Rescaldo da eliminação: o que pode (e precisa) melhorar, dentro e fora do campo

Palmeiras (4) 0x0 (5) SPFC
Fernando Dantas/Gazeta Press

A derrota nos pênaltis ontem para o SPFC na semifinal do campeonato paulista fez eclodir uma revolta que estava represada na torcida, que só não tinha vindo à tona antes devido aos placares, até então positivos. Os números vinham sendo muito bons

Como sempre, a caça às bruxas começou, a fogueira já está ardendo e o futebol segue sendo a válvula de escape para as frustrações diárias de boa parte da população – não é privilégio da nossa torcida ter esse tipo de comportamento nas derrotas.

Talvez seja por isso que a tendência de ignorar que as razões do fracasso passam por vários fatores prevalece. A raiva cega; a capacidade de tentar enxergar o retrato de forma ampla, abrindo o panorama, praticamente desaparece.

Como na maioria das vezes, uma eliminação não tem apenas uma razão. Poderíamos ter jogado bem melhor e não ter dependido de um lance aos 32 do segundo tempo anulado pelo VAR. Mas também poderíamos ter batido melhor os pênaltis. E também poderíamos ter sido mais eficientes nos bastidores para evitar o roubo institucionalizado.

Antes de falar de bola…

Respeito

O Palmeiras entrou em guerra contra a FPF há exatamente um ano, no dia 8 de abril de 2018. O roubo que aconteceu no Allianz Parque é histórico e a situação foi conduzida com o fígado por nossa diretoria. É difícil, na condição de torcedor, criticar esse posicionamento. Partir para o choque frontal vem ao encontro de nossos desejos – afinal, nossos fígados também trabalharam bastante naquela semana.

Mas o Palmeiras precisa decidir o que quer em relação ao campeonato paulista. Se quer ganhar, vai ser quase impossível se mantiver a guerra aberta. Todas as instituições – departamento técnico, imprensa, arbitragens e tribunais trabalharão contra o Palmeiras de forma determinada. Para vencer “contra tudo e contra todos”, precisa jogar muita, muita bola.

E normalmente isso não é possível em abril. Se tivesse passado ontem, muito provavelmente seria vice-campeão. O Palmeiras de 2019 ainda não está pronto para dobrar os adversários com a facilidade que a diferença de elencos sugere. Para poder disputar o estadual com chances de vencer, uma postura menos ácida e mais política precisa ser tomada.

Andar nesse fio é uma tarefa bastante complicada. O clube, diante de todas essas dificuldades, precisa de alguém com tarimba e trânsito para defender seus interesses – algo como um diretor remunerado de relações institucionais; um profissional com experiência em amarrar pontas e conduzir situações com frieza para chegar aos resultados. Ou se caminha nessa direção, ou deixa-se bem claro que não disputaremos o paulista para vencer, escalando times alternativos, recheados de moleques da base.

Temos que falar de arbitragem, sim

Flávio Rodrigues de Souza
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante da guerra aberta, os jogadores já entram mais pilhados que o normal, sabendo que seremos roubados. E fomos. A arbitragem de Flávio Rodrigues de Souza, ontem, vai lhe render troféus e medalhas. Não cometeu erros grosseiros, foi ajudado pelo VAR, teve a sorte do pé de Deyverson estar posicionado centímetros à frente de Reinaldo e com isso saiu com a avaliação muito positiva.

Mas arbitragem não se mede apenas nos lances capitais. Flávio de Souza roubou à moda antiga. Diante do jogo mais fluido do Palmeiras, amarrou a partida com as chamadas faltinhas. Truncou, inverteu, quebrou o ritmo. Erros que se diluem diante das duas midiáticas intervenções do árbitro de vídeo, que anularam gols – um para cada lado, aumentando a sensação de justiça. Mesmo jogando abaixo do que pode, se mantivesse o ritmo da partida, o Palmeiras mostrava que poderia chegar à marcação de gols.

Tenham calma, ainda falaremos sobre bola. Mas as coisas podem andar em paralelo. O fato de termos involuído dentro de campo não impede de pontuarmos mais um assalto, ainda mais considerando que as semifinais são jogos de 180 minutos e que a anulação do pênalti no Morumbi, esse sim, foi um lance grande e decisivo manipulado contra nós.

Mas vocês querem que o texto fale de bola para poderem pregar alguém na cruz. OK. Sigamos.

Dentro de campo, andamos para trás.

Felipe Melo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O sistema defensivo parecia bastante sólido – e, de fato, os números apontam para isso. Mas nas últimas partidas temos visto nossos zagueiros muito mais expostos que antes. A recomposição defensiva está falha; Felipe Melo está marcando muito mal, à distância, se movimentando pouco e preenchendo mal os espaços. Com isso, Bruno Henrique fica sobrecarregado.

Os laterais sobem ao ataque mas não têm apoio; com isso, dependem de jogadas individuais ou de tabelas fortuitas para poderem chegar ao fundo em condições de fazerem um cruzamento.

Na frente, temos três jogadores de qualidade indiscutível, que começaram a dar sinais de entendimento (importante lembrar que Dudu, Scarpa e Goulart só começaram a jogar juntos no dia 10 de março), mas nos últimos três jogos parecem já não estar mais falando a mesma língua; o entrosamento regrediu. As jogadas até começam, mas falta uma preparação mais adequada para a finalização. Isso passa também pela sintonia com o centroavante.

Nem Deyverson, nem Borja, conseguiram satisfazer a essa dinâmica. Temos no elenco um rapaz de 22 anos, cuja contratação, inclusive, precipitou o empréstimo de Papagaio, menino da base que poderia ser acionado conforme mostrasse amadurecimento. Por tudo isso, a entrada de Arthur Cabral no time parece ser a primeira atitude que precisa ser tomada pela comissão técnica para tentar corrigir o time.

Thiago Santos, com muito mais mobilidade e precisão nos desarmes, é outro que precisa ser mais acionado. Eventualmente, sua presença pode até liberar Bruno Henrique para voltar a ser o jogador “box-to-box” do ano passado, decisivo e marcador de gols.

Obviamente, para que tudo isso aconteça, o sistema geral de jogo precisa passar por uma revisão. Os laterais não podem subir sem uma cobertura bem ensaiada. As linhas precisam ficar mais próximas, mais compactas, diferente do time cada vez mais espalhado que vemos ultimamente.

O Scolarismo está falhando em sua base

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O grande problema é que Felipão não é muito adepto desse modelo de jogo mais apoiado, com linhas compactas. O Scolarismo é um sistema que joga com probabilidades; mais vertical, funciona muito bem quando a defesa está forte. Ocorre que a defesa anda mais exposta que o normal nos últimos jogos, quebrando a base do sistema.

Sem o apoio do segundo volante; o ataque depende das subidas aleatórias dos laterais para apoiar a troca de passes pelos flancos. Tem funcionado pouco. Para completar, os centroavantes vivem fases técnicas ruins e não ajudam na construção das jogadas. Por isso, as chances de tomarmos gols aumentou, e as de fazer pelo menos um por jogo, despencaram. Hoje, as probabilidades estão contra o Palmeiras, o que reflete nos últimos placares.

Para completar, cruzamos com o SPFC, um time abaixo da linha do medíocre, tentando se recuperar de uma crise técnica profunda, no pior momento possível. Uma enorme falta de sorte do calendário fez com que uma vaga fosse decidida nos pênaltis ao colocar frente a frente um time no ponto mais baixo de sua oscilação contra um que até então não tinha atravessado um momento tão bom na temporada.

Calma; tranquilidade

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Quarta-feira temos um jogo-chave na Libertadores e a vitória é mandatória. Não há tempo para implementar mudanças profundas no sistema de jogo; vamos de scolarismo puro e torcer para que as probabilidades voltem a nos sorrir.

O que pode aumentá-las é fazer as duas trocas sugeridas, introduzindo Thiago Santos e Arthur Cabral no time, simplesmente para que seus desempenhos técnicos suplantem os de Felipe Melo e Deyverson, até que eles voltem a viver momentos mais felizes.

Nosso papel, neste momento, parece ser o de cobrar por mudanças – mas sem perder a essência de torcedor. Essa essência, ao contrário do que se pensa, não é a de cornetar, e sim a de apoiar. A corneta é um aspecto eventual, válido e até necessário. Mas a função primordial do torcedor é, sempre, apoiar, empurrar o time para frente, não ser âncoras.

Segunda-feira de derrota para inimigo, em casa, com eliminação, é duro. É impossível não se deixar levar pela raiva em alguns momentos. Mas nossos cérebros continuam aqui em cima. Com calma e tranquilidade chegaremos mais rápido às correções necessárias.

Esta conversa vai continuar no Periscazzo desta noite: às 20h, ao vivo, em nosso canal do Youtube: www.youtube.com/verdazzo1914. Inscreva-se!


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Luiz Flávio apita o Derby e a guerra aberta com a FPF segue

A Federação Paulista de Futebol escalou Luiz Flávio de Oliveira para apitar o Derby, que acontece no próximo sábado no Allianz Parque.

Os números de Luiz Flávio apitando os jogos do Palmeiras sugerem honestidade. De fato, o índice de 73,6% de pontos conquistados em 24 partidas é um dos mais altos entre todos os juízes, e acima da média histórica de pontos do Verdão.

Mesmo nos clássicos, a marca de 7-1-4 em 12 jogos é notável. Especificamente contra o SCCP, no entanto, o retrospecto é de equilíbrio, com duas vitórias para cada lado.

Mas não são os números que depõem contra essa escalação. A família Oliveira, que além do aposentado Paulo César e de Luiz Flávio, tem também a sobrinha Patrícia Carla em seus quadros e a relação de longa data com a comissão de arbitragem é estreita.

Paulo César de Oliveira foi a voz do crime praticado em 8 de abril, quando vaticinou em rede nacional que não houve falta de Ralf em Dudu e desencadeou toda a operação para desmarcar o pênalti.

A influência do SCCP em todas as esferas de poder da FPF é assustadora,
a escalação de Luiz Flávio vem carregada de simbologia e é uma demonstração clara da Federação de que a guerra está em seu auge.

Se o Palmeiras quiser vencer o Derby no sábado, vai precisar jogar muito mais bola que o adversário. Mas muito mais. Cabe a todos nós, palmeirenses empurrarmos o Verdão com todas as forças dos pulmões para cima da ORCRIM de Itaquera.


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FPF mostra as garras e deixa claro que não teremos vida fácil em 2019

Matheus Neris
Fabio Menotti / Ag.Palmeiras

O Palmeiras foi derrotado pelo Figueirense por 2 a 1 ontem, em Capivari, e acabou eliminado da Copa São Paulo de Juniores. O time catarinense mostrou um jogo eficiente, catimbou após abrir a vantagem no placar e conseguiu segurar a vitória.

Mas não há dúvidas que o fator determinante para o resultado da partida foi a atuação desastrosa da arbitragem. O primeiro gol do Figueirense saiu de uma falta inexistente, inventada pelo árbitro Jefferson Dutra Giroto a um passo da linha da área, dentro da meia-lua.

Com o nervosismo, os meninos do Palmeiras se desorganizaram defensivamente e permitiram ao Figueirense chegar ao segundo gol. Mesmo assim, com garra, diminuíram o placar aos 39 e foram para o abafa nos minutos finais. O gol de empate veio aos 47, marcado por Léo Passos, mas o bandeirinha Paulo Cesar Modesto, perfeitamente alinhado à jogada, preferiu anular alegando impedimento – que não existiu.

O Palmeiras já vinha sendo prejudicado pelas arbitragens durante a competição, sem prejuízo até então para o avanço na competição. A sede, Capivari, é disparada a menos estruturada entre as disponibilizadas para os quatro grandes clubes paulistas. A Federação Paulista de Futebol não faz a menor questão de esconder que é, de fato, inimiga do Palmeiras.

As ponderações de sempre

Há quem diga que é choro de perdedor, há quem diga que os erros de arbitragem acontecem para todos os lados. E de fato, se quisesse, o apitador poderia ter expulso Marcus Meloni, que reagiu a uma pancada desleal do adversário com uma cabeçada. O árbitro viu, mas fingiu que não viu.

Paradoxalmente, o episódio evidenciou ainda mais a má intenção da arbitragem. Seria ruindade e configuraria erro se não tivesse visto, se estivesse desatento. O fato de ter deliberadamente ignorado a obrigação da expulsão evidencia que o árbitro sabia o que estava acontecendo e que atrairia uma revolta generalizada, inclusive das arquibancadas, se fizesse o que mandava a regra. Para se proteger, fez média.

Pneu amarrado na cintura

Heber Roberto LopesEm 2017, o Palmeiras chegou atropelando na reta final do Brasileirão, mas uma força-tarefa da CBF, em roubos seguidos operados por Héber Roberto Lopes e Anderson Daronco, manteve o SCCP na liderança da competição. O Verdão foi melhor que os adversários na média geral, mas não com margem de suficiente para superar os descontos promovidos pelos árbitros.

Este post foi escrito em novembro de 2017, por ocasião de dois roubos dos juízes da FPF em jogos de nossa base, exatamente no contexto da mencionada operação do Brasileirão de 2017.

Em 2018, o Palmeiras foi tão superior, mas tão superior, que mesmo os seguidos roubos não foram suficientes para nos tirar o decacampeonato, o que só reforça uma máxima repetida por nossa torcida: para o Palmeiras ganhar um título, não basta ser melhor que os outros: tem que ser MUITO MELHOR.

É com essa âncora que o Palmeiras começa a temporada. O elenco é o mais forte do país, o sistema de jogo já está em desenvolvimento desde o ano passado, portanto, à frente da maioria dos concorrentes que trocou de treinador e parte do zero – ou seja, temos todos os elementos para construir essa vantagem larga que compensaria o peso das arbitragens tendenciosas.

Mas num mata-mata isso pode cair por terra num estalar de dedos – como vimos na Copa do Brasil, quando fomos assaltados no confronto contra o Cruzeiro. O Palmeiras segue sendo presa fácil para as arbitragens; levantamento da própria CBF corroborou com essa tendência.

No campeonato paulista, não devemos esperar nada. A Copa São Paulo já evidenciou o que nos espera num campeonato promovido pela FPF. O torneio deve ser encarado apenas como preparação técnica. É claro que, quando a bola rola, queremos ganhar, como sempre. Mas provavelmente seremos roubados e eliminados. E ficaremos com muita raiva, de novo.

Entra ano, sai ano, e nossos bastidores seguem sendo o elo fraco da corrente. Tudo o que queremos é poder disputar um campeonato sem um pneu de trator amarrado na cintura.


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Suspensões marotas e lesões: o quebra-cabeças de Felipão

Antônio Carlos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A vitória contra o Ceará manteve as chances do Palmeiras conquistar o decacampeonato muito grandes e agora o time, mais uma vez, vira a chavinha para focar na Libertadores. O Verdão volta à Bombonera para enfrentar o Boca Juniors, desta vez pelas semifinais da competição sul-americana.

A sequência, no entanto, nos obriga a voltar as atenções para o Brasileirão no final de semana, para depois pensar no Boca novamente, no jogo de volta. Ensanduichado entre as duas partidas contra os argentinos, vem o jogo fundamental contra o Flamengo, pelo Brasileirão.

Para complicar ainda mais, a partida no Rio de Janeiro terá que ser disputada no sábado – apenas 3 dias depois da batalha em Buenos Aires. E o Palmeiras terá uma série de desfalques para este jogo.

Felipão tem decisões difíceis para tomar. Ao mesmo tempo em que precisa achar a melhor combinação para cada jogo, levando em consideração os desfalques, precisa também seguir administrando o físico dos atletas para que não estourem na parte mais importante da temporada.

O quebra-cabeças

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Para o jogo contra o Flamengo, Felipão não contará com os suspensos Deyverson, Mayke, Bruno Henrique e Lucas Lima. Possivelmente também não terá Marcos Rocha e Jean, baleados; e existe a grande chance de não poder contar também com Diogo Barbosa, que havia sido suspenso pela confusão no jogo do Mineirão e estava liberado para atuar sob efeito suspensivo – ele e Mayke provavelmente devem ter novo julgamento esta semana.

Para o jogo no Maracanã, a saída mais plausível para a lateral-direita é deslocar Thiago Santos, já que as três opções estão fora de combate. A dupla de volantes que restaria é Felipe Melo e Moisés. E com Lucas Lima suspenso, quem deve articular as jogadas por dentro é Guerra.

Hyoran e Scarpa, este sem ritmo algum, devem ser acionados pelas beiradas, para resguardar as condições físicas de Dudu e Willian. Isso porque os dois são considerados titulares e sabemos da predileção de Felipão pela Libertadores – ele não deve abrir mão da dupla nem na Argentina, nem no jogo da volta, na semana que vem.

Assim, o time-base para os dois jogos contra o Boca tende a ser Weverton; Mayke, Luan, Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo e Bruno Henrique; Dudu, Lucas Lima e Willian; Borja.

Já o time para jogar contra o Flamengo a escalação deve ser Weverton; Thiago Santos, Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis; Felipe Melo e Moisés; Hyoran, Guerra e Gustavo Scarpa; Borja.

Notem que Borja e Felipe Melo, além de Weverton, serão bastante exigidos nessa sequência. Façam menções especiais a eles em suas preces.

O responsável

André Luiz de Freitas Castro
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Verdazzo deu a letra no pré-jogo da partida de ontem: o árbitro André Luiz de Freitas Castro é pródigo em cartões, e nada mais conveniente para a CBF do que escalar a metralhadora de amarelos para apitar uma partida do Palmeiras no jogo imediatamente anterior à partida contra o Flamengo, o queridão da entidade.

Alexandre Mattos e Felipão, macacos velhos, provavelmente já estavam atentos e reforçaram as suspeitas nas entrevistas após o jogo. O Palmeiras tinha oito pendurados; três foram atingidos – sendo que dois deles em cartões nitidamente forçados pelo juiz.

Mayke ia cobrar uma falta, no segundo tempo. O tempo que levou para recolocar a bola em jogo foi trivial. O árbitro justificou na súmula que ele demorou demais – para cobrar um lateral. Já a justificativa para o cartão de Lucas Lima foi pior ainda: por “cometer faltas persistentemente”. No lance, Lucas Lima nem fez falta – e teria sido sua primeira no jogo. A vontade acima do normal de mostrar os cartões nos dois casos é evidente.

Pela quinta vez seguida o Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem no Brasileirão – e mesmo assim venceu os cinco jogos. O dano, desta vez, não foi apenas na dificuldade do próprio jogo, mas principalmente para escalar um time completo para a partida seguinte, que coincidentemente ou não, é contra o Flamengo.

Pelo que vemos, a tal reunião de cinco horas na sede da CBF entre o presidente Mauricio Galiotte e a comissão de arbitragem não está adiantando nada. O Palmeiras segue fraco nos bastidores e resta a Felipão e nosso bravo grupo de atletas segurar as pontas na sequência mais crítica da temporada. Se depender da torcida, eles sabem que podem contar com todo o suporte. VAMOS PALMEIRAS!


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Sorteio da Copa do Brasil é envolto em novas suspeitas; Palmeiras volta a ser removido de uma competição e precisa reagir

Cruzeiro 1x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Pela terceira vez consecutiva o Palmeiras foi removido de uma competição por situações alheias à disputa esportiva. Apesar de ter feito duas exibições que poderiam ter sido melhores, o Verdão acabou sem a chance de sequer decidir a vaga nos pênaltis graças à anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, no Allianz Parque.

Alguém pode contestar a chance do Palmeiras nos tiros livres, dado o baixo rendimento nos últimos jogos – algo que não me parece razoável, já que uma decisão por pênaltis é uma situação completamente diferente de um pênalti com o jogo rolando. Além disso, não sabemos o quanto o Palmeiras treinou para uma eventual decisão, mas parece fácil supor que treinou muito, tanto quanto o Cruzeiro.

Alguém também pode ponderar que se o gol tivesse sido validado, a segunda partida teria outras características desde seu início e que não se pode cravar que a decisão teria ido para os pênaltis. O que faz total sentido.

Mas não se pode ignorar que um gol foi subtraído do Palmeiras no último lance do jogo de ida. Isso é imutável. E isso pesa demais em qualquer confronto de mata-mata em que os times estão minimamente equilibrados, embora seja consenso até na imprensa que o Palmeiras, hoje, tem o elenco mais equilibrado e o time mais forte do futebol brasileiro.

Sorteio estranho

Não precisamos mencionar apenas nossa desclassificação. A história da Copa do Brasil de 2018 vai sendo escrita sob cenários envoltos por situações peculiares.

A despeito do folclore do futebol conter inúmeras histórias de sorteios dirigidos, tomemos como exemplo a forma com que a CBF vem conduzindo os sorteios dos mandos.

O vídeo abaixo tem apenas os segundos finais do sorteio que definiu o mando da final do torneio; mesmo o vídeo completo que circula nas redes sociais mostra a mesma situação: a auxiliar de palco gira as bolas com extrema delicadeza; a bola do meio, escolhida pela moça, não parece se misturar com as outras.

A expressão da menina, diante do anúncio, transmite um certo alívio, mesmo com um sorriso profissionalmente artificial. É um sorteio muito estranho, que dá margem a todas as especulações possíveis.

Contexto sombrio

Em 2004, fiz um estudo informal comparando os resultados das disputas eliminatórias usando a regra do gol qualificado com os resultados do chamado “jogo de 180 minutos”, sem o gol qualificado. Os jogos analisados eram válidos pelas principais competições nacionais, sul-americanas e europeias, a partir da fase de quartas-de-final, quando os clubes são fortes e os confrontos, equilibrados.

O resultado foi que, sem usar o gol qualificado, o vencedor do confronto foi 70% das vezes o time que decidiu em casa, ao passo que essa proporção caiu para 50% quando a chamada regra “do gol fora”.

Fica a sugestão a qualquer leitor para refazer esse estudo de forma científica, para corroborar ou não com o estudo informal feito há mais de dez anos, que traduz o que a matemática intuitivamente já nos sugere: a regra do gol qualificado equilibra substancialmente os confrontos.

Do nada, a premiação da Copa do Brasil saltou de R$ 6 milhões para exorbitantes R$ 50 milhões, muito mais do que o Brasileirão (R$ 18 milhões) e a própria Libertadores (R$ 40 milhões). Segundo a CBF, a medida tem como objetivo “valorizar a competição”.

Também este ano a regra da competição mudou de forma sensível: o mando do segundo jogo, definido por sorteio, passou a ter muito mais importância com o fim da regra do “gol qualificado”. É sabido que esse mecanismo equilibra muito mais as disputas, diminuindo a importância do fator campo – o que valoriza muito a esportividade da competição.

Outra forma de manter a esportividade da disputa seria relacionar o mando da segunda partida a algum mérito esportivo – no caso, o Ranking Nacional de Clubes elaborado pela própria CBF anualmente parece ser a referência mais que perfeita.

A entidade que tem a prerrogativa de dirigir o futebol brasileiro, no entanto, decidiu que seu próprio ranking não serve para nada e entregou o destino da Copa do Brasil às bolinhas da moça com um sorriso no rosto. Algo que vai na direção oposta ao conceito de “valorizar a competição”.

Ligue os pontos

Duas mudanças tão significativas, juntas, configuram uma tremenda coincidência. Quando o destino do campeonato se torna cada vez mais direcionado para um sorteio, no mínimo, estranho, exatamente no ano em que a premiação é estranhamente turbinada, algo parece errado.

De um lado, estamos diante de uma montanha de dinheiro e de uma entidade notoriamente corrupta. De outro, temos um clube que se notabilizou pelos recentes agrados que vêm recebendo do poder público e do consórcio CBF/RGT, que envolvem estádio, arbitragens e gordas cotas de transmissão, e que mesmo assim segue com problemas financeiros que atrapalham até os pagamentos mais prosaicos, como o da empresa de marmitas.

Ao que parece, tirar da competição o competidor mais forte se encaixa muito bem como uma etapa de um elaborado projeto de transferência de recursos.

Mas tudo isso pode ser apenas uma enorme coincidência.

Investigação séria e rigorosa

Muito se tem falado sobre a falta de força do Palmeiras nos bastidores. Num meio onde a corrupção parece irreversivelmente entranhada, chegamos a desejar que o Palmeiras reduza suas chances de êxito nos campeonatos que disputa e siga seu caminho alheio a esse tipo de acordos, mesmo sendo vítima, pela terceira vez seguida, de uma eliminação escusa.

Mas ninguém gosta de apanhar calado. Um clube como o Palmeiras gira mais de R$ 500 milhões por ano, uma estrutura espetacular foi montada nos últimos cinco anos para dar suporte a todas as áreas que envolvem um time profissional de futebol, mas o sucesso esportivo está sendo constantemente afetado por agentes alheios à disputa dentro de campo. Nossa torcida não aguenta mais ser roubada.

O Palmeiras já mostrou o caminho ao reagir contra a manipulação da final do Paulistão. Ao contratar a maior empresa de investigação particular do mundo para reunir provas e se municiar para as contestações, nossa diretoria deu um importante primeiro passo para se resguardar.

Essa deve ser a direção a seguir. Em paralelo, o Ministério Público precisa ser acionado. E o clube deve usar parte de seu orçamento para continuar a ser assessorado por empresas privadas de investigação. Os suspeitos de manipulação e acordos escusos devem ser vigiados em todas as instâncias e denunciados.

Se o Palmeiras não quiser sujar as mãos (e nenhum de nós quer que isso aconteça), precisa liderar uma frente de ações para limpar o meio em que atua, e ir até as últimas consequências. A missão estará efetivamente cumprida quando dirigentes de entidades e clubes rivais que forem efetivamente flagrados em atos de corrupção forem indiciados, julgados e presos. Já passou da hora de darmos um basta em tudo isso.

CADEIA NELES!


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