Frágil, elenco do Palmeiras reage como um bando de adolescentes assustados

Felipe Melo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A derrota do Palmeiras ontem à noite na Vila Belmiro, para o Santos, pode ter sido um sinal de que algo está errado, muito errado no ambiente na Academia de Futebol.

No primeiro tempo o time ainda tentou jogar. Mesmo após levar dois gols em 15 minutos, o time tentou articular jogadas – ou, ao menos, os jogadores tentaram resolver na base das jogadas individuais. O Palmeiras parecia um boxeador nocauteado em pé, na esperança de encaixar um diretaço improvável e voltar para a luta.

Talvez o papo no intervalo não tenha sido positivo, não se sabe. Mas o fato é que no segundo tempo, os atletas não tentaram resolver nem em jogadas pessoais. Ao contrário: o Santos perdia a bola e nossos jogadores sequer corriam para se espalhar em campo, para tentar envolver o adversário na jogada seguinte.

Jailson chegou a receber um passe na fogueira e teve que dar um estourão. Em outra saída de bola, cedemos escanteio, de forma bizarra. É claro, nítido, transparente, cristalino que há algo errado.

Mano, negando o óbvio

Mano Menezes
Reprodução

O mais preocupante é que Mano Menezes, na entrevista pós-jogo, disse que não houve nenhum problema “anímico” e que a deficiência foi totalmente estratégica, que os jogadores não executaram o que foi determinado para a tática específica da partida. Negou algo que foi escancaradamente visível durante a partida.

A diferença de postura foi grande entre o primeiro e o segundo tempo. Os jogadores estavam amedrontados. A expressão de Gustavo Scarpa no banco, após ser substituído, era de um adolescente assustado.

Ao negar qualquer tipo de problema, Mano nos deixou apenas duas hipóteses: ou ele está completamente perdido e não está enxergando nada, ou, bem mais provável, compreendeu que existe um problema sério e está tentando blindar o grupo, algo que obviamente ainda não tem estofo para fazer, pelo pouco tempo de clube.

É curioso como técnicos como Roger Machado e Eduardo Baptista não tiveram força alguma nas crises que enfrentaram. Até mesmo Cuca, em sua segunda passagem, foi engolido. O único que colocou ordem na casa foi Felipão. General Scolari é uma fortaleza e conhece o clube. Sem alguém que conheça futebol e tenha autoridade para manter o ambiente sob controle, somos pobres meninos ricos.

Contra reviravoltas improváveis, só a aritmética

Alexandre Mattos

Quando se perde lutando, quando se cai em pé, a tristeza do torcedor por uma derrota passa logo. Mas quando o time não representa o espírito de luta do palmeirense, aí a ferida demora para fechar – e enquanto isso, a política ferve mais ainda.

É sabido que existe um processo fortíssimo de fritura sobre Alexandre Mattos. Seu cargo, que decide anualmente o destino de centenas de milhões de reais, é muito cobiçado. Há interesses grandes num fracasso do time este ano.

Talvez o atual treinador até seja fritado antes, mas a trajetória de Mattos, que a despeito de erros grosseiros segue sendo o melhor profissional do mercado, parece com os dias contados. Enquanto ele não for demitido, essas forças ocultas – ou nem tão ocultas assim – que trabalham contra sua permanência, não vão sossegar.

Para conquistarmos alguma coisa ainda este ano, precisamos que duas situações sejam revertidas. Uma não está a nosso alcance: o Flamengo precisa virar o fio. Outra, em tese, só depende de nós: temos que nos reorganizar, rápido, e retomar as vitórias.

Como manter a fé numa possibilidade que exige duas reviravoltas, sendo que em uma não temos nenhum controle, e em outra estamos reféns de forças que atuam nas estruturas eternamente carcomidas de nossa política interna?

Esperamos estar apenas criando fantasmas e que o time mostre nas próximas rodadas que não existe nada disso. Entregar os pontos, só quando a aritmética proibir sonhar.


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Entrevista: Conselheiro Luiz Fernando Marrey Moncau

O Verdazzo entrevistou o conselheiro da SEP Luiz Fernando Marrey Moncau, que mantém uma conta no Twitter bastante ativa – @vaiparmera.

Nesta entrevista, conversamos sobre a última reunião do Conselho Deliberativo, o modelo de votação definido pelo Presidente do Conselho e sobre o documento que regulamenta tudo isso, o Estatuto do clube. Confira abaixo.


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Rescaldo da eliminação: o que pode (e precisa) melhorar, dentro e fora do campo

Palmeiras (4) 0x0 (5) SPFC
Fernando Dantas/Gazeta Press

A derrota nos pênaltis ontem para o SPFC na semifinal do campeonato paulista fez eclodir uma revolta que estava represada na torcida, que só não tinha vindo à tona antes devido aos placares, até então positivos. Os números vinham sendo muito bons

Como sempre, a caça às bruxas começou, a fogueira já está ardendo e o futebol segue sendo a válvula de escape para as frustrações diárias de boa parte da população – não é privilégio da nossa torcida ter esse tipo de comportamento nas derrotas.

Talvez seja por isso que a tendência de ignorar que as razões do fracasso passam por vários fatores prevalece. A raiva cega; a capacidade de tentar enxergar o retrato de forma ampla, abrindo o panorama, praticamente desaparece.

Como na maioria das vezes, uma eliminação não tem apenas uma razão. Poderíamos ter jogado bem melhor e não ter dependido de um lance aos 32 do segundo tempo anulado pelo VAR. Mas também poderíamos ter batido melhor os pênaltis. E também poderíamos ter sido mais eficientes nos bastidores para evitar o roubo institucionalizado.

Antes de falar de bola…

Respeito

O Palmeiras entrou em guerra contra a FPF há exatamente um ano, no dia 8 de abril de 2018. O roubo que aconteceu no Allianz Parque é histórico e a situação foi conduzida com o fígado por nossa diretoria. É difícil, na condição de torcedor, criticar esse posicionamento. Partir para o choque frontal vem ao encontro de nossos desejos – afinal, nossos fígados também trabalharam bastante naquela semana.

Mas o Palmeiras precisa decidir o que quer em relação ao campeonato paulista. Se quer ganhar, vai ser quase impossível se mantiver a guerra aberta. Todas as instituições – departamento técnico, imprensa, arbitragens e tribunais trabalharão contra o Palmeiras de forma determinada. Para vencer “contra tudo e contra todos”, precisa jogar muita, muita bola.

E normalmente isso não é possível em abril. Se tivesse passado ontem, muito provavelmente seria vice-campeão. O Palmeiras de 2019 ainda não está pronto para dobrar os adversários com a facilidade que a diferença de elencos sugere. Para poder disputar o estadual com chances de vencer, uma postura menos ácida e mais política precisa ser tomada.

Andar nesse fio é uma tarefa bastante complicada. O clube, diante de todas essas dificuldades, precisa de alguém com tarimba e trânsito para defender seus interesses – algo como um diretor remunerado de relações institucionais; um profissional com experiência em amarrar pontas e conduzir situações com frieza para chegar aos resultados. Ou se caminha nessa direção, ou deixa-se bem claro que não disputaremos o paulista para vencer, escalando times alternativos, recheados de moleques da base.

Temos que falar de arbitragem, sim

Flávio Rodrigues de Souza
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante da guerra aberta, os jogadores já entram mais pilhados que o normal, sabendo que seremos roubados. E fomos. A arbitragem de Flávio Rodrigues de Souza, ontem, vai lhe render troféus e medalhas. Não cometeu erros grosseiros, foi ajudado pelo VAR, teve a sorte do pé de Deyverson estar posicionado centímetros à frente de Reinaldo e com isso saiu com a avaliação muito positiva.

Mas arbitragem não se mede apenas nos lances capitais. Flávio de Souza roubou à moda antiga. Diante do jogo mais fluido do Palmeiras, amarrou a partida com as chamadas faltinhas. Truncou, inverteu, quebrou o ritmo. Erros que se diluem diante das duas midiáticas intervenções do árbitro de vídeo, que anularam gols – um para cada lado, aumentando a sensação de justiça. Mesmo jogando abaixo do que pode, se mantivesse o ritmo da partida, o Palmeiras mostrava que poderia chegar à marcação de gols.

Tenham calma, ainda falaremos sobre bola. Mas as coisas podem andar em paralelo. O fato de termos involuído dentro de campo não impede de pontuarmos mais um assalto, ainda mais considerando que as semifinais são jogos de 180 minutos e que a anulação do pênalti no Morumbi, esse sim, foi um lance grande e decisivo manipulado contra nós.

Mas vocês querem que o texto fale de bola para poderem pregar alguém na cruz. OK. Sigamos.

Dentro de campo, andamos para trás.

Felipe Melo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O sistema defensivo parecia bastante sólido – e, de fato, os números apontam para isso. Mas nas últimas partidas temos visto nossos zagueiros muito mais expostos que antes. A recomposição defensiva está falha; Felipe Melo está marcando muito mal, à distância, se movimentando pouco e preenchendo mal os espaços. Com isso, Bruno Henrique fica sobrecarregado.

Os laterais sobem ao ataque mas não têm apoio; com isso, dependem de jogadas individuais ou de tabelas fortuitas para poderem chegar ao fundo em condições de fazerem um cruzamento.

Na frente, temos três jogadores de qualidade indiscutível, que começaram a dar sinais de entendimento (importante lembrar que Dudu, Scarpa e Goulart só começaram a jogar juntos no dia 10 de março), mas nos últimos três jogos parecem já não estar mais falando a mesma língua; o entrosamento regrediu. As jogadas até começam, mas falta uma preparação mais adequada para a finalização. Isso passa também pela sintonia com o centroavante.

Nem Deyverson, nem Borja, conseguiram satisfazer a essa dinâmica. Temos no elenco um rapaz de 22 anos, cuja contratação, inclusive, precipitou o empréstimo de Papagaio, menino da base que poderia ser acionado conforme mostrasse amadurecimento. Por tudo isso, a entrada de Arthur Cabral no time parece ser a primeira atitude que precisa ser tomada pela comissão técnica para tentar corrigir o time.

Thiago Santos, com muito mais mobilidade e precisão nos desarmes, é outro que precisa ser mais acionado. Eventualmente, sua presença pode até liberar Bruno Henrique para voltar a ser o jogador “box-to-box” do ano passado, decisivo e marcador de gols.

Obviamente, para que tudo isso aconteça, o sistema geral de jogo precisa passar por uma revisão. Os laterais não podem subir sem uma cobertura bem ensaiada. As linhas precisam ficar mais próximas, mais compactas, diferente do time cada vez mais espalhado que vemos ultimamente.

O Scolarismo está falhando em sua base

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O grande problema é que Felipão não é muito adepto desse modelo de jogo mais apoiado, com linhas compactas. O Scolarismo é um sistema que joga com probabilidades; mais vertical, funciona muito bem quando a defesa está forte. Ocorre que a defesa anda mais exposta que o normal nos últimos jogos, quebrando a base do sistema.

Sem o apoio do segundo volante; o ataque depende das subidas aleatórias dos laterais para apoiar a troca de passes pelos flancos. Tem funcionado pouco. Para completar, os centroavantes vivem fases técnicas ruins e não ajudam na construção das jogadas. Por isso, as chances de tomarmos gols aumentou, e as de fazer pelo menos um por jogo, despencaram. Hoje, as probabilidades estão contra o Palmeiras, o que reflete nos últimos placares.

Para completar, cruzamos com o SPFC, um time abaixo da linha do medíocre, tentando se recuperar de uma crise técnica profunda, no pior momento possível. Uma enorme falta de sorte do calendário fez com que uma vaga fosse decidida nos pênaltis ao colocar frente a frente um time no ponto mais baixo de sua oscilação contra um que até então não tinha atravessado um momento tão bom na temporada.

Calma; tranquilidade

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Quarta-feira temos um jogo-chave na Libertadores e a vitória é mandatória. Não há tempo para implementar mudanças profundas no sistema de jogo; vamos de scolarismo puro e torcer para que as probabilidades voltem a nos sorrir.

O que pode aumentá-las é fazer as duas trocas sugeridas, introduzindo Thiago Santos e Arthur Cabral no time, simplesmente para que seus desempenhos técnicos suplantem os de Felipe Melo e Deyverson, até que eles voltem a viver momentos mais felizes.

Nosso papel, neste momento, parece ser o de cobrar por mudanças – mas sem perder a essência de torcedor. Essa essência, ao contrário do que se pensa, não é a de cornetar, e sim a de apoiar. A corneta é um aspecto eventual, válido e até necessário. Mas a função primordial do torcedor é, sempre, apoiar, empurrar o time para frente, não ser âncoras.

Segunda-feira de derrota para inimigo, em casa, com eliminação, é duro. É impossível não se deixar levar pela raiva em alguns momentos. Mas nossos cérebros continuam aqui em cima. Com calma e tranquilidade chegaremos mais rápido às correções necessárias.

Esta conversa vai continuar no Periscazzo desta noite: às 20h, ao vivo, em nosso canal do Youtube: www.youtube.com/verdazzo1914. Inscreva-se!


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Episódio ‘BlackStar’ deve se encerrar nas próximas horas; veja como fica o saldo de cada envolvido

BlackStarA aproximação da BlackStar, conglomerado de empresas misterioso que fez uma proposta de patrocínio astronômica ao Palmeiras, agitou a política do clube na última semana. A postura das duas partes, contudo, conduziu a situação para um descarte definitivo nas próximas horas.

Ninguém fez muita questão de fazer o negócio andar. Sob a influência fortíssima da conselheira/patrocinadora Leila Pereira, o Palmeiras jogou com o tempo. Em vez de iniciar o processo de Due Dilligence de forma objetiva, o clube elaborou, depois de uma reunião presencial, uma sabatina para que o interlocutor, um certo Rubnei Quicoli, respondesse por e-mail.

O movimento irritou o representante da empresa, que abocanhou o anzol com todas as forças ao responder de forma grosseira a mensagem do Palmeiras, que, entre dezenove perguntas, continha de fato quatro ou cinco questões relevantes – todas poderiam perfeitamente ser elucidadas pelo processo formal devido. Tudo foi acompanhado de perto pela imprensa, que teve amplo acesso ao nada amistoso diálogo.

O tiroteio através dos veículos de comunicação prosseguiu durante o fim-de-semana, tornando o clima muito difícil de ser contornado. A tendência é que não haja avanço e que o Palmeiras renove o patrocínio com a Crefisa.

Proposta incomum

Não pelo momento em que a primeira informação chegou, mas pelo volume de dinheiro e por todo o mistério que envolve a holding, a proposta naturalmente suscitou desconfiança de conselheiros, associados e torcedores. A falta de informações nos documentos preliminares reforçou a nebulosidade do cenário.

Todas as dúvidas, entretanto, poderiam ser dissipadas, com um mínimo de boa vontade das partes. O Palmeiras colocou obstáculos. E o representante da holding teve o comportamento que lembra tudo, menos o de um homem que está decidindo o destino de R$ 1 bilhão.

O Palmeiras, se não estivesse sob influência política tão forte, poderia ter sido mais receptivo à proposta e facilitado o caminho para o esclarecimento. E o senhor Quicoli poderia ter lidado melhor com o joguete proposto pelo clube. Teriam sido atitudes que preservariam intacto o clima respeitoso e profissional que uma negociação que envolve tantos recursos e interesses envolve.

Da forma como tudo aconteceu, parece que ninguém estava muito a fim mesmo de que o negócio saísse.

Saldo do episódio

Maurício Galiotte e Genaro MarinoEm vez de elucidar, os contatos contribuíram apenas para que o episódio entre para o folclore palmeirense. É bastante possível que o nome da holding se transforme num vocábulo para descrever algo duvidoso. Aquele ponta-esquerda que virá a peso de ouro e não vingar será um “BlackStar”. Aquele agente de atletas com postura duvidosa também poderá ser classificado com o nome do conglomerado. Até árbitros podem passar a ser chamados de “BlackStar”. Isso só não acontecerá se Quicoli cumprir sua ameaça de procurar outro clube e ele realmente despejar num rival o caminhão de dinheiro que quis originalmente aportar aqui. O tempo dirá.

A diretoria do clube reforçou sua lealdade à patrocinadora. A Crefisa, por sua vez, manteve-se apenas observando, com declarações furtivas, e não se desgastou – ao contrário: mesmo sem fazer nada, saiu fortalecida, com a imagem mais sólida ainda após ser comparada com uma alternativa que não passou confiança.

A oposição, mesmo tendo feito sua obrigação, saiu com a imagem arranhada. Apesar dos cuidados para manter a oferta em pé mesmo se perdesse a eleição, caracterizando o trabalho em favor do clube e não de uma condição política, o grupo encabeçado por Genaro Marino será lembrado por algum tempo como os responsáveis pela BlackStar – algo que, como vimos, terá sempre uma conotação negativa.

O Palmeiras não perde nada, mas talvez deixe de ganhar. A condição de pagamento à vista por um patrocínio de dez anos vai sempre projetar uma sombra sobre a atual gestão. As incertezas sobre o negócio jamais deixarão de ser comparadas com uma oferta de transferência imediata de uma quantia que seria mais de 60% superior ao que atualmente oferece a Crefisa. Sempre alguém poderá lembrar que o clube não se esforçou para, ao menos, ter certeza que a BlackStar seria uma jogada equivocada.

Reajuste: nada mais correto

Leila PereiraNossa diretoria, apesar de toda lealdade à atual patrocinadora, poderá usar o episódio na hora de definir o novo valor a ser pago pela Crefisa nos próximos três anos. A própria Leila já deixou a possibilidade em aberto, ao dizer que avaliaria se teria condições de cobrir a eventual proposta da BlackStar.

Ora, se a Crefisa deixou claro que poderia subir a proposta para competir com a BlackStar, e se a parceira tem sido tão boa assim para a empresa, que teve um retorno absurdo em forma de faturamento e evidência na mídia, nada mais correto do que um bom reajuste nos termos do patrocínio.

Afinal, o Palmeiras já se mostrou atrativo a empresas dispostas a pagar bem mais, mesmo com dados que acabaram não sendo dissecados. Como vimos, isso aconteceu por atitudes que passam não apenas pela grosseria do interlocutor, mas também por pressão política da própria Crefisa.

Então é hora de subir a régua.

Atualização – 14h59

O presidente Maurício Galiotte divulgou na imprensa agora há pouco que consultou o banco HSBC a respeito da carta de garantia apresentada por Rubinei Quicoli, e o banco afirmou que o documento é falsificado.

A revelação é o fato concreto que era necessário para que o assunto fosse encerrado sem que a dúvida de rasgar R$ 1 bilhão pairasse sobre a diretoria. Dispensa até o processo de Due Dilligence. A diretoria, desta forma, agiu com o profissionalismo que uma cifra de dez dígitos exige.

***

O papel da mídia palestrina isenta é defender os interesses do clube acima de tudo. E a única coisa a defender neste caso era a apuração rigorosa dos fatos. Foi o que o Verdazzo defendeu do início ao fim do episódio.

Mas muita gente, involuntariamente, acabou se revelando. Não há credibilidade para quem tomou partido antes da prova concreta surgir. Só duas coisas explicam tal irresponsabilidade: ou é a fanfarronice típica dos botecos, ou é gente que defende demais os interesses de particulares – colocando-os acima até dos do clube. E pode haver uma série de razões para isso.


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Reeleito, Mauricio Galiotte tem novos desafios nos próximos três anos

Maurício Galiotte e Genaro MarinoNo último sábado, os associados do Palmeiras decidiram em Assembleia Geral que Mauricio Galiotte continuará sendo presidente do Palmeiras, pela primeira vez num triênio – de 2019 a 2021.

O atual presidente foi reeleito com 1843 votos, contra 1176 de Genaro Marino, candidato da oposição e vice-presidente na atual gestão. Presidente e vice romperam logo nos primeiros dias da gestão, após o fim do segundo mandato de Paulo Nobre.

Contexto da disputa

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO racha na atual gestão deu-se logo na primeira semana de trabalho. A questionável manobra arquitetada por Mustafá Contursi para tornar Leila Pereira, dona da Crefisa e patrocinadora do clube, elegível ao Conselho Deliberativo, desagradou a Paulo Nobre, que rompeu definitivamente com o casal Lamacchia. Galiotte teve então que optar: ou mantinha em torno de si o grupo com quem trabalhou por quatro anos, ou se apoiava numa base política tradicional, comandada por Mustafá, somada ao apoio financeiro da Crefisa, que por sua vez condicionava o vultoso patrocínio ao afastamento das pessoas ligadas a Nobre.

Galiotte optou pela dupla Mustafá/Leila. Três vice-presidentes foram imediatamente isolados de todos os passos da gestão, inclusive fisicamente, realocados em salas distantes da presidência. Tais atitudes geraram um enorme desapontamento dos ex-companheiros de trabalho, que imediatamente se tornaram oposição ao presidente, que mesmo assim se sentia satisfeito com a base política e financeira que havia construído, a despeito das consequências de cunho político e pessoal.

Mustafá e Leila rompem

Leila Pereira em campanha
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Leila Pereira se tornou uma espécie de celebridade, bastante ativa nas redes sociais e aclamada no clube social e nos entornos dos estádios. As novas contratações do elenco eram sempre associadas ao aporte financeiro da Crefisa, transformando-a numa popstar palmeirense.

Enquanto isso, Mustafá Contursi seguia em sua rotina política, fazendo agrados à sua base, apoiado na distribuição de ingressos que conseguia de uma cota fornecida por Leila. Até que uma denúncia de desvio dessas cotas para cambistas foi a deixa para que Leila rompesse com Mustafá – algo que, aparentemente, sempre esteve em seus planos e ela só esperava o motivo.

Livre de Mustafá, Leila Pereira passou a ser a única influência sobre Mauricio Galiotte, o que foi muito importante quando a Receita Federal autuou a Crefisa por irregularidades na declaração no que dizia respeito ao repasse de verbas para a aquisição de jogadores. Foi necessário fazer um ajuste por questões fiscais e o Palmeiras acabou se tornando devedor de R$ 120 milhões da noite para o dia, com a anuência do presidente.

O COF, comandado por Mustafá, reprovou as contas da gestão – coberto de razões técnicas para tal. O que não significa, caso fossem aliados políticos, que fossem feitas vistas grossas. Foi o preço pago pela dupla Galiotte/Leila por romper com o velho cacique.

Caminho livre

Pizza!A escalada política de Leila Pereira prosseguiu com a alteração estatutária que ampliou o mandato do presidente para três anos. O tema era um justo anseio dos palmeirenses durante décadas, já que o mandato de apenas dois anos tornava o ambiente no clube excessivamente carregado de tensões políticas.

Ocorre que a mudança só foi colocada em pauta porque beneficiava exatamente a Leila Pereira, que por isso terá condições de concorrer à presidência ao final de 2021. Se o mandato permanecesse em dois anos, ela teria que esperar até 2022.

Para que a alteração, casuísta, fosse aprovada, Leila não mediu esforços. Rodízios e mais rodízios de pizza foram promovidos no clube social; presentinhos baratos como bolas de plástico para crianças e selfies e beijinhos distribuídos sem parcimônia, tudo para que os associados fossem favoráveis à mudança, usando a “modernidade” como retórica.

Leila PereiraEnquanto escalava rapidamente a política palmeirense, Leila via a importância da Crefisa nas contas do clube crescerem cada vez mais, com a queda ininterrupta do número de associados do Avanti, num processo de “unimedização” de um modelo de receita que antes era tremendamente equilibrado.

Foi sob o comando de Galiotte e Leila que o Palmeiras, apesar do elenco fortíssimo, patinou em sete campeonatos no biênio 2017/2018, conseguindo conquistar o brasileiro graças à mudança desesperada de comando técnico em julho, num golpe que acabou se mostrando certeiro.

Os desafios da próxima gestão

Mauricio GaliotteNo curto prazo, o futebol do Palmeiras seguirá forte. Seguiremos surfando na onda atual, já que temos um elenco fortíssimo que precisa apenas de ajustes pontuais para seguir protagonizando o futebol nacional. Alguns contratos importantes precisam ser renovados – sobretudo o de Dudu. Caso não obtenha sucesso, Galiotte terá recursos para uma reposição à altura – até porque, haverá a receita da saída do camisa 7.

O Avanti vive uma crise gravíssima. O programa que deveria ser a principal base de sustentação da economia palmeirense está deteriorando. Produtos pouco atraentes e falhas constantes no sistema de venda de ingressos impelem o palmeirense a desistir de fazer parte do quadro de associados, recorrendo cada vez mais às cadeiras da WTorre como alternativa para ter garantia de acesso aos jogos.

O enfraquecimento do Avanti traz na esteira a enorme deficiência do processo de precificação dos ingressos. Os constantes clarões vistos no estádio evidenciam o problema; as faixas de preço parecem definidas “no chute” e não obedecem a um modelo técnico.

Enquanto isso, o time desfruta da proteção restabelecida na Academia de Futebol após a chegada de Felipão – a blindagem fazia muita falta nos tempos de Eduardo Baptista, de Cuca em sua segunda passagem e de Roger Machado, que tinham que conviver com um entra-e-sai incessante de pessoas sem nenhuma relação com o dia-a-dia do futebol, fruto de concessões políticas a conselheiros e patrocinadores. Essa proteção deve permanecer com ou sem Felipão, a diretoria precisa respaldar a condição da Academia como “lugar sagrado”.

ArbitragemAo mesmo tempo em que protege o elenco de influências externas, a diretoria precisa, de uma vez por todas, estancar os danos causados pelas arbitragens. Este ano, o Palmeiras teve forças suficientes para vencer o Brasileirão, nos pontos corridos, apesar das sucessivas interferências dos árbitros. Mas por absoluta inoperância nos bastidores, acabamos alijados das disputas do Paulista e da Copa do Brasil, decididos em mata-matas – sem mencionar o próprio Brasileirão do ano passado.

Por fim, Galiotte precisa colocar o Palmeiras acima dos interesses políticos e/ou pessoais de qualquer personagem, inclusive os de Leila Pereira. Se houver a possibilidade de um contrato de patrocínio maior que o da Crefisa, ela deve ser tratada com a devida atenção, nem que isso signifique um realinhamento da relação com Leila. O Palmeiras deve vir sempre em primeiro lugar.

Boa sorte

Que o presidente reeleito Mauricio Galiotte tenha boa sorte neste triênio à frente do clube. Que o Palmeiras siga trilhando o caminho das conquistas, protagonizando o futebol brasileiro. Que nosso clube siga subindo o sarrafo e puxando a fila, sem regredir. Que o modelo de receita seja reequilibrado, que as arbitragens voltem a nos respeitar. E que a Política volte a ser praticada de forma altiva, com “P” maiúsculo, com “P” de Palmeiras.

Mesmo apoiando o grupo derrotado na eleição, o Verdazzo seguirá torcendo sempre pelo sucesso do Palmeiras, seja quem for o mandatário, mantendo a lealdade como padrão. Mas sempre atento e vigilante.


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