Suspensões marotas e lesões: o quebra-cabeças de Felipão

Antônio Carlos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A vitória contra o Ceará manteve as chances do Palmeiras conquistar o decacampeonato muito grandes e agora o time, mais uma vez, vira a chavinha para focar na Libertadores. O Verdão volta à Bombonera para enfrentar o Boca Juniors, desta vez pelas semifinais da competição sul-americana.

A sequência, no entanto, nos obriga a voltar as atenções para o Brasileirão no final de semana, para depois pensar no Boca novamente, no jogo de volta. Ensanduichado entre as duas partidas contra os argentinos, vem o jogo fundamental contra o Flamengo, pelo Brasileirão.

Para complicar ainda mais, a partida no Rio de Janeiro terá que ser disputada no sábado – apenas 3 dias depois da batalha em Buenos Aires. E o Palmeiras terá uma série de desfalques para este jogo.

Felipão tem decisões difíceis para tomar. Ao mesmo tempo em que precisa achar a melhor combinação para cada jogo, levando em consideração os desfalques, precisa também seguir administrando o físico dos atletas para que não estourem na parte mais importante da temporada.

O quebra-cabeças

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Para o jogo contra o Flamengo, Felipão não contará com os suspensos Deyverson, Mayke, Bruno Henrique e Lucas Lima. Possivelmente também não terá Marcos Rocha e Jean, baleados; e existe a grande chance de não poder contar também com Diogo Barbosa, que havia sido suspenso pela confusão no jogo do Mineirão e estava liberado para atuar sob efeito suspensivo – ele e Mayke provavelmente devem ter novo julgamento esta semana.

Para o jogo no Maracanã, a saída mais plausível para a lateral-direita é deslocar Thiago Santos, já que as três opções estão fora de combate. A dupla de volantes que restaria é Felipe Melo e Moisés. E com Lucas Lima suspenso, quem deve articular as jogadas por dentro é Guerra.

Hyoran e Scarpa, este sem ritmo algum, devem ser acionados pelas beiradas, para resguardar as condições físicas de Dudu e Willian. Isso porque os dois são considerados titulares e sabemos da predileção de Felipão pela Libertadores – ele não deve abrir mão da dupla nem na Argentina, nem no jogo da volta, na semana que vem.

Assim, o time-base para os dois jogos contra o Boca tende a ser Weverton; Mayke, Luan, Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo e Bruno Henrique; Dudu, Lucas Lima e Willian; Borja.

Já o time para jogar contra o Flamengo a escalação deve ser Weverton; Thiago Santos, Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis; Felipe Melo e Moisés; Hyoran, Guerra e Gustavo Scarpa; Borja.

Notem que Borja e Felipe Melo, além de Weverton, serão bastante exigidos nessa sequência. Façam menções especiais a eles em suas preces.

O responsável

André Luiz de Freitas Castro
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Verdazzo deu a letra no pré-jogo da partida de ontem: o árbitro André Luiz de Freitas Castro é pródigo em cartões, e nada mais conveniente para a CBF do que escalar a metralhadora de amarelos para apitar uma partida do Palmeiras no jogo imediatamente anterior à partida contra o Flamengo, o queridão da entidade.

Alexandre Mattos e Felipão, macacos velhos, provavelmente já estavam atentos e reforçaram as suspeitas nas entrevistas após o jogo. O Palmeiras tinha oito pendurados; três foram atingidos – sendo que dois deles em cartões nitidamente forçados pelo juiz.

Mayke ia cobrar uma falta, no segundo tempo. O tempo que levou para recolocar a bola em jogo foi trivial. O árbitro justificou na súmula que ele demorou demais – para cobrar um lateral. Já a justificativa para o cartão de Lucas Lima foi pior ainda: por “cometer faltas persistentemente”. No lance, Lucas Lima nem fez falta – e teria sido sua primeira no jogo. A vontade acima do normal de mostrar os cartões nos dois casos é evidente.

Pela quinta vez seguida o Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem no Brasileirão – e mesmo assim venceu os cinco jogos. O dano, desta vez, não foi apenas na dificuldade do próprio jogo, mas principalmente para escalar um time completo para a partida seguinte, que coincidentemente ou não, é contra o Flamengo.

Pelo que vemos, a tal reunião de cinco horas na sede da CBF entre o presidente Mauricio Galiotte e a comissão de arbitragem não está adiantando nada. O Palmeiras segue fraco nos bastidores e resta a Felipão e nosso bravo grupo de atletas segurar as pontas na sequência mais crítica da temporada. Se depender da torcida, eles sabem que podem contar com todo o suporte. VAMOS PALMEIRAS!


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Sorteio da Copa do Brasil é envolto em novas suspeitas; Palmeiras volta a ser removido de uma competição e precisa reagir

Cruzeiro 1x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Pela terceira vez consecutiva o Palmeiras foi removido de uma competição por situações alheias à disputa esportiva. Apesar de ter feito duas exibições que poderiam ter sido melhores, o Verdão acabou sem a chance de sequer decidir a vaga nos pênaltis graças à anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, no Allianz Parque.

Alguém pode contestar a chance do Palmeiras nos tiros livres, dado o baixo rendimento nos últimos jogos – algo que não me parece razoável, já que uma decisão por pênaltis é uma situação completamente diferente de um pênalti com o jogo rolando. Além disso, não sabemos o quanto o Palmeiras treinou para uma eventual decisão, mas parece fácil supor que treinou muito, tanto quanto o Cruzeiro.

Alguém também pode ponderar que se o gol tivesse sido validado, a segunda partida teria outras características desde seu início e que não se pode cravar que a decisão teria ido para os pênaltis. O que faz total sentido.

Mas não se pode ignorar que um gol foi subtraído do Palmeiras no último lance do jogo de ida. Isso é imutável. E isso pesa demais em qualquer confronto de mata-mata em que os times estão minimamente equilibrados, embora seja consenso até na imprensa que o Palmeiras, hoje, tem o elenco mais equilibrado e o time mais forte do futebol brasileiro.

Sorteio estranho

Não precisamos mencionar apenas nossa desclassificação. A história da Copa do Brasil de 2018 vai sendo escrita sob cenários envoltos por situações peculiares.

A despeito do folclore do futebol conter inúmeras histórias de sorteios dirigidos, tomemos como exemplo a forma com que a CBF vem conduzindo os sorteios dos mandos.

O vídeo abaixo tem apenas os segundos finais do sorteio que definiu o mando da final do torneio; mesmo o vídeo completo que circula nas redes sociais mostra a mesma situação: a auxiliar de palco gira as bolas com extrema delicadeza; a bola do meio, escolhida pela moça, não parece se misturar com as outras.

A expressão da menina, diante do anúncio, transmite um certo alívio, mesmo com um sorriso profissionalmente artificial. É um sorteio muito estranho, que dá margem a todas as especulações possíveis.

Contexto sombrio

Em 2004, fiz um estudo informal comparando os resultados das disputas eliminatórias usando a regra do gol qualificado com os resultados do chamado “jogo de 180 minutos”, sem o gol qualificado. Os jogos analisados eram válidos pelas principais competições nacionais, sul-americanas e europeias, a partir da fase de quartas-de-final, quando os clubes são fortes e os confrontos, equilibrados.

O resultado foi que, sem usar o gol qualificado, o vencedor do confronto foi 70% das vezes o time que decidiu em casa, ao passo que essa proporção caiu para 50% quando a chamada regra “do gol fora”.

Fica a sugestão a qualquer leitor para refazer esse estudo de forma científica, para corroborar ou não com o estudo informal feito há mais de dez anos, que traduz o que a matemática intuitivamente já nos sugere: a regra do gol qualificado equilibra substancialmente os confrontos.

Do nada, a premiação da Copa do Brasil saltou de R$ 6 milhões para exorbitantes R$ 50 milhões, muito mais do que o Brasileirão (R$ 18 milhões) e a própria Libertadores (R$ 40 milhões). Segundo a CBF, a medida tem como objetivo “valorizar a competição”.

Também este ano a regra da competição mudou de forma sensível: o mando do segundo jogo, definido por sorteio, passou a ter muito mais importância com o fim da regra do “gol qualificado”. É sabido que esse mecanismo equilibra muito mais as disputas, diminuindo a importância do fator campo – o que valoriza muito a esportividade da competição.

Outra forma de manter a esportividade da disputa seria relacionar o mando da segunda partida a algum mérito esportivo – no caso, o Ranking Nacional de Clubes elaborado pela própria CBF anualmente parece ser a referência mais que perfeita.

A entidade que tem a prerrogativa de dirigir o futebol brasileiro, no entanto, decidiu que seu próprio ranking não serve para nada e entregou o destino da Copa do Brasil às bolinhas da moça com um sorriso no rosto. Algo que vai na direção oposta ao conceito de “valorizar a competição”.

Ligue os pontos

Duas mudanças tão significativas, juntas, configuram uma tremenda coincidência. Quando o destino do campeonato se torna cada vez mais direcionado para um sorteio, no mínimo, estranho, exatamente no ano em que a premiação é estranhamente turbinada, algo parece errado.

De um lado, estamos diante de uma montanha de dinheiro e de uma entidade notoriamente corrupta. De outro, temos um clube que se notabilizou pelos recentes agrados que vêm recebendo do poder público e do consórcio CBF/RGT, que envolvem estádio, arbitragens e gordas cotas de transmissão, e que mesmo assim segue com problemas financeiros que atrapalham até os pagamentos mais prosaicos, como o da empresa de marmitas.

Ao que parece, tirar da competição o competidor mais forte se encaixa muito bem como uma etapa de um elaborado projeto de transferência de recursos.

Mas tudo isso pode ser apenas uma enorme coincidência.

Investigação séria e rigorosa

Muito se tem falado sobre a falta de força do Palmeiras nos bastidores. Num meio onde a corrupção parece irreversivelmente entranhada, chegamos a desejar que o Palmeiras reduza suas chances de êxito nos campeonatos que disputa e siga seu caminho alheio a esse tipo de acordos, mesmo sendo vítima, pela terceira vez seguida, de uma eliminação escusa.

Mas ninguém gosta de apanhar calado. Um clube como o Palmeiras gira mais de R$ 500 milhões por ano, uma estrutura espetacular foi montada nos últimos cinco anos para dar suporte a todas as áreas que envolvem um time profissional de futebol, mas o sucesso esportivo está sendo constantemente afetado por agentes alheios à disputa dentro de campo. Nossa torcida não aguenta mais ser roubada.

O Palmeiras já mostrou o caminho ao reagir contra a manipulação da final do Paulistão. Ao contratar a maior empresa de investigação particular do mundo para reunir provas e se municiar para as contestações, nossa diretoria deu um importante primeiro passo para se resguardar.

Essa deve ser a direção a seguir. Em paralelo, o Ministério Público precisa ser acionado. E o clube deve usar parte de seu orçamento para continuar a ser assessorado por empresas privadas de investigação. Os suspeitos de manipulação e acordos escusos devem ser vigiados em todas as instâncias e denunciados.

Se o Palmeiras não quiser sujar as mãos (e nenhum de nós quer que isso aconteça), precisa liderar uma frente de ações para limpar o meio em que atua, e ir até as últimas consequências. A missão estará efetivamente cumprida quando dirigentes de entidades e clubes rivais que forem efetivamente flagrados em atos de corrupção forem indiciados, julgados e presos. Já passou da hora de darmos um basta em tudo isso.

CADEIA NELES!


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Alguém continua não fazendo o que deveria fazer

Copa do BrasilAmanhã teremos os dois jogos de volta das semifinais da Copa do Brasil. No Mineirão, o Palmeiras terá a difícil missão de reverter a vantagem de 1 a 0 que o Cruzeiro abriu há duas semanas, no Allianz Parque; no Itaquerão, a ORCRIM local tenta fazer valer o fator campo para vencer o Flamengo – empate levará a decisão para os penais.

Quatro dos cinco maiores vencedores históricos da competição chegaram ao funil. São camisas muito pesadas e o prêmio recorde para a competição (R$ 50 milhões para o campeão) faz com que o interesse dos clubes, torcidas e imprensa seja redobrado – e também levanta muitas suspeitas.

Mando de campo

A Copa do Brasil deste ano já está sendo marcada por uma decisão bastante questionável, mas que a imprensa bovinamente deixou passar: a definição do mando de campo, feita através de sorteio.

Com o fim da regra do gol qualificado, decidir em casa tem um peso muito grande num mata-mata. O tal do “gol fora” desagrada a muita gente, sabe-se lá por que, mas é um instrumento que tem a função de equilibrar as chances num confronto eliminatório. Descartar esse critério só faria sentido se o mando de campo fosse decidido por méritos técnicos – o Ranking Nacional de Clubes, por exemplo.

Sorteio Copa do BrasilA CBF, no entanto, decidiu entregar a vantagem do mando às bolinhas que rodam em seus globos. Isso faz com que o fator “sorte”, partindo do princípio que os sorteios não são manipulados, tenha um peso muito maior para se chegar a um campeão, o que por si só já desvaloriza o campeonato.

E como estamos falando de uma entidade que não goza da menor credibilidade junto a ninguém, tal decisão, exatamente num ano em que o volume de dinheiro a ser distribuído subiu de forma assustadora, deixa um pulguedo atrás de nossas orelhas.

Intimidade

A proximidade da diretoria do SCCP com a CBF é assustadora. Desde que Andrés Sanchez implodiu o Clube dos 13, há quase 8 anos, a ORCRIM de Itaquera passou a receber presentes de todos as maneiras: em forma de estádio, de verbas da TV desiguais, e de arbitragens que decidem campeonatos. Parece que agora recebe também mandos de campo, com o bônus do fim do gol qualificado. É muita intimidade.

Juízes e bandeirinhas que erram contra o SCCP são imediatamente punidos – às vésperas de uma decisão de vaga na final, que já renderá R$ 20 milhões aos classificados, o auxiliar Christian Passos Sorence não assinalou impedimento de Leandro Damião no último domingo, quando o Inter abriu o placar em Itaquera, e foi “rebaixado” para a Série B, onde os pagamentos por partida são menores. Melhor recado não poderia existir.

A lembrança do choro do árbitro Thiago Duarte Peixoto logo após o Derby do Paulistão 2017 em Itaquera, quando expulsou erradamente o volante Gabriel, é aterradora. Os juízes já sabem quem é o protegido, quem não pode jamais ser prejudicado.

O SCCP já ganhou um campeonato do Palmeiras este ano na mão grande – o 8 de abril jamais poderá ser esquecido, mesmo que nossa diretoria tenha considerado a “missão cumprida” ao ter o pedido de impugnação negado pelo STJD. Já havia roubado um Brasileirão em 2017 na operação casada de Heber Roberto Lopes e Anderson Daronco, e será algo delicado fazer o mesmo pela terceira vez seguida. Por isso, a ordem parece ser evitar um Derby na final da Copa do Brasil a qualquer custo.

VAR não é problema

Wagner Reway anula gol legítimo de Antônio CarlosDe início, o consórcio formado por RGT e a ORCRIM refutaram o uso do VAR. Enquanto a votação dos clubes da Série A, liderada pelo SCCP, barrava o uso da tecnologia para dificultar a manipulação de resultados pelas arbitragens, os profissionais da emissora, capitaneados por Galvão Bueno, colocaram mil e um defeitos no sistema. Até que perceberam que, com um pouco de treino, dá para burlar o sistema.

A anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, que deixaria o placar igualado no Allianz parque, é a prova cabal que o VAR é uma ferramenta que só vai funcionar nas mãos de gente que não esteja disposta a manipular resultado nenhum. Havendo determinação, o VAR é como uma flor nas mãos da vítima diante do ladrão armado.

Não adianta protestar

Mauricio GaliotteDiante de mais um assalto, o Palmeiras fez o de sempre, pela milésima vez: juntou o material e fez um protesto formal na CBF. Tudo isso, depois de reunir um dossiê mais que completo com ajuda da Kroll para evidenciar que houve interferência externa na final do Paulista. Nada adianta.

Sem força nos bastidores, o Palmeiras vai continuar sendo assaltado, na mão grande. Nenhum de nós, mortais, sabe o que acontece por trás daquelas cortinas, mas um presidente de clube tem que saber.

Alguém continua não fazendo o que deveria fazer.


Semifinais da Copa do Brasil


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Palmeiras não abre mão de que lugar de (juiz) ladrão seja na cadeia

Maurício GaliotteSegundo reportagem publicada hoje pela Folha de S.Paulo, o Palmeiras abrirá inquérito policial contra funcionários da FPF e árbitros que teriam mentido em depoimento no TJD-SP, em audiência referente à denúncia de interferência externa na final do Campeonato Paulista deste ano.

O clube decidiu tomar esta iniciativa diante das contradições nos depoimentos de algumas testemunhas do processo, apuradas em dossiê elaborado pela empresa de investigação Kroll e pelo parecer do IBP – Instituto Brasileiro de Peritos. A pena para falso testemunho vai de 2 a 4 anos de prisão, mais multa.

Coberto de razões

O Palmeiras está indo às últimas consequências neste caso, e está coberto de razões, em todos os sentidos.

Na esfera esportiva, o TJD já se mostrou totalmente comprometido com a FPF e não mostrou nenhum interesse em apurar a verdade, mas sim em abafar a história. Se depender do esforço do tribunal do delegado Olim, fica tudo como está.

Thiago Duarte Peixoto
Thiago Duarte Peixoto errou contra a ORCRIM e chegou a chorar em desespero: não adiantou; foi pra geladeira

Os árbitros morrem de medo de levantar um dedo e se submetem às orientações da patota, cujo objetivo é defender os interesses da ORCRIM de Itaquera. Se não obedecerem, saem da escala. Vão para a A3. E isso seguirá acontecendo até que o jogo mude.

Para que isso aconteça, é necessário que o pessoal do apito passe a ter outro tipo de temor: o de irem presos.

Manipulações e abafamentos da verdade são corriqueiramente usados para que as operações dos árbitros em campo sejam esquecidas e virem folclore. A falta de elementos concretos sempre ajudou a fazer a fumaça necessária para que a verdade acabasse encoberta.

Ao decidir investir pesado para contratar entidades especializadas para fornecer esses elementos, o Palmeiras, amparado apenas pela lei, vai fechando o cerco em torno do esquema  para fazer a verdade prevalecer.

Mais nada a perder

A briga é grande, mas chegou num ponto em que o Palmeiras não tem mais nada a perder. A maior retaliação que pode vir, já acontece: o roubo descarado e o favorecimento indiscriminado à ORCRIM de Itaquera.

A Receita Federal já obrigou o clube a mudar o contrato com a Crefisa e, do nada, apareceu uma dívida de R$ 120 milhões.

As principais emissoras de TV tratam o Palmeiras praticamente como um clube argentino em seus programas diários de debate.

Faz muito bem o Palmeiras, em semana de Derby, em divulgar que a esfera da briga agora é outra, e que lugar de ladrão é realmente na cadeia.

Se a situação não se resolve nos bastidores do esporte, vamos nos defender de outro jeito. Parabéns à diretoria do Palmeiras pela atitude; vamos seguir acompanhando os desdobramentos com muita atenção.


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Dissimulado, Carlos Simon assume “erro” e pede desculpas a Obina

Carlos Simon rouba o Palmeiras no Maracanã
Reprodução

Ontem à noite, num programa da Fox, Carlos Simon finalmente admitiu que “errou” ao anular o gol de Obina, no jogo entre Fluminense e Palmeiras no Brasileirão de 2009.

Com direito a tapinha nas costas, o comentarista de arbitragem da emissora disse ao vivo para Obina e para os colegas da emissora que tentou compensar um escanteio, que na verdade seria tiro de meta, se enrolou todo na explicação, mas deixou uma coisa bem clara: o gol foi legítimo.

Que não houve irregularidade nenhuma todos já estamos cansados de saber. Basta ver o vídeo para constatar que Carlos Simon fabricou a anulação do gol, aos 29 minutos do primeiro tempo.

Vamos voltar no tempo: o jogo era válido pela 34ª rodada do campeonato. O Palmeiras liderava o campeonato, seguido de perto por SPFC , Atlético-MG e Flamengo. A vantagem já tinha sido maior, mas o Palmeiras sofria com uma oscilação causada por desfalques importantes, como Pierre e Cleiton Xavier.

Uma vitória no Rio, além de deixar o Palmeiras muito perto do título brasileiro, praticamente condenava o Fluminense a mais um rebaixamento. O time carioca fazia uma campanha patética, havia virado o turno com apenas 15 pontos conquistados e chegou a ficar afundado 9 pontos atrás do primeiro time fora da zona do rebaixamento. Com uma arrancada de seis vitórias entre as rodadas 32 e 37 – a terceira delas, sabemos, roubada, acabou conhecido como “time de guerreiros” ao se salvar da queda. Mais essa.

O Palmeiras havia feito investimentos arriscados para levantar o título aquele ano. O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo aumentou o salário dos principais atletas do elenco no meio do ano, para evitar que eles cedessem às ofertas para mudar de clube na janela de julho. Vagner Love foi trazido a peso de ouro no segundo turno para garantir força ofensiva. Tudo isso, nas contas da diretoria, se pagaria com a conquista do título.

A operação de Simon salvou o Fluminense e quem acabou rebaixado foi o Coritiba. O Palmeiras entrou em parafuso com o assalto; o elenco, abalado de forma semelhante ao que vimos nas últimas semanas, após a final do Paulista, perdeu o foco e empatou em casa com o Sport e foi derrotado pelo Grêmio no Olímpico, com Obina e Maurício sendo expulsos na saída para o intervalo após trocarem socos. O campeonato caiu no colo do Flamengo.

O Palmeiras deveria ter tido um 2010 de austeridade, para recuperar o buraco financeiro causado pelos riscos assumidos em 2009. Mas nosso presidente jogou de novo e trouxe de volta Valdivia, Kleber e Felipão, mais uma vez sem resultados. O buraco se tornou maior ainda e o clube caiu nas mãos de Arnaldo Tirone. À beira do precipício, ao final de 2012, todos sabiam que tudo havia começado em 2009, com a perda daquele Brasileiro, pelo apito nefasto de Carlos Simon.

Mentiroso

Carlos Simon
Reprodução

Em agosto de 2012, comentando o  jogo pela Sul-Americana entre Palmeiras e Botafogo na Fox, Simon recebeu uma “pergunta do internauta” – foi este blogueiro o autor da provocação, que a produção da transmissão não teve a sagacidade de vetar: “Simon, é muito difícil apitar jogos do Obina, ele joga muito com o corpo e empurra muito?”.

O ex-juiz, de forma tão dissimulada quanto a que mostrou no gramado do Maracanã três anos antes, disse que apitou com convicção, que foi falta e que Obina até teria confessado a ele tempos depois que tinha mesmo feito falta. Devidamente alertada, a assessoria de imprensa do Palmeiras acionou Obina, que desmentiu Simon nas entrevistas após o jogo: “Se ele disse isso, mentiu. Eu nunca disse nada, nunca admiti que foi falta, até porque eu não fiz nada naquele lance. Foi um gol claro, que nos colocaria em vantagem no marcador”.

Não desculpamos

Obina e GumQue juízes fazem esquema, não é novidade para ninguém, e já não era na época. Carlos Simon foi o juiz escolhido pela CBF para apitar a Copa de 2010, seu prêmio final pelos serviços prestados.

Admitir o erro agora não é uma “atitude humilde”, tampouco transparece “coragem” do ex-árbitro, como a redação da Fox tentou descrever a confissão. Simon errou de propósito, de forma premeditada e criminosa, e ainda processou o presidente Belluzzo pelas declarações iradas após a partida – ganhou R$ 60 mil em 2013, e certamente não vai devolver o dinheiro.

A declaração de Carlos Simon chega num momento delicadíssimo da arbitragem, em que o Palmeiras promove investigação profissional para desmascarar outro esquema, desta vez entre SCCP e FPF, com ajuda das imagens da RGT, que nos roubou o título paulista. O Palmeiras, neste momento, vem de um empate em casa com um gol marcado no último lance do jogo, mal anulado pela arbitragem.

Armando Marques, Arnaldo Cézar Coelho, Ulisses Tavares da Silva, Claudio Vinicius Cerdeira, Ubaldo Aquino, Paulo César de Oliveira, Wilson de Souza Mendonça, Guilherme Cereta, Heber Roberto Lopes, Anderson Daronco, Raphael Claus e Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, só para lembrar alguns, um dia também podem vir a público e assumir que já roubaram o Palmeiras, nos fizeram perder Derbies e nos tiraram títulos. Como fez Simon.

Mas nossa torcida jamais poderá perdoar aqueles que, de posse de um apito, não cometeram simples erros. Envolvidos até o pescoço nos esquemas de manipulação de resultados no futebol, operaram o Palmeiras e não deixaram nossa imensa galeria de troféus ser maior ainda.  Eles tentam, tentam, tentam, mas não nos matam. Porque nós resistimos – e desta vez, ao que parece, estamos reagindo. Que essas investigações não parem na final do Paulista e que o Palmeiras inspire outros clubes a também tomarem suas providências para acabar com essa sujeira toda.


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