A folga dos jogadores do Palmeiras e a ausência do Eduardobol

Eduardo Baptista comanda treino
César Greco / Ag.Palmeiras

O elenco volta a se apresentar amanhã pela manhã na Academia de Futebol, depois de dois dias de descanso concedidos pela comissão técnica. Os jogadores, além de descansarem o corpo, tiveram muitas horas de reflexão após a vexatória derrota por 3 a 0 em Campinas.

Parte da torcida – sempre aquela mais barulhenta – logo esbravejou. Cheios dos direitos, afinal, pagam Avanti e ingresso, colocaram as mãos nas cadeiras e se indignaram com o que consideraram um prêmio aos jogadores. Para eles, time que perde um jogo por falta de vontade tem que treinar no dia seguinte das 6 da manhã até 4 da tarde, sem pausa, de preferência rodeados por chibatas.

Bobagem. Se fosse realmente o caso de punir os jogadores, seriam aplicadas as regras do manual de comportamento – e a maioria das sanções são no bolso, que é onde os jogadores mais sentem.

Falando francamente: não há motivo para crer que o desempenho pífio dos jogadores tenha sido uma wesleyzada, algo deliberado passível de punição – a não ser que alguém acredite no Neto e em seus similares e compre a ideia de que o trote no Roger Guedes rachou o elenco. Por favor…

Temos uma comissão técnica do mais alto nível e podemos supor que houve motivos para essa folga incomum. Talvez tenha havido algum consenso em relação a dar um tempo para os jogadores apagarem a péssima partida da cabeça, depois de uma semana tão intensa. Ou talvez por causa do desgaste físico. Ou as duas coisas. Seria muito interessante que alguém viesse a público e desse uma palavra a respeito do assunto – qualquer justificativa já serviria para dissipar a revolta pueril que assola as redes sociais.

Mas mesmo infantiloide, a revolta pode ter um fundo consistente.

Cadê as bolas paradas?

Uma das grandes virtudes do time campeão brasileiro de 2016 foi a enorme eficiência nas jogadas de bola parada. Qualquer falta, escanteio ou mesmo lateral próximos à área adversária virava um tormento para as defesas, e não raro, eram convertidas em gols. No último domingo, diante da crônica falta de criatividade, o Palmeiras alçou dúzias de bolas aéreas na área da Ponte Preta – todas rechaçadas sem maiores dificuldades pela boa dupla de zaga formada por Marllon e Yago.

Mina e Vitor Hugo, zagueiros que marcaram vários gols importantes na campanha de 2016, só não morrem de fome este ano porque não dependem de gols para comer: apenas um gol da dupla, feito pelo colombiano contra o Jorge Wilstermann, no abafa.

Vem, Eduardobol

Eduardo Baptista está devendo nas jogadas ensaiadas. Parece até que comprou a marcação da imprensa em cima do Cuca. As bolas paradas não são apenas soluções para times empacados na criação. Ao contrário, são variações fundamentais que, eventualmente, servem de muleta quando os caminhos regulares, por qualquer razão, não levam a lugar algum.

Os cruzamentos estão saindo baixos. Os jogadores parecem mal posicionados dentro da área. As defesas em geral têm levado enorme vantagem sobre nossa força aérea, mesmo com toda a altura de nossos jogadores. E isso tem um nome: falta de treino específico.

Nossa comissão técnica recebeu uma missão difícil para esta semana: cinco dias para preparar o time para reverter um placar adverso de 3 a 0. Decidiu usar dois desses dias apenas para assistir a vídeos, estudar, pensar e discutir enquanto os jogadores descansavam o corpo e a mente. Restam três dias para ensaiar o plano de jogo junto com o elenco. Saberemos se é suficiente no sábado – não pelo placar, mas sim pela atuação coletiva do time.

Podemos até ser eliminados, mas desde que por méritos do adversário. Jamais por apatia ou impotência de nossa parte. Não com este nível de investimento. Ao programar dois dias sem atividade, Eduardo e sua comissão aumentaram muito suas responsabilidades.