Avanço e coincidências atrapalham o Palmeiras no Brasileirão

The Who arrepiou no Allianz Parque, em 2017

Em novembro próximo, o Allianz Parque completará cinco anos de atividade. O estádio, inaugurado em 19 de novembro de 2014, é um marco no renascimento do Palmeiras e uma fonte de renda fundamental para o clube nas próximas décadas, como já pudemos ver neste post.

A característica multiuso do estádio atrai a realização de grandiosos shows que são agendados, às vezes, com quase um ano de antecedência. A página oficial do Allianz Parque, cuja gestão é da WTorre, mantém o calendário de concertos disponível ao público.

Neste momento, a eclética agenda prevê atrações para todos os gostos: Paul McCartney em março, Star Wars In Concert em abril, BTS e Los Hermanos em maio, Sandy & Júnior em agosto e Shawn Mendes em novembro.

Como já é costume desde a inauguração, o Palmeiras precisa fazer alguns sacrifícios na temporada e mandar jogos fora do Allianz Parque por conta desses compromissos. Neste período, foram 20 partidas em outros estádios, média de 5 por ano – destas, 19 foram no Pacaembu e uma na Fonte Luminosa, em Araraquara. Não houve prejuízo técnico: a campanha foi de 14 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas.

Problemas à vista

Para este ano, o Pacaembu está fora do roteiro do Brasileirão. Ao fazer uma inédita exigência na iluminação dos estádios, a entidade condicionou a permanência do velho Municipal à altamente improvável reforma do sistema, dado que a Prefeitura claramente tem outras prioridades.

Isto faz com que o Palmeiras precise buscar alternativas para receber os jogos em que haja conflito de agenda. Até a rodada 33, é permitido recorrer a cidades em outros estados

O lado bom é que torcedores de outras praças, que raramente têm a chance de receber o Verdão, poderão assistir nosso time de pertinho – muitos, pela primeira vez.

Resta saber quais estádios atendem às especificações da CBF e dispõem de um estádio cujo sistema de iluminação atinjam 800 lux – a nova exigência da CBF.

Jogos comprometidos

A CBF divulgou a tabela básica do Brasileirão, com todos os jogos marcados provisoriamente para domingos e quarta-feiras – as datas definitivas são marcadas após a deliberação da RGT. Três jogos do Palmeiras parecem comprometidos e demandarão esforços de nossa diretoria junto à CBF para que o Allianz Parque possa recebê-los. Clique aqui para acessar o calendário geral de jogos divulgado pela CBF e acompanhe a resolução do quebra-cabeças.

1) vs. Santos
O show da banda Los Hermanos (18 de maio) vai obrigar o Palmeiras a jogar contra o Santos fora do Allianz Parque, marcado para o dia 19, na quinta rodada. O Pacaembu pode ser usado se o jogo for marcado para as 11 da manhã, se é que esse horário será reeditado este ano. Uma alternativa seria puxar o jogo para o meio da semana, dia 15, uma das três datas previstas para as oitavas-de-final da Copa do Brasil, o que demandaria alguma ginástica de nossa diretoria para que a CBF nos atenda e marque os jogos de Palmeiras e de Santos para as outras duas datas, dias 22 e 29 de maio.

2) vs. Fluminense
O show de Sandy & Júnior está marcado para o sábado, dia 24 de agosto e a tabela prevê a partida contra o Fluminense para o domingo. Talvez houvesse tempo hábil para que o jogo fosse realizado na segunda à noite, mas há o impeditivo que esse horário é do SporTV, que não pode fazer a transmissão porque o Palmeiras vendeu os direitos de TV fechada para o grupo Turner. Mais uma vez, o horário das 11 da manhã permitiria o uso do Pacaembu. O Plano B seria adiar o jogo para o dia 18 de setembro, data prevista para a final da Copa Sul-Americana, contando que o time carioca já estará eliminado.

3) vs. Flamengo
No dia 1 de dezembro, na rodada 36, enfrentam-se dois dos grandes candidatos ao título: Palmeiras x Flamengo. Nos dias 29 e 30 de novembro, o estádio receberá o show do cantor Shawn Mendes. De novo, o horário da manhã resolveria o problema e o Municipal poderia ser o palco do jogo. As datas mais próximas que permitiriam uma manobra no calendário seriam os dias 13 e 20 de novembro, inicialmente vagas, por conta de estarem compreendidas entre datas FIFA.

Esta partida, especialmente, precisa de uma saída a todo custo, a começar pela óbvia importância técnica para o campeonato. Mas por ser um jogo nas cinco rodadas finais do campeonato, o Palmeiras sequer teria a chance de mandar em outro estado, restando, como alternativas, apenas o Morumbi e o Itaquerão. Uma catástrofe!

Avanço do futebol e coincidências

Sede da CBF

A exigência de 800 lux pode ser considerada um avanço no futebol brasileiro, a não ser pelo fato de que poucos estádios país afora satisfarão à determinação, concentrando a realização dos jogos nos grandes estádios, reformadas ou construídas para a Copa de 2014. Barueri, uma alternativa natural aos estádios da capital paulista, ainda não atende à nova exigência.

Por uma grande coincidência, justo o Palmeiras, por mandar seus jogos num estádio que sabidamente é palco de grandes shows, acaba sendo muito prejudicado por não poder mais contar com o Pacaembu como estádio substituto, nessas ocasiões.

Também por uma grande coincidência, um dos jogos-chave do campeonato, a três rodadas do fim, foi marcado para uma data em que já é sabido que haverá um show no estádio. De quebra, o jogo contra o Fluminense, outro time da cidade onde fica a sede da CBF e da RGT, também foi marcado para uma data que coincide com show no Allianz Parque.

À diretoria do Palmeiras cabe, agora, exercitar a política e defender mais uma vez os interesses do clube, tanto junto à WTorre, para que seja criteriosa na marcação de novos shows até o final do ano, quanto (e principalmente) junto à CBF, no sentido de remanejar os jogos em que o clube será obrigado a mandar as partidas fora de nosso estádio.

Eventualmente, o Palmeiras poderia até estudar um projeto para ajudar a viabilizar a reforma do sistema de iluminação do Pacaembu, já que a prefeitura se recusa a custear a adequação, num primeiro momento.

O que não podemos é permitir que essas coincidências atrapalhem nosso caminho rumo ao 11º título brasileiro. Os problemas já estão definidos com muito tempo de antecedência. Dá pra resolver.


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“Era Allianz Parque” coloca o Palmeiras no caminho do topo

Painel de led no Allianz Parque

A “Era Allianz Parque” é uma realidade. O Palmeiras divulgou na semana passada o balanço de 2018 e segundo o documento, aprovado por unanimidade pelo COF, o resultado positivo do Palmeiras foi de R$ 30,7 milhões, após uma receita que superou os R$ 688 milhões.

O valor arrecadado é recorde absoluto no Brasil e reafirma a posição do clube no protagonismo do futebol nacional. Os títulos que o Palmeiras vem conquistando nos últimos anos são resultado também desta força financeira, que tem no estádio seu pilar mais importante.

Como é de conhecimento geral, ao final de 2012 o Palmeiras atravessava a maior crise de sua História. Rebaixado para a segunda divisão e com o fluxo de caixa comprometido a ponto de não conseguir pagar a conta de luz na projeção para abril de 2013, o clube passou por uma profunda reestruturação administrativo-financeira, para enfim, após a inauguração do Allianz Parque, “beber água limpa”.

Hoje o clube tem dívidas modestas e perfeitamente escalonadas; não tem despesas com juros bancários e não precisa apelar para as televisões ou para as federações mendigando adiantamentos de receitas – e assim não é refém de ninguém, podendo endurecer nas negociações.

Maior em 2018; e deve ser também em 2019

Keno, Roger Guedes e Willian
César Greco / Ag.Palmeiras

O ótimo resultado financeiro foi possível pela somatória de grandes fontes de renda. A Crefisa é, de longe, o maior patrocinador do futebol brasileiro – em 2018, foram R$ 78 milhões. O Avanti, mesmo com todos os problemas, segue proporcionando uma renda vultosa ao clube, assim como as excelentes arrecadações do Allianz Parque.

As cifras superaram em muito a previsão do início de 2018 por causa das vendas de jogadores como Keno, Roger Guedes e Tchê Tchê, além das crias da base João Pedro, Daniel Fuzato e Fernando.

Para 2019, o Palmeiras previu uma receita de R$ 561 milhões, dos quais “apenas” R$ 50 milhões viriam da venda de jogadores. O dinheiro da televisão aberta e do pay-per-view também não entrou nessa previsão, já que as negociações com a RGT permanecem abertas e o Palmeiras faz jogo duro.

Mesmo conservadora, a previsão orçamentária mantém o Palmeiras entre os clubes com maior arrecadação do país por mais um ano. E ainda há espaço para crescimento. Muito espaço.

Olhando para o alto

O West Ham, de Londres, que disputava suas partidas no Upton Park, estádio para cerca de 35 mil pessoas, passou a mandar seus jogos a partir de 2015 no London Stadium, construído para a Olimpíada de 2012 e que pode receber até 60 mil espectadores. Desde então, suas receitas no matchday – aquelas provenientes da bilheteria e comércio nos dias de jogos – cresceram substancialmente.

As dívidas provenientes de problemas jurídicos tendem a se esgotar. Desde 2013, o Palmeiras tem feito tudo da maneira mais correta possível e não há notícias de ações de credores desde então – as buchas que ainda aparecem vêm de 2012 para trás, mas devem ser liquidadas no médio prazo.

O Palmeiras vai, pelo menos na teoria, aumentar suas receitas no matchday a partir de outubro, quando o Allianz Parque completará 5 anos de operação. A partir daí, os repasses da WTorre ao clube, em todos os eventos de que detém a operação como shows e comércio em geral, passarão dos atuais 5% para 10% – e daqui a cinco anos o repasse será de 15%.

Há, no entanto, um impasse entre as partes, que segue emperrado e esperando por uma arbitragem. A WTorre não vem repassando a parte das operações que cabe ao Palmeiras há muito tempo. Há uma corrente que acredita que o valor acumulado devido ao clube, com o passar do tempo, será tão grande que a WTorre não chegará ao trigésimo ano como detentora dos direitos da superfície do terreno, deixando a operação bem antes do prazo previsto – a receita proveniente do Allianz Parque, que já é enorme, a partir daí seria toda do Palmeiras.

Os caminhos para crescer ainda mais

As ambições do Palmeiras podem e devem ser grandes, enormes. Ser o maior clube do país e do continente é uma meta que já foi alcançada no aspecto financeiro, faltando apenas confirmar com conquistas esportivas, sobretudo em âmbito continental. Essas conquistas atrairão mais torcedores, que por sua vez serão mais fontes de renda, que serão fundamentais para manter bons times, que conquistarão mais títulos, completando o círculo virtuoso.

A economia brasileira não permite que possamos sonhar em nos equipararmos com equipes de ponta do planeta, como Manchester United e Real Madrid, cujas receitas em 2018 ultrapassaram os US$ 800 milhões (mais de R$ 3 bilhões). Ainda.

No entanto, já podemos pensar em ultrapassar clubes como o West Ham (arrecadação em 2018: US$ 261 milhões, cerca de R$ 965 milhões) e nos equipararmos, ao menos, aos “semigrandes” da Europa, como o Atlético de Madrid. Os colchoneros ocupam a 13ª posição na arrecadação mundial, com US$ 339 milhões (cerca de R$ 1,25 bilhão). O Palmeiras precisaria quase dobrar o que arrecadou em 2018 para chegar a esse patamar. Dá? Claro que dá.

  1. Patrocínio – a Crefisa hoje paga o maior valor do país para aparecer em nossas camisas e propriedades de marketing, mas esse valor, diante do crescimento de visibilidade alcançado pelas empresas do grupo, pode ser muito maior;
  2. WTorre – se a empresa de Walter Torre, no mínimo, voltar a fazer os repasses devidos sobre as receitas de shows e matchdays, os ganhos do clube subirão substancialmente; para isso, é necessário que o imbróglio jurídico entre as partes seja solucionado pela arbitragem;
  3. Avanti – se o clube voltar a investir no plano de sócio torcedor – tanto na estrutura como nos produtos em si – e torná-lo realmente atraente para todos os nichos de palmeirenses, pode voltar a ser o maior plano do país em volume de torcedores e em arrecadação;
  4. Vendas de atletas da base – o Palmeiras está se especializando em vender jogadores da base para outros centros. Com o tempo, pode se tornar uma fonte confiável de jogadores “tipo exportação”. Quanto mais atletas com o “selo Palmeiras” vingarem na Europa, maior o valor das vendas futuras. Além disso, a cada transferência desses jogadores no decorrer de suas carreiras, o Palmeiras ganha um quinhão. E isso também influencia na venda de jogadores já formados, que podem sair por verdadeiras fortunas;
  5. Ações de marketing – é possível buscar novas fontes de renda ao redor do mundo, como fazem os grandes da Europa. A marca Palmeiras tem um potencial gigantesco a ser explorado. Conquistando títulos e se estabilizando como o clube mais poderoso da América do Sul, haverá muitos frutos a serem colhidos.

Pés no chão

Mauricio Galiotte

O presidente Maurício Galiotte constantemente menciona a ambição do clube quando questionado sobre o volume de dinheiro que o Palmeiras vem girando nos últimos anos. Sem recursos financeiros não se faz um clube competitivo e o Verdão rapidamente saiu de uma situação de penúria para ser um dos poucos clubes devidamente encaixados num modelo profissional de gestão do futebol.

É possível continuar sonhando alto, mas é fundamental manter os pés na terra. O clube precisa continuar conquistando títulos para manter a trajetória ascendente, e a Libertadores é um degrau importante que precisa voltar a ser vencido. Tudo tem seu tempo e os passos devem ser dados um de cada vez.

Continuamos tendo rivais à altura ainda em nosso território – o Flamengo também fez um ótimo trabalho de reestruturação econômica e rivaliza conosco, embora ainda não tenha conseguido o mesmo sucesso dentro de campo.

Para seguir conquistando títulos, além da saúde financeira, é necessário manter a excelência no departamento de futebol. E qualquer ebulição política é suficiente para desestabilizar o ambiente e jogar tudo por água abaixo – vide o nosso soberano vizinho de muro.

O profissionalismo deve sempre falar mais alto. O outro rival, que hoje é inimigo, sonhou ser o maior clube do mundo há alguns anos, mas deu passos muito errados para ter seu sonhado estádio e voltou a ser o devedor de marmitas que sempre foi.

Por fim, não adianta nada ter o elenco mais poderoso e ser prejudicado pelas arbitragens em jogos decisivos, como vem acontecendo de forma recorrente em nosso passado recente. O Palmeiras precisa ser respeitado e temido nos bastidores.

Podemos e devemos sonhar alto, estamos com condições para isso. É nossa vez de mirarmos para o céu. Mas para nos mantermos nessa trajetória, é preciso muito cuidado e profissionalismo total. Não há mais espaço para a politicagem mesquinha que caracterizou por muito tempo não só o Palmeiras, mas ainda hoje, todos os clubes de futebol do país. Se aproveitaremos nossa chance ou não, o tempo dirá. VAMOS PALMEIRAS!


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Allianz Parque completa três anos e já incorporou a identidade palmeirense

Allianz ParqueNo dia 19 de novembro de 2014, há exatos três anos, o Palmeiras inaugurava o que viria a ser um dos pilares mais importantes da virada por que passou o clube após anos de franca decadência: o Allianz Parque.

O time no dia da partida inaugural era reflexo do processo de deterioração por que passava o clube nos anos anteriores e o risco de mais um rebaixamento era mais que real. A inauguração do estádio foi acelerada para que o time pudesse contar com o apoio maciço da torcida em sua nova casa e assim conseguir os resultados para escapar da queda. Sem identificação com o novo gigante de concreto, o Palmeiras marcou apenas um ponto naqueles dois jogos, contra Sport e Atlético-PR, e se salvou graças à incompetência ainda maior dos concorrentes.

Veio 2015 e o Palmeiras deu uma grande virada. O clube estava virando piada, mesmo com um passado tão glorioso. Rivais faziam chacota diante de uma tendência real de apequenamento. Mas o Verdão soube se reinventar. Sacrificou quatro anos jogando sem casa, para erguer o Novo Palestra Italia, o Allianz Parque.

Gol de RobinhoNo início houve o sentimento de estranheza, semelhante àquele que temos nos mudamos de casa. O conforto e a modernidade, no entanto, amenizaram a resistência. A saudade do velho Palestra permanece viva dentro de nossos peitos, mas aprendeu a conviver com o orgulho e o prazer de ter um estádio que já foi cenário de momentos inesquecíveis.

Perdemos na inauguração. Perdemos o primeiro Derby, numa falha grosseira do Vitor Hugo. Em meio a resultados angustiantes, o público tradicional do velho Palestra ganhava a companhia de uma turma nova.

Os 12 mil tradicionais, os “de sempre”, passaram a dividir o espaço com um público que, entre outras coisas, se ocupava com bastões de bate-bate e se divertia com câmeras nos momentos mais tensos dos jogos. Essa turma topou ir ao campo ver o Palmeiras ao perceber que não precisava mais tomar chuva, pegar irritantes filas para comprar ingresso, entrar e sair do estádio, usar banheiros limpos, entre outras conveniências. Houve o natural conflito cultural no início. Mas a média de público disparou.

Campeão Copa do Brasil 2015Todo esse avanço trouxe para o Palmeiras muitos recursos econômicos, através das bilheterias e do Avanti. Enquanto o clube voltava a conviver com um fluxo financeiro saudável, os bons resultados em campo começaram a aparecer. Duas goleadas sobre o SPFC, uma sobre o Flamengo e a sensacional campanha com vitórias sobre Cruzeiro, Fluminense, Inter e Santos, que culminaram com a conquista da Copa do Brasil, fecharam o primeiro ano completo do novo estádio. Os dois tipos de público, cada vez mais um só, aprenderam a conviver e a celebrar conquistas juntos.

O ano de 2016 foi melhor ainda; Fernando Prass, Dudu e Gabriel Jesus, cada vez mais ídolos, lideraram um time que sobreviveu a uma eliminação na Libertadores para fazer uma campanha espetacular no Brasileirão, enfileirando vitórias marcantes, sobretudo nos clássicos: nossos rivais não tiveram vez e o Allianz Parque testemunhou a conquista de mais um título brasileiro, o nono do Palmeiras, ao mesmo tempo que marcou a última partida do time da Chapecoense que protagonizaria dias depois a maior tragédia do futebol brasileiro.

Palmeiras Campeão Brasileiro 2016O ano de 2017 ainda não terminou. O Palmeiras, mesmo sem conquistar títulos, foi mais uma vez um dos protagonistas do futebol no ano, tendo quase sempre como cenário seu magnífico estádio, com mais de 30 mil pagantes em média por jogo.

Pagamos um preço por isso – além da estiagem durante o prolongado período de construção, abrimos mão de mandos em jogos importantes nesse período para cumprir o conturbado acordo com a construtora.  O gramado segue problemático e muitos itens fundamentais seguem em não-conformidade, como a ausência dos escudos do clube na fachada externa, o restaurante panorâmico que ocupa lugar de cerca de 200 assentos e permanece apenas na estrutura, e o memorial com nossa vasta e crescente galeria de troféus, que continua só no papel.

Essas ressalvas, no entanto, ficam menores quando vislumbramos o avanço que o Allianz Parque proporcionou ao clube nesses três anos de existência. Hoje é um estádio que, 93 jogos depois, já tem a identidade palmeirense e tende a ser palco de muito mais alegrias e conquistas nos anos que estão por vir. Parabéns e VAMOS PALMEIRAS!


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WTorre lança atrações para rentabilizar o estádio; museu e restaurante seguem parados

A WTorre anunciou um novo pacote de atrações para a torcida do Palmeiras na manhã desta sexta-feira: o “Allianz Parque Experience”, um leque com seis atrações que o palmeirense poderá experimentar para ampliar sua relação com o clube e com o estádio.

A atividade mais impactante é o rapel a 40 metros de altura, desde a cobertura do estádio, que os torcedores poderão descer por “módicos” R$ 220. Também haverá bar temático e visita guiada por ídolos do passado, peladas no gramado do estádio e atividades com videogames. Tudo para tentar rentabilizar mais ainda o estádio

Sempre é bom lembrar que todos os eventos realizados pela WTorre terão parte da renda destinada ao Palmeiras: 5% até 2019; 10% até 2024; 15% até 2029, e assim sucessivamente, até atingir 30% entre 2039 e 2044, quando o controle total do estádio voltará para as mãos do Palmeiras – isso se a construtora não decidir tirar o time de campo antes, diante dos valores que ainda permanecem em aberto e que serão decididos em novas rodadas de arbitragens.

Palavra empenhada e não cumprida

Estas iniciativas para tentar rentabilizar ainda mais o estádio são o que podem sustentar a operação da WTorre, que tem dificuldades para cumprir o que prometeu na época em que precisou convencer os sócios do clube a aprovarem a mudança no estatuto, passo indispensável para que fosse feito o contrato de cessão de uso de superfície sobre o qual todo o projeto foi calcado.

A carcaça do restaurante panorâmico permanece na fronteira entre as arquibancadas Superior Norte e Leste; ociosa, crua, comendo um espaço importante onde poderia haver torcedores apoiando o time em campo. O museu segue sem previsão de ser ativado e os troféus que o Palmeiras seguem conquistando estão acondicionados em caixas de papelão num depósito qualquer, situação que perdura há pelo menos sete anos.

Isto sem mencionar que um dos grandes desejos de nossa torcida é ter o escudo do Palmeiras exibido em todos os cantos do estádio, algo que nos vem sendo negado pela WTorre – a desculpa oficial é que a prefeitura não permite, mas é sabido que não há nenhuma disposição da construtora em caracterizar a estrutura como casa palmeirense para não tirar a “neutralidade” do local em eventos extra-futebol, que recebem torcedores de outros clubes.

Tomara que a WTorre seja bem-sucedida em suas novas “Experiences” e assim consiga caixa para tocar os projetos que estão parados, cumprindo a palavra empenhada, disponibilizando nosso museu e finalizando o restaurante – ou então revertendo de uma vez aquele local em cadeiras para acomodar mais torcedores. Só aceitaremos mudanças nas propostas iniciais, que vocês podem relembrar nos vídeos abaixo, se forem para deixar nossa casa melhor. Nunca pior.


 

Não tá mais lá dentro

A torcida se reencontrou com o time ontem à tarde no Allianz Parque; mais de 34 mil torcedores viram o time comandado por Cuca dar bons sinais de evolução, embora ainda longe de atingir o patamar que todos desejamos. De qualquer forma, foi um jogo agradável e cheio de alternativas, com várias chances de gol.

Além do que vem acontecendo dentro de campo, o que vem chamando atenção nas partidas disputadas em nosso estádio são as intervenções do locutor oficial, Marcos Costi – e não pela criatividade e empolgação que sempre o caracterizaram – muito ao contrário. O que se nota, já há duas partidas, é que Costi está muito mais contido, formal. Quase fúnebre.

Marcos Costi
www.facebook.com/forzapalestrina / Arquivo Pessoal

O tom sepulcral sempre foi uma das marcas registradas do locutor na hora de listar a escalação do time adversário. Era divertidíssimo ouvi-lo divulgar os jogadores do visitante como quem lê uma lista de soldados mortos na guerra, para logo em seguida emendar com um sonoro e animado “e agora, o maior campeão do Brasil; vamos para a escalação da… SOCIEDAAAAADEEE ESPORTIVAAAAA PAAAAAALMEIRAAAS!!!” A locução é marcante a ponto de fazer com que a palavra “Sociedade”, ouvida em qualquer contexto no dia-a-dia, dispare um gatilho no cérebro que emende com “Esportiva Palmeiras” – no ritmo do locutor, claro. Um bug mental delicioso.

A marca registrada de Costi, claro, é no anúncio dos gols: após a explosão da torcida, vem o já famoso TÁÁÁÁÁ LÁÁ DENTROOOO… FOI ELE, CAMISA SETE… DUUUUUUDUUUUUU!!! Se para nós, adultos, seu trabalho provoca esse tipo de efeito, imaginem nas crianças que sonham acordadas no estádio e o quanto elas podem repetir a narração brincando em casa, no jogo de botão (ainda fazem isso?) ou mesmo na escola, infernizando os amiguinhos que torcem para os rivais.

Intervenções históricas

Algumas intervenções de Costi ficaram para a história, como “Na minha casa, mando eu”, cunhada durante a campanha da conquista da Copa do Brasil em 2015 e que virou a camiseta do título. Durante a campanha do Brasileirão de 2016, quando o SCCP marcou um gol no Flamengo, nosso concorrente direto pelo título, anunciou: “Cheirinho no ar! No Maracanã, visitante um, Flamengo zero!”.

A provocação ao Flamengo se repetiu ao final do jogo contra o Inter, pela Copa do Brasil, há três semanas – a eliminação do time carioca se deu de forma surpreendente, com dois gols em jogos diferentes acontecendo nos minutos finais. O anúncio do resultado se deu novamente com a introdução “Cheirinho no ar”, para delírio de nossa torcida.

Frieza

Depois disso, no jogo contra o Tucumán, e novamente ontem, o tom de Costi foi sereno. Frio. O jogo inteiro foi uma enorme escalação do Atlético. O repentino “profissionalismo extremo”, sem mais informações,  nos permite especular que só pode ter acontecido alguma coisa – uma orientação vinda “de cima”, seja da WTorre ou da diretoria do Palmeiras, para que abaixasse o tom – o que, se confirmado, seria uma tremenda bola fora.

Diante de tantos “não pode” que estão tirando boa parte da graça da experiência de ir a um estádio de futebol, esperamos que Marcos Costi receba um e-mail nos próximos dias dizendo que “pode”. Se uma ou outra intervenção provocou alguma saia justa ou incomodou a alguém, que isso seja equacionado e que se façam as regrinhas. Mas deixem a emoção de um locutor que tem a percepção exata da alma palestrina num estádio ser amplificada pelo sistema de som do Allianz Parque e invadir o imaginário das crianças – e dos adultos também.

Fim do “Deitado Eternamente”

A nota positiva dos bastidores do jogo vem da volta da execução obrigatória do Hino Nacional na versão instrumental, apenas em sua primeira parte, como em todos os estádios do país que já ignoravam a tal lei que só o Allianz Parque queria obedecer.

Tem leis que “pegam”, e leis que “não pegam”. Essa não pegou, e nem podia pegar. Além de esfriar demais os jogadores após o aquecimento, o Hino executado com a versão cantada inibia a nossa versão. Ontem, foi PALMEIRAS, MEU PALMEIRAS na veia. Ótima mudança.