Pagar aluguel para o SPFC é uma escolha incompreensível

Arena Sessions

O Palmeiras abriu mão de um mando no Campeonato Brasileiro ao solicitar à CBF que alterasse o local do clássico contra o Santos, no dia 23 de agosto, para o estádio do Morumbi.

A alegação é de que haverá um evento da série Arena Sessions – drive-in no gramado, com shows e filmes. A agenda do evento não contempla nada para o dia 23 em seu site oficial, mas haverá um show da dupla sertaneja Marcos & Belutti na véspera.

Uma das premissas para a troca do gramado natural para artificial era a rapidez com que eventos da véspera poderiam ser desmontados, aprontando o gramado para sua verdadeira razão de existir.

A não ser que o site esteja desatualizado, não há nada que aparentemente justifique abrir mão de um mando num clássico por causa de um show no dia anterior.

Nosso time tem uma casa. Nossos jogadores estão habituados com nosso gramado, com o vestiário, com as referências espaciais do estádio. Mesmo sem torcida real, o Allianz Parque continua sendo um diferencial para a conquista de vitórias e títulos.

Na ponta do lápis, a conta não parece alta para um orçamento como o do Palmeiras, de mais de R$ 500 milhões/ano. Os ingressos para o show variam de R$ 380 a R$ 650, o que pode projetar uma arrecadação bruta, contando eventuais receitas adicionais de consumo, de cerca de R$ 180 mil.

Descontando-se os cachês dos artistas, menos as despesas operacionais, menos o custo do aluguel do Morumbi, podemos chegar a um valor que permite questionar se não valeria a pena o Palmeiras negociar com a WTorre.

Além disso, a escolha do Morumbi como alternativa é altamente questionável. Desde 2007 o Palmeiras não manda jogos no estádio do SPFC, bem antes do Allianz Parque existir, por uma correta decisão estratégica de asfixiamento econômico do rival.

Ao decidir pagar aluguel para o SPFC para mandar um clássico, o Palmeiras faz uma escolha incompreensível.

Está claro que a operação do Allianz Parque sofreu um grande abalo devido à pandemia e que soluções criativas como a série Arena Sessions são alternativas inteligentes para manter a roda girando.

Mas a prioridade deve ser sempre o Palmeiras, ainda mais em clássicos. Ainda mais porque aparentemente não há show no dia do jogo e porque a conta é pequena. E ainda mais porque parte da grana vai para o SPFC.

  • Clique aqui para ver o retrospecto do Palmeiras no estádio do Morumbi.

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Após duas partidas, Palmeiras já é bastante cobrado. É justo?

Palmeiras 2x1 Água Santa
César Greco/Ag.Palmeiras

O futebol voltou no estado de São Paulo depois de mais de quatro meses de paralisação devido à pandemia da Covid-19. Após duas rodadas disputadas – as duas que restavam para ser concluída a fase de classificação – foram definidas as oito equipes que disputarão o título do campeonato paulista.

Mesmo perdendo o Derby na reabertura dos trabalhos, o Palmeiras conseguiu ultrapassar o Santo André e se classificou em primeiro lugar no grupo, o que garantiu ao Verdão o mando da partida nas quartas-de-finais. Mas o futebol apresentado deixou a desejar nas duas partidas, causando apreensão em boa parte da torcida.

Diante do SCCP o Palmeiras teve 61% de posse de bola no segundo tempo, após as instruções de Luxemburgo no intervalo, mas não conseguiu reverter a vantagem no placar do adversário. O grande nome do jogo foi o goleiro rival. Já ontem, contra o Água Santa, a posse de bola chegou a absurdos 83% no primeiro tempo, mas o time tampouco conseguiu chegar às redes de Giovanni. A virada só veio quando o time entrou em modo desespero, após sofrer um gol inacreditável.

A dificuldade que o time mostra para converter a posse de bola em gols assusta. Nas redes sociais já é possível notar termos como “mais um ano perdido” e quetais. Será que é para tanto?

Aprender a ganhar e também a perder

SCCP 1x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O pânico que se instala tem muito a ver com o resultado no Derby. O estrago causado por uma derrota no confronto contra nosso principal adversário é conhecido há décadas e nossa torcida não consegue se livrar desse efeito colateral.

Ninguém gosta de perder Derby e não se trata de pregar a indiferença ao resultado. Mas não podemos deixar que isso tenha um efeito tão prolongado.

Precisamos aprender a ganhar Derbies no campo tanto quanto precisamos aprender a perdê-los fora deles. A História mostra que as duas coisas acontecem em proporções idênticas.

A perspectiva fatalista que é traçada hoje devido aos resultados das duas primeiras partidas após quatro meses é absolutamente desproporcional. Foram apenas dois jogos e exige-se que o time esteja voando. É irreal.

Basta olhar ao redor

É claro que notamos ajustes a serem feitos nestes dois jogos. A saída de bola ainda precisa ser aprimorada. As jogadas pelos flancos podem ser mais frequentes, sobretudo usando os laterais, para furar retrancas.

As trocas de passes precisam ser mais ágeis. Nosso time ainda não consegue equilibrar disciplina tática e jogo pensado com rapidez e agressividade. A demora em se decidir o que fazer com a bola permite ao adversário se posicionar melhor e a barreira fica mais difícil de ser rompida.

César Greco/Ag.Palmeiras

Isso tende a vir com o tempo. Uma boa ocupação de espaços de forma coordenada é resultado de tempo. E ainda não houve tempo para que esse estágio fosse atingido, nem para nós, nem para ninguém.

Basta dar uma olhada a nosso redor. Nenhum dos grandes paulistas está jogando melhor que o Palmeiras; todos ainda estão brigando com a falta de ritmo e com a busca pelo melhor preparo físico, ainda com o entrosamento ainda em estágio inicial.

O único time que parece um pouco mais avançado é o Red Bull Bragantino – não por coincidência, o time da empresa de energéticos deu um jeitinho de furar a quarentena e recomeçou os treinos antes dos outros times.

E se ampliarmos um pouco o alcance do radar, constatamos que nos outros grandes centros tampouco há alguém jogando realmente bem nessa volta pós pandemia.

Todos estão com problemas e é natural que a diferença entre os times que se destacarão no Brasileirão e os que serão figurantes, neste momento, ainda não esteja pronunciada.

O Palmeiras precisa que a torcida, mesmo ausente dos estádios, seja um ponto de apoio do time. Cobramos que nossos jogadores sejam melhores que os dos adversários, mas não nos esforçamos para sermos melhores que as outras torcidas.

Entender o contexto da temporada, fazer as cobranças de forma equilibrada e ter maturidade para absorver rápido o impacto de uma derrota num Derby são alguns dos pilares desse esforço.

VAMOS PALMEIRAS!


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CBF e FPF divulgam datas; edições de 2020 podem invadir até o mês de março de 2021

A Federação Paulista de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol divulgaram esta semana as datas para realização das competições paralisadas em março em função da pandemia da COVID-19.

A FPF definiu que o estadual, que ainda precisa de seis datas para ser concluído, volta no próximo dia 22, terminando no sábado, dia 8 de agosto. Serão duas rodadas para terminar a fase de classificação, mais duas rodadas para as quartas-de-finais e semifinais (só jogos de ida), mais duas rodadas para as finais, em ida e volta.

A CBF, por sua vez, divulgou que pretende manter o Brasileirão com pontos corridos em turno e returno. As 38 rodadas serão alocadas entre 9 de agosto e 24 de fevereiro. Isso já causa um primeiro problema, relacionado aos finalistas do Paulistão, que precisariam ter seus jogos da primeira rodada do Brasileirão adiados, pois não podem jogar no dia 8 para decidir o estadual e no dia 9 começar a caminhada no nacional. Provavelmente terão seus jogos encaixados numa data de Copa do Brasil.

Considerando que o intervalo definido pela CBF compreende 29 semanas, temos 58 datas disponíveis, que podem ser distribuídas da seguinte forma: 38 para o Brasileirão, 11 para concluir a Copa do Brasil e ainda sobrariam 9 datas para as competições da Conmebol, que ainda não definiu seus calendários.

A Libertadores parou com duas rodadas da fase de grupos jogadas, necessitando ainda de onze datas para ser concluída. A Sul-Americana, por seu formato, também precisa de onze datas. Não se sabe ainda que critérios a Conmebol usará para preparar seus calendários e possivelmente as entidades precisarão fazer ajustes em seus planos para acomodar todas as disputas, que podem até invadir o mês de março.

O grande ajuste, que seria a adequação dos calendários ao europeu, não teve nenhum aceno, mas ainda não pode ser descartado.

É de se esperar bom senso da CBF no sentido de adiantar as partidas da Copa do Brasil o quanto for possível, para que tenhamos, ao menos, um grande campeão antes do final do ano.

Nem todos os clubes poderão receber as partidas em seus estádios por questões de segurança definidas pelas autoridades de saúde. Cidades classificadas como de risco maior para a saúde das delegações estão vetadas e os clubes precisarão recorrer a locais alternativos.

E claro: todos os jogos, por enquanto, deverão ser realizados sem a presença de público nos estádios. Mas ao menos servirão para aplacar a falta que o futebol vem fazendo nos corações dos torcedores.

Seguimos aguardando a definição dos calendários detalhados, com as datas e locais de cada jogo, principalmente os do Palmeiras. A primeira partida do Palmeiras deve ser o Derby em Itaquera, pela penúltima rodada da fase de classificação do estadual, podendo eliminá-los em caso de vitória ou empate. VAMOS PALMEIRAS!


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Nova ordem do futebol tem vaga na fase de grupos da Libertadores como sarrafo

Chupa Gambá

Que campeonato estadual não é um parâmetro muito seguro para prever o desempenho final de um clube numa temporada, todos estão cansados de saber, embora boa parcela da torcida ainda se deixe levar pelas tentações de pedir cabeça de treinador e de exigir reformulação total no elenco em caso de uma eliminação precoce. Aliás, para isso, basta perder um jogo.

Se um treinador não é mantido ao fim da temporada, bem como a base do elenco, é porque um novo ciclo está começando e os resultados não tenderão a chegar de imediato. É claro que existem os casos em que a química se estabelece rapidamente, mas são as exceções que consagram a regra. Para esses clubes, os primeiros meses do ano são de testes e experiências.

Nosso calendário é apertado e prevê fogueiras chatas de serem puladas para os times que não conseguem garantir uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores. As eliminatórias iniciais – chamadas por aqui de “pré-Libertadores” – já andaram fazendo suas vítimas nas últimas disputas. O ano de 2020 consagrou o primeiro bieliminado brasileiro nestas fases iniciais e o SCCP já virou freguês do Guaraní da capital paraguaia.

Pior ainda é a situação de quem não consegue vaga nem para essas chaves preliminares da Libertadores. Paralelamente aos estaduais, times de camisas tradicionais se veem obrigados a jogar ainda nas primeiras semanas do ano mata-matas pela Copa do Brasil e pela Sul-Americana, colocando em altíssimo risco os planejamentos esportivo e financeiro da temporada – e comprometendo até o ano seguinte em caso de fracasso precoce.

Vexames em profusão

Nem vamos mencionar o Cruzeiro, cuja torcida arrotou por anos a condição de “incaível” e hoje está afundado nos problemas causados por seus dirigentes corruptos, tornando-se um candidato fortíssimo a ser o primeiro clube grande a não subir para a Série A após uma queda.

O Inter suou, mas conseguiu vencer as fases preliminares e caiu no grupo do rival Grêmio, como quarta força da chave. Se tivesse se garantido direto na chave, pelo menos teria a chance de estar num grupo mais ameno.

O futebol carioca, com a óbvia exceção do Flamengo, vai dançando miudinho neste início de temporada. O Vasco vai avançando com apertos: empate com o Altos do Piauí na primeira fase da Copa e vitória magrinha em casa sobre o Oriente Petrolero, para garantir com um 0 a 0 a vaga na segunda fase. O Botafogo só tem a Copa do Brasil, já que não pegou nem Sul-Americana, e avançou nas duas primeiras fases com empates suados contra Caxias e Náutico – na segunda fase, passou nos pênaltis. O Fluminense já foi eliminado na Sul-Americana pelo inexpressivo La Calera do Chile e passou pelo Moto Club quando chegou a estar perdendo por 2 a 0. É muito sufoco.

E o grande vexame destas primeiras semanas de 2020 é o Atlético-MG, que conseguiu no espaço de uma semana ser eliminado das duas competições: tomou um sacode do pequeno Unión Santa Fé na ida e não conseguiu reverter na volta, para uma semana depois ser eliminado nos pênaltis pelo modestíssimo Afogados da Ingazeira na segunda fase da Copa do Brasil. Trabalhos em início colocados à prova muito cedo fracassam e comprometem demais o resto do ano.

Premiação aumenta o degrau

Flamengo 1x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Enquanto esses clubes contabilizam os prejuízos esportivos e financeiros de ficarem de fora das fases agudas das copas, Palmeiras, Flamengo, Santos, Grêmio, SPFC e Athletico-PR se preocupam sem muita pressão em desenvolver seus times para os próximos meses. Um eventual fracasso nos estaduais não será nenhum desastre para esses clubes, já que este tempo tende a ser muito mais bem aproveitado para acertos no time. Sobretudo para os clubes que trocaram de treinador, casos de Palmeiras, Athletico e Santos, esse período sem tanta pressão vale ouro.

A premiação por estar nas fases mais adiantadas estão garantidas – pelo menos até um certo ponto, já que esses clubes, além da vaga direta na Libertadores, já entram direto nas oitavas da Copa do Brasil – se derem sorte, podem ainda pegar um confronto fraco e ter o caminho até as quartas bem facilitado. Sucesso financeiro e esportivo à vista.

O aumento súbito das premiações nos últimos anos cria um degrau financeiro entre os clubes. Quem está na parte de cima, tende a continuar; quem está na de baixo, tende a descer mais. É muito difícil imaginar como um time endividado, com orçamento apertado, consiga montar um time competitivo para ficar entre os oito primeiros e reverter a tendência para os anos seguintes sem as premiações gordas que deixam de alcançar. De todos, o que tem mais chance disso é o SCCP, porque ganha muito dinheiro das televisões.

Eis o sarrafo

Palmeiras 1x2 Grêmio
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O melhor caminho para se estabilizar na elite nesta nova ordem do futebol brasileiro, que não comporta mais doze clubes grandes mais as surpresas e ficará restrito a seis ou sete clubes se revezando nas conquistas, é conseguir a vaga direta na Libertadores todos os anos. E Palmeiras e Grêmio têm sido os clubes mais bem sucedidos nessa tarefa nos últimos cinco anos – são os únicos clubes que entraram direto na fase de grupos desde 2016. O Flamengo vem conseguindo alcançar esta meta nas últimas quatro temporadas.

O mata-mata do estadual é uma disputa traiçoeira, ainda mais com as arbitragens da FPF. Não podemos cair nas armadilhas de uma eventual eliminação. A imprensa tecerá suas artimanhas e parte da nossa torcida vai embarcar. Que seja uma parcela pequena, que o grosso da torcida palmeirense saiba avaliar a temporada olhando para o quadro completo e não focando num pequeno torneio de 20% da temporada e de prestígio duvidoso, que sobrevive apenas devido às grandes rivalidades construídas no passado.

Nosso foco precisa estar nas grandes conquistas, e para isso, o objetivo neste momento é desenvolver o time para chegar forte na briga pelos três troféus mais importantes da temporada. E assim como no ano passado, se tudo der errado, na pior das hipóteses é absolutamente necessário chegar na vaga direta da Libertadores. Falhar nesta meta é que significa o fracasso total da temporada. Não à toa, os times que não alcançaram este objetivo mínimo em 2019 parecem bem pouco cotados para conquistar o Brasileirão de 2020.

VAMOS PALMEIRAS!


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Com Luxa, Palmeiras mostra perda de prestígio, mas segue postulante a títulos

Duas semanas após demitir Mano Menezes, o padrasto, o Palmeiras anunciou finalmente seu técnico para a temporada 2020. Ao ver frustrada a tentativa de trazer Jorge Sampaoli para o clube, o Verdão optou por dar mais uma chance a Vanderlei Luxemburgo, que fez uma campanha relativamente boa no Vasco, depois de mais de um ano desempregado.

Luxa treinará um time de ponta novamente após dez anos. Seu último comando num time realmente forte foi efetivamente em 2008/2009, quando passou pelo Palmeiras, conquistou o título estadual e passou perto de conquistar o Brasileirão – acabou agredido pela organizada no aeroporto; o time sentiu a pressão e perdeu rendimento nas rodadas finais.

Ao lado de Felipão e de Osvaldo Brandão, Vanderlei Luxemburgo é um dos maiores vencedores da História do Palmeiras. Sob seu comando, o Verdão conquistou dois Brasileirões, um Torneio Rio-SP e quatro estaduais – numa época em que eles eram bem mais valorizados. O título paulista de 1993, por tudo que o cercou, é tido como um dos mais importantes de todos os troféus levantados pelo Palmeiras. Além disso, dois dos maiores esquadrões de nossa galeria tiveram sua assinatura: o time bicampeão paulista e brasileiro de 93/94; e o avassalador campeão paulista de 1996, que marcou 102 gols em 30 partidas.

Parece ter sido apoiado nessa história vencedora que Luxemburgo foi contratado, após as negociações com Sampaoli terem feito água. O veterano treinador, a despeito de ter deixado o candidatíssimo a rebaixamento Vasco da Gama na zona intermediária da tabela, não parece ter evoluído com os conceitos táticos do futebol contemporâneo. É verdade que teve poucas chances de mostrar todo seu potencial os últimos dez anos. O Palmeiras de 2020 será sua última chance.

Perda de prestígio

Mauricio Galiotte
Fernando Dantas/Gazeta Press

Depois de ter frustradas três tentativas para contratar um diretor de futebol para o lugar de Alexandre Mattos, o Palmeiras ficou com o “plano D”, Anderson Barros. Na sequência, passou por mais um grande desapontamento ao ver a recusa de Jorge Sampaoli – disfarçada de pedida astronômica.

O Palmeiras, de astro do mercado, objeto de desejo de dez entre dez profissionais, agora é o número dois no potencial – algo até natural na dinâmica do esporte, já que poucos conseguem se manter no topo por muito tempo. Só que o Verdão já não é nem a segunda escolha entre os melhores executivos e treinadores.

Profissionais renomados hoje ponderam o trabalho na Academia de Futebol. É sabido que a pressão dentro do Palmeiras é desproporcional, maior do que em qualquer outro clube. A torcida apedreja ônibus e ameaça treinador de morte. A imprensa tem uma má vontade natural com tudo que envolve nosso dia-a-dia. As arbitragens vivem nos roubando livremente. Os tribunais brincam em nossas denúncias e julgamentos. E os rumores de problemas financeiros e de ingerência de neófitos na direção são recorrentes.

Com esse cenário, mesmo com um elenco ainda muito profícuo, não é difícil compreender porque só profissionais em baixa, com perspectiva curta, aceitaram trabalhar por aqui.

Mesmo assim, dá pra ganhar

A célebre preleção de Luxemburgo, vazada na internet, antes da partida entre Flamengo e Vasco no Brasileirão (4 a 4), mostra que o jeito de liderar um grupo permanece o mesmo – há onze anos, uma fala muito parecida foi registrada no vestiário antes do Palmeiras golear a Ponte Preta por 5 a 0 e conquistar o estadual de 2008. Em sua primeira passagem, a energia vista antes da prorrogação do Paulista de 93 foi latente e o Palmeiras foi campeão depois de dezesseis anos.

Isso, não tem modernidade que mude. E com um elenco que segue sendo bom – e para o qual, esperamos reforços – a possibilidade de triunfo é bem palpável, sobretudo nos mata-matas, quando uma de nossas maiores queixas em relação a nosso time foi a falta de pegada.

Mas é impossível não se encher de dúvidas quando traçamos as perspectivas para o Brasileirão. Luxa talvez seja suficiente para liderar um grupo de forma competitiva para chegar aos 75 pontos, quem sabe 80. Ficaremos, certamente, entre os dois ou três primeiros, mais uma vez. Mas será suficiente para o título?

A competição está mais complicada com a ascensão do Flamengo e nossa meta, hoje, tem que ser perto de 90 pontos. Se o atual campeão brasileiro não sofrer uma queda de rendimento, parece difícil acreditar que nossa campanha sob o comando de Luxemburgo será páreo. E o Palmeiras não pode se contentar em se posicionar com postulante ao título confiando numa queda do rival. Temos que acompanhar a subida de nível. Esse é o maior desafio de Luxemburgo, e estaremos torcendo muito para que ele surpreenda e eleve o rendimento do Verdão também nos pontos corridos.

Afinal, se torcemos até para o time sob o comando do Mano Menezes, como não apoiaremos um time comandado pelo pofexô, ca pica apontada po xéu? VAMOS PALMEIRAS!


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