Palmeiras inspira confiança no Mundial, apesar da letargia da diretoria

Abel Ferreira comanda treino do Palmeiras visando a disputa do Mundial de Clubes 2022
Cesar Greco

A menos de 4 semanas da estreia no Mundial de Clubes, Abel Ferreira trabalha para colocar o elenco que jogará a competição em condições de disputar o título.

A competição nos Emirados Árabes acontece no início da temporada e não há a preocupação com o desgaste físico acumulado. Os atletas do Verdão chegarão a Abu Dhabi perto da condição atlética ideal – ainda estarão “na subida”, dado o retorno das férias.

Por isso, o time considerado titular por Abel pode ser usado sem maiores restrições; o uso intensivo do elenco não deve ser necessário no Mundial. São apenas duas partidas, a serem disputadas com muita intensidade, mas numa fase bastante amena do calendário.

Assim, a base do time que venceu a Libertadores, mantida, deve permanecer para a competição nos Emirados Árabes. Dos reforços confirmados até agora, Atuesta e Murilo aparecem com mais chances de serem incorporados aos titulares, dependendo da opção tática de Abel para cada jogo.

Pressa? Que pressa?

O diretor de futebol do Palmeiras Anderson Barros, concede entrevista coletiva, na Academia de Futebol.
Cesar Greco

Talvez seja a confiança na manutenção do elenco titular que venceu a Libertadores que faz com que a diretoria do Palmeiras não demonstre a agilidade no mercado que a torcida deseja.

Na defesa, Abel ainda sonha com um zagueiro canhoto para melhorar a saída de bola e aproveitar Piquerez mais avançado. Sem essa peça, já que Murilo é destro, o uruguaio tende a seguir ajudando na saída de 3, prejudicando a saída rápida pelo lado esquerdo. Para resolver a questão, Gustavo Scarpa pode seguir sendo usado pelo flanco, região onde o camisa 14, claramente, não rende todo o seu potencial. A boa notícia é que Jorge parece bem mais desenvolvido fisicamente que no ano passado e passa a ser mais uma opção.

No ataque, Rony segue sendo o favorito para figurar como peça mais avançada, mas Deyverson, na esteira do gol decisivo em Montevideo, e o novato Rafael Navarro, que conduziu o Botafogo a uma campanha de destaque na Série B, aparecem como opções.

Obviamente o torcedor espera ainda por uma grande contratação para ser o 9 do Palmeiras na temporada de 2022, mas a esta altura, parece pouco provável que uma negociação concretizada nas próximas horas renda o centroavante do Mundial, diante do tempo necessário para cumprir todo o processo de ambientação. É sabido que no futebol, às vezes, encaixes acontecem rápido – mas é bem raro.

Os novatos

Marcelo Lomba

Marcelo Lomba substitui Jailsão no elenco e sabe que sua função é estar à disposição quando Weverton, titular absoluto, estiver fora de combate.

Experiente e ainda em boa forma técnica, vai ser importante para o vestiário e também na lapidação de Vinicius Silvestre, que ainda sonha com a titularidade no futuro.

O zagueiro Murilo chegou para ser a opção de zagueiro pelo lado esquerdo, onde está acostumado a jogar, mesmo sendo destro.

Se tiver o passe com o pé esquerdo bem calibrado, pode tomar conta do setor. Mas vai precisar conquistar a confiança da comissão técnica e isso leva algum tempo.

Jailson

Jailson chega para fazer o “5” e ocupará a vaga de Felipe Melo no elenco. Além de ser um volante com características mais combativas, pode ser deslocado para a zaga numa eventualidade.

A falta de ritmo de jogo causada pela longa inatividade, no entanto, pode atrapalhar neste início de temporada.

Atuesta

O colombiano Atuesta aparenta ser um meio-campista completo, com noções de marcação, ocupação de espaços e capacidade para armar jogadas por dentro.

Tem tudo para ser o cara que dá o passe que quebra linhas, algo que Danilo ainda não desenvolveu por completo. Briga para ser o “8” do Mundial.

Bastante jovem, Rafael Navarro ainda não tem envergadura para satisfazer a torcida, que sonha com um anúncio de impacto.

No entanto, ser a principal peça numa campanha de destaque do Botafogo devia animar mais. O clube carioca já não tem porte para nadar de braçada nem na segunda divisão; se conseguiu, foi graças a um ponto fora da curva e os botafoguenses ainda lamentam demais sua saída para o Verdão. Dá para colocar algumas fichas no cara.

Confiança em ganhar o Mundial, apesar da letargia

O atual elenco certamente não dará conta de toda a temporada, mas pode ser perfeitamente capaz de trazer o bicampeonato mundial.

O entrosamento adquirido, o pleno entendimento das propostas do treinador, a forma física adequada e o foco ajustado são fatores que jogam a nosso favor. Não tivemos nada disso em 2021, no Catar. Todos os nossos principais adversários de 2022 têm problemas relacionados a alguns desses aspectos. Por isso, é bastante possível sonhar com mais uma conquista.

Mas isso não exime a diretoria de futebol de cobranças, mesmo se o título vier. Era obrigação do Palmeiras ter dado a Abel Ferreira o elenco completo já para o Mundial. Não se vence uma Libertadores toda hora; não se disputa um Mundial toda hora. É uma chance rara de conquistar um campeonato histórico que está sendo tratada como uma passagem trivial, apenas um campeonato a mais.

O tamanho da disputa merecia um esforço especial da diretoria. Fazer loucuras, cometer irresponsabilidades, nunca é o caminho correto, mas o diretor de futebol está no cargo há dois anos; a presidente já sabia que estaria eleita há tanto ou mais tempo e o trabalho não tem “apenas um mês”. Deveria haver planos de contratação para cada lacuna do elenco para entregar ao treinador o elenco completo no dia da reapresentação. As indefinições depõem contra a existência desse planejamento.

Que essa letargia da diretoria não nos custe uma chance de vencer mais um campeonato histórico. VAMOS PALMEIRAS!


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Crias da Academia podem fazer de 2022 um ano histórico para a base do Palmeiras

O elenco do Palmeiras para 2022 ainda não está definido. Após as dispensas de Jailson, Felipe Melo e Willian, três jogadores foram contratados como reposição: Marcelo Lomba, Atuesta e Rafael Navarro. Num primeiro momento, podemos falar em rejuvenescimento, mas não em qualificação – os três contratados ainda precisam mostrar seus valores para provar que são melhores que os substituídos.

Cesar Greco

A base pode ser um aliado da diretoria e da comissão técnica nesta missão. O ano de 2021 foi extremamente pródigo em conquistas também nas categorias menores e mais Crias da Academia podem se juntar a Renan, Patrick de Paula, Danilo, Gabriel Menino, Wesley e Gabriel Veron no elenco principal.

O Palmeiras venceu dois dos três campeonatos paulistas promovidos este ano pela FPF: o sub-15 e o sub-20, do qual se sagrou pentacampeão. No Sub-17, tinha a taça nas mãos até o penúltimo minuto de jogo, mas sofreu um gol que mandou a decisão para os pênaltis e acabou com o vice-campeonato.

Nos últimos anos, o domínio nos campeonatos paulistas da base do Verdão é retumbante. Dos 19 campeonatos disputados, o Palmeiras venceu 11, ficou com 7 vice-campeonatos e um terceiro lugar. No âmbito nacional, as temporadas de 2018 e 2019 renderam vários títulos importantes, como Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Ipiranga sub-20; Copa do Brasil e Supercopa sub-17, além do bicampeonato mundial da categoria. Em 2020 e 2021, a base ajudou demais o time principal a suportar o pesado calendário imposto pela pandemia da Covid-19 e o time jogou as principais competições bastante desfalcado.

Últimos campeões paulistas da base
Últimos campeões de torneios de base em nível nacional

Histórico

Gabriel Jesus
Cesar Greco

Até 2012, sob uma estrutura apodrecida, nossos meninos não tinham condições de se desenvolverem dignamente como atletas profissionais. A captação era feita de forma amadora, apenas na base do “olheiro”; as peneiras tinham vícios de “indicações” e os direitos econômicos eram fatiados de forma a ter pedaço de bolo para todo mundo. Quando estouravam a idade, a maioria acabava no malfadado “Palmeiras B”.

Tudo isso começou a mudar em 2013, quando Erasmo Damiani foi contratado para reestruturar nossa formação de atletas. Os critérios passaram a ser apenas técnicos; adequações contratuais foram feitas gradualmente e o Palmeiras começou a ter controle quase total de suas Crias – com um material humano muito mais qualificado.

O primeiro grande fruto foi Gabriel Jesus, que já em 2015, precocemente, subiu ao profissional e foi fundamental na conquista da Copa do Brasil e do eneacampeonato brasileiro no ano seguinte.

Erasmo Damiani foi convidado para ser o coordenador da base da CBF e para seu lugar veio João Paulo Sampaio, que deu continuidade ao trabalho de forma tão ou mais brilhante. E os resultados vieram naturalmente, na forma de títulos, de mais revelações para o time principal e de atletas que acabaram vendidos rendendo uma boa quantia para os cofres do clube, retornando com enorme lucro os valores investidos na estrutura da base.

Somente nos últimos anos, o Palmeiras engordou os cofres com as significativas vendas de Gabriel Jesus, Vitinho, Artur, Luan Cândido, Fernando, Pedrão, Vitão e Yan, além de outros menos cotados.

E excelência na base foi fundamental para proporcionar ao Palmeiras a espetacular marca de 100 títulos conquistados nos últimos 5 anos: desde 2017, somando profissional (6), feminino (2) e base (92).

Sub-20 (17)

  • Torneio Internacional de Bellinzona – Suíça: 2017
  • Campeão Paulista: 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021
  • Copa Santiago de Futebol: 2018 e 2020
  • Torneio de ICTG Uitgeest: 2018
  • Torneio de Terborg: 2018
  • CEE Cup: 2018 e 2019
  • Campeão Brasileiro: 2018
  • Copa Internacional Ipiranga: 2019
  • Copa do Brasil: 2019
  • Torneio de Terborg: 2019
  • Aesch Tournament: 2019

Sub-17 (10)

  • Scopigno Cup: 2017 e 2018
  • Copa do Brasil: 2017 e 2019
  • Mundial de Clubes: 2018 e 2019
  • Campeão Paulista: 2018
  • SNAF Mondial Cup U-17: 2019
  • Supercopa do Brasil: 2019
  • Torneio FAM Cup: 2020

Sub-16 (8)

  • Future Cup International Youth Tournament: 2017
  • Salvador Cup – Série Prata: 2017 e 2018
  • 1ª Copa Cidade de Blumenau Sub-17: 2017
  • Torneio FAM CUP: 2018 e 2019
  • Saitama International Football Festival: 2018
  • II Copa Internacional LNTS: 2019

Sub-15 (12)

  • Torneio Brasil-Japão: 2017
  • Premier Cup: 2017 e 2021
  • Campeão Paulista: 2017, 2019 e 2021
  • Copa do Brasil de Futebol Infantil: 2018
  • Torneio We Love Football: 2018 e 2019
  • Evergrande Cup U15 International Football Championship: 2019
  • Copa 2 de Julho: 2019
  • Jeju International Youth Football Tournament: 2019

Sub-14 (12)

  • Encontro de Futebol Infantil Pan-Americano (EFIPAN): 2017, 2018 e 2020
  • Paulista Cup: 2017
  • Tokyo U-14 International Youth Football Tournament: 2018 e 2019
  • Dani Cup: 2018
  • Campeão Brasileiro Mirim: 2018
  • 24º Intercâmbio Harmonia Brasil-Japão Sub-14: 2019
  • Festival Desportivo Brasil Sub-14: 2019
  • Festival Desportivo Brasil Sub-14 (2ª edição): 2019
  • Copa Umbro: 2021

Sub-13 (12)

  • 12ª Copa de Futebol Cidade Verde: 2017
  • VII Copa Ouro: 2017
  • Copa Cidade de São Ludgero: 2017 e 2019
  • Mito Hollyhock Cup: 2018 e 2019
  • Campeão Paulista: 2018
  • Taça Brasil de Futebol: 2019 e 2020
  • Copa Ouro: 2019
  • Funroots Cup: 2019
  • Liga de Desenvolvimento de Futebol (CBF): 2021

Sub-12 (10)

  • Copa de Futebol Cidade Verde: 2017, 2019 e 2020
  • 1º Copa Internacional de Avanhandava: 2018
  • Copa Puma Toreros: 2018
  • Hainan Qiongzhong International Cup Sub-12: 2019
  • Carpesol International Challenge: 2019
  • Copa PUMA Toreros Sub-12: 2019
  • Sanca Cup: 2019
  • Ibercup – Torneio Internacional de Futebol: 2020

Sub-11 (8)

  • Copa Belmmare U-11 Internacional: 2017 e 2018
  • Campeão Paulista: 2017
  • GO Cup: 2018 e 2019
  • Copa Ouro: 2019
  • Dani Cup: 2019
  • Leme Cup: 2019

Sub-10 (3)

  • Torneio Ibercup – Etapa Brasil: 2018 e 2019
  • Dani Cup: 2019

Mais pela frente: Copinha 2022

Crias da Academia se preparam para a disputa da Copinha 2022.
Fabio Menotti

É com essa fome interminável por títulos que nossa base entra em 2022. A primeira competição importante da temporada é a Copa São Paulo, uma pedra na chuteira de nossa base.

Para esta competição, o Palmeiras vem com um time realmente forte: dos 30 inscritos, nada menos que 13 já tiveram a chance de jogar pelos profissionais.

Os destaques são Gabriel Silva, multicampeão pela base que já tem gol marcado em Derby pelo profissional; Giovani, que aos 18 anos mostra um talento incomum e fez um golaço no Brasileirão 2021 há algumas semanas; e Endrick, que com apenas 15 anos mantém uma média próxima de 1 gol por jogo em quase 160 partidas disputadas pela nossa base – é um prodígio com potencial infinito.

Além deles, seria injusto deixar de lado o goleiro Mateus, o zagueiro Michel, os laterais Garcia e Vanderlan, o volante Fabinho, o meia Pedro Bicalho e os atacantes Vitinho e Kevin, todos com potencial para integrar o elenco principal em 2022; além de Luís Guilherme, que também tem apenas 15 anos e muito talento.

O Palmeiras estreia na Copa São Paulo no dia 5, às 15h15, contra o Assú (RN), com transmissão do SporTV. Ainda fazem parte do Grupo 28 o Água Santa e o Real Ariquemes (RO). Classificam-se os dois primeiros de cada grupo, que então jogarão um mata-mata simples de seis rodadas para definir o campeão.

Confira abaixo a lista de inscritos do Palmeiras para a Copinha 2022:

Goleiros: Kaique, Mateus, Natan e Zé Henrique
Laterais: Denzel, Garcia*, Ian, Lucas Sena* e Vanderlan*
Zagueiros: Jhow, Lucas Freitas*, Michel*, Naves*, Ruan Santos e Talisca
Meio-campistas: Bruno Menezes, Fabinho*, Jhonatan*, Luis Guilherme, Miguel, Pedro Bicalho* e Pedro Lima
Atacantes: Daniel, Endrick, Gabriel Silva*, Giovani*, João Pedro, Kauan Santos, Kevin* e Vitinho*

* Já tiveram passagem pelo profissional

Futuro das Crias da Academia

É possível que o Palmeiras perca uma ou mais das seis jovens Crias que estão no grupo profissional na janela europeia que se abre no dia 1° de janeiro, o que abre espaço – no elenco e no fluxo de caixa – para mais contratações e/ou para mais promoções.

Nossos meninos podem seguir na lapidação em Guarulhos por mais um ano; podem ser promovidos ao time principal e nos ajudar a levantar mais taças; podem ser emprestados para outros clubes para ganhar rodagem entre profissionais; ou podem ser negociados em definitivo, gerando renda para o clube.

Qual será o futuro dessas jovens revelações da base do Verdão?


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O maior beneficiado da fervura no mercado de treinadores é o Palmeiras

Cuca foi um dos treinadores mais intensos com passagens pelo Palmeiras neste século.
Cesar Greco

O mercado de treinadores ferve mais que o de jogadores nesta última semana do ano. As últimas notícias dão conta que Cuca pediu demissão do Atlético-MG e que o Flamengo, cujos diretores investiram as últimas semanas em tentativas tresloucadas (e fracassadas) de trazer de volta Dom Sebastião – ops, Jorge Jesus, estaria fechando com Paulo Sousa, treinador de trabalhos medianos.

Para bagunçar ainda mais o cenário, Jorge Jesus amanheceu por detalhes de ser oficialmente dispensado pelo Benfica, horas depois do vice-campeão da Libertadores desistir de sua contratação. Mas isso não quer dizer que o Flamengo não possa “desistir de desistir”, deixando Paulo Sousa na mão e recontratando seu amado “mister” – o que seria uma canalhice com o Sousa, que já se desgastou com a Federação Polonesa ao se demitir para assinar com os cariocas.

O Galo ganhou o Brasileirão e a Copa do Brasil, mas agora paga o preço de ter o instável Cuca como comandante. Sabemos, pelas duas passagens recentes pelo Palmeiras, que seu peculiar sistema de jogo traz resultados – mas o treinador não consegue fincar raízes, mesmo após trabalhos vencedores.

O comandante do ênea não consegue manter o vestiário em harmonia, além de ter questões pessoais – família e/ou saúde – sempre interferindo em sua carreira. Isso acaba por caracterizá-lo como um técnico-bombeiro, para projetos de curto prazo – o que é péssimo para sua imagem num mercado que finalmente começa a compreender que a longevidade do treinador é um fator determinante para o protagonismo.

Além de Atlético e Flamengo

O Palmeiras passou por cima de Atlético e Flamengo na Libertadores e os dois rivais parecem ser os principais adversários também para a próxima temporada. Mas existem ainda os coadjuvantes que têm potencial para incomodar.

Inter, SPFC e SCCP parecem ter projetos mais modestos para 2022. Os gaúchos estavam próximos de acertar com Paulo Sousa quando tomaram um passa-moleque do Flamengo e tiveram que recorrer ao plano B, o uruguaio Alex Medina. Nossos rivais paulistas insistem em técnicos de segundo escalão, com elencos duvidosos.

Já clubes como Athletico-PR, Bragantino e Fortaleza podem repetir ou até melhorar o bom desempenho de 2021, mas ainda não parecem ter peso na camisa para bater de frente em busca de títulos de primeira grandeza. Se tanto, podem almejar uma Copa do Brasil – o que não lhes cairia nada mal.

Alberto Valentim, Mauricio Barbieri e Juan Pablo Vojvoda tendem a seguir em seus promissores projetos, mas é inegável que vão, no mínimo, coçar a cabeça se Flamengo ou Atlético acenarem – e quaisquer eventuais saídas desmontariam os planejamentos de seus atuais clubes.

Por aqui, tudo bem

Abel Ferreira passa o Natal de 2021 com sua família, em Portugal
Reprodução / Instagram

Enquanto as vagas de treinadores nos dois principais adversários do Palmeiras seguem indefinidas, Abel Ferreira segue descansando em Portugal, certamente pensando em como pode aproveitar os reforços já anunciados pelo Verdão e os que, esperamos, estão em negociação.

Iniciar a temporada com o técnico definido tem muitas vantagens. O ciclo de reformulações no elenco obedece ao planejamento do comandante; assim, o Palmeiras tem condições de montar um elenco à feição das lacunas identificadas depois de pouco mais de um ano de trabalho.

Quem troca de treinador em plena janela de contratações perde oportunidades importantes de dar tiros certeiros e obriga o novo chefe a adaptar totalmente seu estilo a um elenco que ele ainda está por conhecer. Não é impossível fazer uma temporada vitoriosa desta forma, mas é bem mais difícil.

É dever da diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras proporcionar a Abel Ferreira, um treinador que tinha a opção de voltar para a Europa mas que escolheu seguir no Palmeiras, um elenco à altura do bicampeão da Libertadores.

Resta saber se a nova diretoria vai, desta vez, deixar o elenco como Abel deseja e não obrigá-lo a tirar leite de pedra, como em 2021. E não podemos nos esquecer que o preço desses milagres foi fraquejar no Brasileiro e na Copa. Se queremos ser de fato dominantes, precisamos de um elenco mais equilibrado e encorpado.

Como diz o chavão, chegar no topo é complicado, mas se manter lá é mais difícil ainda. Então, é preciso investir – com sabedoria e equilíbrio.

Tudo bem mesmo?

É pouco provável, bem pouco provável mesmo. Praticamente impossível. Mas este artigo seria completamente virado pelo avesso se o Benfica seduzisse Abel Ferreira e o tirasse do Palmeiras.

Talvez a única chance disso acontecer é se ele sentir que a atual diretoria não vai atender a seus pedidos.

Isola! VAMOS PALMEIRAS!


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Verdão avança na definição do elenco para 2022, mas ajustes ainda são necessários

Rafael Navarro é o 3º reforço para o elenco do Palmeiras para 2022.
Klaudia Kalinin

O anúncio da contratação de Rafael Navarro pelo Palmeiras deixou o elenco do Verdão para a temporada 2021 mais perto de sua definição.

Navarro foi o terceiro reforço confirmado – antes dele, foram anunciados o goleiro Marcelo Lomba e o meio-campista Eduard Atuesta, que substituem, respectivamente, Willian, Jailson e Felipe Melo. Com essas trocas, o elenco “rejuvenesceu” nada menos que 33 anos.

Nas mãos de Abel Ferreira, nosso grupo de jogadores disputou em 2021 nada menos que seis finais e venceu metade delas – as mais importantes: duas Libertadores e uma Copa do Brasil. Mesmo com claras lacunas, o elenco palmeirense respondeu com excelência aos métodos da comissão técnica e levantou troféus históricos.

Isso nos leva a crer que, com um elenco moldado à sua feição, Abel pode conseguir extrair muito mais dos atletas em 2022, diminuindo as margens de erro que permitiram a Flamengo, Defensa Y Justicia e SPFC levassem a melhor sobre o Palmeiras nas decisões da Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana e Paulista.

Ataque ainda pode melhorar

Rafael Navarro é um atacante mais completo que Willian. Parece ter todos os golpes: cabeceio, chute de fora, colocação dentro da área, arrancadas; mostra compreensão do papel de preparação de jogadas dentro e fora da área, além de saber marcar a saída de bola. Ganha em altura e força física, mas perde, claro, na liderança e na experiência que ainda está por adquirir – aos 21 anos, é mais jovem que duas de nossas Crias, Wesley e Patrick.

Luiz Adriano comemora um dos seus 3 gols marcados pelo Palmeiras contra o Guaraní-PAR, durante primeira partida válida pela segunda rodada, fase de grupos da Libertadores 2020, no Allianz Parque.
Cesar Greco

Já Luiz Adriano, mesmo sendo superior tecnicamente a Rony, amargou a reserva bem no filet mignon da temporada, a grande final da Libertadores contra o Flamengo – o que sugere que, após sucessivos episódios de desgaste fora do ambiente de jogo, o camisa 10 pode estar fora dos planos da comissão técnica.

Sua possível negociação abriria mais uma vaga para um centroavante – e aí a expectativa é por um perfil mais experiente, para equilibrar com a juventude de Navarro. É esperado que o caixa do clube, que deve contar com as premiações das conquistas e com o esforço da torcida, que voltou a prestigiar o Avanti, seja acionado de maneira um pouco mais agressiva.

Também não está descartada a dispensa de Deyverson, apesar do gol histórico em Montevideo, para abrir mais uma vaga no setor.

Zagueiro canhoto ainda é premente

Deyverson em disputa com Valber Huerta no confronto do Palmeiras com a Universidad Católica, durante segunda partida válida pelas oitavas de final da Libertadores 2021, no Allianz Parque.
Cesar Greco

O Palmeiras chegou a fechar acordo com a Universidad Católica pelo zagueiro Valber Huerta, de 28 anos, mas o atleta acabou reprovado nos exames médicos e o negócio foi desfeito. O chileno preencheria a necessidade de um canhoto no setor, desejo antigo de Abel.

Essa contratação não requer a dispensa de nenhum jogador atual. Atualmente com 29 jogadores, o elenco do Palmeiras é enxuto demais para o nível de exigência do calendário. Não é porque nossa comissão técnica logrou êxito em 2021 que a fórmula deve ser repetida. Os riscos precisam ser dirimidos.

Quem pode estar sobrando é Victor Luis. Claramente relegado à terceira opção após as chegadas de Piquerez e Jorge, o camisa 26 e a comissão técnica devem conversar sobre o futuro. Se o atleta estiver confortável com essa situação e a direção julgar seu salário compatível com o de uma terceira opção, as partes podem entrar em acordo e viabilizar sua permanência.

Danilo Barbosa é um caso a ser resolvido

O empréstimo de Danilo Barbosa junto ao Nice termina no próximo dia 31 e o Palmeiras já demonstrou interesse em renovar o vínculo. Se a situação se resolver, o meio-campista, que entrou muito bem na final da Libertadores e parece ter bastante prestígio junto a Abel Ferreira, fecha o setor.

Entretanto, se a renovação não se concretizar, o Palmeiras pode precisar ir ao mercado para repor a lacuna, mesmo com a presença de Matheus Fernandes no elenco, pedindo passagem. Neste caso, a reposição pode seguir o padrão de nomes promissores visando revenda – isso se a lacuna não for preenchida pela base.

Base mostra mais uma vez seu valor

Atletas do Palmeiras Sub-20 comemoram a conquista do título após a segunda partida contra o Mirassol, válida pela final do Campeonato Paulista da categoria, no estádio José Maria de Campos Maia, em Mirassol-SP.
Fabio Menotti

O time sub-20, pentacampeão paulista, deve ser largamente utilizado no início da temporada, na disputa do campeonato paulista principal de 2022. Será mais uma chance para que os garotos convençam de vez a comissão de Abel Ferreira.

Pelo menos cinco jogadores já mostraram potencial para serem definitivamente incorporados ao elenco principal e podem selar a promoção no estadual: Garcia, Michel, Vanderlan, Giovani e Gabriel Silva. Fabinho é outro que pode ser efetivado, até para repor a eventual saída de Danilo Barbosa. No entanto, nenhum deles estourará a idade em 2022 e há tempo para mais uma temporada de lapidação.

Quem não tem essa disponibilidade é Pedro Bicalho, que já completou 20 anos e, caso não seja aproveitado no time de cima, tende a iniciar o ciclo de empréstimos em outros clubes, expediente bastante utilizado pelo Palmeiras para terminar a transição entre categorias – Wesley foi quem melhor aproveitou esse processo numa ótima passagem pelo Vitória em 2019.

Mas mesmo com tanta excelência no departamento, a base não pode ser a tábua de salvação para completar os números. Rejuvenescer demais o elenco pode ter efeitos indesejáveis e Abel Ferreira já demonstrou em entrevistas estar bem atento para esse aspecto.

Organograma do atual cenário para o elenco do Palmeiras.

Medalhões: OK, mas com critérios

Contagem Regressiva: Abel sempre parece ter um plano.
Cesar Greco

É pouco provável que o “fico” definitivo de Abel não esteja condicionado a um acordo com a diretoria para reforçar o elenco de forma a que a competitividade do time não ficasse tão fragilizada como em 2021.

As conquistas recentes não podem mascarar o evidente desequilíbrio em vários setores do campo. Nosso treinador chegou a fazer críticas públicas a esse respeito. Ganhamos a Copa duas vezes, apesar dessas lacunas, graças ao esforço extraordinário dos atletas e da comissão técnica. Mas perdemos outras três taças perfeitamente “ganháveis”.

Não é necessário contratar de baciada. Basta identificar as necessidades e usar os recursos – que, sabemos, não são escassos. Precisamos é de sabedoria para aplicá-los bem, sem rompantes marketeiros em contratações que agradam à ala imatura da torcida e às redações esportivas.

Nomes consagrados podem ser muito bons e serão muito bem-vindos, desde que não arruinem um planejamento financeiro. Vizinhos de muro se especializaram nesse tipo de fracasso recentemente e é muito bom ter esses exemplos tão à vista, para não cometer os mesmos erros.

Com um elenco robusto e equilibrado, o Palmeiras, além de proporcionar a Abel mais opções técnicas e táticas, aumenta suas chances de brigar também pelo Brasileirão. O Verdão liderou a tabela até meados do primeiro turno, mas sucumbiu às viradas de chave e teve que administrar o fôlego. Estamos todos à espera de um complemento no elenco, de preferência antes do dia 5, quando o grupo se reapresentará na Academia de Futebol, para que Abel, finalmente, inicie uma temporada com um grupo que o satisfaça.

Se com pouco, ele já fez tanto, imaginem quando tiver o suficiente. VAMOS PALMEIRAS!


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No whatsapp dos padrinhos, um desabafo tricampeão

(Por Tadeu Loibel, no grupo de whatsapp dos padrinhos do Verdazzo)

Desabafo do padrinho Tadeu contra os palmeirenses que criticam por prazer, que entre outras coisas pressionaram pela saída de Abel Ferreira durante o ano
Cesar Greco

Caros padrinhos, gostaria de dividir com vocês uma reflexão.

Tenho convicção que nenhum de nós aqui se encaixa no perfil negativo que descrevo a seguir. Quis apenas registrar meu sentimento crendo que o mesmo é compartilhado pela maioria. Desculpem-me pelo tamanho do texto.

Assumi a postura, pessoal, de comemorar o título de forma apenas positiva. Por mais que eu (e creio que todos aqui) tivesse legitimidade para responder às provocações baratas que recebi e críticas infundadas de dentro de nossa torcida, preferi apenas exaltar o nosso clube e nossos profissionais.

Fiz isso por duas razões:

  1. Não quis me importar com visões mais limitadas
  2. Optei também por não transformar minha felicidade em brigas presenciais ou virtuais. Estou contente com minha decisão, mas, respeito também quem agiu diferentemente.

Mas uma coisa eu quero registrar: se tivéssemos perdido (agora admito falar isso) teríamos que enfrentar um tsunami de bobagens. Nosso clube seria depreciado, os jogadores seriam desrespeitados (como profissionais e como seres humanos, o que é pior) e todo o trabalho do grande Abel Ferreira seria tratado como nada ou, no máximo, como golpes de sorte.

Sabe, eu entendo os adversários, eles nos querem mesmo na lama e tentar diminuir nosso tamanho faz parte de suas lutas diárias (eu também não valorizo as conquistas deles).

A minha dor é ver gente nossa, gente verde, ironizando o time e o técnico, chamando nossos atletas de lixo, inclusive heróis de títulos recentes, e rindo da ideia do português ter um plano (ele tinha!!!!!!!), chamando-o de professor Pardal.

Porém digo, para terminar, que o castigo para esse pessoal é não ter desfrutado plenamente da conquista desse grande título; eu acompanhei jogo a jogo sempre com a confiança no Verdão e com a crítica serena.

Essas últimas semanas foram de tensão, mas, também de prazer por meu time estar na final. O que eu passei, uma parte significativa dos Palmeirenses não passou por preferir o pessimismo e as piadas autodepreciativas.

Sendo assim, eu declaro que não sinto raiva desse pessoal e sim compaixão: eles perderam muito e eu ganhei tudo.


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