Espírito de luta: Palmeiras arranca empate no Mineirão e amplia invencibilidade histórica como visitante

Palmeiras posa para foto em jogo contra a equipe do Atlético-MG, antes da primeira partida válida pelas quartas de final da Libertadores 2022, no Mineirão.
Cesar Greco

Após ter ficado atrás do placar por dois gols de diferença, o Palmeiras buscou o empate nos últimos minutos do confronto

Após ver o Atlético-MG abrir 2 a 0 nos minutos iniciais do segundo tempo do primeiro jogo das quartas-de-final da Libertadores, disputado no Mineirão, o Palmeiras sobreviveu à pressão do time mineiro e buscou o empate na casa adversária, com Murilo, aos 13’ da etapa final, e Danilo, já nos acréscimos.

“A gente sempre conversa sobre o quanto é essencial manter isso, de sempre ter energia, o pensamento positivo, não desistir nunca. Temos isso em mente”, destacou Murilo, após o jogo.

O resultado final, além de manter o Verdão vivo na competição, também ampliou a série histórica de invencibilidade da equipe atuando como visitante na Libertadores: são 20 jogos sem perder, com 14 vitórias e seis empates – recorde absoluto na História do torneio continental.

“É um número excelente de invencibilidade”, citou Gustavo Scarpa, na zona mista do Mineirão. “Mas o importante é a classificação. Ficamos felizes, [a invencibilidade] é fruto do nosso trabalho”, completou.

O último revés ocorreu há mais de três anos, para o San Lorenzo, por 1 a 0, ainda na fase de grupos da edição de 2019. Com Abel Ferreira no comando, o Verdão não saiu nenhuma vez derrotado jogando fora de casa.

As atuações do Palmeiras como visitante na Libertadores refletem o que o time vem apresentando na temporada atuando longe do Allianz Parque. Em 25 jogos disputados, são 14 vitórias, nove empates e apenas duas derrotas (68% de aproveitamento), sendo que o Verdão é a única equipe do Brasileirão que ainda não perdeu um jogo sequer fora de casa.

Palmeiras pode alcançar novo recorde

O Palmeiras não perde na Libertadores, independentemente do mando de campo, há 17 jogos e pode igualar o recorde da competição, que pertence ao Atlético-MG (18 partidas invictas), na quarta-feira que vem, justamente contra a equipe mineira.

A série atual começou na última partida da fase de grupos da edição passada, quando o Verdão goleou o Universitário por 6 a 0, no Allianz Parque. Desde então, foram oito jogos de invencibilidade em 2021 e mais nove em 2022 (13 vitórias e quatro empates).

Permanecer por longos períodos sem ser derrotado é uma tônica do Palmeiras de Abel Ferreira em 2022. A equipe ficou 19 jogos invictos entre os meses de abril e junho; 12 entre fevereiro e o começo de abril; e, atualmente, não perde há oito jogos – desde o revés por 2 a 0 frente ao Athletico-PR.

Abel elogia jogadores e cita fator fundamental para o empate: “sermos positivos mesmo na adversidade”

Abel Ferreira em jogo do Palmeiras contra o Atlético-MG, durante primeira partida válida pelas quartas de final da Libertadores 2022, no Mineirão.
Cesar Greco

Abel admitiu primeiro tempo abaixo do Palmeiras, mas ressaltou desempenho da equipe na etapa final

O fator mental, citado diversas vezes por Abel Ferreira, foi fundamental para que o Palmeiras saísse do Mineirão na noite desta quarta-feira, no jogo de ida das quartas-de-final da Libertadores, com o empate em 2 a 2.

O Verdão estava perdendo por dois gols de diferença até os 15 minutos da etapa final, quando Murilo diminuiu o marcador após aproveitar rebote de falta cobrada por Gustavo Scarpa. Já nos minutos finais, Danilo levou a equipe à igualdade no placar.

“A busca pelo empate é fruto de muito trabalho dos nossos jogadores, que têm uma crença e mentalidade competitiva muito fortes. É uma equipe que tem sucesso porque sabe que se der o máximo nos treinos e jogos, o treinador aceita qualquer resultado. Eles sabem que têm liberdade de ir a campo e errarem, o futebol é feito disso. Sabem que têm que dar em cada lance o melhor de si”, disse o treinador Abel Ferreira, em entrevista coletiva.

“Tivemos muitos fatores que poderiam nos conturbar mentalmente, que foi ter feito um gol primeiro, mas impedido; ter sofrido um gol de pênalti nos últimos segundos do primeiro tempo; e ter entrado na segunda parte e termos sofrido o gol. Mas há uma coisa que não podemos aceitar: é não entregarmos tudo, não lutarmos. O nosso mérito foi manter a calma, tranquilidade, e entender que, independentemente do resultado, temos funções claras a desempenhar dentro de campo. Isso que não podemos perder: o controle emocional e o foco nas tarefas”, acrescentou.

Ainda sobre a recuperação do Palmeiras dentro da partida, o comandante falou que o segredo foi “sermos positivos mesmo na adversidade”. “Acho que a equipe tem dado passos muito grandes para lidar com as adversidades do jogo”, completou.

Abel analisa partida

Abel Ferreira em jogo do Palmeiras contra o Atlético-MG, durante primeira partida válida pelas quartas de final da Libertadores 2022, no Mineirão.
Cesar Greco

Sobre o desempenho do Palmeiras em campo, tanto nas questões táticas quanto técnicas, Abel admitiu um primeiro tempo abaixo da equipe, mas elogiou o desempenho dos jogadores na etapa final.

“Jogamos contra uma equipe muito qualificada, bem treinada. Não nos deixou jogar no primeiro tempo, nos pressionou muito, fez marcação forte, apertada e agressiva, e foi melhor que o Palmeiras na primeira parte, é preciso dizer isso”, analisou o treinador.

“Na segunda parte, após o gol, fomos muito melhores, fizemos dois gols, tivemos ainda uma grande oportunidade com o Dudu, que, apesar de não ter acertado o chute, seguiu focado e participou do segundo gol. Nós no segundo tempo jogamos da nossa maneira, e quando é assim, esta equipe é capaz de tudo. Nunca devemos desistir, acho que o empate acaba por ser o resultado justo e deixa tudo aberto para a segunda mão”, finalizou o comandante palmeirense.

A equipe volta a enfrentar o Atlético-MG na quarta-feira da semana que vem para definir a vaga à semifinal da Libertadores. Neste domingo, no entanto, o Verdão tem pela frente o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro. Líder, o Palmeiras entra em campo às 16h, no Allianz Parque.

Jogadores do Palmeiras ressaltam a superação e maturidade da equipe para buscar o empate contra o Atlético-MG

Jogadores do Palmeiras após jogo contra o Atlético-MG, durante primeira partida válida pelas quartas de final da Libertadores 2022, no Mineirão.
Cesar Greco

Personagens do segundo gol do Palmeiras, Danilo e Dudu deram entrevistas após o jogo e elogiaram segundo tempo da equipe

O Palmeiras mostrou superação para empatar em 2 a 2 com o Atlético-MG no primeiro jogo das quartas-de-final da Libertadores. Atuando em um Mineirão lotado, o Verdão viu o adversário abrir 2 a 0, mas buscou forças para igualar o resultado com gols de Murilo e Danilo – este já nos minutos finais, após passe de Dudu de cabeça.

Ao final da partida, o camisa 28 ressaltou o espírito de luta do Palmeiras e afirmou que a experiência em participar de jogos decisivos nos últimos anos ajudou a equipe a não se perder no duelo.

“Muito feliz pelo empenho da equipe, lutamos até o final. Estávamos perdendo por 2 a 0 e conseguimos o empate. Isso demonstra a nossa força, estamos acostumados com jogo grande e essa experiência nos ajudou muito a chegar ao empate”, disse Danilo, que também falou do segundo tempo palmeirense.

“O professor pediu para termos calma e jogarmos o que sabemos. Fizemos um ajuste no intervalo e voltamos a ser o Palmeiras, a jogar, ter a bola, marcar firme. No primeiro tempo eles estavam em cima, já no segundo a gente diminuiu os espaços deles, jogamos e fizemos os dois gols”, concluiu.

Assim como Danilo, o atacante Dudu também falou após o jogo. O camisa 7 parabenizou o time pela busca ao resultado, mas afirmou que o Palmeiras entrou em campo para ganhar.

“O empate não era o resultado que a gente queria, viemos para vencer. Mas, devido às circunstâncias da partida, chegamos a estar perdendo por 2 a 0 e conseguimos o empate, foi bom. É muito difícil jogar com o Galo aqui. Fizemos um bom segundo tempo, no primeiro não conseguimos jogar por conta da forte marcação deles, mas estamos de parabéns”, disse o camisa 7.

Dudu fala sobre segundo jogo entre Palmeiras e Atlético-MG

O duelo da volta ocorre já na quarta-feira da semana que vem, no Allianz Parque. Para avançar no tempo normal, o Palmeiras precisa vencer o time mineiro por qualquer resultado; em caso de novo empate, a vaga na semifinal será decidida nos pênaltis.

Dudu do Palmeiras em disputa com Rubens do Atlético-MG, durante primeira partida válida pelas quartas de final da Libertadores 2022, no Mineirão.
Cesar Greco

“O confronto segue em aberto. Assim como fizemos aqui, eles podem fazer um bom jogo lá. São duas grandes equipes, com grandes jogadores. Espero que quarta que vem nós estejamos mais focados, concentrados para buscar a classificação”, finalizou Dudu.

Antes de enfrentar o Atlético-MG novamente, o Verdão tem compromisso no Brasileirão. O duelo será frente ao Goiás, também no Allianz Parque, domingo às 16h.

MEMÓRIA: O dia em que o Palmeiras representou a Seleção Brasileira e deu um baile no Uruguai

Por Thell de Castro

Folha de S.Paulo
Folha de S.Paulo

Além da gloriosa história, recheada de conquistas dos mais variados títulos – afinal de contas, o futebol não começou nos anos 1990, como muitos pensam – um dos maiores orgulhos da torcida palmeirense foi ter enviado seu time completo para representar a Seleção Brasileira.

O fato aconteceu no dia 7 de setembro de 1965. Era a inauguração do Mineirão, em Belo Horizonte, e o Palmeiras, com sua primeira “Academia”, teve sua equipe toda convocada para representar o Brasil. Do goleiro ao atacante, com todos os reservas, além de técnico – argentino Filpo Núñez, massagista, roupeiro e tudo mais.

Para um público de quase 100 mil pessoas, o Brasil venceu o Uruguai por 3 a 0, com gols de Rinaldo, aos 27, Tupãzinho, aos 35 do primeiro tempo, além de Germano, aos 29 do segundo tempo.

O Brasil jogou com Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Valdemar (Procópio); Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera), Ademir da Guia e Rinaldo (Dario).

O Uruguai perdeu com Taibo (Fogni), Cincunegui (Brito), Manciera e Caetano; Nuñes (Lorda) e Varela; Franco, Silva (Vingile), Salva, Dorksas e Espárrago (Morales). O árbitro foi Eunápio de Queiroz.

Gazeta Esportiva
Gazeta Esportiva

Logo na capa da edição de 8 de setembro de 1965, a Folha estampa em letras garrafais: Palmeiras venceu o Uruguai por 3 a 0. Leia a chamada:

 “Em prosseguimento às festas de inauguração do Estádio Estadual Minas Gerais, o Palmeiras, com a camisa da seleção brasileira, enfrentou ontem em Belo Horizonte uma seleção do Uruguai, derrotando-a pelo escore de 3 a 0 (2 a 0 no 1º tempo), gols de Rinaldo (penal). Tupãzinho e Germano. O conjunto brasileiro foi superior em todos os sentidos e na fase final substituiu seis de seus jogadores, sem que os adversários conseguissem colocar em risco o resultado”.

Isso é que era elenco! Poder substituir seis jogadores e manter a qualidade do time.

No dia 9 de setembro, a Folha trouxe outra reportagem sobre o confronto. Em “Djalma encarna o futebol”, o jornal mostrou opiniões do técnico do Uruguai sobre o jogo e o Palmeiras.

“O técnico Juan Lopez, preparador das seleções uruguaias de 50, 58 e 62, declarou hoje ao embarcar no Galeão de volta a Montevidéu, que o plantel de bons jogadores no Uruguai é igual ao de 1950, quando levantaram a Copa do Mundo. Juan Lopez será o preparador também para a Copa de 66, em Londres.

 “O Palmeiras me pareceu um bom conjunto. Difícil mesmo de ser vencido, embora com o quadro mais descansado. Todavia, se houvesse pelo menos um dia de repouso, poderíamos surpreender”, afirmou.

 Lopez fez questão de chamar a atenção para o exemplo do jogador Djalma Santos. “Joga tão bem como há 15 anos”, tecendo os maiores elogios ao veterano craque, em que os jovens de hoje deveriam ver o “espírito verdadeiro do futebol”.

Para fechar em grande estilo e comprovar a hombridade do time que “sabe ser brasileiro, ostentando a sua fibra”, vale ressaltar que havia uma taça simbólica em disputa na partida. Ao final da partida, o Palmeiras, entendendo que o troféu pertencia à CBD (antecessora da CBF), pois estava apenas representando-a, deixou o mesmo com a Comissão Organizadora e retornou a São Paulo.

Mas, em 1988, 23 anos depois, foi descoberto que o troféu continuava no Mineirão, já que a CBD também não requisitou. Assim, ficou decidido que o Palmeiras deveria, honrosamente, ficar com a lembrança, que estaria sendo exposta no memorial da Sociedade Esportiva Palmeiras se ele tivesse sido disponibilizado pela WTorre, mas isso é outra história.

Gazeta Esportiva
Gazeta Esportiva


Thell de Castro é palmeirense, jornalista e editor do site TV História