Brasileirão 2019: fim do segundo quartil

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O Palmeiras, de técnico novo, fechou o segundo quartil do Brasileirão de 2019 em fase de recuperação. Após um primeiro quartil esplendoroso, no qual marcou 25 dos 27 pontos possíveis, o time não lidou bem com a parada para a Copa América e ficou sete jogos sem vencer, o que acabou derrubando Felipão do cargo.

Já nas mãos de Mano Menezes, o time retomou a trajetória de vitórias e enfileirou nove pontos nos três jogos finais.

A vantagem sobre o Flamengo ao fim da rodada 9 era de cinco pontos. Os 14 pontos marcados neste segundo quartil não foram suficientes para manter a vantagem na tabela, diante dos 25 marcados pelo time carioca, que agora tem 3 pontos de frente.

O Verdão terminou o primeiro turno com 39 pontos ganhos – nem nas duas recentes campanhas vitoriosas, em 2016 e 2018, o time terminou com uma pontuação tão alta. Mesmo assim, diante da subida de sarrafo que podemos observar este ano, ficamos dois pontos abaixo de uma campanha considerada segura para chegar ao décimo-primeiro título brasileiro.

Passando a limpo o segundo quartil

O empate planejado no Morumbi na primeira partida após a parada foi alcançado (0). Mas depois da eliminação da Copa do Brasil, o time viajou de Porto Alegre a Fortaleza e fez uma partida infeliz, sendo derrotado pelo Ceará (-3) numa partida em que o plano previa vitória.

Um jogo muito ruim aconteceu na volta ao Allianz Parque, diante do Vasco: 1 a 1 (-2). Mas depois de golear o Godoy Cruz na Libertadores, o time foi a Itaquera e empatou por 1 a 1 (+1) e só não venceu porque o frangueiro resolveu fechar o gol.

Duas infelicidades se seguiram: um empate em casa contra o Bahia (-2), em jogo onde a arbitragem nos garfou vergonhosamente. E um empate por 1 a 1 (+1) dos times reservas na Arena do Grêmio, levando um gol do meio da rua no finalzinho. Mas a eliminação na Libertadores abalou demais o elenco, que tomou um passeio do Flamengo no Maracanã (-1). Felipão foi demitido.

A recuperação teve início com a chegada de Mano Menezes, aproveitando uma tabela favorável: vitória suada sobre o Goiás (0), passeio sobre o Fluminense (0) e vitória sobre o Crueiro (+2). No final do quartil, um saldo negativo de 4 pontos, que somado ao saldo positivo de 2 pontos do primeiro quartil, perfazem um saldo negativo geral de 2 pontos (39, ante uma ambiciosa previsão de 41).

Começa a caça, no terceiro quartil

A três pontos do Flamengo, com um confronto direto em casa na antepenúltima rodada, o Palmeiras ainda pode apenas se preocupar com sua própria campanha, confiando que atingir a pontuação de 82 pontos seja suficiente para conquistar o título. Para isso, temos dois quartis para recuperar esses dois pontos de déficit.

Neste terceiro quartil, estão previstas seis vitórias nas nove partidas: Fortaleza, fora (R20); CSA, em casa (R21); Galo, em casa (R23); Botafogo, em casa (R25); Chape, em casa (R26); e Avaí, fora (R28).

Isso significa que o Verdão tem apenas três chances de recuperação, isso sem vacilar em nenhuma das partidas onde projetamos vitória. E não serão partidas fáceis: Inter no Beira-Rio (R22), Santos no Pacaembu (R24) e Athletico na Baixada (R27).

E depois?

O quarto quartil tem uma previsão de 21 pontos em 10 jogos, mas, mais do que nunca, a previsão será mera referência. Com o Flamengo (e talvez o Santos) disputando a ponta da tabela taco a taco, as rodadas finais, sobretudo as cinco ou seis últimas, já devem ser disputadas sempre monitorando o resultado dos concorrentes e estourando os simuladores da Internet de tanto fazer conta.

A tabela prevê para a rodada 36 uma partida de arrebentar entre Palmeiras e Flamengo, provavelmente no Pacaembu. Pode até decidir o título. Mas dependendo do que acontecer, a rodada final, com o Palmeiras jogando no Mineirão contra o Cruzeiro (talvez remando contra a Série B?) e o confronto entre Santos e Flamengo, é a que pode selar o destino do campeonato.

Para chegar forte, o Verdão precisa, no mínimo, estar margeando esta previsão de pontos. O sarrafo claramente subiu e a tradição histórica de que nunca um vice-campeão marcou mais que 72 pontos certamente cairá este ano.

O Brasileirão de 2019 tende ser um dos mais emocionantes dos últimos tempos, com três times jogando em alto nível e prometendo briga rodada a rodada até o dia 2 de dezembro. VAMOS PALMEIRAS!


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Chega ao fim a história de Luiz Felipe Scolari no Palmeiras

A diretoria do Palmeiras anunciou no final da noite de ontem a demissão de Luiz Felipe Scolari do comando técnico do time. A decisão vem depois de um grave declínio no desempenho da equipe após a parada para a Copa América.

Contando o amistoso contra o Guarani, foram 14 jogos, com apenas 3 vitórias, 6 empates e 5 derrotas. As vitórias vieram na Libertadores e na Copa do Brasil, competições em que o Palmeiras acabou eliminado. No Brasileirão, as sete partidas sem vitória custaram uma liderança folgada, com cinco pontos de margem.

Antes da intertemporada, o time atravessava uma fase brilhante. No primeiro semestre, foram 33 jogos, com 23 vitórias, 8 empates e apenas 2 derrotas.  O time bateu alguns recordes históricos e sustentou uma série invicta de 15 partidas, com 13 vitórias.

Felipão encerra sua terceira passagem com um saldo bastante positivo: foram 46 vitórias, 23 empates e apenas 10 derrotas (incluindo dois empates sob o comando de Paulo Turra). Um aproveitamento de 67,9%. Contando todas as passagens, foram 485 jogos no Palmeiras, o segundo técnico que mais dirigiu o clube. Aos 70 anos, dificilmente esta lenda voltará a comandar o Verdão.

Um Felipão evoluído

Paulo Turra, Felipão e Carlos Pracidelli
Divulgação

O estilo de Felipão nesta terceira passagem foi um tanto distinto do que acostumamos a ver em suas duas passagens anteriores pelo Palmeiras, e mesmo na seleção da CBF. Mais evoluído e atualizado do que nunca, o general trocou as observações de Murtosa, seu parceiro durante décadas, pela dupla Paulo Turra/Carlos Pracidelli, que inseriram metodologias modernas de treinamento e de definições de estratégia.

Com isso, o estilo “sargentão” mostrado principalmente em sua primeira passagem esteve bastante pálido. O aspecto tático nunca esteve tão presente em seu comando, em detrimento ao motivacional. Talvez isso tenha feito falta nos momentos derradeiros.

O que não mudou foi sua disposição em proteger o grupo para manter o comando no vestiário, outra de suas grandes marcas. Felipão sempre fez questão de isentar seus atletas diante dos insucessos, cometendo, com isso, alguns deslizes – o mais problemático foi a infeliz frase após a desclassificação na Copa do Brasil, nos pênaltis, diante do Inter. A expressão “ninguém morreu” tinha a intenção de manter o apoio da torcida aos atletas diante da perspectiva de outros dois campeonatos ainda em disputa, mas acabou ganhando a conotação de debochar da decepção dos torcedores, o que o desgastou bastante.

Outro aspecto que manteve uma marca da carreira de Scolari foi o estilo de jogo apoiado num sistema defensivo intransponível. Ao atrair os adversários para nosso campo de defesa, sempre muito bem protegido, Felipão abria espaços em nosso campo ofensivo, para que velocistas o aproveitassem em contra-ataques rápidos, com poucos e precisos passes, chegando rapidamente às finalizações.

A imprensa, como sempre, sua inimiga

Mesmo com um desempenho espetacular entre julho do ano passado e junho deste ano, quando comandou uma inesquecível arrancada rumo ao décimo Campeonato Brasileiro e esculpiu uma série invicta memorável, o Palmeiras de Felipão atraiu a antipatia da imprensa e, de forma incrível, de parte de nossa própria torcida.

Os resultados magníficos não eram suficientes para calar as críticas, que apontavam sobretudo para a falta de toques na bola. Um sistema defensivo ultra-sólido não era bom. Chegar rápido ao gol adversário não era bom. Exigiam tabelas, passes vistosos.

A cruzada pelo “jogo bonito” nunca foi tão intensa, tendo sempre como antagonista o Palmeiras de Felipão, uma figura que jamais gozou de prestígio com os repórteres. Suas preferências políticas e estilo enérgico jamais foram bem digeridos pela classe.

Assim, a imprensa, que sempre se pautou pelos resultados, do nada passou a defender filosofias de jogo. Tomemos como exemplo o Santos: de forma inédita, os resultados decepcionantes do time de Sampaoli passaram a ser relativizados. Até um massacre de 4 a 0 no Pacaembu.

A força dos meios de comunicação minou a confiança de parte de nossa torcida e, na esteira, de parte de conselheiros do clube. A fase de oscilação, que foi entremeada por jogos em que as arbitragens nos roubaram abertamente, custou duas eliminações e a perda da liderança. Neste momento o resultadismo voltou a falar alto e a pressão sobre a diretoria foi grande. A cabeça do técnico e do Diretor de Futebol foram exigidas. Para sua própria proteção, Mattos decidiu demitir Felipão e assim aliviar a pressão sobre si.

Primeira prateleira

Felipão está, facilmente, na primeira prateleira dos ídolos históricos destes 105 anos de existência da Sociedade Esportiva Palmeiras. Sua saída do clube, provavelmente definitiva, implica em luto.

Tivemos o privilégio de testemunhar, mais uma vez, uma lenda viva entre nós. A trajetória de Luiz Felipe Scolari o faz um dos grandes personagens da História do Futebol. E sua imagem está indelevelmente ligada ao Palmeiras.

Só podemos desejar a Felipão o melhor. Um grande líder, um profissional exemplar, um homem excepcional. OBRIGADO POR TUDO, MESTRE!

Vamos em frente

A vida segue. O Palmeiras está vivo na disputa do Brasileirão e uma virada no comando sempre tem o poder de acelerar o tempo de recuperação.

Mas o Palmeiras, depois de mais uma grande lição aprendida, precisa pensar o que quer para seu futuro. Já não basta construir resultados brilhantes; para nós, é necessário encantar. Felipão estava construindo uma identidade vencedora, sem a menor preocupação com beleza. Objetivo, estava montando uma máquina que fazia mais gols do que tomava na maioria absoluta das partidas. A interrupção deste trabalho é uma chance de caminhar em direção à competitividade aliada à beleza.

É óbvio que queremos de ser campeões com um time jogando futebol esteticamente bonito sem deixar de ser competitivo. É possível. Mas se fosse fácil, todo mundo faria.

O desafio está à nossa frente: encontrar alguém capaz de extrair o máximo das qualidades que nosso elenco, inegavelmente, possui, ganhando títulos e encantando. Alguém com capacidade para comandar um elenco pesadíssimo e de suportar a pressão de ser o técnico de um clube, agora oficialmente, antipático.

O Palmeiras está atrás de um profissional que consiga montar uma identidade de jogo dentro desses conceitos, para ser aplicada por muitos e muitos anos e replicada em nossa base, para que os meninos possam ser integrados ao time de cima preparados da melhor forma.

Quem será o homem capaz de executar esta tarefa?


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Carros alinhados; o safety car entra nos boxes e recomeça a corrida!

Bruno Henrique e Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O palmeirense que gosta de corridas de carro já conhece o cenário: o piloto está em plena forma e o carro está voando. É dada a largada e as previsões se confirmam nas primeiras voltas; o favorito pula na frente e começa a abrir vantagem. Parece inalcançável. Mesmo com menos da metade da prova percorrida, todos parecem já ter certeza de quem será o vencedor.

Mas eis que um acidente qualquer exige a entrada do safety car. Todos os carros são obrigados a reduzir a velocidade e andar em comboio. Muitos aproveitam para trocar os pneus, já que perde-se menos tempo em relação aos adversários.

Algumas posições, devido à estratégia das equipes, acabam sendo trocadas. Os carros, às vezes, reagem de forma diferente a pneus novos e demoram algumas voltas até se ajustarem.

Por fim, com todos os carros novamente embolados, a corrida recomeça. O favorito pode até não estar em primeiro lugar no reinício, mas todo aquele potencial ainda está lá.

Maldita Copa América!

O leitor, claro, já entendeu que isto foi uma alegoria entre o automobilismo e o Brasileirão de 2019. O acidente, claro, foi a Copa América. A tabela ao final da 15ª rodada mostra o Santos na liderança, já atravessando uma oscilação, com Flamengo, Palmeiras, Atlético, e, quem diria, até SPFC e SCCP, no comboio.

O sexto colocado tem hoje 27 pontos, com 60% de aproveitamento. Para efeito de comparação, esta porcentagem levou o Inter ao terceiro posto em 2018, com 69 pontos. Na 15ª rodada do ano passado, o terceiro colocado tinha 26 pontos. O Palmeiras, com 23, era apenas o sétimo colocado.

O campeonato deste ano parece ter uma característica diferente, bem mais parecido com o campeonato inglês em termo de distribuição de pontos, com seis times concentrando os melhores resultados.

Em nossa previsão de pontos feita no início do campeonato, deveríamos ter 33 pontos. Se estivéssemos cumprindo esta meta, seríamos os líderes. Com 30 pontos, estamos a apenas três pontos da marca. E poderíamos estar dentro da margem, caso não tivéssemos perdidos pontos bobos, como contra o Ceará ou contra o Vasco. Ou caso não tivéssemos sido assaltados nos últimos dois jogos, contra Bahia e Grêmio. Ou as duas coisas.

As voltas com safety car

A parada tirou nosso ritmo. Nosso time, de fato, caiu de rendimento, com partidas ruins neste período. Não existe uma razão exclusiva para estas oscilações. Cada um dos dez jogos teve sua história. Olhando a trajetória como um todo, apesar dos resultados, não parece tão feio como pintam:

Inter – na ida da Copa do Brasil, um jogo bastante sólido, em que o placar de 1 a 0 foi pouco. Nosso time podia ter feito mais gols, mas preferiu garantir a vitória magra a se arriscar a fazer mais gols.

SPFC – depois de um primeiro tempo muito fraco, contra um time que aparentemente voltou bem da parada, o Palmeiras tomou conta do segundo tempo e chegou ao empate, fora de casa, com um gol improvável. Mas no geral a partida não foi boa.

Inter – num confronto nervoso, veio a derrota por 1 a 0 e a eliminação da Copa nos pênaltis. O resultado foi normal; a se lamentar apenas a postura no jogo de ida.

Ceará – ainda lidando com a eliminação na Copa do Brasil, e com um jogo de Libertadores pela frente, o time ainda assim dominou as ações, mas acabou sendo surpreendido em dois gols fortuitos, em jogo que teve atuação decisiva da arbitragem.

Godoy Cruz – literalmente dentro de uma grande turbulência, após sair de um 0-2, o time reagiu e chegou a um importante empate.

Vasco – o pior jogo da sequência, onde o time saiu atrás, empatou, e teve cerca de 80 minutos para chegar à virada, mas não conseguiu, diante de um adversário claramente mais fraco. Os jogadores repetiram os erros técnicos vistos com frequência desde a parada. A eliminação na Copa e o susto na Libertadores claramente pesaram.

Godoy Cruz – depois de um primeiro tempo fraco, o time deslanchou na segunda etapa e emplacou uma bela goleada, avançando na competição.

SCCP – no Derby em Itaquera, os times empataram com jogadas de bola aérea. O Palmeiras, no entanto, foi amplamente superior e o melhor jogador em campo, disparado, foi o goleiro deles.

Bahia – na estreia de Luiz Adriano, o time jogou muito bem, teve o plano de jogo prejudicado por uma expulsão ainda no primeiro tempo; mesmo assim reagiu bem e só perdeu pontos porque a arbitragem foi criminosa.

Grêmio – mais uma vez fora de casa, o Palmeiras jogou bem melhor, já de volta ao ótimo ritmo do primeiro semestre, mas acabou sofrendo o empate no final graças a um gol improvável. Vento que venta lá, venta cá. O que não mudou de lado foi a arbitragem, que mais uma vez nos garfou.

Como se pode ver, a oscilação já passou. Nos últimos quatro jogos, os erros técnicos vistos até o jogo contra o Vasco aparentemente se dissiparam; o futebol apresentado foi bem aceitável e as vitórias no Brasileirão não vieram por circunstâncias.

O que dá para melhorar?

Paulo Turra e Felipão

A eliminação na Copa do Brasil repetiu o filme da Libertadores do ano passado; a confiança no sistema defensivo minou a disposição em buscar gols que poderiam fazer a diferença para o confronto da volta. Vamos repetir esta fórmula na Libertadores? O Scolarismo bruto, o mesmo que nos fez saborear 15 jogos de invencibilidade antes da parada, diante dos resultados atuais volta a ser questionado.

Será que não é o momento de repensar o plano de jogo nos jogos de mata-mata? A vantagem de um gol, a mesma que caiu por terra ontem aos 42 do segundo tempo num gol “à la Jumar”, não deve ser encarada de forma diferente daqui para a frente? Será que nosso sistema defensivo, apesar de excelente, não está recebendo confiança excessiva? Benedetto, Patrick e David Braz acham que assim está ótimo.

VAR
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Já as arbitragens, essas continuam nos garfando de forma épica. A introdução do VAR no Brasileirão, uma esperança de ventos melhores no futebol nacional, vem se mostrando algo inútil. A ferramenta, que claramente é um avanço no esporte, aqui é usada de forma confusa, insegura e sem transparência. A forma como as consultas são (ou não são) feitas ao sistema de vídeo fazem que as suspeitas de desonestidade na arbitragem se tornem maiores do que eram antes. O VAR é excelente, desde que bem aplicado.

Mais uma vez, mostramos fraqueza nos bastidores. O roubo de ontem, dias depois de nosso presidente ter comparecido à sede da CBF exatamente para reclamar das arbitragens, leva a torcida ao desânimo completo. Pior: os próprios jogadores podem acabar absorvendo esse desânimo. Afinal, de que adianta se matarem a cada jogo, para acabarem roubados por bandidos de preto?

Próximas voltas

Luiz Adriano
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Felipão tem na chegada de Luiz Adriano um ótimo gancho para repensar as estratégias de jogo. O atacante tem potencial para mudar o estilo de jogo do time, sua maior capacidade de movimentação e de passes possibilitam que nosso time tenha mais poder de reter a posse de bola no campo de ataque.

Nos bastidores, só nos resta torcer para que a diretoria, a despeito da primeira “resposta” que tivemos no primeiro jogo após a visita à sede da CBF, tenha feito o necessário para resguardar nossos interesses.

Os carros estão alinhados novamente. Apenas 40% da corrida foi disputada. O melhor carro, com o melhor piloto, está no bolo. Há adversários à altura. A disputa está aberta. VAMOS PALMEIRAS!!!


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Que diabos aconteceu com o Palmeiras na parada para a Copa América?

Palmeiras 4x0 Santos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Antes da parada para a Copa América o Palmeiras era líder absoluto. O Verdão ostentava os melhores números em tudo, trazia um recorde de invencibilidade e era tido como “invencível” pela ala sensacionalista da imprensa – teve até um que falou em marcar o churrasco do título. A torcida não comprou essa pecha; mas mesmo assim o Palmeiras caiu de rendimento nos jogos que vieram após a pausa.

Caiu, e não foi pouco. A defesa tinha tomado apenas 9 gols em 33 jogos. Contando o amistoso contra o Guarani, aconteceram sete jogos após a pausa e a defesa tomou, igualmente, 9 gols.

O ataque havia feito 53 gols nos primeiros 33 jogos do ano, perfazendo uma média de 1,61 gols por duelo; nos últimos sete jogos, foram apenas seis gols marcados, resultando na ridícula média de 0,86 gols por partida.

Esses números não são a causa, e sim a consequência. É preciso tentar entender o que está acontecendo com o time para atacar as reais causas dessa brusca queda de desempenho que está afetando os números, já custou uma classificação na Copa do Brasil e a liderança do Brasileirão.

Faltam informações

Felipão
Everton Pereira/Ofotografico/Lancepress!

É automático: quando o time começa a ratear, surgem as teorias das conspirações. Isso é consequência da falta de informações, já que os setoristas não podem acompanhar os treinamentos táticos – somente lhes são permitidos dez minutos por treino para acompanhar a movimentação dos jogadores, normalmente na fase de aquecimento.

As coletivas dos atletas, controladas pela assessoria de imprensa, são curtas e superficiais. As entrevistas de Felipão após os jogos não dizem nada, já que proteger o elenco, na lista de prioridades de nosso treinador, está bem acima de passar informações para a imprensa. É por isso que muitas vezes surgem as frases de efeito, como a infeliz “ninguém morreu”.

Roger Machado tinha uma postura semelhante, e uma das razões de sua queda foi a pressão causada por suas coletivas, nas quais por vezes transparecia indiferença ao desempenho abaixo do esperado, quando na verdade estava tentando minimizar os danos. A maior parte de nossa torcida não suporta ver alguém calmo após uma atuação ruim. Quer sangue, quer culpados, quer pendurar alguém num poste.

Daí surgem as tais teorias conspiratórias ou os judas de ocasião. Um lance mal calculado pode deixar a impressão de chinelagem; estar na hora errada no local errado pode custar uma perseguição injusta. E mesmo quando o atleta está de fato rendendo abaixo do esperado, as reações são, normalmente, desproporcionais.

O Palmeiras está correto em se proteger, não é preciso abrir detalhes táticos para a imprensa e dar de bandeja informações preciosas aos adversários, não se queima atletas que estão de fato cometendo erros apontando dedos para eles, mas uma comunicação mais efetiva, levando em conta as características emocionais de nossa torcida, precisa ser melhor desenvolvida, para conter danos causados por fogo amigo.

O que mudou, afinal?

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A despeito da falta de informações, vamos aos fatos. O clube perdeu cinco jogadores que estavam no elenco do primeiro semestre: Ricardo Goulart, Moisés, Felipe Pires, Guerra e Juninho. Apenas os dois primeiros parecem ser relevantes, já que o ponteiro que foi reemprestado ao Fortaleza não fincou pé no time e os dois últimos sequer entraram em campo em 2019. Moisés foi substituído por Ramires, que ainda está em processo de adaptação.

A passagem de Goulart foi rápida, mas bagunçou o projeto tático de Felipão. Sua entrada no time foi, no princípio, avassaladora, com gols e assistências. Bruno Henrique teve que conter seus apoios, tão comuns em 2018, por conta das características do camisa 11, incluindo seu estado físico. O Palmeiras modificava o esquema em relação ao time vencedor do ano passado, mas parecia que a mudança era para melhor. A queda física de Goulart, no entanto, interrompeu esse processo até que os chineses pediram sua reintegração.

A saída de Ricardo Goulart obrigou Felipão a resetar o esquema e Bruno Henrique voltou a ser o mesmo do ano passado, subindo mais ao ataque e voltando a fazer gols. O Palmeiras viveu a melhor fase no ano, os últimos 14 jogos (entre 10 de abril e 13 de junho), com 13 vitórias e um empate, com essa configuração. O time lembrou de como jogava em 2018 e tudo fluiu muito bem.

A defesa estava absurdamente bem protegida, a coordenação entre volantes e laterais para fazer a recomposição funcionava como um relógio suíço. Mas após a parada, buracos enormes passaram a aparecer na frente de nossa zaga. Os jogadores, com exceção de Moisés, são os mesmos. O que mudou?

Erros incomuns levam à especulação

Outro problema gritante que vemos em nosso time nos últimos jogos são as falhas na execução. Os atletas estão errando passes e finalizações de forma grosseira. Erros técnicos estão afetando os resultados.  

O que está causando tais erros? Os jogadores perderam o foco? O físico está deixando a desejar? Falta confiança? Ou entraram no oba-oba da imprensa e de parte da torcida? Ou o grupo está rachado e Felipão perdeu o vestiário?

Sem o trabalho da imprensa para relatar o dia-a-dia dos atletas na Academia de Futebol, tudo o que resta à torcida é especular – inclusive as maiores besteiras possíveis.

O que é visível e dá pra trabalhar

Gustavo Scarpa
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A despeito de todas essas possibilidades, a construção de nossas jogadas de ataque precisa de ajustes, que envolvem todo o sistema de recomposição defensiva. Lucas Lima reconquistou a confiança de Felipão, mas não aproveitou a sequência como armador central. Gustavo Scarpa e Raphael Veiga, quando entram, não vêm fazendo muito melhor que o camisa 20 jogando por dentro. O time muda demais seu armador central e não define a identidade do ataque.

O trio de meias precisa de mais apoio, que tanto pode ser feito pelo segundo volante – Bruno Henrique – quanto por um dos laterais. E a cada vez que um deles sobe ao ataque, a cobertura precisa ser feita de forma coordenada. Isso precisa ser reativado. O preenchimento dos espaços, seja na preparação dos ataques, seja na recomposição defensiva, precisa melhorar. Os buracos têm que sumir.

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O centroavante é peça fundamental nisso tudo. Deyverson teve uma fase iluminada e o time funcionou bem entre abril e junho, mas foi só o camisa 16 voltar ao normal e parece que tudo desandou, já que seus pés passaram a ser cemitério de jogadas. Arthur Cabral e Borja voltaram a receber chances e são esperanças de dias melhores, assim como o Ceifador, nove-nove clássico que chegou agora e que ainda precisa de adaptação tática ao sistema de Felipão.

O desempenho nestes cinco jogos preocupa. A eliminação na Copa foi um golpe duro. A perda da liderança dá uma sensação ruim.

O time precisa reagir e tem um cenário perfeito para isso nos próximos dias: um mata-mata bem encaminhado pela Libertadores e um Derby fora de casa, que ganha ares épicos. Se conseguir bons resultados, a calmaria estará de volta e o índice de lances errados tende a voltar a níveis aceitáveis. Mas isso passa por um trabalho muito delicado de Felipão e da comissão técnica com o elenco, seja para acertar problemas de foco, de confiança, físico ou tático. Esquecer como joga bola, eles não esqueceram.

Nossa parte, podemos fazer: incentivar mais durante os jogos, cantar e vibrar empurrando o Palmeiras pra cima do Godoy Cruz, e dar tranquilidade e confiança para nossos jogadores, seja nas redes sociais, seja nos deslocamentos, nos hotéis e aeroportos. VAMOS PALMEIRAS!


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A temporada está de volta e Felipão tem escolhas a fazer

Dudu e Moisés
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A temporada doméstica do futebol está de volta e com ela vem o calendário extenuante a que os clubes brasileiros, principalmente os que tem competência suficiente para sobreviver nas competições, são submetidos. O Palmeiras, ao lado de Flamengo, Cruzeiro, Grêmio, Inter e Athletico-PR, permanece disputando três frentes: Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. O Atlético-MG também segue em três disputas: além do Brasileirão, briga também pela Copa do Brasil e pela Sul-Americana.

Já se pode dizer, diante do mau início, que Cruzeiro, Athletico e Grêmio estão fora da briga pelo Campeonato Brasileiro e deverão focar na disputa dos mata-matas. Logo, apenas Palmeiras, Flamengo, Inter e Galo são os clubes que precisam realmente estudar bem seus elencos e calendários para distribuir as forças de forma a se manterem competitivos e ao mesmo tempo administrarem o físico de seus atletas.

O Flamengo finalmente reforçou a lateral direita com Rafinha, mas segue com uma visível inconsistência no setor defensivo do elenco. O Inter, nosso adversário desta quarta pela Copa do Brasil, tem um time titular muito bom, mas ainda tem problemas quando lida com lesões – as perdas simultâneas dos dois laterais (Zeca lesionou-se e Iago foi negociado) tende a prejudicar o plano de jogo de Odair Hellmann para os próximos jogos. Já o Atlético e o Bahia ainda lutam para cobrir os furos de seus times titulares.

De todos, com um elenco minuciosamente planejado, o Palmeiras é o clube mais preparado para a maratona. Podemos armar um time B e até um time C que não fariam feio no Brasileirão. Cabe ao General Scolari e à Comissão Técnica planificarem as batalhas e escalarem os soldados mais adequados a cada batalha.

Largada!

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante da parada de quatro semanas, é possível exigir um pouco mais dos titulares no início. Se repetir a estratégia vencedora do ano passado, Felipão tende a escalar o que tem de melhor nos mata-matas e administrar o elenco aos finais de semana, no Brasileirão.

Para a partida contra o Inter, em casa, é importante abrir vantagem, a mais larga possível. Força máxima, no papel e em campo, sem administrar uma eventual vantagem no placar. Visando o jogo de volta, quanto maior a diferença de gols, melhor, a fim de poder controlar as possibilidades de lesão.

Já no clássico diante do SPFC, sábado, no Morumbi, a escalação vai depender de alguns fatores. Em 2018, a defesa era sempre trocada e devemos ir de Prass; Mayke (se estiver com o desconforto no púbis sob controle), Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis. Do meio para a frente, vai depender do placar do jogo de amanhã e principalmente dos testes realizados pela fisiologia.

Dudu, além de ser um dos atletas mais resistentes do elenco, é fominha, no melhor dos sentidos, e deve permanecer entre os titulares – o que é ótimo não apenas tecnicamente, mas para preservar a identidade do time. Felipe Melo é outro atleta a quem Felipão costuma recorrer sempre que a fisiologia dá o sinal verde. No mais, podemos ter as entradas de Veiga, Scarpa, Moisés e Borja, por exemplo. Ou de Hyoran; ou de Willian, recuperado. Ou Felipão pode manter todos os titulares, caso o resultado contra o Inter seja muito bom.

Camarões à disposição

Felipão e Paulo Turra
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Em 2012, Felipão reclamava do cardápio, dizendo que estava comendo arroz com feijão todos os dias e que de vez em quando queria ter uns camarões, em referência à baixíssima qualidade do elenco.

Hoje nosso comandante pode variar à vontade. O elenco é farto e tem jogadores com ótima condição técnica, com todas as características diferentes possíveis para que o plano de cada jogo seja executado utilizando as melhores ferramentas.

Além disso, os atletas dispõem de uma estrutura impecável à disposição para mantê-los nas melhores condições físicas.

As próximas dez semanas serão intensas física e emocionalmente. O Palmeiras está pronto, preparado para encarar. Temos três troféus para buscar e queremos todos. Essa busca passa pela capacidade de nosso comandante em fazer as melhores escolhas. VAMOS PALMEIRAS!


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