Palmeiras faz 105 anos em meio a ressurgimento histórico

Fábio; Wendel, Lúcio, Tobio e Juninho Pampers; Marcelo Oliveira e Wesley; Mouche, Allione e Leandro Calopsita; Henrique Ceifador. No dia 23 de agosto de 2014, sob o comando de Ricardo Gareca, esse time encerrou o primeiro centenário do Palmeiras vencendo o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu.

A vitória só deve ter vindo por vontade dos tais deuses do futebol, que reconheceram a importância da data e nos deram de presente a vitória magra, com gol de Juninho Pampers. O Palmeiras vinha de três derrotas e também perderia os três jogos seguintes. A eliminação na Copa do Brasil com duas derrotas inapeláveis para o Atlético-MG, mais uma derrota em casa para o Inter, inauguraram o segundo centenário provocando a demissão do técnico argentino.

De lá para cá, muita coisa mudou na vida do Verdão. Na verdade, a mudança já havia começado, mas ainda era invisível aos olhos da imprensa e da grande torcida. O time que entrou em campo há cinco anos ainda era parte do remédio amargo que nosso clube foi obrigado a engolir para se curar de uma farra de dirigentes que durou quase 40 anos.

Após dois rebaixamentos na parte final de seu primeiro século de existência, o Palmeiras do segundo centenário, o pesadelo dos adversários, a pedra no sapato da imprensa, está de volta, mais protagonista do que nunca.

Anos difíceis

Na segunda metade da década de 2000, o Campeão do Século XX era apenas a quarta força do futebol paulista. Ainda se recuperando moralmente do primeiro rebaixamento, em 2002, o time fazia campanha sofríveis, relembrando os anos de chumbo da década de 80. O Palmeiras era inofensivo. Não incomodávamos ninguém e os adversários tinham até pena de fazer chacota.

Após uma reviravolta política pelas mãos de Affonso Della Monica e Luiz Gonzaga Belluzzo, o Palmeiras ensaiou um retorno, chegou a vencer um Paulista, mas para alçar voos mais altos o clube fez algumas loucuras. O all-in foi um fracasso e uma recessão tornou-se necessária.

A “Nova Arena”, que viria a se chamar Allianz Parque, estava sob construção. O Pacaembu, que hoje nos recebe de forma simpática e calorosa, era uma de nossas casas, ao lado do Canindé e da Arena Barueri. O Palmeiras não tinha estádio, não tinha identidade, não tinha dinheiro, e sofria.

Sob a caneta de Arnaldo Tirone, em vez de uma gestão austera para recuperar as apostas perdidas no fim da década de 2000, o que se viu foi o inverso. O clube esgotou sua capacidade de endividamento; a gestão do futebol foi a pior de nossa História e, mesmo com a mágica conquista da Copa do Brasil em 2012, veio o segundo rebaixamento.

Quando ressurge o alviverde imponente

A primeira gestão de Paulo Nobre reconstruiu o clube desde os alicerces. O remédio foi amargo. O time que jogou a segunda divisão em 2013 era ainda pior que o de 2014, que abriu este texto. Mesmo assim, ainda ameaçou fazer graça na Libertadores.

Mas o foco não podia ser o time, e sim a recuperação estrutural, financeira e moral. O futebol só precisava sobreviver mais um pouco. O Allianz Parque estava perto de ser concluído e Gareca parecia ser o comandante ideal para iniciar a trajetória do segundo centenário apontando para o alto.

A derrocada daquele time quase jogou tudo por terra. Não deu liga. Fernando Prass, um dos esteios técnicos e morais do time, lesionou-se com gravidade. Henrique e Alan Kardec deixaram o clube de forma polêmica. Wesley corria com o freio de mão puxado. Valdivia de vez em quando corria, mas logo levava a mão à cotcha. Da espinha dorsal idealizada para aquele grupo, só restava Lúcio, que àquela altura da carreira talvez servisse como complemento, não como pilar principal.

Quase veio o terceiro rebaixamento. Mas o Palmeiras sobreviveu graças a um gol do Ceifador, o primeiro no Allianz Parque – e a um insucesso do Vitória, naquela mesma tarde. E assim o alviverde imponente pôde ressurgir.

Uma nova era

A partir de 2015, com o recém-inaugurado Allianz Parque, iniciou-se uma nova era no clube. A torcida se engajou; o Avanti decolou e se tornou uma fonte de renda robusta e inédita entre clubes brasileiros, trazendo com ele rendas fantásticas. Tudo fruto da reconstrução administrativa dos dois primeiros anos.

Esse potencial foi enxergado por um conglomerado financeiro sólido, a Crefisa, que juntou-se ao time e tornou o Palmeiras ainda mais forte. Os resultados esportivos não demoraram e o Campeão do Século XX, que deu 14 anos de vantagem para os adversários, finalmente respondeu ao tiro de largada do Século XXI.

De cinco anos para cá, muita coisa mudou, agora a olhos vistos. Hoje o Palmeiras não é mais a quarta força do estado, o time de cuja torcida dava até dó de tripudiar. Somos o protagonista do futebol nacional, e por consequência, o mais odiado pelas outras torcidas nas redes sociais e pela imprensa. E estamos tirando a vantagem dos outros. Logo, os passaremos, para sermos o Bicampeão dos Séculos.

As mesas redondas da vida ainda tentam achar um meio de atacar o profissionalismo que sempre defenderam, e que para suas desgraças, foi aplicado com excelência justo pelo Palmeiras, que hoje puxa a fila da administração moderna no futebol. O clube-modelo não é mais o SPFC, que era apenas aquele que tinha um olho em terra de cego. As parcerias picaretas do SCCP, tão exaltadas, já não são suficientes e o clube deve até pra tia das marmitas. Apenas o Flamengo é quem está conseguindo imitar com algum sucesso nosso modelo de administração, tendo como fonte principal de renda a televisão, e não a torcida.

É por tudo isso que temos que ter muito orgulho de nosso clube, que hoje completa 105 anos e deu uma volta por cima impressionante no destino. A política interna ainda apronta das suas; o que há de pior na natureza humana segue acontecendo nas alamedas, feridas seguem abertas e o futuro é incerto. Mas a onda do futebol é positiva e tende a durar mais alguns bons anos, mesmo se tudo der errado na política.

Hoje, o nosso quarto centroavante, que é um bom jogador, é o mesmo que era titular e destaque do time de cinco anos atrás. Nada mais simbólico.

Parabéns Palmeiras!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.

Shandong Luneng oficializa a compra de Moisés

Moisés no Itaquerão

O meia Moisés não é mais jogador do Palmeiras. Segundo o globoesporte.com, o clube chinês Shandong Luneng enviou a documentação ao Palmeiras oficializando a compra, por € 5 milhões – cerca de R$ 21 milhões na cotação atual. O meiocampista completou 31 anos em março deste ano.

Moisés foi contratado no início de 2016 e sofreu uma lesão grave no início do estadual ao sofrer uma entrada maldosa de Zé Antônio, do Linense, voltando apenas para a disputa do Brasileiro. Jogando ora como volante, ora como meia, comandou o meio-campo do time que se consagrou eneacampeão brasileiro, entrou em todas as seleções do campeonato e recebeu a camisa 10 para a temporada de 2017. 

Moisés e Zé Antônio
César Greco / Ag.Palmeiras / Divulgação

Mais uma vez na disputa do estadual, contra o mesmo jogador, do mesmo adversário, Moisés sofreu outra lesão e voltou a ficar afastado. Voltou na disputa do mata-mata contra o Barcelona-EQU, fez um golaço logo na primeira partida, mas o time acabou eliminado nos pênaltis.

Em 2018, já sem o mesmo protagonismo, mas sempre com a mesma dedicação e profissionalismo, participou de forma ativa da conquista do decacampeonato brasileiro. Este ano, participou de 24 jogos; marcou dois gols e deu três assistências. 

Moisés
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Moisés sofreu perseguição de parte da torcida do Palmeiras, que o acusava de estar acima do peso ou de varar noites jogando pôquer, um dos hobbies que jamais fez questão de esconder. Acusações absurdas, sem o menor fundamento, fruto da imaginação tóxica de torcedores que precisam de ajuda profissional para viverem melhor. 

Em sua estreia, contra o Libertad-URU, pela Copa Antel, Moisés marcou um gol. Sua despedida não foi tão feliz, ao perder um pênalti na disputa da vaga nas semifinais da Copa do Brasil, contra o Inter. Mas isso não desmerece sua brilhante passagem de três anos e meio pelo Verdão, onde conquistou dois títulos brasileiros e marcou doze gols em 138 jogos.

Obrigado por tudo, e boa sorte, Moisés!

Botafogo é surrado no tribunal e resultado da partida em Brasília é mantido

Jorge Willian

Após quase três horas de sessão, o STJD decidiu, por 9 votos a zero, não acolher o pedido de impugnação da partida Botafogo 0x1 Palmeiras, impetrado pelo Botafogo, alegando erro de direito do árbitro.

Com o resultado, o Palmeiras aumenta sua vantagem na liderança do campeonato para cinco pontos em relação ao vice-líder, o Santos, e para oito pontos em relação ao terceiro colocado, o Flamengo.

O STJD promoveu, literalmente, um circo, ao fazer de suas sessões um espetáculo itinerante, exatamente com a intenção de “familiarizar” o público com o direito desportivo – como se os torcedores de futebol estivessem interessados no que os auditores, com ou sem a devida vênia, falam nos microfones. A sessão de hoje foi realizada numa faculdade em Salvador.

O único fato realmente interessante de toda a sessão foi a revelação de toda a gravação da conversa da equipe de arbitragem durante o lance em que Deyverson sofreu o pênalti. Pela primeira vez, o público teve a chance de entender como as decisões são tomadas pelos árbitros usando esta nova tecnologia.

A marcha dos nove a zero

STJD

Depois da exibição da conversa da equipe ser repetida por três vezes, sincronizadas com a câmera principal de transmissão, depois com os vídeos da equipe do VAR, depois com a  câmera que registra os movimentos dentro da cabine, foi a vez dos advogados dos clubes.

O advogado do Botafogo bateu na tecla do erro de direito, insistindo que o gesto do árbitro caracterizou o reinício do jogo, mesmo sem o apito. Disse que o pouco tempo em que a bola teria ficado em jogo não importa, e usou, para reforçar seu argumento, o fato de que o julgamento de Heverton, da Portuguesa, em 2013, baseou-se no mesmo princípio – o de que o tempo em que a suposta irregularidade é cometida não atenua as razões para se caracterizar o erro de direito. Rasteiro.

O advogado André Sica, do Palmeiras, como parte interessada, destruiu a argumentação do colega carioca. Disse que, se for para se apegar ao que estritamente diz o regulamento, que a falta do apito para reiniciar a partida já caracteriza que não houve o erro de direito, e que portanto, o caso estaria “morto”. Mas foi além, citando um certo princípio da relevância, dando um banho no botafoguense.

Depois de todas essas falas, os auditores votaram e justificaram, um a um, suas decisões, e a defesa do Palmeiras mais uma vez mostrou que está forte, obtendo o resultado por unanimidade.

Causa fraca, surra jurídica e bastidores

Dr. André Sica

O placar acerca de um assunto como esse reflete uma somatória de fatores e o principal deles é a fragilidade da causa do Botafogo. O clube carioca entrou na briga muito mal calçado, talvez confiando na extrema competência de seu corpo jurídico ou numa eventual influência nos bastidores.

Mas nosso advogado, o competentíssimo dr. André Sica, sozinho, foi tão forte na defesa quanto Luan e Gustavo Gómez protegidos pelo Felipe Melo. Sua argumentação foi nada menos que brilhante.

Mas sabemos que essas coisas se resolvem mesmo é nos bastidores. E o Palmeiras se mostrou forte também por trás das cortinas, não dando chance ao pequeno clube carioca de bagunçar o campeonato brasileiro mais uma vez, como fez há 20 anos para não ser rebaixado, no infame Caso Sandro Hiroshi.

Os 25 pontos alcançados ao fim de nove rodadas dão dois pontos a mais que a projeção de pontos feita pelo Verdazzo antes do início da competição. Nos próximos dias, faremos a primeira checagem para finalizar o primeiro quartil.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.verdazzo.com.br/padrinho.

Nos confrontos diretos, o Palmeiras leva vantagem em quase todos

SCCP 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Em mais de 104 anos de História, o Palmeiras consolidou-se como o maior vencedor de títulos nacionais. Os fatos estão escritos e documentados; só nega quem tem necessidade de auto-afirmação.

Essa supremacia foi construída jogo a jogo e pode ser constatada nas estatísticas, disponíveis na seção Almanaque do Verdazzo.

O Palmeiras leva vantagem nos confrontos diretos contra quase todos os adversários que já enfrentou, mesmo tendo passado por dois longos períodos de graves crises política e administrativa em sua trajetória – que refletiram em times muito ruins e anos de depressão técnica.

A seguir, o Verdazzo traz um levantamento dos confrontos diretos contra as principais camisas do país. Os números estão em total sintonia com a contagem oficial do Palmeiras, que nem sempre batem com os números dos adversários, por divergências nos critérios para validar as partidas.

Clássicos paulistas

A vantagem contra o neo-inimigo SCCP é apertada, de apenas duas vitórias, mas segue sendo sustentada há muito tempo. O clube que já foi nosso maior rival, entretanto, vem conseguindo diminuir a diferença nos últimos jogos: quando não conta com uma inacreditável sorte, chega aos resultados, a olhos vistos, usando métodos escusos.

Já o Santos é nosso maior freguês: as 140 vitórias nos dão uma inalcançável margem de 34 triunfos, com Pelé e tudo. Freguês eterno; nada pode ser menor.

A vantagem do SPFC já foi bem maior, fruto dos períodos de estiagem que atravessamos. Mas nos últimos anos a diferença está se deteriorando; após o jogo de ontem, caiu para apenas três vitórias (no saldo de gols, já temos vantagem). Na contagem deles, que sequer sabem a data em que foram fundados, a contagem está empatada.

Confira abaixo o mapa dos confrontos com os adversários mais tradicionais do estado; clique sobre os nomes dos clubes para acessar a lista de jogos:

JVEDGPGCSG
SCCP370131110129522483+39
Santos33414088106559473+86
SPFC31210599108408407+1

Domínio absoluto contra cariocas

Não é à toa que existe um fenômeno no Rio de Janeiro, onde as camisas do Palmeiras, mesmo em tempos bicudos, sempre foram muito populares. Além da torcida do Verdão ser realmente diferenciada, os resultados contra os times da Cidade Maravilhosa são estrondosos.

O Flamengo fica no cheirinho desde sempre; são nove vitórias de diferença no confronto. Já o Botafogo precisaria vencer onze confrontos seguidos para igualar a contagem.

O Fluminense teve até um período recente de vitórias contra nós, já estancado e insuficiente para fazer cócegas na vantagem: são 25 triunfos de diferença. E quando você pensa que não pode existir freguesia maior fora do estado, aparece o Vasco, comendo poeira com desvantagem de 27 derrotas.

Parece que está explicado o fenômeno. O Rio de Janeiro continua lindo.

JVEDGPGCSG
Flamengo114463137192164+28
Botafogo117453834174149+25
Fluminense109591634190152+38
Vasco128583931207162+45

Trabalho a fazer em Minas e Rio Grande

Tanto em Minas quanto no Rio Grande do Sul mantemos um freguês de caderneta e uma pedra no sapato – nada que não possa ser resolvido.

Em Belo Horizonte, o Galo é cliente VIP: precisa tirar nove vitórias de desvantagem, numa contagem cuja tendência atual é de crescer ainda mais. Já o Cruzeiro sustenta uma pequena margem de três vitórias, embora o Verdão leve vantagem no saldo de gols.

No sul, o Grêmio, apesar dos inesquecíveis confrontos na década de 90, tem números vergonhosos e não alcança nem metade das vitórias do Verdão. É uma autêntica surra.

O problema mesmo é o Inter, que sustenta uma incômoda vantagem de oito vitórias e 22 gols – algo que já foi maior e vem sendo descontado nos últimos anos.

JVEDGPGCSG
Atlético8037152811195+16
Cruzeiro95322835141136+5
Grêmio9340341913597+38
Inter8929233793115-22

Protagonismo também nos números

Todos os confrontos históricos do Palmeiras podem ser consultados aqui. O Verdão está em pequena desvantagem contra alguns times importantes do futebol sul-americano, como Nacional (URU) e River Plate (ARG), ou mesmo contra times brasileiros de pequeno porte, como a Chapecoense, mas a lista de confrontos é curta; não atinge 15 partidas e a base estatística pra decretar uma “freguesia” parece frágil.

O Paulistano, uma potência no futebol no início do século passado que já era heptacampeão paulista quando o Palestra Italia conquistou o primeiro campeonato em 1920, tem boa vantagem no confronto. Mas o clube encerrou suas atividades em 1930 e o Palestra/Palmeiras não teve a chance de virar o jogo.

Entre os adversários com mais de 15 confrontos que continuam em atividade, precisamos buscar mesmo é o Inter, que sustenta uma margem razoavelmente confortável. Cruzeiro e SPFC estão na alça de mira, e não podemos mais nos descuidar nos Derbies, já que o SCCP descontou nossa boa vantagem nos confrontos recentes.

A volta ao protagonismo do futebol brasileiro, consolidada nas últimas temporadas, nos dá plenas condições de, além de continuar conquistando títulos, dominar completamente as estatísticas de todos os confrontos relevantes num futuro, talvez, próximo. VAMOS PALMEIRAS!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.verdazzo.com.br/padrinho.

O chip irremediavelmente solto de Deyverson

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Baixada a poeira, é possível tratar um assunto delicado que emergiu durante o fim-de-semana, mais precisamente aos 42 minutos do segundo tempo do Derby em que o Palmeiras saiu derrotado, em casa.

Naquele momento, depois de um lance bastante enrolado em que sofreu falta e foi atingido propositalmente na cabeça enquanto estava no solo, pela passada de Richard, Deyverson acabou cuspindo no adversário e recebeu o cartão vermelho. A falta era uma de nossas últimas chances de tentar ao menos empatar o jogo e Deyverson foi mandado a campo exatamente para melhorar o aproveitamento nas jogadas de bola aérea.

As reações da torcida no estádio e nas redes sociais, logo após o fim do jogo, foram de desaprovação completa. As discussões passaram por vários aspectos, desde o profissionalismo até o caráter do jogador – e as palavras que surgiram não foram nada suaves.

Felipão, num primeiro momento da coletiva, tentou passar ao largo da polêmica, alegando não saber a razão da expulsão. Os repórteres, entretanto, trouxeram o motivo à tona e nosso treinador foi obrigado a reprovar publicamente a atitude.

Um bom menino com o “chip solto”

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Deyverson chegou ao Palmeiras em 2017, a pedido de Cuca. Desde sua chegada, participou de 66 partidas e marcou 18 gols – uma marca interessante, sobretudo para quem frequentemente participa de apenas parte dos jogos, seja sendo substituído, seja saindo do banco.

Seu gol mais notável, claro, foi o marcado em São Januário, que definiu a conquista do decacampeonato brasileiro. O feito já lhe garante um lugar eterno no imaginário da torcida e uma espécie de gratidão infinita.

Deyverson é um rapaz que aparenta ter um coração de ouro. Um bom menino. Já na coletiva de apresentação causou impacto ao se juntar ao pai e chorarem juntos, tocados pela realização profissional enfim alcançada. No dia-a-dia, com atitudes simples, cativa a todos na Academia de Futebol. É muito querido, o chamado “bom de grupo”.

Na saída do jogo contra o Oeste, na quarta-feira, questionado sobre um lance em que havia levado uma cotovelada, declarou orgulhosamente que não reagiu porque estava mais focado em ajudar o Palmeiras – um discurso talvez preparado para ser usado na primeira oportunidade, em resposta à fama de ter o “chip solto”, termo ingenuamente cunhado por ele mesmo após mais um lance enrolado na campanha do Brasileirão.

Colocando tudo na balança…

Deyverson
Reuters

Deyverson está longe de figurar no rol dos maiores atacantes da História do Palmeiras – bem longe. Mas seu estilo de jogo pode ser bastante útil, sobretudo em partidas com determinadas características. Não poderia haver momento mais específico para ilustrar essa possibilidade que os 5 minutos finais do último Derby.

Seu comportamento em campo é errático e pouco confiável. Alguém um dia pode lhe ter dito que ele irrita os adversários e que isso poderia lhes render expulsões, e assim ele ajudaria seu time. Deyverson parece ter gostado da ideia de ser o “bom malandro”. Mas exercer esse papel é uma arte que exige absoluto auto-controle, o chip tem que estar absolutamente preso. Deyverson não pode fazer esse papel enquanto não isso não acontecer.

Deyverson
Reprodução

Quem não adorou o lance da piscadinha, no Derby anterior, em que ele foi substituído exatamente porque Felipão percebeu que o camisa 16 tinha saído completamente de controle? São os dois lados da mesma moeda que, agora sem sombra de dúvida, não vale a pena.

Seu comportamento amalucado não é novidade: jogando pelo Alavés, já havia acertado uma cusparada em Godín, do Atlético de Madrid, e deixou todo o time colchonero absolutamente pistola, numa partida pelo campeonato espanhol.

Por essa cuspida, deve ter sido muito questionado; certamente percebeu que a atitude é inaceitável e se conscientizou de que aquilo jamais poderia se repetir. Como se repetiu, deixa margem até para perigosos julgamentos de caráter. Numa análise menos raivosa, no mínimo, fica em aberto a completa incapacidade de se controlar para não repetir atos deploráveis de forma impensada.

Hora da sabedoria

Deyverson
Fernando Dantas/Gazeta Press

Deyverson foi contratado pelo que faz com a bola, mesmo com suas limitações, e não por suas atuações como desestabilizador de adversários. O lance no Derby pode ter sido a prova definitiva de que, mesmo mostrando consciência disso, Deyverson carece demais de maturidade, não é confiável e seu ciclo no Palmeiras precisa ser encerrado. O chip está irremediavelmente solto, não há o que fazer.

É preciso executar a decisão com sabedoria. Ninguém quer prejudicar sua carreira mais do que ele mesmo já o faz. E ninguém quer rasgar dinheiro, desvalorizando um ativo do clube. A saída de Deyverson precisa ser conduzida da forma mais discreta possível, e o Palmeiras tem um enorme trunfo na Academia de Futebol para ajudar nesse processo: Arthur Cabral.

O camisa 39, que se recupera de uma lesão no púbis e está fazendo um trabalho específico de fortalecimento para não sentir o problema durante a temporada, reúne mais recursos técnicos e físicos que Deyverson. É bem possível que, mesmo se seu comportamento fosse exemplar, Deyverson perdesse espaço no elenco naturalmente com a ascensão do centroavante que veio do Ceará. Episódios como o do último sábado apenas aceleram o processo, e de forma ruidosa.

É esse ruído que o Palmeiras precisa evitar. O tempo vai passar e os assuntos mudam. Deyverson aos poucos vai saindo da pauta até que Alexandre Mattos consiga uma boa resolução para o problema. Infelizmente, essa será a impressão final que, ao que parece, o garoto vai deixar.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.verdazzo.com.br/padrinho