A puxada de tapete e a inoperância da diretoria

Vanderlei Luxemburgo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Vanderlei Luxemburgo não é mais o técnico do Palmeiras desde a noite de ontem, quando alguns jogadores deliberadamente jogaram com o freio de mão puxado. Marcos Rocha, Felipe Melo, Patrick de Paula, Zé Rafael e Gabriel Veron negarão até a morte, mas ficou claríssimo que esses atletas decidiram puxar o tapete de Luxa no Palmeiras.

A atitude é reprovável, mas faz parte da cultura do boleiro brasileiro. Em 2006, nosso elenco derrubou Emerson Leão ao permitir que o Figueirense aplicasse um sonoro 6 a 0 no Orlando Scarpelli. Em outros clubes também há vários exemplos dessa atitude que é tudo, menos exemplo.

Quando isso acontece, é sinal que as coisas estão mal, muito pior do que podemos imaginar. Em ambientes saudáveis, um desejo por troca por parte do elenco passa por uma conversa. Uma diretoria sensível entende o problema e não deixa chegar no extremo de uma operação puxa-tapete.

Mas às vezes a conversa nem chega a ocorrer porque não há consenso no elenco – aí surgem as tais panelas; bastam 3 ou 4 em conluio para derrubar um técnico. E as consequências podem ser graves.

Sensibilidade

Felipe Melo
César Greco/Ag.Palmeiras

Que o elenco estava insatisfeito, está claro. Só que um grupo de 30 pessoas nunca será homogêneo e provavelmente havia divisões no grau de insatisfação. E quando a ala mais radical age, passando por cima do resto, pode haver consequências.

Não sabemos se os mais tolerantes eram a favor da permanência ou se simplesmente estavam lavando as mãos. Tampouco sabemos se os jogadores que nitidamente se esforçaram para evitar um vexame maior no placar, caso de Gabriel Menino e Willian, serão retaliados pela ala rebelde.

Pode ser que no final todos tenham se entreolhado e respirado aliviados, dando início a um novo ciclo. Mas também pode ser que o episódio tenha deixado sequelas que só serão sanadas com a remoção de certas peças do grupo.

Cabe à diretoria ter a sensibilidade de identificar eventuais rachaduras no elenco e as corrigir. Mas a sensação é de estarmos à deriva, sem comando. Esperar que o grupo de pessoas que comanda nosso futebol – de Edu Dracena a Maurício Galiotte – tenha essa presença de espírito é como acreditar em contos de fadas. Só nos resta torcer.

Métodos de escolha equivocados

Fluminense 1x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A trajetória recente de Luxemburgo no Palmeiras teve vários indícios de que algo estava muito errado. Nosso time perdeu pontos inacreditáveis nos primeiros jogos do Brasileirão e a torcida iniciou a fervura.

O primeiro sinal de que os tropeços são apenas oscilações naturais são as comemorações de gol: o grupo corre para abraçar o técnico, mostrando à torcida que está tudo bem. Não vimos isso com Luxa em momento algum.

Jogadores reclamavam, em off, dos métodos do treinador e da comissão técnica. A insatisfação era maior em quem ainda precisava provar seu valor ao público. Mas o tamanho de Vanderlei Luxemburgo no futebol impunha respeito aos atletas, que assim iam levando. Assim como à torcida, restava a nossos jogadores esperar que Luxa encontrasse uma liga no elenco.

Como sabemos, isso não aconteceu e a situação chegou ao extremo que vimos nos últimos jogos. O time, que mesmo com problemas não perdia jogos, de uma hora para outra perdeu três seguidos. A última vez que havia sofrido três gols num jogo havia sido no início de dezembro, 40 partidas atrás – coincidentemente, na última partida sob o comando de Mano Menezes.

Luiz Adriano

Nosso grupo de jogadores – pelo menos os que restaram – é talentoso e tende a jogar muito bem se forem para outros clubes, encaixando em outros esquemas. Precisamos de um treinador que seja capaz de identificar os talentos de cada atleta e imagine uma forma de encaixá-los, extraindo deles o máximo de seus potenciais.

Mas o critério de contratação de nossa diretoria, desde a demissão de Roger Machado, tem sido o de recorrer a medalhões, técnicos cascudos com passagens pela seleção brasileira ou com um passado glorioso no clube – nos casos de Felipão e Luxa, as duas coisas. O critério técnico ficou em segundo plano; o que interessa mesmo à diretoria é alguém que sirva de pára-raio nos momentos de crise. A política vem em primeiro lugar.

Se esse método não mudar, estamos condenados a pedir a cabeça do próximo técnico após 40 ou 50 jogos, num ciclo infinito. E jamais teremos a hegemonia que temos plenas condições de exercer desde a inauguração do Allianz Parque e da reestruturação das categorias de base e da modernização da Academia de Futebol.

É preciso quebrar o ciclo

Estamos involuindo. Conselheiros “influentes” estão com voz cada vez mais ativa no futebol, como nos anos 70 e 80.

A blindagem que vigeu na administração passada, eficiente e vencedora, mas antipática e impopular nas alamedas, deu lugar a uma falsa democratização e a um trem da alegria que nos mandam de volta, cada vez mais, a um passado do qual tentamos nos livrar.

Tudo passa por uma estrutura política que não evolui, permitindo que pessoas mesquinhas se aproximem do poder e exerçam uma pressão que poucos são capazes de controlar. É preciso coragem e, acima de tudo, muito amor ao Palmeiras, para conciliar o trabalho político com a prioridade que o futebol exige.

Um projeto profissional de verdade, com filosofia definida, que tenha o devido tempo de maturação e a necessária blindagem, que seja imune às inevitáveis críticas no período de desenvolvimento e na falta de títulos do início é o caminho que uma diretoria forte e responsável deveria traçar.

Mas quem acredita que esse grupo atual que nos comanda, que sequer dirige o Palmeiras da Academia de Futebol, dando preferência às futricas do clube social, terá essa capacidade?


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Os ajustes que Luxa pode fazer para que o Palmeiras vença mais jogos

Há questão de duas semanas o Palmeiras não conseguia encaixar boas partidas. Mesmo assim, nosso time acabava fazendo gols nos detalhes e ganhava um ou outro jogo – mas empatava a maioria deles.

A falta de perspectiva incomodava demais e o trabalho de Luxemburgo chegou a seu ponto mais baixo, com boa parte da torcida – inclusive o Verdazzo – perdendo toda a paciência e pedindo sua cabeça.

A diretoria bancou a permanência do treinador e a postura do time mudou. Os gols marcados, que saíam em detalhes, passaram a ser a regra. Nosso time aprendeu a tomar a iniciativa dos jogos. Luxa encontrou uma boa formação, que deu um encaixe suficiente para ter a segurança de comandar o andamento das partidas.

O “Palmeiras reativo” deixou de ser a única regra. Com Lucas Lima em boa fase caindo da direita para o meio, tendo a aproximação de Zé Rafael e as ultrapassagens de Marcos Rocha (com a cobertura de Gabriel Menino), nosso lado direito encaixou.

Palmeiras 2x2 Sport
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Do lado esquerdo, Viña ainda alterna partidas boas e medianas; Willian joga fechando em diagonal e aproveita os espaços que Luiz Adriano proporciona, puxando os zagueiros. Zé Rafael, quando cai para a esquerda, ajuda bastante nessa dinâmica, bem como as chegadas de Patrick de Paula.

O time vinha fazendo gols com essa formação e, baseado na força da defesa, conquistou resultados interessantes – o melhor deles, um 2 a 0 em Itaquera. Foi a única vitória tranquila, em que não sofremos pressão no final. Nessa partida, o time seguiu atacando mesmo com a vantagem mínima no placar e marcou o segundo gol. Aí sim, dosou as energias e controlou o resultado.

Na entrevista coletiva após a partida contra o Grêmio, Luxemburgo foi infeliz ao dizer que o time “não precisava” marcar o segundo gol. Prefiro acreditar que ele quis dizer que o Grêmio não oferecia perigo, que nossa defesa estava controlando o jogo – Weverton não foi incomodado. E nisso, ele tem razão.

Mas o que Luxemburgo parece não levar em conta é que o imponderável também participa de um jogo de futebol e que um gol fortuito pode acontecer a qualquer momento, sobretudo nos momentos finais da partida – como aconteceu a favor do Bahia e do Inter; e como aconteceu a nosso favor contra o Athletico-PR, Bragantino e contra o próprio Inter.

Bolívar 1x2 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Por isso, é importante aproveitar a capacidade que o time atingiu de impor superioridade por mais tempo e tentar, sim, fazer o segundo gol. O Palmeiras parece jogar de forma muito justa, sem margem de erro. Entra bem fechado no primeiro tempo, estuda as forças e fragilidades do adversário, redesenha o time no segundo tempo, constrói a vantagem mínima e volta a se fechar assim que chega ao gol.

Se não tivesse feito o segundo gol na Bolívia com Gabriel Menino, o feito comemorado de ser o primeiro time brasileiro a vencer em La Paz pela Libertadores depois de 37 anos não existiria.

As entrevistas pós-jogo são quase sempre desastrosas quando o resultado não é bom, porque os técnicos ficam na defensiva e muitas vezes dizem qualquer coisa para não minarem seus próprios trabalhos ou para protegerem seus jogadores. Muitas vezes, acabam irritando ainda mais a torcida. Como alternativa, se assumir erros ou apontar dedos, o resultado pode ser ainda pior. Não existe cenário positivo.

Luxa sabe que fazer o segundo gol é importante. Falta esse ajuste na condução da estratégia do time durante os jogos. Estamos esperando pelo segundo tempo para tomar as rédeas dos jogos. Chegamos ao gol e recolhemos rápido. Veron havia acabado de entrar e não pôde praticar o que faz de melhor, pois precisou ficar compondo a linha de marcação.

Precisamos buscar o segundo gol por mais tempo antes de fechar a casinha.

Athletico-PR 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Ontem, especificamente, o time titular sentiu muito a falta de Patrick, Zé Rafael e Lucas Lima. A entrada de Rony como titular foi claramente um erro, que Luxa pode corrigir – tanto Wesley quanto Willian (jogando na dele, fechando, não enfiado entre os zagueiros) são opções mais produtivas.

Tomar dois gols em partidas seguidas por escanteios cobrados no primeiro pau não parece coincidência. Esperamos que não aconteça um terceiro.

Ao contrário do que víamos há algumas semanas, hoje há perspectivas. O que parecia ser um beco sem saída hoje é apenas uma estrada onde o carro, com alguns ajustes, tem tudo para embalar.

A palavra-chave continua sendo paciência. O futebol não é feito apenas de vitórias e os tropeços sempre vão acontecer. Quem criou casca com a fila dos anos 80 já está um pouco mais acostumado com isso. E essa tarefa fica bem mais fácil quando olhamos a tabela e, em vez de lamentar que poderíamos estar com pelo menos 3 pontos de frente sobre o segundo colocado, estamos a apenas três pontos atrás, com uma grande invencibilidade.

Ruim mesmo está para quem não ganha de ninguém, ou para quem está tomando de cinco. Estamos no páreo. VAMOS PALMEIRAS!


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Brasileirão 2020: fim do primeiro quartil

Calculadora

No exercício anual de projeção de pontos do Brasileirão, consideramos o primeiro quartil o período entre a primeira e a nona rodadas. Como o jogo da primeira rodada, contra o Vasco, foi adiado e ainda não foi remarcado, fizemos um pequeno remanejamento no estudo: jogamos a partida atrasada para um ponto aleatório do segundo quartil e consideramos o primeiro quartil encerrado na rodada 10, com 9 jogos disputados.

Considerando os mesmos resultados projetados, já podemos comparar o desempenho em pontos realizado com a projeção feita antes do campeonato começar. E os pontos perdidos em casa contra times pequenos ficaram mais evidenciados ainda.

A projeção inicial apontava o resultado do primeiro quartil com 21 pontos, levando-se em conta que uma pontuação segura para conquistar o título seja 82 pontos. Pela marcha verificada até agora, essa projeção pode ser mantida, já que o Inter é o ponteiro da tabela com 20 pontos ganhos.

Se o Palmeiras tivesse atingido a meta estabelecida, teria a mesma pontuação. No entanto, ficou quatro pontos abaixo.

Passando a limpo o primeiro quartil

Uma das metas estabelecidas foi cumprida: o Palmeiras passou invicto pelos primeiros nove jogos, algo nada fácil. Mas em vez de 6 vitórias e 3 empates, ficamos com 4 vitórias e 5 empates.

É fato que o Verdão venceu dois jogos fora de casa nos quais empates eram esperados, mas eles anulam apenas dois empates que não poderiam ter acontecido – escolha dois entre Fluminense, Goiás, Inter e Sport. O mais frustrante é que três deles foram em casa.

Os tropeços inesperados nas duas primeiras rodadas fizeram o time ficar abaixo da projeção desde o início. Os jogos contra Fluminense e Goiás, nos quais estivemos na frente e cedemos o empate de forma tola, parecem mesmo ser os vilões do exercício.

Ao final do quartil, os 17 pontos marcados nos mantêm a quatro pontos da meta.

Segundo quartil ajustado – 24 a 26 pontos (total: 41 a 43)

Na projeção original, o segundo quartil previa 23 pontos, para fechar o turno com enormes 44 pontos ganhos. Como já estamos 4 pontos abaixo, manter a projeção original nos levará a 40 pontos. Mas se conseguirmos 25 pontos, chegaremos a 42 e diminuiremos o déficit de 4 para 2 – um resultado aceitável.

Assim, quaisquer resultados acima do projetado inicialmente nas três partidas em que tropeços seriam toleráveis já nos devolvem essa condição, ou pelo menos nos deixam perto disso.

Considerando que a partida contra o Vasco seja remarcada para algum ponto deste quartil, precisaríamos (segundo a projeção inicial) de 7 vitórias, aceitando 2 empates (FLA e CAM, em casa) e 1 derrota (GRE, fora).

Essa projeção precisa ser alterada para algo como 7 vitórias e 3 empates, ou 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Na imagem, fizemos o ajuste com vitória sobre o Flamengo, em vez de empate. O sarrafo segue altíssimo, com o complicador das partidas da Libertadores e da Copa do Brasil.

Terceiro e quarto quartis: apenas um resultado melhor

Caso consigamos reduzir o déficit no terceiro quartil para algo ente 1 e 3 pontos, bastará mais um resultado acima do esperado para voltarmos à projeção inicial.

No primeiro exercício, considerando que as competições de mata-mata estarão nas fase decisivas, mais tropeços foram admitidos. Por isso, haverá mais chances de recuperação.

Quando o segundo quartil (rodada 19) se encerrar, teremos mais elementos para pensar nos ajustes a serem feitos nos quartis 3 e 4.

Conclusão

É sempre importante lembrar que esta projeção é um mero exercício para referência, tendo por base as séries históricas, ponderado subjetivamente pelo panorama atual do futebol brasileiro.

E como mera referência, a tendência é que nas cinco ou seis rodadas finais tudo isto seja jogado para o ar e passemos a fazer o velho trabalho de secação nos clubes que estiverem concorrendo conosco, gastando o dedo nos tradicionais apps de simulação. Até lá, este exercício é bem útil.

No ano passado, o Flamengo encaixou uma sequência que atingiu 90 pontos, que dificilmente será repetida. O Inter, que até agora projeta uma campanha de 82 pontos, não parece ter fôlego para se manter nesse ritmo até o fim da temporada, mas mesmo assim isso não pode ser descartado. Ou outro time qualquer pode encaixar o jogo e atropelar, como no ano passado. Não sabemos.

Vamos seguir observando; a projeção inicial de 82 pontos pode ser ajustada para cima ou para baixo, dependendo do ritmo dos ponteiros. Neste momento, ainda podemos mantê-la.

Nossa campanha no primeiro quartil não foi como gostaríamos, mas ainda nos permite alimentar a esperança pelo décimo-primeiro campeonato.

Passamos pela primeira barreira da “Lei de Guardiola”, que determina que o campeonato é vencido nas últimas oito rodadas, mas que é perdido nas oito primeiras. Logo, seguimos dentro.

Os mata-matas vão bagunçar o campeonato. As lesões estão afetando a todos. Ainda tem muita coisa para acontecer. VAMOS PALMEIRAS!

Palmeiras reage e, quem diria, agora só há espaço para otimismo

Palmeiras 1x0 Ponte Preta
Cesar Greco

Os quatro jogos preocupantes da reta final do Paulista passaram relativamente alheios às críticas, pelo caráter decisivo que tinham. O time venceu o estadual e a alegria mascarou os problemas.

Seguiram-se mais três jogos muito ruins na largada do Brasileiro e não teve mais como tapar o sol com a peneira. Afinal, não eram apenas três jogos, e sim toda uma sequência, desde a volta da paralisação, em que o time tinha feito apenas um jogo realmente bom – justamente o que perdeu, no Itaquerão.

Nem a vitória arrancada no último lance contra o Athletico-PR aliviou a preocupação com o futebol pobre de recursos, de inspiração e de proposta.

Na coletiva pós-jogo, em Curitiba, Luxemburgo piorou a situação ao revelar que de fato proibiu que Marcos Rocha descesse ao ataque, configurando uma covardia inaceitável que explica em muito a falta de pegada no ataque.

Tudo mudou, e rápido

Palmeiras 2x1 Santos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

No clássico contra o Santos, tudo mudou. O time, mesmo enfrentando um adversário com atacantes velozes como Marinho e Soteldo, não se furtou a usar os laterais para atacar. A cobertura funcionou e o time permaneceu equilibrado.

A atitude dos jogadores, que passaram a dividir o foco entre ataque e defesa, e não só em não levar gols, também mudou. E com isso veio a inspiração para produzir. Bruno Henrique e Lucas Lima fizeram suas melhores partidas no ano e responderam às justas críticas que vinham recebendo.

Dois dos quatro pontos perdidos nos empates contra Fluminense e Goiás foram recuperados na inesperada vitória em Curitiba. O Palmeiras está em quarto lugar na classificação geral, com um jogo a menos; está em terceiro em pontos perdidos, com os líderes a uma rodada de alcance.

O time que há dez dias não ganhava de ninguém da Série A e que tinha que se preocupar com o rebaixamento porque não estava dando o menor sinal de reação é hoje um real aspirante ao título.

O que melhorou

Copertino e Luxemburgo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A mudança na proposta de jogo de Luxa e da comissão técnica foi fundamental para a melhora na atitude de jogadores que vinham jogando amuados.

O estupendo rendimento técnico de Patrick de Paula é um diferencial à parte. O moleque está voando e certamente é um dos melhores, se não o melhor, jogador do campeonato.

Vamos torcer para que ele também saiba tirar a badalação de letra, como o fez com o peso da camisa e com a pressão de jogar clássicos e decisões.

A força do elenco começa a ser notada. Perdemos Marcos Rocha no primeiro tempo e entrou Mayke, que mesmo sem ritmo conseguiu segurar a barra. Do outro lado, Marinho precisou sair e o poder ofensivo do Santos minguou.

O que não teve nada a ver

A pressão estúpida feita em aeroporto e nas redes sociais certamente não influenciou em nada na mudança de atitude.

Jogador gosta de contato, real ou virtual, e aceita a cobrança quando ela é feita com respeito. Essa, feita com as mesmas palavras que seriam usadas num encontro casual, funciona.

Xingamentos e ameaças funcionam exatamente ao contrário e só desmotivam a performance. Dá para dizer que o Palmeiras reagiu APESAR dessas cobranças, jamais POR CAUSA delas.

Com a comissão técnica reajustando a proposta, com os jogadores renovando a motivação, tudo melhora. Se a torcida ajustar o tom da cobrança, que pode e deve ser dura, mas sem perder o respeito, teremos uma harmonia difícil de ser batida.

O que ainda pode melhorar

Athletico-PR 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Este primeiro passo na reação nos anima a pensar nos próximos.

Nosso time ainda precisa de uma série de ajustes. A bola parada defensiva tem sido um problema. A ofensiva também não tem sido lá grande coisa.

Se as roubadas de bola no campo ofensivo têm rendido ótimos lances, a puxada de contra-ataques ainda parece muito descoordenada. Não conseguimos aproveitar as roubadas de bola no campo de defesa, com espaço no campo adversário.

Com o resultado na mão, é preciso saber segurar a vantagem. A bola ficou demais no pé do Santos nos 15 minutos finais. O mesmo aconteceu na final do estadual. O Palmeiras precisa reaprender a segurar a bola, colocar o adversário na roda, cavar faltas e fazer o relógio andar.

Preocupa também a sucessão de lesões musculares recentes. Nos últimos 30 dias, foram quatro (Luan Silva, Gabriel Veron, Felipe Melo e Marcos Rocha). No ano de 2019 inteiro, foram dez.

A comissão técnica pode pensar mais para a frente em tentar desenvolver – se o calendário permitir – um sistema mais desenvolvido e menos previsível de jogo. Mas antes precisa resolver o que é simples e seguir ganhando pontos.

Estamos numa posição interessante na tabela, com um dos elencos mais profícuos do campeonato e em evolução. A comissão técnica voltou a ficar firme no cargo. Vemos os principais adversários acumularem problemas. Hoje, só há espaço para otimismo, algo inimaginável há poucos dias.

No futebol, como sempre, as coisas mudam muito rápido.


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Zé Rafael e o trakinas

O meia Zé Rafael foi mais um alvo da cobrança dos torcedores nas redes sociais, ontem à tarde.

Como todos os atletas do elenco, o camisa 8 foi abordado de maneira boçal por um torcedor, mas decidiu não deixar barato:

As opiniões se dividiram. Alguns acharam justa a resposta irritada do atleta, invocando a regra universal do “bateu, levou”. Outros aproveitaram o contato estabelecido para reforçar as cobranças, a maioria no mesmo tom boçal do primeiro torcedor, ou pior.

Errou!

Zé Rafael
César Greco/Ag.Palmeiras

Zé Rafael, por mais que tenha apenas reagido à provocação, errou feio ao responder o torcedor.

Ao acusar o golpe, ele concedeu a notoriedade que o torcedor queria. Quando resolveu xingar, o rapaz comprou um bilhete de loteria, cuja chance de estar premiado era ínfima. Mas foi.

O xingamento de volta foi um troféu, usado para se vangloriar perante os amigos. Ele conseguiu ser ouvido pelo jogador. Fez a pressão. Ele é o máximo.

Além disso, Zé Rafael deu pauta negativa para a imprensa, que explorou o episódio. Abutre vive de carniça.

Colocando na balança

Zé Rafael
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O que Zé Rafael ganhou com isso? Colocando na balança, de um lado veio a rápida sensação de não deixar barato, de se defender; do outro, vem a frustração de saber que o ofensor adorou ser respondido, mais a carniça para a imprensa, e pior que tudo: entrou na alça de mira dos haters de redes sociais.

Zé Rafael perdeu o direito a erro. E mesmo que não erre, se o time for coletivamente mal, ele será um dos mais perseguidos, porque ousou bater boca com um torcedor.

Um coitadinho que só estava se manifestando, e que se exaltou apenas porque estava num momento de emoção. Afinal, torcedor tem o direito inalienável de ser idiota em redes sociais.

A resposta deflagrou o confronto do rico contra o pobre, do famoso contra o anônimo, do arrogante contra o humilde. Não é inteligente para nenhum atleta entrar nesse tipo de embate público.

Diretrizes

O atleta palmeirense, quando assina o contrato, recebe uma série de leituras, desde material institucional até seus direitos e obrigações, entre recomendações diversas, como qualquer novo funcionário numa grande empresa.

Espera-se que entre essas recomendações esteja a de não se expor de forma inadequada em redes sociais. Sem conhecer o material, é de se imaginar essa recomendação precise ser um pouco mais esmiuçada. Talvez seja interessante até promover palestras periódicas com especialistas para os atletas.

As redes sociais são um instrumento fascinante proporcionado pela popularização da internet, mas talvez a população em geral não esteja preparada para usá-las em sua plenitude. Não cabe aqui alongar sobre esse tema, mas sim sobre o que nossos jogadores podem e não podem fazer diante desse despreparo geral.

Afinal, são profissionais, representam uma instituição e precisam agir com tal, para evitar danos colaterais que podem virar apenas uma perseguição virtual, mas que também podem ter consequências piores, até em esfera cível e criminal, dependendo do caso.


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