Agressivos no mercado, adversários correm atrás do Palmeiras e tornam a temporada muito atraente

Carlos Pracidelli
Cesar Greco/Ag Palmeiras

O Palmeiras completa uma semana de trabalho e já mostra por que segue sendo o time a ser batido este ano, mesmo com adversários mostrando bastante agressividade no mercado.

Sob o comando de Carlos Pracidelli, Paulo Turra e Felipão, os jogadores já começaram a ensaiar posicionamentos. As atividades servem para que os remanescentes do ano passado reativem a “memória tática” e para que os atletas que estavam em outros clubes se ambientem naquilo que a comissão técnica gosta de chamar de “identidade” deste grupo.

Os treinamentos físicos já se intercalam com os ensaios táticos, sem e com bola. O fato de 25 atletas terem participado da campanha de 2018 ajuda a acelerar o processo.

Em poucos dias, é de se esperar que os jogadores estejam muito próximos do padrão de homogeneidade desejado para que se possa avançar em relação ao estágio que o time encerrou o ano passado.

O desafio para 2019

Paulo Turra
Cesar Greco/Ag Palmeiras

Por ter assumido o time pouco depois da metade da temporada e com três competições em vista, a comissão técnica estabeleceu em 2018 um plano rápido e simples: posicionar a defesa, acertar a cobertura e intensificar o jogo de transição ofensiva rápida.

Com muita competência e alguma dose de sorte, o grupo respondeu bem e chegou à conquista do decacampeonato com alguma sobra, mesmo saindo de uma posição de desvantagem na tabela.

Nas copas, no entanto, o time não conseguiu se impor, sendo batido por Cruzeiro (com arbitragem decisiva) e Boca Juniors. A superioridade no torneio de tiro longo acabou neutralizada nas disputas de mata-mata – é o que acontece com um time ainda em estágio inicial de desenvolvimento, com poucas alternativas ofensivas: adversários qualitativamente semelhantes podem encaixar o jogo e vencer o confronto.

O desafio de Felipão e sua equipe para 2019 é tornar o Palmeiras ainda mais letal e menos previsível, ampliando o leque de alternativas táticas e técnicas.

Incontáveis variações

Treino Academia
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A evolução do elenco prosseguiu e hoje vemos o grupo melhor que em 2018, com pelo menos duas opções indiscutíveis para cada função: a) volantes pegadores, b) volantes ofensivos, c) meias de beirada, d) meias centrais, e) ponteiros e f) centroavantes.

Se forem usados um atleta de cada uma dessas funções no mesmo time, teremos uma formação com bastante equilíbrio entre defesa e ataque, criatividade e força, jogo de velocidade e cadenciado, afunilamento e amplitude. Mas como tem no mínimo duas ótimas opções para cada função (e pode-se incluir no cenário laterais mais marcadores ou mais ofensivos dos dois lados), Felipão pode montar a cada partida incontáveis variações, conforme os pontos fortes e fracos de cada adversário. É nessa direção que, espera-se, o Palmeiras caminhe neste primeiro semestre.

Paralelamente, times que investiram bastante como o Flamengo (Rodrigo Caio, De Arrascaeta e Gabriel) e SPFC (Tiago Volpi, Hernanes e Pablo, entre outros menos cotados) estão pelo menos seis meses atrasados no projeto técnico em relação ao Palmeiras de Felipão. A luta de Abel Braga e André Jardine ainda é para montar o esquema básico.

O Flamengo, em particular, mostra bastante agressividade no mercado, mas parece refém da capacidade de Abel de administrar a mistura de medalhões de 2018, com medalhões recém-chegados que ganham o dobro do salário dos antigos, um perigo real e iminente. O experiente treinador dará conta?

Além disso, essas duas equipes ainda têm claros buracos em seus times considerados titulares e não podem nem sonhar em estabelecer um rodízio consistente, já que seus hipotéticos times “B” não possuem qualidade nem para disputar os estaduais de forma competitiva.

O hype na imprensa diante das contratações de impacto é natural. Entre as torcidas, então, nem se fala.  Mas o fator novidade tende a se dissipar e os problemas decorrentes dessas falhas na formação dos elencos tendem a se evidenciar.

Então, já ganhou? Entreguem as taças?

Claro que tudo isso faz parte do campo teórico. Deixando de lado o impacto emocional dos anúncios das contratações, é o Palmeiras quem segue tendo mais potencial para se destacar no primeiro semestre, enquanto os outros times ainda estarão buscando acertos básicos.

Mas toda temporada é longa e mais uma vez o calendário imporá uma parada, desta vez para a Copa América, o que dará a chance para os times em fases iniciais de desenvolvimento tirarem a diferença mais rápido.

E não existem só Flamengo e SPFC. Não podemos deixar de lado times como Grêmio, Inter, Cruzeiro e SCCP, que não estão mortos e têm potencial para desenvolver bons projetos em 2019.

E além de tudo isso, sempre temos o fator imponderável no futebol. Campeonatos em mata-mata, por natureza, diminuem qualquer desnível entre os times.

Temporada promete

Elenco 2019
Cesar Greco/Ag Palmeiras

No fundo, essa empolgação toda por outras bandas é ótima para o Palmeiras, que assim tira um pouco dos ombros a responsabilidade de ser o favorito destacado. Todo esse cenário faz com que a temporada 2019 já se inicie muito atraente, para todas as torcidas.

O Palmeiras segue sendo favorito destacado para ganhar o Brasileiro. Nos torneios eliminatórios, será uma força indiscutível. E diante de tudo o que foi exposto, terá mais chances do que no ano passado para vencê-los.

Só que o Verdão precisa confirmar esse potencial em campo, contra adversários que não estão confortáveis com nosso poderio e que não estão medindo esforços para reverter o quadro – mesmo que de forma ainda um pouco desorganizada.  VAMOS PALMEIRAS!


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Raio-X do grupo F da Libertadores 2019

Taça LibertadoresA Conmebol realizou na noite de ontem mais um daqueles chatíssimos sorteios que formatam suas competições.

Depois de quase duas horas de enrolação, foram definidas as chaves da Libertadores 2019.

Cabeça-de-chave, o Verdão terá em seu grupo o San Lorenzo-ARG, o Junior-COL e um adversário que sairá da chave que tem Delfín-ECU, Nacional-PAR, Caracas-VEN, Melgar-PER e Universidad de Chile-CHI.

A tabela com os confrontos ainda não foi divulgada pela organização.

San Lorenzo

San LorenzoO San Lorenzo será certamente o adversário mais forte desta primeira fase. O tradicional clube portenho, que conta com a torcida do papa Francisco, foi adversário do Verdão nas semifinais da Copa Mercosul de 1999 – o Verdão levou a melhor: depois de perder por 1 a 0 no Nuevo Gasómetro, reverteu o placar com uma vitória por 3 a 0 no Palestra.

Já venceu o campeonato nacional 15 vezes, além de uma Libertadores, uma Mercosul e uma Sul-Americana. No atual campeonato argentino, faz campanha ridícula: está em 23° lugar.

Buenos Aires– fica a 2h40 de voo, ao nível do mar

Junior

Júnior de BarranquillaO Junior foi adversário do Verdão na fase de grupos no ano passado e o Verdão atropelou, com duas vitórias. O estádio Roberto Meléndez foi palco de um lance crucial de 2018: a desgambatização de Bruno Henrique.

Após a desclassificação na última Libertadores, o time seguiu campanha na Sul-Americana, onde ficou com o vice-campeonato. Já venceu o campeonato colombiano oito vezes – a última, no domingo passado, contra o Independiente Medellín.

Barranquilla não tem voo direto e a viagem dura cerca de 8h. Fica ao nível do mar.

O quarto elemento

MelgarMelgar: clube tradicional do sul do Peru, já venceu três campeonatos locais. Joga no estádio Mariano Melgar, com capacidade para 15 mil espectadores – para jogos grandes, usa o estádio Nacional San Agustín, com capacidade para 60 mil pessoas. Tem seis participações na Libertadores e foi campeão do último torneio Clausura.

Arequipa não tem voo direto e a viagem dura cerca de 10h. Fica a 2300m de altitude.


Club NacionalNacional: o time paraguaio chegou à final da Libertadores em 2014, quando perdeu justamente para o San Lorenzo – os dois times podem reeditar o confronto no Grupo F deste ano. Já venceu o campeonato local 9 vezes – no último, terminou em sexto lugar, fazendo uma campanha medíocre. Manda seus jogos no tradicional estádio Defensores del Chaco, que tem capacidade para 42 mil pessoas.

Assunção fica a 2h de voo, a 45 metros de altitude.


DelfínDelfín: clube jovem, fundado em 1989, nunca venceu a primeira divisão de seu país. Ficou em quinto lugar no último torneio. Manda seus jogos no estádio Jocay, com capacidade para 17 mil pessoas.

Manta não tem voo direto e a viagem pode durar até 15h. Fica ao nível do mar.


Caracas FCCaracas: time de tradição recente no campeonato local, tendo conquistado onze títulos – todos de 1990 para cá. Ficou em oitavo lugar na última edição e se classificou aos playoffs, perdendo na semifinal para o Deportivo Lara. Manda as partidas no Estádio Olímpico da UCV, com capacidade para 24 mil pessoas.

Caracas fica a 11h de voo, a 900 metros de altitude


Universidad de ChileUniversidad de Chile: é o favorito à vaga. Já venceu o campeonato local 15 vezes e a Copa Sul-Americana uma vez, em 2011. Foi o terceiro colocado do Clausura 2018, a quatro pontos da Católica, que se sagrou campeã. Costuma mandar seus jogos no Estádio Nacional de Santiago, que comporta até 55 mil pessoas.

Santiago fica a 4h de voo, a 450m de altitude.

Retrospecto

O Palmeiras só tem confrontos prévios contra  San Lorenzo, Junior e La U. Clique nos escudos abaixo para ver o retrospecto. Como é praxe, o Verdão não leva desvantagem contra nenhum.

San Lorenzo  Júnior de Barranquilla Universidad de Chile


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Campeão após arrancada histórica, Palmeiras puxa a fila e sobe o sarrafo no futebol nacional

Festa com a torcidaO Palmeiras venceu o Vasco ontem em São Januário e se sagrou campeão brasileiro pela décima vez na História. Nenhum time tem tantas taças nacionais, tanto considerando apenas os campeonatos brasileiros, como se considerarmos na soma as Copas do Brasil.

Ao todo, o Palmeiras tem 13 taças nacionais, e se considerarmos também a Copa dos Campeões, o número sobe para 14. O título conquistado no Rio de Janeiro permitiu ao Verdão abrir três troféus de vantagem em relação ao segundo colocado.

Se vencer o já rebaixado Vitória na última rodada, no próximo domingo, quando o Allianz Parque deverá estar mais uma vez lotado para saudar nosso time e celebrar o recebimento do troféu do campeonato, o Palmeiras chegará a 80 pontos, igualando a segunda melhor campanha desde 2006, quando o campeonato de pontos corridos passou a contar com 20 clubes.

O Cruzeiro de 2014 e o próprio Palmeiras de 2016 também chegaram a essa marca – o recorde continua sendo o do SCCP de 2015, com 81.

Arrancada histórica

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras chegou ao título após a mudança de comando técnico. A chegada de Felipão deu muito certo – mais certo do que qualquer palmeirense poderia apostar após a demissão de Roger Machado, na 15ª rodada, quando o time perdeu para o Fluminense no Maracanã e tinha oito pontos de desvantagem para o Flamengo, líder até então.

Em 22 jogos, o Palmeiras conseguiu a maior série invicta desta era do campeonato, com 16 vitórias e 6 empates – e contando. A maior marca era do SCCP de 2017, que passou todo o primeiro turno sem ser derrotado. Nesta sequência, o Palmeiras marcou 39 gols e sofreu apenas 9.

A conquista fica mais saborosa ainda quando lembramos que em vários jogos o Palmeiras foi prejudicado ostensivamente pela arbitragem, como nos jogos contra o SPFC no Morumbi e contra o Cruzeiro no Pacaembu, entre outros.

O que valoriza ainda mais o título é saber que o time ainda disputou simultaneamente a Copa do Brasil e a Libertadores de forma competitiva, ficando pelo caminho nas semifinais em ambas as competições. O Palmeiras não precisou “largar” nenhum campeonato para chegar ao décimo campeonato brasileiro com uma superioridade incontestável.

Projeção cumprida

Os 77 pontos que foram suficientes para a conquista eram a conta projetada antes do campeonato começar. O Verdazzo projetou os resultados visando essa cifra já imaginando que, embora nunca um vice-campeão tivesse superado a barreira dos 73 pontos, essa possibilidade existia e era necessária uma margem de segurança.

Parece até que sentimos o cheiro: o Flamengo tem atualmente 72 pontos e tem o Atlético-PR pela frente no Maracanã, na última rodada. A torcida rubro-negra poderá comemorar a marca de melhor vice da História chegando a 75 pontos. Parabéns!

Subindo o sarrafo

Academia de FutebolA conquista do Verdão aumenta a exigência interna do futebol brasileiro. O Palmeiras é o grande protagonista do futebol brasileiro e lidera um bloco de clubes que já enxergou que é preciso profissionalizar todas as áreas que envolvem a administração do futebol – neste momento, não por coincidência, o clube que está mais próximo do Verdão é o vice-campeão, o Flamengo. Os dois melhores colocados na tabela são os clubes que estão com as finanças mais organizadas e que conseguem sobreviver sem o adiantamento de receitas. Outros times tentam se reestruturar e dar esse passo adiante.

Mas futebol vai muito além da administração financeira, claro. Desenvolvimento e execução de processos, planejamento administrativo e esportivo, respaldo de profissionais com excelência em áreas de apoio aos atletas e o desenvolvimento e a manutenção de uma departamento de futebol de base forte também fazem parte do pacote.

O desafio do Palmeiras é se manter equilibrado em todas essas áreas, sem deslumbre, com seriedade. Construindo definitivamente um projeto de futebol de longo prazo que dê estabilidade ao treinador e que propicie o estabelecimento de uma identidade de jogo. Mantendo um modelo sólido de receitas sem colocar todos os ovos em apenas uma cesta, para continuar a subir o sarrafo e puxar a fila – quem conseguir, que nos acompanhe.

Se todos ficarem para trás, a tendência é uma dominação doméstica que pode durar longos anos, aumentando o círculo virtuoso que envolve conquistas esportivas, aumento da torcida, receitas crescentes e times fortes. E se outros times vierem na nossa esteira, quem ganha é o futebol brasileiro. VAMOS PALMEIRAS!


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Em 2016, Palmeiras também foi cauteloso na reta final

BrasileirãoO empate de ontem no Independência deixou o Palmeiras mais perto do título do que estava antes da rodada começar. A diferença para o Inter se manteve e o Flamengo ficou um ponto a mais para trás, com uma rodada a menos por disputar. Agora, são apenas cinco jogos para o fim do campeonato e temos uma confortável diferença de cinco pontos para o segundo e sete para o terceiro.

A situação, aliás, lembra muito a de 2016. Há dois anos, a pontuação do Palmeiras, na liderança, e a do vice-líder, o Flamengo, eram as mesmas dos dois primeiros deste ano, como vocês podem conferir na tabelinha ao lado. Nos jogos finais, o Palmeiras administrou a vantagem e minimizou os riscos. O que não quer dizer que esses riscos não tenham existido.

Ontem, o Verdão empatou o jogo a 15 minutos do fim, e poderia ter perdido. Mas também poderia ter aberto o placar no primeiro tempo em três ótimos lances de Willian, Guerra e Deyverson e tornado o jogo mais fácil – são variáveis que fazem parte da imprevisibilidade do jogo.

Correr riscos ainda é uma realidade para o Palmeiras no Brasileirão; nosso clube ainda não chegou ao mesmo patamar de dominação do Barcelona na Espanha, por exemplo, mas estamos tentando caminhar nessa direção. Quem sabe, chegaremos a essa excelência em alguns anos. O Barcelona, aliás, perdeu ontem para o Bétis em casa por 4 a 3.

A reta final de 2016

2016Em 2016, a partir da rodada 34, o Palmeiras de Cuca apenas administrou a vantagem, com jogos pragmáticos onde conquistou os pontos necessários para o título. E mesmo assim correu riscos. Na rodada 34, sob chuva, venceu o Inter por 1 a 0, com gol de Cleiton Xavier no primeiro tempo, mas quase sofreu o empate numa arrancada de Anderson que chegou frente a frente com Jailson, mas concluiu por cima.

Na rodada 35, vejam só: um empate por 1 a 1 com o Atlético no Independência: Gabriel Jesus abriu o placar no primeiro tempo, mas Pratto empatou aos 13 do segundo tempo e o Palmeiras sofreu uma enorme pressão até o fim do jogo – no final, comemorou o resultado e a vantagem de quatro pontos para o vice-líder.

Na rodada 36, com um gol de Dudu de cabeça, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 no Allianz Parque abarrotado, em partida que foi bem mais difícil do que o time carioca poderia sugerir – muito por causa da postura cautelosa de Cuca, que armou o time para não correr riscos de ser surpreendido em contra-ataques. O Verdão abriu seis pontos para o Santos e ficou a um empate do título, em dois jogos.

A conquista veio na rodada 37, em mais um jogo extremamente cauteloso do Palmeiras, que venceu os reservas da Chapecoense por 1 a 0, num gol chorado de Fabiano. O desinteresse do time catarinense, focado na disputa da Sul-Americana, facilitou a missão, mas mesmo assim a vitória veio de novo pelo placar mínimo.

Quem brilha é o troféu

Campeão Brasileiro 2016Mesmo correndo alguns riscos, algo que time nenhum do planeta jamais estará imune (afinal, é futebol), o Palmeiras vai chegando cada vez mais perto de mais uma conquista para se distanciar dos outros na lista dos maiores vencedores do Brasileirão.

Felipão, a seu modo, já construiu uma espetacular sequência de 18 jogos sem derrota, mesmo sem pré-temporada, mesmo sem poder montar o elenco com peças que se encaixem a seu modelo. Ontem, armou o time de forma a minimizar mais uma vez o risco de derrota e poupou os principais jogadores para a sequência final. O time está entregando os resultados. Nosso treinador merece crédito, mesmo nos deixando apreensivos durante os jogos.

A tabela que se oferece ao Verdão é bastante convidativa; serão três jogos em casa e mais um contra o Paraná em território amigável e o Palmeiras precisa de apenas mais onze pontos para não depender de tropeço nenhum dos concorrentes.

Muricy RamalhoEm 2009, a vantagem de cinco pontos era na rodada 29, e ela se esvaiu quando Muricy colocou o time pra frente, para abrir mais vantagem, quando poderia ter fechado a casinha e administrado os pontos.

Jogar de forma cautelosa, a exemplo do que fez o time de Cuca em 2016, parece ser a melhor forma de trabalhar essa vantagem. O Palmeiras não precisa dar show nesta reta final. Não precisamos de brilho. Quem cobra brilho deste Palmeiras é por puro despeito; não podemos cair nessa. Quem brilha mesmo, sob uma chuva de papel picado e fumaça, é o troféu.


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O caminho para o deca e os cuidados para que 2009 não se repita

Mauricio RamosEm 2009, o Palmeiras tinha o Brasileirão nas mãos, mas uma série de fatores convergiram para que nosso time naufragasse na reta final e ficasse fora até do G4 – e consequentemente sem a vaga para a Libertadores. O desastre começou na rodada 28, quando empatamos em casa contra o Avaí – mesmo assim, mantivemos a margem de cinco pontos para o vice-líder. Mas daí para a frente, uma sucessão de problemas nos tirou do prumo – um jogo desastroso no Recife, com mais de meio time lesionado ou suspenso, determinou uma derrota por 3 a 0 para o Náutico. Uma derrota dura para o Flamengo de Petkovic no Palestra aumentou o problema: a vantagem caiu para 4 pontos para o segundo colocado, e o próprio Flamengo se aproximou, ficando a seis pontos.

Na rodada 31, perdemos para o Santo André quando Cleiton Xavier sentiu lesão no primeiro tempo. O time já havia perdido Pierre cinco rodadas antes e o meio-campo sentiu muito mais essa perda. A margem de liderança caiu para apenas um ponto. A vitória sobre o Goiás no Palestra, na rodada 32, renovou os ânimos e subimos a diferença para dois pontos, mas em seguida veio um empate por 2 a 2 no Derby em Presidente Prudente. A esta altura, estávamos empatados na liderança com o SPFC, ganhando só nos critérios de desempate.

A partida seguinte, no entanto, foi quase uma pá de cal. A arbitragem criminosa de Carlos Simon na partida contra o Fluminense destruiu o moral do time, que perdeu a liderança após 15 rodadas na ponta. O trauma se refletiu na rodada seguinte, quando ficamos apenas no empate com o Sport em casa, 2 a 2, e vimos o SPFC abrir 3 de frente, com o Flamengo em segundo.

Na antepenúltima rodada, com os nervos em frangalhos, não conseguimos um bom resultado em Porto Alegre, perdendo para o Grêmio por 2 a 0 e vendo dois jogadores nossos sendo expulsos no intervalo por saírem na mão entre si. A vitória contra o Galo no Palestra, com um gol antológico de Diego Souza, foi capaz de nos recolocar em condições matemáticas de chegar ao título na rodada final, mas o Flamengo venceu o sub-13 do Grêmio na rodada derradeira e chegou ao título, enquanto perdíamos melancolicamente para o Botafogo e acabamos o campeonato em quinto lugar.

De volta ao presente: quatro vitórias e um empate

Palmeiras 3x2 SantosApós mais um bom resultado no Brasileirão, o Palmeiras ficou bem mais próximo da conquista do decacampeonato. A vitória sobre o Santos, num dos jogos mais memoráveis do ano, deixou o Verdão a quatro vitórias e um empate da conquista, com seis rodadas para o fim. É uma situação bem diferente, para melhor, da vivida em 2009 no mesmo ponto da disputa.

Com quatro vitórias e um empate, chegaremos a 79 pontos. O Flamengo, com seus atuais 60, mesmo que vença todos os seus jogos, só pode alcançar 78. O Inter pode chegar aos 79, mas teria que descontar nove gols no saldo.

Em nossa tradicional projeção de pontos, a conta para se chegar ao título com alguma margem de conforto é 77 pontos. Considerando que tanto Flamengo como Inter ainda podem tropeçar nesta reta final, a conta parece bastante plausível. Mas, para o momento, precisamos trabalhar apenas com a frieza dos números, para não corrermos riscos. Quatro vitórias e um empate, é o que nos separa da conquista.

Considerando que nosso time vem de uma sequência avassaladora de 13 vitórias e 4 empates, com uma tabela razoavelmente tranquila à frente, a meta parece perfeitamente alcançável. Mas não podemos nos esquecer de 2009 e do redemoinho que nos apanhou na reta final. Na rodada 29, tínhamos 5 pontos de frente e acabamos fora até da Libertadores. A atenção tem que ser total.

O que vem pela frente

Atlético-MGSem as disputas paralelas no calendário, a conquista do Brasileirão está de fato bastante próxima. A partida mais difícil, na teoria, é a próxima, diante do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. O time de Levir Culpi vive um péssimo momento, tendo conquistado apenas um ponto nos últimos cinco jogos – mas exatamente por isso pode se tornar um problema, já que tem sua vaga para a Libertadores, bastante tranquila até duas semanas atrás, bastante ameaçada pelo Santos. Temos plenas condições de vencer, mas um tropeço pode acontecer.

FluminenseEnfrentar o Fluminense no Allianz Parque sempre foi sinônimo de vitória: desde a inauguração, foram quatro confrontos com 100% de aproveitamento. Desta vez, o visitante virá sem maiores aspirações – já está a uma distância confortável da zona da confusão e pensa nas semifinais da Sul-Americana. Talvez  nem jogue com força máxima. A vitória é bastante provável.

Paraná ClubeA partida a seguir é contra o lanterna, o Paraná, no Durival de Britto – pelo menos até a presente data, embora haja rumores dando conta que o já rebaixado time de Curitiba quer levar a partida para Londrina, reduto palmeirense. Mas mesmo que o local seja mantido, uma vitória do Palmeiras neste jogo é praticamente uma obrigação.

América-MGO mesmo pode se dizer da partida seguinte, contra o América, no Allianz Parque. O time de Adilson Batista entrou numa espiral negativa e conseguiu apenas oito pontos nos últimos 30 disputados. O que pode complicar é o fato de estarem lutando desesperadamente contra mais um rebaixamento. Mesmo assim, jogando em casa, o Palmeiras deve se impor e vencer.

VascoO penúltimo passo é o Vasco, em São Januário. Até lá, seria ótimo que o time carioca já tenha se livrado do rebaixamento, para tirar da partida qualquer aspecto de decisão. Caso isso não aconteça, a partida se torna bem mais complicada, diante do peso da camisa vascaína. Um tropeço aqui não pode ser descartado.

VitóriaSe chegarmos à última rodada precisando de três pontos, eles devem vir. O adversário é o Vitória, no Allianz Parque. Neste momento é um time que está se salvando do rebaixamento pelos critérios de desempate; depois de mais cinco rodadas pode estar já rebaixado, livre, ou lutando com todas as suas forças. Seja qual for a situação, imaginem um Allianz Parque lotado, com o Palmeiras a um triunfo para ser campeão brasileiro, enfrentando o Vitória. Devem vir mais três pontos.

Teoria x prática

Como vimos, na teoria, temos pela frente quatro vitórias e dois possíveis tropeços – se um deles for um empate, chegamos à conta mágica. Mas podemos perder de Galo e Vasco. E também podemos, claro, tropeçar nos quatro jogos que contamos com a vitória certa.

Nestes casos, ainda temos que contar com a boa possibilidade de Flamengo e Inter não fazerem campanhas perfeitas. O Flamengo vem de dois empates e vive uma crise interna séria. O Inter tem uma tabela bastante tranquila e parece ter feito as pazes com as arbitragens – ganhou dois pontos de graça no fim-de-semana, graças a um pênalti inventado os 48 do segundo tempo contra o time reserva do Atlético-PR. Mas tem um elenco bastante limitado e o fim de temporada costuma ser cruel com as coxas e panturrilhas dos jogadores. Não podemos contar com tropeços dos adversários – mas que eles podem acontecer, podem.

Atenção total

Em 2009, perdemos para o limitado poder de reposição das peças principais. Duas baixas na reta final, Cleiton Xavier e Pierre, prejudicaram demais o rendimento do time. Além disso, Diego Souza teve uma queda brusca de rendimento após ter sido convocado para um jogo na Bolívia pelas Eliminatórias da Copa de 2010 – nosso camisa 10 voltou abalado pela má exibição.

A atuação grotesca de Carlos Simon no Maracanã, na operação que salvou o Fluminense do rebaixamento, foi um golpe duro no moral do time. Os jogadores passaram a se sentir desprotegidos e a confiança foi pelo ralo. A própria torcida sentiu o golpe – este site mesmo entrou em depressão e ficou até o ano seguinte fora de atividade.

Sem controle dos nervos, o time sucumbiu em Porto Alegre na antepenúltima rodada e ficou apenas com chances matemáticas de chegar ao título – algo que, sabemos, passou longe de acontecer no final.

Esse cenário tenebroso está bem longe do atual, a começar pelo fato de que estamos a apenas seis rodadas do fim – em 2009, o problema começou a dez rodadas do encerramento. A tabela de 2018 parece bem mais tranquila que a de nove anos atrás.

Felipão tem peças de reposição muito mais qualificadas que Muricy Ramalho; além de ter o time muito mais na mão – em conversas com jogadores de 2009, os relatos são de que havia insatisfação no elenco em relação à proposta tática de Muricy.

A única coisa que ainda pode ser igual é a ação da arbitragem. A ajuda que o Internacional, clube que assinou com o Grupo Turner a transmissão dos jogos para TV fechada, mas que lidera uma reviravolta em favor da Rede Globo, recebeu ontem no Beira-Rio contra o Atlético-PR foi escandalosa. E a arbitragem de Bráulio Machado no clássico contra o Santos, apesar de nossa vitória, se vista sob a lente adequada, foi escabrosa.

Se nos resguardarmos com relação às arbitragens, é bem pouco provável que 2009 se repita. E é bom que não se repita mesmo, porque os desdobramentos daquele fracasso refletiram no clube por mais três anos e culminaram com o rebaixamento em 2012, numa sequência mais triste até que a que nos levou ao primeiro rebaixamento, em 2002.

O final de 2018 tende a ser muito, muito mais feliz. Abre os olhos e VAMOS, PALMEIRAS!


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