Quem é que apequenou mesmo?

ApequenouEm abril de 2014, depois de uma manobra infeliz do então presidente Paulo Nobre no processo de renovação do contrato de Alan Kardec, o SPFC atravessou a negociação e contratou o atacante, que à época era um dos principais jogadores de nosso elenco. Em coletiva, o presidente do clube Carlos Miguel Aidar, confrontado publicamente por Nobre, disse que aquilo tudo acontecera porque o Palmeiras estava se apequenando.

Passados três anos, o episódio já pode perfeitamente entrar para a lista das maiores patacoadas da História do Futebol. Na verdade, Aidar fez a declaração tentando desviar o foco da imprensa para o Palmeiras, que atravessava um momento difícil, se recuperando de administrações calamitosas e de um rebaixamento, quando na verdade o próprio SPFC dava sinais inequívocos de que estava numa crise muito maior que a nossa.

Desde que o time chegou ao tricampeonato brasileiro em 2008, quando se autointitulou “soberano”, o time da Vila Sônia passou muita vergonha dentro e fora de campo. A eliminação da Copa Sul-Americana ontem pelo modestíssimo Defensa Y Justicia, da Argentina, pode até parecer o fundo do poço, mas pelo jeito ainda vamos nos divertir muito nos próximos anos.

Histórico

A derrocada bambi que Aidar tentava esconder traz uma série de vexames. Tinham acabado de se salvar do rebaixamento no Brasileiro de 2013, já no bico do corvo. Eliminações para o Avaí (Copa do Brasil 2011), Coritiba (Copa do Brasil 2012), Bragantino (Copa do Brasil 2013), Ponte Preta (Sul-Americana 2013), Penapolense (Paulista 2014) e Audax (Paulista 2016) foram entremeadas com goleadas acachapantes, como a que sofreram na última rodada do Brasileirão de 2015 por 6 a 1, dos reservas do SCCP.

Fora de campo, o time se afunda política e financeiramente. Carlos Miguel Aidar foi chutado do clube, num vergonhoso processo de impeachment que ele mesmo tratou de interromper para tentar diminuir o constrangimento – o caso envolveu desvio de dinheiro através de sua namorada. No ano passado, em mais um surto de arrogância, o clube gastou cerca de $25 milhões numa operação obscura por um zagueiro mediano na ilusão de vencer uma Libertadores. Seus cardeais resolvem as coisas no braço, CEOs são contratados e demitidos conforme o clima e o clube mais moderno do país, o modelo a ser seguido, o soberano, ao que parece era só maquiagem mesmo.

Nenhuma luz no fim do túnel

Forrada de patrocínios de produtos de segunda linha, a camisa do time parece um balcão de armazém de bairro. O técnico é Rogério Ceni, que deu a entrevista mais arrogante da História ontem após a eliminação, peitando a imprensa e dizendo que está tudo sob controle, que as três eliminações sofridas pelo clube em 22 dias estão dentro da normalidade. A culpa é do calendário, da falta de sorte, e seus 59% de aproveitamento são muito bons. OK!

Perdido, sem comando, o clube tenta se apoiar sobre o suposto moral de um ex-atleta que se mostra uma verdadeira piada como técnico. A soberba do profissional se confunde com a do clube, que o mantém não em nome da confiança e da continuidade do trabalho, mas apenas porque precisam dele como pára-raio.

O elenco é patético, o desempenho em campo é risível, os gols por cobertura abundam. Neste Brasileirão, são seriíssimos candidatos ao rebaixamento e completarão ao final do ano a décima temporada com apenas um título – a insossa conquista da Sul-Americana de 2012, em que não houve disputa do segundo tempo da final porque o adversário foi ameaçado até com arma de fogo no vestiário. E não há nada que indique que uma virada está por vir.

Quem mesmo?

Nossos inimigos, o clube que tentou roubar nosso estádio e que se aproveitou de um conflito mundial para marginalizar e levar vantagem sobre uma comunidade de descendentes de imigrantes – a mesma que os ajudou a se salvarem da falência anos antes – está acertando as contas com a história. Enquanto isso, o Palmeiras, com muita competência, mas sem soberba, volta a enfileirar troféus e hoje é o protagonista do futebol brasileiro. Quem é que apequenou mesmo?