Por que a base do Palmeiras precisa fornecer mais jogadores para o time de cima

Palmeiras Campeão Brasileiro 2016

O Palmeiras é hoje o protagonista do futebol brasileiro e sul-americano graças a um meticuloso processo de recuperação financeira iniciado em 2013, que permitiu que o clube conseguisse se manter competitivo sem recorrer a adiantamentos de receitas, seja junto a bancos, a federações ou a emissoras de TV. Isto, você já sabe.

Praticamente livre de despesas bancárias, o clube desfruta dessa vantagem conquistada e monta elencos extremamente fortes. “Atraso no pagamento” é uma expressão que jogador do Palmeiras só ouve falar pelas notícias. O que há de melhor no mercado brasileiro hoje veste verde.

Claro, não somos a última bolacha do pacote. O talento inato do jogador brasileiro permite que outros clubes também montem elencos com jogadores de muita qualidade. As disputas pelo Brasileirão e principalmente pelos mata-matas estão completamente abertas.

Mas a competição contra os grandes europeus no Mundial em dezembro praticamente não existe. O que acontece é o cumprimento do protocolo. Os times sul-americanos por vezes nem chegam à final e dependem de um jogo encaixado, de um goleiro inspirado, do desdém do adversário e de muita sorte para poderem levantar o Mundial. Se um clube top sul-americano jogar dez vezes contra um campeão europeu, vai triunfar uma ou duas vezes, no máximo. E essa inferioridade se reflete na seleção brasileira: antes temida, hoje é mera coadjuvante na Copa do Mundo.

Os pilares da transformação

Academia de Futebol

São três os pilares em que os clubes brasileiros precisam se apoiar para que nosso futebol torne a ser temido: 1) saúde financeira; 2) profissionalização e modernização do departamento de futebol; e 3) departamento de base forte.

A saúde financeira é algo que precisa ser buscado pelos endividados clubes às custas de medidas recessivas. Enquanto os dirigentes insistirem em adiantar verbas em contratações ruidosas, mas de pouca efetividade, em nome de sustentação política, vão continuar como hamsters correndo na roda. O Palmeiras puxou a fila de 2013 para cá e já vemos alguns clubes vindo na esteira – o principal deles é o Flamengo. Os outros ainda seguem no ciclo vicioso de tomar empréstimo, arriscar tudo em nome de um título e de uma premiação, para depois viver anos de recessão, pagando juros. Com o tempo, tendem a aprender o modelo – alguns sobreviverão e se fortalecerão, outros “virarão Portuguesa”.

A ciência proporcionou o aumento da capacidade física dos atletas. Com jogadores que correm mais e ocupam melhor os espaços, o leque de possibilidades táticas se abriu como nunca. O jogo, que há algumas décadas era simples e decidido no talento por atletas que guardavam posição e se davam ao luxo de serem fumantes(!), agora requer muito mais estudo e dedicação de comissões técnicas e atletas, que precisam estar inseridos num ambiente cada vez mais moderno e profissional. E isso exige instalações planejadas, equipamentos de ponta e profissionais capacitados. Mais uma vez, o Verdão está na frente dos concorrentes, sobretudo depois da inauguração do Centro de Excelência. Aguardem as cópias.

Sanar a economia e desenvolver a estrutura são passos fundamentais, mas não trarão todos os resultados desejados se o terceiro pilar não estiver a pleno: as categorias de base. E o Palmeiras vem conquistando títulos como nunca nas categorias menores. Falta ainda acertar a transição do sub-20 para o profissional, para que os meninos que estejam perto de estourar a idade tenham condições de integrar o elenco principal, coisa que ainda não acontece com a frequência que gostaríamos.

Base: não tem esse nome à toa

As categorias de base são fundamentais à medida que fornecem matéria-prima para os dois outros pilares. Não é à toa que tem esse nome.

É em casa que se forma atletas de ponta, com fundamentos de jogo desenvolvidos e com estrutura mental para suportar uma carreira de enorme pressão como a de um jogador profissional.

Quando todos os principais clubes tiverem sanado suas finanças e concluído suas estruturas, algo que é apenas questão de tempo, a base será a diferença entre um clube protagonista e um coadjuvante.

Atletas extra-classe formados em casa podem subir para o time principal, gerando ganho técnico a custo baixo, para posteriormente gerar altos lucros com futuras transferências – como aconteceu com Gabriel Jesus.

Além disso, preenchem lacunas no elenco e evitam que o clube precise recorrer ao mercado para melhorar todas as posições, sobrando mais recursos para investir em necessidades específicas. Em vez de comprar 4 ou 5 jogadores nota 7 em nível mundial, será possível trazer um par de jogadores de primeiro nível. E assim o time sobe muito de patamar e passa a sonhar em bater de frente com as maiores potências mundiais.

Paramos no tempo

Os jogadores brasileiros, hoje, seguem tendo o talento natural que brota nas ruas e nos campos de várzea, ainda que cada vez mais raros diante do constante crescimento do setor imobiliário.

Enquanto o futebol ainda era decidido apenas pelo talento, o Brasil sobrava. Mas o jogo mudou e a profissionalização de todos os setores fez com que novas potências emergissem. Quem ficou parado no tempo, como Brasil, Argentina, Uruguai e Itália, foi ficando para trás. Quem diria que até a Inglaterra chegaria tão bem cotada ou até melhor que esses países para uma Copa do Mundo?

O talento natural precisa ser potencializado com novos conceitos desenvolvidos nos últimos anos. Se todos os clubes brasileiros profissionalizarem seus departamentos de base, colherão frutos. E isso surtirá efeito também na seleção, já que voltaremos a ter jogadores que superem os destaques dos outros países. Hoje, mesmo nossos melhores jogadores, não “engraxam a chuteira” dos grandes expoentes da Copa do Mundo, que já são frutos de uma geração desenvolvida com conceitos modernos de formação de atletas.

Nosso país ainda chora tragédias e tenta escrever leis para regulamentar os alojamentos dos departamentos de base. Estamos muito atrasados, no geral. O Palmeiras tenta, mais uma vez, puxar a fila.

Falta ainda ao Verdão melhorar o último passo: a lapidação dos meninos, que brilham nas categorias menores e levantam inúmeros troféus, para virarem jogadores de verdade. Se chegassem aos 20 anos realmente prontos, provavelmente seriam utilizados pelo time principal, mas isso ainda não acontece.

E depois?

Fernando e Papagaio

Ter atletas da base no elenco principal não é apenas uma questão de capricho, de gosto em ver um prata-da-casa brilhando. É uma questão de competitividade. Precisamos de um Gabriel Jesus a cada dois ou três anos. Precisamos de pelo menos dois Fernandos, todo ano.

A distância financeira entre o Palmeiras e os maiores clubes do mundo ainda é grande. Em 2018, estaríamos inseridos no top 30 mundial entre as maiores receitas, com quase € 160 milhões. Já conseguimos segurar um Dudu, que tem 27 anos, mas as ofertas por jovens de pouco mais de 20 anos ainda são impossíveis de cobrir.

Com a base funcionando a pleno, seremos capazes, no longo prazo, de ter recursos para competir com os maiores até na questão dos salários. O Palmeiras, em vez de ser a melhor vitrine, o trampolim mais alto para um jogador chegar à Europa, pode passar a ser o objetivo final de carreira. E aí bateremos de frente com qualquer um. É nessa direção que temos que remar.

É muito difícil, claro. Mas quem diria que estaríamos onde estamos hoje no final de 2012?


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Na era Allianz Parque, Palmeiras sobra no Brasileirão

Depois de quase amargar mais um rebaixamento em 2014, ano em que, em novembro, o Allianz Parque foi inaugurado, o Palmeiras vem desenhando uma trajetória ascendente bastante sólida.

Após um 2015 de reformulação e crescimento, premiado no final com a conquista da Copa do Brasil, o Palmeiras atingiu em 2016 um patamar de excelência, que se repetiu nos anos seguintes – com direito a oscilações, como todo time de ponta.

É comum na história recente do futebol brasileiro um time impor um curto período de dominação – algo que dura de dois a três anos – para depois voltar para o “bolo” e dar vez a outro. Normalmente isso acontece às custas de algum sacrifício financeiro, e é exatamente isso que faz com que após algumas conquistas o cetro de time dominante mude de mãos. SCCP, Cruzeiro, Fluminense e SPFC são os últimos exemplos.

Com o Allianz Parque a pleno funcionamento, além do ótimo patrocínio da Crefisa, o Palmeiras conseguiu subverter essa regra e inaugurou uma era de desempenho sustentado, sem recorrer a adiantamentos que condenam os clubes a se retrair após um período de títulos. Podemos constatar isso nos desempenhos nas últimas edições do Brasileirão.

Números incontestáveis

Nos últimos quatro anos, com o Allianz Parque a pleno funcionamento, o Palmeiras se consolidou como o clube a ser batido no país. Mesmo com oscilações, o Verdão conquistou dois campeonatos e ficou com um vice. Nenhum outro clube tem campanhas tão consistentes – os que mais se aproximam são SCCP, Grêmio e Flamengo.

O Palmeiras iniciou o ressurgimento em 2015, após uma reformulação radical no elenco. Os resultados no Brasileirão foram discretos, sobretudo porque, na reta final, todas as atenções foram voltadas para a Copa do Brasil. Os 53 pontos ficaram até abaixo do que aquele time poderia ter produzido.

Em 2016, sob o comando de Cuca, o Verdão foi dominante e conquistou o Brasileirão com 80 pontos. Mas uma interrupção forçada no trabalho do treinador atrapalhou bastante o planejamento para 2017, ano em que o Palmeiras, apesar da força do elenco, não encontrou um padrão de jogo suficiente para manter o domínio, ficando com o vice-campeonato – sempre é bom lembrar, com interferências decisivas das arbitragens.

No ano passado, após mais um começo irregular, o Verdão se firmou com Felipão e sobrou no segundo semestre, ganhando o Brasileirão com folga. Ao manter a comissão técnica em 2019, o time se coloca mais uma vez como forte candidato à conquista.

As ameaças à hegemonia

Outros clubes começaram a seguir nosso exemplo para buscar a sustentação financeira sem depender de adiantamentos e podem, em alguns anos, equiparar suas forças no mercado à que o Palmeiras exibe hoje. Flamengo, Grêmio e Inter tentam trilhar esse caminho, também apoiados em ótimos estádios. Mesmo assim, com exceção do time carioca, que tem uma ajuda desigual vinda dos contratos da televisão, nenhum clube parece ter o mesmo fôlego nas receitas.

Nos balanços de 2018 divulgados pelos clubes, o montante final do Palmeiras foi de R$ 653,9 milhões – uma cifra um tanto turbinada por vendas vultosas. É possível que esse montante não se repita em 2019, mas mesmo assim deve orbitar em torno dos R$ 600 milhões. O segundo colocado em 2018, o Flamengo, registrou a entrada de R$ 542,8 milhões em seus cofres, mais de R$ 100 milhões atrás do Verdão. Os outros clubes sequer atingiram a marca de R$ 470 milhões.

O Palmeiras tem tudo para seguir auferindo receitas superiores e tendo o principal combustível para manter times competitivos nos próximos anos, fazendo a hegemonia perdurar bem mais que os tradicionais dois ou três anos.

Mas cofres cheios, sabemos, não obrigatoriamente fazem um time campeão – a história é pródiga em supertimes recheados de medalhões que naufragam clamorosamente.

Só grana não basta

Os recursos financeiros precisam satisfazer a um modelo de administração esportiva complexo, a ser seguido de forma rígida. O Palmeiras construiu seu conjunto de diretrizes a partir de 2013 e o vem aperfeiçoando ao longo dos anos.

A fórmula para se manter no topo passa pelos detalhes. Além de seguir o atual modelo e mantê-lo em constante evolução, conciliar as vicissitudes da política do clube com a blindagem ao elenco e ao local de trabalho é fundamental. Tornar e manter o clube forte politicamente para não ser prejudicado pelas arbitragens podem ser os diferenciais sobretudo nas Copas, que não conquistamos há já incômodos três anos e meio.

Com tudo isso fluindo, o resto se resolve dentro das quatro linhas. Há quem diga até que houve algum retrocesso de gestão nos últimos dois anos, mas por enquanto isso não se refletiu no campo.

O que nos mantém em constante apreensão é não saber o que está sendo feito para que nossos próximos dirigentes estejam aptos a receber a caneta sem deixar que tudo o que foi construído com tanto esforço se esvaia pelo ralo. Futebol não é um negócio como outro qualquer e para ser um bom dirigente são necessários anos de vivência e um preparo específico. Saberemos nos manter no topo?


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“Era Allianz Parque” coloca o Palmeiras no caminho do topo

Painel de led no Allianz Parque

A “Era Allianz Parque” é uma realidade. O Palmeiras divulgou na semana passada o balanço de 2018 e segundo o documento, aprovado por unanimidade pelo COF, o resultado positivo do Palmeiras foi de R$ 30,7 milhões, após uma receita que superou os R$ 688 milhões.

O valor arrecadado é recorde absoluto no Brasil e reafirma a posição do clube no protagonismo do futebol nacional. Os títulos que o Palmeiras vem conquistando nos últimos anos são resultado também desta força financeira, que tem no estádio seu pilar mais importante.

Como é de conhecimento geral, ao final de 2012 o Palmeiras atravessava a maior crise de sua História. Rebaixado para a segunda divisão e com o fluxo de caixa comprometido a ponto de não conseguir pagar a conta de luz na projeção para abril de 2013, o clube passou por uma profunda reestruturação administrativo-financeira, para enfim, após a inauguração do Allianz Parque, “beber água limpa”.

Hoje o clube tem dívidas modestas e perfeitamente escalonadas; não tem despesas com juros bancários e não precisa apelar para as televisões ou para as federações mendigando adiantamentos de receitas – e assim não é refém de ninguém, podendo endurecer nas negociações.

Maior em 2018; e deve ser também em 2019

Keno, Roger Guedes e Willian
César Greco / Ag.Palmeiras

O ótimo resultado financeiro foi possível pela somatória de grandes fontes de renda. A Crefisa é, de longe, o maior patrocinador do futebol brasileiro – em 2018, foram R$ 78 milhões. O Avanti, mesmo com todos os problemas, segue proporcionando uma renda vultosa ao clube, assim como as excelentes arrecadações do Allianz Parque.

As cifras superaram em muito a previsão do início de 2018 por causa das vendas de jogadores como Keno, Roger Guedes e Tchê Tchê, além das crias da base João Pedro, Daniel Fuzato e Fernando.

Para 2019, o Palmeiras previu uma receita de R$ 561 milhões, dos quais “apenas” R$ 50 milhões viriam da venda de jogadores. O dinheiro da televisão aberta e do pay-per-view também não entrou nessa previsão, já que as negociações com a RGT permanecem abertas e o Palmeiras faz jogo duro.

Mesmo conservadora, a previsão orçamentária mantém o Palmeiras entre os clubes com maior arrecadação do país por mais um ano. E ainda há espaço para crescimento. Muito espaço.

Olhando para o alto

O West Ham, de Londres, que disputava suas partidas no Upton Park, estádio para cerca de 35 mil pessoas, passou a mandar seus jogos a partir de 2015 no London Stadium, construído para a Olimpíada de 2012 e que pode receber até 60 mil espectadores. Desde então, suas receitas no matchday – aquelas provenientes da bilheteria e comércio nos dias de jogos – cresceram substancialmente.

As dívidas provenientes de problemas jurídicos tendem a se esgotar. Desde 2013, o Palmeiras tem feito tudo da maneira mais correta possível e não há notícias de ações de credores desde então – as buchas que ainda aparecem vêm de 2012 para trás, mas devem ser liquidadas no médio prazo.

O Palmeiras vai, pelo menos na teoria, aumentar suas receitas no matchday a partir de outubro, quando o Allianz Parque completará 5 anos de operação. A partir daí, os repasses da WTorre ao clube, em todos os eventos de que detém a operação como shows e comércio em geral, passarão dos atuais 5% para 10% – e daqui a cinco anos o repasse será de 15%.

Há, no entanto, um impasse entre as partes, que segue emperrado e esperando por uma arbitragem. A WTorre não vem repassando a parte das operações que cabe ao Palmeiras há muito tempo. Há uma corrente que acredita que o valor acumulado devido ao clube, com o passar do tempo, será tão grande que a WTorre não chegará ao trigésimo ano como detentora dos direitos da superfície do terreno, deixando a operação bem antes do prazo previsto – a receita proveniente do Allianz Parque, que já é enorme, a partir daí seria toda do Palmeiras.

Os caminhos para crescer ainda mais

As ambições do Palmeiras podem e devem ser grandes, enormes. Ser o maior clube do país e do continente é uma meta que já foi alcançada no aspecto financeiro, faltando apenas confirmar com conquistas esportivas, sobretudo em âmbito continental. Essas conquistas atrairão mais torcedores, que por sua vez serão mais fontes de renda, que serão fundamentais para manter bons times, que conquistarão mais títulos, completando o círculo virtuoso.

A economia brasileira não permite que possamos sonhar em nos equipararmos com equipes de ponta do planeta, como Manchester United e Real Madrid, cujas receitas em 2018 ultrapassaram os US$ 800 milhões (mais de R$ 3 bilhões). Ainda.

No entanto, já podemos pensar em ultrapassar clubes como o West Ham (arrecadação em 2018: US$ 261 milhões, cerca de R$ 965 milhões) e nos equipararmos, ao menos, aos “semigrandes” da Europa, como o Atlético de Madrid. Os colchoneros ocupam a 13ª posição na arrecadação mundial, com US$ 339 milhões (cerca de R$ 1,25 bilhão). O Palmeiras precisaria quase dobrar o que arrecadou em 2018 para chegar a esse patamar. Dá? Claro que dá.

  1. Patrocínio – a Crefisa hoje paga o maior valor do país para aparecer em nossas camisas e propriedades de marketing, mas esse valor, diante do crescimento de visibilidade alcançado pelas empresas do grupo, pode ser muito maior;
  2. WTorre – se a empresa de Walter Torre, no mínimo, voltar a fazer os repasses devidos sobre as receitas de shows e matchdays, os ganhos do clube subirão substancialmente; para isso, é necessário que o imbróglio jurídico entre as partes seja solucionado pela arbitragem;
  3. Avanti – se o clube voltar a investir no plano de sócio torcedor – tanto na estrutura como nos produtos em si – e torná-lo realmente atraente para todos os nichos de palmeirenses, pode voltar a ser o maior plano do país em volume de torcedores e em arrecadação;
  4. Vendas de atletas da base – o Palmeiras está se especializando em vender jogadores da base para outros centros. Com o tempo, pode se tornar uma fonte confiável de jogadores “tipo exportação”. Quanto mais atletas com o “selo Palmeiras” vingarem na Europa, maior o valor das vendas futuras. Além disso, a cada transferência desses jogadores no decorrer de suas carreiras, o Palmeiras ganha um quinhão. E isso também influencia na venda de jogadores já formados, que podem sair por verdadeiras fortunas;
  5. Ações de marketing – é possível buscar novas fontes de renda ao redor do mundo, como fazem os grandes da Europa. A marca Palmeiras tem um potencial gigantesco a ser explorado. Conquistando títulos e se estabilizando como o clube mais poderoso da América do Sul, haverá muitos frutos a serem colhidos.

Pés no chão

Mauricio Galiotte

O presidente Maurício Galiotte constantemente menciona a ambição do clube quando questionado sobre o volume de dinheiro que o Palmeiras vem girando nos últimos anos. Sem recursos financeiros não se faz um clube competitivo e o Verdão rapidamente saiu de uma situação de penúria para ser um dos poucos clubes devidamente encaixados num modelo profissional de gestão do futebol.

É possível continuar sonhando alto, mas é fundamental manter os pés na terra. O clube precisa continuar conquistando títulos para manter a trajetória ascendente, e a Libertadores é um degrau importante que precisa voltar a ser vencido. Tudo tem seu tempo e os passos devem ser dados um de cada vez.

Continuamos tendo rivais à altura ainda em nosso território – o Flamengo também fez um ótimo trabalho de reestruturação econômica e rivaliza conosco, embora ainda não tenha conseguido o mesmo sucesso dentro de campo.

Para seguir conquistando títulos, além da saúde financeira, é necessário manter a excelência no departamento de futebol. E qualquer ebulição política é suficiente para desestabilizar o ambiente e jogar tudo por água abaixo – vide o nosso soberano vizinho de muro.

O profissionalismo deve sempre falar mais alto. O outro rival, que hoje é inimigo, sonhou ser o maior clube do mundo há alguns anos, mas deu passos muito errados para ter seu sonhado estádio e voltou a ser o devedor de marmitas que sempre foi.

Por fim, não adianta nada ter o elenco mais poderoso e ser prejudicado pelas arbitragens em jogos decisivos, como vem acontecendo de forma recorrente em nosso passado recente. O Palmeiras precisa ser respeitado e temido nos bastidores.

Podemos e devemos sonhar alto, estamos com condições para isso. É nossa vez de mirarmos para o céu. Mas para nos mantermos nessa trajetória, é preciso muito cuidado e profissionalismo total. Não há mais espaço para a politicagem mesquinha que caracterizou por muito tempo não só o Palmeiras, mas ainda hoje, todos os clubes de futebol do país. Se aproveitaremos nossa chance ou não, o tempo dirá. VAMOS PALMEIRAS!


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Compras e vendas colocam Mattos em xeque: ponderações além do óbvio

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Os torcedores palmeirenses somos seres altamente bipolares, desde os tempos da Taça Savoia. Nossas reações ao que acontece em tudo relacionado ao Verdão, via de regra, são extremadas, seja para o bem, seja para o mal.

Além dessa característica marcante, nossa torcida desenvolveu nas últimas décadas outro comportamento interessante: é extremamente desconfiada. Desde que os primeiros jornalistas “de bastidores” surgiram, com as quentinhas das políticas dos clubes, os fatos passaram a ganhar razões ocultas. Os torcedores encarnam Sherlock Holmes e deduzem, cheios de razão, o porquê de determinado fato ter acontecido – normalmente, começam suas frases elucidativas com “a verdade é que…”

Ultimamente, diante do mau desempenho de Carlos Eduardo nestes primeiros sete jogos da temporada, muito se tem questionado a lisura de Alexandre Mattos nos negócios. A desconfiança aumentou com a notícia de que o diretor de futebol estaria na Europa em vias de vender Vitão e Luan Cândido, a fim de equilibrar o fluxo de caixa dos próximos meses.

A explicação dada à imprensa é de que existe a possibilidade do Palmeiras ser condenado nos próximos meses a pagar cerca de R$ 40 milhões ao empresário Antenor Angeloni pela compra de Wesley, na gestão Tirone. Há vários aspectos nessa história que precisam ser desenrolados.

Mais uma vez, a discussão sobre o uso da base

Luan Cândido
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A decisão de usar um jogador da base ou vendê-lo já foi objeto de um post, por ocasião de uma suposta oferta para vender Papagaio, em dezembro. O que temos à vista são as atuações de Vitão e Luan Cândido nos times de base, seja do Palmeiras, seja da seleção da CBF.

Vitão parece exercer liderança sobre os companheiros, característica importante para um zagueiro. O garoto é capitão do Palmeiras e da seleção desde o sub-17 e nunca deixou de ser convocado desde sua primeira aparição com a amarela. Mas apesar de ter seus predicados, Vitão não mostrou, em campo, nada que saltasse aos olhos. Parece ser um bom zagueiro – mas iguais a ele, é possível ver vários por aí, pelo menos por enquanto.

Pedrão, que foi emprestado ao América, parece bem mais pronto e segue o fluxo programado pela comissão técnica: um ano só treinando com os profissionais, depois percorre um ciclo de empréstimos para pegar cancha, para aí ser avaliado se pode integrar nosso elenco. Victor Luis cumpriu esse roteiro. Vitinho e Papagaio estão passando por ele. Outros como Anderson e Matheus Rocha foram emprestados direto, sem vivenciar o dia-a-dia da Academia de Futebol.

Luan Cândido parece um caso de exceção. Seu talento e maturidade dentro de campo chama muito a atenção. A chance de estarmos diante de um jogador extra-classe para o futebol mundial parece real e negociá-lo agora é uma tacada de alto risco, neste caso, não só para quem compra, mas também para quem vende. Estas avaliações, claro, são superficiais, de quem vê apenas as partidas e não acompanha os treinamentos e o comportamento intra-muros dos meninos.

Fluxo de caixa prejudicado

Wesley e Tirone

A notícia de que Mattos foi à Europa para vender os garotos por conta de um possível solavanco no fluxo de caixa, ainda por conta do caso Wesley, deixa várias pontas soltas.

O Palmeiras tem se caracterizado nos últimos anos pela extrema organização nas finanças. Ocorre que ações jurídicas antigas, que datam da gestão Tirone para trás, seguem correndo e a estratégia do Departamento Jurídico tem sido buscar acordos para ações tidas como “perdidas”, a fim de diminuir o valor total a ser pago. E isso muitas vezes envolve pagar à vista, ou em poucas parcelas, para reduzir o valor total.

No caso de Antenor Angeloni, um acordo satisfatório havia sido costurado na primeira gestão de Paulo Nobre, mas o COF, por obra de Mustafá Contursi, vetou. Isso irritou demais o empresário catarinense, que hoje se recusa a voltar a conversar como Palmeiras e a ação, que com os juros já beira os R$ 40 milhões, está em vias de ser executada. O timing dessa e de outras execuções é difícil de ser previsto e por vezes isso acaba exigindo alguns sacrifícios no caixa. Tudo isso explicaria esta viagem de Mattos à Europa que está irritando tanto a torcida.

O problema parece ainda maior porque Carlos Eduardo, a segunda contratação mais cara da História do clube, um jogador que nunca chamou a atenção de forma positiva em nenhum clube por que passou, faz um começo de temporada melancólico.

A balança não pode ser seletiva

Mattos e Borja

O folclore do futebol é recheado de histórias sobre negociações espúrias nas quais os cartolas dos clubes levam o famoso “por fora”. Tão recheado que parece difícil não supor que isso realmente acontece por aí – talvez não com a frequência com que a imaginação popular sugere, mas acontece.

Quando uma operação como a de Carlos Eduardo aponta para um saldo negativo, como acontece neste momento, a desconfiança aumenta. Detetives de rede social cravam que aí tem coisa. O que poucos parecem ponderar é que a função de diretor de futebol é passível de grandes erros, assim como pode render grandes tacadas. Ninguém sabe ao certo como um jogador recém-contratado vai render. Ao avaliar um diretor de futebol, a balança não pode ser seletiva, não se pode deixar nenhuma negociação de fora. Para ser justo, é preciso tratar do saldo total.

Não é só a segunda maior contratação da História do Palmeiras que está mal. A primeira também: Borja custou mais de R$ 30 milhões e está enlouquecendo as trombetas do apocalipse da rua Palestra. Só com o 37 e com o 9, são mais de R$ 50 milhões. Mas e quanto Mattos, com seu faro para negócios, já conseguiu de lucro para o clube? E em meio a isso tudo, quão forte foram os elencos que ele montou?

Quanto foi o saldo técnico e financeiro das contratações de Zé Roberto, Tchê Tchê, Moisés, Vitor Hugo, Keno, entre outros casos notórios? Como colocar de lado sua atuação junto a Manchester City e Barcelona para prolongar as estadas de Gabriel Jesus e Mina no clube, mesmo muito bem vendidos? Como esquecer o chapelaço nos inimigos para contratar Dudu, nosso maior ídolo da atualidade?

Dudu

Nestes pouco mais de quatro anos, entre compras e vendas, Mattos deve ter fechado cerca de duas centenas de negócios; mesmo com contratações como Ryder Mattos, Rodrigo, Kelvin, Victor Ramos e Emerson Santos, o saldo financeiro certamente é positivo e tecnicamente o clube vem ganhando títulos.

O salário de nosso diretor é muito bom para que ele não caia em tentação – se caiu ou não, em meio a todas essas negociações, é algo que vai permanecer para sempre no folclore, da mesma forma que antigos diretores de futebol do clube sempre lidaram com essa desconfiança – a não ser que algo concreto venha à tona. O feeling do presidente, que é quem sempre dá a palavra final em cada negociação, é a única coisa que pode frear um negócio aparentemente “estranho”. E se o técnico bate na mesa que quer o Carlos Eduardo, é mais difícil pisar nesse freio.

Para o torcedor que reclama mas paga pelo ingresso, paga Avanti e tudo o mais, no final das contas só interessa o momento, se o time está jogando “bem” ou não. Resultado em clássico conta muito. Pouco importa se é pré-temporada, se é paulista, se foram só sete de 80 jogos e existe um planejamento de evolução técnica. Se tem reforço caro jogando mal, ainda mais depois de perder um Derby, vai ter gente levantando lebres na Internet, cometendo, supostamente, injustiças. Ou não. Isto tudo, no fundo, é um saco, mas é elementar. Não é, Watson?


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Palmeiras e Crefisa anunciam a renovação do contrato com valores recorde

O Palmeiras e a Crefisa anunciaram no início desta tarde a renovação do contrato de patrocínio, válido para o triênio 2019-2021. Em entrevista coletiva, o presidente Maurício Galiotte e Leila Pereira, dona da empresa, divulgaram alguns detalhes do novo contrato, que tem valores recorde.

Os pagamentos da Crefisa ao Palmeiras contemplarão quatro modalidades anuais a saber:
Luvas: R$ 15 milhões
Camisa: R$ 81 milhões
Propriedades de marketing: R$ 6,8 milhões
Premiações: até R$ 34 milhões

As premiações contemplam a conquista de títulos e a classificação para a Libertadores do ano seguinte. Não foi detalhado o quanto cada conquista compõe desses R$ 34 milhões. Desta forma, o valor anual garantido a ser pago ao clube é de R$102,8 milhões, podendo atingir até R$ R$ 136,8 milhões, perfazendo até R$ 410,4 milhões ao final dos três anos, caso o Palmeiras vença todos os campeonatos que disputar.

A maior parceria do futebol brasileiro

Leila Pereira e Maurício Galiotte
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A Crefisa – e posteriormente a FAM, outra empresa do grupo – auferiu um crescimento espantoso após atrelar sua marca ao Palmeiras. O clube, por sua vez, conseguiu acelerar o processo de estabilização econômica iniciado em 2013 e hoje tem os índices financeiros mais saudáveis do país, disparado. As conquistas esportivas falam por si. Não há dúvidas: é a maior parceria do futebol brasileiro.

Sabemos que o processo, no entanto, teve percalços sérios. Emoções muitas vezes superaram a razão. Planos foram alterados, relações importantes foram abaladas e até destruídas para que se chegasse a este ponto. Alguns sacrifícios poderiam ter sido evitados.

A relação do Palmeiras com a patrocinadora, que também é conselheira, passa por uma promiscuidade política perigosa. Está dando certo agora e isso é mérito do presidente. Pode continuar dando certo por muito tempo. Mas o perigo é constante e todas as atenções para resguardar os interesses do Palmeiras, em primeiro lugar, são indispensáveis.

Que o presidente Galiotte tenha sabedoria para manter a tudo e a todos em seus devidos lugares, e conduzir todas as situações para o bem maior do Palmeiras. Que tenha aprendido com os erros que cometeu para não precisar sacrificar mais nada.

Que consiga, acima de tudo, manter o Palmeiras no protagonismo do futebol brasileiro durante seu mandato, e que encaminhe a situação da melhor forma possível no processo político ao final de 2021, quando deixará o cargo, para que o Palmeiras siga sendo bem administrado e não volte a ser sangrado por tantos animais de rapina que seguem circundando o clube.


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