O discurso da nota nove e o déjà vu de 1995

Leila Pereira deu nota 9 para o Palmeiras num ano em que tivemos um déjà vu de 1995
Reprodução/Instagram

Terminamos o ano de 2025 da forma mais frustrante possível. Vimos nossos piores rivais levantando taças, com o gosto amargo de saber que todas poderiam ter sido nossas.

Pecamos dentro e fora de campo. O troféu da Copa do Brasil deste ano tem as digitais e as orelhas de Aníbal Moreno, já negociado com o River Plate. Também tem a marca da arbitragem, já que quem está comemorando o título, como sempre, só chegou lá com a ajuda fundamental dos apitadores, com gol de mão validado em plena era do VAR.

Os outros campeonatos que perdemos também passam por nossa deficiência dentro de campo, pelas arbitragens, tribunais e salas de redação.

Tanto Leila Pereira, quanto Abel Ferreira, quanto o elenco, em 2025, não fizeram uma temporada “nota 9”, como a presidente teve coragem de afirmar. Longe disso.

Nossos jogadores vacilaram em jogos cruciais. Nosso treinador não conseguiu extrair aquela faísca que já vimos em outras temporadas. Nem a “Noite Mágica” salvou seu trabalho este ano. E se fomos vítimas de todo tipo de orquestração possível fora de campo nas retas finais, é sinal claro da já conhecida fragilidade nos bastidores.

Todo mundo tem que melhorar, e todos têm condição para isso. Nossa presidente, que vai entrar em seu quinto ano de mandato, precisa entrar no jogo de uma vez por todas. Nosso treinador precisa entender melhor o que cada jogador pode entregar – algo que ele já mostrou saber fazer muito bem, mas que em 2025 não funcionou.

E o elenco, com o reforço de Paulinho, provavelmente terá condições de fazer um papel melhor. É verdade que algumas peças precisam ser trocadas e a barca já está sendo montada – além de Moreno, Micael e Bruno Rodrigues estão com um pé e meio fora do Palmeiras – e a reforma não pode parar por aí.

Déjà vu de 1995

Com relação a nós, torcedores, 2025 deixa uma impressão muito semelhante a 1995. Há 30 anos, terminamos o ano sem nenhum título, depois de 1993 e 1994 mágicos. Nosso rival venceu a Copa, mas nossa barriga estava cheia e a torcida soube digerir as frustrações do ano. Em 1996, o Palmeiras fez os ajustes necessários e o time virou uma máquina; as conquistas seguiram vindo em 1998 e 1999.

Nada indica que a nota de 2025 seja “9” – só pode avaliar assim quem encara o ano como uma pura preparação para as temporadas seguintes, e isso não existe no futebol. E mesmo assim, a nota só poderia ser cravada depois que o sucesso de 2026 viesse, o que ainda é uma incógnita. Precisamos de ajustes tão bons quanto os da virada de 1996.

Fora de campo, os ataques virão ainda piores. O Flamengo segue seu projeto de alemanização do futebol brasileiro e insiste com o plano de marginalizar os gramados sintéticos, com os apoios de Corinthians, São Paulo e da imprensa, com o único objetivo de tirar da frente a única equipe que ainda o incomoda: o Palmeiras.

Na verdade, a auto-concedida “nota 9”, em que os únicos responsabilizados foram os jogadores, foi puro discurso de campanha de quem quer se recolocar no cargo por mais um mandato, mesmo com o estatuto proibindo. Neste momento, a nota do nosso ano, com os vice-campeonatos atingidos, da forma que tudo aconteceu, não passa de 6.

Claro que podia ser pior, basta se colocar no lugar de torcedores de outros times, que tiveram um 2025 medíocre e não têm nenhuma perspectiva de conquista – ao contrário, romperão o ano preocupados com rebaixamento. Mas isso não tira, agora, nossa sensação ruim, que só vai se dissipar com o tempo. O que nos resta é esperar passar e se preparar para a próxima temporada. Porque quem ainda não entendeu que futebol é feito de euforias e frustrações, melhor torcer para o Dream Team dos Estados Unidos na Olimpíada. A torcida do Palmeiras de 1995 entendeu.


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5 comentários em “O discurso da nota nove e o déjà vu de 1995

  1. Esse texto ilustra bem como estamos mal acostumados. A era é tão ou mais vitoriosa do que a de 93/94, a comparação aqui foi feita com 95, que passou em branco e em 96 veio… um paulista! É, só um estadual! Alguém acharia o ano bom hoje ganhando só o paulista? Eu sei que o paulistão era bem mais cobiçado naquela época, mas aí vem o complemento: “as conquistas seguiram vindo em 1998 e 1999”. Notaram que faltou um ano aí? Depois de um paulista em 96 (com um supertime, não me esqueci disso), veio mais um ano em branco, 97, e mesmo se você estender essa análise até a virada do século, da um título a cada 2 anos, alguns bem questionáveis, como a Copa Mercosul, uma versão ainda mais simples da SulAmericana de hoje. Nossos anos “mágicos” de antigamente eram bem mais modestos.

  2. Brilhante texto como sempre, analogias perfeitas e críticas contundentes .. apenas opino que acho um 7,5 como nota mais justa; de resto, nem uma vírgula para sequer pensar em acrescentar …

  3. Exatamente… Apaga esse ano, esquece essa história de nota 9 ( Que mais parece posicionamento político) e segue a vida, 2026 tem mais e precisamos estar melhor ainda.#AvantiPalestra

    1. Eu diria que a Noite Mágica teve um efeito negativo, de alívio e dever cumprido. Não sei o quanto impactou negativamente na sequência.

      1. Fiquei muito feliz pela virada histórica, mas no fundo dava a sensação de que poderia ofuscar as oscilações do time. Sinceramente preferia ter sido eliminado a perder uma final de libertadores da forma patética que foi. Mas vida que segue.

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