Por que a base do Palmeiras precisa fornecer mais jogadores para o time de cima

Palmeiras Campeão Brasileiro 2016

O Palmeiras é hoje o protagonista do futebol brasileiro e sul-americano graças a um meticuloso processo de recuperação financeira iniciado em 2013, que permitiu que o clube conseguisse se manter competitivo sem recorrer a adiantamentos de receitas, seja junto a bancos, a federações ou a emissoras de TV. Isto, você já sabe.

Praticamente livre de despesas bancárias, o clube desfruta dessa vantagem conquistada e monta elencos extremamente fortes. “Atraso no pagamento” é uma expressão que jogador do Palmeiras só ouve falar pelas notícias. O que há de melhor no mercado brasileiro hoje veste verde.

Claro, não somos a última bolacha do pacote. O talento inato do jogador brasileiro permite que outros clubes também montem elencos com jogadores de muita qualidade. As disputas pelo Brasileirão e principalmente pelos mata-matas estão completamente abertas.

Mas a competição contra os grandes europeus no Mundial em dezembro praticamente não existe. O que acontece é o cumprimento do protocolo. Os times sul-americanos por vezes nem chegam à final e dependem de um jogo encaixado, de um goleiro inspirado, do desdém do adversário e de muita sorte para poderem levantar o Mundial. Se um clube top sul-americano jogar dez vezes contra um campeão europeu, vai triunfar uma ou duas vezes, no máximo. E essa inferioridade se reflete na seleção brasileira: antes temida, hoje é mera coadjuvante na Copa do Mundo.

Os pilares da transformação

Academia de Futebol

São três os pilares em que os clubes brasileiros precisam se apoiar para que nosso futebol torne a ser temido: 1) saúde financeira; 2) profissionalização e modernização do departamento de futebol; e 3) departamento de base forte.

A saúde financeira é algo que precisa ser buscado pelos endividados clubes às custas de medidas recessivas. Enquanto os dirigentes insistirem em adiantar verbas em contratações ruidosas, mas de pouca efetividade, em nome de sustentação política, vão continuar como hamsters correndo na roda. O Palmeiras puxou a fila de 2013 para cá e já vemos alguns clubes vindo na esteira – o principal deles é o Flamengo. Os outros ainda seguem no ciclo vicioso de tomar empréstimo, arriscar tudo em nome de um título e de uma premiação, para depois viver anos de recessão, pagando juros. Com o tempo, tendem a aprender o modelo – alguns sobreviverão e se fortalecerão, outros “virarão Portuguesa”.

A ciência proporcionou o aumento da capacidade física dos atletas. Com jogadores que correm mais e ocupam melhor os espaços, o leque de possibilidades táticas se abriu como nunca. O jogo, que há algumas décadas era simples e decidido no talento por atletas que guardavam posição e se davam ao luxo de serem fumantes(!), agora requer muito mais estudo e dedicação de comissões técnicas e atletas, que precisam estar inseridos num ambiente cada vez mais moderno e profissional. E isso exige instalações planejadas, equipamentos de ponta e profissionais capacitados. Mais uma vez, o Verdão está na frente dos concorrentes, sobretudo depois da inauguração do Centro de Excelência. Aguardem as cópias.

Sanar a economia e desenvolver a estrutura são passos fundamentais, mas não trarão todos os resultados desejados se o terceiro pilar não estiver a pleno: as categorias de base. E o Palmeiras vem conquistando títulos como nunca nas categorias menores. Falta ainda acertar a transição do sub-20 para o profissional, para que os meninos que estejam perto de estourar a idade tenham condições de integrar o elenco principal, coisa que ainda não acontece com a frequência que gostaríamos.

Base: não tem esse nome à toa

As categorias de base são fundamentais à medida que fornecem matéria-prima para os dois outros pilares. Não é à toa que tem esse nome.

É em casa que se forma atletas de ponta, com fundamentos de jogo desenvolvidos e com estrutura mental para suportar uma carreira de enorme pressão como a de um jogador profissional.

Quando todos os principais clubes tiverem sanado suas finanças e concluído suas estruturas, algo que é apenas questão de tempo, a base será a diferença entre um clube protagonista e um coadjuvante.

Atletas extra-classe formados em casa podem subir para o time principal, gerando ganho técnico a custo baixo, para posteriormente gerar altos lucros com futuras transferências – como aconteceu com Gabriel Jesus.

Além disso, preenchem lacunas no elenco e evitam que o clube precise recorrer ao mercado para melhorar todas as posições, sobrando mais recursos para investir em necessidades específicas. Em vez de comprar 4 ou 5 jogadores nota 7 em nível mundial, será possível trazer um par de jogadores de primeiro nível. E assim o time sobe muito de patamar e passa a sonhar em bater de frente com as maiores potências mundiais.

Paramos no tempo

Os jogadores brasileiros, hoje, seguem tendo o talento natural que brota nas ruas e nos campos de várzea, ainda que cada vez mais raros diante do constante crescimento do setor imobiliário.

Enquanto o futebol ainda era decidido apenas pelo talento, o Brasil sobrava. Mas o jogo mudou e a profissionalização de todos os setores fez com que novas potências emergissem. Quem ficou parado no tempo, como Brasil, Argentina, Uruguai e Itália, foi ficando para trás. Quem diria que até a Inglaterra chegaria tão bem cotada ou até melhor que esses países para uma Copa do Mundo?

O talento natural precisa ser potencializado com novos conceitos desenvolvidos nos últimos anos. Se todos os clubes brasileiros profissionalizarem seus departamentos de base, colherão frutos. E isso surtirá efeito também na seleção, já que voltaremos a ter jogadores que superem os destaques dos outros países. Hoje, mesmo nossos melhores jogadores, não “engraxam a chuteira” dos grandes expoentes da Copa do Mundo, que já são frutos de uma geração desenvolvida com conceitos modernos de formação de atletas.

Nosso país ainda chora tragédias e tenta escrever leis para regulamentar os alojamentos dos departamentos de base. Estamos muito atrasados, no geral. O Palmeiras tenta, mais uma vez, puxar a fila.

Falta ainda ao Verdão melhorar o último passo: a lapidação dos meninos, que brilham nas categorias menores e levantam inúmeros troféus, para virarem jogadores de verdade. Se chegassem aos 20 anos realmente prontos, provavelmente seriam utilizados pelo time principal, mas isso ainda não acontece.

E depois?

Fernando e Papagaio

Ter atletas da base no elenco principal não é apenas uma questão de capricho, de gosto em ver um prata-da-casa brilhando. É uma questão de competitividade. Precisamos de um Gabriel Jesus a cada dois ou três anos. Precisamos de pelo menos dois Fernandos, todo ano.

A distância financeira entre o Palmeiras e os maiores clubes do mundo ainda é grande. Em 2018, estaríamos inseridos no top 30 mundial entre as maiores receitas, com quase € 160 milhões. Já conseguimos segurar um Dudu, que tem 27 anos, mas as ofertas por jovens de pouco mais de 20 anos ainda são impossíveis de cobrir.

Com a base funcionando a pleno, seremos capazes, no longo prazo, de ter recursos para competir com os maiores até na questão dos salários. O Palmeiras, em vez de ser a melhor vitrine, o trampolim mais alto para um jogador chegar à Europa, pode passar a ser o objetivo final de carreira. E aí bateremos de frente com qualquer um. É nessa direção que temos que remar.

É muito difícil, claro. Mas quem diria que estaríamos onde estamos hoje no final de 2012?


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Mata-mata da Libertadores: o caminho do Verdão até Santiago

A Conmebol realizou na noite de segunda-feira o sorteio dos confrontos de mata-mata da Copa Libertadores 2019. O Palmeiras, a exemplo do ano passado, entrou na chave como o melhor classificado na fase de grupos, e assim terá o mando do jogo da volta até as semifinais – a fase final será decidida em jogo único, em campo pré-determinado – este ano, a sede é Santiago do Chile.

O adversário do Palmeiras na fase de oitavas-de-final será o Godoy Cruz, vice-campeão argentino da temporada 17-18. Caso avance, o próximo adversário do Palmeiras será o vencedor do confronto entre Libertad e Grêmio – o time paraguaio decide em casa.

Seguindo a trilha, o eventual adversário seguinte sairá da chave que tem os confrontos entre Flamengo e Emelec (cariocas decidem em casa) e Internacional e Nacional (segundo jogo no Beira-Rio).

Em Santiago, o adversário do Palmeiras sairia do outro lado da chave, cujos times mais importantes são Cruzeiro e River Plate (que se enfrentam logo nas oitavas), além do Boca Juniors.

Godoy Cruz?

Godoy Cruz

O Godoy Cruz é uma espécie de São Caetano da Argentina, mal comparando. Foi fundado em 1921, mas só desenvolveu seu departamento de futebol profissional na década de 80. Seu maior feito até agora foi justamente o vice-campeonato da temporada passada, que lhe deu a classificação para a Libertadores deste ano.

A cidade de Godoy Cruz fica no pé da Cordilheira dos Andes, na região de Mendoza – são cidades vizinhas, parte da mesma zona urbana. Somadas, chegam a cerca de 300 mil habitantes e ficam a cerca de 700 metros do nível do mar, altitude semelhante à da capital paulista.

Malvinas Argentinas

O estádio Feliciano Gambarte, do Godoy Cruz, é acanhado e tem capacidade para apenas 18 mil pessoas. O confronto, no entanto, acontecerá no Malvinas Argentinas, em Mendoza, que foi sede da Copa do Mundo de 1978 (à época, antes da guerra, seu nome era Estádio Ciudad de Mendoza) e comporta 42 mil espectadores.

As partidas contra o Godoy Cruz estão marcadas para as semanas dos dias 24 e 31 de julho – a Conmebol ainda vai oficializar as datas e horários, mas é muito provável que os jogos do Palmeiras sejam posicionados nas quartas-feiras às 21h30, para atender à grade da RGT.

Histórico

  • Os confrontos pelas oitavas-de-final da Libertadores serão os primeiros entre Palmeiras e Godoy Cruz;
  • O Verdão já enfrentou times argentinos 93 vezes, com 43V 26E 24D;
  • Em jogos pela Libertadores, o retrospecto contra times argentinos é 11V 10E 8D, em 29 partidas;
  • Entre amistosos, Copa Mercosul e Libertadores, o Palmeiras já enfrentou argentinos 36 vezes naquele país – 9V 14E 13D;
  • Na Argentina, pela Libertadores, foram 15 jogos: 2V 5E 8D.

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Apoiar na boa é fácil. E quando o time oscilar de novo?

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Após 26 jogos, o Palmeiras atravessa, inegavelmente, a melhor fase técnica desde o início do ano. A sequência invicta atual, coroada com a quebra de um recorde histórico da Academia de 72-73, ostenta 8 jogos, com seis vitórias e dois empates, 16 gols marcados e apenas um sofrido.

E essa contagem poderia ser bem maior. A última derrota foi na Argentina, contra o fraco San Lorenzo, num jogo atípico em que foi usada uma escalação alternativa, já que o foco da equipe estava desajustado tendo em vista a semifinal do estadual. Já poderiam ser 21 jogos sem ser batido.

Desde que Felipão reassumiu o comando da equipe, foram apenas cinco derrotas. As sequências invictas anteriores foram de 8, 3, 9, 13 e 12 jogos. Na média, uma derrota após 9 jogos.

Os números altamente positivos da sequência atual traduzem o equilíbrio impressionante alcançado entre ataque e defesa. O Palmeiras tem os melhores índices de gols marcados e sofridos no Brasileirão e na Libertadores. Não é coincidência. Resta saber se a torcida terá o mesmo equilíbrio quando o time entrar em novos períodos de oscilação.

Ápice no Mineirão?

Atlético-MG 0x2 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O jogo de ontem diante do Atlético-MG foi mais impressionante ainda pela tranquilidade com que o resultado foi conquistado. O adversário liderava a tabela com 100% de aproveitamento, vinha embalado e completo, tendo poupado o elenco no meio da semana visando exatamente o confronto contra o Palmeiras. Foi jogo grande.

O volume de jogo apresentado pelo Verdão, que dominou a partida do início ao fim, não permitindo ao adversário ameaçar o gol de Weverton e ainda proporcionando uma chuva de finalizações contra Victor em jogadas construídas das mais variadas formas, evidenciam o grau de evolução alcançado por esse grupo.

É importante salientar que o Palmeiras tomou a liderança do campeonato do Atlético, na casa do adversário, sem poder contar com Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian, três dos principais jogadores do elenco. Borja nem viajou por opção do treinador.

Felipão, em coletiva, atribuiu o ótimo desempenho da equipe ao elevado grau de consciência tática dos atletas, que sabem exatamente para onde correr e o que fazer com e sem a bola, em cada situação. Foi uma partida quase perfeita. Este é o limite deste time ou ainda é possível crescer mais?

Apanhamos para chegar neste ponto

Felipe Pires
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As oscilações verificadas no início da temporada refletem a trajetória desta evolução. Nas primeiras semanas tivemos experiências com ponteiros, usando Felipe Pires e Carlos Eduardo insistentemente, relegando Raphael Veiga e Zé Rafael a meros hóspedes da Academia de Futebol, já que muitas vezes não eram nem relacionados para o banco.

Posteriormente, com a recuperação de Ricardo Goulart, vimos um time bastante eficiente enquanto um esquema que abria mão dos ponteiros ainda era novidade. Mas no momento em que o uso de Goulart quase que como um segundo atacante foi manjado, o time voltou a ter problemas e oscilou, resultando na eliminação do estadual.

A nova lesão de Goulart, somada ao recente desfalque de Gustavo Scarpa, obrigou Felipão a rodar o elenco e rearranjar o esquema mais uma vez. Zé Rafael e Veiga ganharam espaço; Bruno Henrique voltou a ocupar o campo ofensivo. Os laterais e os volantes conseguiram uma sintonia excelente, a recomposição defensiva se manteve impecável e o time deu um encaixe melhor ainda, mesmo sem acertar totalmente o centroavante.

Diante dessa curva de crescimento e do variado leque de opções à disposição, é quase impossível não projetar o Palmeiras, neste momento, como protagonista do Brasileirão, sendo mais uma vez o time a ser batido. E é essa empolgação que nossa torcida precisa tentar conter.

Na boa e na ruim

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A ilusão de início de campeonato nos conduz à euforia, ainda mais ao verificar que nossos potenciais adversários já patinaram e que, se continuarem desperdiçando pontos, terão dificuldades em acompanhar nosso ritmo.

Jamais podemos, no entanto, nos esquecer que o campeonato é bastante longo e que fotografias de momento, ou recortes de 4 ou 5 rodadas, pouco significam num universo de 38. As oscilações voltarão a acontecer e existe sempre o risco de nosso esquema ficar manjado, mais uma vez.

A vantagem de Felipão é que ele usou cada semana desta temporada para desenvolver sistemas diferentes, que seguem na “memória tática” da equipe. Cada um desses sistemas pode ser reativado a qualquer momento, dependendo do jogo, o que torna o Palmeiras um time cada vez mais imprevisível e difícil de ser neutralizado.

A conclusão disso tudo é que o Palmeiras segue como principal favorito ao título, mas jamais podemos entrar no espírito suicida do já-ganhou – até porque, é essa empolgação que rapidamente se converte em pressão negativa na primeira oscilação – e elas vão acontecer, sobretudo quando Felipão decidir poupar os principais jogadores nos jogos que antecedem partidas decisivas pelos mata-matas.

Nossa torcida tem que buscar o mesmo equilíbrio alcançado pelo time: sem euforia, mantendo a confiança e o apoio em alta – na boa e na ruim; mostrando maturidade para estimular o elenco quando os resultados negativos aparecerem, sobretudo em eventuais e doloridas eliminações nas copas, competições que não dão margem para erros e nas quais uma partida desencaixada ou mesmo um lance infeliz podem colocar tudo a perder.

Em vez de arroubos de cólera, evocando argumentos torpes como o salário dos jogadores, o apoio será essencial para que o time consiga sair de uma eventual sequência negativa. Os jogadores e a comissão técnica, até o momento, vêm fazendo um trabalho muito bom. Resta saber se a torcida, quando for exigida, vai fazer seu papel no mesmo nível.


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