A culpa é do Palmeiras, como sempre

O vice-presidente da CBF, Francisco Noveletto, comentou as declarações do técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, acerca do calendário do futebol brasileiro. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o dirigente, ligado ao Internacional, relativizou as reclamações de Abel.

Na visão do dirigente, o Palmeiras errou por querer disputar todas as competições com a intenção de vencê-las.

“Quem mandou ele ganhar tudo? Vê se o presidente do Palmeiras ou algum dirigente abre mão. Ele não é obrigado a jogar. Ele quer ganhar. Ele pode abrir mão. Ele não é obrigado. Mas não. Ele precisa fazer caixa, ganhar prêmio da CBF, ganhar prêmio de quem patrocina o campeonato. A CBF vai pagar 60 milhões, 90 milhões para a Copa do Brasil, Libertadores 20 milhões. É tudo assim. Então, eles não são obrigados. Quem mandou ele ganhar? Vamos ganhar só metade para não ter esse problema”

O comentário é bizarro, mas reflete bem o preparo dos dirigentes esportivos do Brasil. Sugerir que um clube deva incluir em sua estratégia entregar algum jogo para ser eliminado de uma competição para poder se manter competitivo em outras é exatamente o que parece: uma auto-declaração de incompetência.

Ironicamente, o planejamento do Palmeiras para 2021 parece caminhar exatamente nessa direção, sacrificando o campeonato paulista para que os atletas, extenuados, possam regenerar suas energias ao mesmo tempo em que o treinador possa ter algumas semanas livres para desenvolver um projeto tático mais sólido.

O Palmeiras teve o desplante

Um dos deveres da CBF é exatamente elaborar o calendário de forma racional e planejada. Incompetentes, não conseguem. De forma amadora, jogaram com probabilidades – e de fato, a tentativa de encaixar tudo até daria certo, não tivesse o Palmeiras o desplante de avançar em todas as competições até o final.

Assim, a culpa acabou sendo… do Palmeiras!

Abel Ferreira vem escancarando o que todos nós, no fundo, sempre soubemos. Mas ele é um profissional que vem de outro país, com outra cultura, e está dirigindo o clube de maior sucesso atualmente no futebol brasileiro. Sua personalidade combativa faz o resto, e suas declarações, se forem tratadas com honestidade, precisam deflagrar uma discussão séria acerca dos rumos do futebol brasileiro.

Há vários caminhos possíveis. Temos competições em excesso, fórmulas com jogos em excesso e clubes em excesso. Todas essas variáveis estão aí para serem discutidas. Mas para isso, precisamos de dirigentes qualificados. O futebol brasileiro precisa de líderes.

Enquanto isso não acontecer, a culpa continuará sendo do Palmeiras.


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Crise do coronavírus joga uma grande oportunidade no colo do futebol brasileiro

A pandemia do coronavírus que assola o planeta já forçou as autoridades esportivas a cancelarem a realização de diversos eventos, de futebol a Fórmula 1, de NBA ao Circuito Mundial de Surfe.

A pandemia, que teve os primeiros casos registrados na China e se espalhou pela Europa predominantemente através da Itália e da Espanha, está atingindo números preocupantes no Velho Continente.

Aqui no Brasil, a disseminação ainda está em estágios iniciais, mas as projeções não deixam dúvida de que é apenas questão de tempo, sobretudo porque as medidas de suspensão de eventos onde há aglomeração de pessoas demoraram a ser tomadas. É bastante provável que o número de pessoas infectadas seja muito maior do que se supõe e que o ciclo de alastramento atinja em algumas semanas os mesmos níveis que já se verificam na Europa.

Nosso futebol, como não poderia deixar de ser, já foi afetado. A FPF finalmente anunciou na manhã desta segunda-feira a paralisação do estadual. Outras federações já fizeram o mesmo. A CBF já anunciou a suspensão dos jogos dos campeonatos sob sua organização direta, sem data definida para a retomada. O Brasileirão, se já tivesse começado, também estaria paralisado. A competição está agendada para ter início no dia 3 de maio, com as 38 rodadas costumeiras.

A peça mais importante do quebra-cabeças

É impossível planejar com exatidão qualquer alteração no calendário do futebol neste momento. A peça mais importante do quebra-cabeças é a data em que a pandemia será decretada sob controle e que o mundo pode voltar ao normal.

Somente depois desse anúncio é que o planejamento poderá ser oficializado. Mas isso não nos impede de projetar algumas soluções.

Os estaduais são os problemas menos importantes. Se necessário, decreta-se o fim da disputa e as edições de 2020 ficam sem campeão. Pouca gente relevante vai ficar insatisfeita.

A Libertadores, a Copa do Brasil e o Brasileirão precisarão ser encaixados nas já escassas datas disponíveis, sobretudo porque as competições entre seleções estrangulam ainda mais a grade. Será necessária uma grande coordenação entre as confederações nacionais, continentais, e a FIFA, para vencer o desafio.

Identificar oportunidades na crise

Sede da CBF

Não é de hoje que enfrentamos problemas no calendário. A falta de sincronia entre os calendários do Brasil com o da Europa é um problema que afeta bastante o planejamento de nossos clubes.

Culturalmente, temos enraizado o conceito de “campeão do ano” em nosso país. Esse é um dos fatores que sempre serviram como justificativa para evitar que a ideia de ajustar o calendário brasileiro ao europeu fosse levada adiante. Mas com a popularização cada vez maior das ligas europeias nas grades da TV brasileira, isso já deixou de ser um empecilho.

A favor da medida, temos vários fatores:

  • competições entre seleções, como Copa América, Euro e Copa do Mundo, que acontecem em julho (não por acaso), não interromperão mais nossas temporadas. Jamais esqueceremos do “efeito Copa América” no Palmeiras em 2019;
  • jogadores que voltam da Europa no meio do ano poderão tirar férias ao mesmo tempo que os jogadores no Brasil e não haverá problema de defasagem ou de sobrecarga física;
  • o mercado fica muito mais claro, com a janela do meio do ano se tornando muito mais importante e a do fim do ano dedicada apenas a pequenos ajustes. Isso tende a diminuir a aleatoriedade e premiar o planejamento. Mais uma vez, o ano de 2019 se encaixa no exemplo.

Caiu no colo

A chance está aí, se atirando em nossos braços. A hora de lançar a primeira temporada do futebol brasileiro começando em agosto e terminando em junho caiu no colo dos clubes e da CBF. O tempo que se “perderia”, outra desculpa usada para rejeitar a medida, está sendo forçado a ser jogado fora pela pandemia.

Não sabemos ainda quando o mundo voltará a girar normalmente, mas fazer planejamento de forma antecipada é sempre uma boa prática. Que nossos dirigentes aproveitem a oportunidade e reorganizem a grade de jogos. E se der tempo, que se joguem as partidas finais dos estaduais.

Mas só se der tempo.


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Avanço e coincidências atrapalham o Palmeiras no Brasileirão

The Who arrepiou no Allianz Parque, em 2017

Em novembro próximo, o Allianz Parque completará cinco anos de atividade. O estádio, inaugurado em 19 de novembro de 2014, é um marco no renascimento do Palmeiras e uma fonte de renda fundamental para o clube nas próximas décadas, como já pudemos ver neste post.

A característica multiuso do estádio atrai a realização de grandiosos shows que são agendados, às vezes, com quase um ano de antecedência. A página oficial do Allianz Parque, cuja gestão é da WTorre, mantém o calendário de concertos disponível ao público.

Neste momento, a eclética agenda prevê atrações para todos os gostos: Paul McCartney em março, Star Wars In Concert em abril, BTS e Los Hermanos em maio, Sandy & Júnior em agosto e Shawn Mendes em novembro.

Como já é costume desde a inauguração, o Palmeiras precisa fazer alguns sacrifícios na temporada e mandar jogos fora do Allianz Parque por conta desses compromissos. Neste período, foram 20 partidas em outros estádios, média de 5 por ano – destas, 19 foram no Pacaembu e uma na Fonte Luminosa, em Araraquara. Não houve prejuízo técnico: a campanha foi de 14 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas.

Problemas à vista

Para este ano, o Pacaembu está fora do roteiro do Brasileirão. Ao fazer uma inédita exigência na iluminação dos estádios, a entidade condicionou a permanência do velho Municipal à altamente improvável reforma do sistema, dado que a Prefeitura claramente tem outras prioridades.

Isto faz com que o Palmeiras precise buscar alternativas para receber os jogos em que haja conflito de agenda. Até a rodada 33, é permitido recorrer a cidades em outros estados

O lado bom é que torcedores de outras praças, que raramente têm a chance de receber o Verdão, poderão assistir nosso time de pertinho – muitos, pela primeira vez.

Resta saber quais estádios atendem às especificações da CBF e dispõem de um estádio cujo sistema de iluminação atinjam 800 lux – a nova exigência da CBF.

Jogos comprometidos

A CBF divulgou a tabela básica do Brasileirão, com todos os jogos marcados provisoriamente para domingos e quarta-feiras – as datas definitivas são marcadas após a deliberação da RGT. Três jogos do Palmeiras parecem comprometidos e demandarão esforços de nossa diretoria junto à CBF para que o Allianz Parque possa recebê-los. Clique aqui para acessar o calendário geral de jogos divulgado pela CBF e acompanhe a resolução do quebra-cabeças.

1) vs. Santos
O show da banda Los Hermanos (18 de maio) vai obrigar o Palmeiras a jogar contra o Santos fora do Allianz Parque, marcado para o dia 19, na quinta rodada. O Pacaembu pode ser usado se o jogo for marcado para as 11 da manhã, se é que esse horário será reeditado este ano. Uma alternativa seria puxar o jogo para o meio da semana, dia 15, uma das três datas previstas para as oitavas-de-final da Copa do Brasil, o que demandaria alguma ginástica de nossa diretoria para que a CBF nos atenda e marque os jogos de Palmeiras e de Santos para as outras duas datas, dias 22 e 29 de maio.

2) vs. Fluminense
O show de Sandy & Júnior está marcado para o sábado, dia 24 de agosto e a tabela prevê a partida contra o Fluminense para o domingo. Talvez houvesse tempo hábil para que o jogo fosse realizado na segunda à noite, mas há o impeditivo que esse horário é do SporTV, que não pode fazer a transmissão porque o Palmeiras vendeu os direitos de TV fechada para o grupo Turner. Mais uma vez, o horário das 11 da manhã permitiria o uso do Pacaembu. O Plano B seria adiar o jogo para o dia 18 de setembro, data prevista para a final da Copa Sul-Americana, contando que o time carioca já estará eliminado.

3) vs. Flamengo
No dia 1 de dezembro, na rodada 36, enfrentam-se dois dos grandes candidatos ao título: Palmeiras x Flamengo. Nos dias 29 e 30 de novembro, o estádio receberá o show do cantor Shawn Mendes. De novo, o horário da manhã resolveria o problema e o Municipal poderia ser o palco do jogo. As datas mais próximas que permitiriam uma manobra no calendário seriam os dias 13 e 20 de novembro, inicialmente vagas, por conta de estarem compreendidas entre datas FIFA.

Esta partida, especialmente, precisa de uma saída a todo custo, a começar pela óbvia importância técnica para o campeonato. Mas por ser um jogo nas cinco rodadas finais do campeonato, o Palmeiras sequer teria a chance de mandar em outro estado, restando, como alternativas, apenas o Morumbi e o Itaquerão. Uma catástrofe!

Avanço do futebol e coincidências

Sede da CBF

A exigência de 800 lux pode ser considerada um avanço no futebol brasileiro, a não ser pelo fato de que poucos estádios país afora satisfarão à determinação, concentrando a realização dos jogos nos grandes estádios, reformadas ou construídas para a Copa de 2014. Barueri, uma alternativa natural aos estádios da capital paulista, ainda não atende à nova exigência.

Por uma grande coincidência, justo o Palmeiras, por mandar seus jogos num estádio que sabidamente é palco de grandes shows, acaba sendo muito prejudicado por não poder mais contar com o Pacaembu como estádio substituto, nessas ocasiões.

Também por uma grande coincidência, um dos jogos-chave do campeonato, a três rodadas do fim, foi marcado para uma data em que já é sabido que haverá um show no estádio. De quebra, o jogo contra o Fluminense, outro time da cidade onde fica a sede da CBF e da RGT, também foi marcado para uma data que coincide com show no Allianz Parque.

À diretoria do Palmeiras cabe, agora, exercitar a política e defender mais uma vez os interesses do clube, tanto junto à WTorre, para que seja criteriosa na marcação de novos shows até o final do ano, quanto (e principalmente) junto à CBF, no sentido de remanejar os jogos em que o clube será obrigado a mandar as partidas fora de nosso estádio.

Eventualmente, o Palmeiras poderia até estudar um projeto para ajudar a viabilizar a reforma do sistema de iluminação do Pacaembu, já que a prefeitura se recusa a custear a adequação, num primeiro momento.

O que não podemos é permitir que essas coincidências atrapalhem nosso caminho rumo ao 11º título brasileiro. Os problemas já estão definidos com muito tempo de antecedência. Dá pra resolver.


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Alguém continua não fazendo o que deveria fazer

Copa do BrasilAmanhã teremos os dois jogos de volta das semifinais da Copa do Brasil. No Mineirão, o Palmeiras terá a difícil missão de reverter a vantagem de 1 a 0 que o Cruzeiro abriu há duas semanas, no Allianz Parque; no Itaquerão, a ORCRIM local tenta fazer valer o fator campo para vencer o Flamengo – empate levará a decisão para os penais.

Quatro dos cinco maiores vencedores históricos da competição chegaram ao funil. São camisas muito pesadas e o prêmio recorde para a competição (R$ 50 milhões para o campeão) faz com que o interesse dos clubes, torcidas e imprensa seja redobrado – e também levanta muitas suspeitas.

Mando de campo

A Copa do Brasil deste ano já está sendo marcada por uma decisão bastante questionável, mas que a imprensa bovinamente deixou passar: a definição do mando de campo, feita através de sorteio.

Com o fim da regra do gol qualificado, decidir em casa tem um peso muito grande num mata-mata. O tal do “gol fora” desagrada a muita gente, sabe-se lá por que, mas é um instrumento que tem a função de equilibrar as chances num confronto eliminatório. Descartar esse critério só faria sentido se o mando de campo fosse decidido por méritos técnicos – o Ranking Nacional de Clubes, por exemplo.

Sorteio Copa do BrasilA CBF, no entanto, decidiu entregar a vantagem do mando às bolinhas que rodam em seus globos. Isso faz com que o fator “sorte”, partindo do princípio que os sorteios não são manipulados, tenha um peso muito maior para se chegar a um campeão, o que por si só já desvaloriza o campeonato.

E como estamos falando de uma entidade que não goza da menor credibilidade junto a ninguém, tal decisão, exatamente num ano em que o volume de dinheiro a ser distribuído subiu de forma assustadora, deixa um pulguedo atrás de nossas orelhas.

Intimidade

A proximidade da diretoria do SCCP com a CBF é assustadora. Desde que Andrés Sanchez implodiu o Clube dos 13, há quase 8 anos, a ORCRIM de Itaquera passou a receber presentes de todos as maneiras: em forma de estádio, de verbas da TV desiguais, e de arbitragens que decidem campeonatos. Parece que agora recebe também mandos de campo, com o bônus do fim do gol qualificado. É muita intimidade.

Juízes e bandeirinhas que erram contra o SCCP são imediatamente punidos – às vésperas de uma decisão de vaga na final, que já renderá R$ 20 milhões aos classificados, o auxiliar Christian Passos Sorence não assinalou impedimento de Leandro Damião no último domingo, quando o Inter abriu o placar em Itaquera, e foi “rebaixado” para a Série B, onde os pagamentos por partida são menores. Melhor recado não poderia existir.

A lembrança do choro do árbitro Thiago Duarte Peixoto logo após o Derby do Paulistão 2017 em Itaquera, quando expulsou erradamente o volante Gabriel, é aterradora. Os juízes já sabem quem é o protegido, quem não pode jamais ser prejudicado.

O SCCP já ganhou um campeonato do Palmeiras este ano na mão grande – o 8 de abril jamais poderá ser esquecido, mesmo que nossa diretoria tenha considerado a “missão cumprida” ao ter o pedido de impugnação negado pelo STJD. Já havia roubado um Brasileirão em 2017 na operação casada de Heber Roberto Lopes e Anderson Daronco, e será algo delicado fazer o mesmo pela terceira vez seguida. Por isso, a ordem parece ser evitar um Derby na final da Copa do Brasil a qualquer custo.

VAR não é problema

Wagner Reway anula gol legítimo de Antônio CarlosDe início, o consórcio formado por RGT e a ORCRIM refutaram o uso do VAR. Enquanto a votação dos clubes da Série A, liderada pelo SCCP, barrava o uso da tecnologia para dificultar a manipulação de resultados pelas arbitragens, os profissionais da emissora, capitaneados por Galvão Bueno, colocaram mil e um defeitos no sistema. Até que perceberam que, com um pouco de treino, dá para burlar o sistema.

A anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, que deixaria o placar igualado no Allianz parque, é a prova cabal que o VAR é uma ferramenta que só vai funcionar nas mãos de gente que não esteja disposta a manipular resultado nenhum. Havendo determinação, o VAR é como uma flor nas mãos da vítima diante do ladrão armado.

Não adianta protestar

Mauricio GaliotteDiante de mais um assalto, o Palmeiras fez o de sempre, pela milésima vez: juntou o material e fez um protesto formal na CBF. Tudo isso, depois de reunir um dossiê mais que completo com ajuda da Kroll para evidenciar que houve interferência externa na final do Paulista. Nada adianta.

Sem força nos bastidores, o Palmeiras vai continuar sendo assaltado, na mão grande. Nenhum de nós, mortais, sabe o que acontece por trás daquelas cortinas, mas um presidente de clube tem que saber.

Alguém continua não fazendo o que deveria fazer.


Semifinais da Copa do Brasil


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Conselho Técnico faz reunião desastrosa e já começou a estragar o Brasileirão

Em reunião realizada ontem na sede da CBF, no Rio de Janeiro, o Conselho Técnico de clubes deliberou sobre três pontos polêmicos acerca do regulamento do Brasileirão de 2018. Em todas as decisões, a escolha foi a mais errada possível.

Em vez de zelarem pela esportividade e pela a lisura da competição, os clubes tomaram decisões que visam apenas o aspecto econômico, além de darem margem a picaretagens e injustiças. Vamos a elas.

Gramado sintético

Gramado Sintético da Arena da Baixada
Agência Estado

Na reunião de 2017, havia sido decidido que o Atlético-PR, único clube da Série A que tem estádio com gramado artificial, teria um ano para replantar o gramado natural e que a partir de 2018 a Arena da Baixada, bem como qualquer outro estádio com jogos pelo Brasileirão, deveria ter gramado natural. A decisão havia sido tomada porque os clubes entenderam que o clube paranaense tinha vantagem técnica ao mandar seus jogos num gramado que altera significativamente a disputa da partida.

O Atlético trabalhou nos bastidores para que os clubes votassem por derrubar esse veto a partir deste ano, usando como argumento a fraca campanha de 2017. Ou seja, de um ano para outro, o gramado deixou de alterar o andamento do jogo porque o Atlético montou um time ruim no ano passado.

Assim como o Allianz Parque, a Arena da Baixada tem problemas com o gramado diante da falta de luminosidade causada pela cobertura do estádio. O Palmeiras luta, mas mantém o gramado natural. O Atlético se pendura na regulamentação da FIFA, que permite o uso de grama sintética, desde que dentro de determinadas especificações. O erro, no caso, é muito mais da FIFA, que dá brecha para esse tipo de aberração esportiva. O Atlético apenas se aproveita dessa brecha e conta com a conivência dos outros clubes brasileiros, que poderiam sustentar o veto, mas por algum motivo preferiram ceder..

Mando de campo fora da cidade de origem

Flamengo x Palmeiras, em Brasília
Adalberto Marques/ Agif/Gazeta Press

O estrago continuou quando os representantes dos clubes decidiram revogar a proibição de mandar jogos fora de sua cidade e até mesmo de seu estado de origem. Isso permitirá que clubes com menor poder de arrecadação  tenham oportunidades de levar as partidas para outras praças onde o visitante tende a ter torcida forte, e assim lucrar com a torcida adversária.

Além de provocar claro desequilíbrio técnico gritante no campeonato, a medida visa casuisticamente proteger os times do Rio de Janeiro, que por motivos culturais enfrentam problemas para atrair suas torcidas aos estádios cariocas. Um certo lobby das administrações dos grandes elefantes brancos construídos para a Copa de 2014 também deve ter funcionado, e desta forma veremos muitos jogos em Brasília, Cuiabá, Natal e Manaus.

Para não deixar escancarado, algumas restrições foram impostas:

  • os times só poderão mandar cinco jogos fora de seu estado de origem;
  • o mando fora do estado de origem pode ser vetado pelo visitante;
  • a prática está vetada nas últimas cinco rodadas do campeonato.

Árbitro de vídeo: um sonho adiado

VARO ponto mais importante da reunião, claro, foi a deliberação a respeito da adoção do VAR – o chamado “árbitro de vídeo” – nas partidas do Brasileirão. Por 12 votos contra 7, o VAR foi rejeitado para o Brasileirão 2018. Votaram a favor o Palmeiras, mais Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio e Inter. Contra o VAR, votaram SCCP, Santos, Vasco, Fluminense, Cruzeiro, Atlético-MG, América, Sport, Atlético-PR, Paraná, Ceará e Vitória. O SPFC não votou porque é café-com-leite.

A CBF determinou que, caso quisessem adotar o sistema, os clubes é que precisariam arcar com os custos, avaliados em R$ 20 milhões – o que daria R$ 1 milhão por clube para ter o VAR em todas as partidas do campeonato. Essa imposição teria sido a razão para que alguns clubes desistissem de usar o recurso.

Palmeiras x Cruzeiro - gol de Borja anuladoDa forma como tudo aconteceu, a CBF parece pouco ou nada interessada na adoção do VAR. Seria muito interessante ter acesso à planilha de custos estimados para chegar ao valor médio, por partida, de mais de R$ 50 mil para montar uma estrutura de replay e comunicação, composta por profissionais qualificados. Parece bem pouco provável que as cifras sejam tão altas.

E mesmo que sejam, a CBF tem por obrigação usar seus próprios recursos para que seu principal campeonato não seja decidido por erros de arbitragem, como aconteceu no ano passado e outras tantas vezes. Afinal, pra que mesmo a entidade cobra tantas taxas dos clubes e mantém, hoje, mais de R$ 250 milhões em seu caixa? Na prática, o repasse dos custos funcionou como um veto à implementação do sistema.

Gol de mão de JôDe qualquer forma, fica a questão – a qual todos nós já sabemos a resposta: por que o SCCP não quis que o VAR fosse adotado mesmo?

Esperamos que, de uma vez por todas, nossa diretoria esteja muito atenta a tudo isso, e que tome as devidas providências antes do leite ser derramado. Perdemos o campeonato no ano passado, entre outras razões, por conta dessa omissão. Não suportaremos ver isso acontecer de novo, em anos consecutivos.


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