O maior de todos os títulos do Palmeiras completa 26 anos

O palmeirense que nasceu em 1970, ou um pouco depois, é cascudo. Ser palmeirense naquela época, assim como hoje, era moleza; eram títulos atrás de títulos. Minhas primeiras lembranças futebolísticas datam de 1977, quando fui instruído por meu avô parmerista a torcer pela Ponte Preta na final do Paulista e pelo Galo na final do Brasileiro. Não deu certo. Mal sabíamos que aquilo era só o começo de uma saga.

As frustrações começaram a se acumular no Brasileiro de 78, quando o diretor de futebol Mustafá Contursi resolveu deflagrar uma crise às vésperas das finais por causa do bicho dos jogadores. Com 7 anos, depois do Beto Fuscão entregar o gol para o Careca, só perguntei para minha mãe se o segundo colocado também ganhava troféu. Ela disse que achava que sim, só para me confortar. Meus primos, um ou dois anos mais velhos, ainda contavam vantagem pelo título de 1976, ganho com um gol do Jorge Mendonça. Eu não via a hora de ser campeão também.

Veio 1979 e o Palmeiras pereceu nos pés de Falcão, no Morumbi lotado, num grande jogo. O Paulista foi manobrado por Vicente Matheus, e mesmo depois de ganhar os três turnos, um gol de canela de Biro-Biro nos tirou da luta.

Em 1980 começaria uma sucessão de times horrorosos, com personagens folclóricos. O símbolo da ruindade acabou sendo o zagueiro Darinta, de 1981 – um tanto injustiçado, que paga mais pelo nome incomum, já que não era pior que a maioria de seus companheiros de defesa, Benazzi, Deda e Jaime Boni.

Anos de luta – e mais frustrações

Um sopro de esperança surgiu em 1982, com um time montado com Baltazar e Enéas, que se juntaram a Luís Pereira, Aragonés e Jorginho. Sob a batuta do seo Minelli, o time não fez feio, mas perdeu. De novo. Assim como em 1983, quando fez duas semifinais duríssimas contra o SCCP, e acabou parando num gol solitário de Sócrates.

Em 1984 até deu orgulho. Depois de vacilar no Brasileiro (eliminado num grupo com Santos, CRB e Fortaleza, mesmo finalizando a campanha com três vitórias e um sonoro 7 a 0 no time alagoano), o time iniciou o Paulistão, por pontos corridos, voando. Mario Sérgio comandava o time que abriu frente na tabela, até pegarem nosso camisa 11 no exame antidoping. Cisco Kid foi suspenso por seis jogos, nossos pontos da vitória sobre o SPFC foram retirados (!!!) e o time sentiu demais a saída do craque doidão, despencando na tabela.

Em 1985 a palavra “fila” começou a aparecer nos noticiários e o Palmeiras perdeu o respeito que tinha imposto por anos e anos de conquistas. Viramos piada, coroada com a vexatória eliminação para o XV de Jaú, no Palestra lotado. Era só ganhar e ir para a semifinal contra a Lusa.

Mas com Edmar, Éder e Mirandinha, mais os garotos Gerson Caçapa e Edu Manga, sempre ao lado dos símbolos do time Jorginho e Vágner Bacharel, o time de 1986 virou uma semifinal roubadíssima sobre o SCCP com direito a gol olímpico, para perder o título para mais um time do interior: a Inter e Limeira, em dois jogos no Morumbi lotado de palmeirenses. A fila completava duas mãos cheias, e os moleques com 15 para 16 anos continuavam sem ver seu time campeão.

Agora vai? Não, não vai

Em 1987 o time enfileirou uma sequência de 12 jogos sem tomar gols, revelando o goleiro Zetti. Ganhou o primeiro turno e nossa torcida, carente, gritou “é campeão!”, para diversão dos rivais. Caímos na semi, num gol do meio da rua de Neto, então no SPFC, que entrou pelas canetas de Zetti. O Brasileiro – então “Copa União”, foi um fiasco, assim como a do ano seguinte, da qual só se aproveita a vitória nos pênaltis sobre o Flamengo, com o centroavante Gaúcho no gol.

O ano de 1989 começou promissor, com mais uma baciada de boas contratações. Leão iniciava sua carreira de técnico e alçou Velloso ao time principal. Edu Manga liderou uma campanha memorável, invicta, até o triangular semifinal – uma dolorosa derrota no Marcelo Stéfani criou o Bragantine’s 13 anos, mais uma piadinha que nos deu uma prolongada ressaca. E piorou no fim do ano, eliminados no Brasileiro por um gol de calcanhar de Claudio Adão.

O Palmeiras poderia ter se vingado do Bragantino em 1990 – bastava vencer a Ferroviária no Pacaembu lotado e ir à final – mas o empate por 0 a 0 classificou o Novorizontino, que assim fez uma inédita final caipira; o zagueiro Aguirregaray perdeu um gol incrível no último lance, piorando nossos pesadelos. Na sequência, a fraca campanha no Brasileirão fez a fila aumentar mais um ano. Mais dois, porque 1991 também foi um ano fraco, apesar do time ser guerreiro. Não tínhamos ideia do que significavam as chegadas de César Sampaio e Evair – à época, eram apenas mais duas entre tantas dezenas de tentativas.

Em 1992 o time seguia a sina de derrotas e eliminações, até que a co-gestão com a Parmalat foi iniciada. Chegaram os primeiros presentes – a começar pelo centroavante-sensação do Vasco, Sorato. No segundo semestre, chegaram Mazinho e Zinho. O time chegou, depois de seis anos, a uma final, mas não estava pronto para bater de frente com o forte SPFC de Telê Santana. Aquele vice-campeonato nem doeu tanto.

O ano da graça de 1993

Todo esse preâmbulo foi necessário para que os mais novos tenham a noção do quanto foi duro esse período de frustrações, sobretudo para a turma de 1970 e arredores. Com 22 para 23 anos de idade, continuávamos virgens de títulos, enquanto os rivais e inimigos nadavam em troféus. Mas com a chegada do quarteto composto por Antônio Carlos, Roberto Carlos, Edílson e Edmundo, a esperança se renovou, mais uma vez.

Otacílio Gonçalves montou a base e o time estava jogando bem, mas ainda oscilava. Uma sequência de três derrotas em abril – Vitória, pela Copa do Brasil, Mogi Mirim e SPFC, pelo Paulista – derrubou o bonachão treinador, mas a base estava pronta para que o novato Vanderlei Luxemburgo pudesse brilhar.

O Palmeiras ainda disputava a Copa do Brasil e acabou eliminado pelo Grêmio nos pênaltis, mas a torcida estava mesmo focada no Paulistão – e o Palmeiras voou no quadrangular semifinal, com seis vitórias em seis jogos contra Guarani, Ferroviária e Rio Branco. No outro grupo, o SCCP roubou o SPFC e veio para a final.

Nosso time era muito, muito melhor, mas o peso da fila era brutal. Todas as memórias descritas neste texto afloraram, mesmo nos corações dos palestrinos mais velhos. A imprensa, vestida de preto e branco, colocava toda a pressão que podia em nossos jogadores. Nas ruas, a pergunta que machucava: “você já viu seu time ser campeão?”. Não, seu FDP, nunca vi. Mas vou ver.

As finais

6 de junho, domingo. O SCCP tinha jogadores limitados, mas era comandado por Neto, que batia faltas de qualquer canto do gramado e resolvia. Nelsinho Baptista entendeu a limitação de seu elenco e montou um time consistente, no limite da capacidade. Nosso time era uma constelação, que brigava muito mais com os próprios fantasmas.

Numa partida muito nervosa, o SCCP abriu o placar aos 13 minutos, num gol do centroavante Viola, que se atirou na bola e, quase sem ângulo, escorou para o gol. A pressão sobre nossos jogadores foi na estratosfera, como acontece até hoje em Derbies, para qualquer lado. Até nosso time voltar para o jogo, já estava no segundo tempo. Martelamos, martelamos, mas o gol não saiu. A torcida deles vibrou no apito final. Parecia que a fila ia aumentar. Mas algo dizia, ainda no estádio, que as coisas iam mudar. E todos os palmeirenses, num fenômeno de esperança, juravam que estariam de volta no jogo seguinte.

Aquela semana foi um inferno. A imprensa deitou. Rasgaram os diplomas e exageraram nas provocações, sobretudo porque Viola, ao marcar o gol, ficou de quatro e imitou um porco chafurdando. Aquilo foi sabiamente usado por Luxemburgo, que deixou nossos jogadores na pilha certa. Todas as provocações se transformaram em força para ser usada no dia 12 de junho.

Aquela tarde de sábado foi gloriosa. O empate era deles. Ao Palmeiras, com as sagradas e infalíveis meias brancas, bastava vencer o jogo por qualquer placar, para provocar uma prorrogação – nesta, o empate passaria a ser nosso. E o Verdão começou a 200 por hora, sufocando o adversário.

O gol de Zinho, com a perna direita, aos 36 do primeiro tempo, nos deu pela primeira vez em 17 anos a condição de estar com a mão na taça – bastaria não levar mais nenhum gol. Seguramente, até hoje, foi o gol mais gritado e comemorado pela geração 70. Uma sensação de alívio, de começar a tirar das costas o peso acumulado: o Guarani, o XV de Jaú, a Inter de Limeira, a Ferroviária, o Bragantino, o Biro-Biro, o Claudio Adão e a PQP.

O jogo acabou 3 a 0 e eles estavam com um a menos – deveriam ser dois, mas o juiz expulsou Tonhão injustamente. Mesmo com a vantagem, o fantasma da fila ainda assombrava a metade verde do Morumbi. Nada indicava que perderíamos aquela prorrogação, mas as seguidas frustrações pesavam demais.

A bola rolou de novo. A noite caía na capital paulista, mas ninguém sentia frio. Todos em pé, empurrando o time e os ponteiros do relógio. Até que aos dez minutos, Ricardo fez pênalti em Edmundo. Ezequiel reclamou, xingou, e acabou expulso. Evair pegou a bola e colocou na cal.

Era moda distribuir apitinhos de plástico na entrada do estádio. A metade preta do Morumbi soprava aquilo com todas as forças. Do nosso lado, fé. Uma corrente humana se formou. Por seis gomos, todos os palmeirenses lacrimejavam, de mãos dadas, enquanto Evair esperou a bênção do capitão César Sampaio.

Evair

Evair sempre bateu pênaltis de sua forma peculiar, controlando as demoradas passadas, induzindo o goleiro a cair para um lado uma fração de segundo antes dele direcionar a bola para o outro lado – um talento único. Naquele pênalti, esse ritual parece ter durado mais dezessete anos. Wilson de um lado, bola do outro, e o urro gutural da libertação foi finalmente ouvido.

Foram mais 20 minutos de catarse completa, em compasso de espera. Ninguém se atreveu a antecipar nenhum grito, mas a sensação de vitória era iminente. O outro lado começou a deixar o estádio, o Verdão tocava a bola diante de um adversário morto.

Quando o jogo acabou, finalmente a torcida palmeirense voltou a encher o peito. O placar eletrônico mostrava nosso escudo e a palavra CAMPEÃO rolava da direita para a esquerda. Era um sonho que enfim se realizava.

Nas ladeiras da Vila Sônia, a pergunta voltou, desta vez em tom de galhofa: “você já viu seu time ser campeão?”, ao que todos respondiam, entre risos e lágrimas: “JÁ, PORRA!”

A festa seguiu em toda a cidade – e provavelmente em todo o Brasil. A Avenida Paulista foi invadida e aquele sábado, Dia dos Namorados, só acabou na segunda-feira. O dia 12 de Junho de 1993, por tudo isso, foi – sem a menor sombra de dúvida – o dia do título mais importante de toda nossa gloriosa História, e por isso mesmo, a cada ano, toda esta trajetória deve ser sempre lembrada e reverenciada.

Hoje é mais um 12 de Junho. Se você se lembra dessa conquista, ligue agora para as pessoas com quem você dividiu aqueles momentos e se cumprimentem. E se você tiver o privilégio de encontrar qualquer um dos heróis daquele título, agradeça-o efusivamente. Eles merecem muito. PARABÉNS PALMEIRAS!


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Defesa do Palmeiras iguala recorde e faz História

Weverton
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Elogiar o atual sistema defensivo do Palmeiras, hoje, é fácil. Difícil foi chegar a este ponto, equilibrando uma defesa que ninguém passa com um ataque que resolve os jogos.

Todos os méritos desse nível de jogo são dos jogadores e da comissão técnica, que resistiram às pressões da imprensa e da própria torcida para implementar no Verdão uma identidade de jogo que o torna o time mais “chato” de se enfrentar no futebol brasileiro.

Com a vitória de ontem sobre o Sampaio Corrêa, o time de Felipão igualou um recorde histórico: é a maior sequência de vitórias sem tomar gols em todos os 104 anos de História do Palmeiras.

Em 1992, Otacílio Gonçalves conseguiu a mesma marca, ao comandar um time que venceu  consecutivamente Noroeste, Bragantino, SPFC, Atlético-PR, SCCP, Guarani e Mogi Mirim, marcando 11 gols. A atual sequência do Palmeiras, que ainda pode aumentar, tem 12 gols marcados.

Números

Waldemar Carabina

Outros técnicos conseguiram boas sequências sem tomar gols. O recorde é de Waldemar Carabina, que ficou 12 jogos (8V 4E) sem levar gols no Paulistão de 1987 – a sequência foi quebrada num empate por 1 a 1 contra o Santo André – e o gol do Ramalhão foi justamente de Luiz Pereira.

O Palmeiras ficou 9 jogos “clean sheet” por 3 vezes na História:
– em 1969 com Filpo Nuñez (5V 4E) – quatro desses jogos foram no Torneio Início, comandado por Julinho Botelho;
– em 1973 com Oswaldo Brandão (6V 3E);
– em 2018, logo após a saída de Roger Machado, com Wesley Carvalho, Paulo Turra e Felipão (6V 3E).

Em 1965, Filpo Nuñez conseguiu manter a defesa invicta por 8 jogos (5V 3E).

Oswaldo Brandão

Por cinco vezes, o Verdão ficou 7 jogos sem tomar gol:
– 1971 – Oswaldo Brandão (4V 3E)
– 1978 – Jorge Vieira (4V 3E)
– 1989 – Leão (4V 3E)
– 1992 – Otacílio Chapinha (7V)
– 2019 – Luiz Felipe Scolari (7V)

Fazendo História

Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Até hoje, quem viveu o Palmeiras no ano de 1987 se lembra da sequência impressionante do limitado time de Waldemar Carabina – os méritos recaem muito sobre o goleiro Zetti, que vivia uma fase espetacular. Os números daquele time entraram para o imaginário eterno da torcida, mesmo fracassando na busca por títulos.

O que esta equipe de Felipão está fazendo pode superar tudo: além de se manter no caminho para bater o recorde de 1987, pode conquistar troféus até o fim do ano, o que coroaria a trajetória extremamente promissora do time atual e escreveria o nome destes atletas no livro eterno da memória palmeirense.

Os próximos jogos do Palmeiras são contra a Chapecoense (F), Athletico-PR (C) e Avaí (C). Felipão sinalizou em coletiva que “um ou dois” amistosos poderão ser marcados na intertemporada, o que totalizariam os 12 jogos. Dá pra alcançar a marca.

Para bater o recorde e chegar a 13, seria necessário manter a defesa zerada no primeiro jogo das quartas-de-final da Copa do Brasil, já após a parada.

Mas isso pode mudar se o STJD resolver remarcar o jogo contra o Botafogo, diante da suposta irregularidade cometida pelo árbitro para consultar o VAR no jogo disputado em Brasília. Até isso o choro do pequeno clube carioca pode estragar.


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Felipão sustenta marca histórica e pode até bater a Academia de 72

Em 24 de novembro de 1971, Oswaldo Brandão assumiu o comando do Palmeiras pela quarta vez. Após uma campanha medíocre na primeira fase do Brasileirão daquele ano e de um empate em casa contra o Coritiba, pela primeira rodada da segunda fase, Mario Travaglini foi demitido e o Velho Mestre foi mais uma vez chamado.

O time de Brandão não conseguiu avançar ao triangular final, e o Brasileirão daquele ano acabou nas mãos do Atlético, mas o Brasil veria, meses depois, nascer um dos times mais espetaculares da História do Futebol.

O ano de 1972 foi mágico para o Verdão. A Segunda Academia encantou o país e a escalação básica, até quem não é palmeirense, sabe decorado: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir; Edu, Leivinha, César e Nei. Fedato, Madurga, Pio e Ronaldo, menos lembrados, também foram presenças constantes em campo.

Sob o comando de Oswaldo Brandão, aquele time magnífico só foi conhecer sua quinta derrota em 2 de novembro de 1972, 344 dias após o início dos trabalhos. É um recorde absoluto e praticamente inalcançável.

De volta ao presente

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Considerando que a partida contra o Bahia, no dia 2 de agosto, sob o comando do auxiliar Paulo Turra, marcou o início do trabalho da atual comissão técnica, já são 236 dias decorridos e o Palmeiras só perdeu quatro partidas desde então.

Sem cometer a heresia de comparar o talento dos jogadores das duas épocas, enxergando apenas os números: para bater o recorde da Academia de Oswaldo Brandão, o grupo atual precisaria se manter invicto até o dia 13 de julho. Na prática, teria que chegar até a Copa América sem perder, e ainda resistir à primeira partida das quartas-de-finais da Copa do Brasil, a ser disputada no dia 10 de julho, no primeiro jogo após a pausa.

Traduzindo em jogos, será necessário então resistir a mais 21 partidas (cinco pelo Paulista, nove pelo Brasileiro, três pela copa do Brasil e quatro pela fase de grupos da Libertadores) para alcançar a fantástica marca.

A tarefa é quase impossível. Mas o que este time sob o comando de Felipão conseguiu até agora já é a segunda maior sequência de um trabalho de um treinador antes de perder o quinto jogo. Nunca na História do Palmeiras outro trabalho demorou tanto para perder pela quinta vez – a não ser a incrível Academia de Oswaldo Brandão.

A temporada tem doze meses

Felipão

É comum notar na imprensa, dia após dia, críticas ao futebol do Palmeiras. Exigem que o time, em março esteja jogando “em todo seu potencial”. Esquecem, convenientemente, que a temporada tem doze meses e que o funil começa mesmo a partir da segunda metade de agosto, quando teremos as quartas-de-finais da Copa do Brasil e da Libertadores.

Temos que crescer na hora certa. De nada adianta estar voando nos estaduais. Quem mostra tudo o que pode agora está fatalmente condenado a sucumbir no fim da temporada, seja porque os jogadores viram o fio fisicamente, seja porque o time fica manjado taticamente e acaba sendo neutralizado nas fases decisivas.

Infelizmente nossa torcida segue entrando na ladainha de que o time “poderia estar jogando mais”. De fato, poderia – mas não é motivo para cairmos feito patinhos nos truques da imprensa, cujo único objetivo é aumentar a temperatura do caldeirão palmeirense.

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As lesões de Goulart e Scarpa, em momentos distintos, atrasaram um pouco o desenvolvimento tático, mas mesmo assim o time segue evoluindo, tendo mostrado partidas muito consistentes. Com os dois jogando juntos, tendo ainda o suporte de Dudu, e temos um “potencial” de evolução muito grande pela frente.

E mesmo assim o time segue extremamente competitivo, tomando pouquíssimos gols e sustentando uma sequência histórica de muito respeito.

As oscilações são normais. Com exceção do paulista, que pouco vale, não há taças em jogo agora e nossa preocupação é avançar nas Copas e manter a pontuação suficiente para um lugar no G4 no Brasileiro. Na hora certa, com o físico bem administrado, é que devemos esperar este time mostrando “todo o potencial que tem” e deslanchando rumo às conquistas.

Não caia nas arapucas. Mantenha o olho em quem tenta desestabilizar nosso ambiente.  São inimigos do Palmeiras. Despreze-os. Valorize somente os bons profissionais e a mídia palestrina, que tratam nosso time com o respeito que ele merece.


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Nos confrontos diretos, o Palmeiras leva vantagem em quase todos

SCCP 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Em mais de 104 anos de História, o Palmeiras consolidou-se como o maior vencedor de títulos nacionais. Os fatos estão escritos e documentados; só nega quem tem necessidade de auto-afirmação.

Essa supremacia foi construída jogo a jogo e pode ser constatada nas estatísticas, disponíveis na seção Almanaque do Verdazzo.

O Palmeiras leva vantagem nos confrontos diretos contra quase todos os adversários que já enfrentou, mesmo tendo passado por dois longos períodos de graves crises política e administrativa em sua trajetória – que refletiram em times muito ruins e anos de depressão técnica.

A seguir, o Verdazzo traz um levantamento dos confrontos diretos contra as principais camisas do país. Os números estão em total sintonia com a contagem oficial do Palmeiras, que nem sempre batem com os números dos adversários, por divergências nos critérios para validar as partidas.

Clássicos paulistas

A vantagem contra o neo-inimigo SCCP é apertada, de apenas duas vitórias, mas segue sendo sustentada há muito tempo. O clube que já foi nosso maior rival, entretanto, vem conseguindo diminuir a diferença nos últimos jogos: quando não conta com uma inacreditável sorte, chega aos resultados, a olhos vistos, usando métodos escusos.

Já o Santos é nosso maior freguês: as 140 vitórias nos dão uma inalcançável margem de 34 triunfos, com Pelé e tudo. Freguês eterno; nada pode ser menor.

A vantagem do SPFC já foi bem maior, fruto dos períodos de estiagem que atravessamos. Mas nos últimos anos a diferença está se deteriorando; após o jogo de ontem, caiu para apenas três vitórias (no saldo de gols, já temos vantagem). Na contagem deles, que sequer sabem a data em que foram fundados, a contagem está empatada.

Confira abaixo o mapa dos confrontos com os adversários mais tradicionais do estado; clique sobre os nomes dos clubes para acessar a lista de jogos:

JVEDGPGCSG
SCCP370131110129522483+39
Santos33414088106559473+86
SPFC31210599108408407+1

Domínio absoluto contra cariocas

Não é à toa que existe um fenômeno no Rio de Janeiro, onde as camisas do Palmeiras, mesmo em tempos bicudos, sempre foram muito populares. Além da torcida do Verdão ser realmente diferenciada, os resultados contra os times da Cidade Maravilhosa são estrondosos.

O Flamengo fica no cheirinho desde sempre; são nove vitórias de diferença no confronto. Já o Botafogo precisaria vencer onze confrontos seguidos para igualar a contagem.

O Fluminense teve até um período recente de vitórias contra nós, já estancado e insuficiente para fazer cócegas na vantagem: são 25 triunfos de diferença. E quando você pensa que não pode existir freguesia maior fora do estado, aparece o Vasco, comendo poeira com desvantagem de 27 derrotas.

Parece que está explicado o fenômeno. O Rio de Janeiro continua lindo.

JVEDGPGCSG
Flamengo114463137192164+28
Botafogo117453834174149+25
Fluminense109591634190152+38
Vasco128583931207162+45

Trabalho a fazer em Minas e Rio Grande

Tanto em Minas quanto no Rio Grande do Sul mantemos um freguês de caderneta e uma pedra no sapato – nada que não possa ser resolvido.

Em Belo Horizonte, o Galo é cliente VIP: precisa tirar nove vitórias de desvantagem, numa contagem cuja tendência atual é de crescer ainda mais. Já o Cruzeiro sustenta uma pequena margem de três vitórias, embora o Verdão leve vantagem no saldo de gols.

No sul, o Grêmio, apesar dos inesquecíveis confrontos na década de 90, tem números vergonhosos e não alcança nem metade das vitórias do Verdão. É uma autêntica surra.

O problema mesmo é o Inter, que sustenta uma incômoda vantagem de oito vitórias e 22 gols – algo que já foi maior e vem sendo descontado nos últimos anos.

JVEDGPGCSG
Atlético8037152811195+16
Cruzeiro95322835141136+5
Grêmio9340341913597+38
Inter8929233793115-22

Protagonismo também nos números

Todos os confrontos históricos do Palmeiras podem ser consultados aqui. O Verdão está em pequena desvantagem contra alguns times importantes do futebol sul-americano, como Nacional (URU) e River Plate (ARG), ou mesmo contra times brasileiros de pequeno porte, como a Chapecoense, mas a lista de confrontos é curta; não atinge 15 partidas e a base estatística pra decretar uma “freguesia” parece frágil.

O Paulistano, uma potência no futebol no início do século passado que já era heptacampeão paulista quando o Palestra Italia conquistou o primeiro campeonato em 1920, tem boa vantagem no confronto. Mas o clube encerrou suas atividades em 1930 e o Palestra/Palmeiras não teve a chance de virar o jogo.

Entre os adversários com mais de 15 confrontos que continuam em atividade, precisamos buscar mesmo é o Inter, que sustenta uma margem razoavelmente confortável. Cruzeiro e SPFC estão na alça de mira, e não podemos mais nos descuidar nos Derbies, já que o SCCP descontou nossa boa vantagem nos confrontos recentes.

A volta ao protagonismo do futebol brasileiro, consolidada nas últimas temporadas, nos dá plenas condições de, além de continuar conquistando títulos, dominar completamente as estatísticas de todos os confrontos relevantes num futuro, talvez, próximo. VAMOS PALMEIRAS!


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Reeleito, Mauricio Galiotte tem novos desafios nos próximos três anos

Maurício Galiotte e Genaro MarinoNo último sábado, os associados do Palmeiras decidiram em Assembleia Geral que Mauricio Galiotte continuará sendo presidente do Palmeiras, pela primeira vez num triênio – de 2019 a 2021.

O atual presidente foi reeleito com 1843 votos, contra 1176 de Genaro Marino, candidato da oposição e vice-presidente na atual gestão. Presidente e vice romperam logo nos primeiros dias da gestão, após o fim do segundo mandato de Paulo Nobre.

Contexto da disputa

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO racha na atual gestão deu-se logo na primeira semana de trabalho. A questionável manobra arquitetada por Mustafá Contursi para tornar Leila Pereira, dona da Crefisa e patrocinadora do clube, elegível ao Conselho Deliberativo, desagradou a Paulo Nobre, que rompeu definitivamente com o casal Lamacchia. Galiotte teve então que optar: ou mantinha em torno de si o grupo com quem trabalhou por quatro anos, ou se apoiava numa base política tradicional, comandada por Mustafá, somada ao apoio financeiro da Crefisa, que por sua vez condicionava o vultoso patrocínio ao afastamento das pessoas ligadas a Nobre.

Galiotte optou pela dupla Mustafá/Leila. Três vice-presidentes foram imediatamente isolados de todos os passos da gestão, inclusive fisicamente, realocados em salas distantes da presidência. Tais atitudes geraram um enorme desapontamento dos ex-companheiros de trabalho, que imediatamente se tornaram oposição ao presidente, que mesmo assim se sentia satisfeito com a base política e financeira que havia construído, a despeito das consequências de cunho político e pessoal.

Mustafá e Leila rompem

Leila Pereira em campanha
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Leila Pereira se tornou uma espécie de celebridade, bastante ativa nas redes sociais e aclamada no clube social e nos entornos dos estádios. As novas contratações do elenco eram sempre associadas ao aporte financeiro da Crefisa, transformando-a numa popstar palmeirense.

Enquanto isso, Mustafá Contursi seguia em sua rotina política, fazendo agrados à sua base, apoiado na distribuição de ingressos que conseguia de uma cota fornecida por Leila. Até que uma denúncia de desvio dessas cotas para cambistas foi a deixa para que Leila rompesse com Mustafá – algo que, aparentemente, sempre esteve em seus planos e ela só esperava o motivo.

Livre de Mustafá, Leila Pereira passou a ser a única influência sobre Mauricio Galiotte, o que foi muito importante quando a Receita Federal autuou a Crefisa por irregularidades na declaração no que dizia respeito ao repasse de verbas para a aquisição de jogadores. Foi necessário fazer um ajuste por questões fiscais e o Palmeiras acabou se tornando devedor de R$ 120 milhões da noite para o dia, com a anuência do presidente.

O COF, comandado por Mustafá, reprovou as contas da gestão – coberto de razões técnicas para tal. O que não significa, caso fossem aliados políticos, que fossem feitas vistas grossas. Foi o preço pago pela dupla Galiotte/Leila por romper com o velho cacique.

Caminho livre

Pizza!A escalada política de Leila Pereira prosseguiu com a alteração estatutária que ampliou o mandato do presidente para três anos. O tema era um justo anseio dos palmeirenses durante décadas, já que o mandato de apenas dois anos tornava o ambiente no clube excessivamente carregado de tensões políticas.

Ocorre que a mudança só foi colocada em pauta porque beneficiava exatamente a Leila Pereira, que por isso terá condições de concorrer à presidência ao final de 2021. Se o mandato permanecesse em dois anos, ela teria que esperar até 2022.

Para que a alteração, casuísta, fosse aprovada, Leila não mediu esforços. Rodízios e mais rodízios de pizza foram promovidos no clube social; presentinhos baratos como bolas de plástico para crianças e selfies e beijinhos distribuídos sem parcimônia, tudo para que os associados fossem favoráveis à mudança, usando a “modernidade” como retórica.

Leila PereiraEnquanto escalava rapidamente a política palmeirense, Leila via a importância da Crefisa nas contas do clube crescerem cada vez mais, com a queda ininterrupta do número de associados do Avanti, num processo de “unimedização” de um modelo de receita que antes era tremendamente equilibrado.

Foi sob o comando de Galiotte e Leila que o Palmeiras, apesar do elenco fortíssimo, patinou em sete campeonatos no biênio 2017/2018, conseguindo conquistar o brasileiro graças à mudança desesperada de comando técnico em julho, num golpe que acabou se mostrando certeiro.

Os desafios da próxima gestão

Mauricio GaliotteNo curto prazo, o futebol do Palmeiras seguirá forte. Seguiremos surfando na onda atual, já que temos um elenco fortíssimo que precisa apenas de ajustes pontuais para seguir protagonizando o futebol nacional. Alguns contratos importantes precisam ser renovados – sobretudo o de Dudu. Caso não obtenha sucesso, Galiotte terá recursos para uma reposição à altura – até porque, haverá a receita da saída do camisa 7.

O Avanti vive uma crise gravíssima. O programa que deveria ser a principal base de sustentação da economia palmeirense está deteriorando. Produtos pouco atraentes e falhas constantes no sistema de venda de ingressos impelem o palmeirense a desistir de fazer parte do quadro de associados, recorrendo cada vez mais às cadeiras da WTorre como alternativa para ter garantia de acesso aos jogos.

O enfraquecimento do Avanti traz na esteira a enorme deficiência do processo de precificação dos ingressos. Os constantes clarões vistos no estádio evidenciam o problema; as faixas de preço parecem definidas “no chute” e não obedecem a um modelo técnico.

Enquanto isso, o time desfruta da proteção restabelecida na Academia de Futebol após a chegada de Felipão – a blindagem fazia muita falta nos tempos de Eduardo Baptista, de Cuca em sua segunda passagem e de Roger Machado, que tinham que conviver com um entra-e-sai incessante de pessoas sem nenhuma relação com o dia-a-dia do futebol, fruto de concessões políticas a conselheiros e patrocinadores. Essa proteção deve permanecer com ou sem Felipão, a diretoria precisa respaldar a condição da Academia como “lugar sagrado”.

ArbitragemAo mesmo tempo em que protege o elenco de influências externas, a diretoria precisa, de uma vez por todas, estancar os danos causados pelas arbitragens. Este ano, o Palmeiras teve forças suficientes para vencer o Brasileirão, nos pontos corridos, apesar das sucessivas interferências dos árbitros. Mas por absoluta inoperância nos bastidores, acabamos alijados das disputas do Paulista e da Copa do Brasil, decididos em mata-matas – sem mencionar o próprio Brasileirão do ano passado.

Por fim, Galiotte precisa colocar o Palmeiras acima dos interesses políticos e/ou pessoais de qualquer personagem, inclusive os de Leila Pereira. Se houver a possibilidade de um contrato de patrocínio maior que o da Crefisa, ela deve ser tratada com a devida atenção, nem que isso signifique um realinhamento da relação com Leila. O Palmeiras deve vir sempre em primeiro lugar.

Boa sorte

Que o presidente reeleito Mauricio Galiotte tenha boa sorte neste triênio à frente do clube. Que o Palmeiras siga trilhando o caminho das conquistas, protagonizando o futebol brasileiro. Que nosso clube siga subindo o sarrafo e puxando a fila, sem regredir. Que o modelo de receita seja reequilibrado, que as arbitragens voltem a nos respeitar. E que a Política volte a ser praticada de forma altiva, com “P” maiúsculo, com “P” de Palmeiras.

Mesmo apoiando o grupo derrotado na eleição, o Verdazzo seguirá torcendo sempre pelo sucesso do Palmeiras, seja quem for o mandatário, mantendo a lealdade como padrão. Mas sempre atento e vigilante.


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