Felipão sustenta marca histórica e pode até bater a Academia de 72

Em 24 de novembro de 1971, Oswaldo Brandão assumiu o comando do Palmeiras pela quarta vez. Após uma campanha medíocre na primeira fase do Brasileirão daquele ano e de um empate em casa contra o Coritiba, pela primeira rodada da segunda fase, Mario Travaglini foi demitido e o Velho Mestre foi mais uma vez chamado.

O time de Brandão não conseguiu avançar ao triangular final, e o Brasileirão daquele ano acabou nas mãos do Atlético, mas o Brasil veria, meses depois, nascer um dos times mais espetaculares da História do Futebol.

O ano de 1972 foi mágico para o Verdão. A Segunda Academia encantou o país e a escalação básica, até quem não é palmeirense, sabe decorado: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir; Edu, Leivinha, César e Nei. Fedato, Madurga, Pio e Ronaldo, menos lembrados, também foram presenças constantes em campo.

Sob o comando de Oswaldo Brandão, aquele time magnífico só foi conhecer sua quinta derrota em 2 de novembro de 1972, 344 dias após o início dos trabalhos. É um recorde absoluto e praticamente inalcançável.

De volta ao presente

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Considerando que a partida contra o Bahia, no dia 2 de agosto, sob o comando do auxiliar Paulo Turra, marcou o início do trabalho da atual comissão técnica, já são 236 dias decorridos e o Palmeiras só perdeu quatro partidas desde então.

Sem cometer a heresia de comparar o talento dos jogadores das duas épocas, enxergando apenas os números: para bater o recorde da Academia de Oswaldo Brandão, o grupo atual precisaria se manter invicto até o dia 13 de julho. Na prática, teria que chegar até a Copa América sem perder, e ainda resistir à primeira partida das quartas-de-finais da Copa do Brasil, a ser disputada no dia 10 de julho, no primeiro jogo após a pausa.

Traduzindo em jogos, será necessário então resistir a mais 21 partidas (cinco pelo Paulista, nove pelo Brasileiro, três pela copa do Brasil e quatro pela fase de grupos da Libertadores) para alcançar a fantástica marca.

A tarefa é quase impossível. Mas o que este time sob o comando de Felipão conseguiu até agora já é a segunda maior sequência de um trabalho de um treinador antes de perder o quinto jogo. Nunca na História do Palmeiras outro trabalho demorou tanto para perder pela quinta vez – a não ser a incrível Academia de Oswaldo Brandão.

A temporada tem doze meses

Felipão

É comum notar na imprensa, dia após dia, críticas ao futebol do Palmeiras. Exigem que o time, em março esteja jogando “em todo seu potencial”. Esquecem, convenientemente, que a temporada tem doze meses e que o funil começa mesmo a partir da segunda metade de agosto, quando teremos as quartas-de-finais da Copa do Brasil e da Libertadores.

Temos que crescer na hora certa. De nada adianta estar voando nos estaduais. Quem mostra tudo o que pode agora está fatalmente condenado a sucumbir no fim da temporada, seja porque os jogadores viram o fio fisicamente, seja porque o time fica manjado taticamente e acaba sendo neutralizado nas fases decisivas.

Infelizmente nossa torcida segue entrando na ladainha de que o time “poderia estar jogando mais”. De fato, poderia – mas não é motivo para cairmos feito patinhos nos truques da imprensa, cujo único objetivo é aumentar a temperatura do caldeirão palmeirense.

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As lesões de Goulart e Scarpa, em momentos distintos, atrasaram um pouco o desenvolvimento tático, mas mesmo assim o time segue evoluindo, tendo mostrado partidas muito consistentes. Com os dois jogando juntos, tendo ainda o suporte de Dudu, e temos um “potencial” de evolução muito grande pela frente.

E mesmo assim o time segue extremamente competitivo, tomando pouquíssimos gols e sustentando uma sequência histórica de muito respeito.

As oscilações são normais. Com exceção do paulista, que pouco vale, não há taças em jogo agora e nossa preocupação é avançar nas Copas e manter a pontuação suficiente para um lugar no G4 no Brasileiro. Na hora certa, com o físico bem administrado, é que devemos esperar este time mostrando “todo o potencial que tem” e deslanchando rumo às conquistas.

Não caia nas arapucas. Mantenha o olho em quem tenta desestabilizar nosso ambiente.  São inimigos do Palmeiras. Despreze-os. Valorize somente os bons profissionais e a mídia palestrina, que tratam nosso time com o respeito que ele merece.


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Nos confrontos diretos, o Palmeiras leva vantagem em quase todos

SCCP 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Em mais de 104 anos de História, o Palmeiras consolidou-se como o maior vencedor de títulos nacionais. Os fatos estão escritos e documentados; só nega quem tem necessidade de auto-afirmação.

Essa supremacia foi construída jogo a jogo e pode ser constatada nas estatísticas, disponíveis na seção Almanaque do Verdazzo.

O Palmeiras leva vantagem nos confrontos diretos contra quase todos os adversários que já enfrentou, mesmo tendo passado por dois longos períodos de graves crises política e administrativa em sua trajetória – que refletiram em times muito ruins e anos de depressão técnica.

A seguir, o Verdazzo traz um levantamento dos confrontos diretos contra as principais camisas do país. Os números estão em total sintonia com a contagem oficial do Palmeiras, que nem sempre batem com os números dos adversários, por divergências nos critérios para validar as partidas.

Clássicos paulistas

A vantagem contra o neo-inimigo SCCP é apertada, de apenas duas vitórias, mas segue sendo sustentada há muito tempo. O clube que já foi nosso maior rival, entretanto, vem conseguindo diminuir a diferença nos últimos jogos: quando não conta com uma inacreditável sorte, chega aos resultados, a olhos vistos, usando métodos escusos.

Já o Santos é nosso maior freguês: as 140 vitórias nos dão uma inalcançável margem de 34 triunfos, com Pelé e tudo. Freguês eterno; nada pode ser menor.

A vantagem do SPFC já foi bem maior, fruto dos períodos de estiagem que atravessamos. Mas nos últimos anos a diferença está se deteriorando; após o jogo de ontem, caiu para apenas três vitórias (no saldo de gols, já temos vantagem). Na contagem deles, que sequer sabem a data em que foram fundados, a contagem está empatada.

Confira abaixo o mapa dos confrontos com os adversários mais tradicionais do estado; clique sobre os nomes dos clubes para acessar a lista de jogos:

JVEDGPGCSG
SCCP370131110129522483+39
Santos33414088106559473+86
SPFC31210599108408407+1

Domínio absoluto contra cariocas

Não é à toa que existe um fenômeno no Rio de Janeiro, onde as camisas do Palmeiras, mesmo em tempos bicudos, sempre foram muito populares. Além da torcida do Verdão ser realmente diferenciada, os resultados contra os times da Cidade Maravilhosa são estrondosos.

O Flamengo fica no cheirinho desde sempre; são nove vitórias de diferença no confronto. Já o Botafogo precisaria vencer onze confrontos seguidos para igualar a contagem.

O Fluminense teve até um período recente de vitórias contra nós, já estancado e insuficiente para fazer cócegas na vantagem: são 25 triunfos de diferença. E quando você pensa que não pode existir freguesia maior fora do estado, aparece o Vasco, comendo poeira com desvantagem de 27 derrotas.

Parece que está explicado o fenômeno. O Rio de Janeiro continua lindo.

JVEDGPGCSG
Flamengo114463137192164+28
Botafogo117453834174149+25
Fluminense109591634190152+38
Vasco128583931207162+45

Trabalho a fazer em Minas e Rio Grande

Tanto em Minas quanto no Rio Grande do Sul mantemos um freguês de caderneta e uma pedra no sapato – nada que não possa ser resolvido.

Em Belo Horizonte, o Galo é cliente VIP: precisa tirar nove vitórias de desvantagem, numa contagem cuja tendência atual é de crescer ainda mais. Já o Cruzeiro sustenta uma pequena margem de três vitórias, embora o Verdão leve vantagem no saldo de gols.

No sul, o Grêmio, apesar dos inesquecíveis confrontos na década de 90, tem números vergonhosos e não alcança nem metade das vitórias do Verdão. É uma autêntica surra.

O problema mesmo é o Inter, que sustenta uma incômoda vantagem de oito vitórias e 22 gols – algo que já foi maior e vem sendo descontado nos últimos anos.

JVEDGPGCSG
Atlético8037152811195+16
Cruzeiro95322835141136+5
Grêmio9340341913597+38
Inter8929233793115-22

Protagonismo também nos números

Todos os confrontos históricos do Palmeiras podem ser consultados aqui. O Verdão está em pequena desvantagem contra alguns times importantes do futebol sul-americano, como Nacional (URU) e River Plate (ARG), ou mesmo contra times brasileiros de pequeno porte, como a Chapecoense, mas a lista de confrontos é curta; não atinge 15 partidas e a base estatística pra decretar uma “freguesia” parece frágil.

O Paulistano, uma potência no futebol no início do século passado que já era heptacampeão paulista quando o Palestra Italia conquistou o primeiro campeonato em 1920, tem boa vantagem no confronto. Mas o clube encerrou suas atividades em 1930 e o Palestra/Palmeiras não teve a chance de virar o jogo.

Entre os adversários com mais de 15 confrontos que continuam em atividade, precisamos buscar mesmo é o Inter, que sustenta uma margem razoavelmente confortável. Cruzeiro e SPFC estão na alça de mira, e não podemos mais nos descuidar nos Derbies, já que o SCCP descontou nossa boa vantagem nos confrontos recentes.

A volta ao protagonismo do futebol brasileiro, consolidada nas últimas temporadas, nos dá plenas condições de, além de continuar conquistando títulos, dominar completamente as estatísticas de todos os confrontos relevantes num futuro, talvez, próximo. VAMOS PALMEIRAS!


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Reeleito, Mauricio Galiotte tem novos desafios nos próximos três anos

Maurício Galiotte e Genaro MarinoNo último sábado, os associados do Palmeiras decidiram em Assembleia Geral que Mauricio Galiotte continuará sendo presidente do Palmeiras, pela primeira vez num triênio – de 2019 a 2021.

O atual presidente foi reeleito com 1843 votos, contra 1176 de Genaro Marino, candidato da oposição e vice-presidente na atual gestão. Presidente e vice romperam logo nos primeiros dias da gestão, após o fim do segundo mandato de Paulo Nobre.

Contexto da disputa

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO racha na atual gestão deu-se logo na primeira semana de trabalho. A questionável manobra arquitetada por Mustafá Contursi para tornar Leila Pereira, dona da Crefisa e patrocinadora do clube, elegível ao Conselho Deliberativo, desagradou a Paulo Nobre, que rompeu definitivamente com o casal Lamacchia. Galiotte teve então que optar: ou mantinha em torno de si o grupo com quem trabalhou por quatro anos, ou se apoiava numa base política tradicional, comandada por Mustafá, somada ao apoio financeiro da Crefisa, que por sua vez condicionava o vultoso patrocínio ao afastamento das pessoas ligadas a Nobre.

Galiotte optou pela dupla Mustafá/Leila. Três vice-presidentes foram imediatamente isolados de todos os passos da gestão, inclusive fisicamente, realocados em salas distantes da presidência. Tais atitudes geraram um enorme desapontamento dos ex-companheiros de trabalho, que imediatamente se tornaram oposição ao presidente, que mesmo assim se sentia satisfeito com a base política e financeira que havia construído, a despeito das consequências de cunho político e pessoal.

Mustafá e Leila rompem

Leila Pereira em campanha
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Leila Pereira se tornou uma espécie de celebridade, bastante ativa nas redes sociais e aclamada no clube social e nos entornos dos estádios. As novas contratações do elenco eram sempre associadas ao aporte financeiro da Crefisa, transformando-a numa popstar palmeirense.

Enquanto isso, Mustafá Contursi seguia em sua rotina política, fazendo agrados à sua base, apoiado na distribuição de ingressos que conseguia de uma cota fornecida por Leila. Até que uma denúncia de desvio dessas cotas para cambistas foi a deixa para que Leila rompesse com Mustafá – algo que, aparentemente, sempre esteve em seus planos e ela só esperava o motivo.

Livre de Mustafá, Leila Pereira passou a ser a única influência sobre Mauricio Galiotte, o que foi muito importante quando a Receita Federal autuou a Crefisa por irregularidades na declaração no que dizia respeito ao repasse de verbas para a aquisição de jogadores. Foi necessário fazer um ajuste por questões fiscais e o Palmeiras acabou se tornando devedor de R$ 120 milhões da noite para o dia, com a anuência do presidente.

O COF, comandado por Mustafá, reprovou as contas da gestão – coberto de razões técnicas para tal. O que não significa, caso fossem aliados políticos, que fossem feitas vistas grossas. Foi o preço pago pela dupla Galiotte/Leila por romper com o velho cacique.

Caminho livre

Pizza!A escalada política de Leila Pereira prosseguiu com a alteração estatutária que ampliou o mandato do presidente para três anos. O tema era um justo anseio dos palmeirenses durante décadas, já que o mandato de apenas dois anos tornava o ambiente no clube excessivamente carregado de tensões políticas.

Ocorre que a mudança só foi colocada em pauta porque beneficiava exatamente a Leila Pereira, que por isso terá condições de concorrer à presidência ao final de 2021. Se o mandato permanecesse em dois anos, ela teria que esperar até 2022.

Para que a alteração, casuísta, fosse aprovada, Leila não mediu esforços. Rodízios e mais rodízios de pizza foram promovidos no clube social; presentinhos baratos como bolas de plástico para crianças e selfies e beijinhos distribuídos sem parcimônia, tudo para que os associados fossem favoráveis à mudança, usando a “modernidade” como retórica.

Leila PereiraEnquanto escalava rapidamente a política palmeirense, Leila via a importância da Crefisa nas contas do clube crescerem cada vez mais, com a queda ininterrupta do número de associados do Avanti, num processo de “unimedização” de um modelo de receita que antes era tremendamente equilibrado.

Foi sob o comando de Galiotte e Leila que o Palmeiras, apesar do elenco fortíssimo, patinou em sete campeonatos no biênio 2017/2018, conseguindo conquistar o brasileiro graças à mudança desesperada de comando técnico em julho, num golpe que acabou se mostrando certeiro.

Os desafios da próxima gestão

Mauricio GaliotteNo curto prazo, o futebol do Palmeiras seguirá forte. Seguiremos surfando na onda atual, já que temos um elenco fortíssimo que precisa apenas de ajustes pontuais para seguir protagonizando o futebol nacional. Alguns contratos importantes precisam ser renovados – sobretudo o de Dudu. Caso não obtenha sucesso, Galiotte terá recursos para uma reposição à altura – até porque, haverá a receita da saída do camisa 7.

O Avanti vive uma crise gravíssima. O programa que deveria ser a principal base de sustentação da economia palmeirense está deteriorando. Produtos pouco atraentes e falhas constantes no sistema de venda de ingressos impelem o palmeirense a desistir de fazer parte do quadro de associados, recorrendo cada vez mais às cadeiras da WTorre como alternativa para ter garantia de acesso aos jogos.

O enfraquecimento do Avanti traz na esteira a enorme deficiência do processo de precificação dos ingressos. Os constantes clarões vistos no estádio evidenciam o problema; as faixas de preço parecem definidas “no chute” e não obedecem a um modelo técnico.

Enquanto isso, o time desfruta da proteção restabelecida na Academia de Futebol após a chegada de Felipão – a blindagem fazia muita falta nos tempos de Eduardo Baptista, de Cuca em sua segunda passagem e de Roger Machado, que tinham que conviver com um entra-e-sai incessante de pessoas sem nenhuma relação com o dia-a-dia do futebol, fruto de concessões políticas a conselheiros e patrocinadores. Essa proteção deve permanecer com ou sem Felipão, a diretoria precisa respaldar a condição da Academia como “lugar sagrado”.

ArbitragemAo mesmo tempo em que protege o elenco de influências externas, a diretoria precisa, de uma vez por todas, estancar os danos causados pelas arbitragens. Este ano, o Palmeiras teve forças suficientes para vencer o Brasileirão, nos pontos corridos, apesar das sucessivas interferências dos árbitros. Mas por absoluta inoperância nos bastidores, acabamos alijados das disputas do Paulista e da Copa do Brasil, decididos em mata-matas – sem mencionar o próprio Brasileirão do ano passado.

Por fim, Galiotte precisa colocar o Palmeiras acima dos interesses políticos e/ou pessoais de qualquer personagem, inclusive os de Leila Pereira. Se houver a possibilidade de um contrato de patrocínio maior que o da Crefisa, ela deve ser tratada com a devida atenção, nem que isso signifique um realinhamento da relação com Leila. O Palmeiras deve vir sempre em primeiro lugar.

Boa sorte

Que o presidente reeleito Mauricio Galiotte tenha boa sorte neste triênio à frente do clube. Que o Palmeiras siga trilhando o caminho das conquistas, protagonizando o futebol brasileiro. Que nosso clube siga subindo o sarrafo e puxando a fila, sem regredir. Que o modelo de receita seja reequilibrado, que as arbitragens voltem a nos respeitar. E que a Política volte a ser praticada de forma altiva, com “P” maiúsculo, com “P” de Palmeiras.

Mesmo apoiando o grupo derrotado na eleição, o Verdazzo seguirá torcendo sempre pelo sucesso do Palmeiras, seja quem for o mandatário, mantendo a lealdade como padrão. Mas sempre atento e vigilante.


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Em 2016, Palmeiras também foi cauteloso na reta final

BrasileirãoO empate de ontem no Independência deixou o Palmeiras mais perto do título do que estava antes da rodada começar. A diferença para o Inter se manteve e o Flamengo ficou um ponto a mais para trás, com uma rodada a menos por disputar. Agora, são apenas cinco jogos para o fim do campeonato e temos uma confortável diferença de cinco pontos para o segundo e sete para o terceiro.

A situação, aliás, lembra muito a de 2016. Há dois anos, a pontuação do Palmeiras, na liderança, e a do vice-líder, o Flamengo, eram as mesmas dos dois primeiros deste ano, como vocês podem conferir na tabelinha ao lado. Nos jogos finais, o Palmeiras administrou a vantagem e minimizou os riscos. O que não quer dizer que esses riscos não tenham existido.

Ontem, o Verdão empatou o jogo a 15 minutos do fim, e poderia ter perdido. Mas também poderia ter aberto o placar no primeiro tempo em três ótimos lances de Willian, Guerra e Deyverson e tornado o jogo mais fácil – são variáveis que fazem parte da imprevisibilidade do jogo.

Correr riscos ainda é uma realidade para o Palmeiras no Brasileirão; nosso clube ainda não chegou ao mesmo patamar de dominação do Barcelona na Espanha, por exemplo, mas estamos tentando caminhar nessa direção. Quem sabe, chegaremos a essa excelência em alguns anos. O Barcelona, aliás, perdeu ontem para o Bétis em casa por 4 a 3.

A reta final de 2016

2016Em 2016, a partir da rodada 34, o Palmeiras de Cuca apenas administrou a vantagem, com jogos pragmáticos onde conquistou os pontos necessários para o título. E mesmo assim correu riscos. Na rodada 34, sob chuva, venceu o Inter por 1 a 0, com gol de Cleiton Xavier no primeiro tempo, mas quase sofreu o empate numa arrancada de Anderson que chegou frente a frente com Jailson, mas concluiu por cima.

Na rodada 35, vejam só: um empate por 1 a 1 com o Atlético no Independência: Gabriel Jesus abriu o placar no primeiro tempo, mas Pratto empatou aos 13 do segundo tempo e o Palmeiras sofreu uma enorme pressão até o fim do jogo – no final, comemorou o resultado e a vantagem de quatro pontos para o vice-líder.

Na rodada 36, com um gol de Dudu de cabeça, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 no Allianz Parque abarrotado, em partida que foi bem mais difícil do que o time carioca poderia sugerir – muito por causa da postura cautelosa de Cuca, que armou o time para não correr riscos de ser surpreendido em contra-ataques. O Verdão abriu seis pontos para o Santos e ficou a um empate do título, em dois jogos.

A conquista veio na rodada 37, em mais um jogo extremamente cauteloso do Palmeiras, que venceu os reservas da Chapecoense por 1 a 0, num gol chorado de Fabiano. O desinteresse do time catarinense, focado na disputa da Sul-Americana, facilitou a missão, mas mesmo assim a vitória veio de novo pelo placar mínimo.

Quem brilha é o troféu

Campeão Brasileiro 2016Mesmo correndo alguns riscos, algo que time nenhum do planeta jamais estará imune (afinal, é futebol), o Palmeiras vai chegando cada vez mais perto de mais uma conquista para se distanciar dos outros na lista dos maiores vencedores do Brasileirão.

Felipão, a seu modo, já construiu uma espetacular sequência de 18 jogos sem derrota, mesmo sem pré-temporada, mesmo sem poder montar o elenco com peças que se encaixem a seu modelo. Ontem, armou o time de forma a minimizar mais uma vez o risco de derrota e poupou os principais jogadores para a sequência final. O time está entregando os resultados. Nosso treinador merece crédito, mesmo nos deixando apreensivos durante os jogos.

A tabela que se oferece ao Verdão é bastante convidativa; serão três jogos em casa e mais um contra o Paraná em território amigável e o Palmeiras precisa de apenas mais onze pontos para não depender de tropeço nenhum dos concorrentes.

Muricy RamalhoEm 2009, a vantagem de cinco pontos era na rodada 29, e ela se esvaiu quando Muricy colocou o time pra frente, para abrir mais vantagem, quando poderia ter fechado a casinha e administrado os pontos.

Jogar de forma cautelosa, a exemplo do que fez o time de Cuca em 2016, parece ser a melhor forma de trabalhar essa vantagem. O Palmeiras não precisa dar show nesta reta final. Não precisamos de brilho. Quem cobra brilho deste Palmeiras é por puro despeito; não podemos cair nessa. Quem brilha mesmo, sob uma chuva de papel picado e fumaça, é o troféu.


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Nem só de trevas viveu o jejum: monte sua Seleção da Fila

1987Nestas raras semanas livres, sobra tempo para falar um pouco de amenidades e de reviver o passado. Ontem completaram-se 85 anos da sensacional goleada do Palestra Italia sobre o ex-SCCP, atual ORCRIM de Itaquera, por 8 a 0.

Nosso passado é repleto de glórias, mas também traz períodos de trevas profundas – exatamente o que faz da História do Palmeiras algo singular. O dia 12 de junho de 1993 encerrou um jejum de quase 17 anos sem títulos; uma fila que parecia não ter fim foi exterminada de forma apoteótica nos 4 a 0 inflingidos por Sérgio; Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson, Edilson e Zinho; Edmundo e Evair.

Esta formação clássica é base para qualquer seleção dos melhores do Palmeiras das últimas décadas. Mas surgiu um desafio, proposto pelo perfil @Palmeirologia do Twitter: escalar uma Seleção da Fila, dos melhores jogadores que jogaram entre 1977 e 1992 e que nunca conquistaram um título pelo Palmeiras – algo que torna inelegíveis para a brincadeira craques como Leão, Luís Pereira e Jorge Mendonça.

Ao fazer esse pequeno exercício, podemos lembrar que tivemos jogadores realmente muito bons naquele período. Para homenagear aqueles heróis dos tempos das vacas magras, listamos três times.

1984
1984

Como vocês poderão ver, a terceira formação já precisou de umas apeladas. O que explica por que ficamos tanto tempo sem levantar troféus. Aos mais velhos, é uma diversão. Aos mais novos, é História.

Confira os times e monte os seus nos comentários!

Time 1

Zetti; Diogo, Toninho Cecilio, Vagner Bacharel e Pedrinho; Gerson Caçapa, Carlos Alberto Borges e Edu Manga; Jorginho, Mirandinha e Mario Sérgio.

Time 2

Gilmar; Edson Boaro, Marcio Alcântara, Polozi e Dida; Lino, Mendonça, Enéas e Edu Marangon; Careca Bianchesi e Baroninho.

Time 3

Ivan; Ditinho, Andrei, Dario Pereyra e Paulo Roberto; Rocha, Betinho e Aragonés; Jorginho Cantinflas, Edmar e Éder.

Obs: sim, tivemos muita gente ruim, mas muita mesmo. Tentamos juntar os mais notáveis de todos os tempos numa camiseta, para mostrar o quanto fomos fortes para sobreviver e chegar aos tempos atuais, de volta ao protagonismo. Confira aqui.

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