Rompimento entre Crefisa e Mustafá Contursi redesenha o panorama político do Palmeiras

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraLeila Pereira, presidente da Crefisa, patrocinadora e conselheira do Palmeiras, declarou em entrevista publicada hoje na Folha de S.Paulo algo que já circulava à boca pequena pelas alamedas: rompeu relações com Mustafá Contursi após o episódio de revenda de ingressos que veio à tona há algumas semanas.

A empresária, segundo o acordo de patrocínio, tem direito a uma cota de ingressos a cada jogo do Palmeiras no Allianz Parque, e repassava 70 deles a Mustafá como cortesia, num gesto político para que ele distribuísse entre sua base política. Mustafá foi o responsável pela manobra que deu a Leila a condição estatutária para poder concorrer ao cargo de conselheira.

Segundo acusações de uma intermediária, no entanto, os ingressos dados a Mustafá eram revendidos, caracterizando cambismo numa operação que pode ter movimentado mais de R$ 500 mil numa temporada – a revelação teria desapontado demais a conselheira, que assim decidiu por se afastar de seu criador político.

O movimento redesenha o cenário político do clube. Mustafá tinha em Leila um grande ponto de apoio para revitalizar suas bases políticas, cada vez mais carcomidas pelos minutos de silêncio. Foi por causa do apoio de Leila que o velho cacique conseguiu atrair novos apoiadores – entre eles um grupo que historicamente sempre foi seu inimigo: desde o ano passado, a UVB passou a rezar pela cartilha do homem que amaldiçoou por mais de uma década. Com esta reviravolta, o grupo tende a acompanhar o poder financeiro de Leila Pereira e abandonar Mustafá.

Mauricio Galliote e Leila PereiraMaurício Galiotte, que estava isolado politicamente, ganhou uma sobrevida importante com o episódio. Os dois passaram a disputar um cabo-de-guerra para ter Leila como aliada após Mustafá romper com o atual presidente por não atender a suas pressões para demitir Alexandre Mattos – com todas as vantagens para Mustafá.

O episódio dos ingressos, no entanto, virou o jogo. Maurício, até outro dia cercado apenas por alguns poucos e leais conselheiros, volta a ter força política, já que a Crefisa trará consigo uma série de bajuladores que finalmente veem alguém por quem vale a pena abandonar Mustafá.

Leila Pereira vai conseguindo se embrenhar na política do clube apoiada por seu poderio financeiro. Na mesma entrevista, deixou claríssimas suas intenções de concorrer à presidência do clube na eleição de novembro de 2022 – isso se os vários episódios desgastantes que ainda estão por vir não a demoverem dessa ambição. A cada imbróglio Leila tem condições de provar um pouco mais do que existe de pior na natureza humana. A política do Palmeiras não é para iniciantes.

Rascunho da eleição do ano que vem

Paulo Nobre e Mauricio GaliotteEm novembro de 2018 teremos novas eleições para a presidência do clube e Maurício Galiotte, com o suporte da Crefisa, voltou a ser um nome forte para concorrer à reeleição. Mustafá Contursi, acuado, volta a conviver com o mesmo problema que já o incomoda há alguns anos: seu grupo de apoiadores é formado apenas por puxa-sacos, cada vez mais ultrapassados e incapazes de gerir sequer uma banca de jornal – foi isso que o fez apelar para Arnaldo Tirone em 2011. E foi isso que o fez topar uma aliança com Paulo Nobre em 2013.

Maurício Galiotte tem o apoio de Leila Pereira, que nutre ódio mortal por Paulo Nobre, o que é recíproco. Os resultados esportivos de 2018 terão um peso importante. Se o Palmeiras voltar a conquistar troféus, a reeleição é quase certa e talvez Nobre nem saia de seu bunker político e continue a correr rally pelo mundo. Em caso de mais turbulência, a disputa pode ocorrer, e deve ser acirrada.

Tudo o que esperamos é que essas pessoas pratiquem Política, com “P” maiúsculo, de Palmeiras. Podem continuar se odiando, ou podem se reconciliar, isso realmente não importa – desde que a disputa seja leal, o profissionalismo continue prevalecendo e o time siga com o protagonismo que já exerce há três temporadas. Com Maurício, Leila, ou Paulo, seja quem estiver à frente do clube.


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Conselho deve escrever amanhã mais uma página vergonhosa na História do Palmeiras

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO Conselho Deliberativo escreverá na noite desta segunda-feira mais uma página que tem tudo para ser vergonhosa na História do clube.  Se as projeções se confirmarem, a candidatura de Leila Pereira, autorizada após uma canetada que se baseou numa memória obscura do ex-presidente Mustafá Contursi, não será impugnada e a dona da Crefisa, patrocinadora do futebol profissional, poderá seguir sua caminhada rumo à presidência do clube.

Como é sabido, Leila Pereira admitiu em entrevista ao jornal Diário de São Paulo, em 2015, que havia ficado sócia há poucos anos e negou ter planos políticos no clube. Repentinamente, lançou sua candidatura, na chapa de Mustafá. Investiu bastante na campanha, com montagem de comitê na rua Palestra e jantares com Uber pago para quem quisesse. Diante de tanta popularidade, recebeu uma votação expressiva, a maior da História, e carregou consigo mais oito ou dez conselheiros que não se elegeriam não fosse o quociente eleitoral que a chapa conseguiu graças ao peso de sua eleição. O chamado efeito Tiririca.

Para que sua candidatura obedecesse ao que determina o estatuto do clube, o tempo de associação de Leila ao clube foi acrescido de quase 20 anos – segundo uma lembrança de Mustafá, ele havia concedido o título de sócia benemérita a Leila em 1996, quando era presidente, embora não haja nenhum documento atestando o fato.

Com o patrocínio sem a certeza de renovação e precisando do apoio de Mustafá para conseguir governabilidade, o presidente Maurício Galiotte ficou com a faca no pescoço e autorizou a candidatura mesmo sem a documentação apropriada. Dias depois da homologação, a Crefisa anunciou a permanência do patrocínio.

Vários associados, entretanto, entraram com o pedido de impugnação da candidatura, o que será julgado na noite desta segunda-feira. A principal batalha deve ser pela forma de votação: voto aberto no microfone, ou na urna. Por transparência, a comunidade palmeirense exige voto aberto. Se os conselheiros tiverem mesmo a coragem de compactuar com essa mácula a nosso estatuto, que tenham também a hombridade de terem seus nomes expostos pela eternidade.

Presidência do Conselho

Na sequência acontecerá uma nova reunião, já com os novos conselheiros eleitos exercendo seus direitos de voto pela primeira vez, com a missão de eleger o presidente do Conselho Deliberativo. O favorito é Seraphim Del Grande, fundador da UVB, aliada de Mustafá.

Vice-presidente do clube na década de 90, Seraphim foi traído por Mustafá, que não permitiu que ele fosse o candidato a presidente após seus dois primeiros mandatos, permanecendo no cargo após uma sequência de manobras políticas e de alterações no estatuto. Seraphim então fundou a UVB, cuja bandeira principal sempre foi fazer oposição a Mustafá. Hoje, o grupo se curva ao velho cardeal.

Concorrem com Seraphim dois candidatos: José Apparecido, da Confraria Palestrina, e Sylvio Mukai, da UVB. Mukai é inexpressivo e sua candidatura serve apenas para escamotear a subserviência da UVB a Mustafá. Como Seraphim não precisará dos votos da legenda para se eleger, Mukai foi lançado. Já Apparecido, do grupo Confraria Palestrina, representa os anseios de renovação no Conselho, que precisa de alguém livre de amarras para comandar os ritos das reuniões.

Também será escolhido o vice-presidente: Concorrem o mustafista Carlos Faedo, o UVBista Tarso Gouveia e Guilherme Pereira, da Chapa Palestra. Este último, pelos mesmos motivos que o Verdazzo declara apoio a José Apparecido à presidência, é merecedor de toda nossa torcida – e ao contrário da eleição principal, as cartas para o vice-presidente não estão tão marcadas e pode haver surpresa.

Acordões

Acordos feitos entre as principais lideranças políticas do clube indicam que o mandato de Leila Pereira não corre perigo algum e que a chapa de Mustafá manterá todos os seus recém-eleitos. Seraphim Del Grande deve ser facilmente eleito. A noite desta segunda-feira tem tudo para ser uma das mais vergonhosas da História do clube.

Resta a esperança de que os votos sejam abertos, e que quem optar por subscrever a vergonhosa candidatura, forjada por uma conveniente lembrança, tenha seu nome exposto a toda a comunidade palmeirense.

O que significa a renovação do contrato entre Palmeiras e Crefisa

Mauricio Galliote e Leila Pereira
César Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

Palmeiras e Crefisa anunciaram no início desta tarde a renovação do contrato de patrocínio na camisa do clube por mais duas temporadas. O valor do investimento passa dos atuais R$ 66 milhões para R$ 72 milhões em 2017 e R$ 78 milhões em 2018, mais as despesas relativas a Barrios, que entre luvas e salários chegam perto de R$ 1 milhão por mês, enquanto o atleta permanecer vinculado ao Palmeiras.

No anúncio, feito em conjunto pelo presidente do clube Maurício Galiotte e pela presidente da Crefisa, Leila Pereira, foi mencionado ainda que haverá bônus pagos ao clube pela patrocinadora em caso de conquista em qualquer campeonato que o time profissional do Palmeiras entrar em 2017 e 2018, e deixou em aberto a possibilidade de ajudas pontuais em oportunidades de mercado – algo semelhante ao que foi feito nas contratações de Guerra e na aquisição de 100% dos direitos econômicos de Dudu, por exemplo – tudo em troca de propriedades de marketing que proporcionam enorme retorno institucional para as empresas, como pontuou Leila em seu discurso, na contramão de quem maldosamente caracteriza a relação com um mecenato. A empresária também aproveitou para fazer campanha para o Conselho Deliberativo do clube. As eleições acontecem no próximo sábado. Veja abaixo o vídeo completo com a coletiva.

Os recursos da Crefisa são muito importantes para o Palmeiras. Os valores anunciados podem representar até 20% do orçamento do clube. Peças fundamentais do elenco puderam ser adquiridas com o auxílio da empresa, e não há nada de errado ou imoral nisso.

O futebol é profissional desde 1933 e desde então monta times mais fortes quem tem mais dinheiro; o Palmeiras tem se destacado em todas as frentes de captação de recursos: além do patrocínio da Crefisa na camisa e em outras propriedades, a arrecadação com o plano de sócio-torcedor, com a venda de ingressos,com a venda de camisas e artigos do clube e a negociação com o Esporte Interativo renderam ao Palmeiras valores que nenhum outro clube alcançou, nem os queridinhos da mídia. Tudo isto atrelado a um planejamento e a uma gestão financeira impecável fazem do Palmeiras a grande potência econômica do país. O resto é choro de maus jornalistas e das outras torcidas.

O aporte feito pela Crefisa, no entanto, não pode servir de passaporte para a política do clube. Qualquer palmeirense pode se aventurar na trilha à presidência: primeiro é necessário ficar sócio, depois de oito anos pode se candidatar ao Conselho, e se vencer pode então fazer seu primeiro mandato, ao final do qual terá condições de ser candidato à presidência.

Leila afirmou não ter tempo para ser presidente do Palmeiras no anúncio de hoje, mas não disse que não quer. Na eleição de novembro de 2022 (na de 2020 ela não terá completado o primeiro mandato) Leila pode perfeitamente ter arrumado tempo e mudar de ideia em relação ao que disse hoje. E não há quem circule pelo clube hoje que diga que ela não alimenta esse sonho; a fama e popularidade que atrelar seu nome ao do Palmeiras lhe parece ser muito prazerosa – ela mesma menciona esse fenômeno numa de suas falas.

Quem está aparentemente pavimentando o caminho de Leila é Mustafá Contursi, de olho exclusivamente nos votos que a patrocinadora trará para sua chapa. Em dezembro, ela mencionou que seu marido, José Roberto Lamacchia, não seria candidato. Mustafá, ao perceber que a candidatura de sua Tiririca corria risco de impugnação, recomendou que o marido fosse também candidato, uma manobra de quem conhece os meandros da política do clube como a palma de sua mão – ou até melhor. Coisa de quem só está pensando em ampliar seu poder, abalado com a ascensão de Paulo Nobre depois de uma gestão tão vitoriosa.

Quem dorme com cobra amanhece picado. Leila está sendo usada por Mustafá e parece não se importar com isso. Quando menos esperar, em meio à sua escalada no clube, será contrariada. E se não tiver desenvolvido uma musculatura política que lhe dê força para contra-atacar – algo bem pouco provável em tão pouco tempo, a não ser que literalmente compre esse apoio – terá seu tapete puxado. Mustafá já fez isso várias vezes e muito, muito provavelmente fará de novo.

E quando isso acontecer, nada indica que ela não reagirá de forma igual ou pior que no ano passado, quando simplesmente deixou de pagar as parcelas do patrocínio quando se sentiu contrariada por Paulo Nobre nos affairs que os dois tiveram no decorrer da relação, a despeito do que o contrato determinava. Os valores atrasados foram pagos a posteriori, depois que as arestas foram aparadas. Mas não é nada recomendável correr esse tipo de risco. E é nesse buraco que o Palmeiras está se enfiando ao dar corda para a caminhada de Leila na política do clube.

Se a participação da Crefisa se limitasse meramente ao apoio financeiro em troca das exposições que as propriedades de marketing do clube lhe darão, seria o melhor dos mundos, tudo o que esperamos de um patrocinador – e foi isso que Leila apregoou em seu discurso. Mas a realidade aponta para outra direção, infelizmente. Leila não tem estofo na política do Palmeiras, que definitivamente não é para iniciantes.

O presidente Mauricio Galiotte passou por cima do estatuto para agradar a Mustafá e ao patrocinador. Garantiu para seu mandato governabilidade política e fôlego financeiro, bastante fôlego. Mas para isso abriu um precedente que pode ter consequências muito sérias e vai ter que carregá-lo pelo resto de sua vida.

No curto prazo, tudo aponta para dois anos bastante auspiciosos no plano esportivo. O Palmeiras montou um timaço e nem os comentaristas mais azedos se atrevem mais a questionar a qualidade de nosso elenco. As conquistas tendem a vir, basta confirmar o favoritismo dentro de campo – algo sempre mais palpável no Brasileirão, que é um torneio de pontos corridos de tiro longo. No mata-mata chegaremos fortes e seremos o time a ser batido, mas sabemos das contingências do futebol e de como os torneios eliminatórios aprontam surpresas. Mesmo assim, com seis torneios de mata-mata por disputar nos próximos dois anos, a chance de beliscar alguns é enorme.

Parte desse favoritismo pode ser creditado a nosso patrocinador, mas não só a ele. Que sua contribuição continue tendo sua contrapartida na exposição da marca das empresas. Que esse aporte não se transforme numa obrigação política, principalmente com uma pessoa que já deu fartas demonstrações de que não gosta de ser contrariada. No Palmeiras, essa é uma tarefa que nem o Eike Batista com peruca conseguiria.

Eleição

Se você acha que Leila Pereira, pelo que vem fazendo pelo clube, merece ser eleita, uma informação: ela JÁ ESTÁ ELEITA, pois precisa de mais ou menos 28 a 30 votos, algo que facilmente vai atingir ainda nas primeiras horas de votação. A agressividade de sua campanha deve lhe dar um retorno de 180 a 200 votos.

Isso significa que o Conselho terá, na aba de Leila, cerca de seis a sete candidatos do Mustafá, velhos associados que não querem nem saber dos jogos de futebol e que têm como única função obedecer ao chefe nas votações do Conselho. Mesmo que o leitor do Verdazzo ache que ela merece, Leila não precisa desse voto. Jamais, em hipótese alguma, deem seus preciosos votos a qualquer candidato dessa chapa cujos números começam com 1.

O Verdazzo recomenda a todos os associados do Palmeiras com direito a voto que exercitem sua cidadania palmeirense apoiando os candidatos do grupo Fanfulla. Palmeirenses que não perdem um jogo, cuja única preocupação ao fazer política no clube é fortalecer mais e mais o futebol. Conheça melhor os candidatos neste link.

Leila Pereira, Frank Underwood e o Palmeiras

Frank UnderwoodUm dos assuntos que têm preocupado nossa torcida neste início de temporada é a volta da efervescência política nas alamedas do clube. O presidente Maurício Galiotte vem enfrentando, logo de saída, problemas sérios para conter as tensões que precedem as eleições para o Conselho Deliberativo, que acontecem no próximo dia 11. As primeiras decisões de Galiotte desagradaram a Paulo Nobre e os dois já não estão em harmonia como nos últimos quatro anos.

Do ponto de vista de governabilidade, o afastamento entre os dois não deve influenciar a gestão de Galiotte. Apesar de ser um comportamento recorrente na política do Palmeiras, Paulo Nobre não faz o tipo que sabota seus adversários políticos, se é que as diferenças os levaram a esse patamar. Se Nobre não vai ajudar, muito menos vai atrapalhar. A tendência é que, com o tempo, os dois se reaproximem; o tom apocalíptico da imprensa acerca do tema se deve à falta de pauta típica do mês de janeiro.

Houve dois episódios que conduziram a este cenário: a votação para punição de Arnaldo Tirone, esvaziada por partidários de Mustafá Contursi e seus novos aliados, a União Verde e Branca; e a impugnação da candidatura de Leila Pereira ao Conselho, último ato de Nobre enquanto presidente.

O pedido deu-se porque Leila não tem condições estatutárias para concorrer ao cargo. Numa manobra de Mustafá Contursi, foi-lhe dada essa condição baseada num título emérito supostamente concedido em 1996, nunca propriamente documentado.

Mustafá, mesmo ainda com muita força nos CD e no COF, resultado de mais de 40 anos de atuação política no clube, vem perdendo conselheiros a cada eleição. Sua influência política junto aos sócios está em queda livre e sua bancada só não míngua de vez porque tem a reserva dos vitalícios que lhe são fieis – outra de suas manobras que visa estender ao máximo sua influência.

O sistema eleitoral do Palmeiras é semelhante ao da Câmara dos Deputados em Brasília; os partidos – ou chapas – elegem tantos deputados – ou conselheiros – quanto a proporcionalidade do total de votos recebidos determina. Isto permite que candidatos muito populares, com votações expressivas, puxem outros candidatos com votações pífias, como acontece com Tiririca em Brasília. Leila goza de extrema popularidade pelo fato de ser uma das donas da Crefisa e Mustafá visa usar essa condição para puxar mais quatro ou cinco conselheiros para sua chapa na eleição.

Leila está sendo usada e parece não se importar. Teve a promessa de que o título seria concedido de forma retroativa, mas não esperava a intervenção de Nobre, o que também enfureceu Mustafá. A solução foi pressionar Galiotte dos dois lados em busca de uma canetada que legitime o documento: Mustafá o ameaça com a ingovernabilidade e Leila com a retirada do patrocínio. Com a faca no pescoço, Galiotte prometeu atender ao pedido. Obviamente muito insatisfeito com a situação em que Paulo Nobre o meteu, daí o afastamento.

Paulo Nobre está de volta a sua vida normal, depois de quatro anos, curtindo um descanso, resignado. Leila terá seu mandato de conselheira, o que lhe abre as portas para uma candidatura a presidência num futuro próximo, sua grande aspiração. Mustafá consegue mais poder e uma aliada de peso, enquanto lhe for útil. E Maurício tem caminho livre para governar, com recursos financeiros garantidos. Aparentemente todos estão felizes.

Ao contrário do que partidários de Paulo Nobre apregoam, a Crefisa não é inimiga do Palmeiras. É um grande parceiro e patrocinador, e manter um bom relacionamento com a empresa que valorizou sobremaneira a visibilidade de nossa camisa e permite que o clube tenha grandes vantagens competitivas em relação aos rivais é muito importante. Mas a forma como tudo se desenrolou é que preocupa.

No curto prazo, não se sabe até que ponto Galiotte garantiu o prosseguimento dos valores fundamentais da gestão anterior, que não mediu esforços financeiros para que o clube tivesse toda a estrutura para atingir os resultados esportivos. Mustafá é adepto do corte de despesas, e já vimos este mês o afastamento das equipes de comunicação, médica e de fisioterapia, e não se sabe se a medida foi estratégica, administrativa ou financeira. Os diretores do último biênio continuam trabalhando, à espera do anúncio da nova diretoria para 2017/18, a ser feito após o dia 11. Se Maurício trocar os principais diretores, colocando em suas posições nomes indicados por Mustafá, o castelo de profissionalismo que começou a ser construído nos últimos quatro anos terá sérios abalos em suas fundações.

No longo prazo, a canetada abre precedentes seriíssimos. Leila Pereira conquistou todos os bens materiais que um ser humano pode desejar e os novos desafios de sua vida talvez se relacionem com poder. Ser a patrocinadora de uma camisa tão poderosa como a do Palmeiras parece ter-lhe aberto novos horizontes, e ela enxergou no clube uma maneira de percorrer esse desafio. Ela tem todo o direito de aspirar à presidência do clube para satisfazer a esse desejo, mas precisa percorrer o mesmo caminho de qualquer associado: oito anos como associada, e mais oito anos como conselheira, sem atalhos conseguidos na base do prestígio, que por sua vez advém de sua condição financeira.

Uma ascensão baseada simplesmente no poder econômico transforma o Palmeiras num clube vendido, semelhante ao que aconteceu com grandes clubes europeus como PSG, Manchester City e Chelsea, ou, melhor comparando em nosso próprio mercado, com o SCCP/MSI ou o Fluminense/Unimed. Isto não é motivo de orgulho para ninguém, o Palmeiras tem que manter o respeito a suas regras intocado. Além disso, uma ascensão acelerada torna a administração desprotegida, dependente de uma relação com alguém frágilmente alheio aos meandros das alamedas. Por isso é necessário percorrer toda a estrada política; o poder precisa estar nas mãos de alguém com raízes fortes no solo do clube, algo que só o tempo confere. Dinheiro nenhum compra isto.

O casal Crefisa é muito bem sucedido em seu ramo de atividade, onde o estilo agressivo costuma dar resultados consistentes. Mas num clube de futebol essa postura não é a mais indicada, sobretudo num ambiente em que a palavra não vale muita coisa. Na política do Palmeiras, quem odeia hoje, ama amanhã. A bandeira da UVB nos últimos 20 anos foi de ódio a Mustafá Contursi, o discurso sempre foi pessoal e virulento– não estamos falando apenas de oposição política. Na primeira oportunidade de lucro político, tudo caiu por terra e os conselheiros da UVB obedeceram à manobra de Mustafá para inocentar Tirone.

Leila Pereira não tem o menor traquejo, por enquanto, para se meter no meio dessas cobras criadas e sustentar seu prestígio da única forma que conhece. Se não aprender a fazer política, se optar por percorrer o caminho mais curto, será miseravelmente traída por quem hoje acha que a protege.

Quotes

Algumas citações de Frank Underwood, legendário personagem da espetacular série House of Cards, da Netflix, podem inspirar Leila nesta caminhada:

“Money is the Mc-mansion in Sarasota that starts falling apart after 10 years. Power is the old stone building that stands for centuries. I cannot respect someone who doesn’t see the difference.”

“Power is a lot like real estate. It’s all about location, location, location. The closer you are to the source, the higher your property value.”

“The road to power is paved with hypocrisy, and casualties.”

E para terminar, a maior das pérolas:

“Democracy is so overrated.”