Mata-mata da Libertadores: o caminho do Verdão até Santiago

A Conmebol realizou na noite de segunda-feira o sorteio dos confrontos de mata-mata da Copa Libertadores 2019. O Palmeiras, a exemplo do ano passado, entrou na chave como o melhor classificado na fase de grupos, e assim terá o mando do jogo da volta até as semifinais – a fase final será decidida em jogo único, em campo pré-determinado – este ano, a sede é Santiago do Chile.

O adversário do Palmeiras na fase de oitavas-de-final será o Godoy Cruz, vice-campeão argentino da temporada 17-18. Caso avance, o próximo adversário do Palmeiras será o vencedor do confronto entre Libertad e Grêmio – o time paraguaio decide em casa.

Seguindo a trilha, o eventual adversário seguinte sairá da chave que tem os confrontos entre Flamengo e Emelec (cariocas decidem em casa) e Internacional e Nacional (segundo jogo no Beira-Rio).

Em Santiago, o adversário do Palmeiras sairia do outro lado da chave, cujos times mais importantes são Cruzeiro e River Plate (que se enfrentam logo nas oitavas), além do Boca Juniors.

Godoy Cruz?

Godoy Cruz

O Godoy Cruz é uma espécie de São Caetano da Argentina, mal comparando. Foi fundado em 1921, mas só desenvolveu seu departamento de futebol profissional na década de 80. Seu maior feito até agora foi justamente o vice-campeonato da temporada passada, que lhe deu a classificação para a Libertadores deste ano.

A cidade de Godoy Cruz fica no pé da Cordilheira dos Andes, na região de Mendoza – são cidades vizinhas, parte da mesma zona urbana. Somadas, chegam a cerca de 300 mil habitantes e ficam a cerca de 700 metros do nível do mar, altitude semelhante à da capital paulista.

Malvinas Argentinas

O estádio Feliciano Gambarte, do Godoy Cruz, é acanhado e tem capacidade para apenas 18 mil pessoas. O confronto, no entanto, acontecerá no Malvinas Argentinas, em Mendoza, que foi sede da Copa do Mundo de 1978 (à época, antes da guerra, seu nome era Estádio Ciudad de Mendoza) e comporta 42 mil espectadores.

As partidas contra o Godoy Cruz estão marcadas para as semanas dos dias 24 e 31 de julho – a Conmebol ainda vai oficializar as datas e horários, mas é muito provável que os jogos do Palmeiras sejam posicionados nas quartas-feiras às 21h30, para atender à grade da RGT.

Histórico

  • Os confrontos pelas oitavas-de-final da Libertadores serão os primeiros entre Palmeiras e Godoy Cruz;
  • O Verdão já enfrentou times argentinos 93 vezes, com 43V 26E 24D;
  • Em jogos pela Libertadores, o retrospecto contra times argentinos é 11V 10E 8D, em 29 partidas;
  • Entre amistosos, Copa Mercosul e Libertadores, o Palmeiras já enfrentou argentinos 36 vezes naquele país – 9V 14E 13D;
  • Na Argentina, pela Libertadores, foram 15 jogos: 2V 5E 8D.

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Apoiar na boa é fácil. E quando o time oscilar de novo?

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Após 26 jogos, o Palmeiras atravessa, inegavelmente, a melhor fase técnica desde o início do ano. A sequência invicta atual, coroada com a quebra de um recorde histórico da Academia de 72-73, ostenta 8 jogos, com seis vitórias e dois empates, 16 gols marcados e apenas um sofrido.

E essa contagem poderia ser bem maior. A última derrota foi na Argentina, contra o fraco San Lorenzo, num jogo atípico em que foi usada uma escalação alternativa, já que o foco da equipe estava desajustado tendo em vista a semifinal do estadual. Já poderiam ser 21 jogos sem ser batido.

Desde que Felipão reassumiu o comando da equipe, foram apenas cinco derrotas. As sequências invictas anteriores foram de 8, 3, 9, 13 e 12 jogos. Na média, uma derrota após 9 jogos.

Os números altamente positivos da sequência atual traduzem o equilíbrio impressionante alcançado entre ataque e defesa. O Palmeiras tem os melhores índices de gols marcados e sofridos no Brasileirão e na Libertadores. Não é coincidência. Resta saber se a torcida terá o mesmo equilíbrio quando o time entrar em novos períodos de oscilação.

Ápice no Mineirão?

Atlético-MG 0x2 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O jogo de ontem diante do Atlético-MG foi mais impressionante ainda pela tranquilidade com que o resultado foi conquistado. O adversário liderava a tabela com 100% de aproveitamento, vinha embalado e completo, tendo poupado o elenco no meio da semana visando exatamente o confronto contra o Palmeiras. Foi jogo grande.

O volume de jogo apresentado pelo Verdão, que dominou a partida do início ao fim, não permitindo ao adversário ameaçar o gol de Weverton e ainda proporcionando uma chuva de finalizações contra Victor em jogadas construídas das mais variadas formas, evidenciam o grau de evolução alcançado por esse grupo.

É importante salientar que o Palmeiras tomou a liderança do campeonato do Atlético, na casa do adversário, sem poder contar com Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian, três dos principais jogadores do elenco. Borja nem viajou por opção do treinador.

Felipão, em coletiva, atribuiu o ótimo desempenho da equipe ao elevado grau de consciência tática dos atletas, que sabem exatamente para onde correr e o que fazer com e sem a bola, em cada situação. Foi uma partida quase perfeita. Este é o limite deste time ou ainda é possível crescer mais?

Apanhamos para chegar neste ponto

Felipe Pires
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As oscilações verificadas no início da temporada refletem a trajetória desta evolução. Nas primeiras semanas tivemos experiências com ponteiros, usando Felipe Pires e Carlos Eduardo insistentemente, relegando Raphael Veiga e Zé Rafael a meros hóspedes da Academia de Futebol, já que muitas vezes não eram nem relacionados para o banco.

Posteriormente, com a recuperação de Ricardo Goulart, vimos um time bastante eficiente enquanto um esquema que abria mão dos ponteiros ainda era novidade. Mas no momento em que o uso de Goulart quase que como um segundo atacante foi manjado, o time voltou a ter problemas e oscilou, resultando na eliminação do estadual.

A nova lesão de Goulart, somada ao recente desfalque de Gustavo Scarpa, obrigou Felipão a rodar o elenco e rearranjar o esquema mais uma vez. Zé Rafael e Veiga ganharam espaço; Bruno Henrique voltou a ocupar o campo ofensivo. Os laterais e os volantes conseguiram uma sintonia excelente, a recomposição defensiva se manteve impecável e o time deu um encaixe melhor ainda, mesmo sem acertar totalmente o centroavante.

Diante dessa curva de crescimento e do variado leque de opções à disposição, é quase impossível não projetar o Palmeiras, neste momento, como protagonista do Brasileirão, sendo mais uma vez o time a ser batido. E é essa empolgação que nossa torcida precisa tentar conter.

Na boa e na ruim

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A ilusão de início de campeonato nos conduz à euforia, ainda mais ao verificar que nossos potenciais adversários já patinaram e que, se continuarem desperdiçando pontos, terão dificuldades em acompanhar nosso ritmo.

Jamais podemos, no entanto, nos esquecer que o campeonato é bastante longo e que fotografias de momento, ou recortes de 4 ou 5 rodadas, pouco significam num universo de 38. As oscilações voltarão a acontecer e existe sempre o risco de nosso esquema ficar manjado, mais uma vez.

A vantagem de Felipão é que ele usou cada semana desta temporada para desenvolver sistemas diferentes, que seguem na “memória tática” da equipe. Cada um desses sistemas pode ser reativado a qualquer momento, dependendo do jogo, o que torna o Palmeiras um time cada vez mais imprevisível e difícil de ser neutralizado.

A conclusão disso tudo é que o Palmeiras segue como principal favorito ao título, mas jamais podemos entrar no espírito suicida do já-ganhou – até porque, é essa empolgação que rapidamente se converte em pressão negativa na primeira oscilação – e elas vão acontecer, sobretudo quando Felipão decidir poupar os principais jogadores nos jogos que antecedem partidas decisivas pelos mata-matas.

Nossa torcida tem que buscar o mesmo equilíbrio alcançado pelo time: sem euforia, mantendo a confiança e o apoio em alta – na boa e na ruim; mostrando maturidade para estimular o elenco quando os resultados negativos aparecerem, sobretudo em eventuais e doloridas eliminações nas copas, competições que não dão margem para erros e nas quais uma partida desencaixada ou mesmo um lance infeliz podem colocar tudo a perder.

Em vez de arroubos de cólera, evocando argumentos torpes como o salário dos jogadores, o apoio será essencial para que o time consiga sair de uma eventual sequência negativa. Os jogadores e a comissão técnica, até o momento, vêm fazendo um trabalho muito bom. Resta saber se a torcida, quando for exigida, vai fazer seu papel no mesmo nível.


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A diferença entre um time protagonista e um time campeão de tudo

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O setor ofensivo do Palmeiras parece ter resolvido o problema da pontaria. Depois de ter ficado atrás de Santos e Ituano no estadual, o ataque palmeirense engatou uma boa sequência e neste momento é o mais positivo tanto na Libertadores quanto no Brasileirão.

A entrada de Ricardo Goulart, em princípio, fez bem ao ataque e o camisa 11 segue sendo um dos jogadores com mais participações em gols, seja convertendo-os, seja dando assistências. O setor sofreu uma pequena, mas fatal, oscilação nas semifinais do estadual; Goulart então saiu do time e Zé Rafael encaixou muito bem – antes do jogo contra o CSA, com o time reserva, o Palmeiras havia marcado 11 gols em três jogos.

Mas se a linha ofensiva com Dudu, Gustavo Scarpa e Zé Rafael está dando conta do recado, o desempenho do comando do ataque em 2019, até agora, tem inegavelmente deixado a desejar.

Borja e Deyverson estão com desempenho sofrível; Arthur Cabral teve poucas chances até agora e o Palmeiras deixa de fazer alguns gols – e de somar alguns pontos, como aconteceu em Maceió – pela falta de eficácia do jogador mais avançado do time. Essa deficiência pode custar campeonatos.

Borja e Deyverson

Miguel Borja, a contratação mais cara da História do Palmeiras, até fez um ou outro bom jogo em 2019, mas sucumbiu à má fase. Os gols estão cada vez mais raros. Erros em lances fáceis fizeram a pressão da torcida aumentar. Sua personalidade retraída, a despeito de seu enorme coração, tornou sua situação ainda pior.

O colombiano nunca teve o nome tão especulado para deixar o clube; vendê-lo abaixo do preço investido já não é um pensamento tão absurdo diante do aparentemente irreversível prejuízo técnico. Em doze jogos, o colombiano marcou apenas três gols e deu uma assistência, em 866 minutos em campo.

Com o chip eternamente solto, Deyverson foi suspenso após um lance deplorável no Derby do estadual, mas recebeu nova chance após o gancho diante da fase ruim de Borja. Taticamente, o camisa 16 se mostra mais útil que o colombiano, mas sua limitação técnica faz com que os ataques muitas vezes terminem quando a bola chega a seus pés.

Apesar de não ser mais tão perseguido pela torcida quanto Borja, os números de Deyverson na temporada são até piores que os do colombiano: foram 13 jogos, 1060 minutos em campo, com os mesmos três gols e uma assistência. Os detalhes dos números podem ser conferidos na página de estatísticas do Verdazzo.

Arthur Cabral e a regra de Mattos

Arthur Cabral
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A aposta de longo prazo da diretoria para o comando de ataque é Arthur Cabral. Contratado em agosto junto ao Ceará, então com 19 anos, o atacante teve até agora apenas duas chances de mostrar jogo – e em uma delas foi muito bem, marcando o gol de empate numa partida complicada em Novo Horizonte, no mata-mata do estadual. Questões físicas, no entanto, seguem atrapalhando o jogador.

Mesmo que seja logo liberado por completo, seu desempenho segue sendo uma incógnita. Afinal, poucos meninos de 20 anos conseguiram carregar o fardo de assumir a camisa 9 do Palmeiras sem sucumbir à pressão. Arthur Cabral tem condições para isso: é forte, tem todos os fundamentos e um time muito bom à sua volta.

Mas mesmo que consiga, ainda ficamos sujeitos a uma temporada desgastante e seguiríamos reféns de uma eventual lesão do camisa 39, retornando ao looping infinito de Deyverson/Borja. O Palmeiras precisa urgentemente rever a posição de centroavante na janela do meio do ano.

E para achar um atleta que forme com Arthur Cabral uma dupla de centroavantes para atender ao rodízio de Felipão, Mattos precisa quebrar uma regra imposta por ele mesmo: a de investir somente em jogadores com grande potencial de revenda, visando lucro financeiro em paralelo ao ganho técnico.

Os velhos cascudos

Os maiores centroavantes do Brasileirão, hoje, são veteraníssimos – e todos seguem marcando muitos gols. Ricardo Oliveira (38), Fred (35) e Guerrero (35) conhecem muito bem o futebol brasileiro e seguem dando ótimo retorno a seus clubes, deixando as torcidas bastante satisfeitas. Além deles, apenas o jovem Pedro (21), do Fluminense, vem tendo uma performance de destaque.

Talvez seja o momento do Palmeiras repensar a estratégia de contratação de atletas, ao menos em determinadas posições. Nem todo reforço precisa dar resultado financeiro positivo; o que importa, é o balanço final. Se o clube decidir investir num jogador com idade avançada e com pouco ou nenhum valor de revenda, mas ele responder marcando os gols que podem fazer a diferença num jogo decisivo – sobretudo nos mata-matas que começam pra valer em agosto – terá valido a pena.

Neste momento, poucos centroavantes têm esse perfil – goleadores, vencedores, experientes e habituados ao futebol brasileiro. Abaixo, algumas possibilidades:

  • Jonas (34), depois de uma espetacular temporada no Benfica em 17/18, teve duas lesões na temporada atual e vem figurando na reserva – mesmo assim, tem 13 gols em 31 jogos, muitos deles vindo do banco. Resta saber se ainda tem disposição de sair da Europa para jogar no Brasil.
  • Lucas Pratto (30) vem fazendo uma temporada discreta no River Plate: 5 gols em 19 jogos. Por já ter atuado nesta Libertadores, é uma opção com pouco apelo neste momento.
  • Jonathan Calleri (25) nem é tão experiente, tampouco faz uma temporada exuberante (8 gols em 33 jogos), mas tem o atenuante de estar num time fraco, o Alavés – coincidentemente, o último time de Deyverson.
  • Gustavo Bou (29) vive na ponte Racing/Tijuana. Desde que voltou ao clube mexicano, no início do ano, fez 8 gols em 16 jogos, mesmo não sendo exatamente um NOVE-NOVE. E não sabemos sequer se teria boa adaptação ao Brasil.
  • Dario Benedetto (28), pela mesma razão de Lucas Pratto, não tem força para esta janela. Seus números pelo Boca Juniors também não empolgam: 5 gols em 17 partidas. É outro que não sabemos como se adaptaria ao país.

Notem que nenhum dos atacantes aventados teria todos os predicados para preencher a lacuna em nosso elenco na próxima janela. Mas provavelmente há no mercado algum atleta que pode atender a nossas demandas – e é exatamente por esse motivo que Alexandre Mattos é muito bem remunerado: para prospectar o mercado e encontrar reforços que atendam ao que precisa o Palmeiras

E para isso, por vezes, pode ser melhor recorrer a um atleta com baixo ou nenhum valor de revenda, mas que resolva uma necessidade premente, a se manter preso a uma filosofia que envolve ganhos financeiros e que limita os resultados.

Um centroavante realmente cascudo e matador talvez seja a diferença entre um time com meias talentosíssimos, protagonista de todos os campeonatos, e um time copeiro e campeão de tudo.


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Entre oscilações, elenco evolui e alimenta esperança da torcida decacampeã

Palmeiras 4x0 Fortaleza
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A partida de estreia do Brasileirão, em que o Palmeiras enfiou 4 a 0 no Fortaleza – e poderia ter sido bem mais – empolgou mais uma vez os bipolares palmeirenses. O time vinha de duas vitórias na Libertadores: 3 a 0 no Junior e 4 a 0 no Melgar, na altitude, mas a goleada pelo torneio nacional realmente entusiasmou a torcida decacampeã.

É difícil assumir certezas no futebol, mas podemos especular em cima de alguns fatos. Algumas dúvidas ainda perduram, mas poderão ser dirimidas com o andamento da temporada.

Nem três goleadas seguidas, com onze gols marcados e nenhum sofrido, servem para cravar que o Palmeiras engrenou de vez. Mas o desempenho cada vez mais consistente dá a impressão que o time mais uma vez vai ser dificíl de ser batido.

Na frente, os jogadores começam a se achar em campo com cada vez mais facilidade. A pontaria, grande vilã dos meses iniciais da temporada, parece que foi corrigida com treinos técnicos neste tempo livre. Com confiança e harmonia entre os atletas, o palmeirense tem mesmo razão para ficar otimista.

Fatos e dúvidas

Marcos Rocha
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Salta aos olhos a coordenação com que as subidas dos laterais estão cada vez mais cobertas pelos volantes. Ontem, Diogo Barbosa e Marcos Rocha foram fundamentais nas construções dos gols, e a defesa permaneceu bem guarnecida.

E isso não significa que Bruno Henrique, no papel de segundo volante, não tenha sido um jogador bem mais próximo do volante artilheiro que vimos em 2018. Ontem, o camisa 19 marcou seu primeiro gol na temporada, além de ter desperdiçado uma boa oportunidade numa finalização de joelho, chegando à frente com propriedade, com os laterais guardando a posição nessas situações. Seja com laterais ou com o segundo volante apoiando, as triangulações apareceram com muito mais frequência. O 4-2-3-1 tem se convertido num 4-1-4-1 com a bola.

A se lamentar, apenas, a lesão de Ricardo Goulart, que deve ter um diagnóstico ainda esta manhã. O Palmeiras oscilou negativamente nas duas semifinais contra o SPFC, nas quais Goulart esteve em campo. Nas duas partidas seguintes pela Libertadores, sem o camisa 11, o Palmeiras foi muito bem.

O jogo de ontem seria muito interessante para tentar estabelecer (ou dissociar de vez) a ideia de que o time pode render melhor sem o jogador que, curiosamente, tem os melhores números do elenco na temporada até agora.  A dúvida permanecerá no ar até que ele volte a campo.

Desempenhos individuais

Diogo Barbosa
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Os desempenhos individuais também estão saltando aos olhos. Além do entrosamento crescente, os jogadores estão cada vez mais afiados tecnicamente. Luan e Gustavo Gómez se estabeleceram como uma dupla muito forte e cometem pouquíssimos erros. Nas laterais, o crescimento de Diogo Barbosa nos deixou com duas opções muito consistentes de cada lado, nos deixando tranquilos para os revezamentos.

A já mencionada coordenação entre laterais e volantes foi possível pelo visível aumento no rendimento físico e técnico de Bruno Henrique – possivelmente um dos que mais evoluiu nesta “mini-intertemporada”. Felipe Melo ainda luta para adquirir a mobilidade necessária para a função, mas seu esforço é admirável – ontem, num campo pesado e difícil, conseguiu preencher bem os espaços. E Thiago Santos voou todas as vezes que foi solicitado numa função que ainda tem Moisés, que continua jogando bem demais.

No ataque, impressiona a variedade de atletas que desequilibram jogos. Contra o Junior, o mais efetivo em campo foi Dudu. Contra o Melgar, o dono do jogo foi Gustavo Scarpa. Ontem, Zé Rafael deu as cartas. Hyoran teve desempenho de destaque mesmo atuando poucos minutos nessas três partidas.

Voltando um pouco no tempo, tivemos partidas importantes de Goulart, Veiga, Deyverson e até de Borja. Carlos Eduardo, Felipe Pires e Arthur Cabral já decidiram jogos. Mesmo os menos cotados do elenco tiveram seus momentos de brilho e mostraram qualidade.

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Neste momento, para suportar a maratona de jogos, Felipão pode alternar entre duas linhas de ataque com Scarpa, Goulart e Dudu, ou com Hyoran, Veiga e Zé Rafael, ou pode mesclá-las. E tem o Lucas Lima e o Guerra para acharem seus espaços. E ainda tem o Willian para voltar de lesão. Madonna mia…

Deyverson vem fazendo bem a função de centroavante jogando de costas para o gol, só precisa ser vigiado mais de perto porque o “modo lacraia” parece estar de volta – nos últimos cinco jogos, levou quatro cartões amarelos, todos evitáveis. Arthur Cabral mostrou potencial a ser explorado nas poucas chances que teve. E Borja ainda procura voltar a ser o Rei da América de 2016. São muitas possibilidades.

No meio do ano, a janela de transferência vai se abrir. Felipão e Mattos já devem ter mapeados os ajustes, entre dispensas e contratações. Não devem ser muitos, mas certamente podemos esperar um elenco mais forte ainda.

Foco na evolução

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O impacto da eliminação no estadual tende a se dissipar completamente em poucas semanas e o torcedor voltará a ter a compreensão de que trata-se apenas de um torneio de pré-temporada, que quando se vive o calor da competição parece adquirir muito mais importância do que realmente tem. Em janeiro a maioria da torcida adotou o discurso de usá-lo como treino, mas quando os resultados não vieram, esqueceram-se da racionalidade e falaram até em demitir o técnico. Sem mencionar os episódios artificiais de apedrejamento e xingamento.

Começamos bem o Nacional e estamos fortes na Libertadores. O momento é de alta. Mas não se pode ignorar que oscilações voltarão a acontecer; tropeços acontecerão – possivelmente alguns bem irritantes – e novos ataques de fúria nas redes sociais serão vistos.

Seria importante que esse perfil de torcedor se tornasse cada vez mais raro, em contraste com outro perfil que consegue enxergar a linha do tempo da temporada de forma cada vez mais ampla e não somente o momento. A interação entre esses tipos de perfil nas redes sociais é crucial para esse tipo de mudança. Uma torcida mais positiva ajuda muito mais que a cornetagem popularesca – sem desprezar que cobranças, quando fundamentadas e justas, também têm muita importância.

A evolução do time deve ser o foco e estamos vendo o salto que essa parada forçada, providencial, proporcionou no desempenho. O equilíbrio entre defesa e ataque é que vai determinar se as oscilações negativas são mesmo para se preocupar e se as positivas são para empolgar.

Nos mata-matas, nada supera uma oscilação negativa e uma competição pode cair por terra num detalhe, mas nos pontos corridos, a força do Verdão tende a aparecer. De qualquer forma, o protagonismo está em curso de novo. Neste momento, as coisas parecem se encaminhar para mais um grande ano para nossa torcida. Parecem.

VAMOS PALMEIRAS!


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Brasileirão 2019: planejamento de pontos

Calculadora

Vai começar mais um Campeonato Brasileiro. O Verdão, atual campeão que não precisa aparecer em videozinho promocional, surge mais uma vez como um dos maiores favoritos à conquista, neste que deve ser um dos campeonatos mais difíceis dos últimos anos.

Como todos os anos, o Verdazzo faz a projeção de pontos rodada a rodada, para que o torcedor possa balizar a campanha do Palmeiras. Normalmente, a meta de pontos que é suficiente para se chegar ao título no Brasileirão com alguma folga é 77 pontos – o vice-campeão desde 2006, quando o campeonato chegou ao formato de 20 clubes em pontos corridos, jamais bateu a marca de 72 pontos.

Este ano, porém, alguns clubes chegam com propostas mais fortes. O sarrafo, aparentemente, subiu. O Flamengo montou um elenco – pelo menos do meio para a frente, bastante competitivo. O Inter mantém o bom trabalho de Odair Hellmann e tem um conjunto bem interessante. Grêmio e Cruzeiro entram no quarto ano de trabalho de seus técnicos, com elencos muito bons, e certamente vão incomodar – não só no Brasileiro, mas também nas copas.

Diante dessas ameaças, a nova meta precisa ser maior. Nada impede que dois ou até três times batam a marca dos 77 pontos. O objetivo neste Brasileirão precisa ser algo em torno de 82 pontos – e o Palmeiras tem todas as condições de atingir essa marca, mas vai precisar jogar muita bola, sobretudo porque as competições de mata-mata vão se entremear nos jogos do nacional.

Primeiro quartil – 23 pontos

Segundo a Lei de Guardiola, perde-se um campeonato nas primeiras oito partidas. Considerando que a Copa América paralisará o Brasileirão após a nona rodada, temos um bom ponto de corte, uma rodada depois.

A largada precisa ser forte – os jogos contra dois times vindos da Série B, Fortaleza e CSA, precisam ser convertidos em 3 pontos, bem como a partida contra o Inter em casa – um concorrente direto, mesmo que isso signifique arriscar os pontos da partida contra o San Lorenzo.

Com nove pontos, a primeira sequência de pontos desperdiçados pode acontecer, em partidas contra o Atlético-MG (F) e Santos (C). Neste ponto é importante destacar que teremos quatro quartas-feiras de Copa do Brasil, e jogaremos em duas delas, em datas ainda indefinidas. Seria interessante para o Verdão que esses jogos fossem nas duas primeiras datas disponíveis, para dar tranquilidade para buscar as vitórias nas rodadas seguintes, até a pausa.

A tabela segue com jogos contra o Botafogo (F), Chape (F), Athletico (C) e Avaí (C). Nesta sequência, o Verdão não pode nem pensar em deixar pontos pelo caminho e quatro vitórias são mandatórias para atingir os 23 pontos necessários neste ponto de corte.

Segundo quartil – 18 pontos

As dez partidas seguintes, logo após a Copa América, terão o terrível complicador das partidas de mata-mata. Serão dez extenuantes semanas com jogos “quarta-e-domingo”, sem folga – a não ser em caso de eliminação. A Copa do Brasil vai até o final, e a Libertadores avança até as quartas. O Verdão terá o excepcional reforço de Willlian Bigode para ajudar nessa caminhada. E se é difícil para o Palmeiras, que tem um elenco vasto, é mais difícil ainda para os outros times, que não dispõem de tanta qualidade para revezar os times.

Jogo no panetone é sempre complicado e podemos deixar dois pontos na primeira partida após a pausa. Ceará (F) e Vasco (C) são vitórias obrigatórias antes de mais uma operação em Itaquera, que virá antes da primeira semifinal da Copa do Brasil.

Bahia em casa precisa ser vitória em qualquer hipótese, antes de fazer o jogo da volta das semis da Copa e de viajar a Porto Alegre para pegar o Grêmio, que também pode estar ocupado em duas ou três frentes – qualquer ponto nesta partida é lucro.

Com a cabeça totalmente voltada para as quartas da Libertadores, o Verdão ainda precisa de forças para vencer o Fluminense em casa e arrancar um empate contra o Cheirinho no Maracanã, e conciliar tudo isso com as expectativas pelas finais da Copa do Brasil.

No final do turno, o time alternativo precisa vencer o Goiás num estádio maldito e pelo menos empatar com o Cruzeiro em casa, para chegar aos 41 pontos e se manter forte na briga.

Terceiro quartil – 20 pontos

O segundo turno do Brasileirão terá apenas três partidas de mata-mata para atrapalhar – justo as duas semis e a final da Libertadores; o time principal deve ser mais acionado do que nunca.

Fortaleza (F) e CSA (C), a exemplo do primeiro turno, abrem o quartil e são partidas mandatórias de 3 pontos.

Às vésperas da primeira semi da Libertadores, uma derrota no Beira-Rio pode estar no caminho. Nas quatro partidas seguintes, o Palmeiras precisa fazer 10 pontos: Atlético (C), Santos (F), Botafogo (C) e Chape (C). A lógica indica para três vitórias em casa e empate na Vila Belmiro (ou Pacaembu).

Pelo menos um empate na Arena da Baixada, nos dias que antecedem a volta da semifinal da Libertadores, é necessário. Com a chavinha virada só no Brasileirão, o time poderá focar em sete partidas seguidas, e a primeira é a que fecha o terceiro quartil: uma vitória em casa contra o Avaí, alçando o Verdão a 61 pontos.

Quarto quartil: 21 pontos

Seguindo o foco total no Brasileirão, mais dez pontos em quatro jogos são fundamentais para a arrancada final: SPFC e Ceará em casa, Vasco fora e Derby em casa. A sequência, puxada, vai servir para acumular gordura para os seis jogos finais, recheada de pedreiras.

Pode-se tolerar até um tropeço na Fonte Nova, desde que o Verdão vença o Grêmio no Allianz Parque dias antes da grande final da Libertadores, em Santiago. Se vier a vitória na Bahia, um tropeço contra os gaúchos pode ser absorvido – desde que eles não estejam em nossa cola.

Depois da final da Libertadores – e esperamos muito estar nela – o Verdão, com 75 pontos, poderá administrar os pontos finais, dependendo da situação na tabela. Sete pontos nas quatro partidas finais devem nos alçar aos 82 pontos, em partidas contra Fluminense (F), Flamengo (C), Goiás (C) e Cruzeiro (F).

Esperamos chegar nesta partida em Belo Horizonte já campeões, para não ter que conquistar a taça num dificílimo jogo no Mineirão, em fim de temporada, com todos exaustos. Afinal, temos que pensar também que pode haver ainda um torneio rápido para ser disputado em dezembro.

Referência

Sempre é importante lembrar, para os leitores que não estão habituados a este exercício, que teve início em 2016, que esta marcha de pontos é uma mera referência. O Palmeiras pode perder pontos em jogos onde se espera vitórias, desde que recupere esses pontos em partidas onde tropeços estão previstos.

O importante é fechar os quartis na meta e não ficar para trás. E mesmo assim, caso uma ou outra oscilação aconteça, nada está perdido. Em 2018, a previsão para o primeiro quartil era de 23 pontos, mas terminou com 19, quatro abaixo da meta.

A situação piorou no segundo quartil: o Palmeiras não só não recuperou os pontos que “devia”, como ainda deixou mais dois pelo caminho, num déficit de seis. Essa conta só foi arredondada porque a campanha no terceiro e quarto quartis foi espetacular: foram 47 pontos no segundo turno, o melhor da história. O Verdão descontou os seis e ainda teve 3 de sobra, diante de uma previsão inicial de 38 pontos.

Sabemos que não é toda vez que se consegue uma arrancada tão espetacular como no ano passado, por isso será importante manter a marcha de pontos bem próxima a esta projeção. E o início da maratona, como vimos, precisa ser forte, a começar do jogo contra o Fortaleza, no próximo domingo, no Allianz Parque.

Salve esta página nos seus favoritos e faça o balizamento ao longo do campeonato. Ao final de cada quartil, faremos uma nova análise para verificar o desempenho do Palmeiras nesta busca pelo décimo-primeiro campeonato. VAMOS PALMEIRAS!


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