“Era Allianz Parque” coloca o Palmeiras no caminho do topo

Painel de led no Allianz Parque

A “Era Allianz Parque” é uma realidade. O Palmeiras divulgou na semana passada o balanço de 2018 e segundo o documento, aprovado por unanimidade pelo COF, o resultado positivo do Palmeiras foi de R$ 30,7 milhões, após uma receita que superou os R$ 688 milhões.

O valor arrecadado é recorde absoluto no Brasil e reafirma a posição do clube no protagonismo do futebol nacional. Os títulos que o Palmeiras vem conquistando nos últimos anos são resultado também desta força financeira, que tem no estádio seu pilar mais importante.

Como é de conhecimento geral, ao final de 2012 o Palmeiras atravessava a maior crise de sua História. Rebaixado para a segunda divisão e com o fluxo de caixa comprometido a ponto de não conseguir pagar a conta de luz na projeção para abril de 2013, o clube passou por uma profunda reestruturação administrativo-financeira, para enfim, após a inauguração do Allianz Parque, “beber água limpa”.

Hoje o clube tem dívidas modestas e perfeitamente escalonadas; não tem despesas com juros bancários e não precisa apelar para as televisões ou para as federações mendigando adiantamentos de receitas – e assim não é refém de ninguém, podendo endurecer nas negociações.

Maior em 2018; e deve ser também em 2019

Keno, Roger Guedes e Willian
César Greco / Ag.Palmeiras

O ótimo resultado financeiro foi possível pela somatória de grandes fontes de renda. A Crefisa é, de longe, o maior patrocinador do futebol brasileiro – em 2018, foram R$ 78 milhões. O Avanti, mesmo com todos os problemas, segue proporcionando uma renda vultosa ao clube, assim como as excelentes arrecadações do Allianz Parque.

As cifras superaram em muito a previsão do início de 2018 por causa das vendas de jogadores como Keno, Roger Guedes e Tchê Tchê, além das crias da base João Pedro, Daniel Fuzato e Fernando.

Para 2019, o Palmeiras previu uma receita de R$ 561 milhões, dos quais “apenas” R$ 50 milhões viriam da venda de jogadores. O dinheiro da televisão aberta e do pay-per-view também não entrou nessa previsão, já que as negociações com a RGT permanecem abertas e o Palmeiras faz jogo duro.

Mesmo conservadora, a previsão orçamentária mantém o Palmeiras entre os clubes com maior arrecadação do país por mais um ano. E ainda há espaço para crescimento. Muito espaço.

Olhando para o alto

O West Ham, de Londres, que disputava suas partidas no Upton Park, estádio para cerca de 35 mil pessoas, passou a mandar seus jogos a partir de 2015 no London Stadium, construído para a Olimpíada de 2012 e que pode receber até 60 mil espectadores. Desde então, suas receitas no matchday – aquelas provenientes da bilheteria e comércio nos dias de jogos – cresceram substancialmente.

As dívidas provenientes de problemas jurídicos tendem a se esgotar. Desde 2013, o Palmeiras tem feito tudo da maneira mais correta possível e não há notícias de ações de credores desde então – as buchas que ainda aparecem vêm de 2012 para trás, mas devem ser liquidadas no médio prazo.

O Palmeiras vai, pelo menos na teoria, aumentar suas receitas no matchday a partir de outubro, quando o Allianz Parque completará 5 anos de operação. A partir daí, os repasses da WTorre ao clube, em todos os eventos de que detém a operação como shows e comércio em geral, passarão dos atuais 5% para 10% – e daqui a cinco anos o repasse será de 15%.

Há, no entanto, um impasse entre as partes, que segue emperrado e esperando por uma arbitragem. A WTorre não vem repassando a parte das operações que cabe ao Palmeiras há muito tempo. Há uma corrente que acredita que o valor acumulado devido ao clube, com o passar do tempo, será tão grande que a WTorre não chegará ao trigésimo ano como detentora dos direitos da superfície do terreno, deixando a operação bem antes do prazo previsto – a receita proveniente do Allianz Parque, que já é enorme, a partir daí seria toda do Palmeiras.

Os caminhos para crescer ainda mais

As ambições do Palmeiras podem e devem ser grandes, enormes. Ser o maior clube do país e do continente é uma meta que já foi alcançada no aspecto financeiro, faltando apenas confirmar com conquistas esportivas, sobretudo em âmbito continental. Essas conquistas atrairão mais torcedores, que por sua vez serão mais fontes de renda, que serão fundamentais para manter bons times, que conquistarão mais títulos, completando o círculo virtuoso.

A economia brasileira não permite que possamos sonhar em nos equipararmos com equipes de ponta do planeta, como Manchester United e Real Madrid, cujas receitas em 2018 ultrapassaram os US$ 800 milhões (mais de R$ 3 bilhões). Ainda.

No entanto, já podemos pensar em ultrapassar clubes como o West Ham (arrecadação em 2018: US$ 261 milhões, cerca de R$ 965 milhões) e nos equipararmos, ao menos, aos “semigrandes” da Europa, como o Atlético de Madrid. Os colchoneros ocupam a 13ª posição na arrecadação mundial, com US$ 339 milhões (cerca de R$ 1,25 bilhão). O Palmeiras precisaria quase dobrar o que arrecadou em 2018 para chegar a esse patamar. Dá? Claro que dá.

  1. Patrocínio – a Crefisa hoje paga o maior valor do país para aparecer em nossas camisas e propriedades de marketing, mas esse valor, diante do crescimento de visibilidade alcançado pelas empresas do grupo, pode ser muito maior;
  2. WTorre – se a empresa de Walter Torre, no mínimo, voltar a fazer os repasses devidos sobre as receitas de shows e matchdays, os ganhos do clube subirão substancialmente; para isso, é necessário que o imbróglio jurídico entre as partes seja solucionado pela arbitragem;
  3. Avanti – se o clube voltar a investir no plano de sócio torcedor – tanto na estrutura como nos produtos em si – e torná-lo realmente atraente para todos os nichos de palmeirenses, pode voltar a ser o maior plano do país em volume de torcedores e em arrecadação;
  4. Vendas de atletas da base – o Palmeiras está se especializando em vender jogadores da base para outros centros. Com o tempo, pode se tornar uma fonte confiável de jogadores “tipo exportação”. Quanto mais atletas com o “selo Palmeiras” vingarem na Europa, maior o valor das vendas futuras. Além disso, a cada transferência desses jogadores no decorrer de suas carreiras, o Palmeiras ganha um quinhão. E isso também influencia na venda de jogadores já formados, que podem sair por verdadeiras fortunas;
  5. Ações de marketing – é possível buscar novas fontes de renda ao redor do mundo, como fazem os grandes da Europa. A marca Palmeiras tem um potencial gigantesco a ser explorado. Conquistando títulos e se estabilizando como o clube mais poderoso da América do Sul, haverá muitos frutos a serem colhidos.

Pés no chão

Mauricio Galiotte

O presidente Maurício Galiotte constantemente menciona a ambição do clube quando questionado sobre o volume de dinheiro que o Palmeiras vem girando nos últimos anos. Sem recursos financeiros não se faz um clube competitivo e o Verdão rapidamente saiu de uma situação de penúria para ser um dos poucos clubes devidamente encaixados num modelo profissional de gestão do futebol.

É possível continuar sonhando alto, mas é fundamental manter os pés na terra. O clube precisa continuar conquistando títulos para manter a trajetória ascendente, e a Libertadores é um degrau importante que precisa voltar a ser vencido. Tudo tem seu tempo e os passos devem ser dados um de cada vez.

Continuamos tendo rivais à altura ainda em nosso território – o Flamengo também fez um ótimo trabalho de reestruturação econômica e rivaliza conosco, embora ainda não tenha conseguido o mesmo sucesso dentro de campo.

Para seguir conquistando títulos, além da saúde financeira, é necessário manter a excelência no departamento de futebol. E qualquer ebulição política é suficiente para desestabilizar o ambiente e jogar tudo por água abaixo – vide o nosso soberano vizinho de muro.

O profissionalismo deve sempre falar mais alto. O outro rival, que hoje é inimigo, sonhou ser o maior clube do mundo há alguns anos, mas deu passos muito errados para ter seu sonhado estádio e voltou a ser o devedor de marmitas que sempre foi.

Por fim, não adianta nada ter o elenco mais poderoso e ser prejudicado pelas arbitragens em jogos decisivos, como vem acontecendo de forma recorrente em nosso passado recente. O Palmeiras precisa ser respeitado e temido nos bastidores.

Podemos e devemos sonhar alto, estamos com condições para isso. É nossa vez de mirarmos para o céu. Mas para nos mantermos nessa trajetória, é preciso muito cuidado e profissionalismo total. Não há mais espaço para a politicagem mesquinha que caracterizou por muito tempo não só o Palmeiras, mas ainda hoje, todos os clubes de futebol do país. Se aproveitaremos nossa chance ou não, o tempo dirá. VAMOS PALMEIRAS!


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Compras e vendas colocam Mattos em xeque: ponderações além do óbvio

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Os torcedores palmeirenses somos seres altamente bipolares, desde os tempos da Taça Savoia. Nossas reações ao que acontece em tudo relacionado ao Verdão, via de regra, são extremadas, seja para o bem, seja para o mal.

Além dessa característica marcante, nossa torcida desenvolveu nas últimas décadas outro comportamento interessante: é extremamente desconfiada. Desde que os primeiros jornalistas “de bastidores” surgiram, com as quentinhas das políticas dos clubes, os fatos passaram a ganhar razões ocultas. Os torcedores encarnam Sherlock Holmes e deduzem, cheios de razão, o porquê de determinado fato ter acontecido – normalmente, começam suas frases elucidativas com “a verdade é que…”

Ultimamente, diante do mau desempenho de Carlos Eduardo nestes primeiros sete jogos da temporada, muito se tem questionado a lisura de Alexandre Mattos nos negócios. A desconfiança aumentou com a notícia de que o diretor de futebol estaria na Europa em vias de vender Vitão e Luan Cândido, a fim de equilibrar o fluxo de caixa dos próximos meses.

A explicação dada à imprensa é de que existe a possibilidade do Palmeiras ser condenado nos próximos meses a pagar cerca de R$ 40 milhões ao empresário Antenor Angeloni pela compra de Wesley, na gestão Tirone. Há vários aspectos nessa história que precisam ser desenrolados.

Mais uma vez, a discussão sobre o uso da base

Luan Cândido
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A decisão de usar um jogador da base ou vendê-lo já foi objeto de um post, por ocasião de uma suposta oferta para vender Papagaio, em dezembro. O que temos à vista são as atuações de Vitão e Luan Cândido nos times de base, seja do Palmeiras, seja da seleção da CBF.

Vitão parece exercer liderança sobre os companheiros, característica importante para um zagueiro. O garoto é capitão do Palmeiras e da seleção desde o sub-17 e nunca deixou de ser convocado desde sua primeira aparição com a amarela. Mas apesar de ter seus predicados, Vitão não mostrou, em campo, nada que saltasse aos olhos. Parece ser um bom zagueiro – mas iguais a ele, é possível ver vários por aí, pelo menos por enquanto.

Pedrão, que foi emprestado ao América, parece bem mais pronto e segue o fluxo programado pela comissão técnica: um ano só treinando com os profissionais, depois percorre um ciclo de empréstimos para pegar cancha, para aí ser avaliado se pode integrar nosso elenco. Victor Luis cumpriu esse roteiro. Vitinho e Papagaio estão passando por ele. Outros como Anderson e Matheus Rocha foram emprestados direto, sem vivenciar o dia-a-dia da Academia de Futebol.

Luan Cândido parece um caso de exceção. Seu talento e maturidade dentro de campo chama muito a atenção. A chance de estarmos diante de um jogador extra-classe para o futebol mundial parece real e negociá-lo agora é uma tacada de alto risco, neste caso, não só para quem compra, mas também para quem vende. Estas avaliações, claro, são superficiais, de quem vê apenas as partidas e não acompanha os treinamentos e o comportamento intra-muros dos meninos.

Fluxo de caixa prejudicado

Wesley e Tirone

A notícia de que Mattos foi à Europa para vender os garotos por conta de um possível solavanco no fluxo de caixa, ainda por conta do caso Wesley, deixa várias pontas soltas.

O Palmeiras tem se caracterizado nos últimos anos pela extrema organização nas finanças. Ocorre que ações jurídicas antigas, que datam da gestão Tirone para trás, seguem correndo e a estratégia do Departamento Jurídico tem sido buscar acordos para ações tidas como “perdidas”, a fim de diminuir o valor total a ser pago. E isso muitas vezes envolve pagar à vista, ou em poucas parcelas, para reduzir o valor total.

No caso de Antenor Angeloni, um acordo satisfatório havia sido costurado na primeira gestão de Paulo Nobre, mas o COF, por obra de Mustafá Contursi, vetou. Isso irritou demais o empresário catarinense, que hoje se recusa a voltar a conversar como Palmeiras e a ação, que com os juros já beira os R$ 40 milhões, está em vias de ser executada. O timing dessa e de outras execuções é difícil de ser previsto e por vezes isso acaba exigindo alguns sacrifícios no caixa. Tudo isso explicaria esta viagem de Mattos à Europa que está irritando tanto a torcida.

O problema parece ainda maior porque Carlos Eduardo, a segunda contratação mais cara da História do clube, um jogador que nunca chamou a atenção de forma positiva em nenhum clube por que passou, faz um começo de temporada melancólico.

A balança não pode ser seletiva

Mattos e Borja

O folclore do futebol é recheado de histórias sobre negociações espúrias nas quais os cartolas dos clubes levam o famoso “por fora”. Tão recheado que parece difícil não supor que isso realmente acontece por aí – talvez não com a frequência com que a imaginação popular sugere, mas acontece.

Quando uma operação como a de Carlos Eduardo aponta para um saldo negativo, como acontece neste momento, a desconfiança aumenta. Detetives de rede social cravam que aí tem coisa. O que poucos parecem ponderar é que a função de diretor de futebol é passível de grandes erros, assim como pode render grandes tacadas. Ninguém sabe ao certo como um jogador recém-contratado vai render. Ao avaliar um diretor de futebol, a balança não pode ser seletiva, não se pode deixar nenhuma negociação de fora. Para ser justo, é preciso tratar do saldo total.

Não é só a segunda maior contratação da História do Palmeiras que está mal. A primeira também: Borja custou mais de R$ 30 milhões e está enlouquecendo as trombetas do apocalipse da rua Palestra. Só com o 37 e com o 9, são mais de R$ 50 milhões. Mas e quanto Mattos, com seu faro para negócios, já conseguiu de lucro para o clube? E em meio a isso tudo, quão forte foram os elencos que ele montou?

Quanto foi o saldo técnico e financeiro das contratações de Zé Roberto, Tchê Tchê, Moisés, Vitor Hugo, Keno, entre outros casos notórios? Como colocar de lado sua atuação junto a Manchester City e Barcelona para prolongar as estadas de Gabriel Jesus e Mina no clube, mesmo muito bem vendidos? Como esquecer o chapelaço nos inimigos para contratar Dudu, nosso maior ídolo da atualidade?

Dudu

Nestes pouco mais de quatro anos, entre compras e vendas, Mattos deve ter fechado cerca de duas centenas de negócios; mesmo com contratações como Ryder Mattos, Rodrigo, Kelvin, Victor Ramos e Emerson Santos, o saldo financeiro certamente é positivo e tecnicamente o clube vem ganhando títulos.

O salário de nosso diretor é muito bom para que ele não caia em tentação – se caiu ou não, em meio a todas essas negociações, é algo que vai permanecer para sempre no folclore, da mesma forma que antigos diretores de futebol do clube sempre lidaram com essa desconfiança – a não ser que algo concreto venha à tona. O feeling do presidente, que é quem sempre dá a palavra final em cada negociação, é a única coisa que pode frear um negócio aparentemente “estranho”. E se o técnico bate na mesa que quer o Carlos Eduardo, é mais difícil pisar nesse freio.

Para o torcedor que reclama mas paga pelo ingresso, paga Avanti e tudo o mais, no final das contas só interessa o momento, se o time está jogando “bem” ou não. Resultado em clássico conta muito. Pouco importa se é pré-temporada, se é paulista, se foram só sete de 80 jogos e existe um planejamento de evolução técnica. Se tem reforço caro jogando mal, ainda mais depois de perder um Derby, vai ter gente levantando lebres na Internet, cometendo, supostamente, injustiças. Ou não. Isto tudo, no fundo, é um saco, mas é elementar. Não é, Watson?


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Palmeiras e Crefisa anunciam a renovação do contrato com valores recorde

O Palmeiras e a Crefisa anunciaram no início desta tarde a renovação do contrato de patrocínio, válido para o triênio 2019-2021. Em entrevista coletiva, o presidente Maurício Galiotte e Leila Pereira, dona da empresa, divulgaram alguns detalhes do novo contrato, que tem valores recorde.

Os pagamentos da Crefisa ao Palmeiras contemplarão quatro modalidades anuais a saber:
Luvas: R$ 15 milhões
Camisa: R$ 81 milhões
Propriedades de marketing: R$ 6,8 milhões
Premiações: até R$ 34 milhões

As premiações contemplam a conquista de títulos e a classificação para a Libertadores do ano seguinte. Não foi detalhado o quanto cada conquista compõe desses R$ 34 milhões. Desta forma, o valor anual garantido a ser pago ao clube é de R$102,8 milhões, podendo atingir até R$ R$ 136,8 milhões, perfazendo até R$ 410,4 milhões ao final dos três anos, caso o Palmeiras vença todos os campeonatos que disputar.

A maior parceria do futebol brasileiro

Leila Pereira e Maurício Galiotte
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A Crefisa – e posteriormente a FAM, outra empresa do grupo – auferiu um crescimento espantoso após atrelar sua marca ao Palmeiras. O clube, por sua vez, conseguiu acelerar o processo de estabilização econômica iniciado em 2013 e hoje tem os índices financeiros mais saudáveis do país, disparado. As conquistas esportivas falam por si. Não há dúvidas: é a maior parceria do futebol brasileiro.

Sabemos que o processo, no entanto, teve percalços sérios. Emoções muitas vezes superaram a razão. Planos foram alterados, relações importantes foram abaladas e até destruídas para que se chegasse a este ponto. Alguns sacrifícios poderiam ter sido evitados.

A relação do Palmeiras com a patrocinadora, que também é conselheira, passa por uma promiscuidade política perigosa. Está dando certo agora e isso é mérito do presidente. Pode continuar dando certo por muito tempo. Mas o perigo é constante e todas as atenções para resguardar os interesses do Palmeiras, em primeiro lugar, são indispensáveis.

Que o presidente Galiotte tenha sabedoria para manter a tudo e a todos em seus devidos lugares, e conduzir todas as situações para o bem maior do Palmeiras. Que tenha aprendido com os erros que cometeu para não precisar sacrificar mais nada.

Que consiga, acima de tudo, manter o Palmeiras no protagonismo do futebol brasileiro durante seu mandato, e que encaminhe a situação da melhor forma possível no processo político ao final de 2021, quando deixará o cargo, para que o Palmeiras siga sendo bem administrado e não volte a ser sangrado por tantos animais de rapina que seguem circundando o clube.


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Episódio ‘BlackStar’ deve se encerrar nas próximas horas; veja como fica o saldo de cada envolvido

BlackStarA aproximação da BlackStar, conglomerado de empresas misterioso que fez uma proposta de patrocínio astronômica ao Palmeiras, agitou a política do clube na última semana. A postura das duas partes, contudo, conduziu a situação para um descarte definitivo nas próximas horas.

Ninguém fez muita questão de fazer o negócio andar. Sob a influência fortíssima da conselheira/patrocinadora Leila Pereira, o Palmeiras jogou com o tempo. Em vez de iniciar o processo de Due Dilligence de forma objetiva, o clube elaborou, depois de uma reunião presencial, uma sabatina para que o interlocutor, um certo Rubnei Quicoli, respondesse por e-mail.

O movimento irritou o representante da empresa, que abocanhou o anzol com todas as forças ao responder de forma grosseira a mensagem do Palmeiras, que, entre dezenove perguntas, continha de fato quatro ou cinco questões relevantes – todas poderiam perfeitamente ser elucidadas pelo processo formal devido. Tudo foi acompanhado de perto pela imprensa, que teve amplo acesso ao nada amistoso diálogo.

O tiroteio através dos veículos de comunicação prosseguiu durante o fim-de-semana, tornando o clima muito difícil de ser contornado. A tendência é que não haja avanço e que o Palmeiras renove o patrocínio com a Crefisa.

Proposta incomum

Não pelo momento em que a primeira informação chegou, mas pelo volume de dinheiro e por todo o mistério que envolve a holding, a proposta naturalmente suscitou desconfiança de conselheiros, associados e torcedores. A falta de informações nos documentos preliminares reforçou a nebulosidade do cenário.

Todas as dúvidas, entretanto, poderiam ser dissipadas, com um mínimo de boa vontade das partes. O Palmeiras colocou obstáculos. E o representante da holding teve o comportamento que lembra tudo, menos o de um homem que está decidindo o destino de R$ 1 bilhão.

O Palmeiras, se não estivesse sob influência política tão forte, poderia ter sido mais receptivo à proposta e facilitado o caminho para o esclarecimento. E o senhor Quicoli poderia ter lidado melhor com o joguete proposto pelo clube. Teriam sido atitudes que preservariam intacto o clima respeitoso e profissional que uma negociação que envolve tantos recursos e interesses envolve.

Da forma como tudo aconteceu, parece que ninguém estava muito a fim mesmo de que o negócio saísse.

Saldo do episódio

Maurício Galiotte e Genaro MarinoEm vez de elucidar, os contatos contribuíram apenas para que o episódio entre para o folclore palmeirense. É bastante possível que o nome da holding se transforme num vocábulo para descrever algo duvidoso. Aquele ponta-esquerda que virá a peso de ouro e não vingar será um “BlackStar”. Aquele agente de atletas com postura duvidosa também poderá ser classificado com o nome do conglomerado. Até árbitros podem passar a ser chamados de “BlackStar”. Isso só não acontecerá se Quicoli cumprir sua ameaça de procurar outro clube e ele realmente despejar num rival o caminhão de dinheiro que quis originalmente aportar aqui. O tempo dirá.

A diretoria do clube reforçou sua lealdade à patrocinadora. A Crefisa, por sua vez, manteve-se apenas observando, com declarações furtivas, e não se desgastou – ao contrário: mesmo sem fazer nada, saiu fortalecida, com a imagem mais sólida ainda após ser comparada com uma alternativa que não passou confiança.

A oposição, mesmo tendo feito sua obrigação, saiu com a imagem arranhada. Apesar dos cuidados para manter a oferta em pé mesmo se perdesse a eleição, caracterizando o trabalho em favor do clube e não de uma condição política, o grupo encabeçado por Genaro Marino será lembrado por algum tempo como os responsáveis pela BlackStar – algo que, como vimos, terá sempre uma conotação negativa.

O Palmeiras não perde nada, mas talvez deixe de ganhar. A condição de pagamento à vista por um patrocínio de dez anos vai sempre projetar uma sombra sobre a atual gestão. As incertezas sobre o negócio jamais deixarão de ser comparadas com uma oferta de transferência imediata de uma quantia que seria mais de 60% superior ao que atualmente oferece a Crefisa. Sempre alguém poderá lembrar que o clube não se esforçou para, ao menos, ter certeza que a BlackStar seria uma jogada equivocada.

Reajuste: nada mais correto

Leila PereiraNossa diretoria, apesar de toda lealdade à atual patrocinadora, poderá usar o episódio na hora de definir o novo valor a ser pago pela Crefisa nos próximos três anos. A própria Leila já deixou a possibilidade em aberto, ao dizer que avaliaria se teria condições de cobrir a eventual proposta da BlackStar.

Ora, se a Crefisa deixou claro que poderia subir a proposta para competir com a BlackStar, e se a parceira tem sido tão boa assim para a empresa, que teve um retorno absurdo em forma de faturamento e evidência na mídia, nada mais correto do que um bom reajuste nos termos do patrocínio.

Afinal, o Palmeiras já se mostrou atrativo a empresas dispostas a pagar bem mais, mesmo com dados que acabaram não sendo dissecados. Como vimos, isso aconteceu por atitudes que passam não apenas pela grosseria do interlocutor, mas também por pressão política da própria Crefisa.

Então é hora de subir a régua.

Atualização – 14h59

O presidente Maurício Galiotte divulgou na imprensa agora há pouco que consultou o banco HSBC a respeito da carta de garantia apresentada por Rubinei Quicoli, e o banco afirmou que o documento é falsificado.

A revelação é o fato concreto que era necessário para que o assunto fosse encerrado sem que a dúvida de rasgar R$ 1 bilhão pairasse sobre a diretoria. Dispensa até o processo de Due Dilligence. A diretoria, desta forma, agiu com o profissionalismo que uma cifra de dez dígitos exige.

***

O papel da mídia palestrina isenta é defender os interesses do clube acima de tudo. E a única coisa a defender neste caso era a apuração rigorosa dos fatos. Foi o que o Verdazzo defendeu do início ao fim do episódio.

Mas muita gente, involuntariamente, acabou se revelando. Não há credibilidade para quem tomou partido antes da prova concreta surgir. Só duas coisas explicam tal irresponsabilidade: ou é a fanfarronice típica dos botecos, ou é gente que defende demais os interesses de particulares – colocando-os acima até dos do clube. E pode haver uma série de razões para isso.


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Campeão após arrancada histórica, Palmeiras puxa a fila e sobe o sarrafo no futebol nacional

Festa com a torcidaO Palmeiras venceu o Vasco ontem em São Januário e se sagrou campeão brasileiro pela décima vez na História. Nenhum time tem tantas taças nacionais, tanto considerando apenas os campeonatos brasileiros, como se considerarmos na soma as Copas do Brasil.

Ao todo, o Palmeiras tem 13 taças nacionais, e se considerarmos também a Copa dos Campeões, o número sobe para 14. O título conquistado no Rio de Janeiro permitiu ao Verdão abrir três troféus de vantagem em relação ao segundo colocado.

Se vencer o já rebaixado Vitória na última rodada, no próximo domingo, quando o Allianz Parque deverá estar mais uma vez lotado para saudar nosso time e celebrar o recebimento do troféu do campeonato, o Palmeiras chegará a 80 pontos, igualando a segunda melhor campanha desde 2006, quando o campeonato de pontos corridos passou a contar com 20 clubes.

O Cruzeiro de 2014 e o próprio Palmeiras de 2016 também chegaram a essa marca – o recorde continua sendo o do SCCP de 2015, com 81.

Arrancada histórica

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras chegou ao título após a mudança de comando técnico. A chegada de Felipão deu muito certo – mais certo do que qualquer palmeirense poderia apostar após a demissão de Roger Machado, na 15ª rodada, quando o time perdeu para o Fluminense no Maracanã e tinha oito pontos de desvantagem para o Flamengo, líder até então.

Em 22 jogos, o Palmeiras conseguiu a maior série invicta desta era do campeonato, com 16 vitórias e 6 empates – e contando. A maior marca era do SCCP de 2017, que passou todo o primeiro turno sem ser derrotado. Nesta sequência, o Palmeiras marcou 39 gols e sofreu apenas 9.

A conquista fica mais saborosa ainda quando lembramos que em vários jogos o Palmeiras foi prejudicado ostensivamente pela arbitragem, como nos jogos contra o SPFC no Morumbi e contra o Cruzeiro no Pacaembu, entre outros.

O que valoriza ainda mais o título é saber que o time ainda disputou simultaneamente a Copa do Brasil e a Libertadores de forma competitiva, ficando pelo caminho nas semifinais em ambas as competições. O Palmeiras não precisou “largar” nenhum campeonato para chegar ao décimo campeonato brasileiro com uma superioridade incontestável.

Projeção cumprida

Os 77 pontos que foram suficientes para a conquista eram a conta projetada antes do campeonato começar. O Verdazzo projetou os resultados visando essa cifra já imaginando que, embora nunca um vice-campeão tivesse superado a barreira dos 73 pontos, essa possibilidade existia e era necessária uma margem de segurança.

Parece até que sentimos o cheiro: o Flamengo tem atualmente 72 pontos e tem o Atlético-PR pela frente no Maracanã, na última rodada. A torcida rubro-negra poderá comemorar a marca de melhor vice da História chegando a 75 pontos. Parabéns!

Subindo o sarrafo

Academia de FutebolA conquista do Verdão aumenta a exigência interna do futebol brasileiro. O Palmeiras é o grande protagonista do futebol brasileiro e lidera um bloco de clubes que já enxergou que é preciso profissionalizar todas as áreas que envolvem a administração do futebol – neste momento, não por coincidência, o clube que está mais próximo do Verdão é o vice-campeão, o Flamengo. Os dois melhores colocados na tabela são os clubes que estão com as finanças mais organizadas e que conseguem sobreviver sem o adiantamento de receitas. Outros times tentam se reestruturar e dar esse passo adiante.

Mas futebol vai muito além da administração financeira, claro. Desenvolvimento e execução de processos, planejamento administrativo e esportivo, respaldo de profissionais com excelência em áreas de apoio aos atletas e o desenvolvimento e a manutenção de uma departamento de futebol de base forte também fazem parte do pacote.

O desafio do Palmeiras é se manter equilibrado em todas essas áreas, sem deslumbre, com seriedade. Construindo definitivamente um projeto de futebol de longo prazo que dê estabilidade ao treinador e que propicie o estabelecimento de uma identidade de jogo. Mantendo um modelo sólido de receitas sem colocar todos os ovos em apenas uma cesta, para continuar a subir o sarrafo e puxar a fila – quem conseguir, que nos acompanhe.

Se todos ficarem para trás, a tendência é uma dominação doméstica que pode durar longos anos, aumentando o círculo virtuoso que envolve conquistas esportivas, aumento da torcida, receitas crescentes e times fortes. E se outros times vierem na nossa esteira, quem ganha é o futebol brasileiro. VAMOS PALMEIRAS!


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