Desafios do futebol frente aos tempos difíceis

Por Savério Orlandi

A sociedade experimenta angustiada o ineditismo de uma situação onde se encontra com protagonismo no desenrolar de uma página dentro da história da humanidade, para a qual a responsabilidade de cada um de nós se traduz em fazer a sua parte e somar esforços, pois não há espaço para divisão, caracterizada por qualquer diferença, que possa ser conjugada em circunstâncias como as atuais.

O mundo em compasso enfrenta aturdido a crise diante de um cenário que põe todos no mesmo barco, tornando os entes civis ao mesmo tempo credores e devedores de direitos e obrigações. 

O abalo no negócio dos esportes será da ordem de U$ 15 bilhões, segundo estudo da Sports Value, sendo certo que o futebol, levado à reboque ao encontro de tempos mais do que difíceis, se verá confrontado por problemas de diversas ordens, urgência no reposicionamento de médio e longo prazo em face da nova realidade inimaginável e de consequências ainda incalculáveis, e também sugerindo, ainda que supletivamente, a identificação de algumas oportunidades.

Enfim, o momento reclama muita sabedoria. Nenhuma demanda ordinária do mal estruturado futebol brasileiro tem lugar nesse momento. Não há nada de “dantes” que importe agora. Os debates sobre o calendário, a adoção do “fair play” financeiro, modelos para clubes empresa, ficam temporariamente sobrestados em face dos desafios prementes, afinal, muitas questões mediatas, das mais variadas espécies recorrentes no dia a dia dos cubes, hão de ser solvidas.

Os clubes que dispõem de equipamentos e atividades sociais, tem por um lado a necessidade de considerar o seu custeio, contudo, não se esquecendo do impedimento quanto à fruição plena pelos seus membros associados, o que poderia garantir a possibilidade de adesão a diferimentos de contribuições sociais com alguma carência, além de forma e data para retomada dos pagamentos razoavelmente determinada, pensando ainda em eventual redução para todos os associados por breve hiato temporal, aderentes ou não, para compensar a suspensão do uso.

Programas de “sócio torcedor” dos clubes podem ser até um fator de reação, as coletividades em geral, se convocadas, buscarão como sempre meios para responder, devendo para tanto serem contemplados diferimentos e benefícios, seja na manutenção como na adesão dentro de um período futuro a ser estipulado; pela via oblíqua, cria-se a oportunidade para o incremento ou resgate de programas repaginados que possam se revelar, na prática, em verdadeiro “jogo de ganha-ganha”, sentido existencial dessa natureza de relacionamento. 

Questão complexa envolverá a afluência do torcedor, seja quanto ao consumo de produtos dos clubes que será diretamente impactado, como especialmente no tocante a situações derivadas da diminuição de bilheteria e a forma da futura precificação adotada no retorno, que devem ser previamente imaginadas pelos gestores considerados os dados objetivos já existentes como a evidente redução do número de jogos e a evasão de presença como consequência de questões econômicas e preventivas relacionadas à saúde, e também quanto às variáveis, entre elas a eventual originação, ainda que transitória, de um novo meio social que imponha, por exemplo, a limitação do número de espectadores por partida e, via de consequência, do público pagante. 

Um aspecto que notadamente afetará de modo negativo os clubes de futebol serão os contratos em geral derivados dos relacionamentos “comerciais” em sentido amplo, neles incluídos os seus patrocinadores, a televisão, as competições, entre outros… as relações no Brasil, em sua quase totalidade, são muito verticais, deixando pouca margem de manobra, devendo se priorizar as negociações em bloco perante os entes federativos e os detentores dos direitos de transmissão, tratando-se em separado os ajustes individuais com os respectivos patrocinadores, a quem se recomenda aos dirigentes deles pleitear a sempre manifestada condição de “parceiro do clube”.

Naquilo que se relaciona às obrigações fiscais e trabalhistas em geral, como nem poderia ser diferente, os administradores e suas assessorias certamente hão de se valer dos atos normativos que vem sendo (e ainda serão) publicados em profusão, destinados às várias regulamentações necessárias para ultrapassar um quase estado de exceção, excluindo-se aqui, a título sugestivo, os “contratos especiais de trabalho” dos jogadores profissionais de futebol.

Efetivamente, trata-se de um tema bastante espinhoso, a uma porque os encargos com o elenco compõem a principal rubrica de despesa dos clubes e, a duas, pela sensibilidade necessária para construir um entendimento com os jogadores sem ferir direitos e/ou suscetibilidades entre as partes… ouve-se, isoladamente e a distância, a alegada disponibilidade do atleta, que entende estar apto à entrega da sua parte, impedido porém pelas circunstâncias; ora, será esse conceito absoluto ou deve (e pode) ser relativizado? Apresenta-se neste aspecto, a ideia que sim, o que permitiria, dando legitimidade, as reduções de vencimentos por determinado lapso temporal.

Como já temos visto em casos análogos ao redor do mundo e em alguns por aqui, não aparenta qualquer desacerto se tentar trilhar consensualmente esse caminho até o alcance de acordo coletivo validado, sendo imperioso às duas partes da relação contratual, neste momento, ter a convicção de que a redução configura solução justa, oportuna e adequada à hipótese.

Contratos, em sua essência, materializam a parte instrumental de uma operação econômica servindo-lhe como veículo, e justamente por externar seu conteúdo, se baseiam em sua origem no equilíbrio das prestações que através deles são e serão devidas, bem como na previsão das margens de ganho e perda para cada qual dos contratantes.

Assim, o equilíbrio contratual pode ser rompido pela frustação da previsão inicial tornando uma prestação de obrigação, no momento da execução, flagrantemente mais gravosa do que era no momento em que surgiu, o que academicamente se denomina “onerosidade excessiva”, desde que por consequência de fato superveniente à formação do contrato, de caráter extraordinário e imprevisível à conjugação das partes no momento em que se deu a contratação, evidenciando o fato que a doutrina caracteriza como teoria da imprevisão, vale dizer, exatamente a “curva” em que tais contratos se encontram hoje.

Nesta condições, revestidos de legitimidade técnica e moral que permitem confortável modo de aplicação, pode então ser idealizados os modelos para redução, por exemplo, “fechada” para os clubes onde não exista grandes distorções salariais, ou então não lineares para os clubes onde se verifique tal disparidade, casos em que uma opção razoável poderia ser a elevação gradual dos percentuais com observância da capacidade contributiva de cada atleta, de forma crescente e escalonada em relação aos valores dos seus vencimentos.

Existem as alternativas, ainda que sobrem as contingências; o quadro requer massa pensante, exigindo das diretorias serenidade, inteligência e adoção coordenada de muitas providências. Que tenham coragem, tenacidade e um pouco de sorte… E, ao final, que tenham sucesso!


SAVÉRIO ORLANDI é advogado na capital paulista, sócio filiado e consultor jurídico da ABEX (Associação Brasileira dos Executivos de Futebol), Membro do Conselho Deliberativo e do Conselho de Orientação e Fiscalização, Ex-Diretor de Futebol (07/10) da Sociedade Esportiva Palmeiras, Pós Graduado em Direito Empresarial pela PUC-SP, onde também se graduou.

Crise do coronavírus joga uma grande oportunidade no colo do futebol brasileiro

A pandemia do coronavírus que assola o planeta já forçou as autoridades esportivas a cancelarem a realização de diversos eventos, de futebol a Fórmula 1, de NBA ao Circuito Mundial de Surfe.

A pandemia, que teve os primeiros casos registrados na China e se espalhou pela Europa predominantemente através da Itália e da Espanha, está atingindo números preocupantes no Velho Continente.

Aqui no Brasil, a disseminação ainda está em estágios iniciais, mas as projeções não deixam dúvida de que é apenas questão de tempo, sobretudo porque as medidas de suspensão de eventos onde há aglomeração de pessoas demoraram a ser tomadas. É bastante provável que o número de pessoas infectadas seja muito maior do que se supõe e que o ciclo de alastramento atinja em algumas semanas os mesmos níveis que já se verificam na Europa.

Nosso futebol, como não poderia deixar de ser, já foi afetado. A FPF finalmente anunciou na manhã desta segunda-feira a paralisação do estadual. Outras federações já fizeram o mesmo. A CBF já anunciou a suspensão dos jogos dos campeonatos sob sua organização direta, sem data definida para a retomada. O Brasileirão, se já tivesse começado, também estaria paralisado. A competição está agendada para ter início no dia 3 de maio, com as 38 rodadas costumeiras.

A peça mais importante do quebra-cabeças

É impossível planejar com exatidão qualquer alteração no calendário do futebol neste momento. A peça mais importante do quebra-cabeças é a data em que a pandemia será decretada sob controle e que o mundo pode voltar ao normal.

Somente depois desse anúncio é que o planejamento poderá ser oficializado. Mas isso não nos impede de projetar algumas soluções.

Os estaduais são os problemas menos importantes. Se necessário, decreta-se o fim da disputa e as edições de 2020 ficam sem campeão. Pouca gente relevante vai ficar insatisfeita.

A Libertadores, a Copa do Brasil e o Brasileirão precisarão ser encaixados nas já escassas datas disponíveis, sobretudo porque as competições entre seleções estrangulam ainda mais a grade. Será necessária uma grande coordenação entre as confederações nacionais, continentais, e a FIFA, para vencer o desafio.

Identificar oportunidades na crise

Sede da CBF

Não é de hoje que enfrentamos problemas no calendário. A falta de sincronia entre os calendários do Brasil com o da Europa é um problema que afeta bastante o planejamento de nossos clubes.

Culturalmente, temos enraizado o conceito de “campeão do ano” em nosso país. Esse é um dos fatores que sempre serviram como justificativa para evitar que a ideia de ajustar o calendário brasileiro ao europeu fosse levada adiante. Mas com a popularização cada vez maior das ligas europeias nas grades da TV brasileira, isso já deixou de ser um empecilho.

A favor da medida, temos vários fatores:

  • competições entre seleções, como Copa América, Euro e Copa do Mundo, que acontecem em julho (não por acaso), não interromperão mais nossas temporadas. Jamais esqueceremos do “efeito Copa América” no Palmeiras em 2019;
  • jogadores que voltam da Europa no meio do ano poderão tirar férias ao mesmo tempo que os jogadores no Brasil e não haverá problema de defasagem ou de sobrecarga física;
  • o mercado fica muito mais claro, com a janela do meio do ano se tornando muito mais importante e a do fim do ano dedicada apenas a pequenos ajustes. Isso tende a diminuir a aleatoriedade e premiar o planejamento. Mais uma vez, o ano de 2019 se encaixa no exemplo.

Caiu no colo

A chance está aí, se atirando em nossos braços. A hora de lançar a primeira temporada do futebol brasileiro começando em agosto e terminando em junho caiu no colo dos clubes e da CBF. O tempo que se “perderia”, outra desculpa usada para rejeitar a medida, está sendo forçado a ser jogado fora pela pandemia.

Não sabemos ainda quando o mundo voltará a girar normalmente, mas fazer planejamento de forma antecipada é sempre uma boa prática. Que nossos dirigentes aproveitem a oportunidade e reorganizem a grade de jogos. E se der tempo, que se joguem as partidas finais dos estaduais.

Mas só se der tempo.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.

Após dez jogos, Luxa ainda parece estar avaliando o elenco

Vanderlei Luxemburgo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Numa dessas entrevistas pós-jogo, Vanderlei Luxemburgo mencionou que pretende definir uma formação básica com onze jogadores, seus titulares, e fazer eventuais enxertos nesse time usando mais seis ou sete jogadores, que seriam o grupo principal de trabalho. Depois de dez partidas, ainda não temos uma pista concreta de como Luxa pretende montar essa formação, já que várias formações e esquemas táticos diferentes foram testados.

Na verdade, não sabemos nem se esse conceito de ter um onze definido é verdadeiro ou se é um despiste. Nas três primeiras partidas de 2020, o time reviveu a cara do 4-2-3-1 do ano passado, com um volante mais pegador e outro que sai para o jogo; uma linha de três preparando a jogada para o centroavante, com um ponta, um meia centralizado e um meia jogando pela beirada.

No jogo contra o Oeste o time teve mais uma cara de 4-4-2, com um volante postado (Ramires), uma composição de três meias (Zé Rafael, Scarpa e Lucas Lima) e dois atacantes (Veron e Willian). Já contra o Bragantino, o time ficou mais parecido com um 4-3-3, com dois volantes, um meia e dois pontas abertos.

A partir do jogo contra a Ponte Preta, o esquema foi um 4-3-3 mais ofensivo, com volantes bastante móveis e pontas abertos. Por fim, no segundo tempo contra o Santos, vimos algo bem próximo de um 4-2-4, com um enorme espaço entre o meio e o ataque e com o time excessivamente postado e experimentando as descidas só em contra-ataque.

Santos 0x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras faz uma boa campanha no Paulista, mas o fato do Santo André estar dois pontos à frente no mesmo grupo, somado à falta de vitórias nos jogos contra clubes da Série A (Santos, Bragantino e SPFC) desperta a desconfiança de boa parte da torcida.

É compreensível. Por mais que o estadual seja, hoje, um campeonato nada relevante em termos esportivos; por mais que seja quase um consenso que esse tipo de torneio, que desgraçadamente sobrevive em nosso calendário, deva ser usado para testes e acerto do time, os resultados continuam falando alto. Tivesse o árbitro marcado o pênalti de Pará no segundo tempo no último sábado, as cornetas estariam bem mais amenas.

A variedade de esquemas desenhados por Luxa neste início de temporada sugere que nosso treinador ainda está estudando o elenco. Junto com a comissão técnica, ele parece estar avaliando como os jogadores respondem, isoladamente e em conjunto, em determinadas situações. Com tudo mapeado, ele terá condições de desenvolver melhor cada situação ao longo dos treinos para escolher uma solução tática para cada situação de jogo que o time enfrentar quando a temporada estiver a pleno vapor.

Não sabemos se Luxemburgo está fazendo esses testes de forma sistematizada, com essas variações e modelos previstos num cronograma, ou se está simplesmente chutando, na velha base da tentativa e erro. Mas que parece bem pouco inteligente cobrar, a esta altura do resultado, uma evolução consistente e um padrão de jogo definido, isso parece.

Pior ainda os que põem as mãos na cintura e exigem resultado. Afinal, além de estarmos disputando um campeonato bem pouco importante, estamos na vice-liderança, a apenas dois pontos do líder, à frente dos principais rivais e com o melhor ataque e a melhor defesa. Vamos com calma. Luxa não é nenhum estagiário e é bem improvável que ele esteja completamente perdido, como sugerem alguns desesperados de plantão.

Amanhã teremos Libertadores e não será mais jogo para testes. Luxa escolherá uma entre as diversas variações que experimentou nestes dois meses de trabalho. Será, de fato, o primeiro grande vestibular do Verdão de 2020. VAMOS PALMEIRAS!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.

Nova ordem do futebol tem vaga na fase de grupos da Libertadores como sarrafo

Chupa Gambá

Que campeonato estadual não é um parâmetro muito seguro para prever o desempenho final de um clube numa temporada, todos estão cansados de saber, embora boa parcela da torcida ainda se deixe levar pelas tentações de pedir cabeça de treinador e de exigir reformulação total no elenco em caso de uma eliminação precoce. Aliás, para isso, basta perder um jogo.

Se um treinador não é mantido ao fim da temporada, bem como a base do elenco, é porque um novo ciclo está começando e os resultados não tenderão a chegar de imediato. É claro que existem os casos em que a química se estabelece rapidamente, mas são as exceções que consagram a regra. Para esses clubes, os primeiros meses do ano são de testes e experiências.

Nosso calendário é apertado e prevê fogueiras chatas de serem puladas para os times que não conseguem garantir uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores. As eliminatórias iniciais – chamadas por aqui de “pré-Libertadores” – já andaram fazendo suas vítimas nas últimas disputas. O ano de 2020 consagrou o primeiro bieliminado brasileiro nestas fases iniciais e o SCCP já virou freguês do Guaraní da capital paraguaia.

Pior ainda é a situação de quem não consegue vaga nem para essas chaves preliminares da Libertadores. Paralelamente aos estaduais, times de camisas tradicionais se veem obrigados a jogar ainda nas primeiras semanas do ano mata-matas pela Copa do Brasil e pela Sul-Americana, colocando em altíssimo risco os planejamentos esportivo e financeiro da temporada – e comprometendo até o ano seguinte em caso de fracasso precoce.

Vexames em profusão

Nem vamos mencionar o Cruzeiro, cuja torcida arrotou por anos a condição de “incaível” e hoje está afundado nos problemas causados por seus dirigentes corruptos, tornando-se um candidato fortíssimo a ser o primeiro clube grande a não subir para a Série A após uma queda.

O Inter suou, mas conseguiu vencer as fases preliminares e caiu no grupo do rival Grêmio, como quarta força da chave. Se tivesse se garantido direto na chave, pelo menos teria a chance de estar num grupo mais ameno.

O futebol carioca, com a óbvia exceção do Flamengo, vai dançando miudinho neste início de temporada. O Vasco vai avançando com apertos: empate com o Altos do Piauí na primeira fase da Copa e vitória magrinha em casa sobre o Oriente Petrolero, para garantir com um 0 a 0 a vaga na segunda fase. O Botafogo só tem a Copa do Brasil, já que não pegou nem Sul-Americana, e avançou nas duas primeiras fases com empates suados contra Caxias e Náutico – na segunda fase, passou nos pênaltis. O Fluminense já foi eliminado na Sul-Americana pelo inexpressivo La Calera do Chile e passou pelo Moto Club quando chegou a estar perdendo por 2 a 0. É muito sufoco.

E o grande vexame destas primeiras semanas de 2020 é o Atlético-MG, que conseguiu no espaço de uma semana ser eliminado das duas competições: tomou um sacode do pequeno Unión Santa Fé na ida e não conseguiu reverter na volta, para uma semana depois ser eliminado nos pênaltis pelo modestíssimo Afogados da Ingazeira na segunda fase da Copa do Brasil. Trabalhos em início colocados à prova muito cedo fracassam e comprometem demais o resto do ano.

Premiação aumenta o degrau

Flamengo 1x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Enquanto esses clubes contabilizam os prejuízos esportivos e financeiros de ficarem de fora das fases agudas das copas, Palmeiras, Flamengo, Santos, Grêmio, SPFC e Athletico-PR se preocupam sem muita pressão em desenvolver seus times para os próximos meses. Um eventual fracasso nos estaduais não será nenhum desastre para esses clubes, já que este tempo tende a ser muito mais bem aproveitado para acertos no time. Sobretudo para os clubes que trocaram de treinador, casos de Palmeiras, Athletico e Santos, esse período sem tanta pressão vale ouro.

A premiação por estar nas fases mais adiantadas estão garantidas – pelo menos até um certo ponto, já que esses clubes, além da vaga direta na Libertadores, já entram direto nas oitavas da Copa do Brasil – se derem sorte, podem ainda pegar um confronto fraco e ter o caminho até as quartas bem facilitado. Sucesso financeiro e esportivo à vista.

O aumento súbito das premiações nos últimos anos cria um degrau financeiro entre os clubes. Quem está na parte de cima, tende a continuar; quem está na de baixo, tende a descer mais. É muito difícil imaginar como um time endividado, com orçamento apertado, consiga montar um time competitivo para ficar entre os oito primeiros e reverter a tendência para os anos seguintes sem as premiações gordas que deixam de alcançar. De todos, o que tem mais chance disso é o SCCP, porque ganha muito dinheiro das televisões.

Eis o sarrafo

Palmeiras 1x2 Grêmio
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O melhor caminho para se estabilizar na elite nesta nova ordem do futebol brasileiro, que não comporta mais doze clubes grandes mais as surpresas e ficará restrito a seis ou sete clubes se revezando nas conquistas, é conseguir a vaga direta na Libertadores todos os anos. E Palmeiras e Grêmio têm sido os clubes mais bem sucedidos nessa tarefa nos últimos cinco anos – são os únicos clubes que entraram direto na fase de grupos desde 2016. O Flamengo vem conseguindo alcançar esta meta nas últimas quatro temporadas.

O mata-mata do estadual é uma disputa traiçoeira, ainda mais com as arbitragens da FPF. Não podemos cair nas armadilhas de uma eventual eliminação. A imprensa tecerá suas artimanhas e parte da nossa torcida vai embarcar. Que seja uma parcela pequena, que o grosso da torcida palmeirense saiba avaliar a temporada olhando para o quadro completo e não focando num pequeno torneio de 20% da temporada e de prestígio duvidoso, que sobrevive apenas devido às grandes rivalidades construídas no passado.

Nosso foco precisa estar nas grandes conquistas, e para isso, o objetivo neste momento é desenvolver o time para chegar forte na briga pelos três troféus mais importantes da temporada. E assim como no ano passado, se tudo der errado, na pior das hipóteses é absolutamente necessário chegar na vaga direta da Libertadores. Falhar nesta meta é que significa o fracasso total da temporada. Não à toa, os times que não alcançaram este objetivo mínimo em 2019 parecem bem pouco cotados para conquistar o Brasileirão de 2020.

VAMOS PALMEIRAS!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.

Lista de inscritos do estadual dá dicas importantes sobre as ambições do Palmeiras na temporada

Pedrão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras registrou na FPF na tarde desta terça-feira os inscritos para a disputa do campeonato paulista. Como já é de conhecimento amplo, o regulamento delimita duas listas: uma com atletas oriundos da base, que precisam atender a diversos pré-requisitos, sem limite na quantidade, mas da qual somente cinco podem entrar em campo simultaneamente; e outra com os atletas em geral, limitados a 26.

Vitor Hugo e Gustavo Scarpa, que eram dúvida, estão inscritos. O primeiro recupera-se de uma cirurgia na região inguinal e sua presença na lista é sinal de que a recuperação está caminhando bem. Já o meia teve as negociações com o Almería encerradas e volta a ficar à disposição da comissão técnica.

Um detalhe, no entanto, deixa a torcida desconfiada: o zagueiro Pedrão e o atacante Angulo poderiam ter sido inscritos na lista A, mas ficaram apenas de sobreaviso. As vagas foram “guardadas”, o que só pode ter um significado, diante da disponibilidade de atletas: todas as cinco vagas podem ainda ser preenchidas por jogadores que ainda não fazem parte do elenco atual. Do contrário, não haveria nenhuma necessidade de deixar Pedrão e Angulo de fora.

O Palmeiras tem claras necessidades no comando do ataque e também pode precisar de reforços na zaga, e na lateral esquerda. Além disso, foi revelada uma proposta do clube pelo atacante Ronny, do Athletico-PR. É para a torcida ficar desconfiada mesmo. As ambições do Palmeiras, afinal, podem não ser tão modestas como pareciam.

Timing

Anderson Barros
Fabio Menotti/Ag. Palmeiras

Antes tarde do que nunca, claro. Mas o momento que a força de contratação do Palmeiras parece entrar em cena não é exatamente uma demonstração de planejamento consistente.

Luxemburgo já começou a montar seu plano tático. A comissão técnica já tem os atletas com o preparo físico razoavelmente homogeneizado.

Eventuais chegadas, importantes para finalmente equilibrar setores do elenco que estavam claramente deficientes, não deixam de ser uma evidência de falhas no planejamento.

De qualquer forma, Luxemburgo parece não estar se importando muito com isso e vai trabalhando com o que tem. Receberá os eventuais reforços de braços abertos. Nós, também.

Listas

Abaixo, as listas com os inscritos no estadual:

Lista A
Goleiros
: Weverton, Jailson e Vinicius
Laterais: Marcos Rocha, Mayke, Diogo Barbosa e Victor Luis
Zagueiros: Vitor Hugo, Felipe Melo, Gustavo Gómez, Luan e Emerson Santos
Volantes: Bruno Henrique e Ramires
Meias: Lucas Lima, Raphael Veiga, Zé Rafael e Gustavo Scarpa
Atacantes: Dudu, Luiz Adriano e Willian

Lista B
Lateral
: Esteves
Volantes: Gabriel Menino e Patrick de Paula
Meia: Alan
Atacantes: Gabriel Veron e Wesley


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Conheça mais clicando aqui: https://www.catarse.me/verdazzo.