Por que o Palmeiras tem rendimento pior contra o “G6”?

Se o Palmeiras perde mais pontos para equipes melhores, a razão é mais simples do que parece!

Desde o ano passado tem circulado uma discussão na torcida, sobretudo nas redes sociais, que não faz o menor sentido: a da “estatística do Palmeiras contra o G6”.

A narrativa já começa errada pelo simples fato de que o G6 não é fixo. A cada mudança dos “membros” do G6, a estatística muda. Não há consistência. A conversa deveria parar por aqui. Mas vamos em frente.

Fato: num campeonato por pontos corridos, ganha quem fizer mais pontos contra todos os times em 38 rodadas. Vitória sobre o Sport vale o mesmo do que vitória sobre o Mirassol.

Se duas equipes estão empatadas em pontos, mas alguém faz um recorte qualquer, e constata-se que a equipe “A” é muito inferior à equipe “B” nesse recorte, a consequência inevitável é: no recorte oposto, a equipe “B” é muito inferior à equipe “A”. Isso vale para qualquer recorte bizarro:

  • [times do G6 x times fora do G6]
  • [times de camisa branca x times de camisa colorida]
  • [times começados por vogais x times começados por consoantes]

O que não está clara é a intenção do autor do recorte ao valorizar ou relativizar cada índice.

Argumentos pobres e relação causa/consequência risível

Ainda há quem tente argumentar que o desempenho contra o G6 é um “alerta construtivo” de que, contra times mais fortes, o desempenho é ruim, e por isso o time fracassa em mata-matas. Como se jogos de pontos corridos tivessem a mesma dinâmica da dos torneios eliminatórios. Não para em pé.

Estabelecer esta absurda relação causa/consequência ignora uma lógica que está escancarada, estruturada em dois princípios:

  1. Times que jogam contra Palmeiras e Flamengo costumam jogar muito melhor porque são jogos com mais visibilidade;
  2. Times que estão na parte de cima da tabela (pode ser G6, G4, ou Gx) são melhores que os times que estão mais abaixo.

A diferença nos desempenhos de Flamengo e Palmeiras pode ser explicada pelo fato do Palmeiras ser um time extremamente metódico e talvez mais previsível, o que tem prós e contras. Dificilmente vai deixar escapar pontos contra equipes mais fracas; vai se impor e vai vencer na maioria das vezes. Mas contra equipes mais fortes, que dão a vida em campo contra nós, isso pode ser uma vulnerabilidade.

O oposto podemos dizer do Flamengo, que consegue se impor mesmo contra adversários mais fortes, por ser uma equipe menos previsível, mas essa falta de estabilidade faz com que o time carioca perca mais pontos estúpidos contra equipes na zona do rebaixamento. O que também é um prato cheio para quem quer criar “alertas construtivos” por lá.

A solução dos ‘gênios

Uma conclusão que se poderia tirar desse tipo de retórica dos gênios das redes sociais é: o Palmeiras tem que seguir sendo metódico contra os piores, e tornar-se imprevisível contra os melhores.

“Tornar-se imprevisível” parece uma solução bacana, soa bem. Só faltou explicarem como implementar algo que tenha a aparência caótica mas que, no fundo, seja algo organizado. Faltou a receita para confundir o adversário sem confundir-se a si próprio para não tornar o jogo apenas uma loteria.

A maior virtude do Palmeiras é sua capacidade de se manter firme no plano, de estabelecer processos e segui-los à risca. Subverter essa lógica é criar um caos que vai na direção oposta de tudo o que mantém o Verdão como o time mais vencedor desta década. Se o Palmeiras perde mais pontos para equipes melhores, a razão é mais simples do que parece: é porque são boas equipes!

O plano funciona. Confia no processo!

Não existe certeza no futebol. O que existem são métodos para aumentar as probabilidades. Ainda assim, futebol é um jogo de bola viva, onde jogadores cometem erros a todo momento, e muitos deles podem ser cruciais. Há interferências de arbitragens, há o aspecto mental e há simplesmente jogos mal jogados. Tudo isto resulta num dos três resultados possíveis: vitória, empate ou derrota. Quem não está pronto para entender isto vai ter dificuldades para falar de futebol.

O plano já funcionou por diversas vezes em jogos grandes. A crítica, para se sustentar, faz outro tipo de recorte, este escancaradamente manipulador, já que despreza as grandes vitórias obtidas e só usa como exemplos jogos em que não saímos vencedores. Um peso e duas medidas.

Não há nada de construtivo em críticas apoiadas em recortes tendenciosos. Trata-se apenas de uma estatística fabricada para tentar reforçar um ponto: que a comissão técnica mais vencedora da História do Palmeiras faz um trabalho ruim. Um clássico exemplo da máxima “torture os números e eles dirão o que você quer ouvir”. Por que fazem isso, cabe a cada um tentar explicar.


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