seja o ídolo, seja o que está na berlinda. As vaias, se tiverem que vir, que venham ao final da partida. Parece justo?


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Compras e vendas colocam Mattos em xeque: ponderações além do óbvio

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Os torcedores palmeirenses somos seres altamente bipolares, desde os tempos da Taça Savoia. Nossas reações ao que acontece em tudo relacionado ao Verdão, via de regra, são extremadas, seja para o bem, seja para o mal.

Além dessa característica marcante, nossa torcida desenvolveu nas últimas décadas outro comportamento interessante: é extremamente desconfiada. Desde que os primeiros jornalistas “de bastidores” surgiram, com as quentinhas das políticas dos clubes, os fatos passaram a ganhar razões ocultas. Os torcedores encarnam Sherlock Holmes e deduzem, cheios de razão, o porquê de determinado fato ter acontecido – normalmente, começam suas frases elucidativas com “a verdade é que…”

Ultimamente, diante do mau desempenho de Carlos Eduardo nestes primeiros sete jogos da temporada, muito se tem questionado a lisura de Alexandre Mattos nos negócios. A desconfiança aumentou com a notícia de que o diretor de futebol estaria na Europa em vias de vender Vitão e Luan Cândido, a fim de equilibrar o fluxo de caixa dos próximos meses.

A explicação dada à imprensa é de que existe a possibilidade do Palmeiras ser condenado nos próximos meses a pagar cerca de R$ 40 milhões ao empresário Antenor Angeloni pela compra de Wesley, na gestão Tirone. Há vários aspectos nessa história que precisam ser desenrolados.

Mais uma vez, a discussão sobre o uso da base

Luan Cândido
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A decisão de usar um jogador da base ou vendê-lo já foi objeto de um post, por ocasião de uma suposta oferta para vender Papagaio, em dezembro. O que temos à vista são as atuações de Vitão e Luan Cândido nos times de base, seja do Palmeiras, seja da seleção da CBF.

Vitão parece exercer liderança sobre os companheiros, característica importante para um zagueiro. O garoto é capitão do Palmeiras e da seleção desde o sub-17 e nunca deixou de ser convocado desde sua primeira aparição com a amarela. Mas apesar de ter seus predicados, Vitão não mostrou, em campo, nada que saltasse aos olhos. Parece ser um bom zagueiro – mas iguais a ele, é possível ver vários por aí, pelo menos por enquanto.

Pedrão, que foi emprestado ao América, parece bem mais pronto e segue o fluxo programado pela comissão técnica: um ano só treinando com os profissionais, depois percorre um ciclo de empréstimos para pegar cancha, para aí ser avaliado se pode integrar nosso elenco. Victor Luis cumpriu esse roteiro. Vitinho e Papagaio estão passando por ele. Outros como Anderson e Matheus Rocha foram emprestados direto, sem vivenciar o dia-a-dia da Academia de Futebol.

Luan Cândido parece um caso de exceção. Seu talento e maturidade dentro de campo chama muito a atenção. A chance de estarmos diante de um jogador extra-classe para o futebol mundial parece real e negociá-lo agora é uma tacada de alto risco, neste caso, não só para quem compra, mas também para quem vende. Estas avaliações, claro, são superficiais, de quem vê apenas as partidas e não acompanha os treinamentos e o comportamento intra-muros dos meninos.

Fluxo de caixa prejudicado

Wesley e Tirone

A notícia de que Mattos foi à Europa para vender os garotos por conta de um possível solavanco no fluxo de caixa, ainda por conta do caso Wesley, deixa várias pontas soltas.

O Palmeiras tem se caracterizado nos últimos anos pela extrema organização nas finanças. Ocorre que ações jurídicas antigas, que datam da gestão Tirone para trás, seguem correndo e a estratégia do Departamento Jurídico tem sido buscar acordos para ações tidas como “perdidas”, a fim de diminuir o valor total a ser pago. E isso muitas vezes envolve pagar à vista, ou em poucas parcelas, para reduzir o valor total.

No caso de Antenor Angeloni, um acordo satisfatório havia sido costurado na primeira gestão de Paulo Nobre, mas o COF, por obra de Mustafá Contursi, vetou. Isso irritou demais o empresário catarinense, que hoje se recusa a voltar a conversar como Palmeiras e a ação, que com os juros já beira os R$ 40 milhões, está em vias de ser executada. O timing dessa e de outras execuções é difícil de ser previsto e por vezes isso acaba exigindo alguns sacrifícios no caixa. Tudo isso explicaria esta viagem de Mattos à Europa que está irritando tanto a torcida.

O problema parece ainda maior porque Carlos Eduardo, a segunda contratação mais cara da História do clube, um jogador que nunca chamou a atenção de forma positiva em nenhum clube por que passou, faz um começo de temporada melancólico.

A balança não pode ser seletiva

Mattos e Borja

O folclore do futebol é recheado de histórias sobre negociações espúrias nas quais os cartolas dos clubes levam o famoso “por fora”. Tão recheado que parece difícil não supor que isso realmente acontece por aí – talvez não com a frequência com que a imaginação popular sugere, mas acontece.

Quando uma operação como a de Carlos Eduardo aponta para um saldo negativo, como acontece neste momento, a desconfiança aumenta. Detetives de rede social cravam que aí tem coisa. O que poucos parecem ponderar é que a função de diretor de futebol é passível de grandes erros, assim como pode render grandes tacadas. Ninguém sabe ao certo como um jogador recém-contratado vai render. Ao avaliar um diretor de futebol, a balança não pode ser seletiva, não se pode deixar nenhuma negociação de fora. Para ser justo, é preciso tratar do saldo total.

Não é só a segunda maior contratação da História do Palmeiras que está mal. A primeira também: Borja custou mais de R$ 30 milhões e está enlouquecendo as trombetas do apocalipse da rua Palestra. Só com o 37 e com o 9, são mais de R$ 50 milhões. Mas e quanto Mattos, com seu faro para negócios, já conseguiu de lucro para o clube? E em meio a isso tudo, quão forte foram os elencos que ele montou?

Quanto foi o saldo técnico e financeiro das contratações de Zé Roberto, Tchê Tchê, Moisés, Vitor Hugo, Keno, entre outros casos notórios? Como colocar de lado sua atuação junto a Manchester City e Barcelona para prolongar as estadas de Gabriel Jesus e Mina no clube, mesmo muito bem vendidos? Como esquecer o chapelaço nos inimigos para contratar Dudu, nosso maior ídolo da atualidade?

Dudu

Nestes pouco mais de quatro anos, entre compras e vendas, Mattos deve ter fechado cerca de duas centenas de negócios; mesmo com contratações como Ryder Mattos, Rodrigo, Kelvin, Victor Ramos e Emerson Santos, o saldo financeiro certamente é positivo e tecnicamente o clube vem ganhando títulos.

O salário de nosso diretor é muito bom para que ele não caia em tentação – se caiu ou não, em meio a todas essas negociações, é algo que vai permanecer para sempre no folclore, da mesma forma que antigos diretores de futebol do clube sempre lidaram com essa desconfiança – a não ser que algo concreto venha à tona. O feeling do presidente, que é quem sempre dá a palavra final em cada negociação, é a única coisa que pode frear um negócio aparentemente “estranho”. E se o técnico bate na mesa que quer o Carlos Eduardo, é mais difícil pisar nesse freio.

Para o torcedor que reclama mas paga pelo ingresso, paga Avanti e tudo o mais, no final das contas só interessa o momento, se o time está jogando “bem” ou não. Resultado em clássico conta muito. Pouco importa se é pré-temporada, se é paulista, se foram só sete de 80 jogos e existe um planejamento de evolução técnica. Se tem reforço caro jogando mal, ainda mais depois de perder um Derby, vai ter gente levantando lebres na Internet, cometendo, supostamente, injustiças. Ou não. Isto tudo, no fundo, é um saco, mas é elementar. Não é, Watson?


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