Plantel de 2019 já tem quatro baixas; esboço de 2020 começa a ficar mais claro

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Com o fim da temporada, alguns jogadores já definiram o fim de seus ciclos no Palmeiras e não retornarão ao clube em 2020. São os casos de Edu Dracena, que encerrou a carreira; Henrique Dourado, que retorna de empréstimo à China; Thiago Santos, que foi vendido ao futebol norte-americano, e de Fernando Prass, com o futuro ainda incerto.

A decisão de testar os meninos da base no elenco principal, mais os atletas que estouraram a idade e já rodaram em 2019 por empréstimo em outros clubes permanece, segundo declaração do presidente Maurício Galiotte – mesmo sem definir o diretor de futebol e o treinador.

Assim, já é possível esboçar de forma um pouco mais nítida o elenco que o Palmeiras terá em 2020.

Abaixo, seguiremos a lógica iniciada nesta série de posts, quando iniciamos a análise do elenco e das possibilidades para a próxima temporada.

Defesa

Com a saída de Fernando Prass e a renovação anunciada de Jailson, os goleiros para 2020 parecem definidos: Weverton, Jailson, Vinicius Silvestre e Matheus Teixeira. Para a lateral-direita, Marcos Rocha, com a ressalva de ter dificuldades na marcação do segundo pau, fez uma grande temporada – nosso próximo treinador precisa apenas corrigir essa deficiência. Mayke corresponde sempre que é acionado e Jean, em último ano de contrato, pode seguir sem problemas com terceira opção.

Já o lado esquerdo parece bem mais problemático. Victor Luis faz bem o papel de reserva, mas parece incomodado com essa situação – mesmo sem apresentar um futebol brilhante a ponto de poder reivindicar a titularidade. Diogo Barbosa, apesar de seu potencial, jamais conseguiu em dois anos de clube atingi-lo, e parece ter esgotado a paciência da torcida. Aqui, um reforço de alto nível é muito necessário – e dependendo da intenção de Victor Luis, talvez dois. Enquanto isso, Lucas Esteves sobe e é esperança de renovação.

O miolo da zaga tem em Gustavo Gómez uma referência. Vitor Hugo fez poucas partidas em alto nível desde que retornou da Itália, mas tem créditos que são reforçados com a informação de que jogou todo o semestre sentindo uma lesão na região inguinal, o que tende a ser corrigido com a cirurgia realizada na semana passada.

Luan só precisa de confiança; é um atleta que já deu claras demonstrações de que, com a cabeça tranquila, joga muito bem – cabe ao clube identificar como fazer para que o atleta não sinta tanto a pressão externa.  O mesmo raciocínio se aplica a Antônio Carlos, que já teve seus períodos jogando de forma destacada – como no primeiro semestre de 2018, quando foi titular com Roger Machado – mas também oscilou por conta de nervosismo. O camisa 25 encerra a temporada como quarta opção, claramente, e ainda terá que conviver com a ascensão de Pedrão, que ganhará chances após uma temporada no América-MG.

Meio-campo

Temos dois meiocampistas defensivos já definidos: Patrick de Paula, grande nome do time sub-20 multicampeão em 2019, chega ao time de cima para aprender. Matheus Fernandes, mesmo com o time em forte oscilação, foi um dos atletas mais firmes desta reta final e já briga pela titularidade. Felipe Melo, dono da posição, está cada vez mais lento e vive entre rumores de ofertas para jogar no Boca Juniors. É uma peça que, caso seja perdida, necessitará de reposição.

A figura do volante que “sai mais para o jogo” tem em Bruno Henrique um nome inquestionável; e espera-se que Ramires entre no segundo de seus oito semestres de contrato já recuperado das lesões que trouxe da China. Só observando, Gabriel Menino chega para aprender e evoluir – e, quem sabe, ganhar seu espaço num futuro próximo.

O meia criativo que também pode recompor a linha defensiva, neste momento, é Zé Rafael. Até como centroavante, jogou; sua versatilidade o garante como um dos destaques do elenco para 2020. Lucas Lima e Raphael Veiga tiveram uma temporada com mais baixos que altos e a comissão técnica precisa decidir entre um dos dois, já que uma contratação de impacto nesta função se faz necessária. Ou mesmo duas.

A função de meia criativo que joga sem a obrigação de voltar, apenas dando o primeiro combate ainda no campo ofensivo, foi muito bem desempenhada por Gustavo Scarpa, que teve sua reputação arranhada diante da torcida por causa do pênalti desperdiçado no último Derby. Artilheiro do time ao lado de Dudu, segundo jogador com mais passes para gol, Scarpa não merece esse questionamento tão severo por causa de um pênalti.

Hyoran já completou três anos de clube e, embora não tenha prejudicado, também não estourou como se esperava. Só deve ficar se não se incomodar em não ser o titular absoluto, para tentar, por mais um ano, lutar pela posição. A seu lado, ainda com todos os créditos possíveis, deve aparecer a figura de Alan, destaque da base desde o sub-17 e que finalmente chega à idade de ser aproveitado no time de cima.

Ataque

Para as extremas, estamos muito bem servidos. Dudu é a maior referência do time; há cinco anos no clube e sempre jogando em alto nível. Se por um lado Carlos Eduardo é uma dispensa premente, por outro, temos três meninos babando por duas vagas: Gabriel Veron, Angulo e Artur, que fez boa temporada no Bahia.

Luiz Adriano e Willian são excelentes atletas para se manter no elenco, já que possuem versatilidade ofensiva para jogarem tanto mais presos na área quanto em movimentação. Ambos são ótimas soluções táticas – Luiz Adriano consegue até ser considerado um centroavante ideal por muita gente, mesmo sem ter estrutura corporal mais adequada para o confronto físico com os zagueiros.

Para a centroavância, parece ter chegado o momento do Palmeiras realizar as perdas financeiras: Borja e Deyverson foram investimentos altos que infelizmente não deram certo e o clube precisa arranjar a melhor solução para minimizar o prejuízo e fazer com que os atletas sigam suas carreiras com outras camisas. Precisamos de duas presenças fortes de área no elenco de 2020 e só temos por enquanto a possibilidade de Papagaio, mal aproveitado nos empréstimos para Atlético-MG e Goiás, para ser testado. Precisamos de reforços!

Comando

Não adianta nada ficarmos conjecturando nomes de atletas se não sabemos nem quem será o treinador. De fato, não sabemos sequer quem será o diretor de futebol. O Palmeiras de 2020, embora já possua um rascunho do elenco, não tem cara, não tem identidade.

O tempo segue passando e a diretoria anda não definiu os pilares do futebol do Palmeiras em 2020. As negociações seguem difíceis exatamente porque os profissionais em vista sabem da urgência. TIC-TAC TIC-TAC.


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Reformulação 2020 – parte II

A análise do elenco de 2019 visando a reformulação – dispensas e contratações – iniciada ontem com o setor defensivo, tem sequência hoje com o meio do campo.

Atletas que ocupam a faixa central do campo de jogo, hoje, não podem mais ser classificados simplesmente como “volantes” ou “meias”, embora essa ainda seja a forma mais popular de identificar as funções. Essa maneira até funciona – e usamos aqui mesmo no Verdazzo, na página do elenco – quando se quer ter uma visão macro, que não necessita de aprofundamento. Mas quando a ideia é analisar o elenco para efeito de planejamento, cada uma dessas posições precisa ser ser desmembrada em pelo menos dois cortes. Nada muito complexo.

Os volantes, meio-campistas mais defensivos, podem ser divididos entre aqueles que são especialistas em defender (MD: fazer os desarmes e cobrir espaços) e os que “saem mais para o jogo” (MDO: avança ao ataque, mas a prioridade do posicionamento é baseado na possibilidade de perda da bola e na composição da linha defensiva).

Já os meias têm como função primordial a criação, mas também podem compor a linha defensiva na perda da bola – alguns têm mais facilidade para essa recomposição (MOD); outros, seja pelo porte físico, seja pela velocidade, renderão melhor se não tiverem a obrigação imediata de se reposicionar, limitando-se ao primeiro combate (MO).

Meiocampistas defensivos (MD)

Thiago Santos e Felipe Melo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Neste momento temos apenas Felipe Melo e Thiago Santos com essa característica no elenco; Patrick de Paula, grande destaque do Sub-20, já está confirmado no período de testes.

Thiago Santos, no Palmeiras desde 2015, mantém um ótimo relacionamento com o grupo e corresponde muito bem sempre que solicitado. Encara bem o papel de segunda opção e é confiável. Não existe o menor motivo para liberá-lo.

A falta de velocidade de Felipe Melo, que tem contrato até 2021, bem como seu potencial em atrair problemas sempre incomodam a uma parte da torcida, a despeito de sua técnica inegável e carisma latente. Não sabemos o quanto esse desconforto passa também por quem está estudando a formação do elenco. Caso ele seja emprestado, será necessária a contratação de mais um atleta.

Meiocampistas defensivos-ofensivos (MDO)

Ramires e Bruno Henrique
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Jean, neste momento, está muito mais para a terceira opção de lateral direito do que como alternativa para o meio do campo. Nesta faixa, temos Bruno Henrique absoluto e inquestionável, e Ramires, com um contrato longo pela frente, já como reforço “antecipado”.

Mas ainda cabe mais um atleta neste ponto da grade, e Gabriel Menino surge como mais uma esperança da base, embora o elenco atual conte ainda com Matheus Fernandes. Tudo indica que estes dois atletas lutarão, no período de testes, por uma vaga para toda a temporada. Quem for preterido deve ser emprestado.

Meiocampistas ofensivos-defensivos (MOD)

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Zé Rafael, Lucas Lima e Raphael Veiga estão, respectivamente, há um, dois e três anos vinculados ao Palmeiras e não conseguiram, a despeito de seus reconhecidos talentos, empolgar a torcida e as comissões técnicas com que trabalharam.

Os três são atletas que teriam espaço facilmente em 90% dos clubes da Série A e provavelmente ficariam muito incomodados se fossem relegados a segundo plano no elenco por mais um ano.

Essa é uma decisão que envolve o projeto tático que o treinador vai implementar. Ele deve decidir, baseado em mapas de análise de desempenho, com quais deles quer contar para 2020. Um ou dois desses três deve ser emprestado – e aí será necessário ir ao mercado, para reposição.

Não adianta segurar nenhum dos três para que eles entrem em apenas 20% dos jogos. Ou existe uma perspectiva real de protagonismo por parte dos que permanecerem, ou é melhor liberá-los e remontar o setor com perfis adequados.

Meiocampistas ofensivos (MO)

Gustavo Scarpa e Hyoran
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Gustavo Scarpa e Hyoran podem jogar por dentro ou pelos flancos e têm como ponto forte as ações ofensivas, com pouco poder de recomposição e combate, até pelo porte físico. Ambos são muito talentosos e têm personalidade forte.

No entanto Gustavo Scarpa, artilheiro do time na temporada, alcançou uma posição no elenco na qual não pode ser considerado dispensável, ao contrário de Hyoran – até pelo número de chances recebidas.

A permanência de Hyoran não seria mal vista pela torcida, mas depende da avaliação da comissão técnica. Em caso de dispensa, obviamente o mercado precisaria ser acionado.

É muito difícil entender quais teriam sido os critérios que barraram a promoção de Alan, do Sub-20, para ser a terceira opção nesta função. Destaque desde o Sub-17, articulador da seleção brasileira da categoria, Alan não foi citado por Alexandre Mattos por ocasião da revelação de que a base seria aproveitada em 2020.

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Amanhã seguiremos a análise da reformulação com o ataque. Acompanhe!


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Reformulação 2020 – parte I

Com o fim definitivo das chances de conquistas em 2019, as atenções dos torcedores já se voltam para o ano que se aproxima. Mudanças estruturais e no elenco são muito especuladas pela torcida nas redes sociais.

O Verdazzo desenvolverá uma série, entre hoje e sexta-feira, dos setores que compõem o grupo que disputa os troféus tão almejados pela torcida. A sequência se inicia hoje, com a defesa. Amanhã, o assunto será o meio-campo. Na quinta-feira, o tema será o ataque, para, enfim, discutirmos o técnico e o diretor de futebol na sexta-feira.

Goleiros

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras tem por padrão usar quatro goleiros, sendo um da base. Vinicius Silvestre vinha sendo um dos maiores destaques do CRB, na Série B, e aos 25 anos terá sua verdadeira chance no elenco do Verdão – certamente não como quarto goleiro.

Como Weverton parece ainda ter um longo trajeto como titular, os olhares recaem sobre os dois veteranos: Fernando Prass e Jailson, grandes parceiros desde 2014, agora tendem a disputar uma vaga no elenco do Palmeiras de 2020. Não por falta de merecimento, mas por um movimento de renovação, um deles deve deixar o clube no final do ano, quando ambos terão o contrato encerrado.

Laterais

Victor Luis e Marcos Rocha
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Matheus Rocha teve um bom início de ano, mas perdeu rendimento no segundo semestre em seu empréstimo ao Vitória – talvez por isso não tenha sido mencionado por Mattos entre os que terão chance no Palmeiras em 2020. Com isso, Marcos Rocha e Mayke permanecem firmes no elenco. A terceira opção, na falta de um atleta da base confiável, permanece sendo Jean, que ainda tem mais um ano de contrato.

O lado esquerdo ganha um bom reforço com a promoção de Esteves, vindo da base. Diogo Barbosa, mesmo livre das lesões, teve uma temporada fraca e jamais repetiu o bom futebol que exibiu nas passagens por Botafogo e Cruzeiro. Victor Luis, aos 26 anos, não está satisfeito por sequer ser aproveitado em rodízio. Um dos dois pode sair, o que tende a abrir uma vaga no elenco para contratações.

Zagueiros

Luan e Edu Dracena
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A trinca formada por Gustavo Gómez, Vitor Hugo e Luan dominaram a zaga do Palmeiras em 2019. Gómez e Luan formaram uma dupla extremamente sólida antes da Copa América, atingindo números notáveis e constituindo a verdadeira defesa que ninguém passa.

A facilidade do paraguaio em atuar dos dois lados fez com que Luan, atual terceira opção após a recontratação de Vitor Hugo, sempre fosse acionado, qualquer que fosse o titular impedido de atuar. Com isso, Edu Dracena e Antônio Carlos perderam muito espaço.

Antônio Carlos tem vínculo com o clube até 2023. Nas oportunidades que teve no primeiro semestre, não comprometeu de forma grosseira e mostrou que pode ser útil. Edu Dracena, por sua vez, é outro que terá seu contrato encerrado no fim do ano e ainda não teve chances com Mano Menezes. Os dois disputam espaço com Pedrão, que será avaliado após um empréstimo ao América-MG, no qual foi aproveitado em apenas oito partidas.

Infelizmente Luan e Vitor Hugo não transpareceram solidez no segundo semestre. Até Gustavo Gómez, unanimidade na torcida, tem feito jogos menos seguros comparando com o defensor firme que conhecemos a partir do meio de 2018. Mesmo assim, o paraguaio segue sendo a referência em nossa zaga. Vitor Hugo, ainda com status adquirido em 2016, deve seguir. Assim, Edu Dracena e Antônio Carlos, esquecidos por Mano Menezes, são os que estão sob maior risco. A tendência é que o veterano seja dispensado para a contratação de um reforço.

Amanhã a série continua, com o meio-de-campo. Acompanhe!


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A temporada está de volta e Felipão tem escolhas a fazer

Dudu e Moisés
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A temporada doméstica do futebol está de volta e com ela vem o calendário extenuante a que os clubes brasileiros, principalmente os que tem competência suficiente para sobreviver nas competições, são submetidos. O Palmeiras, ao lado de Flamengo, Cruzeiro, Grêmio, Inter e Athletico-PR, permanece disputando três frentes: Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. O Atlético-MG também segue em três disputas: além do Brasileirão, briga também pela Copa do Brasil e pela Sul-Americana.

Já se pode dizer, diante do mau início, que Cruzeiro, Athletico e Grêmio estão fora da briga pelo Campeonato Brasileiro e deverão focar na disputa dos mata-matas. Logo, apenas Palmeiras, Flamengo, Inter e Galo são os clubes que precisam realmente estudar bem seus elencos e calendários para distribuir as forças de forma a se manterem competitivos e ao mesmo tempo administrarem o físico de seus atletas.

O Flamengo finalmente reforçou a lateral direita com Rafinha, mas segue com uma visível inconsistência no setor defensivo do elenco. O Inter, nosso adversário desta quarta pela Copa do Brasil, tem um time titular muito bom, mas ainda tem problemas quando lida com lesões – as perdas simultâneas dos dois laterais (Zeca lesionou-se e Iago foi negociado) tende a prejudicar o plano de jogo de Odair Hellmann para os próximos jogos. Já o Atlético e o Bahia ainda lutam para cobrir os furos de seus times titulares.

De todos, com um elenco minuciosamente planejado, o Palmeiras é o clube mais preparado para a maratona. Podemos armar um time B e até um time C que não fariam feio no Brasileirão. Cabe ao General Scolari e à Comissão Técnica planificarem as batalhas e escalarem os soldados mais adequados a cada batalha.

Largada!

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante da parada de quatro semanas, é possível exigir um pouco mais dos titulares no início. Se repetir a estratégia vencedora do ano passado, Felipão tende a escalar o que tem de melhor nos mata-matas e administrar o elenco aos finais de semana, no Brasileirão.

Para a partida contra o Inter, em casa, é importante abrir vantagem, a mais larga possível. Força máxima, no papel e em campo, sem administrar uma eventual vantagem no placar. Visando o jogo de volta, quanto maior a diferença de gols, melhor, a fim de poder controlar as possibilidades de lesão.

Já no clássico diante do SPFC, sábado, no Morumbi, a escalação vai depender de alguns fatores. Em 2018, a defesa era sempre trocada e devemos ir de Prass; Mayke (se estiver com o desconforto no púbis sob controle), Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis. Do meio para a frente, vai depender do placar do jogo de amanhã e principalmente dos testes realizados pela fisiologia.

Dudu, além de ser um dos atletas mais resistentes do elenco, é fominha, no melhor dos sentidos, e deve permanecer entre os titulares – o que é ótimo não apenas tecnicamente, mas para preservar a identidade do time. Felipe Melo é outro atleta a quem Felipão costuma recorrer sempre que a fisiologia dá o sinal verde. No mais, podemos ter as entradas de Veiga, Scarpa, Moisés e Borja, por exemplo. Ou de Hyoran; ou de Willian, recuperado. Ou Felipão pode manter todos os titulares, caso o resultado contra o Inter seja muito bom.

Camarões à disposição

Felipão e Paulo Turra
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Em 2012, Felipão reclamava do cardápio, dizendo que estava comendo arroz com feijão todos os dias e que de vez em quando queria ter uns camarões, em referência à baixíssima qualidade do elenco.

Hoje nosso comandante pode variar à vontade. O elenco é farto e tem jogadores com ótima condição técnica, com todas as características diferentes possíveis para que o plano de cada jogo seja executado utilizando as melhores ferramentas.

Além disso, os atletas dispõem de uma estrutura impecável à disposição para mantê-los nas melhores condições físicas.

As próximas dez semanas serão intensas física e emocionalmente. O Palmeiras está pronto, preparado para encarar. Temos três troféus para buscar e queremos todos. Essa busca passa pela capacidade de nosso comandante em fazer as melhores escolhas. VAMOS PALMEIRAS!


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A diferença entre um time protagonista e um time campeão de tudo

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O setor ofensivo do Palmeiras parece ter resolvido o problema da pontaria. Depois de ter ficado atrás de Santos e Ituano no estadual, o ataque palmeirense engatou uma boa sequência e neste momento é o mais positivo tanto na Libertadores quanto no Brasileirão.

A entrada de Ricardo Goulart, em princípio, fez bem ao ataque e o camisa 11 segue sendo um dos jogadores com mais participações em gols, seja convertendo-os, seja dando assistências. O setor sofreu uma pequena, mas fatal, oscilação nas semifinais do estadual; Goulart então saiu do time e Zé Rafael encaixou muito bem – antes do jogo contra o CSA, com o time reserva, o Palmeiras havia marcado 11 gols em três jogos.

Mas se a linha ofensiva com Dudu, Gustavo Scarpa e Zé Rafael está dando conta do recado, o desempenho do comando do ataque em 2019, até agora, tem inegavelmente deixado a desejar.

Borja e Deyverson estão com desempenho sofrível; Arthur Cabral teve poucas chances até agora e o Palmeiras deixa de fazer alguns gols – e de somar alguns pontos, como aconteceu em Maceió – pela falta de eficácia do jogador mais avançado do time. Essa deficiência pode custar campeonatos.

Borja e Deyverson

Miguel Borja, a contratação mais cara da História do Palmeiras, até fez um ou outro bom jogo em 2019, mas sucumbiu à má fase. Os gols estão cada vez mais raros. Erros em lances fáceis fizeram a pressão da torcida aumentar. Sua personalidade retraída, a despeito de seu enorme coração, tornou sua situação ainda pior.

O colombiano nunca teve o nome tão especulado para deixar o clube; vendê-lo abaixo do preço investido já não é um pensamento tão absurdo diante do aparentemente irreversível prejuízo técnico. Em doze jogos, o colombiano marcou apenas três gols e deu uma assistência, em 866 minutos em campo.

Com o chip eternamente solto, Deyverson foi suspenso após um lance deplorável no Derby do estadual, mas recebeu nova chance após o gancho diante da fase ruim de Borja. Taticamente, o camisa 16 se mostra mais útil que o colombiano, mas sua limitação técnica faz com que os ataques muitas vezes terminem quando a bola chega a seus pés.

Apesar de não ser mais tão perseguido pela torcida quanto Borja, os números de Deyverson na temporada são até piores que os do colombiano: foram 13 jogos, 1060 minutos em campo, com os mesmos três gols e uma assistência. Os detalhes dos números podem ser conferidos na página de estatísticas do Verdazzo.

Arthur Cabral e a regra de Mattos

Arthur Cabral
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A aposta de longo prazo da diretoria para o comando de ataque é Arthur Cabral. Contratado em agosto junto ao Ceará, então com 19 anos, o atacante teve até agora apenas duas chances de mostrar jogo – e em uma delas foi muito bem, marcando o gol de empate numa partida complicada em Novo Horizonte, no mata-mata do estadual. Questões físicas, no entanto, seguem atrapalhando o jogador.

Mesmo que seja logo liberado por completo, seu desempenho segue sendo uma incógnita. Afinal, poucos meninos de 20 anos conseguiram carregar o fardo de assumir a camisa 9 do Palmeiras sem sucumbir à pressão. Arthur Cabral tem condições para isso: é forte, tem todos os fundamentos e um time muito bom à sua volta.

Mas mesmo que consiga, ainda ficamos sujeitos a uma temporada desgastante e seguiríamos reféns de uma eventual lesão do camisa 39, retornando ao looping infinito de Deyverson/Borja. O Palmeiras precisa urgentemente rever a posição de centroavante na janela do meio do ano.

E para achar um atleta que forme com Arthur Cabral uma dupla de centroavantes para atender ao rodízio de Felipão, Mattos precisa quebrar uma regra imposta por ele mesmo: a de investir somente em jogadores com grande potencial de revenda, visando lucro financeiro em paralelo ao ganho técnico.

Os velhos cascudos

Os maiores centroavantes do Brasileirão, hoje, são veteraníssimos – e todos seguem marcando muitos gols. Ricardo Oliveira (38), Fred (35) e Guerrero (35) conhecem muito bem o futebol brasileiro e seguem dando ótimo retorno a seus clubes, deixando as torcidas bastante satisfeitas. Além deles, apenas o jovem Pedro (21), do Fluminense, vem tendo uma performance de destaque.

Talvez seja o momento do Palmeiras repensar a estratégia de contratação de atletas, ao menos em determinadas posições. Nem todo reforço precisa dar resultado financeiro positivo; o que importa, é o balanço final. Se o clube decidir investir num jogador com idade avançada e com pouco ou nenhum valor de revenda, mas ele responder marcando os gols que podem fazer a diferença num jogo decisivo – sobretudo nos mata-matas que começam pra valer em agosto – terá valido a pena.

Neste momento, poucos centroavantes têm esse perfil – goleadores, vencedores, experientes e habituados ao futebol brasileiro. Abaixo, algumas possibilidades:

  • Jonas (34), depois de uma espetacular temporada no Benfica em 17/18, teve duas lesões na temporada atual e vem figurando na reserva – mesmo assim, tem 13 gols em 31 jogos, muitos deles vindo do banco. Resta saber se ainda tem disposição de sair da Europa para jogar no Brasil.
  • Lucas Pratto (30) vem fazendo uma temporada discreta no River Plate: 5 gols em 19 jogos. Por já ter atuado nesta Libertadores, é uma opção com pouco apelo neste momento.
  • Jonathan Calleri (25) nem é tão experiente, tampouco faz uma temporada exuberante (8 gols em 33 jogos), mas tem o atenuante de estar num time fraco, o Alavés – coincidentemente, o último time de Deyverson.
  • Gustavo Bou (29) vive na ponte Racing/Tijuana. Desde que voltou ao clube mexicano, no início do ano, fez 8 gols em 16 jogos, mesmo não sendo exatamente um NOVE-NOVE. E não sabemos sequer se teria boa adaptação ao Brasil.
  • Dario Benedetto (28), pela mesma razão de Lucas Pratto, não tem força para esta janela. Seus números pelo Boca Juniors também não empolgam: 5 gols em 17 partidas. É outro que não sabemos como se adaptaria ao país.

Notem que nenhum dos atacantes aventados teria todos os predicados para preencher a lacuna em nosso elenco na próxima janela. Mas provavelmente há no mercado algum atleta que pode atender a nossas demandas – e é exatamente por esse motivo que Alexandre Mattos é muito bem remunerado: para prospectar o mercado e encontrar reforços que atendam ao que precisa o Palmeiras

E para isso, por vezes, pode ser melhor recorrer a um atleta com baixo ou nenhum valor de revenda, mas que resolva uma necessidade premente, a se manter preso a uma filosofia que envolve ganhos financeiros e que limita os resultados.

Um centroavante realmente cascudo e matador talvez seja a diferença entre um time com meias talentosíssimos, protagonista de todos os campeonatos, e um time copeiro e campeão de tudo.


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