Em 2016, Palmeiras também foi cauteloso na reta final

BrasileirãoO empate de ontem no Independência deixou o Palmeiras mais perto do título do que estava antes da rodada começar. A diferença para o Inter se manteve e o Flamengo ficou um ponto a mais para trás, com uma rodada a menos por disputar. Agora, são apenas cinco jogos para o fim do campeonato e temos uma confortável diferença de cinco pontos para o segundo e sete para o terceiro.

A situação, aliás, lembra muito a de 2016. Há dois anos, a pontuação do Palmeiras, na liderança, e a do vice-líder, o Flamengo, eram as mesmas dos dois primeiros deste ano, como vocês podem conferir na tabelinha ao lado. Nos jogos finais, o Palmeiras administrou a vantagem e minimizou os riscos. O que não quer dizer que esses riscos não tenham existido.

Ontem, o Verdão empatou o jogo a 15 minutos do fim, e poderia ter perdido. Mas também poderia ter aberto o placar no primeiro tempo em três ótimos lances de Willian, Guerra e Deyverson e tornado o jogo mais fácil – são variáveis que fazem parte da imprevisibilidade do jogo.

Correr riscos ainda é uma realidade para o Palmeiras no Brasileirão; nosso clube ainda não chegou ao mesmo patamar de dominação do Barcelona na Espanha, por exemplo, mas estamos tentando caminhar nessa direção. Quem sabe, chegaremos a essa excelência em alguns anos. O Barcelona, aliás, perdeu ontem para o Bétis em casa por 4 a 3.

A reta final de 2016

2016Em 2016, a partir da rodada 34, o Palmeiras de Cuca apenas administrou a vantagem, com jogos pragmáticos onde conquistou os pontos necessários para o título. E mesmo assim correu riscos. Na rodada 34, sob chuva, venceu o Inter por 1 a 0, com gol de Cleiton Xavier no primeiro tempo, mas quase sofreu o empate numa arrancada de Anderson que chegou frente a frente com Jailson, mas concluiu por cima.

Na rodada 35, vejam só: um empate por 1 a 1 com o Atlético no Independência: Gabriel Jesus abriu o placar no primeiro tempo, mas Pratto empatou aos 13 do segundo tempo e o Palmeiras sofreu uma enorme pressão até o fim do jogo – no final, comemorou o resultado e a vantagem de quatro pontos para o vice-líder.

Na rodada 36, com um gol de Dudu de cabeça, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 no Allianz Parque abarrotado, em partida que foi bem mais difícil do que o time carioca poderia sugerir – muito por causa da postura cautelosa de Cuca, que armou o time para não correr riscos de ser surpreendido em contra-ataques. O Verdão abriu seis pontos para o Santos e ficou a um empate do título, em dois jogos.

A conquista veio na rodada 37, em mais um jogo extremamente cauteloso do Palmeiras, que venceu os reservas da Chapecoense por 1 a 0, num gol chorado de Fabiano. O desinteresse do time catarinense, focado na disputa da Sul-Americana, facilitou a missão, mas mesmo assim a vitória veio de novo pelo placar mínimo.

Quem brilha é o troféu

Campeão Brasileiro 2016Mesmo correndo alguns riscos, algo que time nenhum do planeta jamais estará imune (afinal, é futebol), o Palmeiras vai chegando cada vez mais perto de mais uma conquista para se distanciar dos outros na lista dos maiores vencedores do Brasileirão.

Felipão, a seu modo, já construiu uma espetacular sequência de 18 jogos sem derrota, mesmo sem pré-temporada, mesmo sem poder montar o elenco com peças que se encaixem a seu modelo. Ontem, armou o time de forma a minimizar mais uma vez o risco de derrota e poupou os principais jogadores para a sequência final. O time está entregando os resultados. Nosso treinador merece crédito, mesmo nos deixando apreensivos durante os jogos.

A tabela que se oferece ao Verdão é bastante convidativa; serão três jogos em casa e mais um contra o Paraná em território amigável e o Palmeiras precisa de apenas mais onze pontos para não depender de tropeço nenhum dos concorrentes.

Muricy RamalhoEm 2009, a vantagem de cinco pontos era na rodada 29, e ela se esvaiu quando Muricy colocou o time pra frente, para abrir mais vantagem, quando poderia ter fechado a casinha e administrado os pontos.

Jogar de forma cautelosa, a exemplo do que fez o time de Cuca em 2016, parece ser a melhor forma de trabalhar essa vantagem. O Palmeiras não precisa dar show nesta reta final. Não precisamos de brilho. Quem cobra brilho deste Palmeiras é por puro despeito; não podemos cair nessa. Quem brilha mesmo, sob uma chuva de papel picado e fumaça, é o troféu.


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O caminho para o deca e os cuidados para que 2009 não se repita

Mauricio RamosEm 2009, o Palmeiras tinha o Brasileirão nas mãos, mas uma série de fatores convergiram para que nosso time naufragasse na reta final e ficasse fora até do G4 – e consequentemente sem a vaga para a Libertadores. O desastre começou na rodada 28, quando empatamos em casa contra o Avaí – mesmo assim, mantivemos a margem de cinco pontos para o vice-líder. Mas daí para a frente, uma sucessão de problemas nos tirou do prumo – um jogo desastroso no Recife, com mais de meio time lesionado ou suspenso, determinou uma derrota por 3 a 0 para o Náutico. Uma derrota dura para o Flamengo de Petkovic no Palestra aumentou o problema: a vantagem caiu para 4 pontos para o segundo colocado, e o próprio Flamengo se aproximou, ficando a seis pontos.

Na rodada 31, perdemos para o Santo André quando Cleiton Xavier sentiu lesão no primeiro tempo. O time já havia perdido Pierre cinco rodadas antes e o meio-campo sentiu muito mais essa perda. A margem de liderança caiu para apenas um ponto. A vitória sobre o Goiás no Palestra, na rodada 32, renovou os ânimos e subimos a diferença para dois pontos, mas em seguida veio um empate por 2 a 2 no Derby em Presidente Prudente. A esta altura, estávamos empatados na liderança com o SPFC, ganhando só nos critérios de desempate.

A partida seguinte, no entanto, foi quase uma pá de cal. A arbitragem criminosa de Carlos Simon na partida contra o Fluminense destruiu o moral do time, que perdeu a liderança após 15 rodadas na ponta. O trauma se refletiu na rodada seguinte, quando ficamos apenas no empate com o Sport em casa, 2 a 2, e vimos o SPFC abrir 3 de frente, com o Flamengo em segundo.

Na antepenúltima rodada, com os nervos em frangalhos, não conseguimos um bom resultado em Porto Alegre, perdendo para o Grêmio por 2 a 0 e vendo dois jogadores nossos sendo expulsos no intervalo por saírem na mão entre si. A vitória contra o Galo no Palestra, com um gol antológico de Diego Souza, foi capaz de nos recolocar em condições matemáticas de chegar ao título na rodada final, mas o Flamengo venceu o sub-13 do Grêmio na rodada derradeira e chegou ao título, enquanto perdíamos melancolicamente para o Botafogo e acabamos o campeonato em quinto lugar.

De volta ao presente: quatro vitórias e um empate

Palmeiras 3x2 SantosApós mais um bom resultado no Brasileirão, o Palmeiras ficou bem mais próximo da conquista do decacampeonato. A vitória sobre o Santos, num dos jogos mais memoráveis do ano, deixou o Verdão a quatro vitórias e um empate da conquista, com seis rodadas para o fim. É uma situação bem diferente, para melhor, da vivida em 2009 no mesmo ponto da disputa.

Com quatro vitórias e um empate, chegaremos a 79 pontos. O Flamengo, com seus atuais 60, mesmo que vença todos os seus jogos, só pode alcançar 78. O Inter pode chegar aos 79, mas teria que descontar nove gols no saldo.

Em nossa tradicional projeção de pontos, a conta para se chegar ao título com alguma margem de conforto é 77 pontos. Considerando que tanto Flamengo como Inter ainda podem tropeçar nesta reta final, a conta parece bastante plausível. Mas, para o momento, precisamos trabalhar apenas com a frieza dos números, para não corrermos riscos. Quatro vitórias e um empate, é o que nos separa da conquista.

Considerando que nosso time vem de uma sequência avassaladora de 13 vitórias e 4 empates, com uma tabela razoavelmente tranquila à frente, a meta parece perfeitamente alcançável. Mas não podemos nos esquecer de 2009 e do redemoinho que nos apanhou na reta final. Na rodada 29, tínhamos 5 pontos de frente e acabamos fora até da Libertadores. A atenção tem que ser total.

O que vem pela frente

Atlético-MGSem as disputas paralelas no calendário, a conquista do Brasileirão está de fato bastante próxima. A partida mais difícil, na teoria, é a próxima, diante do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. O time de Levir Culpi vive um péssimo momento, tendo conquistado apenas um ponto nos últimos cinco jogos – mas exatamente por isso pode se tornar um problema, já que tem sua vaga para a Libertadores, bastante tranquila até duas semanas atrás, bastante ameaçada pelo Santos. Temos plenas condições de vencer, mas um tropeço pode acontecer.

FluminenseEnfrentar o Fluminense no Allianz Parque sempre foi sinônimo de vitória: desde a inauguração, foram quatro confrontos com 100% de aproveitamento. Desta vez, o visitante virá sem maiores aspirações – já está a uma distância confortável da zona da confusão e pensa nas semifinais da Sul-Americana. Talvez  nem jogue com força máxima. A vitória é bastante provável.

Paraná ClubeA partida a seguir é contra o lanterna, o Paraná, no Durival de Britto – pelo menos até a presente data, embora haja rumores dando conta que o já rebaixado time de Curitiba quer levar a partida para Londrina, reduto palmeirense. Mas mesmo que o local seja mantido, uma vitória do Palmeiras neste jogo é praticamente uma obrigação.

América-MGO mesmo pode se dizer da partida seguinte, contra o América, no Allianz Parque. O time de Adilson Batista entrou numa espiral negativa e conseguiu apenas oito pontos nos últimos 30 disputados. O que pode complicar é o fato de estarem lutando desesperadamente contra mais um rebaixamento. Mesmo assim, jogando em casa, o Palmeiras deve se impor e vencer.

VascoO penúltimo passo é o Vasco, em São Januário. Até lá, seria ótimo que o time carioca já tenha se livrado do rebaixamento, para tirar da partida qualquer aspecto de decisão. Caso isso não aconteça, a partida se torna bem mais complicada, diante do peso da camisa vascaína. Um tropeço aqui não pode ser descartado.

VitóriaSe chegarmos à última rodada precisando de três pontos, eles devem vir. O adversário é o Vitória, no Allianz Parque. Neste momento é um time que está se salvando do rebaixamento pelos critérios de desempate; depois de mais cinco rodadas pode estar já rebaixado, livre, ou lutando com todas as suas forças. Seja qual for a situação, imaginem um Allianz Parque lotado, com o Palmeiras a um triunfo para ser campeão brasileiro, enfrentando o Vitória. Devem vir mais três pontos.

Teoria x prática

Como vimos, na teoria, temos pela frente quatro vitórias e dois possíveis tropeços – se um deles for um empate, chegamos à conta mágica. Mas podemos perder de Galo e Vasco. E também podemos, claro, tropeçar nos quatro jogos que contamos com a vitória certa.

Nestes casos, ainda temos que contar com a boa possibilidade de Flamengo e Inter não fazerem campanhas perfeitas. O Flamengo vem de dois empates e vive uma crise interna séria. O Inter tem uma tabela bastante tranquila e parece ter feito as pazes com as arbitragens – ganhou dois pontos de graça no fim-de-semana, graças a um pênalti inventado os 48 do segundo tempo contra o time reserva do Atlético-PR. Mas tem um elenco bastante limitado e o fim de temporada costuma ser cruel com as coxas e panturrilhas dos jogadores. Não podemos contar com tropeços dos adversários – mas que eles podem acontecer, podem.

Atenção total

Em 2009, perdemos para o limitado poder de reposição das peças principais. Duas baixas na reta final, Cleiton Xavier e Pierre, prejudicaram demais o rendimento do time. Além disso, Diego Souza teve uma queda brusca de rendimento após ter sido convocado para um jogo na Bolívia pelas Eliminatórias da Copa de 2010 – nosso camisa 10 voltou abalado pela má exibição.

A atuação grotesca de Carlos Simon no Maracanã, na operação que salvou o Fluminense do rebaixamento, foi um golpe duro no moral do time. Os jogadores passaram a se sentir desprotegidos e a confiança foi pelo ralo. A própria torcida sentiu o golpe – este site mesmo entrou em depressão e ficou até o ano seguinte fora de atividade.

Sem controle dos nervos, o time sucumbiu em Porto Alegre na antepenúltima rodada e ficou apenas com chances matemáticas de chegar ao título – algo que, sabemos, passou longe de acontecer no final.

Esse cenário tenebroso está bem longe do atual, a começar pelo fato de que estamos a apenas seis rodadas do fim – em 2009, o problema começou a dez rodadas do encerramento. A tabela de 2018 parece bem mais tranquila que a de nove anos atrás.

Felipão tem peças de reposição muito mais qualificadas que Muricy Ramalho; além de ter o time muito mais na mão – em conversas com jogadores de 2009, os relatos são de que havia insatisfação no elenco em relação à proposta tática de Muricy.

A única coisa que ainda pode ser igual é a ação da arbitragem. A ajuda que o Internacional, clube que assinou com o Grupo Turner a transmissão dos jogos para TV fechada, mas que lidera uma reviravolta em favor da Rede Globo, recebeu ontem no Beira-Rio contra o Atlético-PR foi escandalosa. E a arbitragem de Bráulio Machado no clássico contra o Santos, apesar de nossa vitória, se vista sob a lente adequada, foi escabrosa.

Se nos resguardarmos com relação às arbitragens, é bem pouco provável que 2009 se repita. E é bom que não se repita mesmo, porque os desdobramentos daquele fracasso refletiram no clube por mais três anos e culminaram com o rebaixamento em 2012, numa sequência mais triste até que a que nos levou ao primeiro rebaixamento, em 2002.

O final de 2018 tende a ser muito, muito mais feliz. Abre os olhos e VAMOS, PALMEIRAS!


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Knockdown: o juiz abre a contagem mas o Palmeiras se levanta

BenedettoFoi uma pancadaça. Os dois gols do maledetto Benedetto jogaram o Palmeiras na lona e ainda zunem na cabeça de milhões de palmeirenses, dos quais boa parte jogou a toalha. Já perdemos, acabou o ano. Fora este, fora aquele. Manda todo mundo embora. Etc etc etc.

Neste segundo dia as coisas começaram a ficar mais claras. As ideias ainda estão meio confusas, mas já é possível ver com alguma clareza que não tem nada perdido. Mata-mata é diferente de pontos corridos, todos sabemos. Precisamos de 3 a 0 e um gol no começo do jogo pode abreviar bastante essa caminhada. O Palmeiras já protagonizou viradas incríveis e você já leu entre ontem e hoje um apanhado de textos palmeirenses professando a fé eterna e por que desistir não faz parte de nosso vocabulário. Aquela coisa toda.

E de fato, se tem um treinador que personifica essas viradas, é Felipão. Se tem um clube com um elenco forte o suficiente para conseguir essa reviravolta, é o nosso. Se tem um estádio que, combinado com sua torcida, apavora os adversários e conspira para que isso seja possível, é o Allianz Parque. Talvez deixemos a desejar apenas nos bastidores – mas que é plenamente possível, é; se alguém pode protagonizar mais uma história épica de Libertadores, é este Palmeiras.

Mas não é do jogo contra o Boca que este texto trata.

Amanhã tem jogo-chave

MaracanãA Terra continua girando e não há muito tempo para contar passarinhos. O foco tem que ser ajustado rapidamente, porque amanhã temos um jogo-chave contra o Flamengo, no Maracanã. Se o Palmeiras não perder, terá dado um passo gigantesco para o décimo campeonato brasileiro. E já vimos o Verdão reagir bem após outras pancadas – após a eliminação na Copa do Brasil, o time engatou uma excelente sequência de cinco vitórias.

Acredito na reação imediata e numa vitória revigorante amanhã. Mas o jogo será difícil; o Flamengo vem em ascensão, a torcida recuperou a empolgação e sabemos o quanto nosso adversário de amanhã conta com ajudas paralelas. A derrota é um resultado perfeitamente possível.

E aí, e se perdermos de novo? Nocaute?

Nada disso.

Animais de rapina

O Verdão iniciou uma sequência duríssima em Buenos Aires, mas decisão mesmo, só na partida de volta. A derrota na Bombonera não decidiu nada, tampouco uma derrota amanhã nos tira de briga nenhuma.

Uma vitória flamenguista amanhã significará apenas uma dificuldade maior para chegar ao objetivo – exatamente como o revés em Buenos Aires. Continuaremos líderes ao fim da rodada, aconteça o que acontecer.

Se a segunda derrota seguida vier, os animais de rapina nos cercarão rapidamente. Trolls nos trollarão; a mídia clubista, declarada ou não, decretará nosso fim – tudo para minar a confiança de nossos jogadores e de nossa torcida.

Não podemos passar o recibo. Teremos quatro dias para nos reerguer de um eventual segundo knockdown e focar novamente em como furar rapidamente a defesa argentina e incendiar o jogo. Vocês sabem como estará o Allianz Parque. O Boca vai passar um apuro dos infernos.

Se acontecer uma derrota no Maracanã, apenas não teremos mais gordura no Brasileiro – e  para quem estava oito pontos atrás no início do returno, a coisa não parece tão ruim. Nada, absolutamente nada estará perdido. É muito importante que, por mais difícil que seja para muitos torcedores lidar com a derrota, não reverberar o mau sentimento nas redes sociais. Quanto mais confiança e apoio nossa torcida demonstrar publicamente, melhor será para nosso elenco recobrar as forças. Vamos fazer nossa parte. VAMOS PALMEIRAS!


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Brasileirão 2018 – planejamento de pontos: quarto quartil

Thiago Santos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Brasileirão 2018 atingiu a 29ª rodada e com isso chegamos ao fim do terceiro quartil da tabela – para quem acompanha o blog, todos os anos fazemos um exercício de projeção de resultados com três pontos de corte, na 10ª, 19ª e 29ª rodadas, dividindo a tabela em quatro quartis.

O objetivo é estabelecer uma tabela paralela de pontos que conduza o Palmeiras aos 77 pontos, contagem razoavelmente segura para chegar ao título, visto que apenas uma vez na história um time chegou ao vice-campeonato com mais de 72 pontos.

Depois de ficar devendo pontos à projeção original no primeiro e segundo quartis, o Verdão fez um terceiro quartil excepcional, com oito vitórias e dois empates. O espetacular aproveitamento de 86,7% não apenas descontou os seis pontos de déficit que tinha ao final do segundo quartil, como conduziu o time à liderança do campeonato, com três pontos mais saldo de oito gols de vantagem para o Inter.

O planejamento inicial, portanto, tolerará uma reta final de 18 pontos conquistados em 27 possíveis. Mas cumprir essa receita ainda é apenas uma referência, a meta confere ao Verdão uma probabilidade grande de título, mas não suficiente para garantir o troféu.

Obstáculos

Brasileirão 2018 - Quarto quartilA previsão inicial projetou encerrar o terceiro quartil com 59 pontos – exatamente a conta atual na tabela real de classificação. Desta forma, para chegar aos 77, bastará seguir a receita original, sempre levando em conta que uma perda de pontos não planejada pode ser compensada com uma vitória num jogo em que originalmente seria tolerado um tropeço.

Uma derrota para o Flamengo no Maracanã foi colocada no programa antes do campeonato começar, em abril. Ocorre que o time carioca é um dos únicos que ainda perseguem o Palmeiras na tabela e uma derrota pode pulverizar a diferença e abrir completamente o campeonato. Assim, os 18 pontos ainda podem ser considerados uma conta razoavelmente tranquila, desde que o Verdão não tropece no Maracanã.

Brasileirão 2018Essa tarefa parece ainda mais difícil considerando que o confronto está encravado entre as duas partidas que o Palmeiras fará contra o Boca Juniors, pelas semifinais da Libertadores.

Considerando que o jogo do próximo domingo contra o Ceará precisa render três pontos de qualquer maneira, a sequência que começa dentro de nove dias na Argentina será a prova de fogo do Verdão na temporada. É fundamental que o time tire pontos do Flamengo. Mesmo que perca pontos contra o Atlético-MG e Santos, a sequência de cinco jogos finais parece bastante amena.

Embalo e foco

Palmeiras 2x0 Grêmio
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No atual estágio do time, a projeção parece bastante modesta – mas mesmo assim chega aos 77. Essa cautela leva em conta o dinamismo do futebol, a rapidez como as coisas mudam no ambiente de um grupo com apenas um fato novo.

A prudência se justifica: dependendo da forma como acontecer, uma eventual frustração na Libertadores tem esse poder. O Palmeiras tem que se precaver ao máximo nos bastidores, pois enfrentaremos o equivalente à ORCRIM de Itaquera na Conmebol. Alerta total ligado.

A forma como os comandados de Felipão vêm jogando, no entanto, nos dão toda a confiança de que os objetivos podem ser alcançados. Nosso time perde a bola mas não perde o foco jamais; os adversários começam a criar a jogada mas não sabem para onde ir nem o que fazer; o Palmeiras recupera a bola rápido e arma um ataque mortal. É muito difícil jogar contra um time assim. É muito bom torcer para um time assim.

Não tem nada ganho ainda. Mas depois de virar o segundo quartil com seis pontos de déficit, a oito pontos do líder, terminar o terceiro quartil com as metas batidas e com esse embalo não podem causar outro efeito, a não ser nos encher de esperança. Vamos curtir jogo a jogo. Estamos chegando lá. VAMOS PALMEIRAS!


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No Scolarismo 2.0, a torcida termina os jogos com a pulsação normal

Mayke vs SPFC
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Verdão passou por cima do SPFC com muita tranquilidade e abriu distância na ponta do Brasileirão. Mesmo que perca a próxima partida e dê tudo errado na secação sobre os principais concorrentes ao título, o Verdão seguirá na liderança – a não ser que o Inter, o único com chances aritméticas de tomar a ponta na próxima rodada, consiga tirar uma diferença de oito gols no saldo.

O que causa certa estranheza nesse time do Palmeiras é a “falta de emoção” nas partidas. Quando Felipão foi anunciado como novo técnico, um estranho otimismo se apossou de nossa torcida. Pouco mais de dois meses depois, o sentimento mostrou-se acertado, mas a maneira com que ele se confirmou, ninguém esperava.

O times de Felipão sempre se mostraram raçudos ao extremo. Chegavam à vantagem normalmente na base da insistência, perto do fim do jogo. Caso chegassem ao placar necessário muito antes do apito final, se retraíam e seguravam o placar com unhas e dentes. O resultado é que todos chegavam ao fim do jogo completamente exauridos – jogadores e torcedores. A sensação de prazer, contudo, era gigantesca.

O que se vê neste time do Palmeiras de 2018 comandado por Felipão, na maioria dos confrontos, é um time que constrói os resultados sem muito esforço e depois controla o jogo como um adulto brincando de lutinha com uma criança –  não raro, aumenta o placar.

Esquema simples e blindagem: concentração total

Deyverson e Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Felipão conseguiu montar um esquema de jogo extremamente simples, onde zagueiro defende, volante protege, meia faz a criação e atacante finaliza. Não vamos nos esquecer que o time empatou sem gols em sequência com Bahia e América no início dos trabalhos, mas todos entenderam facilmente suas funções e os resultados passaram a aparecer rápido.

Quando atletas de comprovada superioridade técnica sentem confiança num esquema tático, resta lhes proporcionar tranquilidade para performar. A blindagem reimplantada na Academia de Futebol após a chegada de Felipão era o que faltava para os jogadores se manterem focados apenas nas conquistas, sem serem incomodados com a circulação indesejada de pessoas no ambiente de trabalho.

O nível de concentração que os atletas apresentam em campo não só lhes dá a condição de executar bem suas funções, como intimida os adversários, que sentem estar diante de um adversário muito mais forte, mesmo com um esquema tático de simples leitura.

Foi assim que o SPFC, diante de quase 57 mil torcedores, foi vencido com muita autoridade. O Palmeiras deixou atônitos tricolores de todas as gerações, dando-lhes um autêntico choque de realidade.

Ninguém é imbatível

Cruzeiro 1x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Alguém pode fazer o contraponto mencionando a eliminação contra o Cruzeiro. De fato, o Palmeiras não passou nem perto dessa tranquilidade toda no confronto pela semifinal da Copa do Brasil.

Contou a favor do Cruzeiro o fato de ser um dos poucos times que tem em seu elenco jogadores realmente de qualidade. Além disso, tem um treinador que está há muito tempo no cargo e que tem o elenco na mão; o estilo de jogo reativo de Mano Menezes encaixa bem com o de Felipão, desde que saia na frente – foi só o Cruzeiro precisar de um gol, como aconteceu diante do Boca Juniors, que sua superioridade foi por água abaixo.

O gol de Barcos a cinco minutos de jogo, além do roubo de Wagner Reway, foi decisivo para a eliminação do Verdão. Que isso deixe claro: o Palmeiras não é invencível e todos nós sabemos muito bem disso.

Mas a regra geral, sobretudo no Brasileirão, parece mesmo ser as vitórias com autoridade. Um Scolarismo 2.0 onde os jogadores terminam o jogo exaustos diante da seriedade, concentração e coração que deixam em campo; mas os torcedores saem do estádio com a pulsação normal, quase como europeus.

Que nossa torcida não confunda essa tranquilidade com soberba. Assim como o Cruzeiro, Boca, Grêmio e River são times de qualidade técnica muito superior ao SPFC. Se tomarmos um gol no início dos confrontos que ainda estão por vir na Libertadores, talvez tenhamos as mesmas dificuldades que tivemos na Copa do Brasil. A sorte é que, para essas situações,  ainda temos na manga o Scolarismo 1.0, o original, aquele que chega aos resultados nos minutos finais e que deixa os cardiologistas cada vez mais ricos. E convenhamos, que torna as conquistas muito mais saborosas.


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