Palmeiras reage e ataca esquema de arbitragens a favor da ORCRIM de Itaquera

O favorecimento da arbitragem ao SCCP rompeu fronteiras ontem, após o bandeirinha anular um gol em que o atleta do Independiente que anotou o tento estava a mais de um metro em posição legal quando a bola saiu do pé de seu companheiro. Aos 40 minutos do segundo tempo, o gol empataria a partida; ato contínuo, o auxiliar levantou seu instrumento e garantiu a vitória da ORCRIM de Itaquera.

Já não há outra forma de se referir ao inimigo, ex-rival. Com um time apenas bem arrumadinho, recheado de jogadores medíocres e um técnico que segue o script que seus antecessores escreveram e puseram em prática nos últimos oito anos, o SCCP vem ganhando partidas e títulos por obra das arbitragens, num esquema cuja estrutura pode suscitar dezenas de teorias conspiratórias diferentes – mas que os efeitos são óbvios e inegáveis. A velha desculpa de que “os erros acontecem para todos os lados e se anulam” não cola mais.

O presidente atual do SCCP já admitiu que “no futebol, se não roubar, não ganha nada”. Para eles, talvez seja assim mesmo e o que vemos é a teoria sendo colocada em prática; o que vem sendo feito nos últimos Derbies é a avacalhação completa das arbitragens e da administração do futebol, tudo para que o clube que ganhou um estádio de graça às custas do meu e do seu imposto levante troféus.

Ganhar partidas e títulos graças a arbitragens não é privilégio do SCCP – Flamengo e SPFC também são outros notórios favorecidos dos homens de preto. Mas a lista da ORCRIM de Itaquera é gigante e tem histórias escabrosas que se espalham por décadas, como o caso Ruy Rey, de 1977; o 1-0-0 de Alberto Duailibi e Ivens Mendes, em 1997; o Zveitão 2005 em que não apenas pênaltis, mas partidas inteiras foram revogadas; sem falar no Brasileirão do ano passado, em que fomos assaltados numa operação dupla feita por Heber e Daronco. Entre muitos outros casos.

Ontem, na Argentina, o esquema rompeu fronteiras. Nem a imprensa consegue mais disfarçar, apesar do esforço da RGT em sonegar os replays na transmissão ao vivo. A credibilidade do futebol, que nunca foi lá essas coisas, nunca esteve tão em xeque. Todas as torcidas, não apenas as do Palmeiras, já manifestam extremo descontentamento com a situação.

Soco na mesa

O Palmeiras deu um soco na mesa e partiu para a ofensiva – ainda que em território hostil, a “Justiça” Desportiva, que claramente faz parte do mesmo macro-organismo. Primeiro, o clube muniu-se de provas coletadas na televisão, na TV Palmeiras/FAM e até em imagens captadas por torcedores para evidenciar a manobra que evitou que o pênalti sobre Dudu marcado aos 26 minutos do segundo tempo fosse batido.

O TJD promoveu audiência acerca da denúncia na última terça-feira. Os depoimentos da equipe de arbitragens, além de contraditórios, foram risíveis. Justificaram até a presença de um elemento completamente estranho ao jogo, o tal tutor – o folclore do futebol agradece a criação de mais um personagem.

Um dia depois deste episódio circense, o Ministério Público, na figura do promotor Paulo Castilho, se pronunciou a respeito do caso, revelando que vai analisar o material para decidir se vai levá-lo adiante – não devemos alimentar grandes esperanças de que saia coelho desta toca, já que a motivação parece ser apenas a usual: holofotes.

PerdigueiroO Palmeiras tem que se defender sozinho, e por isso anunciou que contratou a Kroll, empresa privada de investigações de enorme reputação, para escavar. Diante da excelência dos serviços da empresa, podemos esperar que apareçam evidências concretas não apenas de irregularidades na final do Paulista, mas também em muitas outras instâncias. O que não faltam são pontinhas de fio soltas, e se tem alguém que sabe achar essas pontas e puxar o fio, é a Kroll. Aí o Ministério Público vai ter que agir de verdade.

O fato do Palmeiras ter colocado um perdigueiro na jogada, por si só, já vai fazer com que alguns e-mails sejam deletados e algumas resmas sejam incineradas em atos de desespero. A operação vai precisar ser colocada, no mínimo, em modo de espera. Os juízes que antes choravam no vestiário se errassem contra a ORCRIM de Itaquera e entravam em campo com instruções específicas, agora, não vão poder aceitar as encomendas. É capaz até de nos darem algum pênalti de presente para tentar mostrar que erram para todos os lados – algo que não pedimos e não queremos.

Cadeia neles!

ArbitragemEstá em andamento no país uma varredura nos políticos corruptos inimaginável há dez anos – resultado da ganância sem limites dos agentes públicos atuais. Paulo Maluf e Fernando Collor, dois dos corruptos mais notórios da política brasileira, são ladrões de galinhas perto da camarilha que comandou Brasília e os principais partidos políticos do país nos últimos anos. Roubaram tanto, mas tanto, que até a sociedade brasileira, sabidamente mansa, acordou para a vida e hoje assiste os bandidos de gravata dando entrada na cadeia pela televisão.

A posição do SCCP no futebol é similar. Vicente Matheus fazia suas mutretas, mas hoje seria um mero bagrinho perto do que fez Duailib e fazem seus sucessores. Não dá mais para esconder. Só esperamos que, a exemplo do que acontece na política nacional, os ladrões desta máfia do apito ligados à ORCRIM de Itaquera também ganhem suas roupinhas listradas.

Todas as torcidas do Brasil agradecem – exceto a do inimigo, ex-rival.


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Palmeiras joga fora a arminha de plástico e mostra o canhão

O Palmeiras protocolou junto ao TJD nesta terça-feira um pedido de investigação a respeito de interferência externa no Derby do último domingo que decidiu o Paulistão 2018.

O clube organizou um material em vídeo que comprova a comunicação entre Dionísio Roberto Domingos, diretor de arbitragem da FPF, e a equipe de arbitragem – uma espécie de “telefone sem fio” que passou pelo bandeirinha, pelo quinto árbitro, depois pelo quarto árbitro, até chegar em Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza. Veja o material editado pela TV Palmeiras/FAM:

Existe a possibilidade do clube pedir a anulação da partida, o que daria dois possíveis destinos ao Paulistão 2018: ou a partida final precisaria ser novamente disputada, ou o campeonato é encerrado e declarado sem campeão.

As provas apresentadas pelo Palmeiras são contundentes, mas o próprio presidente do TJD, delegado Olim, em ato falho embaraçoso, admitiu em entrevista à Fox Sports que houve a interferência externa. Confira no vídeo abaixo:

Chega a ser irônico que o delegado Olim tenha se complicado exatamente num momento de auto-promoção pessoal na mídia.

Com isso, o Palmeiras dá uma resposta à altura dos acontecimentos de domingo e busca, munido de provas concretas, restabelecer a justiça. Sai a carta aberta onde o clube faz ameaças vazias à FPF e entra uma peça jurídica extremamente consistente. Sai o revólver de plástico e entra um canhão.

Não cabe, de forma alguma, desqualificar o pedido conjecturando se foi pênalti ou não, como alguns setores da imprensa estão tentando fazer. Quem vai nessa direção está apenas tentando jogar uma cortina de fumaça sobre o real atentado às regras do jogo, que é a interferência externa na arbitragem. Independente do que aconteceu dentro de campo, o mero contato do diretor de arbitragem e do “quinto árbitro” com a equipe de arbitragem já caracterizam essa situação.

Outra ironia da história é que justo o clube que liderou o voto contrário à implantação do árbitro de vídeo é o que foi beneficiado por seu uso irregular, tendo um pênalti contra si sendo revogado.

E o mais trágico é que se o VAR estivesse valendo e o responsável por sua operação fosse o diretor de arbitragem da FPF, ele teria anulado erradamente o pênalti, já que é evidente a falta de Ralf em Dudu.

O Verdazzo parabeniza a diretoria do Palmeiras pela reação. Não podíamos esperar nada a menos que isso. Considerar o assalto de que fomos vítima “página virada” não coaduna com nossa natureza. Agora, atletas e torcida se sentem amparados e podem voltar a se concentrar em jogar bola e a torcer. Se o trabalho preventivo ainda precisa melhorar, o reativo dá sinais de força.

Não parece haver clima para disputar uma nova partida. O mais indicado, diante de todo o cenário montado, seria declarar o Paulistão 2018 sem vencedor. Não apenas porque o SCCP não fez por merecer o título em campo, mas também para simbolizar o fracasso completo que foi este campeonato, a começar pelo regulamento bizarro, passando pelo baixíssimo nível técnico, pelas ações de marketing de péssimo gosto, pelo tribunal de cartas marcadas, culminando com a extrema incompetência das equipes de arbitragem.

No Campeonato Paulista de 2018, todos perderam.


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Palmeiras usa revólver de plástico para pressionar a FPF

O Palmeiras, através de carta aberta aos torcedores, assinada pelo presidente Maurício Galiotte e publicada na noite de ontem no site oficial do clube, anunciou de forma oficial o rompimento com a FPF, impondo condições para rever o posicionamento. Confira o texto da nota a seguir:

A Sociedade Esportiva Palmeiras entende que a instituição e seus torcedores sofreram um duro e irremediável prejuízo por uma atuação desastrosa, incompetente e irregular da comissão de arbitragem que trabalhou na partida deste domingo entre Palmeiras e SCCP.

Houve clara e evidente interferência externa na arbitragem, comprovada através de imagens indiscutíveis, e essa atribuição não consta na regra da competição. Assim sendo, visando a lisura e transparência durante as partidas de futebol, o Palmeiras entende ser inegociável que a Federação Paulista de Futebol adote as seguintes medidas:

  1. Implantação do árbitro de vídeo para todas as partidas do Campeonato Paulista a partir do ano de 2019;
  2. Criação de um sistema de gravação e divulgação, quando houver necessidade, de toda comunicação entre os integrantes da arbitragem durante os jogos;
  3. Reavaliação criteriosa de quem dirige o Departamento de Árbitros da FPF e avaliação mais rigorosa sobre aqueles que comandam as partidas.

Enquanto não houver uma manifestação oficial por parte da Federação Paulista de Futebol, de que essas medidas transparentes que prezam pelo bem do esporte serão adotadas, o Palmeiras irá se manter rompido com a FPF.

Dentro de campo, o Palmeiras considera a partida deste domingo como uma lamentável página virada. Há outras competições pela frente e iremos fazer todo o esforço que estiver ao nosso alcance para conseguirmos conquistá-las. O torcedor palmeirense é peça fundamental nesse processo e seu conhecido engajamento será ainda mais importante.

Avanti Palestra!

Atenciosamente,

SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS
Maurício Precivalle Galiotte
Presidente

A publicação vem ao encontro da necessidade, apontada ontem no Verdazzo, de prover aos jogadores e à torcida um sentimento de amparo. Ao se declarar rompido com a FPF e fazer uma série de exigências, a diretoria do Palmeiras dá sinais de que não aceita passivamente a roubalheira de que fomos vítima no último domingo.

O teor da carta, no entanto, não pode ser considerado satisfatório. O Palmeiras se declara “rompido” com a Federação Paulista de Futebol, sem deixar claro o que isso quer dizer exatamente. O Palmeiras fez seu manifesto para o próximo campeonato, mas não deixou claro que tipo de prejuízo a FPF terá se não atender às condições impostas pelo clube.

As demandas

As exigências listadas na carta são rasas. A implantação do VAR ajudaria bastante, embora precise ser melhor desenvolvida – a operacionalização do sistema tem que ser absolutamente transparente e não pode ficar a cargo de quem está em processo de retaliação contra o Palmeiras.

O monitoramento das comunicações entre os membros da equipe de arbitragem seria de grande valia, desde que se assegure que qualquer respiração de toda a equipe que esteja no circuito fique gravada, sem cortes, e devidamente identificada – um desafio que precisa de auditoria técnica para que tenha credibilidade. Só em caso de implantação bem-sucedida desse sistema é que o Palmeiras, com auxílio de uma equipe paralela de captura de imagens direcionada a toda a equipe de arbitragem, teria todos os elementos para questionar qualquer marcação considerada indevida e, desta forma, colocaria pressão sobre os árbitros eventualmente mal intencionados.

ArbitragemUma exigência simples que pode ajudar bastante nesse processo e que ainda pode ser feita, inclusive para o Brasileirão, é que a emissora detentora dos direitos de transmissão só mostre os replays das jogadas depois que a bola voltar a estar em jogo, a fim de diminuir as chances de interferência externa nas decisões dos árbitros. A tática dos jogadores do SCCP nos dois últimos Derbies em que saímos derrotados foi clara: pressionar a arbitragem e não deixar o jogo prosseguir até que os replays dessem alguma brecha para direcionar as marcações – casos do pênalti e expulsão de Jailson, em fevereiro, e do vergonhoso pênalti revogado no último domingo.

Já o terceiro item, em que pede e “reavaliação” da chefia do departamento de arbitragem e “avaliação” dos árbitros é risível e nem de longe fará com que nenhum juiz chore no vestiário se errar contra o Palmeiras, como ocorre em equívocos contra nosso inimigo, que já foi rival. Nossa diretoria se furtou a apontar o dedo efetivamente para os agentes que nos prejudicaram e a exigir que fossem punidos, afastados ou mesmo exonerados.

Revólver de plástico

Mesmo afirmando haver (e há) “clara e evidente interferência externa na arbitragem, comprovada através de imagens indiscutíveis”, o Palmeiras preferiu considerar o episódio uma página virada. Brigar pelo título, a esta altura, não faria sentido, mas fazer com que o campeonato realmente vá para a lata do lixo, ao exigir que o resultado final do campeonato seja “sem campeão”, lutando com todas as energias e usando as evidências para que o jogo seja anulado, seria uma resposta bem mais enérgica e satisfatória.

O clube não poderia ter tomado posições extremas como deixar de participar do Paulistão – o atual presidente, cujo mandato se encerra ao final do ano, não pode prometer essa retaliação já que não é certo, embora provável, que siga no comando do clube. Algo mais radical ainda como a desfiliação, como sugerem alguns torcedores, implicaria em deixar de participar não apenas do Paulistão, mas também de todas as outras competições organizadas pela CBF e é algo fora de cogitação.

Mas há outras atitudes que soariam como respostas adequadas à agressão que sofremos, como disputar a competição com uma equipe alternativa composta por jogadores da base mesclados com “emprestáveis”, mandando as partidas em estádios como o de Barueri ou o de Itu, enquanto o grupo principal faz a pré-temporada com o calendário mais folgado. Isso puniria a FPF, que abocanhou cerca de R$ 900 mil do Palmeiras só de taxa sobre as arrecadações este ano; puniria a RGT, que perderia parte da audiência que a equipe principal do Palmeiras atrai; e ainda daria chance aos jogadores fora dos planos se destacarem e se valorizarem para futuras transações ou mesmo de cavarem lugar no grupo principal.

Durante a realização do Paulistão, o Palmeiras poderia realizar amistosos convidando equipes importantes da América do Sul aos finais de semana para dar ritmo aos considerados titulares – a torcida adoraria lotar o Allianz Parque para tomar contato com os novos contratados em jogos internacionais e ainda minimizaria o problema da perda de receita com bilheteria. As partidas poderiam ser vendidas para concorrentes da RGT ou mesmo terem transmissão própria da TV Palmeiras/FAM.

Se quisesse planejar algo que realmente significasse uma reação, a diretoria do Palmeiras se prepararia para colocar o Paulistão em segundo plano de uma vez, em vez de fazer exigências para o próximo. Do jeito que as cartas foram jogadas, se a FPF decidir ignorar as demandas do Palmeiras não terá absolutamente nada a perder. Foi como ameaçar alguém com um revólver de plástico.

Estratégia de comunicação

Maurício GaliotteAo redigir uma carta com exigências para a FPF e colocar no título que se trata de uma “carta aberta aos torcedores”, a diretoria clara e escancaradamente jogou para a arquibancada.

Na prática, não houve rompimento algum. Nossa diretoria aceitou o roubo de domingo e fez algumas exigências rasas, sem ameaçar de fato nenhuma fragilidade da FPF ou da RGT. A estratégia de comunicação foi pobre; a redação da carta tem erros gramaticais. Um fiasco.

Se a intenção era apenas dar uma sensação de amparo à torcida, nossa diretoria terá que torcer para que o tom revoltado do texto e o simples boicote à festa de encerramento do campeonato realizada na noite da última segunda-feira surtam o efeito esperado sobre a massa de torcedores. Mas basta uma leitura um pouco mais crítica sobre seu conteúdo para verificar que as medidas, até agora, são completamente inócuas.

Precisamos de mais.


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Duas frentes de trabalho para acabar com a maldita sensação de déjà vu

Derby
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

O Palmeiras perdeu mais um Derby em Itaquera, no final-de-semana. Esta derrota perfez uma rara sequência de quatro seguidas no clássico – a última vez que eles nos impuseram isso na História foi entre 1983 e 1985. Assim, o placar de sequências de quatro ou mais vitórias foi igualado, com quatro para cada lado. A diferença é que o Palmeiras ostenta uma sequência de cinco e outra de seis triunfos.

A partida do último sábado traz uma desagradável sensação de déjà vu, já que guarda semelhanças com dois Derbies disputados no ano passado.

De certa forma, lembra o clássico disputado em 22 de fevereiro, pelo Paulistão, quando o Palmeiras, apesar do período de desenvolvimento do time em virtude de ter um treinador contratado na virada do ano, fazia melhor campanha no campeonato, enquanto o rival parecia bem mais longe, vindo de resultados ruins e ainda buscando encontrar um time titular confiável. Com um gol de Jô, no final do jogo, o Palmeiras foi derrotado pela contagem mínima.

Por outro lado, a partida do último sábado remete ao Derby de 5 de novembro, que terminou com o placar de 3 a 2 e que teve larga influência da arbitragem. Nos dois jogos, apesar da interferência dos homens do apito, o Palmeiras também mostrou falhas dentro de campo que precisam ser ajustadas.

Fomos roubados, mas claro que poderíamos ter jogado melhor

Instagram
Reprodução Instagram

A primeira reação do torcedor contra o próprio time é aquela que infelizmente já virou rotina de alguns anos para cá: achar que “faltou raça”. Daí a chamar este ou aquele jogador de vagabundo e pipoqueiro é um pulo. Daí para pior. Houve alguns episódios tétricos: torcedores procuraram o Instagram da esposa do Dudu e o xingaram – não pouparam nem uma foto em que aparece apenas um dos Duduzinhos. É caso de sociopatia gravíssimo.

Mesmo sem chegar a esses extremos, boa parte da nossa torcida canaliza a frustração da derrota contra nossos jogadores de forma exagerada. A necessidade de se achar culpados e de vociferar pelo teclado é um fenômeno alarmante. E não é justo.

Faltou atitude? Talvez, mas será que foi por falta de “tesão”? Será que foi por desinteresse? É bem pouco provável.

Nossos atletas no primeiro tempo, mesmo jogando ligeiramente melhor que o adversário, não conseguiram abrir o placar. A intensidade de jogo poderia ter sido maior, o time poderia ter atacado de forma mais compacta. Erros dos jogadores, talvez do técnico – jamais saberemos se o posicionamento equivocado dos nossos jogadores foi orientação do Roger ou se eles não executaram o que o treinador pediu. No final, mesmo com nossa defesa postada, um buraco na marcação e muita felicidade de Rodriguinho determinaram a abertura do placar.

Raphael Claus
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

No segundo tempo houve jogo por dez minutos, um massacre do Palmeiras, com muita atitude – tanto que Cássio aproveitou um choque com Borja para paralisar o jogo por três minutos para esfriar nosso time, sentindo o perigo. Assim que a partida recomeçou, uma bola vadia caiu no pé de Renê Júnior e o resto é o que já sabemos.

A partir desta sequência, o Palmeiras de fato morreu em campo e é impossível não relacionar este comportamento com as decisões da arbitragem. Nosso time se sentiu muito prejudicado e perdeu o foco, compreensivelmente – ao menos para quem tem a referência da prática de esportes de forma competitiva na vida. Quem não tem, fala que é vagabundagem.

Faltou aproximação entre os atletas com a posse de bola. Tchê Tchê estava fora de sintonia e não deu apoio a Felipe Melo, perdemos a disputa pelo meio de campo. Nosso time podia ter mais vibração no primeiro tempo – algo que 10% do estádio a nosso favor poderia providenciar, mas que o time deles, que da mesma forma não teve o apoio dos seus quando veio ao Allianz Parque em 2017, não se ressentiu – muito, mas muito provavelmente porque já estava se sentindo bem naquele jogo, coisa que nosso time não conseguiu.

Tudo isso ainda parece ter origem no atual estágio de desenvolvimento do time. Contra times fracos, os resultados vieram. Num ambiente extremamente hostil, contra um time mais ajeitado, e com a decisiva ajuda da arbitragem, o resultado não veio. Pensando friamente, não foi nenhuma zebra e já dizíamos antes do jogo, por todos esses motivos, que os favoritos eram eles.

Poderíamos ter jogado melhor, mas claro que fomos roubados

Roger Machado
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Roger Machado ainda deve fazer ajustes no time titular. Nosso elenco é muito rico e ele tende a conseguir, com o tempo, achar a melhor combinação de jogadores e encontrar a melhor dinâmica de jogo para eles. Keno, Guerra e Gustavo Scarpa estão a postos para novas experiências. Diogo Barbosa é uma peça importante que ainda não estreou. Moisés é um craque cuja condição física ainda é uma incógnita. Roger ainda tem muito para evoluir com o time.

Isto dito, não podemos jamais deixar de lado a influência que a arbitragem sofre para apitar jogos do SCCP. Em seu site, a RGT soltou uma matéria quase criminosa no sábado tamanha a intimidação que causou na arbitragem. Nos momentos que antecederam ao jogo, o bandeirão desfraldado pela torcida local continha, descaradamente, as logomarcas dos canais por assinatura da emissora. Após o clássico, quase em tom de escárnio, exibiu matéria com a mãe de Jailson na arquibancada do Itaquerão, uniformizada, torcendo por seu time e por seu filho.

Bandeirão SCCPÉ fato que a arbitragem tem medo de apitar contra o time de Itaquera. “Pênalti para o SCCP” é uma piada generalizada na Internet. O Palmeiras precisa, de alguma forma, se defender disso. Boa parte da torcida espera um pronunciamento do presidente Maurício Galiotte. Talvez seja necessário, talvez não – uma declaração forte pode até reforçar, mas jamais será suficiente para, por si só, impor o respeito que nossa camisa demanda.

Estamos sendo roubados sistematicamente – até na base os juízes nos prejudicam. É necessário agir nos bastidores de forma incisiva, e se nossa diretoria tem tentado fazer algo neste sentido, não está surtindo efeito algum e a estratégia precisa ser revista.

Nosso patrocinador tem um peso enorme nas receitas da RGT, o principal agente dessa pressão. Mas a presidente da Crefisa e conselheira do clube Leila Pereira é uma neófita e ainda não sabe como usar esse poder para agir nos bastidores e defender os interesses do time – algo que nosso presidente poderia incentivar e eventualmente mostrar o caminho, até porque, ela já declarou a intenção de um dia presidir o clube.

Duas frentes a se trabalhar

Maurício GaliotteFomos roubados e podíamos ter jogado melhor. As duas coisas não se excluem. Fechar os olhos para qualquer um desses aspectos é limitar a análise, é enxergar apenas uma parte do problema. Nossa torcida precisa perceber o cenário de forma ampla e apoiar, em vez de se converter em mais um problema.

Roger está em início de trabalho e, tanto quanto o elenco, precisa de blindagem. Se os resultados não vierem, será preciso muita força para suportar a pressão interna – o erro que comentemos no ano passado não pode se repetir. Já Maurício Galiotte está mais perto do fim do que do começo de seu mandato e já passou da hora de resguardar, de uma vez por todas, nossos interesses.

As duas coisas se resolvem com muito trabalho: o treinador, treinando; o presidente, presidentando. Só assim não termos novamente a mesma maldita sensação de déjà vu quando voltarmos a enfrentá-los, provavelmente nas finais do Paulistão.


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Arbitragem e imprensa: na era Parmalat, éramos bons também nos bastidores

Treino
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

O Palmeiras voltou aos trabalhos na última quarta-feira e o ambiente é muito bom. O elenco é forte e bem remunerado, e tem a garantia de estar respaldado quanto à estrutura e à pontualidade nos pagamentos. Tudo isso faz do Palmeiras, mais uma vez, forte candidato a levantar taças este ano.

O diretor de futebol Alexandre Mattos concedeu entrevista na abertura dos trabalhos na qual reconhece que o Palmeiras tem todos os elementos para realizar uma temporada cheia de êxitos; declarou ter identificado onde o clube errou na temporada passada e que esses erros não devem se repetir: mencionou a priorização de competições e a forma como se trabalhou a pressão externa pela conquista de campeonatos como falhas a serem corrigidas. Veja abaixo a entrevista completa, bastante esclarecedora.

Mattos, no entanto, não mencionou claramente dois dos fatores mais importantes que interferem nos resultados de um time de futebol: as arbitragens e o desrespeito da imprensa.

Fique de olho no apito

Derby - Daronco
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Em paralelo a qualquer erro que nossos jogadores e diretoria possam ter cometido, tivemos problemas seriíssimos com os homens do apito e das bandeiras. Levantamento da própria CBF, mesmo sem o rigor que qualquer torcedor palmeirense teria se fizesse um estudo semelhante, aponta o Palmeiras como o clube mais prejudicado pelas arbitragens em 2017.

Ficamos em segundo lugar no Brasileirão, a nove pontos do primeiro colocado, mas todos se lembram da operação na reta final da competição. Quem viveu intensamente aquelas semanas sabe que o balde de água fria jogado pelas arbitragens de Héber Roberto Lopes contra o Cruzeiro e Anderson Daronco contra o SCCP foram definitivos para o rumo do troféu.

Equivocadamente, virou senso comum em nossa torcida que o Palmeiras precisa não apenas ser melhor que os adversários: é necessário ser muito melhor, tem que sobrar, para vencer os campeonatos diante da histórica disposição das arbitragens em nos prejudicar.

O Palmeiras não pode aceitar placidamente essa situação. Nossos jogadores tem que se preocupar em vencer somente os adversários; as arbitragens não podem entrar na conta regular de obstáculos a serem vencidos, o absurdo não pode virar regra. A máxima de que os erros acontecem para todos os lados e se anulam precisa voltar a prevalecer – no nosso caso, está claríssimo que não se anulam coisa nenhuma.

A imprensa, sempre ela

ESPN
Reprodução

Se Mattos diagnosticou que a priorização de competições foi um erro, que não se repita. E se acha que a pressão externa atrapalhou, tem dois caminhos paralelos para neutralizá-la: blindar ao máximo o ambiente e preparar os jogadores para se tornarem imunes ao falatório, e minimizar a origem dessa pressão, revertendo a pré-disposição da imprensa em minar o trabalho do Palmeiras.

Outro senso comum em nossa torcida é que a imprensa é anti-palmeirense. Obviamente toda torcida tem esse tipo de reclamação, mas a do Palmeiras tem documentos que escancaram esta perseguição – aqui, uma leitura muito esclarecedora. E recentemente o jornalista Luiz Ademar, ex-presidente da ACEESP, fez um desabafo em sua conta no Twitter a respeito da redação onde trabalhou nos últimos anos.

A perseguição ao Palmeiras é clara e afeta não apenas os jogadores, mas também a torcida, que inadvertidamente passa a fazer parte da pressão descomunal que é transmitida principalmente via redes sociais aos atletas. Para jogar em clube grande é preciso aguentar pressão, é certo, mas no Palmeiras ela é muito maior que nos adversários e é outro fator de desequilíbrio numa disputa que deveria ser justa.

A arte de trabalhar nos bastidores

Maurício GaliotteOs bastidores tem esse nome por se tratar de uma série de atividades feitas na penumbra. A discrição das atitudes, dependendo de quem as toma, pode estar relacionada a situações que envolvem a preservação de suscetibilidades – ou em casos menos virtuosos, ameaças à ética.

Dentro dos limites traçados pelos princípios éticos que deveriam guiar a sociedade, esperamos que os dirigentes do Palmeiras defendam os interesses do clube como todo o empenho. E isso envolve garantir que as arbitragens não nos roubem mais. Não queremos ser favorecidos, mas não aceitamos mais ser roubados.

Exigir o tratamento correto dos órgãos de imprensa, fazendo com que o evidente favorecimento a SCCP e Flamengo cesse e que o desprezo a tudo que envolve o Palmeiras dê lugar ao respeito é outra frente que precisa ser trabalhada.

Saber como se faz isso é obrigação de quem se coloca na situação de dirigir um clube de futebol. Conhecer o caminho dos bastidores é uma informação que se passa de presidente para presidente. De cartola para cartola. Se virem.

Hora de se mexer, de uma vez por todas

Palmeiras-ParmalatO Palmeiras já soube muito bem defender seus interesses nessas duas frentes. Durante o período em que a gestão de nosso futebol foi feita em conjunto com a Parmalat, o Palmeiras não era sistematicamente roubado. As arbitragens não eram perfeitas, mas a máxima dos erros que se anulam prevalecia.

E naqueles anos, tirando um ou outro jornalista caricato, a imprensa respeitava o Palmeiras e ninguém importante se metia a besta com nosso time. E é claro que a ordem vinha de cima, porque se dependesse da vontade da maioria deles, prevaleceria a camisa que vestem por baixo.

Com exceção das já mencionadas exceções caricatas, ninguém tem nada a dizer da ação do Palmeiras e da Parmalat nos bastidores com relação a limites éticos naquela época. Bem o contrário do que a história recente de outros clubes rivais contam.

Nosso elenco é ótimo, nossa estrutura é fantástica e nosso bolso vai muito bem, obrigado. Mas tudo isso, já vimos em 2017, não é suficiente se não fizermos como na década de 90 e nos impormos, não só diante dos onze adversários que entram em campo para nos enfrentar, mas diante dos inimigos que, nas sombras dos bastidores, fazem o que podem para levar vantagens indevidas sobre nós.

Que nosso presidente, assim que voltar de suas férias, trabalhe forte nessas frentes para garantir que não percamos mais títulos este ano que não sejam por mérito esportivo dos adversários.


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