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Palmeiras 4 × 2 Flamengo

21/05/1999 Palestra Italia

Copa do Brasil 1999

O Palmeiras venceu o Flamengo por 4 a 2, no Palestra Italia, e classificou-se para as semifinais da Copa do Brasil numa das viradas mais espetaculares do século. Depois de perder o jogo de ida por 2 a 1 e de estar perdendo o jogo da volta pelo mesmo placar, o Verdão fez os 3 gols necessários com muita dramaticidade, e avançou na competição.

O jogo foi disputado numa sexta-feira à noite, dois dias depois da primeira partida da semifinal da Libertadores, em Buenos Aires, quando o Verdão foi derrotado por 1 a 0 pelo River Plate. O time tinha um compromisso contra a Matonense pelo estadual no domingo, e jogaria a partida de volta pela Libertadores na quarta-feira seguinte, contra os argentinos.

Na verdade, o drama começou já na partida de ida, quando o clube carioca vencia por 2 a 0 no Maracanã. Um gol de Paulo Nunes, nos acréscimos, fez com que a vantagem voltasse a ser de apenas um gol; com a regra do gol qualificado, uma vitória por 1 a 0 já serviria para o Verdão.

Mas um gol de Rodrigo Mendes logo a 1 minuto de jogo, aproveitando falha de Roque Júnior, obrigava o Palmeiras a fazer 3 gols.

O time de Felipão então foi pra cima, com tudo, e aos 20 minutos já tinha colocado duas bolas nas traves de Clemer, com César Sampaio e Rogério. O Palestra, lotado, pulsava, mas a bola não queria entrar.

Felipão mudou o time no intervalo, substituindo Arce por Euller, deslocando Rogério para a lateral. O time ficou bem mais ofensivo e diminuiu aos 12, com Oséas, pegando uma sobra após tabela de Júnior e Zinho pela esquerda.

Tudo indicava que o Palmeiras atropelaria o Flamengo após a abertura da porteira, ainda mais quando Carlinhos substituiu Romário por Vagner. Mas aos 14, em excepcional cobrança de falta, Rodrigo Mendes fez o segundo do Flamengo, fazendo com que o Palmeiras, com menos de 30 minutos pela frente, voltasse a precisar de 3 gols.

A reação começou logo: Júnior fez o segundo do Verdão aos 16, em belo chute de fora, rasteiro. E Felipão tirou César Sampaio para colocar Evair, aumentando a pressão.

O Palmeiras tramou, cercou, pressionou, e a bola teimava em não entrar. Clemer tirava tudo e parecia que aquele time, enfim, seria batido. Mas havia ainda um herói predestinado naquela noite. Euller, envergando a camisa 18, que havia entrado no intervalo, estava tímido no jogo. Certamente guardou tudo para o final.

Aos 41, após escanteio da esquerda, Oséas tocou de cabeça para o meio da pequena área e Euller tentou duas vezes para desempatar: 3 a 2. Ainda faltava um gol. Não há registro da temperatura no estádio, mas estima-se que estivesse em torno de 50°C.

O caldeirão ferveu de vez 2 minutos depois, quando Euller pegou a bola junto à risca lateral, conduziu, entrou na área e foi desarmado, ganhando mais um escanteio. Júnior cobrou e a bola parecia feita de prata dentro um fliperama verde e branco. Todo mundo chutou ou cabeceou a bola; Fabão evitou o gol debaixo do travessão mas Euller, de novo, predestinado, testou para o fundo das redes, provocando uma catarse no Palestra Italia.

O Flamengo agora é que precisava de um gol, e os acréscimos foram ao infinito – deu tempo ainda dos cariocas carimbarem a trave de Marcos. Mas naquela noite estava escrito que o Palmeiras era invencível e o juiz encerrou uma das partidas mais épicas da século, que certamente serviu de combustível para a conquista da América, que aconteceria diante do Deportivo Cali 26 dias depois.

Ficha Técnica

Escalações


Flamengo

Clemer
Pimentel
Fabão
Luiz Alberto
Athirson
Jorginho
Maurinho
Beto
Rodrigo Mendes
Caio
Bruno Quadros
Romário
Vagner
Carlinhos

Melhores momentos