A diferença entre um time protagonista e um time campeão de tudo

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O setor ofensivo do Palmeiras parece ter resolvido o problema da pontaria. Depois de ter ficado atrás de Santos e Ituano no estadual, o ataque palmeirense engatou uma boa sequência e neste momento é o mais positivo tanto na Libertadores quanto no Brasileirão.

A entrada de Ricardo Goulart, em princípio, fez bem ao ataque e o camisa 11 segue sendo um dos jogadores com mais participações em gols, seja convertendo-os, seja dando assistências. O setor sofreu uma pequena, mas fatal, oscilação nas semifinais do estadual; Goulart então saiu do time e Zé Rafael encaixou muito bem – antes do jogo contra o CSA, com o time reserva, o Palmeiras havia marcado 11 gols em três jogos.

Mas se a linha ofensiva com Dudu, Gustavo Scarpa e Zé Rafael está dando conta do recado, o desempenho do comando do ataque em 2019, até agora, tem inegavelmente deixado a desejar.

Borja e Deyverson estão com desempenho sofrível; Arthur Cabral teve poucas chances até agora e o Palmeiras deixa de fazer alguns gols – e de somar alguns pontos, como aconteceu em Maceió – pela falta de eficácia do jogador mais avançado do time. Essa deficiência pode custar campeonatos.

Borja e Deyverson

Miguel Borja, a contratação mais cara da História do Palmeiras, até fez um ou outro bom jogo em 2019, mas sucumbiu à má fase. Os gols estão cada vez mais raros. Erros em lances fáceis fizeram a pressão da torcida aumentar. Sua personalidade retraída, a despeito de seu enorme coração, tornou sua situação ainda pior.

O colombiano nunca teve o nome tão especulado para deixar o clube; vendê-lo abaixo do preço investido já não é um pensamento tão absurdo diante do aparentemente irreversível prejuízo técnico. Em doze jogos, o colombiano marcou apenas três gols e deu uma assistência, em 866 minutos em campo.

Com o chip eternamente solto, Deyverson foi suspenso após um lance deplorável no Derby do estadual, mas recebeu nova chance após o gancho diante da fase ruim de Borja. Taticamente, o camisa 16 se mostra mais útil que o colombiano, mas sua limitação técnica faz com que os ataques muitas vezes terminem quando a bola chega a seus pés.

Apesar de não ser mais tão perseguido pela torcida quanto Borja, os números de Deyverson na temporada são até piores que os do colombiano: foram 13 jogos, 1060 minutos em campo, com os mesmos três gols e uma assistência. Os detalhes dos números podem ser conferidos na página de estatísticas do Verdazzo.

Arthur Cabral e a regra de Mattos

Arthur Cabral
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A aposta de longo prazo da diretoria para o comando de ataque é Arthur Cabral. Contratado em agosto junto ao Ceará, então com 19 anos, o atacante teve até agora apenas duas chances de mostrar jogo – e em uma delas foi muito bem, marcando o gol de empate numa partida complicada em Novo Horizonte, no mata-mata do estadual. Questões físicas, no entanto, seguem atrapalhando o jogador.

Mesmo que seja logo liberado por completo, seu desempenho segue sendo uma incógnita. Afinal, poucos meninos de 20 anos conseguiram carregar o fardo de assumir a camisa 9 do Palmeiras sem sucumbir à pressão. Arthur Cabral tem condições para isso: é forte, tem todos os fundamentos e um time muito bom à sua volta.

Mas mesmo que consiga, ainda ficamos sujeitos a uma temporada desgastante e seguiríamos reféns de uma eventual lesão do camisa 39, retornando ao looping infinito de Deyverson/Borja. O Palmeiras precisa urgentemente rever a posição de centroavante na janela do meio do ano.

E para achar um atleta que forme com Arthur Cabral uma dupla de centroavantes para atender ao rodízio de Felipão, Mattos precisa quebrar uma regra imposta por ele mesmo: a de investir somente em jogadores com grande potencial de revenda, visando lucro financeiro em paralelo ao ganho técnico.

Os velhos cascudos

Os maiores centroavantes do Brasileirão, hoje, são veteraníssimos – e todos seguem marcando muitos gols. Ricardo Oliveira (38), Fred (35) e Guerrero (35) conhecem muito bem o futebol brasileiro e seguem dando ótimo retorno a seus clubes, deixando as torcidas bastante satisfeitas. Além deles, apenas o jovem Pedro (21), do Fluminense, vem tendo uma performance de destaque.

Talvez seja o momento do Palmeiras repensar a estratégia de contratação de atletas, ao menos em determinadas posições. Nem todo reforço precisa dar resultado financeiro positivo; o que importa, é o balanço final. Se o clube decidir investir num jogador com idade avançada e com pouco ou nenhum valor de revenda, mas ele responder marcando os gols que podem fazer a diferença num jogo decisivo – sobretudo nos mata-matas que começam pra valer em agosto – terá valido a pena.

Neste momento, poucos centroavantes têm esse perfil – goleadores, vencedores, experientes e habituados ao futebol brasileiro. Abaixo, algumas possibilidades:

  • Jonas (34), depois de uma espetacular temporada no Benfica em 17/18, teve duas lesões na temporada atual e vem figurando na reserva – mesmo assim, tem 13 gols em 31 jogos, muitos deles vindo do banco. Resta saber se ainda tem disposição de sair da Europa para jogar no Brasil.
  • Lucas Pratto (30) vem fazendo uma temporada discreta no River Plate: 5 gols em 19 jogos. Por já ter atuado nesta Libertadores, é uma opção com pouco apelo neste momento.
  • Jonathan Calleri (25) nem é tão experiente, tampouco faz uma temporada exuberante (8 gols em 33 jogos), mas tem o atenuante de estar num time fraco, o Alavés – coincidentemente, o último time de Deyverson.
  • Gustavo Bou (29) vive na ponte Racing/Tijuana. Desde que voltou ao clube mexicano, no início do ano, fez 8 gols em 16 jogos, mesmo não sendo exatamente um NOVE-NOVE. E não sabemos sequer se teria boa adaptação ao Brasil.
  • Dario Benedetto (28), pela mesma razão de Lucas Pratto, não tem força para esta janela. Seus números pelo Boca Juniors também não empolgam: 5 gols em 17 partidas. É outro que não sabemos como se adaptaria ao país.

Notem que nenhum dos atacantes aventados teria todos os predicados para preencher a lacuna em nosso elenco na próxima janela. Mas provavelmente há no mercado algum atleta que pode atender a nossas demandas – e é exatamente por esse motivo que Alexandre Mattos é muito bem remunerado: para prospectar o mercado e encontrar reforços que atendam ao que precisa o Palmeiras

E para isso, por vezes, pode ser melhor recorrer a um atleta com baixo ou nenhum valor de revenda, mas que resolva uma necessidade premente, a se manter preso a uma filosofia que envolve ganhos financeiros e que limita os resultados.

Um centroavante realmente cascudo e matador talvez seja a diferença entre um time com meias talentosíssimos, protagonista de todos os campeonatos, e um time copeiro e campeão de tudo.


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A arquitetura de um time em busca da perfeição

Palmeiras 5x0 Novorizontino

O bom resultado diante do Novorizontino, na segunda partida pelas quartas-de-final do campeonato paulista, fez a gangorra da bipolaridade palmeirense voltasse a pender para o pólo positivo – e com força. Chega a ser engraçado.

Mas não são só palmeirenses que estão olhando o time com bons olhos: a imprensa e até torcedores de outros clubes estão se referindo ao Verdão com muito mais respeito que o costume. Pelo menos até a próxima oscilação.

O placar dos jogos seguem sendo o fator primordial para as análises do futebol jogado – o chamado resultadismo. O fato é que na última terça o Palmeiras teve um volume de jogo bem semelhante ao que já vinha apresentando nos outros jogos; a ligação entre defesa e ataque ainda foi feita na maior parte das vezes através de lançamentos longos e o número de finalizações desferidas e sofridas seguiu o bom padrão da temporada.

O que realmente fez com que a avaliação fosse diferente foi o placar, resultado de uma tarde bastante feliz na execução das assistências e das finalizações.

Os primeiros passos

Flamengo 1x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No ano passado, a primeira coisa que Felipão fez foi acertar a recomposição defensiva. O Palmeiras tornou-se um time extremamente competente na retaguarda e o índice de gols sofridos despencou. A equipe se recuperou de um início irregular no Brasileirão e venceu a competição até com uma certa folga, mesmo sem mostrar tantas virtudes lá na frente.

Felipão acertou e defesa e usou a ligação direta com o setor ofensivo, recheado de grandes jogadores, para que eles se virassem para fazer os gols. É claro, uma ou outra diretriz, mais as jogadas ensaiadas na bola parada, foram a contribuição do treinador para que o time chegasse aos gols. O resto, foi resultado do talento dos jogadores.

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Para este ano, a chegada de Ricardo Goulart deu uma perspectiva diferente a nosso ataque. Sua mobilidade e seu gosto por pisar na área, além do ótimo senso de posicionamento e de seu talento como finalizador, fazem do camisa 11 um atleta indispensável em qualquer partida, dentro do planejamento da administração da condição física.

Diante das características de Goulart, o sistema ofensivo, bastante cru em 2018, pode ser desenvolvido em função de sua presença. E outra peça fundamental para essa arquitetura é Gustavo Scarpa, com sua facilidade em flutuar por todos os cantos do campo ofensivo e preencher os espaços que Goulart deixa quando se manda para a área. Quem não tem essa característica é Lucas Lima, que acabou perdendo espaço.

Um time-base com peças de ajuste para todas as situações

Com Goulart, Scarpa e Dudu, temos um trio ofensivo que, com um centroavante com mais mobilidade e capacidade de trocar passes, como Deyverson, pode construir ataques estruturados bem mais envolventes. Claro que o apoio do segundo volante e dos laterais segue sendo essencial, mas esta configuração básica parece ser capaz de incomodar qualquer sistema defensivo.

Mas o Palmeiras pode mais. Felipão tem nas mãos um elenco com jogadores das mais diversas características, os quais ele pode usar não apenas para poupar os atletas do excessivo desgaste físico, mas também para adaptar nosso ataque da melhor forma às vulnerabilidades das defesas adversárias.

Além do quarteto ofensivo já mencionado, Felipão tem à disposição um verdadeiro bat-cinto de utilidades. Ferramentas diferentes para serem usadas em desafios diferentes.

Borja: o típico homem de área, ideal para prender os zagueiros enquanto os meias chegam de trás. Mesmo em má fase, segue sendo uma ótima opção para povoar a área quando o time estiver em busca de gols nos minutos finais;

Arthur Cabral

Arthur Cabral: ainda em fase de reaquisição de ritmo de jogo, parece ter todos os atributos de um centroavante: além da força física para jogar fixo na área, tem boa movimentação e pode trocar passes; finaliza bem por baixo e no jogo aéreo;

Lucas Lima

Lucas Lima: como quarto homem da linha de meias, alterando o esquema para o 4-1-4-1, não vai precisar de tanta mobilidade, que nunca foi sua característica. Desta forma, pode brilhar como em seus melhores momentos da carreira; com a intermediária ofensiva preenchida, não precisa percorrer tanto espaço ou forçar passes mais longos; sua grande capacidade de antever movimentos pode resultar em assistências preciosas;

Raphael Veiga: tem as mesmas características do meia clássico que Lucas Lima, com menos virtuosismo, mas com mais capacidade física, o que faz com que ele possa se converter num segundo volante quando o time está sem a bola – mais indicado para quando o time precisar trocar passes para furar defesas contra um time que tem está com o contra-ataque armado;

Felipe Pires

Felipe Pires: como ele mesmo se descreveu, é velocidade pura. Com suas características, é ideal para o jogo vertical, quando o time adversário avança a última linha e deixa espaços;

Carlos Eduardo

Carlos Eduardo: é o rabiscador, ponteiro que tem no drible sua principal arma, embora ainda precise evoluir no passe final; indicado para quebrar linhas compactas e recuadas;

Willian: meia-atacante de beirada com grande poder de finalização; também gosta de pisar na área e tem ótimo senso de colocação e finalização. Indicado para jogar pelo lado quando Goulart não puder estar em campo, para suprir exatamente essas características, de preferência com Veiga por dentro. Quem tem Willian, não precisa de Pato;

Zé Rafael

Zé Rafael: joga predominantemente pela esquerda, fazendo a mesma função de Dudu. A diferença é que não é tão rápido; em compensação, tem mais aptidão para jogar afunilando e fazer o papel do meia-armador no processo de constantes trocas de posição que a dinâmica do ataque exige;

Ainda temos Hyoran que reúne um pouco das características de Zé Rafael e Willian; e Guerra, que tem traços do jogo de Lucas Lima e do próprio Goulart. Os dois estão alguns passos atrás dos companheiros neste momento, mas são jogadores cujas qualidades podem virar esse jogo a qualquer momento.

Um passo de cada vez

Felipão e Mattos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Com a defesa acertada e o desenvolvimento pleno do sistema ofensivo, depois de finalmente poder contar com Scarpa e Goulart ao mesmo tempo (o que permite ao treinador desenvolver o esquema básico de ataque, que pode ser alterado a qualquer momento com todas essas peças específicas mencionadas) o Palmeiras será capaz de marcar gols com a mesma eficiência que consegue não tomá-los. É de se imaginar que até o final de maio esse estágio esteja cumprido.

É aí que pode ser iniciada a fase final da construção do time, que é melhorar a transição para o ataque; fazer da ligação direta uma opção a ser usada quando a defesa adversária está desguarnecida, e não a única opção. O Palmeiras tem que saber fazer a bola chegar ao quarteto ofensivo sem correr tantos riscos de perder a bola em tantos passes longos, forçados.

Essa fase, no entanto, não precisa ser feita no atropelo. Mais importante que fazer esse ajuste é cumprir as tarefas básicas para se ganhar um jogo: fazer gols e não tomá-los. Enquanto isso não acontece, precisamos saber conviver com essa quantidade de lançamentos longos.

O desespero da torcida em ver o time “jogando bem” é compreensível, mas a construção de um time que seja completamente equilibrado, forte na defesa e no ataque, e que tenha recursos para construir as jogadas de forma rápida ou cadenciada, conforme o momento do jogo exija, leva tempo. Algo que nenhum técnico teve desde o início desta nova fase do Palmeiras, com a inauguração do Allianz Parque.

Felizmente Felipão tem o estofo necessário para aguentar as pancadas que seus antecessores não suportaram; a construção da identidade desta equipe segue e, para a fase decisiva da temporada, que começa na segunda metade de agosto, é que podemos esperar um time completo: competitivo, e jogando “bem”. Por enquanto, só os resultados já estão de ótimo tamanho.


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O onze ideal; pelo menos, até agora

Ricardo Goulart
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

É consenso que o Palmeiras não tem uma formação titular fixa. A fartura de bons jogadores, somadas às lesões e às suspensões, fazem com que Felipão mude o time a cada jogo, conforme a característica do adversário. Não é à toa que o locutor do estádio, Marcos Costi, anuncia o “banco de titulares” logo após a escalação do time que sai jogando nas partidas no Allianz Parque.

Mas também parece claro que nas partidas que realmente valem a sequência da temporada, Felipão coloca o que tem de melhor à disposição em campo, mesmo que o rodízio de jogadores aponte em outra direção.

Até agora, foram nove jogos na temporada – todos pelo campeonato paulista. Dois clássicos e sete jogos contra times pequenos serviram para observar 25 jogadores – dos inscritos, apenas Jean ainda não entrou em campo em 2019.

Nesta nova página do Verdazzo, é possível conferir os principais números de todos os atletas, que, somados à observação das partidas, ajudam a traçar um mapa do elenco a qualquer momento. Diante do que os atletas apresentaram em 2019 até agora, já é possível arriscar um time “ideal”.

Defesa que ninguém passa

Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No gol, tanto faz. Todos vêm jogando muito bem e passam total segurança à defesa. Qualquer que seja a escolha de Felipão, terá sido bem feita.

Nas laterais, Mayke e Victor Luis estão à frente de Marcos Rocha e Diogo Barbosa, com partidas mais sólidas tanto na defesa, quanto no apoio. É claro, todos apresentaram oscilações, mas no conjunto, a dupla sugerida foi mais consistente.

A dupla de zaga não deixa dúvidas: Luan e Gómez estão bastante à frente de Antônio Carlos e Edu Dracena, não só nas atuações individuais, mas no conjunto, preenchendo bem os espaços e com um posicionamento mais afinado.

É evidente que o entrosamento não se aplica apenas à dupla de zaga, mas em toda a linha de quatro defensores. Victor Luis, neste momento, está mais alinhado com a dupla Antônio Carlos/Dracena, mas nada impede que isso seja invertido a qualquer momento.

Do meio para a frente

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Parece claro que Thiago Santos está à frente de Felipe Melo, tanto na precisão dos desarmes quanto no preparo físico. A função de segundo volante tem uma disputa interessante entre Moisés, que brilha mais nos passes e assistências, e Bruno Henrique, que tem uma chegada mais efetiva na área e finaliza melhor. Este último, pelo histórico de gols, ainda parece ter mais espaço.

Já a linha ofensiva tem jogado sempre com um ponta de origem – ou Felipe Pires, ou Carlos Eduardo, usando Dudu como meia de beirada, jogando mais afunilado. Mas o time não rende como indica o potencial. Pelo que jogaram até agora, Gustavo Scarpa de um lado, com Dudu fazendo a função do ponta jogando mais aberto do outro, tendo Goulart no meio, se posicionando mais próximo à área, parece ser uma formação que pode tanto encarar uma defesa mais fechada, quanto uma marcação mais avançada, que deixa espaços.

Fechando o time, na frente, apesar da fábrica de memes, Borja sobressai – até por falta de concorrentes. Deyverson pode até ser mais útil em determinados cenários, mas o colombiano, ainda mais com a aproximação de Goulart, pode crescer bastante.

Neste time ideal, hoje, temos dois lesionados que não poderão enfrentar o Junior, na Colômbia. Há os que sequer estrearam, como Willian e Arthur Cabral, que podem ter lugar na formação principal com o passar do tempo. E todos os outros que ficaram de fora têm potencial para virar o jogo e entrar neste time. Mas diante do que foi mostrado nos nove primeiros jogos, este parece ser o que o Palmeiras poderia montar de mais forte, considerando as lesões de recuperação mais rápida.

E um time “alternativo” teria Marcos Rocha, Antônio Carlos, Edu Dracena e Diogo Barbosa; Felipe Melo e Moisés; Felipe Pires, Lucas Lima e Zé Rafael; Deyverson.

O que acham?


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Depois de cinco partidas, como está a prancheta de Felipão?

Felipão
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Foram apenas cinco jogos até agora. A tabela foi marotamente montada pela FPF para que o Derby fosse disputado com os times ainda em estágios iniciais de desenvolvimento e assim diminuir a diferença entre as equipes – mesmo assim, a superioridade do Palmeiras foi flagrante. O placar desfavorável, no entanto, produto de ineficiência nas finalizações, acelera a discussão sobre os caminhos que o time está tomando para a temporada.

Felipão e Paulo Turra até agora insistiram em apenas um modelo de ataque. Um dos volantes, normalmente Bruno Henrique, eventualmente preenche os espaços dando opção de passe, mas ainda de forma bem mais tímida que em 2018. Os laterais apoiam com muita parcimônia. Isso faz com que quase todo o poderia ofensivo fique a cargo dos quatro homens de frente.

O posicionamento dessas peças foi invariavelmente com um meia central, normalmente Lucas Lima, que precisa fazer o pêndulo para se aproximar dos companheiros, exigindo-lhe um esforço extra. Dudu fica de um lado, ora indo pra cima do lateral, ora afunilando e se tornando mais uma opção de passe. Do outro lado, Felipe Pires e Carlos Eduardo agridem o lateral adversário de forma mais aguda, cada um com sua característica: o segundo é mais rabiscador, o primeiro é mais veloz.

Diante deste primeiro pacote de partidas, permanecem como opções táticas Gustavo Scarpa, Zé Rafael, Raphael Veiga, Ricardo Goulart, Guerra e Hyoran.

O modelo em uso

Este modelo pode ser muito útil em uma série de partidas, em cenários bastante frequentes. Quando o Palmeiras estiver em vantagem no placar, em situações onde o adversário é obrigado a ceder espaços, o desenho proposto pela comissão técnica é o mais indicado para matar o jogo, usando a velocidade pelos flancos.

Quando o Palmeiras enfrenta esquemas mais fechados, como o que se desenhou no último Derby, esse sistema ainda pode funcionar, mas apenas nas jogadas de bola aérea. A penetração por baixo, seja por dentro, seja pelas extremas, fica seriamente prejudicada com uma manobra simples do adversário: marcar o meia central com intensidade.

Lucas Lima, que nesta proposta já tem uma função bastante sacrificada tendo que percorrer o campo lateralmente em todas as jogadas, ao receber uma marcação personalizada acaba sendo anulado.

Com essa marcação, o Palmeiras perde uma peça fundamental para envolver o adversário e precisa recorrer apenas aos chuveirinhos, ou ao talento individual – e de quebra, Lucas Lima acaba sendo culpado pela parte da torcida que assiste aos jogos olhando só a bola, pelo baixo rendimento – algo que, também nas mãos de Felipão, Alex também sofria muito.

Até agora, nota 6

Dudu
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Ofensivamente, os dois jogadores contratados para desempenhar uma função fundamental ficaram devendo. Nem Felipe Pires, nem Carlos Eduardo, conseguiram atuações que chamasse atenção de forma positiva – no Derby, as jogadas de ponta mais produtivas aconteceram quando Dudu inverteu com Carlos Eduardo; a bola chegou à área em condições de finalização mais facilmente e o próprio camisa 37, em função invertida, chegando na área afunilando, perdeu gols incríveis.

Defensivamente, o time ainda mostra alguns problemas na recomposição defensiva; alguns buracos foram notados à frente da zaga mesmo nos jogos contra os pequenos. Aparentemente não é nada crônico, apenas resultado da falta de ritmo de jogo; com o tempo os espaços tendem a ser vedados naturalmente. Tanto que a defesa do Verdão já desponta como uma das mais sólidas do país, mesmo nesta base de jogos ainda tão estreita.

O fato da defesa estar razoavelmente bem encaminhada segue os preceitos básicos do desenvolvimento tático de um time: começar pela defesa. Isso é o que nos dá uma certa esperança de que muita coisa ainda pode ser mostrada por esse time, assim que a comissão técnica tiver tempo livre para implementar novos conceitos. Não é à toa que Felipão reclamou, mais de uma vez, do calendário de partidas neste início de temporada, marcando jogos seguidos em janeiro e na primeira semana de fevereiro, para depois espaçá-los.

Um modelo alternativo

É com uma derrota no Derby que Felipão e Paulo Turra precisam começar a desenvolver um sistema mais indicado para romper retrancas e que valorize mais a posse de bola, um modelo que seja capaz de prevalecer mesmo contra marcações mais severas sobre as peças-chave do time.

Um possível desenho contemplaria a valorização dos laterais no ataque; a escalação de dois meias de beirada com habilidade e chegada ao gol, e a atuação fundamental do segundo volante, que completaria as funções ofensivas ao mesmo tempo que teria a obrigação de recompor rápido quando o time perdesse a bola no ataque. Peças para montar algo neste sentido, Felipão tem de sobra.

Com laterais mais soltos, as triangulações serão facilitadas. O centroavante pode sair mais da área, tanto para os lados, como voltando para a intermediária. Se marcarem o meia central, o meia do lado oposto, mais afunilado, participa da jogada e completa o desenho.

A recomposição defensiva precisa ser feita rapidamente, de acordo com o lado onde estava sendo feito o ataque desarmado. Felipe Melo vai precisar, mais do que nunca, de muita mobilidade para ocupar os espaços. Quem corre pra onde, quem fecha qual espaço, é uma tarefa que vai demandar muita coordenação e ensaio.

Cinco de oitenta

O Palmeiras pode realizar até oitenta partidas oficiais no ano, se chegar às finais de todas as competições. Até agora, apenas cinco jogos foram disputados e não há motivo para grandes preocupações com relação à sequência da temporada.

Estamos diante de apenas um plano de jogo. É claríssima a necessidade de se desenvolver alternativas e a comissão técnica certamente tem planos a serem colocados em prática. Cabe a nós lidar com a ansiedade de ver essas novas propostas em campo, e logo – o campeonato paulista está aí para isso mesmo.

Alguns ajustes no elenco ainda podem ser necessários, mas é cedo bater o martelo neste momento. Discutir dispensas em fevereiro não faz o menor sentido. Seguimos apoiando e confiando em Felipão. Se nós, daqui, conseguimos enxergar vários ajustes que precisam ser feitos, ele certamente também já viu esses e outros que nós ainda nem imaginamos. VAMOS PALMEIRAS!


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O chip irremediavelmente solto de Deyverson

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Baixada a poeira, é possível tratar um assunto delicado que emergiu durante o fim-de-semana, mais precisamente aos 42 minutos do segundo tempo do Derby em que o Palmeiras saiu derrotado, em casa.

Naquele momento, depois de um lance bastante enrolado em que sofreu falta e foi atingido propositalmente na cabeça enquanto estava no solo, pela passada de Richard, Deyverson acabou cuspindo no adversário e recebeu o cartão vermelho. A falta era uma de nossas últimas chances de tentar ao menos empatar o jogo e Deyverson foi mandado a campo exatamente para melhorar o aproveitamento nas jogadas de bola aérea.

As reações da torcida no estádio e nas redes sociais, logo após o fim do jogo, foram de desaprovação completa. As discussões passaram por vários aspectos, desde o profissionalismo até o caráter do jogador – e as palavras que surgiram não foram nada suaves.

Felipão, num primeiro momento da coletiva, tentou passar ao largo da polêmica, alegando não saber a razão da expulsão. Os repórteres, entretanto, trouxeram o motivo à tona e nosso treinador foi obrigado a reprovar publicamente a atitude.

Um bom menino com o “chip solto”

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Deyverson chegou ao Palmeiras em 2017, a pedido de Cuca. Desde sua chegada, participou de 66 partidas e marcou 18 gols – uma marca interessante, sobretudo para quem frequentemente participa de apenas parte dos jogos, seja sendo substituído, seja saindo do banco.

Seu gol mais notável, claro, foi o marcado em São Januário, que definiu a conquista do decacampeonato brasileiro. O feito já lhe garante um lugar eterno no imaginário da torcida e uma espécie de gratidão infinita.

Deyverson é um rapaz que aparenta ter um coração de ouro. Um bom menino. Já na coletiva de apresentação causou impacto ao se juntar ao pai e chorarem juntos, tocados pela realização profissional enfim alcançada. No dia-a-dia, com atitudes simples, cativa a todos na Academia de Futebol. É muito querido, o chamado “bom de grupo”.

Na saída do jogo contra o Oeste, na quarta-feira, questionado sobre um lance em que havia levado uma cotovelada, declarou orgulhosamente que não reagiu porque estava mais focado em ajudar o Palmeiras – um discurso talvez preparado para ser usado na primeira oportunidade, em resposta à fama de ter o “chip solto”, termo ingenuamente cunhado por ele mesmo após mais um lance enrolado na campanha do Brasileirão.

Colocando tudo na balança…

Deyverson
Reuters

Deyverson está longe de figurar no rol dos maiores atacantes da História do Palmeiras – bem longe. Mas seu estilo de jogo pode ser bastante útil, sobretudo em partidas com determinadas características. Não poderia haver momento mais específico para ilustrar essa possibilidade que os 5 minutos finais do último Derby.

Seu comportamento em campo é errático e pouco confiável. Alguém um dia pode lhe ter dito que ele irrita os adversários e que isso poderia lhes render expulsões, e assim ele ajudaria seu time. Deyverson parece ter gostado da ideia de ser o “bom malandro”. Mas exercer esse papel é uma arte que exige absoluto auto-controle, o chip tem que estar absolutamente preso. Deyverson não pode fazer esse papel enquanto não isso não acontecer.

Deyverson
Reprodução

Quem não adorou o lance da piscadinha, no Derby anterior, em que ele foi substituído exatamente porque Felipão percebeu que o camisa 16 tinha saído completamente de controle? São os dois lados da mesma moeda que, agora sem sombra de dúvida, não vale a pena.

Seu comportamento amalucado não é novidade: jogando pelo Alavés, já havia acertado uma cusparada em Godín, do Atlético de Madrid, e deixou todo o time colchonero absolutamente pistola, numa partida pelo campeonato espanhol.

Por essa cuspida, deve ter sido muito questionado; certamente percebeu que a atitude é inaceitável e se conscientizou de que aquilo jamais poderia se repetir. Como se repetiu, deixa margem até para perigosos julgamentos de caráter. Numa análise menos raivosa, no mínimo, fica em aberto a completa incapacidade de se controlar para não repetir atos deploráveis de forma impensada.

Hora da sabedoria

Deyverson
Fernando Dantas/Gazeta Press

Deyverson foi contratado pelo que faz com a bola, mesmo com suas limitações, e não por suas atuações como desestabilizador de adversários. O lance no Derby pode ter sido a prova definitiva de que, mesmo mostrando consciência disso, Deyverson carece demais de maturidade, não é confiável e seu ciclo no Palmeiras precisa ser encerrado. O chip está irremediavelmente solto, não há o que fazer.

É preciso executar a decisão com sabedoria. Ninguém quer prejudicar sua carreira mais do que ele mesmo já o faz. E ninguém quer rasgar dinheiro, desvalorizando um ativo do clube. A saída de Deyverson precisa ser conduzida da forma mais discreta possível, e o Palmeiras tem um enorme trunfo na Academia de Futebol para ajudar nesse processo: Arthur Cabral.

O camisa 39, que se recupera de uma lesão no púbis e está fazendo um trabalho específico de fortalecimento para não sentir o problema durante a temporada, reúne mais recursos técnicos e físicos que Deyverson. É bem possível que, mesmo se seu comportamento fosse exemplar, Deyverson perdesse espaço no elenco naturalmente com a ascensão do centroavante que veio do Ceará. Episódios como o do último sábado apenas aceleram o processo, e de forma ruidosa.

É esse ruído que o Palmeiras precisa evitar. O tempo vai passar e os assuntos mudam. Deyverson aos poucos vai saindo da pauta até que Alexandre Mattos consiga uma boa resolução para o problema. Infelizmente, essa será a impressão final que, ao que parece, o garoto vai deixar.


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