Brasileirão 2021: planejamento de pontos – fim do primeiro quartil

Calculadora

Ao vencer o Grêmio na noite de ontem no Allianz Parque, o Palmeiras fechou o primeiro quartil do Campeonato Brasileiro 2021. E o resultado foi bastante animador: a vitória alçou o time à liderança do campeonato e bateu a meta proposta para o recorte em nosso exercício anual de planejamento de pontos.

A projeção inicial, que foi realizada em 100%, previa alcançar 22 pontos após a décima rodada, com 7 vitórias, um empates e duas derrotas. O time cumpriu o período confirmando 7 dos 10 resultados. Três jogos não bateram os resultados, mas se complementaram: SCCP, Bragantino e Internacional, com previsões para vitória, empate e derrota, tiveram resultado de empate, derrota e vitória. Quid pro quo.

Assim, o time se manteve no ritmo para alcançar os 83 pontos idealizados no início do exercício. Esta conta prevê uma margem bastante folgada para a conquista do título, já que em 15 edições do Brasileirão por pontos corridos com 20 clubes, jamais o vice-campeão ultrapassou a marca dos 74 pontos.

O primeiro quartil do campeonato de 2021 indica que a tendência se manterá, já que os principais candidatos ao título perderam muitos pontos. Já podemos considerar Grêmio e SPFC como cartas fora do baralho; o Internacional precisa reagir imediatamente para ter alguma chance. Desta forma, restam entre os favoritos apenas Flamengo e Atlético-MG como adversários teóricos na disputa pelo título como Palmeiras. Os mineiros estão a 3 pontos do Verdão e com saldo de gols por tirar; os cariocas já estão a 10 pontos de distância, mas com dois jogos a mais por fazer.

O inimigo agora é outro?

O Flamengo vive um momento turbulento. Sofrendo muito com os desfalques impostos pela Copa América, além das naturais lesões, o time oscilou muito neste primeiro recorte após abrir o campeonato vencendo o Verdão. Rogério Ceni jamais teve o suporte da diretoria e da torcida e vive sob pressão da Flapress. O time titular perdeu um de seus pilares, Gerson. O time ainda terá o desafio de disputar a Copa do Brasil e a Libertadores em paralelo ao Brasileirão. O Atlético, sob o comando de Cuca, é um adversário de respeito, mas assim como o Flamengo, ainda divide as atenções na temporada com mais duas competições.

Outros times despontam como possíveis adversários para acompanhar o Palmeiras na maratona. O Red Bull Bragantino foi responsável por impor uma das duas derrotas do Palmeiras no quartil. Um time que parece se superar quando enfrenta adversários de camisas tradicionais, como Flamengo, SPFC e SCCP, mas que se complica em jogos mais fáceis, como Ceará e Cuiabá. Mesmo irregular, o time gerido pela multinacional mostrou muita organização, dentro e fora de campo. Terá em paralelo ao Brasileirão a disputa da Sul-Americana.

O Athletico-PR conseguiu bons resultados neste primeiro recorte do campeonato, mas também sofreu com a irregularidade. Os paranaenses têm a Copa do Brasil pela frente como objetivo mais alcançável. Fortaleza e Bahia surpreendem; parecem estar com mais pontos que os potenciais de seus elencos sugerem. A dupla do nordeste deve ter como objetivo uma vaga na Libertadores.

Todos têm um ponto em comum: apesar de estarem se mostrando bons times, quando os chamados titulares precisam se ausentar, oscilam demais. Nenhum parece ter um elenco homogêneo como o do Palmeiras; o sofrimento é visível quando os considerados reservas precisam entrar em campo.

As vantagens competitivas do Palmeiras são várias. A Copa do Brasil deixou de ser um problema – embora fosse um problema que ainda gostaríamos de ter. Serão oito datas livres até o fim da temporada. Um luxo.

Nosso treinador consegue rodar bastante os jogadores, administrando o esforço, sem perder performance. A incidência de lesões tende a ser menor e Abel contorna o problema de ter um elenco curto extraindo dos atletas todas as características de versatilidade que enxerga.

Ajustes na projeção inicial do segundo quartil

Os adversários mais perigosos já deixaram pontos importantes pelo caminho e parece pouco provável que sejam recuperados, diante de todas as dificuldades listadas. Os 83 pontos já podem ser considerados uma projeção folgada. Nada impede que 74 ou 75 pontos ganhos sejam suficientes para o título.

Mesmo assim, seguiremos com a meta inicial. Para o segundo quartil, fizemos ajustes apenas nas partidas em que poderemos perder pontos. O que antes seria uma missão dificílima diante da conciliação de competições no calendário, com a eliminação na Copa do Brasil virou algo “apenas difícil”.

As vitórias exigidas contra Santos, CAG e Fortaleza, complicadas por serem véspera de Libertadores, agora admitem empates. Para compensar esses seis pontos, duas partidas fora de casa que admitiam derrotas por serem véspera de Copa do Brasil, agora exigem vitórias: SPFC e Ceará.

Esta previsão ainda dá uma margem de erro “para cima”: qualquer ponto conquistado contra o Atlético, no Mineirão (que também joga a Libertadores), será um lucro absurdo, porque além dos pontos extra para a barriga do porquinho do Abel, tirará pontos de um adversário direto.

Com estes ajustes, podemos manter a previsão de 18 pontos no quartil, fechando o turno com ótimos 40 pontos e ainda admitindo compreensíveis tropeços nos jogos logo antes das partidas de Libertadores. Segue sendo uma meta difícil de bater. Mas para ser campeão, a meta não pode ser fácil. VAMOS PALMEIRAS!

Aqui, criticamos Abel Ferreira. E criticar não é fritar.

Abel Ferreira concede entrevista coletiva após a eliminação na Copa do Brasil para o CRB.
Reprodução

O momento tático de Abel Ferreira no comando do Palmeiras é o mais irregular desde que assumiu o time, em novembro. Num momento de muitos desfalques, o time vem perdendo rendimento. Mas também jogou abaixo do que pode recentemente com o elenco completo.

Conforme suas próprias definições, o Palmeiras de Abel é, ou deveria ser, um camaleão que não aceita rótulos: nem propositivo, nem reativo; nem posicional, nem transicional. Não joga com linha de 3, nem de 4, nem de 5.

Um dos desafios de ser imprevisível é fazer com que os jogadores compreendam essa dinâmica e saibam se adaptar bem a todos os planos de jogo. A cada adversário, um programa diferente; um esquema diferente, uma formação diferente. E é necessário muito estudo por parte de atletas e comissão técnica para que as engrenagens girem.

Além disso, é necessário ter um elenco afiado, não só para ter as ferramentas corretas para cada proposta ou para rodar as peças em busca da manutenção física, mas também para repor as ausências causadas por lesões e as cada vez mais frequentes convocações.

Abel Ferreira parece estar encontrando dificuldades em todas as frentes. Quando não são as lesões e convocações, são os casos de Covid-19 que estão desfalcando o time – isso sem falar nas trágicas perdas de Edson e Cristiano, membros da equipe de apoio.

Neste momento, o time se encontra desfalcado de atletas fundamentais para a dinâmica coletiva, desde Weverton, que participa taticamente com seu bom jogo com os pés, passando pela liderança de Gustavo Gómez, pela velocidade de Viña e pela energia de Danilo e Patrick de Paula.

Mas mesmo com estes jogadores à disposição, o Palmeiras perdeu força, a ponto de ser batido pelo apenas mediano time do SPFC, que ainda está em processo de desenvolvimento do trabalho de Hernán Crespo, nas finais do estadual. A dificuldade se repetiu no clássico do último fim-de-semana, quando o Palmeiras, com desfalques, apenas empatou com o fraquíssimo time do SCCP, que deve lutar para não ser rebaixado no Brasileiro. Com ou sem desfalques, o rendimento caiu.

Uma via de duas mãos com problemas visíveis

Abel Ferreira tem potencial para ser o técnico mais longevo da História do futebol brasileiro. Há apenas sete meses no país, o português ainda não fincou raízes; sua família segue do outro lado do oceano. Mas se sentir que tem respaldo para implantar de fato sua filosofia no Palmeiras e que terá segurança para comandar o projeto por longos anos, essas raízes podem começar a se ramificar no solo da zona oeste da capital paulista.

Abel Ferreira durante partida do Palmeiras
Cesar Greco

É uma via de duas mãos. Abel precisa manter o grupo de atletas sob seu controle e entender a situação financeira do clube, as limitações de orçamento e fazer pedidos dentro da realidade. E claro, tomar as decisões corretas.

Obviamente, para que todo esse fluxo aconteça, a diretoria do clube também precisa fazer sua parte, vindo a público para manter o treinador respaldado e se esforçando de verdade para proporcionar ao comandante um elenco qualificado. Estão devendo.

Mas mesmo com o fraco trabalho de Anderson Barros e de Mauricio Galiotte, Abel pode mostrar mais. Suas escolhas nos clássicos contra SPFC e SCCP foram bastante questionáveis. Em duelos em que o Palmeiras, por sua maior qualidade, poderia ter se imposto, preferiu a cautela.

São oscilações de desempenho, não de potencial. Abel e sua comissão técnica já mostraram o que podem fazer; a decisão da Supercopa, contra o Flamengo, foi um grande momento de todo o grupo, apesar do resultado ruim. É preciso diferenciar erros pontuais de tendências.

Problema de cultura – ou da falta dela

Abel Ferreira comanda o Palmeiras no Allianz Parque
Cesar Greco

Nosso treinador não está acima do bem e do mal; ninguém está. Abel pode e deve ser cobrado, para que melhore. E isso não pode ser maliciosamente confundido com um processo de fritura.

Quem mais quer que o Palmeiras caia novamente no velho ciclo de demitir o treinador é a imprensa clubista – aquela fatia desonesta de profissionais que veste a camisa de clubes rivais por baixo e que usa de seus microfones para manipular a opinião das torcidas, aumentando a temperatura conforme seus interesses.

Abel Ferreira é grande, mas pode ser maior ainda. E infelizmente o disclaimer ainda é necessário: esta crítica tem a intenção de fomentar uma discussão nesta direção, não de fritá-lo. Abel precisa continuar mergulhado nos estudos e entender por que suas escolhas não foram as melhores nestes clássicos estaduais. Nosso treinador precisa, em sua auto-crítica, reconhecer seus erros, coisa que não fez nas entrevistas pós-jogo.

Ao mesmo tempo, Abel precisa de apoio da diretoria, na forma de respaldo público e de reforços verdadeiros.

E por fim, é necessário o apoio da torcida, que para isso, terá que evoluir em sua cultura sobre futebol e entender de uma vez por todas que a saída mais fácil, que é a troca, nem sempre é a melhor. Ainda mais quando temos à nossa disposição uma equipe profissional com tanto potencial – e que já nos deu um título que não vencíamos há muito tempo.

Insistir no ciclo de trocar o técnico a cada 7 ou 8 meses por uma oscilação não é mudar para melhorar. É continuar fazendo exatamente a mesma coisa.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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Universidad Católica será o adversário do Palmeiras na Libertadores; conheça todo o chaveamento.

A Conmebol realizou no início da tarde desta terça-feira o sorteio que definiu a chaveamento da Libertadores da América 2021.

O Palmeiras, líder do Grupo A e segundo colocado na classificação geral, ficou emparelhado com a Universidad Católica.

Todos os confrontos, bem como o caminho até a final, foram conhecidos após o sorteio. Um possível caminho do Palmeiras até a final, que será realizada no estádio Centenário em Montevidéo, envolve, na sequência após uma eventual classificação sobre a Católica, duelos contra o SPFC e o River Plate.

Por ter sido o segundo colocado na classificação geral, o Palmeiras terá a vantagem do mando no jogo da volta em todos os confrontos, exceto se o Atlético-MG, primeiro colocado, avançar às semifinais.

As oitavas-de-final da Libertadores vão acontecer nas semanas dos dias 14 e 21 de julho. Confira abaixo como ficou a chave da Libertadores até a final:

Brasileirão 2021: planejamento de pontos

Calculadora

Começa neste domingo mais uma edição do Campeonato Brasileiro e quem tem mais, tem dez. O Palmeiras parte em busca do hendecacampeonato e, como já é tradição no Verdazzo, lançamos nosso planejamento de pontos para servir de referência no decorrer da competição.

Com a redução do número de times “grandes” – 3 das 12 maiores camisas do país estão na Série B – a tendência é que dois ou três clubes se destaquem dos demais, mais uma vez contrariando a tendência histórica de muito equilíbrio e de campeão com pontuação em torno de 75 pontos.

Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG surgem como os maiores candidatos, com Grêmio, Inter e SPFC correndo por fora. E a pontuação básica para este cálculo será 83 pontos para ser campeão.

Lembrando sempre que este exercício apenas projeta os pontos de acordo com uma relação de forças subjetiva. No decorrer da competição, ao fim de cada quartil, a projeção será refeita com base no que terá de fato acontecido.

Primeiro quartil

Os primeiros dez jogos terão como principal estorvo as disputas das Eliminatórias e da Copa América. Com vários selecionáveis no elenco, o Palmeiras vai precisar recorrer ao elenco alternativo para manter-se competitivo. Felizmente, entre todos os concorrentes ao título, o elenco do Verdão parece ser o mais equilibrado, embora curto.

A estreia permite uma derrota para o Flamengo, o que faz com que qualquer ponto conquistado nesse jogo seja um enorme lucro, porque além de tudo tira pontos do concorrente direto.

Em meio à disputa da Copa do Brasil, o Verdão precisa iniciar uma recuperação, precisando ganhar cinco dos seis jogos seguintes, tendo como adversários mais difíceis Bragantino e SCCP. Dá pra encarar.

Nos três jogos finais, precisamos vencer o Sport fora e o Grêmio em casa, depois de poder perder no Beira-Rio, por motivos de: PORQUE SIM. A conta final do quartil precisa estar bem próxima de 22 pontos.

Segundo quartil

O Palmeiras abre o segundo quartil contra o Santos, à espera dos jogadores das seleções – alguns já devem estar de volta, já que apenas duas seleções chegam à final. Mas outro entrave vai complicar nosso planejamento: o início frenético dos mata-matas da Libertadores e da Copa do Brasil.

Abel Ferreira deve recorrer à fórmula que já ensaiou nas últimas semanas, também usada com sucesso por Felipão em 2018: desenvolver dois times bem definidos, um para os finais de semana, outro para os meios de semana.

Com jogos complicados em meio a duelos importantíssimos, a chavinha, enlouquecida, vai emperrar algumas vezes e será inevitável perder pontos. O quartil prevê seis vitórias e três derrotas.

A meta é encerrar o primeiro turno com 40 pontos, classificado para as semifinais da Libertadores e bem posicionado nas semifinais da Copa do Brasil.

Terceiro quartil

Teremos “apenas” cinco jogos de copas entre as dez rodadas deste quartil. Com a parte mais fácil da tabela à disposição, o Palmeiras precisa aproveitar e recuperar parte dos pontos perdidos no segundo quartil.

Os primeiros três jogos ainda acontecerão em meio às semifinais das copas e empates podem ser tolerados. Mas na sequência, será necessário vencer quatro jogos em sequência, contra Juventude, América, Bragantino e Bahia.

E teremos datas Fifa para atrapalhar, é claro.

Às vésperas das finais da Copa do Brasil, tropeços podem ser tolerados. Ao final do terceiro quartil, esperamos estar com 60 pontos, classificados para a grande final da Libertadores e com o pentacampeonato da Copa do Brasil na prateleira.

Quarto quartil

Os nove jogos finais serão disputados a partir de novembro. Caso o Palmeiras esteja classificado para a final da Libertadores, provavelmente a partida da rodada 34 será puxada para o dia 3 de novembro, uma solitária semana livre no calendário.

Nesta reta final, pode-se tolerar dois tropeços. Um deles, é claro, na semana da final da Libertadores – rodada 33, contra o SPFC. Essas semanas que antecedem à final em Montevidéo terão mais uma vez o estorvo das convocações para as seleções.

Um dos jogos-chave será contra o Atlético-MG no Allianz Parque. Este, sim: livre de qualquer empecilho, com as copas já encerradas e sem datas Fifa; a partir desta rodada, foco total no Brasileirão até a rodada 38.

Mas até lá, ainda tem muita coisa para acontecer e certamente esta previsão sofrerá alterações nos pontos de checagem aos finais dos quartis.

Conclusão

O calendário que começa no dia 29 de maio poderia começar no início de fevereiro num ano normal, sem as 15 datas dos inúteis estaduais. Seria de enorme valia para os atletas e clubes, que teriam mais tempo para trabalhar a parte tática e teriam menos riscos de lesões. O produto seria valorizado como um todo e as perdas das receitas dos estaduais seriam compensadas no médio e longo prazo. Mas isto é assunto para outra conversa.

A campanha proposta para se chegar ao título é de 83 pontos, com 25 vitórias, 8 empates e 5 derrotas. E é claro que é difícil, afinal, ser campeão nunca foi uma tarefa tranquila.

Fazendo este tipo de exercício nos últimos cinco anos, acompanhamos dois títulos rodada a rodada, e em três edições ficamos pelo caminho. Mas o campeonato fica mais divertido de acompanhar. Manter a referência viva ajuda a encarar os pontos perdidos com mais serenidade.

Retomaremos o tema na segunda semana de julho, ao final do primeiro quartil. Até lá, boa sorte pra nós e VAMOS PALMEIRAS!

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Exclusivo: Toninho Cecílio fala sobre suas passagens como jogador e dirigente do Palmeiras e relembra caso Thiago Neves

Por Gabriel Yokota

Oriundo das categorias de base do Palmeiras, Toninho Cecílio, que jogou no clube entre os anos de 1985 a 1992, conversou na noite desta terça-feira com exclusividade ao VERDAZZO e comentou sobre diversos assuntos. Toninho contou passagens de seu tempo como atleta, como gerente de futebol, caso Thiago Neves e sua visão sobre o trabalho de Abel Ferreira.

Tempo como atleta

Nascido em Avaré (SP), o ex-zagueiro chegou ao Palmeiras no começo de 1984 e, três anos depois, firmou-se na equipe principal como titular da zaga pelas mãos de Valdemar Carabina, um mito da zaga palmeirense.

“Fiz alguns testes contra o Sub-17 do clube, que tinha no elenco Gerson Caçapa, Edu Manga e Velloso. E o treinador era o Cidinho, ele era um técnico renomado na base, havia chegado do Guarani. Passe no teste e joguei o ano todo de 1984 na categoria Sub-17 e em 1985 já fui para o time de juniores”.

Toninho Cecílio

“Dois anos depois eu me firmei na equipe principal, Valdemar Carabina era o treinador e eu era muito raçudo e concentrado, errava pouco. Além disso, eu tinha uma condição física muito boa, não me machucava. Na semifinal do Paulista de 1987, contra o SPFC, eu estava em ascensão meteórica e se a gente tivesse ido para a final, talvez minha carreira decolasse de outra maneira. E aquela derrota foi um trauma, até hoje eu não me acostumei com isso. Eu não tenho nenhum problema de falar da fila, tenho maior orgulho do que fiz no Palmeiras, fui capitão e cheguei à Seleção Brasileira”.

Mesmo sendo identificado com a equipe e muito respeitado pela torcida, Toninho deixou o clube em janeiro de 1993 para atuar no Botafogo. Sobre sua saída, explicou:

“Teve muita coisa envolvida, principalmente no lado pessoal. Em 1992 meu pai teve câncer, eu o ajudei bastante e não terminei este ano bem. A derrota para o SPFC na final do Paulistão foi muito dolorosa e contribuiu para isso também. Então, juntando as coisas, eu não estava em um momento de equilíbrio”.

“Quando voltamos de férias, eu estava treinando normalmente, era parte do grupo. Mas aí ligou o Botafogo. O Palmeiras não queria que eu saísse e, pensando hoje, eu não iria. Foi a pior decisão da minha vida, não deveria ter deixado o clube naquele momento. O Botafogo queria muito, então eu conversei com a diretoria, falei para eles me emprestarem e depois eu voltava. Depois que sai do time carioca, era para eu voltar, mas veio o Cruzeiro, o momento passou e acabou não dando certo o retorno”

Gerente de futebol do Palmeiras e caso Thiago Neves

Depois de um 2006 ruim, o Palmeiras reformulou todo seu elenco para 2007 e, em março daquele ano, o clube trouxe Toninho Cecílio para a função de gerente de futebol, depois de trabalho de destaque no Fortaleza. Em sua passagem como gestor no Palmeiras, o ex-jogador conquistou o Paulistão de 2008 e ajudou a montar a equipe que, por dois anos, brigou pelo título Brasileiro (2008 e 2009).

 “Em janeiro de 2007 eu fui contratado como treinador do Guaratinguetá e estava fazendo um bom trabalho até que o Dr. Gilberto Cipullo me chamou para ser gerente no Palmeiras. Eu pedi então para eles esperarem mais uma semana, para eu livrar o time que eu estava do rebaixamento, e no mês de março cheguei ao clube. O Palmeiras já havia contratado alguns jogadores e o Caio Junior como técnico”.

“Quando o pessoal fala do Palmeiras pós-Parmalat, só falam da gestão Paulo Nobre até hoje. Esquecem dos três anos que eu estive ao lado do Genaro Marino, Savério Orlandi e toda a diretoria da época. Nós subimos o clube de patamar e o colocamos para brigar no topo”

Toninho comentou também sobre o episódio Thiago Neves, que assinou um pré-contrato com o Verdão, mas não cumpriu e foi jogar no Fluminense. Além disso, o ex-gerente falou sobre um tweet seu cobrando o jogador.

“Naquela época, ninguém conhecia o Thiago. Nós fomos atrás dele e fechamos um contrato. Eu dei R$ 400 mil na mão dele como luvas. Ele é um grande jogador. Existe o atleta e o homem, é diferente. O Thiago continuou se destacando no Paraná e o Fluminense colocou mais dinheiro na mesa e ele não cumpriu a assinatura. Depois de todo o imbróglio, o Palmeiras aceitou em deixar ele jogando no time carioca e em troca nós adquirimos o Lenny e alguns direitos, mas eu fui contra. Por mim nós iríamos para Fifa e não o deixava jogar”.

“Eu não gosto de se envolver em polêmica no Twitter, acho que essa foi a primeira vez. Ele fez isso comigo há 13 anos e ainda posa de bonzinho. E eu não vejo ninguém bater nele, o Thiago crítica quem o contrata. Então isso foi algo que me veio no momento, eu não me arrependo e foi algo que fiz com prazer!”

Abel Ferreira, por Toninho Cecílio

Atualmente, Toninho vem exercendo mais a função de treinador de que a de gestor. Nos últimos dez anos, o ex-atleta esteve à frente de vinte clubes. Questionado sobre o trabalho de Abel no Palmeiras, opinou:

“Eu acho Abel uma pessoa de ótimo nível. Ele é um treinador que, depois de uma partida, consegue explicar o jogo para o torcedor. Tem uma boa leitura da partida, mas a análise que ele fez das partidas contra o SPFC foi meio simplista. No entanto, para mim ele é um técnico que tem que ficar muitos anos no Palmeiras porque ele é jovem. Alguns erros que ele venha a cometer precisam ser perdoados. Ele tem poucos anos de carreira. Além disso, o Palmeiras é o primeiro gigante que o Abel treina, antes ele não tinha pego um time do tamanho do clube”

“Gosto também da alternância tática que ele apresenta. A tática é uma ferramenta importantíssima no futebol, você pode ganhar um jogo no intervalo só alterando o esquema, sem fazer substituições. Então, acho ele um grande técnico e que também ganhou lastro no clube, por conta dos títulos. É um cara do nível do Palmeiras”

Confira a entrevista por completo de Toninho Cecílio ao VERDAZZO: