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Palmeiras 2 × 1 Santos

10/01/1960 Pacaembu

O Palmeiras venceu o Santos por 2 a 1 no Pacaembu lotado e sagrou-se “Supercampeão Paulista” de 1959. Depois de terminarem o campeonato empatados, Santos e Palmeiras disputaram uma melhor-de-três, em que as duas primeiras partidas terminaram empatadas. No derradeiro confronto, prevaleceu o melhor conjunto do Verdão que, desta forma, deu fim a um jejum de quase nove anos sem erguer nenhum troféu.

A superioridade palmeirense começou nas arquibancadas. A torcida alviverde era visivelmente mais numerosa e o recebimento aos jogadores foi notável, com bateria de rojões e cantos. Mas o maior trunfo do Palmeiras estava na estratégia montada por Oswaldo Brandão e na obediência tática dos jogadores. Pelé foi neutralizado pela forte marcação de Aldemar, que por sua vez foi coberto por Carabina e Geraldo. Chinesinho reforçou a marcação, num exemplo de sacrifício individual notável. No ataque, a entrada de Nardo pela meia, com Romeiro deslocado para a ponta esquerda – algo que já havia sido testado na segunda partida – foi mais efetiva ainda.

E assim o Palmeiras começou o jogo melhor. Américo, Julinho e Romeiro tiveram as primeiras chances, sem sucesso. Mas do outro lado havia Pelé. O camisa 10, na única jogada em que levou vantagem sobre Aldemar, recebeu um lançamento e já dominou colocando na frente; engatou uma corrida extraordinária, perseguido de perto pelo camisa 5, mas mesmo assim conseguiu, da entrada da área, desferir um torpedo que venceu Valdir, abrindo o placar.

O aspecto mental deu certa vantagem aos jogadores do Santos por alguns minutos. Mas o Verdão voltou para o jogo e Laércio era cada vez mais exigido. Romeiro cobrou uma falta com violência; sem direção. Julinho ficou cara a cara com Laércio, que conseguiu evitar o gol palmeirense, que parecia cada vez mais maduro.

E o inevitável aconteceu: aos 43, Romeiro, o Sputnik Brasileiro, chutou cruzado em direção à pequena área; Formiga rebateu mal e Julinho apanhou o rebote para fuzilar de canhota para as redes, empatando o jogo. Intervalo no Pacaembu, e ia prevalecendo mais um empate entre as duas equipes.

No segundo tempo, entretanto, esta igualdade já foi desfeita logo a três minutos: Zito fez falta em Zequinha na meia direita; Laércio posicionou seis jogadores na barreira e cobriu o canto esquerdo do gol da Concha Acústica. Romeiro tomou distância e disparou mais um foguete, de trivela, no ângulo onde estava o goleiro santista, que não conseguiu evitar que a bola entrasse.

O Santos já estava sem confiança diante do grande primeiro tempo do Verdão e se apoiava apenas no talento de Pelé. Ao desempatar o jogo, o Palmeiras acabou com o moral santista e o que se viu na sequência foi um bombardeio verde para tentar matar o jogo e o campeonato. Aos 26, Américo tabelou com Nardo, entrou livre na área e finalizou na trave esquerda de Laércio. Aos 32, em mais uma cobrança de falta, Romeiro mirou de novo na forquilha direita, mas a bola raspou a junção das traves e saiu.

Aproxima-se o final do jogo e o Santos está claramente sem forças. A torcida palmeirense acena com lenços brancos, iniciando uma discreta comemoração, ao som de “Ciao ciao bambina”, executada pela bandinha. O alarido foi aumentando até que, aos 45 minutos, Anacleto Pietrobom autorizou a explosão palmeirense apitando o final do jogo.

Surgiram confetes e serpentinas em meio a um imenso foguetório. Acabava assim o mais longo jejum até então da História do Palmeiras. Renascia o grande campeão. Mal sabiam os presentes o que esses dois times ainda fariam em toda a década de 60, que estava apenas por começar.

Ficha Técnica

37.063

Cr$ 3.076.375,00

Anacleto Pietrobom

Escalações


Santos

Laércio
Urubatão
Getúlio
Dalmo
Formiga
Zito
Dorval
Jair Rosa Pinto
Pagão
Pelé
Pepe
Lula

Melhores momentos