Palmeiras evolui em campo e chega a “março”

A boa vitória fora de casa ontem em Salvador deu sinais de que o Palmeiras, mesmo atrasado em relação a quase todos os outros times do país no entrosamento e desenvolvimento do sistema de jogo, está evoluindo. Já podemos dizer que estamos “em março”, diante do padrão tático exibido nas últimas três partidas, contra Fluminense, Santos e Bahia.

Os gols sofridos na Fonte Nova não denotam desorganização: um foi por mérito de Zé Rafael, que conseguiu um raríssimo drible sobre Mina; e outro foi fruto de desatenção e relaxamento após o gol do 3 a 1, que em tese teria matado o jogo – o lance capital foi a bola esticada para Edigar Júnio, que jamais deveria ter alcançado aquela bola; Prass fez uma grande defesa, mas na sequência veio um cruzamento em que a bola desviou, pegou efeito e enganou Juninho quando pingou. Acontece.

Meio-campo sólido

Guerra
César Greco/Ag.Palmeiras

Tão importante quanto a solidez defensiva, mesmo jogando com laterais com características de apoio, está sendo o domínio do meio de campo. Thiago Santos vive uma fase exuberante e terá em breve a concorrência de Bruno Henrique, além da volta de Felipe Melo, prevista para o fim de julho – algumas semanas depois, Moisés também deverá estar à disposição.

Guerra encontrou seu espaço já em duas funções: tanto jogando mais de frente para a jogada, vindo de trás, como no primeiro tempo na Bahia, quanto mais avançado – posição que ocupou após a entrada de Tchê Tchê. São configurações distintas que confundem os adversários e ganham jogo. Já podemos identificar as variações de jogo que nos foram tão úteis no ano passado.

Ajustes no ataque

Roger Guedes
César Greco/Ag.Palmeiras

Roger Guedes, depois de uma oscilação preocupante, voltou a jogar bem e tem sido decisivo. Suas jogadas pelos flancos – ontem jogou pelos dois lados, invertendo com Keno – estão sendo uma arma fundamental para furar as defesas e chegar à linha de fundo. Bateu pela primeira vez um pênalti, de forma muito precisa, sem chances para Jean.

Dudu, que vivia uma fase ruim antes da lesão, está prestes a voltar e a esperança de todos é que o faça em alto nível, como de costume. Se Egídio fizer apenas o básico, sem comprometer, teremos um lado esquerdo consistente e ficaremos apenas com  uma pendência: o comando do ataque, onde ainda falta aquele último ajuste.

Willian
César Greco/Ag.Palmeiras

Willian marcou mais um gol ontem e é o artilheiro do time na temporada, com dez gols. Sabemos, no entanto, que jogar enfiado no meio dos zagueiros não é sua especialidade; o camisa 29 compensa com rapidez nas pernas e no cérebro a falta de porte físico para ganhar as disputas dentro da área. Em jogos fora de casa, em que os adversários tendem a dar mais espaço, ele pode continuar sendo bem usado nessa função.

Nas partidas em nossa casa, quando a marcação tende a ser muito mais compacta e recuada, vai ser necessário contar com um jogador mais forte para esse tipo de jogada. E temos no elenco um atleta que já mostrou potencial para ser um dos melhores do mundo nessa função. Com dificuldades na adaptação, Borja vem sendo preservado por Cuca; é bem pouco provável que esteja sendo “queimado” ou “boicotado”, como a ala paranoico-conspiracionista de nossa torcida gosta de sugerir. Os adversários devem se preparar para ter nosso camisa 9 pela frente em seu esplendor, sobretudo em partidas no Allianz Parque, em breve.

Que venham as copas

Diante dos tropeços nas rodadas iniciais do Brasileirão, o décimo título hoje parece algo distante. O Palmeiras deve continuar sua recuperação no campeonato e deve alcançar o G4 naturalmente, aproveitando o fim de um trecho bem difícil da estranha tabela e a evolução do time.

E é essa evolução que nos enche de esperanças para um papel bonito nas copas. Os caminhos já estão traçados e o Palmeiras chega nos funis como um dos principais favoritos nas duas chaves. Se vai ganhar, é outro papo; mata-matas são sempre sujeitos a um lance que mudam toda a história de um campeonato. Mas ao que parece, depois de atrasos e oscilações, pegamos o elevador e entraremos fortes para tentar levar os dois canecos.