Conselho aprova “Emenda Leila” e mandato do presidente será de três anos

Leila PereiraO Conselho Deliberativo do Palmeiras votou ontem textos para mais uma mudança estatutária. O ponto mais importante foi a alteração da duração do mandato do presidente, que passa de dois para três anos.

Como já vem sendo dito aqui nos posts do Verdazzo há anos, essa é uma das alterações mais importantes que era necessário fazer em nosso estatuto. O mandato curto, de dois anos, exige que o toma-lá-dá-cá prevaleça na vida do clube quase que constantemente, para que quem concentra capital político sustente seu poder.

Exatamente por isso, enquanto Mustafá Contursi deu as cartas no clube, esse ponto do estatuto jamais foi tocado. Agora, que ele encontrou uma adversária política do mesmo calibre, as coisas mudaram. A emenda, que precisava de 141 votos, teve 143 e foi aprovada. Uma derrota monstruosa de Mustafá; e uma demonstração de força imensa de Leila Pereira, que assim abreviou em mais um ano seu tempo de espera para se candidatar à presidência do clube.

Mustafá Contursi definha no Conselho Deliberativo, mas ainda tem força no COF. Grandes operações econômicas ainda podem ser contestadas e barradas por ele. Mas com a saúde financeira que o clube se encontra, a tendência é de que o velho manda-chuva finalmente vista seus pijamas e calce suas pantufas. E isso é muito bom.

Virada nos acréscimos

Informalmente, os grupos políticos do Palmeiras mantêm mapas em suas pranchetas com a tendência das votações mais importantes. Os placares ao final da última semana apontavam para a barração da alteração estatutária com alguma margem – de cinco a dez votos de folga.

No final de semana, provavelmente diante de todo o poder de persuasão de Leila Pereira, o jogo virou. Interessante notar que um grupo tido como progressista, que havia anunciado que votaria contra a mudança, teve quatro de seus cinco conselheiros repentinamente votando a favor da alteração. Democracia é isso.

Rei morto; rei posto

A ascensão de Leila Pereira é impressionante. Rapidamente, a empresária saiu do completo anonimato, em janeiro de 2015, para favorita à cadeira da presidência em 2021, para provavelmente assumir o cargo em janeiro de 2022 – Maurício Galiotte deve concorrer à reeleição em novembro próximo, já contemplando os três anos de mandato.

A conselheira tem muitos méritos. É conhecida como “trator”, expressão bastante comum no meio corporativo para designar profissionais que passam por cima das dificuldades para conseguir o que precisam, nas empresas que comanda. É muito bem sucedida e não precisa se apropriar do dinheiro do Palmeiras para ser feliz – ao contrário, direciona boa parte da verba publicitária de suas empresas para o clube. É verdade que consegue ótimos abatimentos em suas obrigações tributárias com essa prática, mas isso não diminui o bem que faz ao clube.

#sejasocioavantiMas Leila tem características pessoais que torna temerário o acúmulo de poder – presidente e patrocinadora – em suas mãos. Basta lembrar que, por promover o Avanti no lugar do nome dos jogadores em março de 2016, o Palmeiras sofreu represálias da patrocinadora, que deixou de fazer os pagamentos mensais, prejudicando o fluxo de caixa do clube que diz amar. O Avanti é a fonte de renda mais importante do Palmeiras, mas ela não abriu mão do que achava ter direito. O contrato foi ajustado e a situação se normalizou, mas o trator colocou uma roda em cima do clube.

O estatuto do clube prevê a trajetória que uma pessoa qualquer precisa, a partir do momento em que fica sócia, percorrer para chegar a presidência. Até a década passada, eram necessários pelo menos onze anos de clube para aspirar ao cargo máximo. Um tempo exagerado, mas que era imposto por quem mantinha o poder no clube. Com sucessivas manobras, Leila triturou essas carências e abreviou o tempo com um cacife político inédito. O estatuto do Palmeiras permitiu que uma milionária chegasse do nada e rapidamente tomasse o clube para si. Os conselheiros, que ainda poderiam ser a defesa final do clube para essa temeridade, baixaram a ponte levadiça. Leila, como uma conquistadora, entrou com tudo.

Os vitalícios permanecem

Mustafá Contursi
Keiny Andrade/Folhapress

Outro ponto delicado da reforma estatutária foi a diminuição do peso dos conselheiros vitalícios na estrutura do Conselho Deliberativo. Havia uma proposta para diminuir de 148 para 100 cadeiras dessa categoria, o que faria que o número de conselheiros eleitos a cada quatro anos subisse dos atuais 152 para 200. A proposta foi rejeitada e tudo segue como antes.

Mustafá, afinal, ainda respira por aparelhos.

É hora de pensar em precauções

A Assembleia Geral de sócios ainda pode barrar as decisões do Conselho, mas para isso são necessários 2/3 do quórum e a chance disso acontecer é bem pequena. Serão três anos e meio até que a candidatura de Leila vá às urnas, e o Palmeiras precisa se precaver ao máximo das consequências que uma administração possivelmente centralizadora pode ter.

É hora de discutir, por exemplo, a instituição de um limite na fatia do patrocínio dentro do orçamento. Não se trata de recusar dinheiro; ao contrário, é uma forma de estimular os esforços para que as outras receitas cresçam. Eleita ou não presidente, um dia Leila Pereira vai retirar o patrocínio da Crefisa.

É para evitar que um movimento abrupto desse leve o Palmeiras a uma situação semelhante à do Fluminense pós-Unimed que algum mecanismo de defesa tem que ser criado. O clube precisa incrementar ainda mais as receitas do Avanti; as bilheterias precisam continuar vultosas e outras iniciativas de marketing precisam ser exploradas para que não se estabeleça uma perigosa e indesejável dependência da Crefisa.

Leila Pereira, para ser uma grande presidente, deve fazer uma gestão baseada em ações inovadoras, não em política apoiada em seu poderio econômico, para manter o Palmeiras forte dentro e fora de campo. Caso eleita, ao final de seus três (ou seis) anos, precisa deixar o clube saudável financeiramente e estruturado para a saída de suas empresas, se assim desejar. Patrocinador forte só funciona num clube forte.

O Verdazzo e toda a mídia palestrina torcem para que a eleição deste ano seja limpa e justa; assim como a de 2021 e de 2024; permaneceremos atentos, trazendo à luz todos os movimentos, para que a torcida do Palmeiras esteja sempre ciente da situação e dos eventuais perigos que se avizinhem.


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Patrocinador forte num clube fraco não adianta nada

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO Palmeiras viverá na noite desta segunda-feira uma noite crucial para os próximos anos de sua trajetória. O Conselho Deliberativo votará a chamada “emenda Leila”, uma modificação no estatuto do clube que contemplará, entre outras alterações, a mudança na duração do mandato do presidente do clube de dois para três anos.

É evidente que a mudança, por si só, seria benéfica ao clube. O mandato de dois anos amarra o presidente à política do clube, sempre efervescente. Com três anos de mandato, é possível projetar uma gestão mais sólida e não se perde tanto tempo fazendo política. Esta questão é praticamente ponto pacífico.

Ocorre que a mudança que está sendo proposta visa ter efeito já nas próximas eleições, marcadas para novembro deste ano na qual o atual presidente, Maurício Galiotte, concorrerá. A proposta seria válida se Galiotte não pudesse ser candidato. Os três anos de mandato são muito bem-vindos, mas só a partir da eleição marcada para novembro de 2020. Aplicadas ao atual presidente, configura casuísmo.

Mas toda essa discussão é apenas cortina de fumaça. Tanto os que defendem o “avanço político”, quanto os que previnem sobre o “casuísmo”, estão discutindo sobre o nada – e sabem disso – porque, na verdade, a alteração tem por único objetivo acelerar a chegada de Leila Pereira à presidência do clube. Nossa patrocinadora não está medindo esforços para chegar a esse posto, para acumular as funções de fornecer recursos ao Palmeiras e decidir o que é feito com esses recursos.

Estamos prestes a cometer um erro gravíssimo

Leila Pereira em campanha
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A força do Palmeiras vem da solidez de suas instituições: a torcida, o quadro associativo, a diretoria executiva e os órgãos colegiados. Estes últimos, sabemos, não costumam ser tão sólidos assim. É exatamente na mão de um desses órgãos, o Conselho Deliberativo, que está uma das decisões mais importantes para o futuro próximo do clube.

Leila Pereira mostra uma avidez pelo poder inédita na História do clube. Além de, na condição de patrocinadora, já participar da tomada de decisões no que diz respeito ao andamento do Departamento de Futebol, acelerou de forma incrível sua trajetória política, tornando-se sócia em 2015 (alegadamente, em 1996), conselheira em 2017 e candidata não assumida para o pleito que, caso a emenda que leva informalmente seu nome seja aprovada, será realizado em novembro de 2021.

A conselheira vem proporcionando agrados a dezenas de conselheiros, bancando viagens e jantares sem constrangimento, tudo para cooptá-los a aprovar a emenda que tanto deseja. Seu avião particular, onde costuma dar carona a colegas do Conselho para assistir aos jogos fora do Allianz Parque, é chamado à boca pequena de “aeroestatuto”.

Leila na cadeira de presidente em 2021 é errado duplamente: primeiro, por forçar o clube a alterar a regra no meio do jogo, dando três anos de mandato a uma reeleição que estava prevista para ter apenas dois; e segundo, e muito mais preocupante, por concentrar poder demais nas mãos de apenas uma pessoa, uma empresária de grande sucesso no ramo financeiro, mas que tem um preocupante histórico de impulsividade e que não entende nada de futebol  – e não se trata aqui das quatro linhas, mas sim de tudo o que envolve as atividades de um presidente de clube da grandeza do Palmeiras. A solidez do Palmeiras, apoiada no equilíbrio entre suas instituições, ficará abalada por essa abrupta concentração de poder.

Aeroestatuto
Leila Pereira dá carona a conselheiros do clube, entre eles Wlademir Pescarmona e César Maluco, para assistir ao jogo contra o Atlético-PR (reprodução: Twitter)

A Crefisa não é a Parmalat

Um dos principais argumentos dos defensores da escalada de Leila é que o Palmeiras tratou muito mal a Parmalat na virada do século; a multinacional italiana, ainda com muito por contribuir com o Palmeiras, foi impelida a sair do clube, que mergulhou num caos completo, culminando com o rebaixamento em 2002.

Tal argumento é completamente falacioso. As relações entre Palmeiras e Parmalat, sob um modelo de cogestão, respeitavam a soberania do clube no processo de tomada de decisões. O leitor Douglas Monaco resgatou os fatos históricos e descreveu com precisão neste post como era a dinâmica equilibrada e harmoniosa entre as duas partes – pelo menos até Mustafá Contursi resolver acabar com tudo.

Se rejeitar a aceleração do processo de condução de Leila à presidência significa afastar a Crefisa e todo seu potencial financeiro do clube, pode-se concluir que Leila Pereira não quer exatamente o bem de nosso Palmeiras enquanto patrocinadora, e sim que ela usa o patrocínio apenas como fator de pressão para um dia ser alguém que concentrará muito poder, criando uma dependência temerária.

Muito respeito ao patrocínio

Mauricio Galliote e Leila PereiraA Crefisa é a melhor patrocinadora que um clube poderia ter no cenário nacional. Não se pode confundir a necessidade de proteger as instituições palmeirenses com alegados maus tratos à patrocinadora, semelhante ao que ocorreu há cerca de duas décadas, quando Mustafá colocou a Parmalat para correr do Palmeiras.

Precisamos muito de um patrocinador forte, mas de nada adiantará se o clube se enfraquecer em suas instituições, revivendo o modus operandi exatamente de quem Leila Pereira hoje se declara inimiga: o próprio Mustafá. Estaremos trocando um modelo onde as fontes de receita são bem equilibradas por outro onde a origem dos recursos estará concentrada nas mãos da presidente-patrocinadora, tornando o Palmeiras, na prática, uma espécie de Crefisa FC – exatamente como desdenham hoje nossos invejosos adversários.

A única condição para que Leila Pereira se torne uma presidente que respeita o equilíbrio entre as instituições do clube seria, ironicamente, retirando o patrocínio ao se sentar na cadeira. E isso, ninguém quer – nem ela mesma.

Leila acena com a retirada do patrocínio se o Palmeiras eleger outro presidente ao fim do ano que não seja seu atual aliado, Maurício Galiotte. Há quem diga até que a Crefisa saia do clube em caso da “emenda Leila” não passar – terrorismo puro.

Perder a Crefisa ao fim deste ano seria um golpe duro ao clube, mas que teríamos que superar. A melhor forma de Leila Pereira demonstrar, de fato, seu amor e respeito pelo Palmeiras é mantendo o patrocínio e apoiando a gestão que o quadro associativo, através da Assembleia Geral, vier a escolher em todas as eleições, já que o retorno às marcas de suas empresas é mais do que evidente conforme ela mesma declarou várias vezes.

O Palmeiras não pode viver com a faca no pescoço e ser dependente de quem quer que seja. Patrocinadores vêm e vão; o Palmeiras precisa seguir forte e independente. Patrocinador forte, num clube fraco, não adianta nada.


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Palmeiras estuda nova e perigosa alteração estatutária

Maurício Galiotte
Divulgação

O Conselho Deliberativo do Palmeiras estuda nova alteração estatutária a ser votada nas próximas semanas. O principal ponto a ser apreciado pelo Conselho, posteriormente pela Assembleia Geral é a mudança da duração do mandato do presidente do clube, passando de dois para três anos.

A duração do mandato do presidente sempre foi um dos maiores entraves para a vida política do clube. Uma gestão de dois anos faz o presidente ter praticamente metade de seu mandato em ano eleitoral – algo que notoriamente dispersa a atenção e o foco no que realmente interessa, o futebol. Como no primeiro ano o presidente ainda está se inteirando dos fatos e implantando seus projetos, resta pouco tempo para que o clube seja gerido com 100% da atenção que necessita. Um mandato de três anos dá muito mais tranquilidade para que o trabalho, cada vez mais profissionalizado, seja bem desenvolvido.

Um dos argumentos contrários à mudança prega que, com um prazo maior, os prejuízos de se ter um novo Tirone como presidente seriam muito maiores. O que é uma enorme verdade.

Mas não é por causa desse risco que se deve recuar diante da mudança que se desenha. O Palmeiras tem que cuidar mais ainda para não colocar no cargo algum inepto. A eleição ficará mais séria ainda do que já é. Não podemos nos furtar a fazer o certo por medo de não sermos capazes de evitar que se repita o desastre de se eleger alguém com pouco comprometimento com nossas cores. Não é este o perigo.

A coisa certa, ao tempo certo

Ao mesmo tempo que precisa corrigir esta falha em sua estrutura política, o Palmeiras precisa respeitar o tempo para que as alterações não pareçam casuístas. A partir do momento em que a alteração for feita, é preciso guardar pelo menos um ano para que a uma eleição contemple os efeitos dessa mudança. A eleição presidencial para novembro próximo não pode dar já ao próximo mandato a extensão do tempo.

O correto é que a eleição de 2018 permaneça dando ao eleito uma gestão até o fim de 2020; a eleição em novembro de 2020 é que elegeria o primeiro presidente com mandato trienal.

O histórico escancara a manobra

Leila Pereira em campanha
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Depois de reduzir de oito para quatro anos como conselheiro o prazo para poder se candidatar à presidência, o Palmeiras pretende afrouxar ainda mais os pré-requisitos. Se o mandato de três anos for aprovado já para 2018, os conselheiros eleitos em 2017 serão os maiores favorecidos.

Pelo texto atual do Estatuto do Palmeiras, é necessário que um conselheiro tenha um mandato completo (quatro anos) para concorrer à presidência do clube – este prazo foi reduzido pela metade na última alteração estatutária, fato incomum na conservadora política do clube, que sempre preferiu períodos mais longos para afastar “aventureiros” do comando alviverde.

Se o eleito em novembro próximo já tiver um mandato de três anos, ele entregará o cargo em dezembro de 2021; os conselheiros eleitos em fevereiro de 2017 já terão completado seus mandatos de quatro anos e poderão assim ser candidatos ao cargo máximo do clube.

A alteração, a toque de caixa, é claramente casuísta e visa facilitar para que Leila Pereira seja candidata a presidente do clube em novembro de 2021. O Palmeiras, desta forma, entregaria as decisões do futebol do clube a quem coloca dinheiro no clube, num evidente e perigoso conflito ético.

Até a eleição de 2015, eram necessários pelo menos onze anos como sócio do clube para ser candidato à presidência: além dos dois mandatos de quatro anos como conselheiro, havia ainda a carência inicial para que o associado recém-admitido pudesse concorrer ao Conselho. Como num passe de mágica, uma associada de 2015 teve sua data inicial alterada para 1996, e poderá, apenas seis anos depois de confeccionar sua primeira carteirinha, ocupar a cadeira mais importante do mundo.

Se começa errado, acaba errado

Mauricio Galliote e Leila PereiraÉ evidente que o ritmo acelerado com que as coisas acontecem para favorecer Leila Pereira em sua caminhada ao poder num ambiente tão conservador como o Palmeiras mostra que houve algum catalisador no processo – e é pouco provável que tenha sido apenas o carisma da dona das empresas que patrocinam o clube.

Os benefícios de se ter os cofres sempre cheios possibilitam ao clube montar um elenco poderosíssimo. Mas isso, como vimos nos últimos dois campeonatos, não são suficientes para erguer troféus. Um patrocinador forte é capaz de reequilibrar a balança na briga com os dois clubes favorecidos pela rede de televisão detentora dos direitos de transmissão, mas se a gestão do clube não for focada em futebol, o mais provável é que sigamos ouvindo na imprensa que o clube deixou de ganhar campeonatos “apesar do alto investimento”.

A Crefisa e a FAM são parceiros excepcionais do clube e devem ser tratados com o máximo respeito e consideração, mas há linhas que não podem ser rompidas. O presidente do Palmeiras tem que ser uma pessoa ligada ao futebol e com raízes no clube. E isso só o tempo provém. Quem pega atalhos, além de não acumular a bagagem necessária, usa de meios questionáveis para atingir seus fins – algo que hoje repudiamos em nosso inimigo, ex-rival, e que não queremos ver por aqui.

A função do patrocinador é patrocinar; apoiar financeiramente em troca de visibilidade para seus produtos e serviços. Esse é o acordo – ou pelo menos, deveria ter sido. É perfeitamente lícito a qualquer empresário ter ambições políticas num clube de futebol, desde que, a partir do momento que assumir essa ambição, cesse qualquer relacionamento financeiro entre as partes.

Até porque, a partir do momento em que os bolsos da presidente e da patrocinadora forem os mesmos, o modelo de receita do clube tende a ser cada vez mais concentrado, tornando o Palmeiras refém de sua patrocinadora/presidente, cujo temperamento instável já rendeu até ameaças de “patrocinar o Flamengo, que tem mais visibilidade” em outros episódios.

Uma Leila presidente que acumule a função de patrocinadora não serve. Ao alterar o sólido modelo de receita construído nas últimas gestões, torna-lo-á frágil, dependente de sua vontade e de seu humor. Possivelmente será soberana, totalitária, como já é em sua empresa. A ética terá ido para o espaço. E quando romper o vínculo, jogará o clube em situação de penúria – algo semelhante ao que ocorre atualmente com o Fluminense, após a saída da Unimed.

Alexandre Mattos e Mauricio Galiotte

Uma Leila presidente, sem o patrocínio da Crefisa e cheia de ética, deve ser apenas melhor que o Tirone, a despeito de sua suposta competência como gestora de uma empresa financeira – a não ser que percorra o tempo necessário como sócia e conselheira para aprender como funciona o meioe isso pressupõe que não pegue (mais) atalhos. E que ninguém se iluda que apenas “ter o Mattos a seu lado” será suficiente. Alexandre Mattos é um comerciante excepcional; ele compra e vende jogadores por valores fantásticos e consegue ótimos acordos. Mas não é exatamente um montador de elencos brilhante; é preciso gente notoriamente do ramo para balizá-lo, além da grana de um novo patrocinador. Uma equipe improvável.

É por tudo isso que, se o clube alterar o mandato para a presidência para três anos já a partir da eleição de 2018, estará dando um passo perigosíssimo e colocando em risco todos os avanços que conquistamos nos últimos anos. Três anos, sim – mas só a partir de 2020. CUIDADO PALMEIRAS!


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Palmeiras e FAM investem no marketing em ação de benefício mútuo

Fernando Prass em comercial da FAM
Reprodução

A Faculdade das Américas desenvolveu em conjunto com o Palmeiras um plano de marketing a ser executado no ano de 2018 cuja primeira ação é a veiculação, a partir de hoje de uma peça publicitária em TV aberta, cujos “atores” principais são atletas do Palmeiras.

Como todos sabem, a FAM é do mesmo grupo da Crefisa, patrocinadora do Palmeiras – as empresas dividem os espaços disponíveis nos uniformes do clube. As receitas advindas dessa relação chegam perto de 20% do orçamento do clube.

A Crefisa/FAM, com essa iniciativa, torna-se de fato uma parceira do Palmeiras, indo além do mero patrocínio. Os jogadores do Verdão entrarão nas casas de milhões de brasileiros caracterizados como profissionais formados nos cursos ministrados pela FAM, usando conceitos de neuromarketing importantes para chamar a atenção do espectador para as duas marcas: Palmeiras e FAM.
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A FAM se aproveita da imagem de atletas importantes e divulga seus cursos e sua marca. O Palmeiras promove a imagem de seus atletas de forma simpática e inspiradora para milhões de espectadores, inclusive crianças que ainda estão na idade de escolher o time por que irão torcer. É uma ação de benefício mútuo. Ganha-ganha.

Tudo só para “ajudar o Palmeiras”

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraLeila Pereira, dona da FAM e da Crefisa, não esconde de ninguém seu desejo por aumentar sua já grande influência política no Palmeiras para um dia se tornar presidente do clube. Sua importância nos bastidores do futebol é notória, mesmo sendo uma neófita no meio. E usa esse poder para se promover, dispondo do sagrado ambiente da Academia de Futebol para gravar vídeos pessoais publicados no Instagram, entre outras atitudes que não coadunam com a postura de quem quer “ajudar o Palmeiras”, como gosta de dizer.

Não há nada de errado em ter ambições políticas no clube. Mas para se sentar naquela cadeira, é mandatório percorrer todo o caminho, sem atalhos, algo que demanda um tempo que, ao que parece, Leila não quer esperar. Para encurtar a trilha, aliou-se a Mustafá Contursi – e rapidamente percebeu que o preço dessa proximidade é muito alto. Rompeu o vínculo, depois de já  tê-lo usado para um passo importantíssimo na abreviação da trajetória: a polêmica associação retroativa a 1996 que jamais foi provada documentalmente e que gerou rachas políticos profundos.

Leila diz querer ser presidente para “ajudar o Palmeiras”. Despreza o fato de que, na condição de patrocinadora, fica evidente o conflito ético. E seu posicionamento pessoal alterou de forma substancial a evolução da política do clube. Com exceção do vultoso volume de dinheiro que despeja no clube, não parece ser a melhor forma de “ajudar o Palmeiras”.

É isso que esperamos de um patrocinador

Ações de marketing onde o benefício é mútuo é exatamente o que Leila Pereira, através de suas empresas, pode fazer a mais do que fornecer 20% do orçamento anual em troca da exposição de suas marcas. Se o objetivo é mesmo “ajudar o Palmeiras”, planos inteligentes como esse, onde as duas instituições saem fortalecidas, é claramente o caminho correto.

Ao levar Fernando Prass, Dudu, Moisés, Willian, Lucas Lima e Keno aos lares de milhões de espectadores, associando a imagem do Palmeiras a conceitos nobres como educação, Leila Pereira alavanca a imagem de sua empresa e deixa milhões de palmeirenses, inseridos ou não na política do clube, mais satisfeitos ainda com a relação de patrocínio.  Desta forma, consegue aumentar naturalmente sua influência, sem atalhos, de forma positiva, sem ferir nenhum princípio ético e sem implodir a política do clube. Parabéns ao Palmeiras e à FAM pelo projeto, cujo primeiro passo já planta a curiosidade pelas próximas ações.


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Rompimento entre Crefisa e Mustafá Contursi redesenha o panorama político do Palmeiras

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraLeila Pereira, presidente da Crefisa, patrocinadora e conselheira do Palmeiras, declarou em entrevista publicada hoje na Folha de S.Paulo algo que já circulava à boca pequena pelas alamedas: rompeu relações com Mustafá Contursi após o episódio de revenda de ingressos que veio à tona há algumas semanas.

A empresária, segundo o acordo de patrocínio, tem direito a uma cota de ingressos a cada jogo do Palmeiras no Allianz Parque, e repassava 70 deles a Mustafá como cortesia, num gesto político para que ele distribuísse entre sua base política. Mustafá foi o responsável pela manobra que deu a Leila a condição estatutária para poder concorrer ao cargo de conselheira.

Segundo acusações de uma intermediária, no entanto, os ingressos dados a Mustafá eram revendidos, caracterizando cambismo numa operação que pode ter movimentado mais de R$ 500 mil numa temporada – a revelação teria desapontado demais a conselheira, que assim decidiu por se afastar de seu criador político.

O movimento redesenha o cenário político do clube. Mustafá tinha em Leila um grande ponto de apoio para revitalizar suas bases políticas, cada vez mais carcomidas pelos minutos de silêncio. Foi por causa do apoio de Leila que o velho cacique conseguiu atrair novos apoiadores – entre eles um grupo que historicamente sempre foi seu inimigo: desde o ano passado, a UVB passou a rezar pela cartilha do homem que amaldiçoou por mais de uma década. Com esta reviravolta, o grupo tende a acompanhar o poder financeiro de Leila Pereira e abandonar Mustafá.

Mauricio Galliote e Leila PereiraMaurício Galiotte, que estava isolado politicamente, ganhou uma sobrevida importante com o episódio. Os dois passaram a disputar um cabo-de-guerra para ter Leila como aliada após Mustafá romper com o atual presidente por não atender a suas pressões para demitir Alexandre Mattos – com todas as vantagens para Mustafá.

O episódio dos ingressos, no entanto, virou o jogo. Maurício, até outro dia cercado apenas por alguns poucos e leais conselheiros, volta a ter força política, já que a Crefisa trará consigo uma série de bajuladores que finalmente veem alguém por quem vale a pena abandonar Mustafá.

Leila Pereira vai conseguindo se embrenhar na política do clube apoiada por seu poderio financeiro. Na mesma entrevista, deixou claríssimas suas intenções de concorrer à presidência do clube na eleição de novembro de 2022 – isso se os vários episódios desgastantes que ainda estão por vir não a demoverem dessa ambição. A cada imbróglio Leila tem condições de provar um pouco mais do que existe de pior na natureza humana. A política do Palmeiras não é para iniciantes.

Rascunho da eleição do ano que vem

Paulo Nobre e Mauricio GaliotteEm novembro de 2018 teremos novas eleições para a presidência do clube e Maurício Galiotte, com o suporte da Crefisa, voltou a ser um nome forte para concorrer à reeleição. Mustafá Contursi, acuado, volta a conviver com o mesmo problema que já o incomoda há alguns anos: seu grupo de apoiadores é formado apenas por puxa-sacos, cada vez mais ultrapassados e incapazes de gerir sequer uma banca de jornal – foi isso que o fez apelar para Arnaldo Tirone em 2011. E foi isso que o fez topar uma aliança com Paulo Nobre em 2013.

Maurício Galiotte tem o apoio de Leila Pereira, que nutre ódio mortal por Paulo Nobre, o que é recíproco. Os resultados esportivos de 2018 terão um peso importante. Se o Palmeiras voltar a conquistar troféus, a reeleição é quase certa e talvez Nobre nem saia de seu bunker político e continue a correr rally pelo mundo. Em caso de mais turbulência, a disputa pode ocorrer, e deve ser acirrada.

Tudo o que esperamos é que essas pessoas pratiquem Política, com “P” maiúsculo, de Palmeiras. Podem continuar se odiando, ou podem se reconciliar, isso realmente não importa – desde que a disputa seja leal, o profissionalismo continue prevalecendo e o time siga com o protagonismo que já exerce há três temporadas. Com Maurício, Leila, ou Paulo, seja quem estiver à frente do clube.


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