Entrevista de Cuca devolve esperança à torcida, mas o relógio está andando

Cuca concedeu ontem uma ótima coletiva. Seu dia habitual de entrevista é sexta-feira; ontem o escalado para enfrentar a imprensa era o lateral Jean, mas diante do mau futebol e da pressão que surgiu de todos os lados, nosso treinador tomou a frente, esclareceu algumas situações e mostrou bastante firmeza, devolvendo um pouco de esperança ao torcedor palmeirense de ver as coisas melhorando ainda este ano.

Entre as principais mensagens passadas, nosso treinador assegurou que não está desmotivado, como parte de nossa torcida garante. O aparelhinho xinguelingue que muitos cornetinhas de internet possuem, capaz de ler mentes de treinadores, está quebrado: Cuca deixou claro que nem pensa em pedir demissão e que neste momento está focado em achar uma saída para o mau momento que o time vive.

O treinador também fez questão de afirmar que o ambiente de trabalho segue bom, frustrando outros cornetinhas que acreditam ter poderes de se transformarem em mosquinhas que voam dentro do vestiário da Academia de Futebol. Juravam, pela milionésima vez, que o grupo estava rachado. Esse pessoal precisa ser mais criativo e mudar a história, tá chato já.

Veja abaixo a íntegra da coletiva, na qual Cuca atribui a má fase principalmente à perda momentânea de confiança após a eliminação da Libertadores.

Clássico fundamental

Cuca esbanjou experiência ao descrever o atual momento do grupo. O Palmeiras tem um elenco muito bom, mas vive uma fase difícil: ruim mesmo seria ter um elenco medíocre e não ter muitas opções para reverter o quadro. Com toda sua bagagem, o treinador sabe que basta vencer um jogo-chave, fazendo uma boa exibição.

A tabela oferece nada menos que um Choque-Rei no Allianz Parque no próximo domingo. É a chance de ouro de iniciar uma boa arrancada, que passa por encerrar o ano de forma digna e, principalmente, por arrumar a casa para a próxima temporada.

Uma vitória convincente no domingo, além de devolver a confiança da torcida e dos próprios jogadores e de diminuir a pressão sobre técnico e diretor de futebol, empurra o inimigo no abismo. Todos na Academia de Futebol entenderam a importância desse clássico.

E se der tudo errado?

Se o Palmeiras não conseguir um bom resultado, a primeira coisa a se fazer, para quem não tem a primazia de manter um site sobre o time, é ficar longe da internet e do celular se quiser manter a mente sã. A não ser que você seja do tipo que precisa “desabafar” e canalizar todas suas frustrações no seu time de futebol, vociferando e inundando redes sociais e áreas de comentários com ódio, afaste-se.

Maurício Galiotte, numa demonstração de firmeza e liderança, declarou categoricamente ontem em entrevista à ESPN que Cuca e Mattos não correm risco, mesmo em caso de derrota no Choque-Rei. O presidente passou confiança ao treinador e ao elenco. Cuca tem condições de corrigir a rota, mas precisa de tempo. Mais tempo.

O relógio está andando

A torcida e a diretoria precisam ser pacientes e compreensivas, mas o relógio está andando e o grupo precisa responder. O calendário de 2018 será espremido pela Copa do Mundo e temos que transformar os objetivos modestos que nos restaram para 2017 em vantagens para pavimentar o caminho do ano que vem.

Cuca precisa mostrar que achou a direção que pretende seguir, no máximo, até meados de outubro. Se até lá o time não der sinais de evolução, uma troca no comando precisará ser seriamente cogitada, a fim de salvar o planejamento para 2018. A janela de contratações de dezembro e janeiro precisa atender ao estilo do treinador que comandará o time durante todo o ano. Não podemos errar nisso de novo.

A ótima fala do treinador na terça-feira não garante nem a vitória no clássico, nem que o bom futebol será retomado rapidamente. Não marcamos três pontos ontem à tarde e não está tudo bem. Mas diante da firmeza e da coragem demonstradas por Cuca, foi possível recuperar um pouco de esperança, que junto com o amor ao escudo do clube, é a essência de qualquer torcedor.