“O Palmeiras não usa a base” é um mito; discussão precisa melhorar

Academia de Futebol II, em Guarulhos

O uso da base – ou a falta dele – vem sendo usado como argumento para bombardear a gestão de Alexandre Mattos à frente do futebol palmeirense. De fato, o atual diretor de futebol tem cometido alguns erros à frente do departamento e não está nem um pouco livre de receber críticas. E a forma de aproveitamento da base talvez seja mesmo um deles.

A despeito da atuação de Mattos nos últimos anos, o Palmeiras é criticado há décadas por ser um time que não aproveita a base no time de cima.

Será que a fama é justa? E por que será que a maioria dos meninos que conseguem alguma chance não vingam no time de cima?

O objetivo deste post é desmistificar a fama de nosso clube de não usar a base e apresentar elementos para promover uma discussão um pouco mais ampla sobre o aproveitamento de jovens no Palmeiras.

Vamos aos dados

Gabriel Jesus

Vinicius; Taylor (Mailton), Thiago Martins (Vitão), Nathan (Pedrão) e Victor Luis (Esteves); Gabriel Furtado, Matheus Sales (Jobson), Juninho Silva e Vitinho; Gabriel Jesus e Fernando (Yan, Papagaio, Artur, Iacovelli ou Léo Passos).

Este time totalmente oriundo de nossa base já entrou em campo de 2015 para cá, já sob a gestão Mattos. Todos já tiveram alguma chance – é claro, não ao mesmo tempo.

Convenhamos: tirando o extra-classe Gabriel Jesus, ficaríamos bem pouco empolgados caso qualquer um deles fosse contratado no mercado. Tirando alguns poucos que poderiam (ou ainda podem) evoluir bastante na carreira, a lista contém vários flops. Parece um time dos tempos em que viramos coadjuvantes.

Por falar nesse tempo, temos mais uma penca de jogadores da base usados de 2010 para cá, antes da chegada de Mattos, que desmentem a fama de não aproveitarmos os pratas-da-casa. Com exceção de Marcos, a sensação ao verificar a lista não é positiva. Talvez o único dessa lista que tem ou teve uma carreira interessante foi o lateral Gabriel Silva.

GOLEIROS
Bruno
Deola
Fábio
Raphael Alemão

LATERAIS
Bruno Oliveira
Léo Cunha
João Pedro
Luís Felipe
Gabriel Silva

ZAGUEIROS
Wellington
Gualberto
Luiz Gustavo
Marcos Vinicius

VOLANTES
Renato
Souza
Bruno Turco
Gabriel Dias
João Denoni
Fernando

MEIAS
Felipe
Bruno Dybal
Índio
Patrik
Bruno Oliveira
Diego Souza Xavier
Edílson
Joãozinho
Patrick Vieira

ATACANTES
Chico
Vinishow
Caio Mancha
Émerson
Erik
Miguel Bianconi

É possível usar os links* para tentar reconhecer pela foto alguns deles, que tiveram pouquíssimas participações e poucos torcedores lembram sequer de suas existências, apontando apenas pelos nomes.

Em compensação, outros como Deola, Vinishow e Patrik vestiram nossa camisa por mais de 100 vezes. E nenhum deixou saudades.

Ao todo, foram citados 55 jogadores de nossa base, que tiveram alguma chance de 2010 para cá, no time principal. Definitivamente, não dá para dizer que “o Palmeiras não usa a base”.

O que é histórico é que nossa base, até 2012, sempre foi uma excrescência. Mal gerida, usada como balcão de negócios, fatiando os direitos econômicos dos atletas sempre que possível para agradar a uma ou outra figura de bom relacionamento com nossas diretorias, com um trabalho de formação pobre e atrasado, nossas categorias menores só produziram talentos como Marcos por fenômenos estatísticos.

Usa a base, mas usa mal

Souza

O problema do Palmeiras não é não usar a base, mas sim como a usa. Até 2012 era mero remendo: o clube recorria à molecada para emergencialmente preencher lacunas no elenco, e muitas vezes, como vimos, usava meninos com sérias deficiências na formação e/ou na transição.

Isso mudou a partir de 2013, quando a gestão foi remodelada em todos os aspectos. Hoje o Palmeiras é um devorador de títulos nas categorias de base. O clube já produz jogadores que podem eventualmente compor o elenco principal, ao menos como terceira opção. Um dos problema no uso atual da base é que a transição para o profissional ainda parece precisar de um aprimoramento.

A tática usada com alguns, como Arthur, Pedrão, Gabriel Furtado, Matheus Rocha, Vitinho, Léo Passos e Papagaio, é emprestá-los a times com menos pressão para que possam pegar rodagem jogando. Funcionou bem com Victor Luis.

A questão é que quando o contrato se aproxima do fim, tendo como concorrência em nosso elenco atletas contratados a altos valores no mercado, os agentes preferem recolocá-los onde tenham mais oportunidades de jogar, imediatamente.

Fernando, do sub-20

Outros, por pressa ou por oportunidades, acabam nos deixando muito cedo, como recentemente Vitão e Fernando. Outros partem sem ao menos estrear, como Luan Cândido. Todos foram negócios muito bons em termos financeiros para o clube.

Mas será que a avaliação entre vender ou segurar; liberar ao final de contrato ou promover, está sendo feita da melhor forma? Quais são os critérios objetivos usados para esse processo de tomada de decisão?

O uso da base é precioso demais para ser usado apenas como argumento (falacioso, como pudemos ver) para atacar o diretor de futebol do Palmeiras, uma das cadeiras mais cobiçadas do país por qualquer profissional da área comercial. A discussão precisa melhorar. Com os dados acima, esperamos contribuir para isso.

* Os dados estatísticos estão contando a partir de janeiro de 2010. Isto se deve ao fato de que esses dados estão sendo adicionados manualmente em nosso banco e o processo é minucioso e longo. Neste momento os dados de 2009 estão sendo inseridos. A previsão para que todos os dados, desde 1915, de todos os jogadores, estejam disponíveis é final de 2021.

Brasileirão 2019: fim do segundo quartil

Calculadora

O Palmeiras, de técnico novo, fechou o segundo quartil do Brasileirão de 2019 em fase de recuperação. Após um primeiro quartil esplendoroso, no qual marcou 25 dos 27 pontos possíveis, o time não lidou bem com a parada para a Copa América e ficou sete jogos sem vencer, o que acabou derrubando Felipão do cargo.

Já nas mãos de Mano Menezes, o time retomou a trajetória de vitórias e enfileirou nove pontos nos três jogos finais.

A vantagem sobre o Flamengo ao fim da rodada 9 era de cinco pontos. Os 14 pontos marcados neste segundo quartil não foram suficientes para manter a vantagem na tabela, diante dos 25 marcados pelo time carioca, que agora tem 3 pontos de frente.

O Verdão terminou o primeiro turno com 39 pontos ganhos – nem nas duas recentes campanhas vitoriosas, em 2016 e 2018, o time terminou com uma pontuação tão alta. Mesmo assim, diante da subida de sarrafo que podemos observar este ano, ficamos dois pontos abaixo de uma campanha considerada segura para chegar ao décimo-primeiro título brasileiro.

Passando a limpo o segundo quartil

O empate planejado no Morumbi na primeira partida após a parada foi alcançado (0). Mas depois da eliminação da Copa do Brasil, o time viajou de Porto Alegre a Fortaleza e fez uma partida infeliz, sendo derrotado pelo Ceará (-3) numa partida em que o plano previa vitória.

Um jogo muito ruim aconteceu na volta ao Allianz Parque, diante do Vasco: 1 a 1 (-2). Mas depois de golear o Godoy Cruz na Libertadores, o time foi a Itaquera e empatou por 1 a 1 (+1) e só não venceu porque o frangueiro resolveu fechar o gol.

Duas infelicidades se seguiram: um empate em casa contra o Bahia (-2), em jogo onde a arbitragem nos garfou vergonhosamente. E um empate por 1 a 1 (+1) dos times reservas na Arena do Grêmio, levando um gol do meio da rua no finalzinho. Mas a eliminação na Libertadores abalou demais o elenco, que tomou um passeio do Flamengo no Maracanã (-1). Felipão foi demitido.

A recuperação teve início com a chegada de Mano Menezes, aproveitando uma tabela favorável: vitória suada sobre o Goiás (0), passeio sobre o Fluminense (0) e vitória sobre o Crueiro (+2). No final do quartil, um saldo negativo de 4 pontos, que somado ao saldo positivo de 2 pontos do primeiro quartil, perfazem um saldo negativo geral de 2 pontos (39, ante uma ambiciosa previsão de 41).

Começa a caça, no terceiro quartil

A três pontos do Flamengo, com um confronto direto em casa na antepenúltima rodada, o Palmeiras ainda pode apenas se preocupar com sua própria campanha, confiando que atingir a pontuação de 82 pontos seja suficiente para conquistar o título. Para isso, temos dois quartis para recuperar esses dois pontos de déficit.

Neste terceiro quartil, estão previstas seis vitórias nas nove partidas: Fortaleza, fora (R20); CSA, em casa (R21); Galo, em casa (R23); Botafogo, em casa (R25); Chape, em casa (R26); e Avaí, fora (R28).

Isso significa que o Verdão tem apenas três chances de recuperação, isso sem vacilar em nenhuma das partidas onde projetamos vitória. E não serão partidas fáceis: Inter no Beira-Rio (R22), Santos no Pacaembu (R24) e Athletico na Baixada (R27).

E depois?

O quarto quartil tem uma previsão de 21 pontos em 10 jogos, mas, mais do que nunca, a previsão será mera referência. Com o Flamengo (e talvez o Santos) disputando a ponta da tabela taco a taco, as rodadas finais, sobretudo as cinco ou seis últimas, já devem ser disputadas sempre monitorando o resultado dos concorrentes e estourando os simuladores da Internet de tanto fazer conta.

A tabela prevê para a rodada 36 uma partida de arrebentar entre Palmeiras e Flamengo, provavelmente no Pacaembu. Pode até decidir o título. Mas dependendo do que acontecer, a rodada final, com o Palmeiras jogando no Mineirão contra o Cruzeiro (talvez remando contra a Série B?) e o confronto entre Santos e Flamengo, é a que pode selar o destino do campeonato.

Para chegar forte, o Verdão precisa, no mínimo, estar margeando esta previsão de pontos. O sarrafo claramente subiu e a tradição histórica de que nunca um vice-campeão marcou mais que 72 pontos certamente cairá este ano.

O Brasileirão de 2019 tende ser um dos mais emocionantes dos últimos tempos, com três times jogando em alto nível e prometendo briga rodada a rodada até o dia 2 de dezembro. VAMOS PALMEIRAS!


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