A temporada está de volta e Felipão tem escolhas a fazer

Dudu e Moisés
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A temporada doméstica do futebol está de volta e com ela vem o calendário extenuante a que os clubes brasileiros, principalmente os que tem competência suficiente para sobreviver nas competições, são submetidos. O Palmeiras, ao lado de Flamengo, Cruzeiro, Grêmio, Inter e Athletico-PR, permanece disputando três frentes: Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. O Atlético-MG também segue em três disputas: além do Brasileirão, briga também pela Copa do Brasil e pela Sul-Americana.

Já se pode dizer, diante do mau início, que Cruzeiro, Athletico e Grêmio estão fora da briga pelo Campeonato Brasileiro e deverão focar na disputa dos mata-matas. Logo, apenas Palmeiras, Flamengo, Inter e Galo são os clubes que precisam realmente estudar bem seus elencos e calendários para distribuir as forças de forma a se manterem competitivos e ao mesmo tempo administrarem o físico de seus atletas.

O Flamengo finalmente reforçou a lateral direita com Rafinha, mas segue com uma visível inconsistência no setor defensivo do elenco. O Inter, nosso adversário desta quarta pela Copa do Brasil, tem um time titular muito bom, mas ainda tem problemas quando lida com lesões – as perdas simultâneas dos dois laterais (Zeca lesionou-se e Iago foi negociado) tende a prejudicar o plano de jogo de Odair Hellmann para os próximos jogos. Já o Atlético e o Bahia ainda lutam para cobrir os furos de seus times titulares.

De todos, com um elenco minuciosamente planejado, o Palmeiras é o clube mais preparado para a maratona. Podemos armar um time B e até um time C que não fariam feio no Brasileirão. Cabe ao General Scolari e à Comissão Técnica planificarem as batalhas e escalarem os soldados mais adequados a cada batalha.

Largada!

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante da parada de quatro semanas, é possível exigir um pouco mais dos titulares no início. Se repetir a estratégia vencedora do ano passado, Felipão tende a escalar o que tem de melhor nos mata-matas e administrar o elenco aos finais de semana, no Brasileirão.

Para a partida contra o Inter, em casa, é importante abrir vantagem, a mais larga possível. Força máxima, no papel e em campo, sem administrar uma eventual vantagem no placar. Visando o jogo de volta, quanto maior a diferença de gols, melhor, a fim de poder controlar as possibilidades de lesão.

Já no clássico diante do SPFC, sábado, no Morumbi, a escalação vai depender de alguns fatores. Em 2018, a defesa era sempre trocada e devemos ir de Prass; Mayke (se estiver com o desconforto no púbis sob controle), Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis. Do meio para a frente, vai depender do placar do jogo de amanhã e principalmente dos testes realizados pela fisiologia.

Dudu, além de ser um dos atletas mais resistentes do elenco, é fominha, no melhor dos sentidos, e deve permanecer entre os titulares – o que é ótimo não apenas tecnicamente, mas para preservar a identidade do time. Felipe Melo é outro atleta a quem Felipão costuma recorrer sempre que a fisiologia dá o sinal verde. No mais, podemos ter as entradas de Veiga, Scarpa, Moisés e Borja, por exemplo. Ou de Hyoran; ou de Willian, recuperado. Ou Felipão pode manter todos os titulares, caso o resultado contra o Inter seja muito bom.

Camarões à disposição

Felipão e Paulo Turra
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Em 2012, Felipão reclamava do cardápio, dizendo que estava comendo arroz com feijão todos os dias e que de vez em quando queria ter uns camarões, em referência à baixíssima qualidade do elenco.

Hoje nosso comandante pode variar à vontade. O elenco é farto e tem jogadores com ótima condição técnica, com todas as características diferentes possíveis para que o plano de cada jogo seja executado utilizando as melhores ferramentas.

Além disso, os atletas dispõem de uma estrutura impecável à disposição para mantê-los nas melhores condições físicas.

As próximas dez semanas serão intensas física e emocionalmente. O Palmeiras está pronto, preparado para encarar. Temos três troféus para buscar e queremos todos. Essa busca passa pela capacidade de nosso comandante em fazer as melhores escolhas. VAMOS PALMEIRAS!


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Brasileirão 2019: fim do primeiro quartil

Calculadora

Com a negativa do STJD ao pedido do Botafogo para impugnar a partida realizada contra o Palmeiras em Brasília, finalmente podemos considerar terminado o primeiro quartil do Brasileirão 2019. Após nove rodadas, o Palmeiras lidera o campeonato com 25 pontos, cinco a mais que o Santos, e oito a mais que o Flamengo.

A campanha do Palmeiras em nove rodadas é a melhor desde 2006, quando o campeonato passou a ser disputado por 20 clubes no modelo de pontos corridos.

A projeção inicial, feita antes do início da disputa, apontava o resultado do primeiro quartil para 23 pontos, levando-se em conta a dificuldade dos jogos, e imaginando que este ano, ao contrário de toda a série histórica, algum clube pode alcançar o vice-campeonato com mais que 72 pontos, marca até agora jamais superada pelo segundo colocado. Por isso, a marca de segurança projetada no exercício foi de 82 pontos.

A estupenda campanha do Verdão nestes nove jogos deu uma pontuação até superior ao esperado, proporcionando ao grupo uma pequena margem para um tropeço inesperado.

Passando a limpo o primeiro quartil

Foram oito vitórias e apenas um empate, contra o CSA, quando utilizou um time bastante alternativo em relação àquele que é considerado a força máxima do elenco.

Nas outras oito partidas, o Palmeiras passou o trator, vencendo todos os adversários, inclusive as duas partidas consideradas mais difíceis: Galo, no Mineirão, e o clássico contra o Santos, no Pacaembu.

Nessas oito vitórias, foram 17 gols marcados e apenas um sofrido, marcado pela Chapecoense, de pênalti.

As duas vitórias em jogos onde se esperava empate deram saldo positivo de quatro pontos na projeção. Descontando-se dois pontos do tropeço em Maceió, e batemos a conta dos 25 pontos conquistados, diante dos 23 esperados.

Segundo quartil – 18 pontos

Este período será disputado apenas aos finais de semana, já que a Copa do Brasil e a Libertadores começam a pegar fogo.

Haja elenco! Serão dez semanas intensas, de 10 de julho a 15 de setembro, virando a chavinha duas vezes por semana – isso caso o Palmeiras siga avançando nas competições, claro.

Os adversários devem voltar reforçados da intertemporada e com os times mais acertados em relação ao verificado no primeiro semestre. E a tabela aponta jogos bastante difíceis neste trecho da tabela.

Diante de tamanha dificuldade, é de se esperar um quartil com uma pontuação bem mais modesta. Mesmo assim, com os 18 pontos previstos na projeção inicial, fecharíamos o turno com ótimos 43 pontos.

Terceiro quartil – 20 pontos

Se chegarmos às semifinais da Libertadores, essas duas partidas serão as únicas interrupções na campanha do Brasileirão no terceiro quartil. Entre 22 de setembro e 27 de outubro, serão nove rodadas em que o foco permanece quase todo na busca pelo 11° título brasileiro.

Será uma campanha espelhada em relação ao primeiro quartil – em que nos saímos muito bem. Assim, uma campanha de 20 pontos é possível de ser alcançada, prevendo tropeços no Beira-Rio e na Arena da Baixada nas vésperas dos jogos pela Libertadores. No total, 63 pontos e mais dez jogos pela frente.

Quarto quartil – 21 pontos

O quarto quartil, mais do que todos, é apenas uma referência de tabela, já que trata-se da reta final do campeonato. Os resultados poderão ser apenas administrados, ou deverão ser atingidos a todo custo – depende de como os principais concorrentes pelo título forem se saindo jogo a jogo.

As partidas serão concentradas apenas no Brasileirão, entre 30 de outubro e 8 de dezembro, com apenas duas datas de folga, reservadas para a FIFA. Caso algum clube brasileiro se classifique para a final da Libertadores ou da Sul-Americana, provavelmente a CBF usará essas datas para antecipar os jogos dos times envolvidos.

Pela projeção inicial, 21 pontos, diante desta tabela, pode ser considerado um ótimo resultado nos dez jogos finais. Chegaríamos a 84, recorde histórico – e provavelmente campeões.

Conclusão

É sempre importante lembrar que esta projeção é um mero exercício para referência, tendo por base as séries históricas, ponderado subjetivamente pelo panorama atual do futebol brasileiro. Se até agora nenhum time que chegou em segundo lugar ultrapassou os 72 pontos, a projeção simples para o Santos, que chegou a 20 pontos em 9 rodadas, é de chegar na rodada 36 com 80 pontos, podendo chegar a 86 no fim do campeonato.

Pelo mesmo raciocínio, a pontuação do Palmeiras na rodada 36 seria de absurdos 100 pontos. É claro que matematicamente é possível, mas sabemos pela vivência no futebol que isso não acontecerá. Por isso ressaltamos: é apenas um exercício de referência.

Mesmo assim, a vantagem construída pelo Verdão no primeiro quartil é muito boa e nos dá alguma margem para erro. Mas sabemos que quanto mais pontos acumularmos, melhor será para administrar a reta final, quando teremos, se tudo der certo, um jogo importantíssimo em Santiago. VAMOS PALMEIRAS!


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Defesa do Palmeiras iguala recorde e faz História

Weverton
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Elogiar o atual sistema defensivo do Palmeiras, hoje, é fácil. Difícil foi chegar a este ponto, equilibrando uma defesa que ninguém passa com um ataque que resolve os jogos.

Todos os méritos desse nível de jogo são dos jogadores e da comissão técnica, que resistiram às pressões da imprensa e da própria torcida para implementar no Verdão uma identidade de jogo que o torna o time mais “chato” de se enfrentar no futebol brasileiro.

Com a vitória de ontem sobre o Sampaio Corrêa, o time de Felipão igualou um recorde histórico: é a maior sequência de vitórias sem tomar gols em todos os 104 anos de História do Palmeiras.

Em 1992, Otacílio Gonçalves conseguiu a mesma marca, ao comandar um time que venceu  consecutivamente Noroeste, Bragantino, SPFC, Atlético-PR, SCCP, Guarani e Mogi Mirim, marcando 11 gols. A atual sequência do Palmeiras, que ainda pode aumentar, tem 12 gols marcados.

Números

Waldemar Carabina

Outros técnicos conseguiram boas sequências sem tomar gols. O recorde é de Waldemar Carabina, que ficou 12 jogos (8V 4E) sem levar gols no Paulistão de 1987 – a sequência foi quebrada num empate por 1 a 1 contra o Santo André – e o gol do Ramalhão foi justamente de Luiz Pereira.

O Palmeiras ficou 9 jogos “clean sheet” por 3 vezes na História:
– em 1969 com Filpo Nuñez (5V 4E) – quatro desses jogos foram no Torneio Início, comandado por Julinho Botelho;
– em 1973 com Oswaldo Brandão (6V 3E);
– em 2018, logo após a saída de Roger Machado, com Wesley Carvalho, Paulo Turra e Felipão (6V 3E).

Em 1965, Filpo Nuñez conseguiu manter a defesa invicta por 8 jogos (5V 3E).

Oswaldo Brandão

Por cinco vezes, o Verdão ficou 7 jogos sem tomar gol:
– 1971 – Oswaldo Brandão (4V 3E)
– 1978 – Jorge Vieira (4V 3E)
– 1989 – Leão (4V 3E)
– 1992 – Otacílio Chapinha (7V)
– 2019 – Luiz Felipe Scolari (7V)

Fazendo História

Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Até hoje, quem viveu o Palmeiras no ano de 1987 se lembra da sequência impressionante do limitado time de Waldemar Carabina – os méritos recaem muito sobre o goleiro Zetti, que vivia uma fase espetacular. Os números daquele time entraram para o imaginário eterno da torcida, mesmo fracassando na busca por títulos.

O que esta equipe de Felipão está fazendo pode superar tudo: além de se manter no caminho para bater o recorde de 1987, pode conquistar troféus até o fim do ano, o que coroaria a trajetória extremamente promissora do time atual e escreveria o nome destes atletas no livro eterno da memória palmeirense.

Os próximos jogos do Palmeiras são contra a Chapecoense (F), Athletico-PR (C) e Avaí (C). Felipão sinalizou em coletiva que “um ou dois” amistosos poderão ser marcados na intertemporada, o que totalizariam os 12 jogos. Dá pra alcançar a marca.

Para bater o recorde e chegar a 13, seria necessário manter a defesa zerada no primeiro jogo das quartas-de-final da Copa do Brasil, já após a parada.

Mas isso pode mudar se o STJD resolver remarcar o jogo contra o Botafogo, diante da suposta irregularidade cometida pelo árbitro para consultar o VAR no jogo disputado em Brasília. Até isso o choro do pequeno clube carioca pode estragar.


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“O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Sampaio Corrêa 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras venceu o Sampaio Corrêa ontem à noite em São Luís, jogando com um time bem diferente daquele que vinha encantando nossa torcida. Apenas Felipe Melo saiu jogando no Castelão, e o time ficou muito abaixo do que os principais jogadores vinham apresentando.

A fraca atuação, apesar da vitória – achada no último lance num frango do goleiro – despertou a incontrolável vontade de cornetar de vários palmeirenses, forçadamente adormecida com as atuações quase perfeitas pelo Brasileirão. Às vezes parece até que gostaram da atuação fraca, para liberar essa energia corneteira represada. “O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Assim como a sanha corneteira de parte da torcida não é novidade, tampouco é surpresa a sede de sangue de parte da imprensa. Mas mesmo não sendo inéditas, impressiona a força que mostram ao ressurgir.

Alguns jogadores foram para a cruz, como é de praxe. E alguns mitos passaram a ser exaustivamente repetidos, correndo o risco de virarem verdades.

Querem dizer que nosso elenco ‘não é tão bom assim’?

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Muitas vezes a pressa em falar algo é o que causa certos exageros. A impressão, inegavelmente ruim, deixada pelo time que entrou em campo ontem precipitou algumas opiniões – e pior, algumas conclusões, rapidamente despejadas pela rede.

A mais grosseira delas é a de que o elenco do Palmeiras “não é tão bom assim”. Afinal, se o time fosse bom, não penaria para ganhar de um fraco time de Série C, como o Sampaio Corrêa, dizem. Como podem ser tão rasos?

O Palmeiras hoje tem o time mais forte do país, à custa de muito treinamento e entrosamento. O desentrosado onze que jogou ontem, a rigor, não pode nem ser considerado o time B, já que jogadores como Carlos Eduardo, Felipe Pires, Lucas Lima e Arthur Cabral sequer vinham entrando durante os jogos.

Felipe Melo e Moisés não é exatamente uma dupla veloz e com mobilidade – talvez isso explique um pouco os incomuns ataques do time do Sampaio. Mas com Thiago Santos alinhando ao lado de Moisés, esse problema se dissipa. E isso não quer dizer que Moisés é um jabuti que se arrasta pela meia cancha – outro mito que tentam fazer virar verdade. Basta rever o lance do quarto gol sobre o Santos para verificar a capacidade física de nosso camisa 10, que pode até não estar jogando o mesmo que em 2016, mas está longe de ser um inválido, como querem fazer crer.

Questiona-se a qualidade de Edu Dracena e Antônio Carlos – que formariam a dupla de zaga titular, facilmente, de pelo menos 15 times da Série A. O problema desta dupla é que o parâmetro atual é Luan e Gómez, praticamente intransponíveis. Não é fácil encontrar outra dupla deste quilate. Dracena e Antônio Carlos formam uma dupla forte; bem protegida, cumpre muito bem seu papel em jogos de menor apelo.

Os laterais estão longe de ser uma preocupação. Victor Luis e Mayke, que hoje estão abaixo de Diogo Barbosa e Marcos Rocha, já estiveram acima, depois de estarem abaixo. Essa ciranda entre eles vem sempre sendo nivelada por cima. Quem ainda tem dúvidas, basta fazer um exercício de comparação com qualquer dupla de laterais titulares de outros times.

E Fernando Prass, apesar da noite infeliz no Castelão, não deixou de ser um dos principais goleiros do país. E se precisar, ainda temos apenas o Jailson!

Fernando Prass (Jailson); Mayke, Edu Dracena, Antônio Carlos e Victor Luis; Thiago Santos e Moisés: esta base é suficiente para que uma linha ofensiva bem entrosada faça um bom papel nas partidas que for exigida. Entre Veiga, Goulart, Zé Raphael, Gustavo Scarpa, Willian e Hyoran, separe dois para jogarem com Dudu no time principal e ainda haverá três para o time alternativo. Entrose-os. Encaixe um centroavante. Não é forte?

A grama do vizinho

Felipe Pires e Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A boa fase de Erik no Botafogo traz à tona aquele ditado da grama do vizinho. Até os jogos regulares de Artur no Bahia estão arrancando suspiros. Isso porque Felipe Pires e Carlos Eduardo não correspondem.

Hoje fica fácil de cravar que as escolhas foram erradas. Mas poucos se lembram que tanto Artur quanto Erik tiveram chance de passar boa impressão a Felipão em janeiro, na pré-temporada, e por alguma razão não conseguiram.

Fica mais fácil ainda bancar o engenheiro de obra pronta sabendo que nenhum dos dois poderá vestir nossa camisa este ano. Assim, não poderão decepcionar de novo, como o fizeram em todas as chances que já tiveram.

O ponto é que tanto Artur quanto Erik até poderiam estar rendendo bastante neste atual elenco, servindo como opções para os jogos alternativos. Mas não deveriam suscitar críticas tão amargas, sobretudo pelo momento que o time vive. Talvez o volume de dinheiro empregado em Carlos Eduardo, desde o anúncio da transação nitidamente desproporcional, influencie nessa insatisfação. Mas mesmo assim é um exagero. Já foi.

Lucas Lima e Borja, desmotivados

Já Lucas Lima realmente preocupa. Existem algumas razões táticas para seu baixo rendimento. Suas fases excelentes no Sport e principalmente no Santos nos levaram a criar altas expectativas. E ele até teve fases interessantes no Palmeiras, sobretudo sob o comando de Roger Machado. Mas seu estilo não casa com o esquema de Felipão.

Assim como Lucas Lima, Borja parece estar atravessando uma fase de extrema desmotivação. E isso é normal num elenco com tanta qualidade: quem acaba preterido e sabe do potencial que tem já começa a se imaginar em outro clube, onde teria mais destaque. E esses dois, pela qualidade que possuem, certamente terão.

Talvez seja a deixa para Mattos começar a pensar em soluções para encaixá-los no mercado da melhor forma possível.

A lacuna que Borja deixaria no elenco precisa ser preenchida com um atleta de qualidade inquestionável. Já a de Lucas Lima comporta até um bom valor da base – Alan, por exemplo. Seria bom para Lucas Lima, para o menino da base e para a saúde financeira do clube, que verificaria uma substancial redução na folha de pagamento.

Estamos nos aproximando da janela de meio do ano e ajustes podem ser feitos. É para isso que essas janelas existem. E é para isso que mantemos o melhor profissional da área comandando nosso departamento de futebol.


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O Palmeiras é favorito, sim, mas com responsabilidade

Zé Rafael
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As vitórias contra Atlético e Santos, nas rodadas 4 e 5 do Brasileirão, alçaram o Palmeiras a favorito destacado para mais um título. Uma série de fatores, entre números e observações, inegavelmente reforçam este prognóstico.

O Palmeiras lidera a classificação de forma isolada, com 13 pontos em 15 possíveis. Nesta trajetória, o Verdão já enfrentou três dos quatro perseguidores mais próximos na tabela. Os pontos perdidos foram num jogo plenamente ganhável, contra o CSA, onde o time escolhido por Felipão foi bastante alternativo e, mesmo saindo na frente, deixou a vitória escapar numa jogada de bola parada.

Ainda nesta largada, o Palmeiras já marcou 12 gols e sofreu apenas um, o que sugere um time bastante equilibrado, que consegue ser muito efetivo no ataque sem abrir mão de um sistema defensivo consistente. Os números traduzem a impressão passada na observação das partidas: sólido na defesa, o Palmeiras sai rápido para o ataque de forma muito organizada e mata os adversários com a rapidez e a precisão de um espadachim.

O que vemos nos adversários, neste momento, são times que têm problemas para marcar gols quando encaixam uma boa defesa, ou que se escancaram na retaguarda para conseguir um bom volume de gols. Todos ainda buscam chegar ao equilíbrio que o Palmeiras já alcançou. Nossa enorme eficiência tanto na defesa, quanto no ataque, inevitavelmente, faz o torcedor sonhar alto. Mas é preciso ter calma.

Calendário traiçoeiro

Felipão e Paulo Turra
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As 18 primeiras rodadas estão acontecendo num espaço de 19 semanas, entre 27 de abril e 8 de setembro, intercaladas com as partidas da Libertadores e da Copa do Brasil, e ainda com uma parada forçada de um mês.

Já as 20 rodadas finais terão ritmo intenso de disputa, com apenas 3 datas dedicadas às semifinais e à final da Libertadores, sendo disputadas em apenas 13 semanas, entre 15 de setembro e 8 de dezembro. Um panorama amplo da marcha de jogos pode ser visualizado no post com a projeção de pontos sugerida pelo Verdazzo em abril.

O primeiro recorte, que é quase metade do campeonato, é claramente mais espaçado e possibilita aos times fazerem correções de rota que podem ser decisivas para suas pretensões, caso não fiquem muito para trás. Equipes desequilibradas, mas com bom potencial, ainda podem encontrar a melhor química, sobretudo se aproveitarem bem a intertemporada causada pela irritante Copa América.

Já o segundo período, espremido pelo calendário, é muito mais perigoso para times que depararem com uma oscilação de desempenho grave. Uma lesão de jogador-chave, ou uma turbulência no ambiente – qualquer problema que dure algo em torno de 15 dias é suficiente para comprometer até cinco rodadas e jogar uma campanha inteira no lixo. Não é preciso puxar muito pela memória para termos um exemplo: uma rápida convergência de problemas em 2009 destruiu um campeonato que nos parecia ganho.

Temos força

O Palmeiras de 2019 mostra muita força para superar eventuais turbulências. O equilíbrio técnico atingido entre os setores defensivo e ofensivo não é fácil de ser destruído apenas pela perda de uma ou duas peças por lesão. Nosso elenco tem mostrado eficiência para fazer essas reposições – neste momento, estamos “apenas” sem Willian, Gustavo Scarpa e Ricardo Goulart, e o time segue rendendo.

Esses três desfalques, que devem estar recuperados após a parada, serão vitais para que o Palmeiras ative o rodízio mais uma vez, quando teremos até 10 rodadas seguidas com jogos de mata-mata nos meios de semanas e Brasileirão aos sábados e domingos.

Com o encaixe extremamente satisfatório conseguido com Raphael Veiga e Zé Rafael, Felipão tem armas para montar duas linhas de frente bastante competitivas. Se quiser manter o time titular que destroçou o Santos como o principal, o time alternativo pode ter, do meio para a frente: Thiago Santos e Moisés; Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian; Arthur Cabral. Ainda existem as opções de usar Hyoran, Lucas Lima, Guerra e Borja, além dos próprios titulares, em eventualidades. Ou de fazer outras dezenas de combinações, a escolher.

Todas essas animadoras suposições, contudo, pressupõem que o time não sofrerá baixas na janela do meio do ano. O Palmeiras, como todos os times brasileiros, corre riscos de perder atletas na movimentação do mercado, embora tenha muito mais condições que qualquer adversário de fazer as reposições. São vantagens potenciais.

Favoritismo com responsabilidade

Bruno Henrique e Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante das perspectivas, soaria como falsa modéstia recusar o rótulo de favorito destacado ao título deste Brasileirão. É óbvio que, diante do panorama atual e de todas as variáveis, as probabilidades apontam para o Verdão. Mas sabemos que podemos virar o fio, ou que um adversário realmente forte pode emergir.

Temos que saber lidar com nossa própria força; trabalhar as possibilidades favoráveis sabendo que o cenário pode mudar; jogar cada jogo como se fosse o do título para não lamentar no futuro, em caso de reviravolta.

Não precisamos repelir o favoritismo, e sim a acomodação. É tentador, diante dos números atuais e do nível de jogo apresentado em campo, deixar a soberba tomar conta das atitudes, mesmo antes de fazer o necessário para colher os louros. É um erro clássico que, confiamos, Felipão não deixará que nosso elenco cometa.

Nossa torcida, se também souber lidar com essa condição, vai ajudar mais ainda nosso treinador nessa missão de carregar o favoritismo, com toda a responsabilidade. Pés no chão, apoio incondicional, xô salto alto e VAMOS PALMEIRAS!


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