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Com o campo muito molhado, o Verdão venceu o Red Bull com certa facilidade em Campinas e ficou muito perto de assegurar a vaga na próxima fase do campeonato com antecedência. Eduardo Baptista fez o último ensaio oficial antes do embarque para a Argentina – e se tínhamos motivos para otimismo após a ótima exibição contra a Ferroviária; desta vez o treinador sinalizou que pode desmanchar tudo, sabe-se lá por qual maldita razão. Mesmo assim, o resultado desta noite jamais esteve ameaçado.

Primeiro tempo

De início, Eduardo Baptista manteve o 4-2-3-1, como era de se esperar. Ainda sem Tchê Tchê, o treinador seguiu com Zé Roberto como volante, mas desta vez ao lado de Felipe Melo, de volta ao time. Borja foi poupado, bem como Michel Bastos – a linha de três foi formada por Keno, Guerra e Dudu.

E mesmo com tantos desfalques, o time conseguiu imprimir um bom nível, apesar do estado do gramado, encharcado devido às chuvas que castigaram Campinas durante todo o dia. Logo aos 4 minutos, Willian Bigode bateu escanteio da esquerda e Vitor Hugo escorou, mas a bola saiu por pouco.

Aos 7, o Verdão abriu o placar: após falta cobrada por Egídio do lado esquerdo, Saulo rebateu para o meio e Dudu tentou emendar; a bola saiu travada mas sobrou para Willian, que não teve trabalho para colocar no canto esquerdo de Saulo, que deu sua parcela de colaboração.

O Verdão dominou completamente os 15 primeiros minutos, ocupando o campo do Red Bull; nossos laterais estavam completamente soltos e as triangulações aconteciam a todo momento; a dupla de volantes estava bem postada e o Verdão não corria risco algum.

Aí Zé Roberto resolveu virar atacante e saiu mais para o jogo, se aproximando da área adversária como elemento surpresa por pelo menos duas vezes. Alberto Valentim percebeu rápido e pediu para seu time sair de trás, e o time da casa aliviou o sufoco que vinha passando – chegou até a criar uma boa chance, num chute de longe de Elvis – a bola pegou muito efeito e exigiu uma ótima defesa de Fernando Prass.

Ação e reação: com o Red Bull mais avançado, quem passou a achar mais espaços foi o Palmeiras, mas já sem tanto apoio dos laterais, que precisaram ficar mais postados. Mesmo assim, nosso time criou mais algumas boas chances. Aos 25, Keno fez o lançamento por cima, Willian se preparava para marcar mas foi desarmado dentro da área; na sobra, Guerra tentou achar o canto esquerdo mas desta vez Saulo estava atento.

Aos 29, Zé Roberto foi lançado pela direita, podia ter ido em direção à área mas percebeu que não conseguiria pegar velocidade devido ao terreno e preferiu inverter para Keno, que fechava pela esquerda. O ponta demorou para concluir e acabou desarmado.

Aos 38, a última chance do primeiro tempo: após mais um escanteio pela direita, a zaga afastou e Jean pegou o rebote; de fora, o lateral tentou chutar para gol, mas a bola acabou sendo interceptada por Edu Dracena, que ficou livre para marcar, mas também demorou e acabou travado. O gramado, que voltou a ser castigado pela chuva, atrapalhava demais os atletas.

Segundo tempo

Eduardo voltou com Borja no lugar de Willian e Michel Bastos no lugar de Guerra – o time que ele espera escalar na Argentina, na quarta-feira. E logo com 30 segundos, após furada de Magrão, Borja aproveitou a sobra pelo lado esquerdo e deu um bom passe para o meio da área, mas a zaga cortou antes que a bola chegasse em Michel Bastos.

Aos 6, Borja puxou o contra-ataque e tocou para Michel Bastos na direita; Dudu infiltrou na área pelo lado esquerdo foi lançado por elevação, mas na hora de emendar a paulada, furou – a bola bateu em sua perna de apoio e ficou fácil para Saulo.

Conforme o tempo passou, foi possível perceber que Zé Roberto avançou de vez, se alinhando aos outros três meias e reconfigurando o maledetto 4-1-4-1, que não funcionou com nosso elenco até agora e provavelmente nunca vai funcionar. Os laterais voltaram a ficar presos, os espaços entre as linhas cresceram, o time perdeu totalmente a saída de bola e o Red Bull passou a mandar no jogo, se aproximando de nossa área e dando trabalho para nossa dupla de zaga e para Fernando Prass.

O campo seguia muito molhado e o jogo estava travado. Eduardo então queimou a terceira alteração, colocando Roger Guedes no Keno. Cheio de gás, o alemão abriu o jogo, que ficou um pouco mais dinâmico. Aos 27, o Red Bull teve sua melhor chance até então: Bruno Alves recebeu na meia lua e girou rápido, mandando a bola à esquerda do gol de Prass, com muito perigo. Um minuto depois, Dudu lançou Roger Guedes em velocidade; ele dividiu com o goleiro, que levou a melhor, mas a bola rebatida espirrou em Thalysson e sobrou para Roger Guedes, que tentou encobrir Saulo; a bola pingou no travessão antes de sair de campo.

Com Borja segurando os zagueiros, sobrava espaço para Roger Guedes, e ele fez o segundo gol aos 34: Zé Roberto fez um lançamento primoroso; o camisa 23 recebeu do lado direito, nas costas de Thalysson, e tocou na saída de Saulo, mandando a bola no cantinho esquerdo – ela ainda bateu na trave antes de entrar.

O jogo estava resolvido, mas o Red Bull ainda tentou ameaçar o placar ao diminuir, aos 42: após escanteio, a bola foi rebatida pela zaga para a intermediária; a bola voltou para nossa área e, depois de um rápido pinball, Evandro aproveitou a sobra e conseguiu fazer o seu.

Alberto Valentim chegou a sonhar com o empate, mas acabou mesmo vendo seu time levar o terceiro: aos 48, Borja mostrou que é uma máquina mortífera ao vencer Luan Peres após passe de Michel Bastos; com um rápido giro, ele ficou livre na frente de Saulo e mesmo com pouco ângulo achou o tempo certo para bater por baixo do goleiro e fazer seu segundo gol com a camisa do Verdão. E mal houve tempo para a saída de bola: Vinicius Furlan encerrou a partida.

Fim de jogo

A primeira parte do primeiro tempo foi muito boa. Conforme Zé Roberto foi avançando, o time foi piorando e o treinador não fez nada. É necessário sempre dar um desconto por causa do péssimo estado do gramado, mas de qualquer forma isso não justifica a insistência num esquema que claramente não está dando liga com nosso elenco. Vamos a Tucumán com aquela pulguinha atrás da orelha. Abre o olho aí, professor. VAMOS PALMEIRAS!

Ficha Técnica

Escalação

Red Bull

Saulo
Lucas Taylor
Willian Magrão
Luan Peres
Thallyson
Alison
Evandro
Filipe Souto
Elvis
Denner
Nixon
Bruno Alves
Elton
Rodrigo
Alberto Valentim
TÉCNICO





Notas


Jogador
Descrição
Nota
Fernando Prass
Experiente, não deixou a bola molhada o complicar, socando tudo pra fora da área.
7
Jean
Enquanto teve liberdade, apoiou bastante, mas logo precisou voltar e guardar posição
6.5
Edu Dracena
Parece muito a fim de provar ao treinador que merece uma vaga de titular em qualquer situação.
8
Vitor Hugo
O lado esquerdo está tranquilo, Vitor Hugo não está dando nenhuma chance para a má sorte.
7.5
Egídio
Vive um bom momento, mas continua com a crônica mania de fazer as escolhas erradas. Numa dessas, passou tão batido que foi parar na placa de publicidade.
7
Felipe Melo
Além de voltar a ficar isoladão entre as duas linhas, segue com a mania de fazer lançamentos longos, mal calculados.
6
Zé Roberto
Deu até lançamento para gol. Começou como volante, virou meia e por vezes apareceu até como atacante. Mas como tem só 20 anos, o corpo aguenta.
7
Keno
Rendeu bem junto com o time, nos primeiros 20 minutos.
6
Róger Guedes
Entrou endiabrado, aproveitando o cansaço da defesa do Red Bull. Se fosse sempre assim, estava ótimo.
8
Guerra
Apagadão, ainda não achou seu lugar no time.
5.5
Michel Bastos
Também esteve apagado, mas achou Borja na entrada da área e o colombiano fez o resto.
6.5
Dudu
Não brilhou, teve momentos embaraçosos, mas mesmo quando erra, acaba chamando o gol. Willian Bigode curtiu isso.
6.5
Willian
Meteu mais uma pra dentro. Tentou ficar mais enfiado, como um centroavante autêntico.
7.5
Borja
É um destruidor. Um monstro metedor de gol. Com o detalhe que recebe as bolas de qualquer jeito e tem que arredondar antes de executar.
8
Eduardo Baptista
Eduardo Baptista
Professor, não precisamos dessa emoção toda não. Fala logo que vamos com dois volantes lado a lado e todo mundo fica feliz.
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  • Voltando e lendo novamente tanto o pós-jogo como a sessão de notas vemos como o time ainda se encontra em evolução. Na minha opinião o maior problema é a fragilidade mental que o time possui, pois com um gol da Ferroviária tudo poderia ter sido diferente. Acredito que o time precise de mais confiança para aguentar placares negativos, derbys e reviravoltas….e nem precisamos falar sobre Libertadores (hoje nem time, nem treinador e nem torcida estão preparados mentalmente para situações adversas).

    Nossa força esta nos nomes que individualmente são muito fortes (temos o melhor plantel do Brasil, fácil) mas que no coletivo ainda não se achou, e muito devido a demora do Eduardo em achar o esquema correto para começar a maturar o elenco. Espero muito que ele considere manter o mesmo esquema para o jogo contra o RBB na sexta para ver se o time responde positivamente de novo como foi contra a Ferroviária.

    Michel Bastos, Keno e Thiago Santos (quem diria) estão tentando mostrar serviço…..devido a concorrência forte por parte de uns ou por entenderem que é “a chance da vida” para outros. Independente no motivo espero que continuem surpreendendo positivamente. Com a volta do Tche Tche ganhamos uma opção muito boa para o meio….resta saber o que o Eduardo vai fazer tanto com o esquema como com quem sai do meio para ele entrar (Guerra, Felipe Melo e Tche Tche são quase essenciais, ao mesmo tempo que Thiago Santos e Michel estão jogando muito bem….alguém vai ter que comer banco).

    Torcedo muito que Borja marque novamente e se mostre aquele cara que vai resolver os problemas com a camisa 9 (Willian é esforçado e criativo, mas claramente não é um 9)….Basicamente essa é a função que perdemos sem o Gabriel Jesus e uma peça que foi o grande diferencial do time ano passado.