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12/02/2017 - 19:30

O Palmeiras conheceu sua primeira derrota na temporada ao perder pela contagem mínima para o Ituano, esta noite no Novelli Júnior. Confuso, errando muitos passes e inconsistente taticamente, o Verdão dependeu demais das performances individuais, mas com atuações abaixo da crítica de quase todo o time, foi impotente diante de um Ituano apenas aplicado.

Guerra estreou e fez um bom primeiro tempo, mostrando habilidade e visão de jogo, mas caiu muito no segundo tempo junto com todo o time, que não teve a movimentação necessária para lhe proporcionar opções de jogadas. Entre mortos e feridos, foi um dos poucos que se salvou.

PRIMEIRO TEMPO

Eduardo Baptista montou o time de forma diferente a seu 4-1-4-1: escalou Fabiano na direita, puxando Jean para o meio-campo, aparentemente ocupando o lado direito, ao lado de Felipe Melo. Outra mudança foi a inversão de Dudu com Roger Guedes – nosso capitão jogou do lado direito. E Guerra ficou com o miolo, contando com a aproximação de Willian Bigode, que se movimentava bastante e puxava a zaga, abrindo espaço para a projeção dos pontas.

Enquanto o time ainda se acomodava em campo, o Ituano mostrava bastante vontade, dividindo todas, avançando a marcação e tentando mostrar serviço no jogo contra o campeão brasileiro. E não teve medo de partir pra cima: aos 3, Moratto ganhou de Felipe Melo e enfiou para Claudinho, que penetrou na área e tocou na sáida de Prass, que fechou bem o ângulo e defendeu.

Aos seis, Fabiano sentiu uma lesão muscular e foi substituído por Thiago Santos, empurrando Jean de volta para sua posição original. O Verdão criou uma boa chance aos dez, com participação de todo o ataque: após chutão de Prass, Roger Guedes raspou de cabeça e acionou Willian Bigode, que tocou para Guerra; o venezuelano deu seu primeiro cartão de visitas num lindo toque por trás da zaga, deixando Dudu só com o goleiro pela frente, mas a finalização não saiu boa.

O jogo estava muito intenso e o Ituano respondeu rápido, logo na reposição de bola: Moratto fez boa jogada individual pelo meio, em cima de Zé Roberto, e bateu da entrada da área, exigindo boa defesa de Fernando Prass. Aos 13, Ronaldo fez boa jogada pela esquerda e cruzou por baixo, a bola atravessou a pequena área e Zé Roberto desta vez salvou; Moratto estava inteiro na jogada para abrir o placar.

O Palmeiras despertou depois dessas chances; a marcação no meio encaixou e finalmente nosso time passou a dominar as ações no meio-campo. Aos 19, Thiago Santos fez um lindo lançamento por elevação para Willian, nosso atacante dividiu com Fabio na entrada da área e a bola sobrou para Guerra, que com o gol vazio tentou tocar de longe por cobertura, mas a bola saiu por cima.

O Palmeiras ainda sentia a falta de entrosamento e mesmo com o domínio das ações tinha dificuldade em acertar o último passe. O time só conseguiu criar uma nova chance aos 34, numa bola longa de Dudu para Roger Guedes; o atacante invadiu a área mas não tem a perna esquerda; até dominar com a direita perdeu ângulo; Fabio saiu e Roger Guedes tocou por baixo, tirando do goleiro mas errando o alvo.

Aos 36, num contra-ataque rápido, a última chance do primeiro tempo: Guerra fez um lindo lançamento para Willian, de trivela, por trás da zaga; o atacante esperou a bola pingar e soltou a pancada de primeira, cruzado, mas ela saiu lambendo a trave direita de Fábio. Foi o último lance relevante do primeiro tempo.

SEGUNDO TEMPO

O Ituano voltou do vestiário muito mais ligado, diante de um Palmeiras que parecia achar que venceria o jogo a qualquer momento. Numa jogada pela direita, Arnaldo conseguiu um escanteio em cima de Zé Roberto, que parecia estar sempre um décimo de segundo atrasado em todas as jogadas. Na cobrança, Guly contou com falha na marcação de Thiago Santos e cabeceou livre, à queima-roupa, mandando a bola para as redes sem chances para Fernando Prass.

Com o gol logo cedo, o Ituano seguiu a cartilha e se fechou atrás, picotando o jogo e fazendo o relógio andar. Contou com uma certa preguiça do Palmeiras e praticamente não correu riscos até o fim do jogo.

A primeira tentativa de Eduardo Baptista foi seis por meia dúzia: tirou Roger Guedes, que fazia seu melhor jogo na temporada, para colocar Keno. O camisa 27 entrou quente no jogo e parecia que ia mudar o jogo em sua primeira participação: cruzamento de Jean da direita, ele raspou de cabeça e a bola saiu muito perto da trave direita de Fabio.

Sem nenhuma alteração tática, o Palmeiras seguia estéril em campo e presa fácil para o sistema de marcação apenas correto e aplicado do Ituano. Eduardo então voltou ao 4-1-4-1, tirando Edu Dracena, puxando Thiago Santos para a zaga, abrindo Willian na esquerda e mandando Alecsandro para ser a referência no ataque.

Não adiantou nada. O time seguia distante, perdido e aparentemente desinteressado da partida. Nossos jogadores perdiam jogadas fáceis e erravam muitos passes. Assim, apenas duas jogadas em bola parada animaram o jogo, uma para cada lado: aos 25, Jean bateu na barreira uma falta na meia-lua, após toque com o braço de Naylhor. E aos 30, a bola bateu num buraco e enganou Vitor Hugo, batendo em seu braço; Nena bateu bem, com força, mas a bola saiu por cima, assustando Prass.

Seguiram-se 20 minutos de tortura. O Palmeiras perdendo o jogo e sem nenhuma força ofensiva, lento, disperso, errando passes. Nem sombra do time campeão brasileiro de 2016. O Ituano seguiu fazendo sua cerinha e Raphael Claus terminou o jogo depois de seis minutos de acréscimos.

FIM DE JOGO

Não deu pra entender. Não esperávamos nenhum espetáculo, um empate ou mesmo uma derrota seriam aceitáveis, se ao menos o time mostrasse interesse e evolução. Jogando desta maneira, a única forma de amenizar as críticas seria vencendo o jogo. Como o Ituano ganhou, não há lado positivo nenhum.

Eduardo Baptista parece confuso: após eleger o 4-1-4-1 como esquema básico, mandou o time num 4-2-3-1; em vez de aprimorar o esquema principal, tentou desenvolver uma variação e no final nada funciona bem. A apatia e desinteresse dos jogadores pode ter vindo da falta de confiança sobre o que fazer.

Não pelo resultado em si, mas pelo que se viu em campo, o jogo foi inaceitável. A pouco mais de três semanas da estreia na Libertadores, o time parece muito, mas muito longe de apresentar um jogo consistente – a ausência de Moisés e Tchê Tchê explica um pouco, mas não justifica tamanha apatia. A semana começa quente e haverá forte pressão por um jogo convincente frente ao São Bernardo, na quinta-feira. VAMOS PALMEIRAS!

Ficha Técnica

11.962

R$ 545.970,00

Raphael Claus

Súmula

Escalação

Ituano

Fábio
Arnaldo
Naylhor
Lima
Peri
Guly
Simião
Walfrido
Guilherme
Romarinho
Moratto
Ronaldo
Nena
Claudinho
Tarcísio Pugliese
TÉCNICO





Notas


Jogador
Descrição
Nota
Fernando Prass
Uma grande defesa no início do jogo, ainda frio - o que aumenta a importância. Está voltando à boa forma.
7
Fabiano
Não teve tempo de mostrar jogo.
0
Thiago Santos
Tinha entrado muito bem, fechando os espaços melhor até que Felipe Melo, mas a falha no gol foi imperdoável.
4
Edu Dracena
Tranquilo, até com excesso de confiança, tentou sair driblando onde tem que estourar.
6
Alecsandro
Mal pegou na bola.
5
Vitor Hugo
Pouco exigido, quase protagoniza um lance capital por falta de sorte, quando a bola bateu em seu braço após desviar no gramado ruim. Se fosse dois passos para trás...
6
Zé Roberto
Uma das piores partidas de Zé com nossa camisa. Lento, atrasado, em câmera lenta, parecia ter uns 43 anos.
2
Felipe Melo
Ainda tomando bolas bobas nas costas, mas com muita presença e qualidade técnica.
6
Jean
Fez um jogo burocrático, talvez resultado de ter mentalizado a semana inteira jogar pelo meio e ter que cair pra lateral com seis minutos.
5.5
Dudu
Errou praticamente tudo o que tentou, parecia o Maikon Leite.
2.5
Guerra
Numa estreia, com o time todo desinteressado, fez muito mais do que seria aceitável. Salvou-se.
7.5
Róger Guedes
Fazia uma de suas melhores partidas na temporada, aí foi substituído.
6.5
Keno
Parecia que ia arrebentar com o jogo no primeiro lance, mas acabou sendo engolido pela inoperância geral.
6
Willian
Uma movimentação aqui, uma finalização ali, nada de mais.
6
Eduardo Baptista
Eduardo Baptista
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