Palmeiras poderá ter até 38 jogos em 2018 até a Copa do Mundo

CalendárioA Conmebol divulgou na manhã desta sexta-feira o calendário das partidas da fase de grupos da Libertadores. O Verdão estreia no dia 1 de março, fora de casa, contra o adversário que será definido nas fases iniciais da competição.

Com a realização da Copa do Mundo em junho, o calendário foi espremido, como de praxe. Serão até 38 jogos até a parada para a Copa, se o Palmeiras se classificar para a final do Paulistão.

O Campeonato Paulista será realizado quase sem interrupções para o Palmeiras. Serão apenas duas partidas pela Libertadores durante a disputa do Estadual – uma delas, entre as duas partidas finais.

O calendário também vai permitir ao Verdão ter quatro semanas livres durante a disputa do estadual – serão importantes para que o técnico Roger Machado faça importantes ajustes táticos na equipe. Ainda haverá mais uma semana livre entre a primeira e a segunda rodada do Brasileirão; depois, pauleira até a parada para a Copa: oito semanas com pé embaixo, com jogos aos domingos e quartas.

Entre a segunda e a sétima rodada do Brasileirão é que o Palmeiras vai virar a chavinha a cada jogo. E é quando o time saberá se vai brigar pelo decacampeonato, ou se vai dar all in nas copas outra vez.

Confira abaixo o calendário do primeiro semestre de 2018. A CBF já divulgou as datas do Brasileirão, mas ainda não definiu a tabela. A Copa do Brasil, logicamente, ainda aguarda a definição das fases preliminares para que a CBF faça o sorteio da chave final.

Calendário 2018

Pelas copas, Brasileirão deve mesmo ficar em segundo plano

O mau futebol apresentado pelo Palmeiras nos últimos jogos nos levam a algumas reflexões a respeito do que podemos projetar para a sequência da temporada. O Verdão se classificou para as quartas-de-finais da Copa do Brasil, o que, somando com as partidas da Libertadores, projeta mais sete duelos de ida e volta até o final do ano, intercalando com os jogos do Brasileiro.

Cuca, que deixou o comando do clube em dezembro e reassumiu em maio, tem uma missão dura pela frente. As substituições no elenco entre 2016 e 2017 foram todas feitas com muita qualidade, mas as características dos jogadores são diferentes e a suposta “memória tática” entre treinador e elenco não funcionou exatamente como o imaginário do torcedor supunha (aliás, foi isso que Cuca quis dizer em entrevista, quando mencionou que o time deste ano é inferior ao do ano passado, embora o elenco seja superior – frase pinçada e descontextualizada pela imprensa para plantar a crise entre atletas, treinador e direção).

ObsessãoO desafio da última quarta-feira era enorme. Com uma vantagem mínima construída no jogo da ida, fomos decidir a vaga contra o Inter, no Beira-Rio. Os gaúchos entraram em campo com o chamado doping psicológico, revigorados pela demissão de Antônio Carlos Zago, um profissional de trato difícil e capacidade como treinador ainda bastante questionável.

O Inter jogou seu melhor futebol em muitos meses contra um Palmeiras claramente em crise tática e com os importantes desfalques de Guerra e Moisés, com o juiz deixando de dar dois pênaltis a nosso favor. Se com tantas condições adversas, ainda assim, deu Palmeiras, é revigorante imaginar o que esse time será capaz de fazer em mata-matas dentro de alguns meses. É isso que, no fundo, aterroriza a porção clubista da imprensa, que se apressa em valorizar as dificuldades com que conseguimos a classificação para causar turbulência. Não podemos cair nessa.

Atraso

O período sabático de Cuca, na prática, atrasou o Palmeiras não apenas em quatro meses, mas em mais de um ano. Estamos em junho de 2017, mas parece abril de 2016. Um time que já deveria estar voando, mostrando evolução em relação ao trabalho do ano passado, voltou à estaca zero e está apenas taxiando na pista antes de nova decolagem.

Felipe Melo não encaixou taticamente no time, embora faça exibições técnicas tão de nível tão elevado que há uma espécie de compensação. Já Borja, não encaixou e está frustrado. Essas situações exigem tempo e treinamento para serem equacionadas. São artigos escassos.

Temos três competições pela frente e o ritmo de dois jogos por semana vai perdurar até o fim de agosto – somente depois da rodada 22 do Brasileirão é que Cuca terá onze dias para dedicar apenas a treinos. Estamos trocando o pneu com o carro andando. Mais cinco times estão na mesma situação de calendário, mas em estágios de desenvolvimento bem mais avançados (Atlético-MG, Grêmio, Botafogo, Atlético-PR e Santos).

Diante deste cenário, parece bastante pretensioso pensar em ganhar os três campeonatos. A partir disto, estrategicamente, podemos ajustar a ambição para conquistar dois. Por lógica, analisando o calendário, a competição que deve ficar em segundo plano é o Brasileirão. E faz todo o sentido.

Calendário 2017

Em roxo, estão as partidas do Brasileirão. Notem que essas partidas estão em dois tons – o mais escuro são as partidas em que o time deverá entrar com força total, e em mais claro estão os jogos em que a tendência em perder pontos é maior, seja por poupar atletas diante da proximidade dos mata-matas, seja por desfalques por causa de convocações, ou mesmo pela mera dificuldade de “virar a chavinha”. Lembram da projeção de pontos feita no começo do campeonato? Precisa ser ajustada e o novo resultado certamente será inferior. Não é um mau chute imaginar o Palmeiras fechando o campeonato com algo em torno de “apenas” 60 pontos.

Abrindo mão do Brasileiro, pelas copas

Parece óbvio que não lutaremos pelo Brasileirão se o time for avançando nas copas. Além das dificuldades mencionadas, há quatro times que estão com o foco totalmente voltado para essa competição: SCCP, SPFC, Vasco e Fluminense, isso sem mencionar o Flamengo e o Cruzeiro, que só dividem o foco com a Copa do Brasil.

Se o trabalho de Cuca não tivesse sido interrompido por suas necessidades pessoais, poderíamos estar pensando seriamente em papar tudo. O time estaria equilibrado, consistente, e mesmo com o calendário atribulado seria o maior favorito em todas. Com as dificuldades, no entanto, temos que abrir mão de algo. E o bom senso indica o Brasileiro, ao menos em princípio. O próprio elenco do Palmeiras já deu dicas que, internamente, esse parece ser o plano: além do futebol disperso nos últimos dois jogos, houve uma menção literal, feita por Dudu, em entrevista.

Contraponto

Há uma corrente interessante em nossa torcida que prega exatamente o contrário: o Brasileiro deveria ser sempre a prioridade máxima, com as conquistas das copas sendo apenas uma consequência de ter um time bem estruturado, equilibrado e pronto para uma temporada longa e extenuante. A teoria parece correta, mas as circunstâncias a enfraquecem.

Essa tese ganha força para o ano que vem, quando imaginamos que Cuca continuará o trabalho sem interrupções e, aí sim, teremos uma temporada em que podemos sonhar com tudo. Mas para este ano, mesmo se focássemos apenas no Brasileiro, o atraso no desenvolvimento torna o objetivo muito menos provável de ser atingido.

A única maneira de voltarmos para a disputa do Brasileirão com reais condições seria uma eliminação em pelo menos uma das outras copas, logo nas próximas fases. Ganharíamos espaços importantes no calendário para treinos e ajustes, além daquele pulinho em Atibaia que agradaria a todos. Mas essa não é uma condição que deve ser deliberada, e sim determinada pelo destino.

Se insistirmos na pressão por ganhar tudo, embalados pela falácia do “investimento” e pela soberba, podemos ficar sem nada. De qualquer forma, em meados de setembro saberemos melhor qual será a trilha a percorrer.

Eduardo Baptista consegue o encaixe, tem o elenco na mão e prepara o grupo para maratona

Eduardo Baptista
Fabio Menotti / Ag.Palmeiras

Foram 22 minutos espetaculares. A intensidade que o Palmeiras imprimiu ao jogo contra o Novorizontino, desde o início do segundo tempo, até a marcação do segundo gol, feito por Borja, foi talvez o que melhor se viu no futebol brasileiro até agora em 2017.

Neste excerto do jogo, o máximo que o time do interior conseguiu foi um arremate de fora da área, feito por Everaldo, aos 4 minutos. O Palmeiras dominou completamente o time comandado por Silas, construindo jogadas e finalizando nove vezes – o gol de Borja foi resultado de uma rápida ligação de Michel Bastos, que tinha acabado de entrar, com Guerra.

Essas rápidas trocas de passes são a chave para romper defesas fechadas – algo que deve continuar sendo uma constante na trajetória do Palmeiras este ano, inclusive contra o Peñarol, nosso próximo adversário no Allianz Parque. Sofremos bastante contra retrancas; os jogos mais notáveis foram o SCCP e o Jorge Wilstermann. Mas com triangulações e intensa movimentação, nosso time conseguiu achar os espaços e fez seis gols nos dois jogos contra o Novorizontino. Bem treinado, o time de Silas foi um excelente sparring.

Uma das chaves para essa eficiência foi a movimentação de Borja. Além de ser um NOVE-NOVE extra-classe, nosso camisa 12 vem se convertendo numa peça tática fundamental, voltando para buscar jogo e abrindo a defesa. Tendo a seu lado jogadores rápidos e habilidosos, o jogo flui naturalmente.

Maratona

A partida com o Peñarol, nesta quarta-feira, abre uma maratona que vai até o início do Brasileirão (veja a lista abaixo). Eduardo Baptista, que graças a seu histórico familiar e a seus próprios erros foi muito contestado no início de seu trabalho, mas resistiu e finalmente parece ter dominado o elenco.

O time tem entrado em campo sempre com formações diferentes, direcionadas para dar o melhor encaixe no adversário. Joga quem está melhor, e a meritocracia tem sido assimilada sem melindres pelos jogadores que ficam no banco, mesmo tendo nível para serem titulares em qualquer time da Série A. Eles sabem que, diante da crueldade do calendário, o time vai rodar e eles terão suas oportunidades. A harmonia reina.

Diante de todo esse cenário, o que vimos no início do segundo tempo no Pacaembu foi quase um sonho. Por instantes, foi possível lembrar da máquina de 1996. Claro, Willian Bigode não é o Rivaldo e o Guerra não é o Djalminha; mas os sistemas defensivos de hoje usam conceitos que ninguém imaginava há 21 anos. Depois do segundo gol, o time diminuiu o ritmo para poupar energias para o desafio seguinte; se tivesse continuado, certamente teríamos aqueles placares sonoros do time dos 102 gols.

Os próximos desafios são bem mais complicados que o Novorizontino. Mas se conseguir o encaixe em cada jogo; se mantiver a seriedade e a concentração, o Palmeiras tende a seguir dominando o futebol brasileiro e tem todos os elementos para conquistar a América. Eduardo Baptista, o “piloto de Fusquinha”, parece que pegou o jeito de pilotar a Ferrari. Mas o time precisa continuar mostrando isso em campo, jogo a jogo.

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