Palmeiras não abre mão de que lugar de (juiz) ladrão seja na cadeia

Maurício GaliotteSegundo reportagem publicada hoje pela Folha de S.Paulo, o Palmeiras abrirá inquérito policial contra funcionários da FPF e árbitros que teriam mentido em depoimento no TJD-SP, em audiência referente à denúncia de interferência externa na final do Campeonato Paulista deste ano.

O clube decidiu tomar esta iniciativa diante das contradições nos depoimentos de algumas testemunhas do processo, apuradas em dossiê elaborado pela empresa de investigação Kroll e pelo parecer do IBP – Instituto Brasileiro de Peritos. A pena para falso testemunho vai de 2 a 4 anos de prisão, mais multa.

Coberto de razões

O Palmeiras está indo às últimas consequências neste caso, e está coberto de razões, em todos os sentidos.

Na esfera esportiva, o TJD já se mostrou totalmente comprometido com a FPF e não mostrou nenhum interesse em apurar a verdade, mas sim em abafar a história. Se depender do esforço do tribunal do delegado Olim, fica tudo como está.

Thiago Duarte Peixoto
Thiago Duarte Peixoto errou contra a ORCRIM e chegou a chorar em desespero: não adiantou; foi pra geladeira

Os árbitros morrem de medo de levantar um dedo e se submetem às orientações da patota, cujo objetivo é defender os interesses da ORCRIM de Itaquera. Se não obedecerem, saem da escala. Vão para a A3. E isso seguirá acontecendo até que o jogo mude.

Para que isso aconteça, é necessário que o pessoal do apito passe a ter outro tipo de temor: o de irem presos.

Manipulações e abafamentos da verdade são corriqueiramente usados para que as operações dos árbitros em campo sejam esquecidas e virem folclore. A falta de elementos concretos sempre ajudou a fazer a fumaça necessária para que a verdade acabasse encoberta.

Ao decidir investir pesado para contratar entidades especializadas para fornecer esses elementos, o Palmeiras, amparado apenas pela lei, vai fechando o cerco em torno do esquema  para fazer a verdade prevalecer.

Mais nada a perder

A briga é grande, mas chegou num ponto em que o Palmeiras não tem mais nada a perder. A maior retaliação que pode vir, já acontece: o roubo descarado e o favorecimento indiscriminado à ORCRIM de Itaquera.

A Receita Federal já obrigou o clube a mudar o contrato com a Crefisa e, do nada, apareceu uma dívida de R$ 120 milhões.

As principais emissoras de TV tratam o Palmeiras praticamente como um clube argentino em seus programas diários de debate.

Faz muito bem o Palmeiras, em semana de Derby, em divulgar que a esfera da briga agora é outra, e que lugar de ladrão é realmente na cadeia.

Se a situação não se resolve nos bastidores do esporte, vamos nos defender de outro jeito. Parabéns à diretoria do Palmeiras pela atitude; vamos seguir acompanhando os desdobramentos com muita atenção.


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Dissimulado, Carlos Simon assume “erro” e pede desculpas a Obina

Carlos Simon rouba o Palmeiras no Maracanã
Reprodução

Ontem à noite, num programa da Fox, Carlos Simon finalmente admitiu que “errou” ao anular o gol de Obina, no jogo entre Fluminense e Palmeiras no Brasileirão de 2009.

Com direito a tapinha nas costas, o comentarista de arbitragem da emissora disse ao vivo para Obina e para os colegas da emissora que tentou compensar um escanteio, que na verdade seria tiro de meta, se enrolou todo na explicação, mas deixou uma coisa bem clara: o gol foi legítimo.

Que não houve irregularidade nenhuma todos já estamos cansados de saber. Basta ver o vídeo para constatar que Carlos Simon fabricou a anulação do gol, aos 29 minutos do primeiro tempo.

Vamos voltar no tempo: o jogo era válido pela 34ª rodada do campeonato. O Palmeiras liderava o campeonato, seguido de perto por SPFC , Atlético-MG e Flamengo. A vantagem já tinha sido maior, mas o Palmeiras sofria com uma oscilação causada por desfalques importantes, como Pierre e Cleiton Xavier.

Uma vitória no Rio, além de deixar o Palmeiras muito perto do título brasileiro, praticamente condenava o Fluminense a mais um rebaixamento. O time carioca fazia uma campanha patética, havia virado o turno com apenas 15 pontos conquistados e chegou a ficar afundado 9 pontos atrás do primeiro time fora da zona do rebaixamento. Com uma arrancada de seis vitórias entre as rodadas 32 e 37 – a terceira delas, sabemos, roubada, acabou conhecido como “time de guerreiros” ao se salvar da queda. Mais essa.

O Palmeiras havia feito investimentos arriscados para levantar o título aquele ano. O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo aumentou o salário dos principais atletas do elenco no meio do ano, para evitar que eles cedessem às ofertas para mudar de clube na janela de julho. Vagner Love foi trazido a peso de ouro no segundo turno para garantir força ofensiva. Tudo isso, nas contas da diretoria, se pagaria com a conquista do título.

A operação de Simon salvou o Fluminense e quem acabou rebaixado foi o Coritiba. O Palmeiras entrou em parafuso com o assalto; o elenco, abalado de forma semelhante ao que vimos nas últimas semanas, após a final do Paulista, perdeu o foco e empatou em casa com o Sport e foi derrotado pelo Grêmio no Olímpico, com Obina e Maurício sendo expulsos na saída para o intervalo após trocarem socos. O campeonato caiu no colo do Flamengo.

O Palmeiras deveria ter tido um 2010 de austeridade, para recuperar o buraco financeiro causado pelos riscos assumidos em 2009. Mas nosso presidente jogou de novo e trouxe de volta Valdivia, Kleber e Felipão, mais uma vez sem resultados. O buraco se tornou maior ainda e o clube caiu nas mãos de Arnaldo Tirone. À beira do precipício, ao final de 2012, todos sabiam que tudo havia começado em 2009, com a perda daquele Brasileiro, pelo apito nefasto de Carlos Simon.

Mentiroso

Carlos Simon
Reprodução

Em agosto de 2012, comentando o  jogo pela Sul-Americana entre Palmeiras e Botafogo na Fox, Simon recebeu uma “pergunta do internauta” – foi este blogueiro o autor da provocação, que a produção da transmissão não teve a sagacidade de vetar: “Simon, é muito difícil apitar jogos do Obina, ele joga muito com o corpo e empurra muito?”.

O ex-juiz, de forma tão dissimulada quanto a que mostrou no gramado do Maracanã três anos antes, disse que apitou com convicção, que foi falta e que Obina até teria confessado a ele tempos depois que tinha mesmo feito falta. Devidamente alertada, a assessoria de imprensa do Palmeiras acionou Obina, que desmentiu Simon nas entrevistas após o jogo: “Se ele disse isso, mentiu. Eu nunca disse nada, nunca admiti que foi falta, até porque eu não fiz nada naquele lance. Foi um gol claro, que nos colocaria em vantagem no marcador”.

Não desculpamos

Obina e GumQue juízes fazem esquema, não é novidade para ninguém, e já não era na época. Carlos Simon foi o juiz escolhido pela CBF para apitar a Copa de 2010, seu prêmio final pelos serviços prestados.

Admitir o erro agora não é uma “atitude humilde”, tampouco transparece “coragem” do ex-árbitro, como a redação da Fox tentou descrever a confissão. Simon errou de propósito, de forma premeditada e criminosa, e ainda processou o presidente Belluzzo pelas declarações iradas após a partida – ganhou R$ 60 mil em 2013, e certamente não vai devolver o dinheiro.

A declaração de Carlos Simon chega num momento delicadíssimo da arbitragem, em que o Palmeiras promove investigação profissional para desmascarar outro esquema, desta vez entre SCCP e FPF, com ajuda das imagens da RGT, que nos roubou o título paulista. O Palmeiras, neste momento, vem de um empate em casa com um gol marcado no último lance do jogo, mal anulado pela arbitragem.

Armando Marques, Arnaldo Cézar Coelho, Ulisses Tavares da Silva, Claudio Vinicius Cerdeira, Ubaldo Aquino, Paulo César de Oliveira, Wilson de Souza Mendonça, Guilherme Cereta, Heber Roberto Lopes, Anderson Daronco, Raphael Claus e Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, só para lembrar alguns, um dia também podem vir a público e assumir que já roubaram o Palmeiras, nos fizeram perder Derbies e nos tiraram títulos. Como fez Simon.

Mas nossa torcida jamais poderá perdoar aqueles que, de posse de um apito, não cometeram simples erros. Envolvidos até o pescoço nos esquemas de manipulação de resultados no futebol, operaram o Palmeiras e não deixaram nossa imensa galeria de troféus ser maior ainda.  Eles tentam, tentam, tentam, mas não nos matam. Porque nós resistimos – e desta vez, ao que parece, estamos reagindo. Que essas investigações não parem na final do Paulista e que o Palmeiras inspire outros clubes a também tomarem suas providências para acabar com essa sujeira toda.


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Palmeiras reage e ataca esquema de arbitragens a favor da ORCRIM de Itaquera

O favorecimento da arbitragem ao SCCP rompeu fronteiras ontem, após o bandeirinha anular um gol em que o atleta do Independiente que anotou o tento estava a mais de um metro em posição legal quando a bola saiu do pé de seu companheiro. Aos 40 minutos do segundo tempo, o gol empataria a partida; ato contínuo, o auxiliar levantou seu instrumento e garantiu a vitória da ORCRIM de Itaquera.

Já não há outra forma de se referir ao inimigo, ex-rival. Com um time apenas bem arrumadinho, recheado de jogadores medíocres e um técnico que segue o script que seus antecessores escreveram e puseram em prática nos últimos oito anos, o SCCP vem ganhando partidas e títulos por obra das arbitragens, num esquema cuja estrutura pode suscitar dezenas de teorias conspiratórias diferentes – mas que os efeitos são óbvios e inegáveis. A velha desculpa de que “os erros acontecem para todos os lados e se anulam” não cola mais.

O presidente atual do SCCP já admitiu que “no futebol, se não roubar, não ganha nada”. Para eles, talvez seja assim mesmo e o que vemos é a teoria sendo colocada em prática; o que vem sendo feito nos últimos Derbies é a avacalhação completa das arbitragens e da administração do futebol, tudo para que o clube que ganhou um estádio de graça às custas do meu e do seu imposto levante troféus.

Ganhar partidas e títulos graças a arbitragens não é privilégio do SCCP – Flamengo e SPFC também são outros notórios favorecidos dos homens de preto. Mas a lista da ORCRIM de Itaquera é gigante e tem histórias escabrosas que se espalham por décadas, como o caso Ruy Rey, de 1977; o 1-0-0 de Alberto Duailibi e Ivens Mendes, em 1997; o Zveitão 2005 em que não apenas pênaltis, mas partidas inteiras foram revogadas; sem falar no Brasileirão do ano passado, em que fomos assaltados numa operação dupla feita por Heber e Daronco. Entre muitos outros casos.

Ontem, na Argentina, o esquema rompeu fronteiras. Nem a imprensa consegue mais disfarçar, apesar do esforço da RGT em sonegar os replays na transmissão ao vivo. A credibilidade do futebol, que nunca foi lá essas coisas, nunca esteve tão em xeque. Todas as torcidas, não apenas as do Palmeiras, já manifestam extremo descontentamento com a situação.

Soco na mesa

O Palmeiras deu um soco na mesa e partiu para a ofensiva – ainda que em território hostil, a “Justiça” Desportiva, que claramente faz parte do mesmo macro-organismo. Primeiro, o clube muniu-se de provas coletadas na televisão, na TV Palmeiras/FAM e até em imagens captadas por torcedores para evidenciar a manobra que evitou que o pênalti sobre Dudu marcado aos 26 minutos do segundo tempo fosse batido.

O TJD promoveu audiência acerca da denúncia na última terça-feira. Os depoimentos da equipe de arbitragens, além de contraditórios, foram risíveis. Justificaram até a presença de um elemento completamente estranho ao jogo, o tal tutor – o folclore do futebol agradece a criação de mais um personagem.

Um dia depois deste episódio circense, o Ministério Público, na figura do promotor Paulo Castilho, se pronunciou a respeito do caso, revelando que vai analisar o material para decidir se vai levá-lo adiante – não devemos alimentar grandes esperanças de que saia coelho desta toca, já que a motivação parece ser apenas a usual: holofotes.

PerdigueiroO Palmeiras tem que se defender sozinho, e por isso anunciou que contratou a Kroll, empresa privada de investigações de enorme reputação, para escavar. Diante da excelência dos serviços da empresa, podemos esperar que apareçam evidências concretas não apenas de irregularidades na final do Paulista, mas também em muitas outras instâncias. O que não faltam são pontinhas de fio soltas, e se tem alguém que sabe achar essas pontas e puxar o fio, é a Kroll. Aí o Ministério Público vai ter que agir de verdade.

O fato do Palmeiras ter colocado um perdigueiro na jogada, por si só, já vai fazer com que alguns e-mails sejam deletados e algumas resmas sejam incineradas em atos de desespero. A operação vai precisar ser colocada, no mínimo, em modo de espera. Os juízes que antes choravam no vestiário se errassem contra a ORCRIM de Itaquera e entravam em campo com instruções específicas, agora, não vão poder aceitar as encomendas. É capaz até de nos darem algum pênalti de presente para tentar mostrar que erram para todos os lados – algo que não pedimos e não queremos.

Cadeia neles!

ArbitragemEstá em andamento no país uma varredura nos políticos corruptos inimaginável há dez anos – resultado da ganância sem limites dos agentes públicos atuais. Paulo Maluf e Fernando Collor, dois dos corruptos mais notórios da política brasileira, são ladrões de galinhas perto da camarilha que comandou Brasília e os principais partidos políticos do país nos últimos anos. Roubaram tanto, mas tanto, que até a sociedade brasileira, sabidamente mansa, acordou para a vida e hoje assiste os bandidos de gravata dando entrada na cadeia pela televisão.

A posição do SCCP no futebol é similar. Vicente Matheus fazia suas mutretas, mas hoje seria um mero bagrinho perto do que fez Duailib e fazem seus sucessores. Não dá mais para esconder. Só esperamos que, a exemplo do que acontece na política nacional, os ladrões desta máfia do apito ligados à ORCRIM de Itaquera também ganhem suas roupinhas listradas.

Todas as torcidas do Brasil agradecem – exceto a do inimigo, ex-rival.


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Palmeiras joga fora a arminha de plástico e mostra o canhão

O Palmeiras protocolou junto ao TJD nesta terça-feira um pedido de investigação a respeito de interferência externa no Derby do último domingo que decidiu o Paulistão 2018.

O clube organizou um material em vídeo que comprova a comunicação entre Dionísio Roberto Domingos, diretor de arbitragem da FPF, e a equipe de arbitragem – uma espécie de “telefone sem fio” que passou pelo bandeirinha, pelo quinto árbitro, depois pelo quarto árbitro, até chegar em Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza. Veja o material editado pela TV Palmeiras/FAM:

Existe a possibilidade do clube pedir a anulação da partida, o que daria dois possíveis destinos ao Paulistão 2018: ou a partida final precisaria ser novamente disputada, ou o campeonato é encerrado e declarado sem campeão.

As provas apresentadas pelo Palmeiras são contundentes, mas o próprio presidente do TJD, delegado Olim, em ato falho embaraçoso, admitiu em entrevista à Fox Sports que houve a interferência externa. Confira no vídeo abaixo:

Chega a ser irônico que o delegado Olim tenha se complicado exatamente num momento de auto-promoção pessoal na mídia.

Com isso, o Palmeiras dá uma resposta à altura dos acontecimentos de domingo e busca, munido de provas concretas, restabelecer a justiça. Sai a carta aberta onde o clube faz ameaças vazias à FPF e entra uma peça jurídica extremamente consistente. Sai o revólver de plástico e entra um canhão.

Não cabe, de forma alguma, desqualificar o pedido conjecturando se foi pênalti ou não, como alguns setores da imprensa estão tentando fazer. Quem vai nessa direção está apenas tentando jogar uma cortina de fumaça sobre o real atentado às regras do jogo, que é a interferência externa na arbitragem. Independente do que aconteceu dentro de campo, o mero contato do diretor de arbitragem e do “quinto árbitro” com a equipe de arbitragem já caracterizam essa situação.

Outra ironia da história é que justo o clube que liderou o voto contrário à implantação do árbitro de vídeo é o que foi beneficiado por seu uso irregular, tendo um pênalti contra si sendo revogado.

E o mais trágico é que se o VAR estivesse valendo e o responsável por sua operação fosse o diretor de arbitragem da FPF, ele teria anulado erradamente o pênalti, já que é evidente a falta de Ralf em Dudu.

O Verdazzo parabeniza a diretoria do Palmeiras pela reação. Não podíamos esperar nada a menos que isso. Considerar o assalto de que fomos vítima “página virada” não coaduna com nossa natureza. Agora, atletas e torcida se sentem amparados e podem voltar a se concentrar em jogar bola e a torcer. Se o trabalho preventivo ainda precisa melhorar, o reativo dá sinais de força.

Não parece haver clima para disputar uma nova partida. O mais indicado, diante de todo o cenário montado, seria declarar o Paulistão 2018 sem vencedor. Não apenas porque o SCCP não fez por merecer o título em campo, mas também para simbolizar o fracasso completo que foi este campeonato, a começar pelo regulamento bizarro, passando pelo baixíssimo nível técnico, pelas ações de marketing de péssimo gosto, pelo tribunal de cartas marcadas, culminando com a extrema incompetência das equipes de arbitragem.

No Campeonato Paulista de 2018, todos perderam.


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Palmeiras usa revólver de plástico para pressionar a FPF

O Palmeiras, através de carta aberta aos torcedores, assinada pelo presidente Maurício Galiotte e publicada na noite de ontem no site oficial do clube, anunciou de forma oficial o rompimento com a FPF, impondo condições para rever o posicionamento. Confira o texto da nota a seguir:

A Sociedade Esportiva Palmeiras entende que a instituição e seus torcedores sofreram um duro e irremediável prejuízo por uma atuação desastrosa, incompetente e irregular da comissão de arbitragem que trabalhou na partida deste domingo entre Palmeiras e SCCP.

Houve clara e evidente interferência externa na arbitragem, comprovada através de imagens indiscutíveis, e essa atribuição não consta na regra da competição. Assim sendo, visando a lisura e transparência durante as partidas de futebol, o Palmeiras entende ser inegociável que a Federação Paulista de Futebol adote as seguintes medidas:

  1. Implantação do árbitro de vídeo para todas as partidas do Campeonato Paulista a partir do ano de 2019;
  2. Criação de um sistema de gravação e divulgação, quando houver necessidade, de toda comunicação entre os integrantes da arbitragem durante os jogos;
  3. Reavaliação criteriosa de quem dirige o Departamento de Árbitros da FPF e avaliação mais rigorosa sobre aqueles que comandam as partidas.

Enquanto não houver uma manifestação oficial por parte da Federação Paulista de Futebol, de que essas medidas transparentes que prezam pelo bem do esporte serão adotadas, o Palmeiras irá se manter rompido com a FPF.

Dentro de campo, o Palmeiras considera a partida deste domingo como uma lamentável página virada. Há outras competições pela frente e iremos fazer todo o esforço que estiver ao nosso alcance para conseguirmos conquistá-las. O torcedor palmeirense é peça fundamental nesse processo e seu conhecido engajamento será ainda mais importante.

Avanti Palestra!

Atenciosamente,

SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS
Maurício Precivalle Galiotte
Presidente

A publicação vem ao encontro da necessidade, apontada ontem no Verdazzo, de prover aos jogadores e à torcida um sentimento de amparo. Ao se declarar rompido com a FPF e fazer uma série de exigências, a diretoria do Palmeiras dá sinais de que não aceita passivamente a roubalheira de que fomos vítima no último domingo.

O teor da carta, no entanto, não pode ser considerado satisfatório. O Palmeiras se declara “rompido” com a Federação Paulista de Futebol, sem deixar claro o que isso quer dizer exatamente. O Palmeiras fez seu manifesto para o próximo campeonato, mas não deixou claro que tipo de prejuízo a FPF terá se não atender às condições impostas pelo clube.

As demandas

As exigências listadas na carta são rasas. A implantação do VAR ajudaria bastante, embora precise ser melhor desenvolvida – a operacionalização do sistema tem que ser absolutamente transparente e não pode ficar a cargo de quem está em processo de retaliação contra o Palmeiras.

O monitoramento das comunicações entre os membros da equipe de arbitragem seria de grande valia, desde que se assegure que qualquer respiração de toda a equipe que esteja no circuito fique gravada, sem cortes, e devidamente identificada – um desafio que precisa de auditoria técnica para que tenha credibilidade. Só em caso de implantação bem-sucedida desse sistema é que o Palmeiras, com auxílio de uma equipe paralela de captura de imagens direcionada a toda a equipe de arbitragem, teria todos os elementos para questionar qualquer marcação considerada indevida e, desta forma, colocaria pressão sobre os árbitros eventualmente mal intencionados.

ArbitragemUma exigência simples que pode ajudar bastante nesse processo e que ainda pode ser feita, inclusive para o Brasileirão, é que a emissora detentora dos direitos de transmissão só mostre os replays das jogadas depois que a bola voltar a estar em jogo, a fim de diminuir as chances de interferência externa nas decisões dos árbitros. A tática dos jogadores do SCCP nos dois últimos Derbies em que saímos derrotados foi clara: pressionar a arbitragem e não deixar o jogo prosseguir até que os replays dessem alguma brecha para direcionar as marcações – casos do pênalti e expulsão de Jailson, em fevereiro, e do vergonhoso pênalti revogado no último domingo.

Já o terceiro item, em que pede e “reavaliação” da chefia do departamento de arbitragem e “avaliação” dos árbitros é risível e nem de longe fará com que nenhum juiz chore no vestiário se errar contra o Palmeiras, como ocorre em equívocos contra nosso inimigo, que já foi rival. Nossa diretoria se furtou a apontar o dedo efetivamente para os agentes que nos prejudicaram e a exigir que fossem punidos, afastados ou mesmo exonerados.

Revólver de plástico

Mesmo afirmando haver (e há) “clara e evidente interferência externa na arbitragem, comprovada através de imagens indiscutíveis”, o Palmeiras preferiu considerar o episódio uma página virada. Brigar pelo título, a esta altura, não faria sentido, mas fazer com que o campeonato realmente vá para a lata do lixo, ao exigir que o resultado final do campeonato seja “sem campeão”, lutando com todas as energias e usando as evidências para que o jogo seja anulado, seria uma resposta bem mais enérgica e satisfatória.

O clube não poderia ter tomado posições extremas como deixar de participar do Paulistão – o atual presidente, cujo mandato se encerra ao final do ano, não pode prometer essa retaliação já que não é certo, embora provável, que siga no comando do clube. Algo mais radical ainda como a desfiliação, como sugerem alguns torcedores, implicaria em deixar de participar não apenas do Paulistão, mas também de todas as outras competições organizadas pela CBF e é algo fora de cogitação.

Mas há outras atitudes que soariam como respostas adequadas à agressão que sofremos, como disputar a competição com uma equipe alternativa composta por jogadores da base mesclados com “emprestáveis”, mandando as partidas em estádios como o de Barueri ou o de Itu, enquanto o grupo principal faz a pré-temporada com o calendário mais folgado. Isso puniria a FPF, que abocanhou cerca de R$ 900 mil do Palmeiras só de taxa sobre as arrecadações este ano; puniria a RGT, que perderia parte da audiência que a equipe principal do Palmeiras atrai; e ainda daria chance aos jogadores fora dos planos se destacarem e se valorizarem para futuras transações ou mesmo de cavarem lugar no grupo principal.

Durante a realização do Paulistão, o Palmeiras poderia realizar amistosos convidando equipes importantes da América do Sul aos finais de semana para dar ritmo aos considerados titulares – a torcida adoraria lotar o Allianz Parque para tomar contato com os novos contratados em jogos internacionais e ainda minimizaria o problema da perda de receita com bilheteria. As partidas poderiam ser vendidas para concorrentes da RGT ou mesmo terem transmissão própria da TV Palmeiras/FAM.

Se quisesse planejar algo que realmente significasse uma reação, a diretoria do Palmeiras se prepararia para colocar o Paulistão em segundo plano de uma vez, em vez de fazer exigências para o próximo. Do jeito que as cartas foram jogadas, se a FPF decidir ignorar as demandas do Palmeiras não terá absolutamente nada a perder. Foi como ameaçar alguém com um revólver de plástico.

Estratégia de comunicação

Maurício GaliotteAo redigir uma carta com exigências para a FPF e colocar no título que se trata de uma “carta aberta aos torcedores”, a diretoria clara e escancaradamente jogou para a arquibancada.

Na prática, não houve rompimento algum. Nossa diretoria aceitou o roubo de domingo e fez algumas exigências rasas, sem ameaçar de fato nenhuma fragilidade da FPF ou da RGT. A estratégia de comunicação foi pobre; a redação da carta tem erros gramaticais. Um fiasco.

Se a intenção era apenas dar uma sensação de amparo à torcida, nossa diretoria terá que torcer para que o tom revoltado do texto e o simples boicote à festa de encerramento do campeonato realizada na noite da última segunda-feira surtam o efeito esperado sobre a massa de torcedores. Mas basta uma leitura um pouco mais crítica sobre seu conteúdo para verificar que as medidas, até agora, são completamente inócuas.

Precisamos de mais.


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