Gustavo Gómez entra em acordo com o Palmeiras e renova o vínculo

César Greco/Ag.Palmeiras

Depois de uma desgastante negociação, o zagueiro Gustavo Gómez chegou a um acordo com o Palmeiras e renovou seu contrato até junho de 2024, com valores ajustados. A informação é do portal globoesporte.com.

Os representantes do jogador interpretavam o texto do contrato de forma diferente do clube e pleitearam ajuste nos vencimentos do atleta baseando-se na forte variação cambial registrada entre a assinatura do primeiro contrato e os dias atuais.

Depois de várias rodadas, finalmente as duas partes entraram em acordo. A assinatura deve ocorrer ainda na tarde desta terça-feira e o contrato precisa ser registrado na CBF até as 19h. A correria deve ter sequência rumo à FPF, para efetuar o registro até as 23h59.

Caso a operação seja bem-sucedida, Gómez terá condições de jogo para a fase final do estadual, até mesmo para o jogo de amanhã, contra o Santo André. Por conta deste desencontro, o paraguaio desfalcou o Verdão nas últimas duas partidas.

Mercenário?

Gustavo Gómez
César Greco/Ag.Palmeiras

Parte da torcida demonstra revolta com a postura do zagueiro. A torcida espera que os atletas tenham o mesmo amor à camisa de quem está nas arquibancadas e sofás, algo que não acontece no mundo dos profissionais.

O termo “mercenário” é provavelmente uma herança dos tempos do futebol amador, antes de 1933. Hoje, todos os jogadores são mercenários. Todos defendem clubes que os pagam e vão atrás da melhor oferta financeira.

Quem ama a camisa somos nós, torcedores. Os atletas podem até demonstrar muito respeito e carinho por um clube, mas são, antes de tudo profissionais. A maioria absoluta deles entrega os rumos de suas carreiras a agentes especializados, figuras isentas de vínculos emocionais no momento de discutir os interesses de seus clientes.

A ausência de vínculos emocionais não dispensa caráter, claro. Temos diversos exemplos de empresários que não demonstram o menor escrúpulo nas negociações, rompendo a barreira do razoável no relacionamento com os clubes. O mesmo se verifica com advogados, no momento de fazer cobranças nem sempre devidas.

Bruno Henrique e Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No caso de Gustavo Gómez, pela falta de informações, não se sabe ao certo se o que os empresários estavam pleiteando era algo justo, levando-se em consideração não apenas o escrito, mas também todo o contexto que levou a essa variação.

De qualquer forma, pedir não é feio. Colocar a faca no pescoço, sem razão, é. Usar a imprensa para ameaçar ir à Fifa para rescindir o contrato é uma jogada cuja validade está no limite das regras do jogo. Ou talvez um pouco além.

Felizmente, no final houve o entendimento, o que atenua as agruras da negociação. O preço final pode ter sido o Gil subindo sozinho e fazendo o gol no Derby. Gómez talvez sinta algum reflexo disso em forma de cobrança nos primeiros jogos, mas nada que a retomada de suas grandes atuações não resolva.

Que nossa torcida não resolva queimar mais um grande jogador por causa das atitudes de seus empresários. Não sabemos o quanto o contrato original lhes dava razão. Não sabemos nem o quanto o próprio zagueiro não influenciou na flexibilização das demandas, que possibilitou o acordo. Sem dados concretos, nossa obrigação é jogar a favor do clube, e não causar mais efervescência.

Que o tempo mais uma vez faça seu papel e a torcida volte a gritar o nome do jogador. A não ser que novos fatos venham à tona. VAMOS PALMEIRAS!


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Após mais de cinco anos, Dudu deixa o Palmeiras

Após uma longa novela, finalmente foi feito o anúncio oficial: Dudu está fora do Palmeiras. O atacante foi emprestado ao Al Duhail-QAT por um ano, com opção de compra. Pelo empréstimo, o Palmeiras receberá limpos € 6 milhões. Caso queira ficar com o jogador em definitivo, o clube catari deverá desembolsar mais € 7 milhões daqui a um ano. Os valores não parecem compatíveis com o tamanho do jogador. Parecem combinar mais com a estatura do atleta.

A saída de Dudu representa a perda do maior ídolo recente da História do clube. No século 21, nenhum jogador fez tantos gols com a nossa camisa – foram 70. Na sequência, longe, vêm Vágner Love (54) e Willian (46). Na lista de jogos, Dudu, com 305, só perde neste século para Marcos (392) e é seguido por outro goleiro, Fernando Prass que atuou 274 vezes com nossa camisa.

Mais do que os números, Dudu foi o símbolo de uma nova era. Depois de anos de péssimas administrações, Dudu foi contratado de forma agressiva e destaque de um elenco totalmente renovado. Sua contratação foi um chapéu comemorado pela torcida nos dois maiores rivais. O próprio jogador tratou de oficializar o simbolismo da transação ao comemorar um gol num Derby pegando emprestado um chapéu de um jornalista.

Sua chegada, que coincidiu com os primeiros jogos no Allianz Parque, foi fundamental na explosão de novas assinaturas do Avanti e da grande virada administrativa e esportiva que o clube deu a partir de 2015. Foi protagonista na conquista de três grandes títulos e um símbolo da postura desejada em campo, jogando sempre com entrega total. Sua saída dói, e muito.

Dói, mas passa

Quando um ídolo dessa envergadura deixa o clube, é sempre um golpe para a torcida. É doloroso, é deprimente, mas faz parte. Como todos estão cansados de saber, os jogadores passam e o clube continua. A saída de Dudu precisa ser superada – e será, mais cedo, ou mais tarde.

Embora a diretoria tenha acenado em off com reposições, é bem pouco provável que aconteça. A rigor, a reposição foi feita antes mesmo de sua saída, com a chegada de Rony. À época, foi pontuado que o Palmeiras não precisava de mais um jogador para a função de atacante de flanco, por melhor que fosse a qualidade do novo contratado. Agora faz sentido.

Enquanto não tinha a saída definida, Dudu estava sendo cotado por Vanderlei Luxemburgo para jogar por dentro – algo que ele poderia fazer bem, mas que ainda era uma incógnita. O fato é que, com Willian, Rony, Veron, Wesley e Luan Silva à disposição, taticamente a saída de Dudu não abre nenhum grande buraco no elenco, desde que Luxa encaixe bem alguém para fazer o miolo.

Em valores absolutos, a transação é muito boa. Excepcional, na verdade. São quase R$ 2 milhões mensais, entre salários e outras obrigações, economizados. E claro, cerca de R$ 45 milhões no caixa, que provavelmente abaterão parte dos cerca de R$ 170 milhões que o clube passou a dever para a Crefisa da noite para o dia, em valores corrigidos. O que é bastante questionável é se Dudu vale isso ou muito, muito mais.

Ele volta?

Dudu e Vitor Hugo

O modelo da transação foi um empréstimo com opção de compra. Hoje, ninguém gostaria de ter perdido Dudu, uma referência técnica, artilheiro e homem com participação decisiva com dezenas de assistências. Mas uma vez que ele saiu, o time vai superar sua saída e se readaptar. Muitos jogadores poderão ganhar espaço e crescer muito.

Daqui a um ano, se Dudu voltar, o Palmeiras deixará de ganhar mais € 6 milhões. É como comprar o jogador de volta. A pergunta é: valerá a pena pagar esse valor por um jogador de 28 anos? Hoje, a maioria dos palmeirenses, ainda machucados com sua saída, diria que sim, mas daqui a um ano, talvez a resposta seja outra. Vai depender muito do encaixe do time.

O fato é que sua volta não depende do Palmeiras, e sim do clube catari, para quem a quantia é irrisória. A não ser que Dudu não se adapte e que faça força para deixar o Oriente Médio, é bem pouco provável que a compra não seja concretizada. O que nos permite pensar de forma bem concreta que este “até breve”, na verdade, é mesmo um “adeus”.

Tanto a torcida quanto o clube precisam superar sua saída. E isso vai acontecer. Nada como uma sequência de jogos para que voltemos a olhar para a frente.

Gratidão

Dudu

Nestes pouco mais de cinco anos, Dudu fez tudo o que a torcida queria de um jogador em campo: marcou gols em todos os principais rivais, tirou sarro, montou de cavalinho, deu tranco em juiz, meteu gol de cobertura e meteu gol em final, foi o maior artilheiro e o jogador com mais assistências.

Dudu foi ídolo e referência também para as crianças, que viam nele o principal motivo para serem palmeirenses e jogadores de futebol quando crescerem. Nossa torcida aumentou demais por causa de Dudu, que conseguiu um fato raro: mais de cinco anos vestindo a mesma camisa.

Depois de usar o mesmo nome de um consagrado ídolo que até busto tem na sede do clube; com a mesma camisa 7 consagrada por Julinho Botelho, Jorginho e Edmundo, Dudu vai deixar muitas saudades e merece toda a gratidão da torcida do Palmeiras. Que seja muito feliz na sequência de sua carreira.

E se acabar voltando, claro, vai ter lugar no time. No coração da torcida, o lugar já está cativo.


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Às portas da volta, Luxa deve ficar sem Rony e Dudu. E agora?

O Palmeiras tem grandes chances de incorrer em dois sérios prejuízos técnicos ainda durante este final de paralisação devido à pandemia da COVID-19. Às vésperas de um Derby, Vanderlei Luxemburgo não sabe se poderá contar com Dudu e Rony e a tendência real é de perdê-los, por motivos distintos.

A imprensa vem noticiando que o Palmeiras está negociando há semanas com um clube do Catar para a transferência de Dudu, no mínimo, por uma temporada. Ainda há alguns pontos que estão travando a definição, mas o Verdazzo apurou que existe um fator que deve pesar para o desfecho: a vontade do jogador, que não é pouca neste momento, de mudar de ares. Isso se dá tanto pelo fator financeiro, quanto mental, já que, é sabido, o clima está muito desfavorável por aqui para Dudu focar em jogar bola.

A outra bucha que estourou às portas da volta das atividades em campo de jogo foi a suspensão de Rony por quatro meses. A punição, imposta pela Fifa, relaciona-se com a transferência do jogador para o Athletico-PR, após passagem pelo Japão. A diretoria do Palmeiras sabia dessa possibilidade quando contratou o atleta e julgou que a chance de haver uma punição em jogos para o atleta era pequena e que a sanção da Fifa foi muito mais rígida que o normal.

Perder Rony e Dudu ao mesmo tempo é algo que certamente não estava nos planos de Vanderlei Luxemburgo. Mesmo pensando em usar Dudu por dentro, mesmo contando com atletas como Lucas Lima, Gustavo Scarpa, Zé Rafael, Raphael Veiga, Gabriel Verón, Luan Silva, Luiz Adriano e Willian Bigode, Luxa fica com o trabalho muito prejudicado ao perder ao mesmo tempo jogadores do calibre de Rony e Dudu.

Nossa diretoria tem consciência desse rombo técnico e sinaliza uma ida ao mercado para repor as perdas. Mas será certamente um negócio ruim, do ponto de vista financeiro, pois o mercado está vendo e se divertindo com os apuros por que passa nosso treinador nesse momento. O Palmeiras, se quiser um reforço à altura das perdas, vai ter que comprar na alta.

Efeito suspensivo e calendário

A suspensão de Rony, começando a contar de hoje, vai até 13 de novembro. Diante dos calendários já divulgados pela FPF, CBF e Conmebol, o camisa 11 ficaria de fora das seguintes fases de cada competição:

  • Paulista – até o fim
  • Brasileirão – até a rodada 20
  • Copa do Brasil – até a ida das quartas-de-final
  • Libertadores – até o fim da fase de grupos; voltaria para as oitavas-de-final

Entrar agora com um efeito suspensivo para tentar um recurso pode ser um tiro no pé. Nossa diretoria tem, neste momento, que avaliar se a chance de êxito é boa. Em caso afirmativo, o clube entrará numa aventura jurídica e torce para reverter a situação para não perder o jogador, nem agora, nem mais tarde. Porque se acabar perdendo o recurso, vai ficar sem o jogador nas retas finais das competições, o que é bem pior que perdê-lo agora.

Uma saída seria começar a cumprir a sentença agora e contar o prazo, ao mesmo tempo em que tenta o recurso. Se perder, nada muda.

O problema é que nunca se sabe o prazo para se julgar um recurso desses. Cada jogo que Rony estiver cumprindo pode ser um jogo desperdiçado em caso de reversão, apenas para mitigar o risco de perdê-lo nas fases decisivas. Seria uma espécie de “seguro”.

O Departamento Jurídico do Palmeiras tem uma decisão dificílima a tomar. É o preço a ser pago pela avaliação feita à época da contratação do jogador, de que o risco de punição em jogos ao atleta era pequeno. Podia até ser, mas aconteceu.

Desafio gigante

Mesmo que a Anderson Barros seja rápido no gatilho e traga um reforço à altura, os primeiros jogos já ficarão bem prejudicados. O calendário dos próximos meses será cruel e todos os times vão sofrer muito com a parte física; mesmo com toda a estrutura à disposição, o elenco do Palmeiras não será exceção.

Vanderlei Luxemburgo tem pela frente um dos maiores desafios de sua carreira: montar um esquema de jogo eficiente com as peças que lhe sobraram à disposição, fazer os atletas, em número reduzido, entenderem suas funções em cada situação e ainda administrar o estado físico de todos, diante da escassez numérica de atletas. Tudo isso com a enorme pressão de ter e vencer os campeonatos que o Palmeiras deixou escapar no ano passado, num calendário insano.

Vai começar mais um capítulo de nossa História, e pelo jeito, será um dos mais difíceis. O que tornará as eventuais conquistas muito mais saborosas.

(E vai que a transferência do Dudu mela; ele esquece os problemas e volta jogando muita bola? Quem sabe?)

VAMOS PALMEIRAS!


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Lista de inscritos do estadual dá dicas importantes sobre as ambições do Palmeiras na temporada

Pedrão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras registrou na FPF na tarde desta terça-feira os inscritos para a disputa do campeonato paulista. Como já é de conhecimento amplo, o regulamento delimita duas listas: uma com atletas oriundos da base, que precisam atender a diversos pré-requisitos, sem limite na quantidade, mas da qual somente cinco podem entrar em campo simultaneamente; e outra com os atletas em geral, limitados a 26.

Vitor Hugo e Gustavo Scarpa, que eram dúvida, estão inscritos. O primeiro recupera-se de uma cirurgia na região inguinal e sua presença na lista é sinal de que a recuperação está caminhando bem. Já o meia teve as negociações com o Almería encerradas e volta a ficar à disposição da comissão técnica.

Um detalhe, no entanto, deixa a torcida desconfiada: o zagueiro Pedrão e o atacante Angulo poderiam ter sido inscritos na lista A, mas ficaram apenas de sobreaviso. As vagas foram “guardadas”, o que só pode ter um significado, diante da disponibilidade de atletas: todas as cinco vagas podem ainda ser preenchidas por jogadores que ainda não fazem parte do elenco atual. Do contrário, não haveria nenhuma necessidade de deixar Pedrão e Angulo de fora.

O Palmeiras tem claras necessidades no comando do ataque e também pode precisar de reforços na zaga, e na lateral esquerda. Além disso, foi revelada uma proposta do clube pelo atacante Ronny, do Athletico-PR. É para a torcida ficar desconfiada mesmo. As ambições do Palmeiras, afinal, podem não ser tão modestas como pareciam.

Timing

Anderson Barros
Fabio Menotti/Ag. Palmeiras

Antes tarde do que nunca, claro. Mas o momento que a força de contratação do Palmeiras parece entrar em cena não é exatamente uma demonstração de planejamento consistente.

Luxemburgo já começou a montar seu plano tático. A comissão técnica já tem os atletas com o preparo físico razoavelmente homogeneizado.

Eventuais chegadas, importantes para finalmente equilibrar setores do elenco que estavam claramente deficientes, não deixam de ser uma evidência de falhas no planejamento.

De qualquer forma, Luxemburgo parece não estar se importando muito com isso e vai trabalhando com o que tem. Receberá os eventuais reforços de braços abertos. Nós, também.

Listas

Abaixo, as listas com os inscritos no estadual:

Lista A
Goleiros
: Weverton, Jailson e Vinicius
Laterais: Marcos Rocha, Mayke, Diogo Barbosa e Victor Luis
Zagueiros: Vitor Hugo, Felipe Melo, Gustavo Gómez, Luan e Emerson Santos
Volantes: Bruno Henrique e Ramires
Meias: Lucas Lima, Raphael Veiga, Zé Rafael e Gustavo Scarpa
Atacantes: Dudu, Luiz Adriano e Willian

Lista B
Lateral
: Esteves
Volantes: Gabriel Menino e Patrick de Paula
Meia: Alan
Atacantes: Gabriel Veron e Wesley


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Hype sobre a base encobre o desequilíbrio do elenco em formação

O empréstimo de Carlos Eduardo, confirmado nesta terça-feira, mantém a tendência desta janela de transferências: uso massivo da base, nenhuma contratação e muitas dispensas.

Jogadores como Borja e Carlos Eduardo estavam muito desgastados com a torcida e não tinham mais ambiente para seguir no elenco. As dispensas, bem costuradas, vieram em boa hora.

Mas o uso equivocado dos recursos no ano passado parece estar cobrando seu preço. A primeira partida da pré-temporada acontece daqui a oito dias e nenhuma contratação foi feita. A determinação, segundo repercutem os setoristas do clube, é de contenção de despesas.

Para suprir as sete saídas confirmadas até agora no elenco, foram incorporados nove atletas oriundos de nossas categorias de base. E nem todas as saídas tiveram reposição, assim como nem todas as promoções ocuparam lacunas. O elenco ainda parece desequilibrado.

Idas e vindas: desequilíbrio e indefinições

Para a saída de Fernando Prass, Vinicius Silvestre foi incorporado. Para preencher as vagas de Edu Dracena, Antônio Carlos, e Thiago Santos, foram chamados Pedrão, Patrick de Paula e Gabriel Menino – o movimento de Felipe Melo para a zaga corrige este pequeno desencaixe. Até aqui, caso o camisa 30 seja mesmo deslocado, tudo certo.

A saída de Carlos Eduardo está sendo reposta, no papel, por três meninos da base: Angulo, Wesley e Veron. O grupo se ressentia de atletas com essa característica em 2019: além de Dudu, tivemos apenas Carlos Eduardo e Felipe Pires, que logo foi repassado. Teoricamente, os três garotos devem lutar por duas vagas. Até aqui, continua tudo certo.

Luiz Adriano
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Mas ainda há ajustes a serem feitos. De nossa trinca de centroavantes do ano passado, Borja, Henrique Dourado e Deyverson, os dois primeiros já saíram e Deyverson, finalmente, recebeu novas propostas do exterior e tende a ser mais um a deixar o clube. Luiz Adriano e Willian, que não têm porte físico para serem usados como nove clássico, seguem sendo nossas opções para a função.

Papagaio voltou de empréstimo e está treinando separadamente do grupo principal – seria uma opção caso o Palmeiras esteja realmente em situação de penúria, sem nenhuma verba para compras. Mas o ideal, claro, seria investir pesado num reforço para esta faixa do campo.

Victor Luis está cotado para ser negociado com o Atlético, assim como Hyoran – o meia sequer está participando das atividades neste início de trabalhos. Os representantes de Gustavo Scarpa seguem conversando com o Almería-ESP.

Diogo Barbosa
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Se o camisa 26 deixar o clube, Lucas Esteves será a única alternativa para o lado esquerdo da defesa – e o titular, Diogo Barbosa, terminou o ano muito contestado diante de seu fraco desempenho.

Na meia, ainda sem saber se Scarpa fica ou sai, Alan precisa dar certo para ser uma opção para Luxa. Raphael Veiga, Zé Rafael e Lucas Lima rendem bem quando bem usados, mas Luxa precisará ser certeiro para achar a química correta, construindo um desenho tático onde todos produzam o que sabem. Não há margem para erros no setor taticamente mais importante do time. E sequer sabemos quem fica e quem sai.

Vamo-que-vamo

Uma ala da torcida, de forma surpreendente, parece estar comprando bem a ideia de repor as saídas apenas com a base. Provavelmente estão fazendo uma ligeira confusão entre não gastar de forma desordenada com não contratar ninguém.

Um clube com as pretensões do Palmeiras não pode se dar ao luxo de virar um ano sem reforçar o elenco nas funções mais carentes, confiando apenas no poder da base – por melhor que tenha sido o desempenho dos meninos no ano passado. Apostar nos poderes mágicos de Luxemburgo parece um risco muito alto.

Gabriel Verón
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A diretoria está tentando consertar seus equívocos na administração financeira no ano passado e está aproveitando o hype em cima da base para justificar uma janela inteira em branco iludindo parte da torcida.

Como contra-argumento, há quem defenda a medida usando como exemplo o sucesso do Flamengo, que contratou meio time na janela de julho em 2019. Tomam uma exceção como regra. Um tiro no escuro que foi na mosca virou tendência.

O planejamento do elenco deste ano é o menos profissional desde 2015. O fluxo de caixa capenga está determinando uma postura “vamo-que-vamo”: coloca pra jogar e vê o que acontece, em julho a gente vai atrás pra corrigir que deu errado.

Ainda há tempo para corrigir, embora o planejamento tático esteja nitidamente atrasado diante de tantas indefinições. O Palmeiras não precisa comprar meio time, bastam duas ou três contratações grandes, que demonstrem realmente o tamanho da ambição do clube para esta temporada. Quanto mais demorar, menor parece. TIC TAC!


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