Apenas dez jogos: o Palmeiras é um time em construção

Guerra enfrenta o Junior, em Barranquilla
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

A partida contra o Junior, na noite de ontem em Barranquilla, encerrou a primeira parte da temporada. Após dez jogos, o time experimentou a condição de sensação da temporada, e rapidamente foi transformado a mico do ano, fadado ao fracasso. Como vimos, nem uma coisa, nem outra. O Palmeiras é um time em construção.

A partir de agora, o time se concentra na reta final do Paulistão; com mais nove jogos, podemos conquistar uma taça que não vem há quase dez anos e que aumentará a confiança do time, mesmo sendo um torneio menor. Nessa trajetória, teremos apenas um jogo pela Libertadores – contra o Alianza, em casa, encravado entre os dois jogos das finais.

Nestes dez jogos disputados até agora, Roger Machado usou 21 jogadores. Mayke, Fernando Prass, Moisés e Juninho jogaram apenas uma vez; os outros 17, no mínimo, participaram de cinco partidas – metade do total. Considerando que Moisés, Edu Dracena e Diogo Barbosa são atletas que fatalmente estarão entre os que jogarão com frequência assim que suas condições físicas permitirem, temos um elenco com 20 protagonistas – uns mais, outros menos usados, mas com igual importância para o equilíbrio do conjunto.

A seguir, o Verdazzo apresenta uma série de dados referentes às dez partidas iniciais de 2018, que servem para o leitor fazer projeções para tentar entender para onde Roger está conduzindo o grupo.

Números

  • Thiago Martins enfrenta o Junior, em Barranquilla
    Cesar Greco / Ag.Palmeiras

    Thiago Martins é o atleta que mais minutos esteve em campo: com 954 minutos jogados, é o único que esteve presente em todos os jogos, completos;

  • Além dele, apenas Jailson, Antônio Carlos, Lucas Lima e Dudu foram titulares em todos os jogos. Willian Bigode também esteve presente em todas as partidas, mas em dois deles entrou no decorrer do jogo;
  • Keno foi o jogador que mais entrou durante os jogos: 8 vezes. Bruno Henrique e Gustavo Scarpa, 5 vezes cada, vêm em seguida (importante lembrar que este último ficou quatro partidas em trabalho físico e só esteve disponível em seis);
  • Lucas Lima, 7 vezes, e Tchê Tchê, 6 vezes, foram os jogadores mais substituídos;
  • Dos jogadores disponíveis, apenas Weverton e Luan, além dos meninos Luan Cândido e Daniel Fuzato, não tiveram a chance de entrar em campo;
  • O Palmeiras marcou 17 gols em dez jogos. Depois de passar dois jogos em branco contra Ponte Preta e SCCP, o time reagiu na Colômbia e chegou à razoável média de 1,7 gols por jogo;
  • Borja enfrenta o Junior, em Barranquilla
    Cesar Greco / Ag.Palmeiras

    Borja é o artilheiro do time, com 6 gols em 9 jogos – ótima média de 0,66 gols por partida. Em seguida, aparecem Dudu, Keno e os improváveis Thiago Santos e Bruno Henrique, com dois gols cada;

  • Bruno Henrique, com o jogo “fora da curva” na Colômbia, tem a incrível média de um gol a cada 80 minutos jogados. Thiago Santos vive um fenômeno parecido, com um gol a cada 118 minutos. Em seguida, aparecem Keno (um gol a cada 126 minutos) e Borja (um gol a cada 128 minutos);
  • O Palmeiras recebeu 16 cartões amarelos, o que dá a média de 1,6 cartões por jogo. Borja também é o líder neste item, com 3 cartões recebidos; Lucas Lima, Victor Luis, Felipe Melo e Antônio Carlos vêm em seguida com 2. Nesses dez jogos, o Verdão recebeu apenas um cartão vermelho – “aquele”, do Jailson.

Raio-X: 10 jogos

Conclusões?

Roger Machado
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Não há exatamente muitas conclusões a se tirar deste levantamento. O que podemos perceber são algumas tendências do pensamento do treinador. O leitor pode enriquecer a discussão com suas impressões nos comentários.

O Palmeiras venceu seis partidas fáceis no início da caminhada, contra adversários, à exceção do Santos, muito inferiores tecnicamente. Oscilou, teve um jogo atípico em Campinas e um Derby contra um time mais entrosado, onde, apesar de prejudicado pela arbitragem, mostrou claramente que ainda está em evolução e que não é a máquina que as seis vitórias iniciais poderiam sugerir aos menos experientes.

Nossa torcida não se caracteriza pela paciência, mas neste momento, é tudo o que nosso time precisa. Uma derrota num Derby é um grande ímã de problemas; o ambiente fica efervescente e a porção clubista da imprensa aproveita para jogar gasolina na fogueira. Só nesses quatro dias entre as duas últimas partidas tivemos três deflagradores de crises; boa parte de nossa torcida, descontente com o Derby, adorou comprar todas elas.

Moisés
Cesar Greco / Fotoarena

Temos que ser inteligentes. Compreender o momento de construção do time. Já pudemos ver momentos de brilho encantador entremeados com outros de confusão e perplexidade. Gustavo Scarpa, Edu Dracena, Moisés e Diogo Barbosa são peças importantíssimas que serão decisivas para que o potencial que podemos ver neste momento se transforme em realidade.

Todos os números apresentados dão uma pequena noção de como Roger pretende fazer isso ao longo da temporada. Por enquanto, temos um belo material bruto e um time em construção.

Este grupo tende a maturar definitivamente na parada para a Copa do Mundo – a partir de julho, podemos esperar um time realmente forte, encorpado, que tende a levantar o Brasileirão naturalmente se conseguir administrar o elenco em todos os aspectos – físico, técnico e moral; e com um pouco de sorte – e inteligência da torcida – pode levantar também algum(ns) dos mata-matas.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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