O Palmeiras não joga e não deixa jogar: o time mais chato do mundo

Zé Rafael
César Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras ganhou do Athletico em Curitiba, resultado que poucos serão capazes de repetir neste campeonato, e “recuperou” dois dos quatro pontos perdidos nas rodadas iniciais. O placar favorável diminui a pressão sobre Luxemburgo, que terá uma raríssima semana livre para treinos após o clássico contra o Santos no Morumbi.

O resultado, no entanto, não consegue mascarar o futebol de baixíssimo nível apresentado pelo time.

O Palmeiras tem uma defesa bastante sólida; os gols tomados nos últimos jogos foram de bola parada ou lances fortuitos. Mas o ataque é de riso – para os adversários, porque a nossa torcida padece miseravelmente ao ver a absoluta inoperância de um grupo notadamente qualificado tecnicamente, mas que não consegue produzir nada coletivamente.

O Palmeiras não joga e não deixa jogar. Sabe aquele timinho chato que termina o campeonato em nono lugar? Hoje, somos nós.

O que dizem os números

Palmeiras 2x1 Água Santa

Desde a volta da paralisação, o Palmeiras marcou nove gols em nove jogos. Só balançou as redes mais de uma vez contra Água Santa e Santo André.

Jogo do Palmeiras hoje é assim: tem força para achar no máximo um gol, quase todo jogo, quando não para no goleiro adversário ou nos erros de finalização. E assim como nos gols sofridos, normalmente esse nosso gol sai de uma bola parada ou de uma falha defensiva.

Isso nos permite projetar uma campanha mais ou menos assim: 22 empates, sendo 13 por 1 a 1 e 9 por 0 a 0; 10 vitórias (8 por 1 a 0 e 2 por 2 a 1) e 6 derrotas, todas por 1 a 0. 52 pontos, 25 gols marcados e 21 sofridos.

Se fôssemos um time do chamado bloco médio do futebol brasileiro, essa performance estaria excelente. Meião de tabela, sem susto quanto a rebaixamento. Tapinha nas costas do técnico: “Parabéns, quase deu Libertadores, hein?”

Passes: ou de lado, ou para trás

Athletico-PR 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Somos o Palmeiras, o Campeão do Século XX, o maior levantador de troféus do futebol brasileiro. Não podemos nos contentar com uma projeção medíocre como essa.

Já são nove jogos e a paralisação de quatro meses cada vez menos serve como justificativa. Não há nenhum time jogando o fino da bola, longe disso, mas o sistema ofensivo dos outros, com os mesmos problemas físicos e de calendário, evolui.

A criação do Palmeiras é um solo arenoso de onde só brotam cactos. Os jogadores estão viciados em dar passes para o lado ou para trás, isso quando não apelam sem dó para os chutões da defesa.

Ontem, Rony (após chutão) arrancava livre em direção ao gol quando subitamente deu um corrupio para tocar para trás – Lucas Lima fez o gol que acabou anulado.

Esperança

Gabriel Veron
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Ainda temos esperanças deste panorama mudar um pouco. Gabriel Veron está em fase final de transição física e pode voltar ao time no clássico. Se ele não for contaminado por essa tendência horrenda de jogo horizontal – como já aconteceu com Patrick de Paula e Gabriel Menino – algo diferente pode acontecer do meio para a frente.

A liderança de Felipe Melo também faz falta. A despeito de Luan estar fazendo uma sequência impecável, o veterano camisa 30 se escala pela personalidade e pela capacidade de contagiar o time.

A combinação da vitalidade de Veron com a liderança de Felipe Melo pode ser a chave de uma reação. Na verdade, é a última esperança.

Porque se a dupla Luxemburgo/Copertino, a esta altura, desenvolver algo diferente na criação do time, será uma grande e agradável surpresa.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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Após dez jogos, Luxa ainda parece estar avaliando o elenco

Vanderlei Luxemburgo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Numa dessas entrevistas pós-jogo, Vanderlei Luxemburgo mencionou que pretende definir uma formação básica com onze jogadores, seus titulares, e fazer eventuais enxertos nesse time usando mais seis ou sete jogadores, que seriam o grupo principal de trabalho. Depois de dez partidas, ainda não temos uma pista concreta de como Luxa pretende montar essa formação, já que várias formações e esquemas táticos diferentes foram testados.

Na verdade, não sabemos nem se esse conceito de ter um onze definido é verdadeiro ou se é um despiste. Nas três primeiras partidas de 2020, o time reviveu a cara do 4-2-3-1 do ano passado, com um volante mais pegador e outro que sai para o jogo; uma linha de três preparando a jogada para o centroavante, com um ponta, um meia centralizado e um meia jogando pela beirada.

No jogo contra o Oeste o time teve mais uma cara de 4-4-2, com um volante postado (Ramires), uma composição de três meias (Zé Rafael, Scarpa e Lucas Lima) e dois atacantes (Veron e Willian). Já contra o Bragantino, o time ficou mais parecido com um 4-3-3, com dois volantes, um meia e dois pontas abertos.

A partir do jogo contra a Ponte Preta, o esquema foi um 4-3-3 mais ofensivo, com volantes bastante móveis e pontas abertos. Por fim, no segundo tempo contra o Santos, vimos algo bem próximo de um 4-2-4, com um enorme espaço entre o meio e o ataque e com o time excessivamente postado e experimentando as descidas só em contra-ataque.

Santos 0x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras faz uma boa campanha no Paulista, mas o fato do Santo André estar dois pontos à frente no mesmo grupo, somado à falta de vitórias nos jogos contra clubes da Série A (Santos, Bragantino e SPFC) desperta a desconfiança de boa parte da torcida.

É compreensível. Por mais que o estadual seja, hoje, um campeonato nada relevante em termos esportivos; por mais que seja quase um consenso que esse tipo de torneio, que desgraçadamente sobrevive em nosso calendário, deva ser usado para testes e acerto do time, os resultados continuam falando alto. Tivesse o árbitro marcado o pênalti de Pará no segundo tempo no último sábado, as cornetas estariam bem mais amenas.

A variedade de esquemas desenhados por Luxa neste início de temporada sugere que nosso treinador ainda está estudando o elenco. Junto com a comissão técnica, ele parece estar avaliando como os jogadores respondem, isoladamente e em conjunto, em determinadas situações. Com tudo mapeado, ele terá condições de desenvolver melhor cada situação ao longo dos treinos para escolher uma solução tática para cada situação de jogo que o time enfrentar quando a temporada estiver a pleno vapor.

Não sabemos se Luxemburgo está fazendo esses testes de forma sistematizada, com essas variações e modelos previstos num cronograma, ou se está simplesmente chutando, na velha base da tentativa e erro. Mas que parece bem pouco inteligente cobrar, a esta altura do resultado, uma evolução consistente e um padrão de jogo definido, isso parece.

Pior ainda os que põem as mãos na cintura e exigem resultado. Afinal, além de estarmos disputando um campeonato bem pouco importante, estamos na vice-liderança, a apenas dois pontos do líder, à frente dos principais rivais e com o melhor ataque e a melhor defesa. Vamos com calma. Luxa não é nenhum estagiário e é bem improvável que ele esteja completamente perdido, como sugerem alguns desesperados de plantão.

Amanhã teremos Libertadores e não será mais jogo para testes. Luxa escolherá uma entre as diversas variações que experimentou nestes dois meses de trabalho. Será, de fato, o primeiro grande vestibular do Verdão de 2020. VAMOS PALMEIRAS!


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