Avanço e coincidências atrapalham o Palmeiras no Brasileirão

The Who arrepiou no Allianz Parque, em 2017

Em novembro próximo, o Allianz Parque completará cinco anos de atividade. O estádio, inaugurado em 19 de novembro de 2014, é um marco no renascimento do Palmeiras e uma fonte de renda fundamental para o clube nas próximas décadas, como já pudemos ver neste post.

A característica multiuso do estádio atrai a realização de grandiosos shows que são agendados, às vezes, com quase um ano de antecedência. A página oficial do Allianz Parque, cuja gestão é da WTorre, mantém o calendário de concertos disponível ao público.

Neste momento, a eclética agenda prevê atrações para todos os gostos: Paul McCartney em março, Star Wars In Concert em abril, BTS e Los Hermanos em maio, Sandy & Júnior em agosto e Shawn Mendes em novembro.

Como já é costume desde a inauguração, o Palmeiras precisa fazer alguns sacrifícios na temporada e mandar jogos fora do Allianz Parque por conta desses compromissos. Neste período, foram 20 partidas em outros estádios, média de 5 por ano – destas, 19 foram no Pacaembu e uma na Fonte Luminosa, em Araraquara. Não houve prejuízo técnico: a campanha foi de 14 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas.

Problemas à vista

Para este ano, o Pacaembu está fora do roteiro do Brasileirão. Ao fazer uma inédita exigência na iluminação dos estádios, a entidade condicionou a permanência do velho Municipal à altamente improvável reforma do sistema, dado que a Prefeitura claramente tem outras prioridades.

Isto faz com que o Palmeiras precise buscar alternativas para receber os jogos em que haja conflito de agenda. Até a rodada 33, é permitido recorrer a cidades em outros estados

O lado bom é que torcedores de outras praças, que raramente têm a chance de receber o Verdão, poderão assistir nosso time de pertinho – muitos, pela primeira vez.

Resta saber quais estádios atendem às especificações da CBF e dispõem de um estádio cujo sistema de iluminação atinjam 800 lux – a nova exigência da CBF.

Jogos comprometidos

A CBF divulgou a tabela básica do Brasileirão, com todos os jogos marcados provisoriamente para domingos e quarta-feiras – as datas definitivas são marcadas após a deliberação da RGT. Três jogos do Palmeiras parecem comprometidos e demandarão esforços de nossa diretoria junto à CBF para que o Allianz Parque possa recebê-los. Clique aqui para acessar o calendário geral de jogos divulgado pela CBF e acompanhe a resolução do quebra-cabeças.

1) vs. Santos
O show da banda Los Hermanos (18 de maio) vai obrigar o Palmeiras a jogar contra o Santos fora do Allianz Parque, marcado para o dia 19, na quinta rodada. O Pacaembu pode ser usado se o jogo for marcado para as 11 da manhã, se é que esse horário será reeditado este ano. Uma alternativa seria puxar o jogo para o meio da semana, dia 15, uma das três datas previstas para as oitavas-de-final da Copa do Brasil, o que demandaria alguma ginástica de nossa diretoria para que a CBF nos atenda e marque os jogos de Palmeiras e de Santos para as outras duas datas, dias 22 e 29 de maio.

2) vs. Fluminense
O show de Sandy & Júnior está marcado para o sábado, dia 24 de agosto e a tabela prevê a partida contra o Fluminense para o domingo. Talvez houvesse tempo hábil para que o jogo fosse realizado na segunda à noite, mas há o impeditivo que esse horário é do SporTV, que não pode fazer a transmissão porque o Palmeiras vendeu os direitos de TV fechada para o grupo Turner. Mais uma vez, o horário das 11 da manhã permitiria o uso do Pacaembu. O Plano B seria adiar o jogo para o dia 18 de setembro, data prevista para a final da Copa Sul-Americana, contando que o time carioca já estará eliminado.

3) vs. Flamengo
No dia 1 de dezembro, na rodada 36, enfrentam-se dois dos grandes candidatos ao título: Palmeiras x Flamengo. Nos dias 29 e 30 de novembro, o estádio receberá o show do cantor Shawn Mendes. De novo, o horário da manhã resolveria o problema e o Municipal poderia ser o palco do jogo. As datas mais próximas que permitiriam uma manobra no calendário seriam os dias 13 e 20 de novembro, inicialmente vagas, por conta de estarem compreendidas entre datas FIFA.

Esta partida, especialmente, precisa de uma saída a todo custo, a começar pela óbvia importância técnica para o campeonato. Mas por ser um jogo nas cinco rodadas finais do campeonato, o Palmeiras sequer teria a chance de mandar em outro estado, restando, como alternativas, apenas o Morumbi e o Itaquerão. Uma catástrofe!

Avanço do futebol e coincidências

Sede da CBF

A exigência de 800 lux pode ser considerada um avanço no futebol brasileiro, a não ser pelo fato de que poucos estádios país afora satisfarão à determinação, concentrando a realização dos jogos nos grandes estádios, reformadas ou construídas para a Copa de 2014. Barueri, uma alternativa natural aos estádios da capital paulista, ainda não atende à nova exigência.

Por uma grande coincidência, justo o Palmeiras, por mandar seus jogos num estádio que sabidamente é palco de grandes shows, acaba sendo muito prejudicado por não poder mais contar com o Pacaembu como estádio substituto, nessas ocasiões.

Também por uma grande coincidência, um dos jogos-chave do campeonato, a três rodadas do fim, foi marcado para uma data em que já é sabido que haverá um show no estádio. De quebra, o jogo contra o Fluminense, outro time da cidade onde fica a sede da CBF e da RGT, também foi marcado para uma data que coincide com show no Allianz Parque.

À diretoria do Palmeiras cabe, agora, exercitar a política e defender mais uma vez os interesses do clube, tanto junto à WTorre, para que seja criteriosa na marcação de novos shows até o final do ano, quanto (e principalmente) junto à CBF, no sentido de remanejar os jogos em que o clube será obrigado a mandar as partidas fora de nosso estádio.

Eventualmente, o Palmeiras poderia até estudar um projeto para ajudar a viabilizar a reforma do sistema de iluminação do Pacaembu, já que a prefeitura se recusa a custear a adequação, num primeiro momento.

O que não podemos é permitir que essas coincidências atrapalhem nosso caminho rumo ao 11º título brasileiro. Os problemas já estão definidos com muito tempo de antecedência. Dá pra resolver.


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Em 2016, Palmeiras também foi cauteloso na reta final

BrasileirãoO empate de ontem no Independência deixou o Palmeiras mais perto do título do que estava antes da rodada começar. A diferença para o Inter se manteve e o Flamengo ficou um ponto a mais para trás, com uma rodada a menos por disputar. Agora, são apenas cinco jogos para o fim do campeonato e temos uma confortável diferença de cinco pontos para o segundo e sete para o terceiro.

A situação, aliás, lembra muito a de 2016. Há dois anos, a pontuação do Palmeiras, na liderança, e a do vice-líder, o Flamengo, eram as mesmas dos dois primeiros deste ano, como vocês podem conferir na tabelinha ao lado. Nos jogos finais, o Palmeiras administrou a vantagem e minimizou os riscos. O que não quer dizer que esses riscos não tenham existido.

Ontem, o Verdão empatou o jogo a 15 minutos do fim, e poderia ter perdido. Mas também poderia ter aberto o placar no primeiro tempo em três ótimos lances de Willian, Guerra e Deyverson e tornado o jogo mais fácil – são variáveis que fazem parte da imprevisibilidade do jogo.

Correr riscos ainda é uma realidade para o Palmeiras no Brasileirão; nosso clube ainda não chegou ao mesmo patamar de dominação do Barcelona na Espanha, por exemplo, mas estamos tentando caminhar nessa direção. Quem sabe, chegaremos a essa excelência em alguns anos. O Barcelona, aliás, perdeu ontem para o Bétis em casa por 4 a 3.

A reta final de 2016

2016Em 2016, a partir da rodada 34, o Palmeiras de Cuca apenas administrou a vantagem, com jogos pragmáticos onde conquistou os pontos necessários para o título. E mesmo assim correu riscos. Na rodada 34, sob chuva, venceu o Inter por 1 a 0, com gol de Cleiton Xavier no primeiro tempo, mas quase sofreu o empate numa arrancada de Anderson que chegou frente a frente com Jailson, mas concluiu por cima.

Na rodada 35, vejam só: um empate por 1 a 1 com o Atlético no Independência: Gabriel Jesus abriu o placar no primeiro tempo, mas Pratto empatou aos 13 do segundo tempo e o Palmeiras sofreu uma enorme pressão até o fim do jogo – no final, comemorou o resultado e a vantagem de quatro pontos para o vice-líder.

Na rodada 36, com um gol de Dudu de cabeça, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 no Allianz Parque abarrotado, em partida que foi bem mais difícil do que o time carioca poderia sugerir – muito por causa da postura cautelosa de Cuca, que armou o time para não correr riscos de ser surpreendido em contra-ataques. O Verdão abriu seis pontos para o Santos e ficou a um empate do título, em dois jogos.

A conquista veio na rodada 37, em mais um jogo extremamente cauteloso do Palmeiras, que venceu os reservas da Chapecoense por 1 a 0, num gol chorado de Fabiano. O desinteresse do time catarinense, focado na disputa da Sul-Americana, facilitou a missão, mas mesmo assim a vitória veio de novo pelo placar mínimo.

Quem brilha é o troféu

Campeão Brasileiro 2016Mesmo correndo alguns riscos, algo que time nenhum do planeta jamais estará imune (afinal, é futebol), o Palmeiras vai chegando cada vez mais perto de mais uma conquista para se distanciar dos outros na lista dos maiores vencedores do Brasileirão.

Felipão, a seu modo, já construiu uma espetacular sequência de 18 jogos sem derrota, mesmo sem pré-temporada, mesmo sem poder montar o elenco com peças que se encaixem a seu modelo. Ontem, armou o time de forma a minimizar mais uma vez o risco de derrota e poupou os principais jogadores para a sequência final. O time está entregando os resultados. Nosso treinador merece crédito, mesmo nos deixando apreensivos durante os jogos.

A tabela que se oferece ao Verdão é bastante convidativa; serão três jogos em casa e mais um contra o Paraná em território amigável e o Palmeiras precisa de apenas mais onze pontos para não depender de tropeço nenhum dos concorrentes.

Muricy RamalhoEm 2009, a vantagem de cinco pontos era na rodada 29, e ela se esvaiu quando Muricy colocou o time pra frente, para abrir mais vantagem, quando poderia ter fechado a casinha e administrado os pontos.

Jogar de forma cautelosa, a exemplo do que fez o time de Cuca em 2016, parece ser a melhor forma de trabalhar essa vantagem. O Palmeiras não precisa dar show nesta reta final. Não precisamos de brilho. Quem cobra brilho deste Palmeiras é por puro despeito; não podemos cair nessa. Quem brilha mesmo, sob uma chuva de papel picado e fumaça, é o troféu.


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Manipulação da tabela ajuda, mas não faz milagre: o Palmeiras assume a ponta

Willian Bigode
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A vitória sobre o Cruzeiro ontem no Pacaembu devolveu a liderança do Brasileirão ao Palmeiras depois de um ano e nove meses – a última vez que o Verdão esteve no topo da tabela havia sido na última rodada do campeonato de 2016, quando conquistamos o eneacampeonato.

A escalada na classificação sugere que o Palmeiras vive um momento de alta, seja pelas mudanças propostas por Felipão, seja pelo momento técnico dos jogadores. Mas um fator passa despercebido: a tabela de jogos, confeccionada de forma, no mínimo, marota, vai mostrando sua face complementar e a verdade do campeonato fica cada vez mais evidente.

Em maio o Verdazzo propôs esta live; onde o padrinho do site Lucas Galli elaborou um estudo em que evidenciou que a confecção da tabela do Brasileirão visava beneficiar dois clubes: o SCCP e o Flamengo. Assistam ao vídeo e vejam a explicação detalhada.

Com uma sequência de jogos muito favorável a esses clubes no início do campeonato, a ordem dos jogos visava impulsionar os queridinhos para que, eventualmente, pegassem o embalo e ficasse difícil alcançá-los – a exemplo do que aconteceu com o SCCP em 2017. Ao mesmo tempo, montou a tabela do Palmeiras cheia de pedreiras logo de cara, o que tem um potencial imenso de semear crise. O plano funcionou o início, mas não existe milagre.

Na prática, não rolou

Mauricio BarbieriDentro de campo, os times não corresponderam à expectativa. O Flamengo até que surfou na liderança por várias rodadas. A ordem dos jogos permitiu aos cariocas fazerem vários jogos seguidos na ponte Rio-Brasília e, mesmo com um futebol apenas razoável, liderou a competição até a rodada 16.

Já o SCCP foi pior. Com um elenco esvaziado, manteve-se entre os três primeiros graças ao mingauzinho que a tabela lhes reservou até a rodada 8, mas a verdade começou a aparecer e o time hoje tem que se preocupar em manter uma margem segura da zona do rebaixamento.

O Palmeiras teve a missão inversa. O início do campeonato teve uma série de partidas complicadas e os tropeços aconteceram. Os problemas de Roger Machado em desenvolver a identidade de jogo do Palmeiras ficaram mais evidentes e o time oscilou bastante.

Algo que reforça a tese é verificar que na Libertadores as campanhas foram inversas: enquanto o Palmeiras ia de vento em popa, SCCP e Flamengo faziam contas para se classificar. Hoje, o Verdão está muito próximo das semifinais e os concorrentes já estão eliminados.

Da Copa para cá, a verdade apareceu

Últimas 15 rodadasCom um bom acúmulo de pontos, SCCP e principalmente o Flamengo criaram um bom clima para trabalhar. Mas as limitações de seus times determinaram até onde poderiam ir: a ORCRIM de Itaquera naufragou rapidamente; os cariocas, graças ao impulso inicial, ainda se mantêm no G4, mas com um futebol bastante irregular.

A tabela ao lado mostra o desempenho dos clubes nos últimos 15 jogos, que é a classificação aproximada (devido ao ritmo irregular dos jogos, causado por alguns adiamentos) do Brasileirão após a Copa do Mundo. Notem como despencou o desempenho dos favoritos da CBF em relação à classificação pré-Copa.

Esses números nos permitem especular que se a tabela tivesse sido confeccionada de forma equilibrada, o Palmeiras talvez tivesse alcançado a liderança muito antes da rodada 27.

O Verdão foi muito feliz na correção de rota; Felipão deu o encaixe perfeito na base montada desde o início do ano. Podia não ter acontecido – e a chance desse encaixe acontecer com a temporada em andamento costuma ser pequena.

Por outro lado, também é possível imaginar que a correção a que o Flamengo se impôs na semana passada pudesse ter vindo antes se as dificuldades tivessem ficado evidentes mais cedo. A tabela fácil do começo escondeu as limitações do sistema de jogo desenvolvido por Mauricio Barbieri, interino que foi efetivado. Descobriram tarde demais, quando a fase reversa da tabela chegou, e agora rezam para que Dorival Júnior repita na Gávea o encaixe que Felipão conseguiu no Palmeiras.

Desta vez deu ruim, parceiro

Sede da CBFDiante de toda essa salada de números, é possível concluir que, desta vez, a manipulação da tabela não foi suficiente para direcionar o campeonato. As forças dos elencos e as correções de rotas impostas só evitaram a liderança do Palmeiras até a rodada 26.

É claro que as tendências podem se reverter; o Verdão pode ser derrotado no sábado, perder a liderança e não recuperá-la mais. Existe alguma chance do fenômeno se repetir: Dorival Júnior pode dar um estalo e fazer o bom elenco do Flamengo desenhar uma arrancada para o título. Mas se isso acontecer, terá sido jogando bola e não pelo efeito da tabela mastigadinha que foi preparada.

Ironicamente, deixaram uma sequência de jogos bem tranquilos para o Verdão nas cinco rodadas finais, calculando que o time já fosse carta fora do baralho. Erraram, e se quiserem mudar o viés atual do campeonato, é bom que o façam antes da rodada 33.

Hoje, as maiores preocupações do Palmeiras são a dupla gaúcha e, quem diria, o SPFC. O SCCP se preocupa com o rebaixamento e o Flamengo, tudo indica, vai ficar mais um ano só no cheirinho. Sigam o líder!


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Conselho Técnico faz reunião desastrosa e já começou a estragar o Brasileirão

Em reunião realizada ontem na sede da CBF, no Rio de Janeiro, o Conselho Técnico de clubes deliberou sobre três pontos polêmicos acerca do regulamento do Brasileirão de 2018. Em todas as decisões, a escolha foi a mais errada possível.

Em vez de zelarem pela esportividade e pela a lisura da competição, os clubes tomaram decisões que visam apenas o aspecto econômico, além de darem margem a picaretagens e injustiças. Vamos a elas.

Gramado sintético

Gramado Sintético da Arena da Baixada
Agência Estado

Na reunião de 2017, havia sido decidido que o Atlético-PR, único clube da Série A que tem estádio com gramado artificial, teria um ano para replantar o gramado natural e que a partir de 2018 a Arena da Baixada, bem como qualquer outro estádio com jogos pelo Brasileirão, deveria ter gramado natural. A decisão havia sido tomada porque os clubes entenderam que o clube paranaense tinha vantagem técnica ao mandar seus jogos num gramado que altera significativamente a disputa da partida.

O Atlético trabalhou nos bastidores para que os clubes votassem por derrubar esse veto a partir deste ano, usando como argumento a fraca campanha de 2017. Ou seja, de um ano para outro, o gramado deixou de alterar o andamento do jogo porque o Atlético montou um time ruim no ano passado.

Assim como o Allianz Parque, a Arena da Baixada tem problemas com o gramado diante da falta de luminosidade causada pela cobertura do estádio. O Palmeiras luta, mas mantém o gramado natural. O Atlético se pendura na regulamentação da FIFA, que permite o uso de grama sintética, desde que dentro de determinadas especificações. O erro, no caso, é muito mais da FIFA, que dá brecha para esse tipo de aberração esportiva. O Atlético apenas se aproveita dessa brecha e conta com a conivência dos outros clubes brasileiros, que poderiam sustentar o veto, mas por algum motivo preferiram ceder..

Mando de campo fora da cidade de origem

Flamengo x Palmeiras, em Brasília
Adalberto Marques/ Agif/Gazeta Press

O estrago continuou quando os representantes dos clubes decidiram revogar a proibição de mandar jogos fora de sua cidade e até mesmo de seu estado de origem. Isso permitirá que clubes com menor poder de arrecadação  tenham oportunidades de levar as partidas para outras praças onde o visitante tende a ter torcida forte, e assim lucrar com a torcida adversária.

Além de provocar claro desequilíbrio técnico gritante no campeonato, a medida visa casuisticamente proteger os times do Rio de Janeiro, que por motivos culturais enfrentam problemas para atrair suas torcidas aos estádios cariocas. Um certo lobby das administrações dos grandes elefantes brancos construídos para a Copa de 2014 também deve ter funcionado, e desta forma veremos muitos jogos em Brasília, Cuiabá, Natal e Manaus.

Para não deixar escancarado, algumas restrições foram impostas:

  • os times só poderão mandar cinco jogos fora de seu estado de origem;
  • o mando fora do estado de origem pode ser vetado pelo visitante;
  • a prática está vetada nas últimas cinco rodadas do campeonato.

Árbitro de vídeo: um sonho adiado

VARO ponto mais importante da reunião, claro, foi a deliberação a respeito da adoção do VAR – o chamado “árbitro de vídeo” – nas partidas do Brasileirão. Por 12 votos contra 7, o VAR foi rejeitado para o Brasileirão 2018. Votaram a favor o Palmeiras, mais Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio e Inter. Contra o VAR, votaram SCCP, Santos, Vasco, Fluminense, Cruzeiro, Atlético-MG, América, Sport, Atlético-PR, Paraná, Ceará e Vitória. O SPFC não votou porque é café-com-leite.

A CBF determinou que, caso quisessem adotar o sistema, os clubes é que precisariam arcar com os custos, avaliados em R$ 20 milhões – o que daria R$ 1 milhão por clube para ter o VAR em todas as partidas do campeonato. Essa imposição teria sido a razão para que alguns clubes desistissem de usar o recurso.

Palmeiras x Cruzeiro - gol de Borja anuladoDa forma como tudo aconteceu, a CBF parece pouco ou nada interessada na adoção do VAR. Seria muito interessante ter acesso à planilha de custos estimados para chegar ao valor médio, por partida, de mais de R$ 50 mil para montar uma estrutura de replay e comunicação, composta por profissionais qualificados. Parece bem pouco provável que as cifras sejam tão altas.

E mesmo que sejam, a CBF tem por obrigação usar seus próprios recursos para que seu principal campeonato não seja decidido por erros de arbitragem, como aconteceu no ano passado e outras tantas vezes. Afinal, pra que mesmo a entidade cobra tantas taxas dos clubes e mantém, hoje, mais de R$ 250 milhões em seu caixa? Na prática, o repasse dos custos funcionou como um veto à implementação do sistema.

Gol de mão de JôDe qualquer forma, fica a questão – a qual todos nós já sabemos a resposta: por que o SCCP não quis que o VAR fosse adotado mesmo?

Esperamos que, de uma vez por todas, nossa diretoria esteja muito atenta a tudo isso, e que tome as devidas providências antes do leite ser derramado. Perdemos o campeonato no ano passado, entre outras razões, por conta dessa omissão. Não suportaremos ver isso acontecer de novo, em anos consecutivos.


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A arrancada para o deca: faltam dois atos

CalculadoraNo dia 30 de agosto, após a rodada 22 e com 14 pontos de distância para o rival, o Verdazzo planificou uma arrancada em três etapas, na qual era prevista despretensiosamente uma virada na tabela considerando a brusca queda de rendimento do pessoal de Itaquera e uma estabilização dos resultados do Palmeiras no Brasileiro, já sem as disputas das copas para nos dividir a atenção.

A primeira das três etapas se encerra hoje, com a partida entre Botafogo e SCCP (o Periscazzo desta noite vai acompanhar a partida e secar os caras ao vivo, não perca!). O Palmeiras ficou a apenas dois pontos da previsão – certamente o resultado que ficou completamente fora de qualquer previsão foi o empate com o Bahia, que causou a demissão de Cuca.

Já o rival fez a previsão despretensiosa ficar um pouco mais séria ao despencar mais que o esperado. Mesmo uma pouco provável vitória esta noite no Rio de Janeiro os deixará a quatro pontos da previsão. A diferença entre os dois clubes, que deveria ser de 11 pontos a esta altura da planificação, pode ser de 6, 7 ou 9 pontos.

O segundo ato

Curtinho, contemplando apenas as próximas três rodadas, o segundo ato desta projeção deve chegar bem perto da virada, desde que o Palmeiras vença o Derby, na rodada 32. Sendo pessimistas, considerando que o SCCP vai conseguir uma vitória esta noite no Engenhão, a diferença de nove pontos cairá para apenas um, considerando que a Ponte Preta segura um empate no próximo domingo e que, depois de perder o Derby, o SCCP seguirá em parafuso para Curitiba e perderá do Atlético.

Em paralelo a isso, o Verdão precisa fazer valer o mando contra um Cruzeiro que já perdeu o interesse na temporada e que vem chamuscado pela derrota de virada, em casa, no clássico local; depois de vencer o Derby, precisa manter a bola cheia para chegar ao triunfo em Salvador, contra o Vitória – disparado o pior mandante do campeonato.

Arrancada: segundo ato

Se o Botafogo não perder esta noite, a rodada 33 pode significar até a virada na tabela. O diabo é ter que confiar na Ponte Preta, um time que, é sabido, não serve para nada.

O ato final

As cinco rodadas finais mostram Palmeiras e SCCP com tabelas muito semelhantes. Entrar na rodada 34 com vantagem na tabela pode ser decisivo. Até lá, muita coisa pode acontecer e não se pode levar muito em conta o que os times estão jogando hoje. Podemos precisar de uma força do Cheirinho, por isso é importante que eles ainda estejam lutando por vaga na Libertadores na rodada 36.

Arrancada: terceiro ato

O time de Fábio Carille sofre com o elenco limitado, com reservas que não seguram o nível dos titulares num final da temporada que está sendo bastante duro no aspecto físico pelos lados de Itaquera. Por aqui, o elenco tem segurado bem a pegada; Alberto Valentim, com um esquema simples, consegue fazer o time se impor diante dos adversários na base da qualidade técnica. Estas cinco rodadas apresentam uma leve tendência do Palmeiras abrir dois ou três pontos.

Esperança

Sabemos que no futebol as coisas mudam muito rápido. Há dez dias, estávamos em profunda depressão vendo nosso técnico ser demitido após um empate em casa contra o Bahia e não havia uma alma viva que apostasse um tostão no título do Palmeiras; os sites estatísticos definiam nossas chances em torno de 3%. Hoje, esse número oscila entre 13% e 15% – ainda pouco, mas já é considerável.

Tem o fator arbitragem. Tem o imponderável. Muita coisa pode acontecer. Mas o Brasileirão de pontos corridos de 2017, que muita gente dava como definido ao final do primeiro turno, ainda pode ter capítulos emocionantes – e, quem sabe, um espetacular plot twist pintado de verde e branco no final.

É permitido sonhar. E também é muito divertido.

Depois desta projeção, vamos jogo a jogo. Foco no Cruzeiro.

E secar o rival esta noite, pode, sim!

VAMOS PALMEIRAS!


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