Brasileirão 2019: fim do terceiro quartil

Calculadora

O Palmeiras encerrou o terceiro quartil do Campeonato Brasileiro no último domingo, quando venceu o Avaí por 2 a 1 na Ressacada. O resultado alçou o time a 57 pontos em 28 partidas disputadas (67,6%), um aproveitamento muito bom, diante das campanhas históricas. Ano passado, fomos campeões com larga margem, com 70,2% de aproveitamento.

A projeção inicial, antes do início do campeonato, já previa uma subida de sarrafo. Jamais um vice-campeão atingiu a marca de 73 pontos, o que normalmente fazia com que uma projeção de 77 pontos fosse suficiente para o título. Com a consolidação de adversários reconhecidamente mais fortes, nossa nova projeção mirou a marca de 82 pontos (71,9%).

A irregularidade do Palmeiras na trajetória, sobretudo no segundo quartil, fez com que o time ficasse quatro pontos abaixo dessa nova meta. Mesmo assim, mantendo as previsões iniciais, o time chegaria a 78 pontos – uma contagem ótima. O que ninguém podia esperar é que o encaixe lá no Rio fosse tão preciso. Nem os 82 pontos previstos no início parecem suficientes neste momento.

Os quatro pontos abaixo poderiam ser descontados dos pontos vergonhosamente roubados do Palmeiras nos jogos contra o Bahia no Allianz Parque e contra o Inter, no Beira-Rio. Mesmo assim, estaríamos a seis pontos do Flamengo. Considerando o confronto direto em nossa casa, ainda precisaríamos de dois tropeços dos cariocas, dados os critérios de desempate.

Nossa parte

Não adianta chorar. Temos é que seguir fazendo nossa parte e esperar que, assim como houve uma virada significativa após o fim do primeiro quartil, que o Flamengo entre numa espiral negativa.

Neste momento, além de vencer todos os jogos, principalmente o confronto da rodada 36, precisamos torcer para que eles percam oito pontos – duas derrotas e um empate. É uma combinação ingrata.

Todos os jogos do Palmeiras até o fim do ano são ganháveis. Serão seis jogos em casa e quatro fora. O que aflige nossa torcida é a irregularidade do nosso time, que sofre apagões inexplicáveis mesmo em partidas muito fáceis, como a do último domingo.

Por outro lado, já vemos o Flamengo subindo no salto diante da atuação descontrolada da #Flapress. Além disso, eles terão uma viagem a Santiago para um jogo importantíssimo, que certamente os fará perder algum foco.

Se o Palmeiras fizer uma campanha perfeita, com dez vitórias, chegará a excelentes 87 pontos e terá alguma chance de aproveitar eventuais tropeços do Flamengo.

Se recuperar os quatro pontos perdidos em relação à projeção inicial, fazendo 8 vitórias, um empate e uma derrota, chegará aos 82 idealizados, provavelmente insuficientes.

E se apenas cumprir o previsto antes do campeonato, chegará a 78, tornando-se provavelmente o melhor vice da História. Aliás, basta chegar a 73 pontos para alcançar esse irrelevante feito.

Dez jogos é um quartil completo. Tem muita coisa para acontecer e no futebol as coisas viram muito rápido. O panorama indica fortemente o Flamengo campeão e o Palmeiras vice; já não temos muito a perder e a pressão está toda do lado de lá. A ganhar: podemos devolver a virada sofrida há dez anos, com juros. Só nos resta torcer.

Frágil, elenco do Palmeiras reage como um bando de adolescentes assustados

Felipe Melo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A derrota do Palmeiras ontem à noite na Vila Belmiro, para o Santos, pode ter sido um sinal de que algo está errado, muito errado no ambiente na Academia de Futebol.

No primeiro tempo o time ainda tentou jogar. Mesmo após levar dois gols em 15 minutos, o time tentou articular jogadas – ou, ao menos, os jogadores tentaram resolver na base das jogadas individuais. O Palmeiras parecia um boxeador nocauteado em pé, na esperança de encaixar um diretaço improvável e voltar para a luta.

Talvez o papo no intervalo não tenha sido positivo, não se sabe. Mas o fato é que no segundo tempo, os atletas não tentaram resolver nem em jogadas pessoais. Ao contrário: o Santos perdia a bola e nossos jogadores sequer corriam para se espalhar em campo, para tentar envolver o adversário na jogada seguinte.

Jailson chegou a receber um passe na fogueira e teve que dar um estourão. Em outra saída de bola, cedemos escanteio, de forma bizarra. É claro, nítido, transparente, cristalino que há algo errado.

Mano, negando o óbvio

Mano Menezes
Reprodução

O mais preocupante é que Mano Menezes, na entrevista pós-jogo, disse que não houve nenhum problema “anímico” e que a deficiência foi totalmente estratégica, que os jogadores não executaram o que foi determinado para a tática específica da partida. Negou algo que foi escancaradamente visível durante a partida.

A diferença de postura foi grande entre o primeiro e o segundo tempo. Os jogadores estavam amedrontados. A expressão de Gustavo Scarpa no banco, após ser substituído, era de um adolescente assustado.

Ao negar qualquer tipo de problema, Mano nos deixou apenas duas hipóteses: ou ele está completamente perdido e não está enxergando nada, ou, bem mais provável, compreendeu que existe um problema sério e está tentando blindar o grupo, algo que obviamente ainda não tem estofo para fazer, pelo pouco tempo de clube.

É curioso como técnicos como Roger Machado e Eduardo Baptista não tiveram força alguma nas crises que enfrentaram. Até mesmo Cuca, em sua segunda passagem, foi engolido. O único que colocou ordem na casa foi Felipão. General Scolari é uma fortaleza e conhece o clube. Sem alguém que conheça futebol e tenha autoridade para manter o ambiente sob controle, somos pobres meninos ricos.

Contra reviravoltas improváveis, só a aritmética

Alexandre Mattos

Quando se perde lutando, quando se cai em pé, a tristeza do torcedor por uma derrota passa logo. Mas quando o time não representa o espírito de luta do palmeirense, aí a ferida demora para fechar – e enquanto isso, a política ferve mais ainda.

É sabido que existe um processo fortíssimo de fritura sobre Alexandre Mattos. Seu cargo, que decide anualmente o destino de centenas de milhões de reais, é muito cobiçado. Há interesses grandes num fracasso do time este ano.

Talvez o atual treinador até seja fritado antes, mas a trajetória de Mattos, que a despeito de erros grosseiros segue sendo o melhor profissional do mercado, parece com os dias contados. Enquanto ele não for demitido, essas forças ocultas – ou nem tão ocultas assim – que trabalham contra sua permanência, não vão sossegar.

Para conquistarmos alguma coisa ainda este ano, precisamos que duas situações sejam revertidas. Uma não está a nosso alcance: o Flamengo precisa virar o fio. Outra, em tese, só depende de nós: temos que nos reorganizar, rápido, e retomar as vitórias.

Como manter a fé numa possibilidade que exige duas reviravoltas, sendo que em uma não temos nenhum controle, e em outra estamos reféns de forças que atuam nas estruturas eternamente carcomidas de nossa política interna?

Esperamos estar apenas criando fantasmas e que o time mostre nas próximas rodadas que não existe nada disso. Entregar os pontos, só quando a aritmética proibir sonhar.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.

Brasileirão 2019: fim do segundo quartil

Calculadora

O Palmeiras, de técnico novo, fechou o segundo quartil do Brasileirão de 2019 em fase de recuperação. Após um primeiro quartil esplendoroso, no qual marcou 25 dos 27 pontos possíveis, o time não lidou bem com a parada para a Copa América e ficou sete jogos sem vencer, o que acabou derrubando Felipão do cargo.

Já nas mãos de Mano Menezes, o time retomou a trajetória de vitórias e enfileirou nove pontos nos três jogos finais.

A vantagem sobre o Flamengo ao fim da rodada 9 era de cinco pontos. Os 14 pontos marcados neste segundo quartil não foram suficientes para manter a vantagem na tabela, diante dos 25 marcados pelo time carioca, que agora tem 3 pontos de frente.

O Verdão terminou o primeiro turno com 39 pontos ganhos – nem nas duas recentes campanhas vitoriosas, em 2016 e 2018, o time terminou com uma pontuação tão alta. Mesmo assim, diante da subida de sarrafo que podemos observar este ano, ficamos dois pontos abaixo de uma campanha considerada segura para chegar ao décimo-primeiro título brasileiro.

Passando a limpo o segundo quartil

O empate planejado no Morumbi na primeira partida após a parada foi alcançado (0). Mas depois da eliminação da Copa do Brasil, o time viajou de Porto Alegre a Fortaleza e fez uma partida infeliz, sendo derrotado pelo Ceará (-3) numa partida em que o plano previa vitória.

Um jogo muito ruim aconteceu na volta ao Allianz Parque, diante do Vasco: 1 a 1 (-2). Mas depois de golear o Godoy Cruz na Libertadores, o time foi a Itaquera e empatou por 1 a 1 (+1) e só não venceu porque o frangueiro resolveu fechar o gol.

Duas infelicidades se seguiram: um empate em casa contra o Bahia (-2), em jogo onde a arbitragem nos garfou vergonhosamente. E um empate por 1 a 1 (+1) dos times reservas na Arena do Grêmio, levando um gol do meio da rua no finalzinho. Mas a eliminação na Libertadores abalou demais o elenco, que tomou um passeio do Flamengo no Maracanã (-1). Felipão foi demitido.

A recuperação teve início com a chegada de Mano Menezes, aproveitando uma tabela favorável: vitória suada sobre o Goiás (0), passeio sobre o Fluminense (0) e vitória sobre o Crueiro (+2). No final do quartil, um saldo negativo de 4 pontos, que somado ao saldo positivo de 2 pontos do primeiro quartil, perfazem um saldo negativo geral de 2 pontos (39, ante uma ambiciosa previsão de 41).

Começa a caça, no terceiro quartil

A três pontos do Flamengo, com um confronto direto em casa na antepenúltima rodada, o Palmeiras ainda pode apenas se preocupar com sua própria campanha, confiando que atingir a pontuação de 82 pontos seja suficiente para conquistar o título. Para isso, temos dois quartis para recuperar esses dois pontos de déficit.

Neste terceiro quartil, estão previstas seis vitórias nas nove partidas: Fortaleza, fora (R20); CSA, em casa (R21); Galo, em casa (R23); Botafogo, em casa (R25); Chape, em casa (R26); e Avaí, fora (R28).

Isso significa que o Verdão tem apenas três chances de recuperação, isso sem vacilar em nenhuma das partidas onde projetamos vitória. E não serão partidas fáceis: Inter no Beira-Rio (R22), Santos no Pacaembu (R24) e Athletico na Baixada (R27).

E depois?

O quarto quartil tem uma previsão de 21 pontos em 10 jogos, mas, mais do que nunca, a previsão será mera referência. Com o Flamengo (e talvez o Santos) disputando a ponta da tabela taco a taco, as rodadas finais, sobretudo as cinco ou seis últimas, já devem ser disputadas sempre monitorando o resultado dos concorrentes e estourando os simuladores da Internet de tanto fazer conta.

A tabela prevê para a rodada 36 uma partida de arrebentar entre Palmeiras e Flamengo, provavelmente no Pacaembu. Pode até decidir o título. Mas dependendo do que acontecer, a rodada final, com o Palmeiras jogando no Mineirão contra o Cruzeiro (talvez remando contra a Série B?) e o confronto entre Santos e Flamengo, é a que pode selar o destino do campeonato.

Para chegar forte, o Verdão precisa, no mínimo, estar margeando esta previsão de pontos. O sarrafo claramente subiu e a tradição histórica de que nunca um vice-campeão marcou mais que 72 pontos certamente cairá este ano.

O Brasileirão de 2019 tende ser um dos mais emocionantes dos últimos tempos, com três times jogando em alto nível e prometendo briga rodada a rodada até o dia 2 de dezembro. VAMOS PALMEIRAS!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.verdazzo.com.br/padrinho.

Chega ao fim a história de Luiz Felipe Scolari no Palmeiras

A diretoria do Palmeiras anunciou no final da noite de ontem a demissão de Luiz Felipe Scolari do comando técnico do time. A decisão vem depois de um grave declínio no desempenho da equipe após a parada para a Copa América.

Contando o amistoso contra o Guarani, foram 14 jogos, com apenas 3 vitórias, 6 empates e 5 derrotas. As vitórias vieram na Libertadores e na Copa do Brasil, competições em que o Palmeiras acabou eliminado. No Brasileirão, as sete partidas sem vitória custaram uma liderança folgada, com cinco pontos de margem.

Antes da intertemporada, o time atravessava uma fase brilhante. No primeiro semestre, foram 33 jogos, com 23 vitórias, 8 empates e apenas 2 derrotas.  O time bateu alguns recordes históricos e sustentou uma série invicta de 15 partidas, com 13 vitórias.

Felipão encerra sua terceira passagem com um saldo bastante positivo: foram 46 vitórias, 23 empates e apenas 10 derrotas (incluindo dois empates sob o comando de Paulo Turra). Um aproveitamento de 67,9%. Contando todas as passagens, foram 485 jogos no Palmeiras, o segundo técnico que mais dirigiu o clube. Aos 70 anos, dificilmente esta lenda voltará a comandar o Verdão.

Um Felipão evoluído

Paulo Turra, Felipão e Carlos Pracidelli
Divulgação

O estilo de Felipão nesta terceira passagem foi um tanto distinto do que acostumamos a ver em suas duas passagens anteriores pelo Palmeiras, e mesmo na seleção da CBF. Mais evoluído e atualizado do que nunca, o general trocou as observações de Murtosa, seu parceiro durante décadas, pela dupla Paulo Turra/Carlos Pracidelli, que inseriram metodologias modernas de treinamento e de definições de estratégia.

Com isso, o estilo “sargentão” mostrado principalmente em sua primeira passagem esteve bastante pálido. O aspecto tático nunca esteve tão presente em seu comando, em detrimento ao motivacional. Talvez isso tenha feito falta nos momentos derradeiros.

O que não mudou foi sua disposição em proteger o grupo para manter o comando no vestiário, outra de suas grandes marcas. Felipão sempre fez questão de isentar seus atletas diante dos insucessos, cometendo, com isso, alguns deslizes – o mais problemático foi a infeliz frase após a desclassificação na Copa do Brasil, nos pênaltis, diante do Inter. A expressão “ninguém morreu” tinha a intenção de manter o apoio da torcida aos atletas diante da perspectiva de outros dois campeonatos ainda em disputa, mas acabou ganhando a conotação de debochar da decepção dos torcedores, o que o desgastou bastante.

Outro aspecto que manteve uma marca da carreira de Scolari foi o estilo de jogo apoiado num sistema defensivo intransponível. Ao atrair os adversários para nosso campo de defesa, sempre muito bem protegido, Felipão abria espaços em nosso campo ofensivo, para que velocistas o aproveitassem em contra-ataques rápidos, com poucos e precisos passes, chegando rapidamente às finalizações.

A imprensa, como sempre, sua inimiga

Mesmo com um desempenho espetacular entre julho do ano passado e junho deste ano, quando comandou uma inesquecível arrancada rumo ao décimo Campeonato Brasileiro e esculpiu uma série invicta memorável, o Palmeiras de Felipão atraiu a antipatia da imprensa e, de forma incrível, de parte de nossa própria torcida.

Os resultados magníficos não eram suficientes para calar as críticas, que apontavam sobretudo para a falta de toques na bola. Um sistema defensivo ultra-sólido não era bom. Chegar rápido ao gol adversário não era bom. Exigiam tabelas, passes vistosos.

A cruzada pelo “jogo bonito” nunca foi tão intensa, tendo sempre como antagonista o Palmeiras de Felipão, uma figura que jamais gozou de prestígio com os repórteres. Suas preferências políticas e estilo enérgico jamais foram bem digeridos pela classe.

Assim, a imprensa, que sempre se pautou pelos resultados, do nada passou a defender filosofias de jogo. Tomemos como exemplo o Santos: de forma inédita, os resultados decepcionantes do time de Sampaoli passaram a ser relativizados. Até um massacre de 4 a 0 no Pacaembu.

A força dos meios de comunicação minou a confiança de parte de nossa torcida e, na esteira, de parte de conselheiros do clube. A fase de oscilação, que foi entremeada por jogos em que as arbitragens nos roubaram abertamente, custou duas eliminações e a perda da liderança. Neste momento o resultadismo voltou a falar alto e a pressão sobre a diretoria foi grande. A cabeça do técnico e do Diretor de Futebol foram exigidas. Para sua própria proteção, Mattos decidiu demitir Felipão e assim aliviar a pressão sobre si.

Primeira prateleira

Felipão está, facilmente, na primeira prateleira dos ídolos históricos destes 105 anos de existência da Sociedade Esportiva Palmeiras. Sua saída do clube, provavelmente definitiva, implica em luto.

Tivemos o privilégio de testemunhar, mais uma vez, uma lenda viva entre nós. A trajetória de Luiz Felipe Scolari o faz um dos grandes personagens da História do Futebol. E sua imagem está indelevelmente ligada ao Palmeiras.

Só podemos desejar a Felipão o melhor. Um grande líder, um profissional exemplar, um homem excepcional. OBRIGADO POR TUDO, MESTRE!

Vamos em frente

A vida segue. O Palmeiras está vivo na disputa do Brasileirão e uma virada no comando sempre tem o poder de acelerar o tempo de recuperação.

Mas o Palmeiras, depois de mais uma grande lição aprendida, precisa pensar o que quer para seu futuro. Já não basta construir resultados brilhantes; para nós, é necessário encantar. Felipão estava construindo uma identidade vencedora, sem a menor preocupação com beleza. Objetivo, estava montando uma máquina que fazia mais gols do que tomava na maioria absoluta das partidas. A interrupção deste trabalho é uma chance de caminhar em direção à competitividade aliada à beleza.

É óbvio que queremos de ser campeões com um time jogando futebol esteticamente bonito sem deixar de ser competitivo. É possível. Mas se fosse fácil, todo mundo faria.

O desafio está à nossa frente: encontrar alguém capaz de extrair o máximo das qualidades que nosso elenco, inegavelmente, possui, ganhando títulos e encantando. Alguém com capacidade para comandar um elenco pesadíssimo e de suportar a pressão de ser o técnico de um clube, agora oficialmente, antipático.

O Palmeiras está atrás de um profissional que consiga montar uma identidade de jogo dentro desses conceitos, para ser aplicada por muitos e muitos anos e replicada em nossa base, para que os meninos possam ser integrados ao time de cima preparados da melhor forma.

Quem será o homem capaz de executar esta tarefa?


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.

Carros alinhados; o safety car entra nos boxes e recomeça a corrida!

Bruno Henrique e Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O palmeirense que gosta de corridas de carro já conhece o cenário: o piloto está em plena forma e o carro está voando. É dada a largada e as previsões se confirmam nas primeiras voltas; o favorito pula na frente e começa a abrir vantagem. Parece inalcançável. Mesmo com menos da metade da prova percorrida, todos parecem já ter certeza de quem será o vencedor.

Mas eis que um acidente qualquer exige a entrada do safety car. Todos os carros são obrigados a reduzir a velocidade e andar em comboio. Muitos aproveitam para trocar os pneus, já que perde-se menos tempo em relação aos adversários.

Algumas posições, devido à estratégia das equipes, acabam sendo trocadas. Os carros, às vezes, reagem de forma diferente a pneus novos e demoram algumas voltas até se ajustarem.

Por fim, com todos os carros novamente embolados, a corrida recomeça. O favorito pode até não estar em primeiro lugar no reinício, mas todo aquele potencial ainda está lá.

Maldita Copa América!

O leitor, claro, já entendeu que isto foi uma alegoria entre o automobilismo e o Brasileirão de 2019. O acidente, claro, foi a Copa América. A tabela ao final da 15ª rodada mostra o Santos na liderança, já atravessando uma oscilação, com Flamengo, Palmeiras, Atlético, e, quem diria, até SPFC e SCCP, no comboio.

O sexto colocado tem hoje 27 pontos, com 60% de aproveitamento. Para efeito de comparação, esta porcentagem levou o Inter ao terceiro posto em 2018, com 69 pontos. Na 15ª rodada do ano passado, o terceiro colocado tinha 26 pontos. O Palmeiras, com 23, era apenas o sétimo colocado.

O campeonato deste ano parece ter uma característica diferente, bem mais parecido com o campeonato inglês em termo de distribuição de pontos, com seis times concentrando os melhores resultados.

Em nossa previsão de pontos feita no início do campeonato, deveríamos ter 33 pontos. Se estivéssemos cumprindo esta meta, seríamos os líderes. Com 30 pontos, estamos a apenas três pontos da marca. E poderíamos estar dentro da margem, caso não tivéssemos perdidos pontos bobos, como contra o Ceará ou contra o Vasco. Ou caso não tivéssemos sido assaltados nos últimos dois jogos, contra Bahia e Grêmio. Ou as duas coisas.

As voltas com safety car

A parada tirou nosso ritmo. Nosso time, de fato, caiu de rendimento, com partidas ruins neste período. Não existe uma razão exclusiva para estas oscilações. Cada um dos dez jogos teve sua história. Olhando a trajetória como um todo, apesar dos resultados, não parece tão feio como pintam:

Inter – na ida da Copa do Brasil, um jogo bastante sólido, em que o placar de 1 a 0 foi pouco. Nosso time podia ter feito mais gols, mas preferiu garantir a vitória magra a se arriscar a fazer mais gols.

SPFC – depois de um primeiro tempo muito fraco, contra um time que aparentemente voltou bem da parada, o Palmeiras tomou conta do segundo tempo e chegou ao empate, fora de casa, com um gol improvável. Mas no geral a partida não foi boa.

Inter – num confronto nervoso, veio a derrota por 1 a 0 e a eliminação da Copa nos pênaltis. O resultado foi normal; a se lamentar apenas a postura no jogo de ida.

Ceará – ainda lidando com a eliminação na Copa do Brasil, e com um jogo de Libertadores pela frente, o time ainda assim dominou as ações, mas acabou sendo surpreendido em dois gols fortuitos, em jogo que teve atuação decisiva da arbitragem.

Godoy Cruz – literalmente dentro de uma grande turbulência, após sair de um 0-2, o time reagiu e chegou a um importante empate.

Vasco – o pior jogo da sequência, onde o time saiu atrás, empatou, e teve cerca de 80 minutos para chegar à virada, mas não conseguiu, diante de um adversário claramente mais fraco. Os jogadores repetiram os erros técnicos vistos com frequência desde a parada. A eliminação na Copa e o susto na Libertadores claramente pesaram.

Godoy Cruz – depois de um primeiro tempo fraco, o time deslanchou na segunda etapa e emplacou uma bela goleada, avançando na competição.

SCCP – no Derby em Itaquera, os times empataram com jogadas de bola aérea. O Palmeiras, no entanto, foi amplamente superior e o melhor jogador em campo, disparado, foi o goleiro deles.

Bahia – na estreia de Luiz Adriano, o time jogou muito bem, teve o plano de jogo prejudicado por uma expulsão ainda no primeiro tempo; mesmo assim reagiu bem e só perdeu pontos porque a arbitragem foi criminosa.

Grêmio – mais uma vez fora de casa, o Palmeiras jogou bem melhor, já de volta ao ótimo ritmo do primeiro semestre, mas acabou sofrendo o empate no final graças a um gol improvável. Vento que venta lá, venta cá. O que não mudou de lado foi a arbitragem, que mais uma vez nos garfou.

Como se pode ver, a oscilação já passou. Nos últimos quatro jogos, os erros técnicos vistos até o jogo contra o Vasco aparentemente se dissiparam; o futebol apresentado foi bem aceitável e as vitórias no Brasileirão não vieram por circunstâncias.

O que dá para melhorar?

Paulo Turra e Felipão

A eliminação na Copa do Brasil repetiu o filme da Libertadores do ano passado; a confiança no sistema defensivo minou a disposição em buscar gols que poderiam fazer a diferença para o confronto da volta. Vamos repetir esta fórmula na Libertadores? O Scolarismo bruto, o mesmo que nos fez saborear 15 jogos de invencibilidade antes da parada, diante dos resultados atuais volta a ser questionado.

Será que não é o momento de repensar o plano de jogo nos jogos de mata-mata? A vantagem de um gol, a mesma que caiu por terra ontem aos 42 do segundo tempo num gol “à la Jumar”, não deve ser encarada de forma diferente daqui para a frente? Será que nosso sistema defensivo, apesar de excelente, não está recebendo confiança excessiva? Benedetto, Patrick e David Braz acham que assim está ótimo.

VAR
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Já as arbitragens, essas continuam nos garfando de forma épica. A introdução do VAR no Brasileirão, uma esperança de ventos melhores no futebol nacional, vem se mostrando algo inútil. A ferramenta, que claramente é um avanço no esporte, aqui é usada de forma confusa, insegura e sem transparência. A forma como as consultas são (ou não são) feitas ao sistema de vídeo fazem que as suspeitas de desonestidade na arbitragem se tornem maiores do que eram antes. O VAR é excelente, desde que bem aplicado.

Mais uma vez, mostramos fraqueza nos bastidores. O roubo de ontem, dias depois de nosso presidente ter comparecido à sede da CBF exatamente para reclamar das arbitragens, leva a torcida ao desânimo completo. Pior: os próprios jogadores podem acabar absorvendo esse desânimo. Afinal, de que adianta se matarem a cada jogo, para acabarem roubados por bandidos de preto?

Próximas voltas

Luiz Adriano
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Felipão tem na chegada de Luiz Adriano um ótimo gancho para repensar as estratégias de jogo. O atacante tem potencial para mudar o estilo de jogo do time, sua maior capacidade de movimentação e de passes possibilitam que nosso time tenha mais poder de reter a posse de bola no campo de ataque.

Nos bastidores, só nos resta torcer para que a diretoria, a despeito da primeira “resposta” que tivemos no primeiro jogo após a visita à sede da CBF, tenha feito o necessário para resguardar nossos interesses.

Os carros estão alinhados novamente. Apenas 40% da corrida foi disputada. O melhor carro, com o melhor piloto, está no bolo. Há adversários à altura. A disputa está aberta. VAMOS PALMEIRAS!!!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.verdazzo.com.br/padrinho.