Palmeiras estuda nova e perigosa alteração estatutária

Maurício Galiotte
Divulgação

O Conselho Deliberativo do Palmeiras estuda nova alteração estatutária a ser votada nas próximas semanas. O principal ponto a ser apreciado pelo Conselho, posteriormente pela Assembleia Geral é a mudança da duração do mandato do presidente do clube, passando de dois para três anos.

A duração do mandato do presidente sempre foi um dos maiores entraves para a vida política do clube. Uma gestão de dois anos faz o presidente ter praticamente metade de seu mandato em ano eleitoral – algo que notoriamente dispersa a atenção e o foco no que realmente interessa, o futebol. Como no primeiro ano o presidente ainda está se inteirando dos fatos e implantando seus projetos, resta pouco tempo para que o clube seja gerido com 100% da atenção que necessita. Um mandato de três anos dá muito mais tranquilidade para que o trabalho, cada vez mais profissionalizado, seja bem desenvolvido.

Um dos argumentos contrários à mudança prega que, com um prazo maior, os prejuízos de se ter um novo Tirone como presidente seriam muito maiores. O que é uma enorme verdade.

Mas não é por causa desse risco que se deve recuar diante da mudança que se desenha. O Palmeiras tem que cuidar mais ainda para não colocar no cargo algum inepto. A eleição ficará mais séria ainda do que já é. Não podemos nos furtar a fazer o certo por medo de não sermos capazes de evitar que se repita o desastre de se eleger alguém com pouco comprometimento com nossas cores. Não é este o perigo.

A coisa certa, ao tempo certo

Ao mesmo tempo que precisa corrigir esta falha em sua estrutura política, o Palmeiras precisa respeitar o tempo para que as alterações não pareçam casuístas. A partir do momento em que a alteração for feita, é preciso guardar pelo menos um ano para que a uma eleição contemple os efeitos dessa mudança. A eleição presidencial para novembro próximo não pode dar já ao próximo mandato a extensão do tempo.

O correto é que a eleição de 2018 permaneça dando ao eleito uma gestão até o fim de 2020; a eleição em novembro de 2020 é que elegeria o primeiro presidente com mandato trienal.

O histórico escancara a manobra

Leila Pereira em campanha
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Depois de reduzir de oito para quatro anos como conselheiro o prazo para poder se candidatar à presidência, o Palmeiras pretende afrouxar ainda mais os pré-requisitos. Se o mandato de três anos for aprovado já para 2018, os conselheiros eleitos em 2017 serão os maiores favorecidos.

Pelo texto atual do Estatuto do Palmeiras, é necessário que um conselheiro tenha um mandato completo (quatro anos) para concorrer à presidência do clube – este prazo foi reduzido pela metade na última alteração estatutária, fato incomum na conservadora política do clube, que sempre preferiu períodos mais longos para afastar “aventureiros” do comando alviverde.

Se o eleito em novembro próximo já tiver um mandato de três anos, ele entregará o cargo em dezembro de 2021; os conselheiros eleitos em fevereiro de 2017 já terão completado seus mandatos de quatro anos e poderão assim ser candidatos ao cargo máximo do clube.

A alteração, a toque de caixa, é claramente casuísta e visa facilitar para que Leila Pereira seja candidata a presidente do clube em novembro de 2021. O Palmeiras, desta forma, entregaria as decisões do futebol do clube a quem coloca dinheiro no clube, num evidente e perigoso conflito ético.

Até a eleição de 2015, eram necessários pelo menos onze anos como sócio do clube para ser candidato à presidência: além dos dois mandatos de quatro anos como conselheiro, havia ainda a carência inicial para que o associado recém-admitido pudesse concorrer ao Conselho. Como num passe de mágica, uma associada de 2015 teve sua data inicial alterada para 1996, e poderá, apenas seis anos depois de confeccionar sua primeira carteirinha, ocupar a cadeira mais importante do mundo.

Se começa errado, acaba errado

Mauricio Galliote e Leila PereiraÉ evidente que o ritmo acelerado com que as coisas acontecem para favorecer Leila Pereira em sua caminhada ao poder num ambiente tão conservador como o Palmeiras mostra que houve algum catalisador no processo – e é pouco provável que tenha sido apenas o carisma da dona das empresas que patrocinam o clube.

Os benefícios de se ter os cofres sempre cheios possibilitam ao clube montar um elenco poderosíssimo. Mas isso, como vimos nos últimos dois campeonatos, não são suficientes para erguer troféus. Um patrocinador forte é capaz de reequilibrar a balança na briga com os dois clubes favorecidos pela rede de televisão detentora dos direitos de transmissão, mas se a gestão do clube não for focada em futebol, o mais provável é que sigamos ouvindo na imprensa que o clube deixou de ganhar campeonatos “apesar do alto investimento”.

A Crefisa e a FAM são parceiros excepcionais do clube e devem ser tratados com o máximo respeito e consideração, mas há linhas que não podem ser rompidas. O presidente do Palmeiras tem que ser uma pessoa ligada ao futebol e com raízes no clube. E isso só o tempo provém. Quem pega atalhos, além de não acumular a bagagem necessária, usa de meios questionáveis para atingir seus fins – algo que hoje repudiamos em nosso inimigo, ex-rival, e que não queremos ver por aqui.

A função do patrocinador é patrocinar; apoiar financeiramente em troca de visibilidade para seus produtos e serviços. Esse é o acordo – ou pelo menos, deveria ter sido. É perfeitamente lícito a qualquer empresário ter ambições políticas num clube de futebol, desde que, a partir do momento que assumir essa ambição, cesse qualquer relacionamento financeiro entre as partes.

Até porque, a partir do momento em que os bolsos da presidente e da patrocinadora forem os mesmos, o modelo de receita do clube tende a ser cada vez mais concentrado, tornando o Palmeiras refém de sua patrocinadora/presidente, cujo temperamento instável já rendeu até ameaças de “patrocinar o Flamengo, que tem mais visibilidade” em outros episódios.

Uma Leila presidente que acumule a função de patrocinadora não serve. Ao alterar o sólido modelo de receita construído nas últimas gestões, torna-lo-á frágil, dependente de sua vontade e de seu humor. Possivelmente será soberana, totalitária, como já é em sua empresa. A ética terá ido para o espaço. E quando romper o vínculo, jogará o clube em situação de penúria – algo semelhante ao que ocorre atualmente com o Fluminense, após a saída da Unimed.

Alexandre Mattos e Mauricio Galiotte

Uma Leila presidente, sem o patrocínio da Crefisa e cheia de ética, deve ser apenas melhor que o Tirone, a despeito de sua suposta competência como gestora de uma empresa financeira – a não ser que percorra o tempo necessário como sócia e conselheira para aprender como funciona o meioe isso pressupõe que não pegue (mais) atalhos. E que ninguém se iluda que apenas “ter o Mattos a seu lado” será suficiente. Alexandre Mattos é um comerciante excepcional; ele compra e vende jogadores por valores fantásticos e consegue ótimos acordos. Mas não é exatamente um montador de elencos brilhante; é preciso gente notoriamente do ramo para balizá-lo, além da grana de um novo patrocinador. Uma equipe improvável.

É por tudo isso que, se o clube alterar o mandato para a presidência para três anos já a partir da eleição de 2018, estará dando um passo perigosíssimo e colocando em risco todos os avanços que conquistamos nos últimos anos. Três anos, sim – mas só a partir de 2020. CUIDADO PALMEIRAS!


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Palmeiras e FAM investem no marketing em ação de benefício mútuo

Fernando Prass em comercial da FAM
Reprodução

A Faculdade das Américas desenvolveu em conjunto com o Palmeiras um plano de marketing a ser executado no ano de 2018 cuja primeira ação é a veiculação, a partir de hoje de uma peça publicitária em TV aberta, cujos “atores” principais são atletas do Palmeiras.

Como todos sabem, a FAM é do mesmo grupo da Crefisa, patrocinadora do Palmeiras – as empresas dividem os espaços disponíveis nos uniformes do clube. As receitas advindas dessa relação chegam perto de 20% do orçamento do clube.

A Crefisa/FAM, com essa iniciativa, torna-se de fato uma parceira do Palmeiras, indo além do mero patrocínio. Os jogadores do Verdão entrarão nas casas de milhões de brasileiros caracterizados como profissionais formados nos cursos ministrados pela FAM, usando conceitos de neuromarketing importantes para chamar a atenção do espectador para as duas marcas: Palmeiras e FAM.
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A FAM se aproveita da imagem de atletas importantes e divulga seus cursos e sua marca. O Palmeiras promove a imagem de seus atletas de forma simpática e inspiradora para milhões de espectadores, inclusive crianças que ainda estão na idade de escolher o time por que irão torcer. É uma ação de benefício mútuo. Ganha-ganha.

Tudo só para “ajudar o Palmeiras”

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraLeila Pereira, dona da FAM e da Crefisa, não esconde de ninguém seu desejo por aumentar sua já grande influência política no Palmeiras para um dia se tornar presidente do clube. Sua importância nos bastidores do futebol é notória, mesmo sendo uma neófita no meio. E usa esse poder para se promover, dispondo do sagrado ambiente da Academia de Futebol para gravar vídeos pessoais publicados no Instagram, entre outras atitudes que não coadunam com a postura de quem quer “ajudar o Palmeiras”, como gosta de dizer.

Não há nada de errado em ter ambições políticas no clube. Mas para se sentar naquela cadeira, é mandatório percorrer todo o caminho, sem atalhos, algo que demanda um tempo que, ao que parece, Leila não quer esperar. Para encurtar a trilha, aliou-se a Mustafá Contursi – e rapidamente percebeu que o preço dessa proximidade é muito alto. Rompeu o vínculo, depois de já  tê-lo usado para um passo importantíssimo na abreviação da trajetória: a polêmica associação retroativa a 1996 que jamais foi provada documentalmente e que gerou rachas políticos profundos.

Leila diz querer ser presidente para “ajudar o Palmeiras”. Despreza o fato de que, na condição de patrocinadora, fica evidente o conflito ético. E seu posicionamento pessoal alterou de forma substancial a evolução da política do clube. Com exceção do vultoso volume de dinheiro que despeja no clube, não parece ser a melhor forma de “ajudar o Palmeiras”.

É isso que esperamos de um patrocinador

Ações de marketing onde o benefício é mútuo é exatamente o que Leila Pereira, através de suas empresas, pode fazer a mais do que fornecer 20% do orçamento anual em troca da exposição de suas marcas. Se o objetivo é mesmo “ajudar o Palmeiras”, planos inteligentes como esse, onde as duas instituições saem fortalecidas, é claramente o caminho correto.

Ao levar Fernando Prass, Dudu, Moisés, Willian, Lucas Lima e Keno aos lares de milhões de espectadores, associando a imagem do Palmeiras a conceitos nobres como educação, Leila Pereira alavanca a imagem de sua empresa e deixa milhões de palmeirenses, inseridos ou não na política do clube, mais satisfeitos ainda com a relação de patrocínio.  Desta forma, consegue aumentar naturalmente sua influência, sem atalhos, de forma positiva, sem ferir nenhum princípio ético e sem implodir a política do clube. Parabéns ao Palmeiras e à FAM pelo projeto, cujo primeiro passo já planta a curiosidade pelas próximas ações.


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Rompimento entre Crefisa e Mustafá Contursi redesenha o panorama político do Palmeiras

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraLeila Pereira, presidente da Crefisa, patrocinadora e conselheira do Palmeiras, declarou em entrevista publicada hoje na Folha de S.Paulo algo que já circulava à boca pequena pelas alamedas: rompeu relações com Mustafá Contursi após o episódio de revenda de ingressos que veio à tona há algumas semanas.

A empresária, segundo o acordo de patrocínio, tem direito a uma cota de ingressos a cada jogo do Palmeiras no Allianz Parque, e repassava 70 deles a Mustafá como cortesia, num gesto político para que ele distribuísse entre sua base política. Mustafá foi o responsável pela manobra que deu a Leila a condição estatutária para poder concorrer ao cargo de conselheira.

Segundo acusações de uma intermediária, no entanto, os ingressos dados a Mustafá eram revendidos, caracterizando cambismo numa operação que pode ter movimentado mais de R$ 500 mil numa temporada – a revelação teria desapontado demais a conselheira, que assim decidiu por se afastar de seu criador político.

O movimento redesenha o cenário político do clube. Mustafá tinha em Leila um grande ponto de apoio para revitalizar suas bases políticas, cada vez mais carcomidas pelos minutos de silêncio. Foi por causa do apoio de Leila que o velho cacique conseguiu atrair novos apoiadores – entre eles um grupo que historicamente sempre foi seu inimigo: desde o ano passado, a UVB passou a rezar pela cartilha do homem que amaldiçoou por mais de uma década. Com esta reviravolta, o grupo tende a acompanhar o poder financeiro de Leila Pereira e abandonar Mustafá.

Mauricio Galliote e Leila PereiraMaurício Galiotte, que estava isolado politicamente, ganhou uma sobrevida importante com o episódio. Os dois passaram a disputar um cabo-de-guerra para ter Leila como aliada após Mustafá romper com o atual presidente por não atender a suas pressões para demitir Alexandre Mattos – com todas as vantagens para Mustafá.

O episódio dos ingressos, no entanto, virou o jogo. Maurício, até outro dia cercado apenas por alguns poucos e leais conselheiros, volta a ter força política, já que a Crefisa trará consigo uma série de bajuladores que finalmente veem alguém por quem vale a pena abandonar Mustafá.

Leila Pereira vai conseguindo se embrenhar na política do clube apoiada por seu poderio financeiro. Na mesma entrevista, deixou claríssimas suas intenções de concorrer à presidência do clube na eleição de novembro de 2022 – isso se os vários episódios desgastantes que ainda estão por vir não a demoverem dessa ambição. A cada imbróglio Leila tem condições de provar um pouco mais do que existe de pior na natureza humana. A política do Palmeiras não é para iniciantes.

Rascunho da eleição do ano que vem

Paulo Nobre e Mauricio GaliotteEm novembro de 2018 teremos novas eleições para a presidência do clube e Maurício Galiotte, com o suporte da Crefisa, voltou a ser um nome forte para concorrer à reeleição. Mustafá Contursi, acuado, volta a conviver com o mesmo problema que já o incomoda há alguns anos: seu grupo de apoiadores é formado apenas por puxa-sacos, cada vez mais ultrapassados e incapazes de gerir sequer uma banca de jornal – foi isso que o fez apelar para Arnaldo Tirone em 2011. E foi isso que o fez topar uma aliança com Paulo Nobre em 2013.

Maurício Galiotte tem o apoio de Leila Pereira, que nutre ódio mortal por Paulo Nobre, o que é recíproco. Os resultados esportivos de 2018 terão um peso importante. Se o Palmeiras voltar a conquistar troféus, a reeleição é quase certa e talvez Nobre nem saia de seu bunker político e continue a correr rally pelo mundo. Em caso de mais turbulência, a disputa pode ocorrer, e deve ser acirrada.

Tudo o que esperamos é que essas pessoas pratiquem Política, com “P” maiúsculo, de Palmeiras. Podem continuar se odiando, ou podem se reconciliar, isso realmente não importa – desde que a disputa seja leal, o profissionalismo continue prevalecendo e o time siga com o protagonismo que já exerce há três temporadas. Com Maurício, Leila, ou Paulo, seja quem estiver à frente do clube.


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Conselho deve escrever amanhã mais uma página vergonhosa na História do Palmeiras

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO Conselho Deliberativo escreverá na noite desta segunda-feira mais uma página que tem tudo para ser vergonhosa na História do clube.  Se as projeções se confirmarem, a candidatura de Leila Pereira, autorizada após uma canetada que se baseou numa memória obscura do ex-presidente Mustafá Contursi, não será impugnada e a dona da Crefisa, patrocinadora do futebol profissional, poderá seguir sua caminhada rumo à presidência do clube.

Como é sabido, Leila Pereira admitiu em entrevista ao jornal Diário de São Paulo, em 2015, que havia ficado sócia há poucos anos e negou ter planos políticos no clube. Repentinamente, lançou sua candidatura, na chapa de Mustafá. Investiu bastante na campanha, com montagem de comitê na rua Palestra e jantares com Uber pago para quem quisesse. Diante de tanta popularidade, recebeu uma votação expressiva, a maior da História, e carregou consigo mais oito ou dez conselheiros que não se elegeriam não fosse o quociente eleitoral que a chapa conseguiu graças ao peso de sua eleição. O chamado efeito Tiririca.

Para que sua candidatura obedecesse ao que determina o estatuto do clube, o tempo de associação de Leila ao clube foi acrescido de quase 20 anos – segundo uma lembrança de Mustafá, ele havia concedido o título de sócia benemérita a Leila em 1996, quando era presidente, embora não haja nenhum documento atestando o fato.

Com o patrocínio sem a certeza de renovação e precisando do apoio de Mustafá para conseguir governabilidade, o presidente Maurício Galiotte ficou com a faca no pescoço e autorizou a candidatura mesmo sem a documentação apropriada. Dias depois da homologação, a Crefisa anunciou a permanência do patrocínio.

Vários associados, entretanto, entraram com o pedido de impugnação da candidatura, o que será julgado na noite desta segunda-feira. A principal batalha deve ser pela forma de votação: voto aberto no microfone, ou na urna. Por transparência, a comunidade palmeirense exige voto aberto. Se os conselheiros tiverem mesmo a coragem de compactuar com essa mácula a nosso estatuto, que tenham também a hombridade de terem seus nomes expostos pela eternidade.

Presidência do Conselho

Na sequência acontecerá uma nova reunião, já com os novos conselheiros eleitos exercendo seus direitos de voto pela primeira vez, com a missão de eleger o presidente do Conselho Deliberativo. O favorito é Seraphim Del Grande, fundador da UVB, aliada de Mustafá.

Vice-presidente do clube na década de 90, Seraphim foi traído por Mustafá, que não permitiu que ele fosse o candidato a presidente após seus dois primeiros mandatos, permanecendo no cargo após uma sequência de manobras políticas e de alterações no estatuto. Seraphim então fundou a UVB, cuja bandeira principal sempre foi fazer oposição a Mustafá. Hoje, o grupo se curva ao velho cardeal.

Concorrem com Seraphim dois candidatos: José Apparecido, da Confraria Palestrina, e Sylvio Mukai, da UVB. Mukai é inexpressivo e sua candidatura serve apenas para escamotear a subserviência da UVB a Mustafá. Como Seraphim não precisará dos votos da legenda para se eleger, Mukai foi lançado. Já Apparecido, do grupo Confraria Palestrina, representa os anseios de renovação no Conselho, que precisa de alguém livre de amarras para comandar os ritos das reuniões.

Também será escolhido o vice-presidente: Concorrem o mustafista Carlos Faedo, o UVBista Tarso Gouveia e Guilherme Pereira, da Chapa Palestra. Este último, pelos mesmos motivos que o Verdazzo declara apoio a José Apparecido à presidência, é merecedor de toda nossa torcida – e ao contrário da eleição principal, as cartas para o vice-presidente não estão tão marcadas e pode haver surpresa.

Acordões

Acordos feitos entre as principais lideranças políticas do clube indicam que o mandato de Leila Pereira não corre perigo algum e que a chapa de Mustafá manterá todos os seus recém-eleitos. Seraphim Del Grande deve ser facilmente eleito. A noite desta segunda-feira tem tudo para ser uma das mais vergonhosas da História do clube.

Resta a esperança de que os votos sejam abertos, e que quem optar por subscrever a vergonhosa candidatura, forjada por uma conveniente lembrança, tenha seu nome exposto a toda a comunidade palmeirense.

O que significa a renovação do contrato entre Palmeiras e Crefisa

Mauricio Galliote e Leila Pereira
César Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

Palmeiras e Crefisa anunciaram no início desta tarde a renovação do contrato de patrocínio na camisa do clube por mais duas temporadas. O valor do investimento passa dos atuais R$ 66 milhões para R$ 72 milhões em 2017 e R$ 78 milhões em 2018, mais as despesas relativas a Barrios, que entre luvas e salários chegam perto de R$ 1 milhão por mês, enquanto o atleta permanecer vinculado ao Palmeiras.

No anúncio, feito em conjunto pelo presidente do clube Maurício Galiotte e pela presidente da Crefisa, Leila Pereira, foi mencionado ainda que haverá bônus pagos ao clube pela patrocinadora em caso de conquista em qualquer campeonato que o time profissional do Palmeiras entrar em 2017 e 2018, e deixou em aberto a possibilidade de ajudas pontuais em oportunidades de mercado – algo semelhante ao que foi feito nas contratações de Guerra e na aquisição de 100% dos direitos econômicos de Dudu, por exemplo – tudo em troca de propriedades de marketing que proporcionam enorme retorno institucional para as empresas, como pontuou Leila em seu discurso, na contramão de quem maldosamente caracteriza a relação com um mecenato. A empresária também aproveitou para fazer campanha para o Conselho Deliberativo do clube. As eleições acontecem no próximo sábado. Veja abaixo o vídeo completo com a coletiva.

Os recursos da Crefisa são muito importantes para o Palmeiras. Os valores anunciados podem representar até 20% do orçamento do clube. Peças fundamentais do elenco puderam ser adquiridas com o auxílio da empresa, e não há nada de errado ou imoral nisso.

O futebol é profissional desde 1933 e desde então monta times mais fortes quem tem mais dinheiro; o Palmeiras tem se destacado em todas as frentes de captação de recursos: além do patrocínio da Crefisa na camisa e em outras propriedades, a arrecadação com o plano de sócio-torcedor, com a venda de ingressos,com a venda de camisas e artigos do clube e a negociação com o Esporte Interativo renderam ao Palmeiras valores que nenhum outro clube alcançou, nem os queridinhos da mídia. Tudo isto atrelado a um planejamento e a uma gestão financeira impecável fazem do Palmeiras a grande potência econômica do país. O resto é choro de maus jornalistas e das outras torcidas.

O aporte feito pela Crefisa, no entanto, não pode servir de passaporte para a política do clube. Qualquer palmeirense pode se aventurar na trilha à presidência: primeiro é necessário ficar sócio, depois de oito anos pode se candidatar ao Conselho, e se vencer pode então fazer seu primeiro mandato, ao final do qual terá condições de ser candidato à presidência.

Leila afirmou não ter tempo para ser presidente do Palmeiras no anúncio de hoje, mas não disse que não quer. Na eleição de novembro de 2022 (na de 2020 ela não terá completado o primeiro mandato) Leila pode perfeitamente ter arrumado tempo e mudar de ideia em relação ao que disse hoje. E não há quem circule pelo clube hoje que diga que ela não alimenta esse sonho; a fama e popularidade que atrelar seu nome ao do Palmeiras lhe parece ser muito prazerosa – ela mesma menciona esse fenômeno numa de suas falas.

Quem está aparentemente pavimentando o caminho de Leila é Mustafá Contursi, de olho exclusivamente nos votos que a patrocinadora trará para sua chapa. Em dezembro, ela mencionou que seu marido, José Roberto Lamacchia, não seria candidato. Mustafá, ao perceber que a candidatura de sua Tiririca corria risco de impugnação, recomendou que o marido fosse também candidato, uma manobra de quem conhece os meandros da política do clube como a palma de sua mão – ou até melhor. Coisa de quem só está pensando em ampliar seu poder, abalado com a ascensão de Paulo Nobre depois de uma gestão tão vitoriosa.

Quem dorme com cobra amanhece picado. Leila está sendo usada por Mustafá e parece não se importar com isso. Quando menos esperar, em meio à sua escalada no clube, será contrariada. E se não tiver desenvolvido uma musculatura política que lhe dê força para contra-atacar – algo bem pouco provável em tão pouco tempo, a não ser que literalmente compre esse apoio – terá seu tapete puxado. Mustafá já fez isso várias vezes e muito, muito provavelmente fará de novo.

E quando isso acontecer, nada indica que ela não reagirá de forma igual ou pior que no ano passado, quando simplesmente deixou de pagar as parcelas do patrocínio quando se sentiu contrariada por Paulo Nobre nos affairs que os dois tiveram no decorrer da relação, a despeito do que o contrato determinava. Os valores atrasados foram pagos a posteriori, depois que as arestas foram aparadas. Mas não é nada recomendável correr esse tipo de risco. E é nesse buraco que o Palmeiras está se enfiando ao dar corda para a caminhada de Leila na política do clube.

Se a participação da Crefisa se limitasse meramente ao apoio financeiro em troca das exposições que as propriedades de marketing do clube lhe darão, seria o melhor dos mundos, tudo o que esperamos de um patrocinador – e foi isso que Leila apregoou em seu discurso. Mas a realidade aponta para outra direção, infelizmente. Leila não tem estofo na política do Palmeiras, que definitivamente não é para iniciantes.

O presidente Mauricio Galiotte passou por cima do estatuto para agradar a Mustafá e ao patrocinador. Garantiu para seu mandato governabilidade política e fôlego financeiro, bastante fôlego. Mas para isso abriu um precedente que pode ter consequências muito sérias e vai ter que carregá-lo pelo resto de sua vida.

No curto prazo, tudo aponta para dois anos bastante auspiciosos no plano esportivo. O Palmeiras montou um timaço e nem os comentaristas mais azedos se atrevem mais a questionar a qualidade de nosso elenco. As conquistas tendem a vir, basta confirmar o favoritismo dentro de campo – algo sempre mais palpável no Brasileirão, que é um torneio de pontos corridos de tiro longo. No mata-mata chegaremos fortes e seremos o time a ser batido, mas sabemos das contingências do futebol e de como os torneios eliminatórios aprontam surpresas. Mesmo assim, com seis torneios de mata-mata por disputar nos próximos dois anos, a chance de beliscar alguns é enorme.

Parte desse favoritismo pode ser creditado a nosso patrocinador, mas não só a ele. Que sua contribuição continue tendo sua contrapartida na exposição da marca das empresas. Que esse aporte não se transforme numa obrigação política, principalmente com uma pessoa que já deu fartas demonstrações de que não gosta de ser contrariada. No Palmeiras, essa é uma tarefa que nem o Eike Batista com peruca conseguiria.

Eleição

Se você acha que Leila Pereira, pelo que vem fazendo pelo clube, merece ser eleita, uma informação: ela JÁ ESTÁ ELEITA, pois precisa de mais ou menos 28 a 30 votos, algo que facilmente vai atingir ainda nas primeiras horas de votação. A agressividade de sua campanha deve lhe dar um retorno de 180 a 200 votos.

Isso significa que o Conselho terá, na aba de Leila, cerca de seis a sete candidatos do Mustafá, velhos associados que não querem nem saber dos jogos de futebol e que têm como única função obedecer ao chefe nas votações do Conselho. Mesmo que o leitor do Verdazzo ache que ela merece, Leila não precisa desse voto. Jamais, em hipótese alguma, deem seus preciosos votos a qualquer candidato dessa chapa cujos números começam com 1.

O Verdazzo recomenda a todos os associados do Palmeiras com direito a voto que exercitem sua cidadania palmeirense apoiando os candidatos do grupo Fanfulla. Palmeirenses que não perdem um jogo, cuja única preocupação ao fazer política no clube é fortalecer mais e mais o futebol. Conheça melhor os candidatos neste link.