Fogo amigo sobre Dudu pede nova intervenção da diretoria do Palmeiras

TJD-SPTribunais, Federação, arbitragens, concorrentes, imprensa… é pancada de todo lado. O Palmeiras chama atenção pelo sucesso administrativo financeiro e pelo forte elenco que conseguiu reunir para a disputa das últimas temporadas – e paga por isso.

Nosso elenco tem jogadores suspensos com extremo rigor pelos tribunais – no ano passado, Alecsandro chegou a ser suspenso preventivamente por um doping que depois foi provado que não existiu. Até tribunais trabalhistas estão nos prejudicando: Gustavo Scarpa, um dos maiores destaques do elenco, está impedido de exercer sua profissão por mesquinharia de um pequeno clube da zona sul do Rio, combinado com um suspeito tráfico de influência.

A imprensa, com desfaçatez, bate forte, distorcendo fatos e emitindo opiniões enviesadas escondida sob o manto da imparcialidade, manipulando a opinião das torcidas em geral e dos próprios palmeirenses.

Mesmo assim, o Palmeiras chega competitivo em todos os torneios – mas tem parado nas arbitragens, seja por atuação dentro ou fora das quatro linhas. Os dois últimos campeonatos erguidos pelo inimigo, ex-rival, tiveram de forma inequívoca a indispensável interferência dos homens do apito e de seus chefes.

Isso basta? Parece que não. Agora tem fogo amigo na jogada. Mais uma vez, uma parcela de nossa torcida resolveu atrapalhar ainda mais o clube, numa reação raivosa que combina a rasura intelectual manipulada por jornalistas desonestos, com a frustração de não conquistar os títulos, somada ao fato de ver a ORCRIM de Itaquera os conquistando.

Burrice tem limite?

Esses infelizes enxergam os jogadores como seus empregados e se dão o direito de descontar as frustrações de suas vidas provavelmente medíocres naqueles que, em suas limitadas visões, são os responsáveis pelo Palmeiras não estar conquistando todos os títulos, a única forma de se sentirem vencedores na vida. Mal sabem que, se um dia forem patrões de alguém, não deverão tratar os empregados do jeito que estão tratando quem defende as cores do Palmeiras em campo.

A estupidez chega ao ponto dos cidadãos se deslocarem até Buenos Aires, onde o Palmeiras faz um enorme clássico sul-americano contra o Boca Juniors, num dos estádios mais hostis do mundo, para xingar nossos jogadores na porta do hotel. É de se supor que uma pessoa que faz esse tipo de sacrifício para ver aquelas camisas verdes em campo queira que o time ganhe o jogo. Como ele espera que os jogadores deem seu máximo se, em vez de mostrarem seu apoio, o hostilizam em território inimigo? Qual o limite da burrice humana?

Por que o alvo é Dudu?

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Dudu, especificamente, tem sido o principal alvo dessa gente, sabe-se lá por quê. No último domingo, ao marcar o gol da vitória do Palmeiras sobre o Inter, nosso capitão não se sentiu à vontade para comemorar efusivamente. Preferiu retornar ao campo de defesa em silêncio, em resposta aos ataques que recebeu no Instagram, onde até imagens de seus filhos pequenos foram alvo de alguns animais. Notem: ele não saiu xingando ou fazendo gestos; apenas se recolheu.

Na “visão” desses torcedores, não basta que o jogador seja bom, que marque o gol da vitória contra um adversário tradicionalmente duro num jogo em que a vitória era essencial. Para eles, o atleta precisa ser humilhado, aceitar e ainda ser um ator, mostrando uma alegria que não está sentindo. Ao ser autêntico, Dudu acaba desafiando seus detratores, que se juntam em bando, ou usam a distância da internet, para exercerem suas autoridades.

Há jogadores que conseguem lidar bem com esse tipo de pressão; outros, nem tanto. Dudu, de fato, mostra uma sensibilidade acima do normal para essas situações, o que é suficiente para que seja classificado como mimado e chorão – a eterna mania das pessoas em dar adjetivos para as pessoas com quem não concordam. Para reforçar seus argumentos, usam seu salário e a faixa de capitão para afirmar que ele merece a perseguição, tem que aguentar calado e só se manifestar, com muita alegria, quando cumpre sua obrigação de fazer os gols das vitórias. Resta saber por que essa perseguição começou – embora não seja muito difícil de imaginar para quem já acompanha futebol há algum tempo.

Mais um problema para a diretoria resolver

Alexandre MattosO clube precisa agir. Em tempos bicudos como os atuais, a blindagem precisa se estender às redes sociais, para proteger os jogadores e suas famílias de ataques deploráveis. Nossos jogadores infelizmente não podem se expor saudavelmente na internet como pessoas normais, sobretudo os que não lidam bem com esses tipos de ataque – que são cinicamente, classificados como meras “críticas” por quem os faz ou apoia.

Seria interessante também fazer um trabalho de mapeamento dos perfis mais hostis e identificar quais, realmente, são de palmeirenses pouco providos de inteligência, e quais são de identidades falsas, criadas sistematicamente com o único objetivo de tumultuar ainda mais nosso ambiente – estratégia que, numa escala muito maior, já ganhou até uma eleição nos Estados Unidos.

Dudu precisa de atenção especial. Um acompanhamento específico, com um bom profissional, para que ele continue crescendo mentalmente e amadurecendo. Quem lembra de seu comportamento em 2015 e o vê hoje percebe facilmente uma grande evolução, mas ainda há muito onde melhorar.

À medida que o mundo vai se tornando mais complexo e sofisticado, a direção de um clube de futebol que pretende se manter como o maior vencedor do país precisa estar atenta às novidades e se adequar a elas. Nossos jogadores precisam também de novas formas de blindagem e apoio, para, acreditem, não sermos vítimas de fogo amigo e podermos focar somente nos ataques externos, que nunca vão cessar. Segue o barco.


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Entres tantas certezas, apenas uma se sustenta: não foi a gritaria na internet

A sensacional vitória no clássico de ontem à noite voltou a encher os palmeirenses de certezas – como acontece em todos os jogos, seja na boa, seja na ruim. As de ontem foram, basicamente, que os xingamentos da torcida depois da derrota para o São Caetano funcionaram e os jogadores entraram com vergonha na cara; correram bastante e por isso venceram – simples assim.

Talvez isso seja uma meia-verdade, se é que isso existe.

Xingando muito no TwitterA atitude dos nossos jogadores foi a que sempre sonhamos e foi determinante para o resultado. O equilíbrio com que o Palmeiras tratou a disciplina tática e a chamada pilha, dosadas na combinação correta, temperadas com a incrível participação dos mais de 34 mil palmeirenses presentes, foi o que matou o SPFC.

A origem dessa mudança de atitude, entretanto, parece muito mais ligada ao significado de cada jogo do que às cobranças nas redes sociais que beiraram a histeria.

E-qui-lí-brio

São poucos os jogadores que conseguem entrar em todas as bolas com vitalidade sem perder a concentração, sem desligar do raciocínio que comanda a fundamental ocupação de espaços.

Nossos jogadores conseguiram imprimir volume nos momentos-chave e souberam diminuir o ritmo quando necessário. O time respondeu, mais uma vez, à necessidade de vencer num jogo grande após um resultado frustrante. O que vimos foi um banho de bola.

Victor Luis vs. SPFC
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

O SPFC foi esmagado na parte mental logo que a bola rolou. O som ensurdecedor da torcida, somado com três ou quatro roubadas de bola surpreendentes logo nos minutos iniciais, minou a confiança dos adversários. A jogada de Dudu entrando na área conduzindo a bola rente à linha de fundo ilustra muito bem a postura de cada time em campo.

Mas não é possível jogar o tempo todo em intensidade máxima. O Verdão, então, soube jogar também nos momentos em que o SPFC tentou colocar a bola no chão e fazer valer sua condição de time grande. O máximo que permitiu foi uma bola na trave, num lance de rara felicidade de Shaylon e Trellez. Neutralizando e cansando o adversário, o Palmeiras voltou à carga e esteve bem mais próximo do terceiro do que o SPFC do primeiro – aliás, chegamos ao terceiro, que a péssima arbitragem nos subtraiu.

Torcida à beira de um ataque de nervos

Em jogos menores, em início de temporada, o time pode se dar ao luxo de fazer experiências. É até necessário. Nesses jogos, como o de segunda-feira, é natural que o foco esteja totalmente na parte tática e zero na intensidade. Ontem, ao contrário, pode ter sido apenas um jogo em que tudo deu certo, mas também pode ser sinal de que esse grupo pode estar atingindo a maturidade (até antes do esperado) ao exibir disciplina tática e pilha em quantidades corretas, nos momentos exatos.

Fabiano vs. São Caetano
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Não podemos ter certeza de nada; o tempo dirá o quanto nosso elenco está evoluindo. A conta da derrota de segunda, é claro, é do treinador – o que não necessariamente é algo ruim. Roger pode ter arriscado os pontos em nome do desenvolvimento de peças que lhe parecem úteis. Ele provavelmente tirou lições importantes daquela partida. E pagou com o preço mais alto possível por essas informações: três pontos.

Transformar a frustração por uma derrota para o São Caetano num movimento de manada para derrubar a comissão técnica, condicionando a sequência do trabalho à vitória no clássico é um erro tão grosseiro quanto recorrente em nossa torcida, sempre à beira de um ataque de nervos. Felizmente a vitória veio, caso contrário estaríamos sujeitos à firmeza da diretoria – e sabe-se lá o quanto estava respaldado o trabalho da comissão técnica até ontem à noite. E não é possível que, em sã consciência, depois de tudo o que aconteceu no ano passado, um palmeirense ainda sustente que trocar de técnico seja sempre a solução.

Por isso, a única certeza que parece mesmo existir é a de que é melhor exercitar a paciência, evitar jogar gasolina em cima de uma pilha em que pode haver um braseiro escondido. O preço a ser pago pode ser bem maior que três pontos na fase de classificação do Paulista.


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Consumidores, voltem para seus barzinhos na Vila Olímpia

Santos 0x1 Palmeiras
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Chegou ao conhecimento público nesta quarta-feira a notícia de que três torcedores que compareceram ao Allianz Parque para assistir ao jogo entre Palmeiras x Santos, válido pelo Campeonato Brasileiro, estão processando a WTorre, o Palmeiras e a CBF. Eles pedem, além do ressarcimento do valor dos ingressos, a quantia de R$ 20 mil cada um. O motivo? Água caindo sobre suas cadeiras.

Naquela noite, chovia demais na capital paulista e um rápido apagão aconteceu no estádio antes da partida começar – o único registrado em mais de três anos de atividade do Allianz Parque.

A drenagem não aguentou e gramado ficou encharcado, fazendo com que o jogo de bola pelo chão do Palmeiras fosse prejudicado. O Santos acabou vencendo por 1 a 0.

Os torcedores têm razão de ficar chateados. Afinal, pagaram caro (dois ingressos de R$ 100, meia-entrada, e um de R$ 200) e tinham o direito de permanecerem secos. Mas vamos com calma.

Tá chovendo no meu assento, e agora?

Fosso Palestra
George de Barros

Ao longo dos anos, cansamos de tomar hectolitros de chuva em jogos no velho Palestra e continuamos a tomar em vários estádios do país. Agora, temos a primazia de ter a cobertura do Allianz Parque para nos livrar desse incômodo – a não ser que você seja o azarado que está bem debaixo de uma goteira que a WTorre deixou se criar.

Nessa situação, há várias coisas a se fazer. A primeira delas é chamar um steward e tentar arrumar outro lugar, antes que o jogo comece. Você arruma outro lugar, que pode ser melhor ou pior que o que você comprou. Mas assiste ao jogo, seco.

Às vezes a equipe de apoio não é eficiente e não resolve o problema. Ou a goteira pode começar durante o jogo. Você realmente não está com sorte. Resta a você tentar chegar mais para o lado para não se molhar. Ou procurar outro lugar por sua conta – muitas vezes a solução é a escada. É chato, mas o que importa mesmo é apoiar o Palmeiras.

Com o fim do jogo, você pode simplesmente dar uma torcida na sua camisa encharcada e ir para casa, lamentando a derrota e a má sorte de pegar bem o lugar “premiado”. Ou pode ir na Ouvidoria do estádio e registrar formalmente reclamação, ou fazer uma queixa no Reclame Aqui – e quem sabe até ganhar um mimo do clube mais tarde. Mas pode também ir além e exigir seus direitos, processando a WTorre, que é a responsável pela manutenção do estádio.

Nessa última opção, o advogado vai lhe dizer que o acionado será a WTorre, mas que a CBF e o Palmeiras serão “solidários”, ou sei lá qual o melhor termo jurídico para definir terceiras partes que, por algum motivo, podem dividir a responsabilidade com o requerido principal.

É nesse momento que os torcedores mostram do que são feitos. Um consumidor, um sujeito feito de nada, diz ao advogado: “sem problemas”.

Já um palmeirense legítimo, de sangue verde, que tem o “P” tatuado na alma, se levanta, coloca o dedo na cara do advogado e diz claramente: “não tô nem aí pra WTorre e pra CBF, mas se for para processar o Palmeiras, não tem ação”.

Não se trata de direito

Torcida Allianz ParqueNessas discussões, sempre aparece alguém com o viés legal, ponderando que os caras “têm o direito” de procurar a Justiça caso tenham se sentido prejudicados. Mas é claro que têm o direito. Não é isso que está sendo discutido.

Os novos estádios atraíram um novo público ao estádio, e nem é preciso frequentá-los para constatar isso: basta verificar os números do crescimento da média de público. E entre esses novos frequentadores, temos os “consumidores”, que chegaram cheios de direitos. Exigem, inclusive, espetáculo em campo. EXIGEM.

São pessoas que vão ao futebol como forma de entretenimento. Pessoas que, em três anos de operação da nova “casa de espetáculos”, ainda não conseguiram entender o que é torcer de verdade por uma camisa como a do Palmeiras. É aquele tipo de cara que aproveita que está numa multidão e desconta todas suas frustrações no atleta que errou um passe ganhando trinta vezes mais do que ele – esse tipo, você que frequenta o Allianz Parque sabe, está muito comum.

São exatamente esses que dizem “sem problemas” para o advogado. É esse tipo de idiotas que devem ser combatidos nas arquibancadas. A cada xingamento ao Tchê Tchê ou ao Bruno Henrique, esses caras têm que ser reprimidos pelos torcedores até entenderem que estão entrando num lugar sagrado, com um código de conduta, e que o valor pago no ingresso não lhes permite subvertê-lo.

Voltem para seus barzinhos na Vila Olímpia

Rei do CamaroteO Palmeiras precisa exigir da WTorre que nunca mais caia uma gota de chuva nos assentos, bem como combater todos os eventuais pontos cegos causados pelas divisórias, seja de grade ou de acrílico.

Mas, muito mais do que isso, o Palmeiras precisa mesmo é de torcedores que o tratem como um dos membros mais queridos da família.

Quando alguém que amamos pisa na bola com a gente, podemos até ficar bem bravos. Ficamos de mal. Mas passa.

Não precisamos nos comportar como gado e aceitar tudo em nome do amor. Se comprarmos ingresso para um lugar com problemas, reclamamos. Tentamos resolver antes do jogo, achamos um lugar aceitável. E bola pra frente.

Os “consumidores” que deram o azar de comprar um assento com goteira preferiram processar o Palmeiras. Eles têm até o direito, mas não podiam. Jamais.

Se for para ser assim, que voltem todos para os barzinhos da Vila Olímpia de onde vieram. Nossa renda e público médios podem até cair um pouco, mas todo mundo que pertence ao estádio de futebol vai se sentir melhor.


ATUALIZAÇÃO: A torcida do Palmeiras investigou e descobriu que os tais torcedores que processaram o clube não eram palmeirenses, e sim rivais infiltrados. Isso anula boa parte da argumentação do post, o que nos deixa de certa forma aliviados: a gourmetização da arquibancada não chegou a esse extremo.

De qualquer forma, fica a reflexão sobre o comportamento de “consumidor” que, inequivocamente, está assolando nossa torcida no estádio – mesmo que o absurdo de processar o próprio time não tenha sido atingido.

As vaias no Allianz Parque e o beicinho de Deyverson

Palmeiras 5x1 Sport
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O primeiro tempo do Palmeiras contra o Sport foi muito ruim. Sem alma, o time de Alberto Valentim fez o que de pior se pode fazer para irritar nossa torcida: viraram onze Wesleys – ironicamente, o original, que dá nome à escala de vaias do Allianz Parque, estava do lado de fora do campo, com a camisa do adversário.

Onze, não: dez, já que Fernando Prass fez pelo menos meia dúzia de defesas sensacionais, mantendo o 0 a 0 no placar até o fim do primeiro tempo.

Na saída para o vestiário, o time ouviu uma sonora vaia – grau 6,5 na escala Wesley. Esperava-se que o Palmeiras voltasse diferente para o segundo tempo. Mas quem mudou a atitude, estranhamente, foi o Sport. Em vez de manter o que estava dando certo, o time, sentindo a pressão da péssima posição na tabela, se desesperou e abriu toda sua defesa para tentar forçar a marcação do primeiro gol. O Palmeiras, sem qualquer brilho, começou naturalmente a construir chances de marcar.

Mas o 0 a 0 no placar permanecia e a irritação da torcida só aumentava. Aos seis minutos, Deyverson foi lançado em boas condições para sair na cara de Magrão, mas ao disparar para receber a bola lá na frente, fez a rota errada e a bola bateu em suas costas. Vaia de grau 7.

Dois minutos depois, ele foi lançado pelo meio, dominou, colocou na frente, cara a cara com Magrão, e tocou no cantinho esquerdo, tirando do goleiro. Se ele tocasse um pouquinho mais para o meio, Magrão defenderia. A bola saiu a um fio de cabelo da trave. O estádio meteu uma vaia de grau 9 sobre o atacante, que havia marcado dois gols na partida anterior – o que não fez a menor diferença naquele momento. Talvez ele pudesse ter batido no canto direito, mas ele é apenas o Deyverson, não o Gabriel Jesus.

A meu lado, um jornalista palmeirense, sem o replay para conferir a jogada, cuspiu marimbondos. Com a chance de poder conferir pelo notebook a repetição da jogada, tentei argumentar dizendo que ele fez certinho, que a bola saiu por muito pouco, mas não adiantou. “Pra que serve essa perna esquerda dele?”, perguntava indignado.

Deyverson
Fernando Dantas/Gazeta Press

Dois minutos depois, Deyverson recebeu um passe preciso de Dudu e escorou, de pé esquerdo, para as redes de Magrão, no mesmo cantinho que havia falhado na jogada anterior. Olhei para o lado e perguntei sorrindo para o colega, já sabendo a resposta: “foi de pé esquerdo, né?”

Na comemoração, Deyverson acusou a pressão. Fez bico, chorou. Talvez tenha ficado magoado com a ingratidão da torcida, já que havia sido o carrasco do Flamengo cinco dias antes. Talvez tenha se assustado com o tamanho da vaia que recebeu, já que seu erro não foi para tanto. Ele sentiu na pele o que é ser centroavante do Palmeiras, algo que já havia demonstrado na coletiva de apresentação, quando também aflorou seus sentimentos só de vestir a camisa numa sala de imprensa.

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Depois de tirar o peso das costas, ele ainda fez o terceiro gol – de perna esquerda mais uma vez, para minha extrema diversão – e já se soltou um pouco mais na comemoração, pulando unha-na-mula em Keno, batendo o cumprimento que inventou com Michel Bastos e fazendo coraçãozinho. E só não fez o quarto porque Dudu foi fominha.

Certamente ele foi abordado no vestiário pelos mais experientes. Na zona mista, falou como quem tinha acabado de sair de uma sessão de media training: não estava chateado com a torcida, jamais retrucaria a arquibancada, apenas estava chateado consigo mesmo por ter perdido o gol. Nem a vó dele acreditou, mas foi a coisa certa a dizer.

Nossa torcida é assim mesmo. Quando o time joga como um bando de lesmas, como foi no primeiro tempo na noite de ontem, a ira toma conta – e sabemos como isso cresce a cada toque errado na bola. Começa com aquele 1% de descontrolados que adoram dar urros enfurecidos em direção ao gramado, mesmo sabendo que não serão ouvidos, mas que contagiam quem está ao redor. Quatro ou cinco erros depois, já são 10%, que aos berros, fazem um barulho considerável. Uma onda irracional, fora de controle, que os jogadores precisam saber como processar para transformar em combustível para sair do estado de leseira.

Deyverson
Fernando Dantas/Gazeta Press

Deyverson parece ser um bom menino e pode ser um reserva útil para nosso ataque por uns bons anos. Jogador não é máquina; tem sentimentos e não é pecado demonstrá-los – desde que isso não afete o rendimento em campo. Não se abater com vaias no Allianz Parque é básico para quem quer vencer com esta camisa – e elas vão acontecer. Não se virar contra a torcida é mais básico ainda – e ele passou muito perto de fazer isso após fazer o primeiro gol. Teve mais sorte que juízo, mas depois foi bem orientado no vestiário. Caso realmente queira ter uma carreira longa no Palmeiras, é bom que tenha aprendido a lição.

A torcida do Palmeiras não para de surpreender

Michel Bastos
César Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras venceu o Vitória ontem pela manhã no Allianz Parque e deu um alento à torcida, com razão desconfiada depois das três partidas anteriores em que o Verdão havia sido derrotado. É verdade que o time, apesar dos quatro gols marcados, não jogou exatamente um futebol massacrante, envolvente, empolgante. Mas de maneira geral, o Palmeiras foi dominante.

O Vitória foi superior nos 25 minutos em que esteve à frente no placar, muito mais em razão da ansiedade de nossos jogadores e da torcida presente ao estádio, situação que foi quebrada com a marcação do pênalti. E FOI PÊNALTI: Mina foi puxado pelo calção, algo difícil de perceber nas imagens logo após a partida, mas que com as imagens que surgiram depois, ficou nítido.

Outro rápido momento de superioridade do visitante foi entre os 15 e 20 do segundo tempo – uma pressão que teve início no vacilo de Mina que Neílton desperdiçou, e acabou na cabeçada de Wallace no travessão – a entrada de Michel Bastos reverteu o momento e o Palmeiras construiu a goleada.

O árbitro, péssimo, nos prejudicou muito. OK, ele marcou o pênalti que a imprensa insiste em dizer que não foi, houve mais dois: um em Felipe Melo, empurrado com as duas mãos num escanteio aos 17 do primeiro tempo; e outro em Willian Bigode, atropelado quando se preparava para marcar, aos 7 do segundo tempo. Mesmo assim, a imagem que a imprensa está vendendo é a de que fomos ajudados.

Haja mau humor

TecladoParte de nossa torcida, mal-humorada, com muita vontade de reclamar, está inacreditavelmente comprando a versão da imprensa apenas para reforçar o argumento de que tudo está uma porcaria.

O Palmeiras foi superior em mais de 60 minutos do jogo, sendo que em 25 deles o problema não foi técnico nem tático, e sim de nervosismo. O Vitória finalizou apenas 4 vezes – duas entraram, indefensáveis, golaços – e teve gente que ainda quer reclamar do Fernando Prass.

Tivemos três partidas com resultados ruins, em que nosso futebol oscilou – em todas fomos melhores em um tempo e piores em outro – insuficiente para conseguir ao menos três empates. Nosso goleiro, sempre tão seguro, teve lances em que deixou dúvida se as bolas eram defensáveis ou não. Essa sequência ruim parece ainda ter mais importância que a boa vitória de ontem. O mau humor e a vontade de reclamar ainda parecem muito maior do que a disposição de enxergar que o time fez o que dele se esperava ontem – e até mais.

Goleamos, mas não parece

Nossa torcida ontem foi mais uma vez fantástica – pelo menos no estádio. Mais de 36 mil pessoas, num jogo contra um adversário menor, depois de três derrotas sendo a última num Derby, é algo admirável – e não importa se boa parte desse volume estava garantido antes mesmo da quarta-feira, turbinado pela invasão de vans vindas das cidades do interior, trazendo grupos atraídos pelo conveniente horário em que a partida foi disputada.

Mesmo com o time atrás no placar, segurou o nervosismo e não houve vaias. A impaciência era latente, mas a postura de apoio prevaleceu e o time respondeu. Esse foi o pessoal do estádio.

Mas nossa torcida, bipolar e intensa, não para de surpreender. Nas redes sociais e nos próprios comentários deste site, parece que perdemos de novo. Parece que fomos dominados e achamos quatro gols na sorte. Mesmo com o placar oferecendo uma enorme chance de virar as páginas das três derrotas de uma vez só, com momentos muito interessantes dentro de campo – o ritmo que o time imprimiu entre os 20 e os 35 do segundo tempo, quando fez dois gols, foi sensacional e matou o jogo.

Rosto franzido

“Tá, mas foi só o Vitória”. Pincei este comentário para ilustrar mais este episódio de nossa torcida na internet. Dá pra imaginar o rosto do cidadão todo franzido digitando isto após ver o jogo pela TV. É quase divertido imaginar o que seria lido nas redes sociais em 1972 ou em 1993 se elas existissem então. Mas não é preciso viajar na maionese e ir tão longe: basta ter memória boa e lembrar de muita coisa escrita mesmo em 2016.

O que conforta é supor que esta parcela mal-humorada que invade a internet para encher o saco mesmo após uma recuperadora goleada é apenas uma minoria ruidosa que tem poucas chances de ir ao estádio, e que a maioria silenciosa conseguiu enxergar coisas boas na partida de ontem, já virou as páginas das derrotas e já está mirando os próximos jogos, em que temos coisas grandes por conquistar- mesmo sem perder de vista os defeitos que mostramos ontem. VAMOS PALMEIRAS!


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