Sabe bem o que vem pela frente: a hora do filet mignon

Delegação registra a viagem entre Recife e BH.O Palmeiras venceu o Sport no Recife e colou no SPFC, ficando a apenas um ponto de assumir a liderança do Brasileirão 2018 pela primeira vez. O equilíbrio do campeonato fez com que vários tropeços imperdoáveis fossem perdoados; o Verdão, a 12 rodadas do fim, chega forte para a reta final, que terá mais três clubes brigando pelo caneco: Inter, Flamengo e Grêmio também sustentaram campanhas que os credenciam para a disputa.

Felipão chegou em julho e conseguiu, de forma incrível, dar a liga que faltava ao time que Roger Machado montou. O sistema é o mesmo, as peças usadas são as mesmas, mas o estilo de jogo tem toques pessoais do velho general que tornaram este grupo do Verdão muito mais que um ótimo time.

Usando técnicas que não víamos em sua última passagem pelo Palmeiras – aliás, sequer foram vistas no Grêmio, após a Copa do Mundo – Felipão está aliando seu já conhecido talento de vestiário com o uso das informações da comissão técnica para administrar o elenco, que mesmo com suas falhas de montagem, oferece ao treinador peças que podem ser colocadas em campo em nível bem acima do satisfatório contra adversários e partidas com características bem distintas.

Praticamente todos os atletas estão sendo usados nas campanhas e seguem motivados; Felipão mede a dificuldade de cada partida, dosa bem o nível de exigência sobre cada jogador e o resultado são partidas no limite: os resultados, à base de muita superação, estão vindo. Mas o time não ganhou nada ainda; a temporada tem potencial para ser épica, mas ainda falta o arremate. Chegamos ao filet mignon. Agora é a hora.

Sabe bem o que vem pela frente

São 20 jogos até o final da temporada, que podem se tornar dezoito caso o Palmeiras não consiga vencer o Cruzeiro no Mineirão. O jogo promete ser uma batalha memorável; os dois clubes têm um histórico de embates muito fortes pela Copa do Brasil e o vencedor, em qualquer fase, costuma levantar a taça.

Quem passar neste confronto chegará como favorito à final – Flamengo e SCCP, os outros semifinalistas, dão sinais de esgotamento físico e principalmente técnico. O Verdão chega embalado para o jogo no Mineirão e qualquer resultado é possível. Se sair de Belo Horizonte classificado, ficará a apenas dois jogos de um título no ano; caso seja eliminado, terá duas datas importantes para se fortalecer ainda mais para as disputas do Brasileirão e da Libertadores – especialmente para os fundamentais jogos contra SPFC e Grêmio.

Reta final - 2018

Neste momento nossa torcida sonha como nunca, não apenas com a conquista da Tríplice Coroa, mas até com a eventual disputa de mais dois jogos, nos dias 18 e 22 de dezembro. E as maiores alegrias, bem como as maiores frustrações, vêm dos maiores sonhos.

A torcida pode sonhar; os jogadores, mais do que nunca, precisam dar um passo por vez. O sonho é perfeitamente alcançável, mas temos que ter em mente que o objetivo do ano é conquistar pelo menos uma taça. Uma possível eliminação na quarta-feira não pode nos desviar do foco nas disputas seguintes. A Copa do Brasil é um dos grandes objetivos, pela taça e pela enorme premiação, mas não é o maior deles.

Protagonista

Comemoração - Recife
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras, ao final de 2012, era um clube em ruínas; em quatro anos, se reconstruiu em todas as frentes e hoje é o grande protagonista do futebol brasileiro e talvez sul-americano.

A única hipótese de fecharmos o ano frustrados será se nosso time fracassar nas três competições. De toda forma, o elenco é forte e o mundo não acaba em dezembro. Caso aconteça essa hecatombe, temos que lamber nossas feridas e repetir o trabalho no ano que vem, aprimorando as falhas detectadas este ano; assim, seguiremos fortes e as conquistas tendem a vir naturalmente, em 2019, 2020 e nos anos seguintes.

Mas elas podem vir já este ano. O sonho, hoje, é real. Chegamos ao filet mignon da temporada muito, muito fortes. Que nosso clube não deixe os bastidores, desta vez, estragarem este sonho; que General Scolari e nossos soldados possam lutar esportivamente, dentro de campo, e assim arrematem a brilhante campanha com conquistas, apoiados por uma imensa nação alviverde ao redor do mundo. VAMOS PALMEIRAS!


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Após cinco rodadas, panorama do futebol brasileiro sugere um 2018 verde

PalmeirasA torcida do Verdão está em lua-de-mel com o time. A nuvem negra que parecia ter estacionado sobre o clube no ano passado rapidamente se dissipou com o início dos trabalhos de Roger Machado. O time evolui de forma muito interessante em campo e os resultados apareceram muito rápido.

No Campeonato Paulista, o Palmeiras é o líder absoluto após cinco rodadas, com 100% de aproveitamento. Tem o melhor ataque e a melhor defesa. Individualmente, nossos atletas lideram quase todas as estatísticas do campeonato.

A estrutura proporcionada à equipe é fantástica; e sempre melhorando – ontem foi divulgada uma nova parceria com uma empresa que vai fornecer mais tecnologia para o departamento de análise de desempenho. Nosso treinador pode se dar ao luxo de abrir mão de atletas como Moisés e Edu Dracena, que precisam de mais atenção no preparo físico no início de temporada, porque tem outros atletas no elenco que suprem suas ausências.

O que aumenta ainda mais o otimismo é olhar para os possíveis adversários pelo Brasil e ver que todos têm problemas – alguns muito sérios. Vamos dar uma rápida olhada, superficial, nas outras grandes camisas do futebol brasileiro:

Fluminense Perdeu todos os seus principais atletas, não teve nenhuma reposição à altura e mais uma vez recorre à base e a gringos que falam espanhol de procedência duvidosa.

BotafogoAcordou do sonho de 2017 e voltou à realidade: um time sem nenhuma qualidade, agora treinado pelo ex-auxiliar do ex-auxiliar. O raio não caiu no mesmo lugar de novo e o trabalho é fraco.

InternacionalAinda se recupera do trauma da Série B com um time cujo maior astro é o eterno D’Alessandro e a esperança de gols alterna entre Damião e Pottker.

SPFCTroca de jogadores como quem troca de lingérie. A diretoria se esconde atrás de ex-ídolos, o time não tem identidade alguma e mesmo com ingressos baratos o Morumbi voltou a ficar vazio.

Atlético-MGA administração das trocas no elenco nesta janela foi muito duvidosa. Perdeu totalmente a pré-temporada ao apostar em Oswaldo para demití-lo no começo de fevereiro. Está muito atrasado.

SantosDepois de três anos, a base do time foi desmontada. Bruno Henrique tem uma lesão séria no olho e a esperança é num moleque que se preocupa mais com as sobrancelhas do que com jogar bola.

VascoFaz um começo de temporada consistente – mas a qualidade do elenco e o pesadelo eterno na política interna não permitem sonhos muito altos.

SCCPPerderam os dois jogadores mais importantes do time e não conseguiram reposição. Situação financeira segue dramática e o presidente recém-eleito é suspeito de fraudar o processo.

GrêmioAinda não começou a temporada, vem jogando com o time B enquanto os titulares descansam do final de ano puxado. Luta para manter Arthur e Luan, pilares da conquista da América. Se perdê-los, cai muitos degraus.

FlamengoMudou pouco em relação ao ano passado mas parece ter poucas ambições – os bons resultados no risível Campeonato Carioca tiram o foco da inércia do comando. A falta de estádio próprio segue sangrando os cofres do clube.

CruzeiroDe todos os adversários, é o que tem mostrado o melhor futebol. Mas a administração financeira, segundo relatos, é uma bomba-relógio. E ainda por cima tem o Egídio como titular.

Vamos com calma…

É claro que alguns desses clubes também tem muitos pontos fortes, sobretudo os que foram posicionados mais abaixo na lista. E nós também temos nossos problemas que ainda precisam ser resolvidos.

Sabemos que no futebol as coisas mudam muito rápido. Às vezes, basta um fato novo para desencadear uma cadeia de eventos negativos difícil de reverter. E o inverso, para os adversários, também é verdadeiro.

E, mais importante que tudo, sabemos que futebol se resolve lá dentro do campo.

Mas que as coisas parecem estar muito favoráveis a um ano plenamente verde, isso parece. Se você fosse um torcedor de outro time e fosse apontar superficialmente os pontos fracos do Palmeiras, como fizemos acima, eles provavelmente não existiriam.

Conhecemos nossos problemas porque acompanhamos o Palmeiras de perto. É perfeitamente possível pontuar que eles são mais administráveis do que os de qualquer outro clube mencionado. Após as cinco rodadas iniciais, sem subir no salto, podemos nos dar o direito de sonhar alto com 2018.

Bom carnaval a todos.


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Projeto do Palmeiras restabelece a ordem natural e histórica do futebol

Apresentação de Roger Machado
Fellipe Lucena‏/Lancepress!

Com apenas três contratações confirmadas e mais duas ou três, no máximo, a serem anunciadas, o Palmeiras vai começar o ano com um elenco bastante coeso. Os atletas que entrarão em 2018 têm bagagens muito distintas, mas a maioria absoluta terá duas coisas em comum: qualidade técnica e tempo de casa, o que já faz do Palmeiras, de saída, um dos times de destaque do ano que vem.

Nossa torcida ainda traz vícios de uma época não muito distante, quando a solução para um time cujos resultados estavam aquém do esperado era “mandar todo mundo embora” e contratar, contratar, contratar. Essa tendência se tornou mais proeminente com a mal-interpretada baciada de 2015 – um movimento necessário para o momento estratégico do Palmeiras. Poucas vezes uma torcida ganhou tantos presentes de uma vez só.

Quando se troca praticamente todo o elenco, como era necessário acontecer com o de 2014, parte das contratações naturalmente não vingam e novas reposições são necessárias. Isso causou novos ciclos em 2016 e 2017 – não tão intensos como o de 2015, mas suficientes para manter nossa torcida mimada, à espera de novos e numerosos presentes a cada ano que começa.

A falta de títulos nesta temporada decorreu muito mais de erros estratégicos do que da qualidade do elenco, com uma ou outra ressalva – que já foram ou estão em vias de serem corrigidas. Iniciaremos 2018 com poucas, porém precisas contratações. O torcedor que vive inebriado por presentinhos novos, ainda mais por ser bombardeado pela imprensa sobre o demonizado poder financeiro do clube, vai ter que se contentar com uma quantidade menor para esta janela. Poucos, mas bons, ou ótimos – esperamos.

Uma nova fase

Fernando, do sub-20Fechando esse ciclo inicial, uma nova etapa que envolve a integração com a base deve ser iniciada e intensificada nos próximos anos. Paralelamente à recuperação do elenco, nossas categorias de base evoluíram assustadoramente – os títulos conquistados a rodo nesta temporada são apenas consequências de um trabalho magnífico que começou em 2013 e que agora rende seus frutos.

Boa parte das contratações com o perfil “jovens de destaque que podem crescer e se valorizar”, como Rodrigo, Erik e Hyoran, serão substituídas por promoções de meninos formados em casa, que já cresceram com o DNA do clube e que poderão evoluir para se tornarem titulares, com potencial real para se tornarem atletas dominantes.

Ao mesmo tempo, nota-se que essa integração vai ao encontro de um conceito maior ainda: o do desenvolvimento de uma identidade de longo prazo para o futebol do clube, já abordada neste post.

Essa é a tendência enquanto este projeto do futebol palmeirense, que entra em seu quarto ano de execução, estiver em vigor. Independiente de pessoas – presidentes e diretores passam; o clube permanece – o que importa é o conceito, que precisa estar cada vez mais enraizado e em constante adaptação às evoluções do mercado e, principalmente, do esporte.

Restabelecendo a ordem natural das coisas

TorcidaNossos torcedores, sobretudo os que estão abaixo da casa dos 30 anos, ainda não se acostumaram com isso. Tendo visto pouco ou nada dos times vencedores da década de 90, amam o Palmeiras mas cresceram assistindo a rivalidade entre SCCP e SPFC aumentar enquanto nosso time foi ficando de lado, em segundo plano – uma espécie de Santos – e a perda do respeito se espalhou por outros estados. O palmeirense, em pleno surgimento das redes sociais, virou uma espécie de primo revoltado da família.

Felizmente a ordem natural das coisas está voltando a se restabelecer. O Palmeiras, salvo dois hiatos assustadores nas décadas de 80 e 2000, retomou seu histórico posto de protagonista – e pela primeira vez, na era da internet e das zoações sem limites. As provocações, que antes eram quase em tom de piedade, novamente trazem embutidas a inveja de quem queria estar em nosso lugar. E quem também voltou a seu lugar histórico na escala foi o SPFC, que cada vez mais clona o que o Palmeiras fez de pior nos anos de dificuldades.

Nossa torcida – principalmente a ala mais jovem – só precisa aprender a viver nesta nova-velha realidade, entendendo exatamente como os rivais hoje nos enxergam e equilibrando a elevação da auto-estima com o repúdio à soberba. É questão de tempo.


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Não gostamos de futebol; gostamos mesmo é do Verdão

Derby - Daronco
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

O Campeonato Brasileiro de 2017 tende a terminar com mais um asterisco. Não será novidade: muitos Brasileirões já foram decididos de forma “não-convencional”, mesmo nos pontos corridos. De cabeça, sem forçar muito, podemos mencionar os títulos de 1974, 1978, 1986, 1995, 2005, 2008 e 2009 como direcionados por movimentações extra-campo. E se puxarmos pela memória, a lista certamente aumentará.

Sempre haverá quem alegue que isso é choro de perdedor. Pode até ser. Mas as evidências estão aí: o roubo de Héber Lopes no gol de Borja, ao melhor estilo Carlos Simon, seguido pela operação no Derby, num jogo decidido num pênalti inventado por Jô, que ele mesmo converteu – o atacante do SCCP nem deveria ter jogado, já que deveria ter sido expulso na rodada anterior ao chutar um adversário.

O futebol desperdiçou uma história espetacular

Heber Roberto LopesO Palmeiras vinha de uma desvantagem de 17 pontos na rodada 22, numa arrancada que tendia a zerar a diferença na rodada 32 e culminar com o decacampeonato. Houve quem dissesse que era por obra do “Esquema Crefisa” – os mesmos que lançaram falsas polêmicas nos dias que sucederam o Derby, para tirar o foco do escândalo. Desculpem, não somos burros; não queremos saber de polêmicas com Clayson, com Neto ou com Chico Lang, e sim que parem de nos roubar.

O fato é que o Palmeiras, mesmo com uma troca de técnico, havia engrenado e o futebol estava prestes a ganhar uma incrível história de virada e superação. Assim como a virada do Vasco na final da Mercosul de 2000 é um episódio grandioso da história do esporte, o título do Palmeiras em 2017 seria um evento a ser lembrado por gerações a fio.

Mas o futebol e seus meandros parecem mesmo é gostar de asteriscos e rejeitaram esse capítulo. Não foi permitido ao Palmeiras protagonizar mais uma trajetória espetacular. Azar do futebol.

É assim desde o início

Palestra Italia 1915O Palmeiras representa desde seu nascimento a resiliência, a resistência. Um clube que nasceu para congregar a imensa comunidade italiana em São Paulo, que se ressentia não apenas da saudade da pátria-mãe, mas também da rejeição que sofriam no novo país – numerosos, falavam seu próprio idioma enquanto eram usados como mão de obra barata nas plantações e indústrias, enquanto as outras comunidades de imigrantes, menos numerosas, se forçavam a aprender o português mais rapidamente.

Chamados pejorativamente de carcamanos, os italianinhos do Palestra Italia em pouco tempo passaram a dar bailes de bola em clubes de elite com muito mais tempo de atividade – e também no outro time de origem popular, o SCCP.

O Palestra nunca foi engolido. Foi combatido. Teve até que mudar de nome. Mas resistiu, e seguiu encantando, atraindo o amor não apenas dos oriundi, mas também de todos os brasileiros que, além de apreciar um futebol bem jogado, compreendiam o significado de entrar em campo envergando o uniforme verde e branco.

Com o tempo, os times da elite paulista minguaram diante da força popular nos campos. O Palestra e o SCCP passaram a comandar o esporte e a população passou a se dividir na preferência entre os dois clubes: de um lado, os italianos e seus amigos, de outro, o imenso balaio de gatos. O sujeito não escolhe torcer para o SCCP, ele é escolhido; na maioria das vezes, entra no embalo da maioria e aceita. Já o palmeirense, com raízes italianas ou não, na contra-corrente, recusa-se a ser apenas mais um na massa descerebrada e escolhe seu clube.

Segue a resistência

O Palmeiras continua sendo roubado, nos tiram campeonatos que já ganhamos e os que continuamos tentando ganhar; os campeonatos decididos por forças alheias às quatro linhas seguem surgindo, e mesmo assim o Palmeiras permanece sendo o maior campeão nacional.

O futebol, com sua irresistível atração por asteriscos, parece não gostar do Palmeiras. Não tem problema, nós também não gostamos tanto assim do futebol; gostamos mesmo é do Verdão. E vamos ganhar mais campeonatos nos próximos anos, sendo duas vezes melhor do que é preciso e passando por cima dos adversários, das arbitragens, das falsas polêmicas e dos asteriscos. VAMOS PALMEIRAS!


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