Conselheiros oposicionistas questionam dados da gestão Galiotte

O Verdazzo teve acesso a um documento que foi protocolado por 36 conselheiros do Palmeiras, questionando o presidente do Conselho Deliberativo, Seraphim Del Grande, acerca do Balanço Patrimonial de 2019 divulgado há algumas semanas, bem como de práticas administrativas da atual gestão.

No documento, os conselheiros questionam o estouro do orçamento, bem como a distância entre os números previstos e o resultado real verificado. Além disso, os oposicionistas solicitam esclarecimentos a respeito de itens considerados incompreensíveis no demonstrativo financeiro – alegam que itens sem precedentes em balanços anteriores mascararam o resultado, que só assim teria deixado de estar negativo.

O documento ainda analisa a evolução dos números ano a ano e questiona o enfraquecimento das finanças do clube, bem como reitera a preocupação com a falta de publicação dos balancetes mensais. Por fim, pedem, entre outras providências, a criação de uma Ouvidoria, alegando que questionamentos feitos por conselheiros estão sendo ignorados, mesmo com todo o processo formal sendo seguido.

A Diretoria do Palmeiras poderá usar este espaço para responder publicamente a todos os questionamentos, se assim desejar. O documento completo, bem como os nomes dos requerentes, pode ser lido neste link.

Mesmo com o futebol parado, segue o líder!

O Palmeiras é certamente o clube brasileiro que vem tendo a melhor postura, em todos os sentidos, nestes tempos de pandemia e é o verdadeiro líder do futebol brasileiro. Além de se posicionar de forma responsável com relação à volta das atividades, uma série de atitudes destacam o maior vencedor de títulos nacionais dos rivais.

O Palmeiras foi o primeiro clube a adequar a arrecadação do plano de sócio-torcedor nos meses em que o futebol está paralisado em créditos para a compra de ingressos no futuro. Os consulados do Palmeiras arrecadaram e distribuíram uma quantidade enorme de roupas e alimentos aos necessitados – o mesmo foi feito pelas organizadas.

Também foi o Palmeiras o clube que melhor tratou seus empregados, ao garantir o trabalho de todos, sobretudo dos colaboradores do clube social e do departamento de base, algo possível graças a uma ótima negociação com o elenco, que aceitou de forma generosa uma redução temporária nos vencimentos. Nos clubes rivais, a demissão de funcionários foi o caminho escolhido para garantir o salário integral das estrelas.

Tudo isso só foi possível graças à solidez que o clube, de forma profissional e responsável, sustenta desde 2013, quando um novo modelo administrativo-econômico foi implementado – ao contrário da esmagadora maioria dos clubes brasileiros, que continuam gastando mais do que arrecadam e antecipando receitas de forma irresponsável.

Muitos méritos; não é só a Crefisa

Ao tratar dessas diferenças, a imprensa, como sempre, atribui a força econômica do Palmeiras única e exclusivamente ao patrocínio da Crefisa. O fato do Palmeiras ter um patrocinador que cumpre suas obrigações parece até ser motivo de desabono para o clube.

Às vezes algumas opiniões da imprensa deixam a impressão que o Palmeiras é uma espécie de “traidor da classe”. Se os clubes queridos e protegidos estão com problemas, nós também teríamos que estar.

Na realidade, o Palmeiras não está sendo o exemplo apenas porque a patrocinadora, conselheira do clube, tem aspirações políticas. As receitas advindas do contrato de publicidade têm valores respeitáveis, mas nem de longe podem ser considerados o único pilar econômico, já que não chegam a 20% do total de receitas auferido em 2019, segundo balanço divulgado recentemente.

Nosso clube, além do patrocínio da Crefisa, recebe integralmente as cotas da Puma. As vendas de atletas tiveram um resultado muito interessante, além das ótimas negociações pela comercialização dos direitos de TV.

As bilheterias, mesmo num valor inferior a 2018, bem como o Avanti, também foram ótimas fontes de receita e o Palmeiras segue recebendo as parcelas regulares de outros contratos que não adiantou nos anos anteriores, como fizeram os outros clubes que agora estão com o pires na mão.

Ao ficar sem títulos e sem premiações em 2019, o Palmeiras não fez como a maioria dos clubes e não foi de forma desenfreada ao mercado para satisfazer às pressões internas e da torcida. Pode até não ser suficiente para a conquista de títulos – saberemos ao final do ano – mas com Rony e Viña, mais as promoções dos meninos da base, o clube se deu por satisfeito e se manteve com o fluxo equilibrado. E só pode se manter competitivo usando a base quem trabalha bem nessa frente.

Tudo isso são méritos que a imprensa, sempre com camisas por baixo, se esforça para omitir ou mesmo distorcer. O uso do termo “mecenato”, sempre de forma pejorativa, denota uma má vontade que beira um século. A imprensa em geral odeia o Palmeiras e não é de hoje. O balanço é público, as informações estão todas disponíveis. Só distorce quem quer.

O Palmeiras pode não ser o atual detentor dos troféus mais importantes do país neste momento, mas segue sendo o líder, não apenas em conquistas, mas também na postura, liderando pelo exemplo, fazendo como ninguém seu papel na sociedade nestes tempos tão difíceis. SEGUE O LÍDER! VAMOS PALMEIRAS!


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Zerado no balanço e na sala de troféus, Palmeiras marcou passo em 2019

Palmeiras

O Palmeiras enviou esta semana aos conselheiros o balanço financeiro de 2019. Segundo o documento, o clube fechou o ano com um superávit de R$ 1,7 milhão. Diante de um total de R$ 640,4 milhões em despesas, podemos dizer que o resultado (+0,27%) foi praticamente zero, o que não é necessariamente uma má notícia. Clube de futebol não visa primordialmente o lucro. A contabilidade que conta mesmo é a de troféus, e nessa o Palmeiras ficou igualmente zerado. Então temos, sim, um problema.

A gestão de um clube de futebol deve visar sempre a valorização de seu elenco. Um clube que fecha o ano com troféus conquistados, além de alcançar os objetivos primordiais, faz com que eventuais negociações de seus atletas alcancem valores muito maiores do que no ano anterior. O elenco então é renovado em algumas posições, e dependendo da habilidade do diretor de futebol, fica mais forte ainda para o próximo ciclo.

Quando um clube fecha o ano sem conquistas, mas aufere um bom superávit financeiro, isso será convertido em jogadores mais valiosos, o que aumenta a probabilidade de conquista de títulos. Ficar um ano sem troféus, então, não é o fim do mundo, mas aumenta a pressão por conquistas no ano seguinte, o que faz com que o caixa precise fechar o período reforçado para que a necessidade de melhorar o elenco seja satisfeita.

Em 2019, o Palmeiras não fez nem uma coisa, nem outra. Ao fechar a contabilidade de títulos e o balanço financeiro zerados, o clube marcou passo. Isso se traduziu de certa forma nas poucas contratações feitas no início de 2020. Ronny e Viña são jogadores muito bons e o elenco de 2020 parece ligeiramente mais forte que o de 2019 – mas só saberemos se estes movimentos foram suficientes caso o time chegue a conquistas relevantes.

Acerto pontual

Outro anúncio relativo às finanças do clube foi feito na manhã desta quinta-feira: o alto escalão do futebol (Anderson Barros, Cícero Souza e Vanderlei Luxemburgo), mais os atletas, terão descontados 25% da folha salarial até junho, após acordo entre as partes.

A medida visa equilibrar o fluxo de caixa do clube e manter os profissionais com salários mais modestos com os vencimentos integrais e em dia. Ponto para a diretoria e para os líderes do elenco, que souberam tratar a situação com maturidade.

Maturidade, aliás, que falta à nossa torcida, que desata a discutir cheia das razões nas redes sociais qualquer coisa que a imprensa noticie, como se tivesse todas as informações e planilhas nas mãos, conturbando ainda mais o ambiente.

Mesmo com eleições diretas pelo voto dos sócios, notícias de um presidente do Palmeiras cedendo a pressões da torcida são tão raras quanto as do cometa Halley. Chiadeira nas redes sociais só dão mais munição para a imprensa predatória.

As informações pontuais exploradas nos meios de comunicação podem ser questionadas e cobradas dos conselheiros, para que eles repassem a cobrança à diretoria. Esse é o caminho. Contate sempre seu conselheiro favorito. Se não conhece nenhum, procure nas redes sociais e escolha aqueles com quem você se identifica mais. Tem aos montes.

O que a diretoria sabe muito bem é que este ano as conquistas dentro de campo são fundamentais. Com troféus conquistados, o Palmeiras compensará o ano anterior e valorizará seu elenco, retomando o crescimento. Se fechar de novo sem títulos, mas com um bom superávit, haverá muitas críticas, com razão, mas pelo menos haverá perspectiva de crescimento – algo que não aconteceu no fechamento de 2019.

E se repetir a temporada anterior e fechar 2020 com tudo zerado pelo segundo ano seguido, aí é sinal de que muita coisa está muito errada.

Além das conquistas locais, nosso objetivo deve ser, sempre, melhorar o elenco para brigar com os maiores do mundo. Não podemos nos limitar a nos comparar apenas com SCCP, SPFC e Santos, ou com o Flamengo, River Plate e Boca Juniors. Temos que crescer, sempre, e não marcar passo, como foi confirmado pelos fechamentos oficiais do ano.


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Desafios do futebol frente aos tempos difíceis

Por Savério Orlandi

A sociedade experimenta angustiada o ineditismo de uma situação onde se encontra com protagonismo no desenrolar de uma página dentro da história da humanidade, para a qual a responsabilidade de cada um de nós se traduz em fazer a sua parte e somar esforços, pois não há espaço para divisão, caracterizada por qualquer diferença, que possa ser conjugada em circunstâncias como as atuais.

O mundo em compasso enfrenta aturdido a crise diante de um cenário que põe todos no mesmo barco, tornando os entes civis ao mesmo tempo credores e devedores de direitos e obrigações. 

O abalo no negócio dos esportes será da ordem de U$ 15 bilhões, segundo estudo da Sports Value, sendo certo que o futebol, levado à reboque ao encontro de tempos mais do que difíceis, se verá confrontado por problemas de diversas ordens, urgência no reposicionamento de médio e longo prazo em face da nova realidade inimaginável e de consequências ainda incalculáveis, e também sugerindo, ainda que supletivamente, a identificação de algumas oportunidades.

Enfim, o momento reclama muita sabedoria. Nenhuma demanda ordinária do mal estruturado futebol brasileiro tem lugar nesse momento. Não há nada de “dantes” que importe agora. Os debates sobre o calendário, a adoção do “fair play” financeiro, modelos para clubes empresa, ficam temporariamente sobrestados em face dos desafios prementes, afinal, muitas questões mediatas, das mais variadas espécies recorrentes no dia a dia dos cubes, hão de ser solvidas.

Os clubes que dispõem de equipamentos e atividades sociais, tem por um lado a necessidade de considerar o seu custeio, contudo, não se esquecendo do impedimento quanto à fruição plena pelos seus membros associados, o que poderia garantir a possibilidade de adesão a diferimentos de contribuições sociais com alguma carência, além de forma e data para retomada dos pagamentos razoavelmente determinada, pensando ainda em eventual redução para todos os associados por breve hiato temporal, aderentes ou não, para compensar a suspensão do uso.

Programas de “sócio torcedor” dos clubes podem ser até um fator de reação, as coletividades em geral, se convocadas, buscarão como sempre meios para responder, devendo para tanto serem contemplados diferimentos e benefícios, seja na manutenção como na adesão dentro de um período futuro a ser estipulado; pela via oblíqua, cria-se a oportunidade para o incremento ou resgate de programas repaginados que possam se revelar, na prática, em verdadeiro “jogo de ganha-ganha”, sentido existencial dessa natureza de relacionamento. 

Questão complexa envolverá a afluência do torcedor, seja quanto ao consumo de produtos dos clubes que será diretamente impactado, como especialmente no tocante a situações derivadas da diminuição de bilheteria e a forma da futura precificação adotada no retorno, que devem ser previamente imaginadas pelos gestores considerados os dados objetivos já existentes como a evidente redução do número de jogos e a evasão de presença como consequência de questões econômicas e preventivas relacionadas à saúde, e também quanto às variáveis, entre elas a eventual originação, ainda que transitória, de um novo meio social que imponha, por exemplo, a limitação do número de espectadores por partida e, via de consequência, do público pagante. 

Um aspecto que notadamente afetará de modo negativo os clubes de futebol serão os contratos em geral derivados dos relacionamentos “comerciais” em sentido amplo, neles incluídos os seus patrocinadores, a televisão, as competições, entre outros… as relações no Brasil, em sua quase totalidade, são muito verticais, deixando pouca margem de manobra, devendo se priorizar as negociações em bloco perante os entes federativos e os detentores dos direitos de transmissão, tratando-se em separado os ajustes individuais com os respectivos patrocinadores, a quem se recomenda aos dirigentes deles pleitear a sempre manifestada condição de “parceiro do clube”.

Naquilo que se relaciona às obrigações fiscais e trabalhistas em geral, como nem poderia ser diferente, os administradores e suas assessorias certamente hão de se valer dos atos normativos que vem sendo (e ainda serão) publicados em profusão, destinados às várias regulamentações necessárias para ultrapassar um quase estado de exceção, excluindo-se aqui, a título sugestivo, os “contratos especiais de trabalho” dos jogadores profissionais de futebol.

Efetivamente, trata-se de um tema bastante espinhoso, a uma porque os encargos com o elenco compõem a principal rubrica de despesa dos clubes e, a duas, pela sensibilidade necessária para construir um entendimento com os jogadores sem ferir direitos e/ou suscetibilidades entre as partes… ouve-se, isoladamente e a distância, a alegada disponibilidade do atleta, que entende estar apto à entrega da sua parte, impedido porém pelas circunstâncias; ora, será esse conceito absoluto ou deve (e pode) ser relativizado? Apresenta-se neste aspecto, a ideia que sim, o que permitiria, dando legitimidade, as reduções de vencimentos por determinado lapso temporal.

Como já temos visto em casos análogos ao redor do mundo e em alguns por aqui, não aparenta qualquer desacerto se tentar trilhar consensualmente esse caminho até o alcance de acordo coletivo validado, sendo imperioso às duas partes da relação contratual, neste momento, ter a convicção de que a redução configura solução justa, oportuna e adequada à hipótese.

Contratos, em sua essência, materializam a parte instrumental de uma operação econômica servindo-lhe como veículo, e justamente por externar seu conteúdo, se baseiam em sua origem no equilíbrio das prestações que através deles são e serão devidas, bem como na previsão das margens de ganho e perda para cada qual dos contratantes.

Assim, o equilíbrio contratual pode ser rompido pela frustação da previsão inicial tornando uma prestação de obrigação, no momento da execução, flagrantemente mais gravosa do que era no momento em que surgiu, o que academicamente se denomina “onerosidade excessiva”, desde que por consequência de fato superveniente à formação do contrato, de caráter extraordinário e imprevisível à conjugação das partes no momento em que se deu a contratação, evidenciando o fato que a doutrina caracteriza como teoria da imprevisão, vale dizer, exatamente a “curva” em que tais contratos se encontram hoje.

Nesta condições, revestidos de legitimidade técnica e moral que permitem confortável modo de aplicação, pode então ser idealizados os modelos para redução, por exemplo, “fechada” para os clubes onde não exista grandes distorções salariais, ou então não lineares para os clubes onde se verifique tal disparidade, casos em que uma opção razoável poderia ser a elevação gradual dos percentuais com observância da capacidade contributiva de cada atleta, de forma crescente e escalonada em relação aos valores dos seus vencimentos.

Existem as alternativas, ainda que sobrem as contingências; o quadro requer massa pensante, exigindo das diretorias serenidade, inteligência e adoção coordenada de muitas providências. Que tenham coragem, tenacidade e um pouco de sorte… E, ao final, que tenham sucesso!


SAVÉRIO ORLANDI é advogado na capital paulista, sócio filiado e consultor jurídico da ABEX (Associação Brasileira dos Executivos de Futebol), Membro do Conselho Deliberativo e do Conselho de Orientação e Fiscalização, Ex-Diretor de Futebol (07/10) da Sociedade Esportiva Palmeiras, Pós Graduado em Direito Empresarial pela PUC-SP, onde também se graduou.

Crise do coronavírus joga uma grande oportunidade no colo do futebol brasileiro

A pandemia do coronavírus que assola o planeta já forçou as autoridades esportivas a cancelarem a realização de diversos eventos, de futebol a Fórmula 1, de NBA ao Circuito Mundial de Surfe.

A pandemia, que teve os primeiros casos registrados na China e se espalhou pela Europa predominantemente através da Itália e da Espanha, está atingindo números preocupantes no Velho Continente.

Aqui no Brasil, a disseminação ainda está em estágios iniciais, mas as projeções não deixam dúvida de que é apenas questão de tempo, sobretudo porque as medidas de suspensão de eventos onde há aglomeração de pessoas demoraram a ser tomadas. É bastante provável que o número de pessoas infectadas seja muito maior do que se supõe e que o ciclo de alastramento atinja em algumas semanas os mesmos níveis que já se verificam na Europa.

Nosso futebol, como não poderia deixar de ser, já foi afetado. A FPF finalmente anunciou na manhã desta segunda-feira a paralisação do estadual. Outras federações já fizeram o mesmo. A CBF já anunciou a suspensão dos jogos dos campeonatos sob sua organização direta, sem data definida para a retomada. O Brasileirão, se já tivesse começado, também estaria paralisado. A competição está agendada para ter início no dia 3 de maio, com as 38 rodadas costumeiras.

A peça mais importante do quebra-cabeças

É impossível planejar com exatidão qualquer alteração no calendário do futebol neste momento. A peça mais importante do quebra-cabeças é a data em que a pandemia será decretada sob controle e que o mundo pode voltar ao normal.

Somente depois desse anúncio é que o planejamento poderá ser oficializado. Mas isso não nos impede de projetar algumas soluções.

Os estaduais são os problemas menos importantes. Se necessário, decreta-se o fim da disputa e as edições de 2020 ficam sem campeão. Pouca gente relevante vai ficar insatisfeita.

A Libertadores, a Copa do Brasil e o Brasileirão precisarão ser encaixados nas já escassas datas disponíveis, sobretudo porque as competições entre seleções estrangulam ainda mais a grade. Será necessária uma grande coordenação entre as confederações nacionais, continentais, e a FIFA, para vencer o desafio.

Identificar oportunidades na crise

Sede da CBF

Não é de hoje que enfrentamos problemas no calendário. A falta de sincronia entre os calendários do Brasil com o da Europa é um problema que afeta bastante o planejamento de nossos clubes.

Culturalmente, temos enraizado o conceito de “campeão do ano” em nosso país. Esse é um dos fatores que sempre serviram como justificativa para evitar que a ideia de ajustar o calendário brasileiro ao europeu fosse levada adiante. Mas com a popularização cada vez maior das ligas europeias nas grades da TV brasileira, isso já deixou de ser um empecilho.

A favor da medida, temos vários fatores:

  • competições entre seleções, como Copa América, Euro e Copa do Mundo, que acontecem em julho (não por acaso), não interromperão mais nossas temporadas. Jamais esqueceremos do “efeito Copa América” no Palmeiras em 2019;
  • jogadores que voltam da Europa no meio do ano poderão tirar férias ao mesmo tempo que os jogadores no Brasil e não haverá problema de defasagem ou de sobrecarga física;
  • o mercado fica muito mais claro, com a janela do meio do ano se tornando muito mais importante e a do fim do ano dedicada apenas a pequenos ajustes. Isso tende a diminuir a aleatoriedade e premiar o planejamento. Mais uma vez, o ano de 2019 se encaixa no exemplo.

Caiu no colo

A chance está aí, se atirando em nossos braços. A hora de lançar a primeira temporada do futebol brasileiro começando em agosto e terminando em junho caiu no colo dos clubes e da CBF. O tempo que se “perderia”, outra desculpa usada para rejeitar a medida, está sendo forçado a ser jogado fora pela pandemia.

Não sabemos ainda quando o mundo voltará a girar normalmente, mas fazer planejamento de forma antecipada é sempre uma boa prática. Que nossos dirigentes aproveitem a oportunidade e reorganizem a grade de jogos. E se der tempo, que se joguem as partidas finais dos estaduais.

Mas só se der tempo.


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