O Palmeiras montando elenco é o alfa com complexo de beta

Erros de temporadas anteriores se repetem; elenco está enfraquecido e o desenvolvimento está atrasado. 2026 já começou muito errado.

O técnico Abel Ferreira, pressionado após mais um jogo ruim usando a terceira camada do elenco, declarou em entrevista coletiva no último domingo que “qualquer pessoa inteligente” percebe que o elenco está enfraquecido após se desfazer de cinco atletas e de ter contratado apenas um.

A observação é pertinente; na verdade, nem é necessária muita inteligência. Coincidência ou não, surgiram imediatamente notícias de que o clube está em tratativas avançadas pelo ponta colombiano Jhon Arias, que está no Wolverhampton; e pelo zagueiro Nino, que está no Zenit; ambos ex-jogadores do Fluminense. As duas propostas podem ser consideradas altas e ambiciosas.

Foi preciso que o time tivesse duas atuações abaixo da crítica para a diretoria dar os passos adiante – a esta altura da temporada, o atraso é evidente. E a sensação de estarmos vendo um filme repetido é forte, já que em 2025, os reforços também demoraram a jogar: Vitor Roque só se incorporou ao elenco em março e Paulinho, com problemas físicos, foi uma aposta que ainda estamos torcendo para que se pague.

Tivemos que nos contentar com contratações cujas relações custo/benefício foram altíssimas, como Facundo Torres. Jogamos contra o Chelsea com Micael e Vanderlan no lado esquerdo da defesa. Os equívocos de 2025 nos custaram uma temporada sem conquistas e deram pouca margem de erro para 2026, mas, ao que parece, a diretoria não aprendeu nada.

Não sobra nada pro betinha

Se as negociações mencionadas forem bem sucedidas, nos restará torcer para que os reforços encaixem bem, como o esperado. Mas teremos duas certezas: perdemos tempo de entrosamento e desenvolvimento do time, e gastamos mais do que se tivéssemos feito no tempo certo.

Não se forma um time bom pagando pouco, mas se o modus operandi seguir sendo reativo, o custo certamente será maior. O Palmeiras está rasgando dinheiro. Depois de dispensar cinco jogadores (que, de fato, não estavam desempenhando no nível que o clube precisa), só agora, pressionada, a diretoria decidiu ir ao mercado. O desespero fala alto e os preços sobem. Tem algo muito errado no planejamento.

Não sobrou nada pro beta

O meme “não sobrou nada pro beta” não se aplica ao Palmeiras, time com o segundo maior orçamento do país e desejado por dez entre dez jogadores. Só que o comportamento do clube na montagem do elenco, até agora, é de “beta”, não de “alfa”, e isso se deve única e exclusivamente a essa lentidão e falta de proatividade.

O sucesso do time até a temporada de 2023 teve como base reforços adquiridos antes de 2020, devidamente maturados e turbinados com reforços extra-classe vindos da base. Quando a roda precisou girar e a base do elenco, enfim, passou a ser a formada nos últimos cinco anos, os resultados desapareceram.

Errar numa temporada, faz parte; a falta de sorte numa sucessão de eventos pode enfraquecer o plantel em momentos cruciais e isso é aceitável enquanto exceção; mas quando isso começa a se repetir, a virar uma regra, quando os sinais de fraqueza gritam em nossa cara, é preciso mudar algo.

E que tratem de correr para ainda tentar salvar este ano, que já começou errado. A não ser que queiram mesmo ser os “betinhas” do futebol brasileiro.


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3 comentários em “O Palmeiras montando elenco é o alfa com complexo de beta

  1. O que esperar de um ex diretor do Botafogo do Rio (!) na sua fase pré SAF?
    O que esperar de uma presidente narcisista que contrata um diretor desse para não ofuscá-la?

  2. Gosto da ideia de ter 2 jogadores por posição, mas primeiro a gente monta 14/15 jogadores principais e alguns polivalentes e depois corre atrás disso, esse planejamento que está errado, Mike e Marcos Rocha saíram quase juntos, Facundo e Sasso poderíamos ter achado opções Brasileiras mais baratas como o Bruno Rodrigues ou Rony. Mas quero acreditar que com Paulinho e os dois citados o time já fica bem forte, alerta apenas para a Lateral direita.

  3. Leila e Barros só se movem devido a inércia.
    O Palmeiras só voltará a andar pra frente no dia que esses dois forem embora.

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