O que aconteceu com o Palmeiras em Campinas?

Jogadores da Ponte Preta comemoram gol contra o Palmeiras
Fernando Dantas/Gazeta Press

O Verdão esteve irreconhecível ontem à tarde e tomou uma traulitada da Ponte Preta no Moisés Lucarelli. Os 3 a 0 tornam a missão do Verdão de reverter a situação bastante complicada no próximo sábado.

Mas o que levou o time que teve tanta atitude na quarta-feira a entrar tão apático no domingo? A resposta, à distância, parece simples: cabeça. Ao contrário do que os analistas de placar dizem, a Ponte não deu um baile no Palmeiras, não fez uma partida perfeita, brilhante, simplesmente pelo fato que para merecer esses elogios é preciso ter um adversário que exija algo. E o Palmeiras não exigiu nada; a Ponte fez apenas o básico e perdeu a chance de fazer um placar muito maior e definir o confronto.

Ao vencer o Peñarol da forma que todos vimos, o grupo palmeirense pode ter experimentado uma sensação de onipotência, o que leva à soberba, que por sua vez, leva ao relaxamento. O time parece não ter entrado concentrado para um jogo de mata-mata e estendeu um tapete vermelho para a Ponte Preta até o gol de Fernando Prass.

O primeiro gol, aos 40 segundos, foi ridículo: Lucca conduziu a bola com muita facilidade por todo o nosso campo. Nossos defensores não entraram pra rachar, como se deve, e a Ponte conseguiu arrematar incríveis três vezes antes de fazer o gol – que só saiu porque Jean e Zé Roberto não fizeram o be-á-bá de dar dois passos à frente para deixar o Pottker impedido.

O mérito da Ponte Preta foi ter aproveitado esta chance e a seguinte, quando Pottker deu um passe fácil para Lucca, por trás de Jean, que parecia um juvenil. O toque por baixo de Prass deu ao time da casa, que só tem o Paulistão pra se preocupar e é a chance deles de serem campeões pela primeira vez na vida, a vantagem de dois gols no placar e o domínio mental completo do jogo. O terceiro gol, que só saiu porque Zé Roberto tropeçou em suas próprias pernas, dispensa comentários.

Mas não era um time de queixo duro?

Este Palmeiras não tem queixo de vidro – temos dito isto ao longo da temporada diante das frequentes demonstrações de poder de recuperação que nosso time tem dado. No jogo de ontem, o time não sentiu as pancadas, porque na verdade não sentiu nada. O Palmeiras entrou em campo de corpo, mas não de alma. Jogou perdido desde o início, e não porque tomou os gols.

Nossa torcida, revoltada, passou no final da tarde de domingo xingando o técnico e pedindo sua demissão imediata. À noite começaram a surgir as primeiras teorias conspiratórias – corpo mole, elenco rachado, aquelas coisas de sempre. Criticaram o almoço de Páscoa concedido ao elenco na tarde de sábado – os jogadores treinaram pela manhã, foram liberados para ficarem com as famílias e se reapresentaram às 18h. Houve quem caísse na pilha da imprensa dizendo que o trote no Roger Guedes causou tudo isso.

Tudo bobagem. O Palmeiras perdeu de 3 porque não entrou em campo. Faltou humildade e foco.

E agora?

No sábado, o Palmeiras tem uma chance espetacular de conseguir mais um feito histórico. O Allianz Parque vai estar lotado, e ir para o intervalo com vantagem no placar, mesmo mínima (algo absolutamente normal), torna o placar totalmente reversível. Imaginem o time precisando de dois gols e com 45 minutos pela frente, com o estádio daquele jeito. É claro que dá. O ponto fundamental para que este roteiro seja cumprido é não tomar nenhum gol, este será o maior desafio.

Para que tudo isso aconteça, Eduardo Baptista precisa de novas ideias para fazer alguns ajustes no time. Nada que cinco dias de trabalho não lhe proporcionem. A postura do time ao entrar em campo, esta é que tem que mudar mesmo. E cá entre nós, não existe a menor chance de entrarem em campo do mesmo jeito que entraram ontem.

Na boa e na ruim

O Palmeiras já nos deu grandes alegrias este ano e tende a continuar dando. Ficar ao lado do time na boa, é mole. Nossa torcida tem que mostrar que está junto também na ruim. E aí, de que lado você está?