O efeito borboleta que culminou na saída de Cuca do Verdão

Maurício Galiotte
Divulgação

A saída de Cuca no início da tarde de sexta-feira marca mais uma ruptura no projeto técnico do Palmeiras. Entretanto, ao contrário das trocas anteriores, desta vez a diretoria acertou no momento.

Uma troca em outubro mantém o planejamento para o ano seguinte intacto. O mercado ainda está se aquecendo e os ajustes a serem feitos no elenco do ano seguinte seguirão o projeto técnico do próximo treinador – resta saber se a diretoria pretende manter Alberto Valentim na função, após um ótimo trabalho ontem em Goiânia, ou se vai recorrer ao mercado para preencher a lacuna.

A segunda passagem de Cuca

Cuca
Divulgação

Como se sabe, Cuca deixou o comando técnico do Palmeiras em dezembro, após a conquista do Brasileirão, para cuidar temporariamente de projetos pessoais, situação previamente acordada com a diretoria antes mesmo de sua contratação. O sucesso do time que contava com Gabriel Jesus voando resultou na criação da Igreja Cuquista em nossa torcida. Seu substituto, Eduardo Baptista, teve que lutar contra seu fantasma – um dos maiores obstáculos enfrentados pelo treinador, que também não se ajudou ao demorar para encontrar um padrão técnico aceitável em meio às disputas do Paulistão e da Libertadores.

O fantasma era real e Cuca acabou sendo recontratado em maio, com uma estreia avassaladora: 4 a 0 no Vasco, na estreia do Brasileirão, deixando a torcida nas nuvens. Mas nas rodadas seguintes a magia se desfez. O elenco não tinha peças importantes do ano anterior e alguns remanescentes já não mostravam a mesma exuberância técnica. Cuca não conseguia extrair a mesma intensidade dos atletas e o Palmeiras, embora tenha se mantido como um dos times mais fortes do país, falhou em todas as competições e tende a encerrar o ano sem nenhuma conquista.

O sistema de marcação de Cuca, que exige que atacantes acompanhem os laterais adversários, não encaixou como no ano passado. O treinador já provou que o sistema é factível, mas exige precisão suíça. Quando se está vencendo, os jogadores acabam se desdobrando para manter o esquema funcionando. Mas quando os resultados não vêm é bem mais difícil extrair a doação extrema, física e mental, dos atletas.

Felipe MeloA situação complica quando se tem no elenco jogadores capazes de bagunçar a harmonia. Roger Guedes ganhou a antipatia de boa parte do grupo com um comportamento por vezes mimado, como no episódio em que reagiu mal a um trote corriqueiro dos companheiros. Como correspondia em campo, ao menos nos números, com ótimos índices de participação em gols, manteve o prestígio com o treinador, o que acabou sendo interpretado por muita gente como “proteção”.

Por outro lado, a chegada de Felipe Melo, que com seu jeito marqueteiro, conquistou boa parte da torcida. Contratado após a saída de Cuca, não se encaixava no estilo de marcação idealizado pelo treinador e acabou perdendo a posição. Inconformado, vazou um áudio explosivo, no qual disse que beberia champanhe com a queda do treinador. Mesmo depois de ser afastado do elenco, seguiu em sua queda de braço pessoal. Venceu e viu sua profecia se concretizar.

Espiral negativa

Barcelona x PalmeirasCuca entrou na espiral negativa que o derrubou por ocasião das eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil. Gols nos minutos finais em partidas contra o Barcelona e Cruzeiro, que foram muito mais frutos de desatenção e inocência dos jogadores do que do sistema tático, tiraram o Palmeiras das disputas, o que minou a confiança dos atletas.

Daí decorreu a queda na intensidade que destruiu as chances de sucesso no Brasileiro. O Palmeiras perdeu pontos inadmissíveis após a eliminação na Libertadores: tropeços contra Vasco, Galo, Chapecoense e Bahia, todos em circunstâncias em que a vitória estava em nossas mãos, nos tiraram pontos que estariam nos deixando pau a pau com o líder do campeonato.

Cuca afundou nessa espiral quando não conseguiu manter o elenco 100% motivado e com fé em seu sistema. Bombardeado por situações extra-campo, teve que desviar o foco muitas vezes para os outros problemas já mencionados – situação agravada pela falta de blindagem por que passa a Academia de Futebol. Falharam os jogadores, falhou Cuca, falhou a diretoria.

Efeito Borboleta

Não deixa de ser interessante imaginar que se o Palmeiras não tivesse tomado um gol de fliperama em Guayaquil, e não tivesse tomado um gol de cabeça do lateral-esquerdo no Mineirão a cinco minutos do fim, os jogadores teriam mantido a confiança em alta, a intensidade continuaria sendo máxima e talvez o Palmeiras, mesmo sem o brilho do ano passado, pudesse estar comemorando o quarto título da Copa do Brasil e brigando pelo Brasileiro e pela Libertadores.

Como o “se”, sabemos, não existe no futebol, a corda arrebentou e Cuca perdeu.

Rei morto, rei posto

Alberto Valentim
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras desperdiçou mais uma vez a chance de construir um ciclo longo com o mesmo treinador, definindo um padrão tático e técnico diferenciado do que se pratica no Brasil. Ao demitir o treinador campeão nacional, o clube que se candidata a ser o principal protagonista do futebol no país nivela-se à mediocridade geral num cenário que descarta técnicos em média a cada cinco meses.

Enfim, é hora de olhar para a frente, porque a bola não para. Alberto Valentim assumiu provisoriamente e, como Cuca, fez um primeiro jogo muito bom. Sabemos, entretanto, que um jogo não qualifica ninguém para nada e que se o interino de fato quiser ser efetivado, vai ter que mostrar uma evolução rápida e consistente – e não sabemos nem se ele terá tempo para isso, já que a planificação do ano que vem não pode começar em janeiro.

A diretoria precisa definir logo quem será o treinador de 2018 e desenhar as trocas no elenco de acordo com seu projeto técnico. Seja Valentim, ou outro nome que venha do mercado – os nomes ventilados pela torcida passam por Abel, Roger, Mano, Rueda e até Luxa – o Palmeiras não tem tempo a perder se quiser voltar às glórias desperdiçadas este ano.

Que as lições, mais uma vez, sejam aprendidas.


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Possível volta de Felipe Melo agita os bastidores

Fernando Prass e Felipe Melo
Cesar Greco / Ag Palmeiras

Um inesperado movimento cresceu na semana que antecedeu ao clássico contra o SPFC: Felipe Melo, afastado por Cuca e pela diretoria nos primeiros dias do mês, deve ser reintegrado ao elenco do Palmeiras que disputa, até o fim do ano, o Campeonato Brasileiro. O jogador tem contrato com o Verdão até o fim de 2019.

O jogador entrou em rota de colisão com Cuca há pouco mais de um mês. Com seu estilo pouco discreto fora de campo, foi pouco a pouco sendo deixado de lado no time titular, sobretudo após a contratação de Bruno Henrique. Insatisfeito, passou a desempenhar por sua própria conta a função de “técnico auxiliar”, orientando e passando instruções aos jogadores à beira do campo.

Depois, deixou vazar um áudio no Whatsapp detonando Cuca, dizendo que “tem sacanagem” no elenco e que não trabalharia mais com o técnico, a quem chamou de mau caráter, entre outras coisas. Obviamente acabou afastado do grupo e desde então treina em horários alternativos.

Neste movimento de apaziguamento, uma trégua foi proposta entre os dois, para que o volante voltasse a ter clima para trabalhar junto ao grupo. Não se sabe como será recebido, nem exatamente por que a pacificação foi deflagrada, mas é provável que tenha sido por recomendação do departamento jurídico, prevendo complicações com os agentes do atleta, que não querem ver seu cliente sendo “depreciado” ao treinar em separado. Ou pode ser por outro motivo qualquer. Mas por carência no setor, que conta com Thiago Santos, Bruno Henrique, Tchê Tchê, Gabriel Furtado e em breve Arouca, é que não foi.

Como fica o Cuca?

Diante do climão criado pelo jogador que culminou em seu afastamento, é bem provável que Cuca tenha exigido algumas garantias para reabrir as conversas. Se quiser manter sua autoridade sobre o grupo, o treinador precisa ter duas cartas em seus bolsos: uma que lhe dê total liberdade para não escalá-lo ou mesmo não relacioná-lo se não desejar, e outra para reafastá-lo em caso de notar qualquer tipo de má influência de Felipe Melo sobre o grupo.

Mas mesmo que tenha essas duas prerrogativas, num primeiro momento, Cuca sai como derrotado na história, ao menos aos olhos da imprensa e do público. É preciso muito desprendimento e pensamento coletivo para aceitar tal sacrifício em nome de uma situação maior.

E o Felipe Melo?

Mesmo tendo passado boa parte de seu “castigo” postando belas paisagens no Instagram, Felipe Melo precisa mostrar que aprendeu a lição se ainda quiser contribuir com o Palmeiras. O período afastado tem que servir como Semancol, para que, em caso de sua reintegração ser confirmada, o jogador baixe a bola e se comporte como um atleta a mais, contratado para servir ao clube, e não como uma prima donna. Que tenha humildade para usar sua experiência, sua raça e sua técnica a favor da coletividade, não para sua promoção pessoal.

O movimento tem todo um jeitão de relacionamento com ex-namorada reatado. Uma atração de origens incertas insiste em envolver as duas partes, mesmo com o universo sabendo que é algo fadado a dar errado.

A tendência é que Cuca dê a Felipe Melo a mesma importância no elenco que tem, por exemplo, Fabiano. Vai entrar uma vez a cada oito ou dez jogos – e temos apenas 16 partidas pela frente. Muitas vezes não será nem relacionado. E o temperamento do jogador, mais uma vez, será posto à prova.

Isso só não acontecerá se o jogador mostrar nos treinos e nas partidas que vai jogar como se fosse o César Sampaio. Se reconquistar a confiança de todos e a posição entre os titulares, se tiver um comportamento exemplar dentro e fora do campo, de forma natural e discreta. Se entregar ao Palmeiras aquilo que se espera dele, nem mais, nem menos. Se tudo isso acontecer, Cuca verá seu sacrifício ser não apenas reconhecido, mas recompensado.

Torcemos muito por isso. Mas alguém coloca fichas?


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Entrevista de Cuca devolve esperança à torcida, mas o relógio está andando

Cuca concedeu ontem uma ótima coletiva. Seu dia habitual de entrevista é sexta-feira; ontem o escalado para enfrentar a imprensa era o lateral Jean, mas diante do mau futebol e da pressão que surgiu de todos os lados, nosso treinador tomou a frente, esclareceu algumas situações e mostrou bastante firmeza, devolvendo um pouco de esperança ao torcedor palmeirense de ver as coisas melhorando ainda este ano.

Entre as principais mensagens passadas, nosso treinador assegurou que não está desmotivado, como parte de nossa torcida garante. O aparelhinho xinguelingue que muitos cornetinhas de internet possuem, capaz de ler mentes de treinadores, está quebrado: Cuca deixou claro que nem pensa em pedir demissão e que neste momento está focado em achar uma saída para o mau momento que o time vive.

O treinador também fez questão de afirmar que o ambiente de trabalho segue bom, frustrando outros cornetinhas que acreditam ter poderes de se transformarem em mosquinhas que voam dentro do vestiário da Academia de Futebol. Juravam, pela milionésima vez, que o grupo estava rachado. Esse pessoal precisa ser mais criativo e mudar a história, tá chato já.

Veja abaixo a íntegra da coletiva, na qual Cuca atribui a má fase principalmente à perda momentânea de confiança após a eliminação da Libertadores.

Clássico fundamental

Cuca esbanjou experiência ao descrever o atual momento do grupo. O Palmeiras tem um elenco muito bom, mas vive uma fase difícil: ruim mesmo seria ter um elenco medíocre e não ter muitas opções para reverter o quadro. Com toda sua bagagem, o treinador sabe que basta vencer um jogo-chave, fazendo uma boa exibição.

A tabela oferece nada menos que um Choque-Rei no Allianz Parque no próximo domingo. É a chance de ouro de iniciar uma boa arrancada, que passa por encerrar o ano de forma digna e, principalmente, por arrumar a casa para a próxima temporada.

Uma vitória convincente no domingo, além de devolver a confiança da torcida e dos próprios jogadores e de diminuir a pressão sobre técnico e diretor de futebol, empurra o inimigo no abismo. Todos na Academia de Futebol entenderam a importância desse clássico.

E se der tudo errado?

Se o Palmeiras não conseguir um bom resultado, a primeira coisa a se fazer, para quem não tem a primazia de manter um site sobre o time, é ficar longe da internet e do celular se quiser manter a mente sã. A não ser que você seja do tipo que precisa “desabafar” e canalizar todas suas frustrações no seu time de futebol, vociferando e inundando redes sociais e áreas de comentários com ódio, afaste-se.

Maurício Galiotte, numa demonstração de firmeza e liderança, declarou categoricamente ontem em entrevista à ESPN que Cuca e Mattos não correm risco, mesmo em caso de derrota no Choque-Rei. O presidente passou confiança ao treinador e ao elenco. Cuca tem condições de corrigir a rota, mas precisa de tempo. Mais tempo.

O relógio está andando

A torcida e a diretoria precisam ser pacientes e compreensivas, mas o relógio está andando e o grupo precisa responder. O calendário de 2018 será espremido pela Copa do Mundo e temos que transformar os objetivos modestos que nos restaram para 2017 em vantagens para pavimentar o caminho do ano que vem.

Cuca precisa mostrar que achou a direção que pretende seguir, no máximo, até meados de outubro. Se até lá o time não der sinais de evolução, uma troca no comando precisará ser seriamente cogitada, a fim de salvar o planejamento para 2018. A janela de contratações de dezembro e janeiro precisa atender ao estilo do treinador que comandará o time durante todo o ano. Não podemos errar nisso de novo.

A ótima fala do treinador na terça-feira não garante nem a vitória no clássico, nem que o bom futebol será retomado rapidamente. Não marcamos três pontos ontem à tarde e não está tudo bem. Mas diante da firmeza e da coragem demonstradas por Cuca, foi possível recuperar um pouco de esperança, que junto com o amor ao escudo do clube, é a essência de qualquer torcedor.

Ressaca moral tem dia e hora para terminar, para começar a salvar 2018

CucaA partida de ontem contra o Vasco foi altamente depressiva para nossa torcida, não apenas pelo fato do time ter deixado a vitória escapar num lance de escanteio a três minutos do fim, mas principalmente pelo estado anímico lamentável com que o time se apresentou durante os 90 minutos. Com as exceções de Thiago Santos, Luan e Keno, nossos jogadores demonstravam explicitamente que ainda estavam vivendo a ressaca moral da eliminação da Libertadores ocorrida na última quarta-feira.

Com dezenove jogos por jogar na temporada, com objetivos pouco desafiadores, seria realmente complicado exigir logo na partida seguinte à maior decepção do ano que os jogadores entrassem em campo como se nada tivesse acontecido. São pessoas, não máquinas, e estão sujeitos a variações de humor e são dependentes de motivação como qualquer um de nós. É possível relevar uma partida com esse cenário.

Mas se essa apatia perdurar, o Palmeiras vai seguir perdendo pontos que teoricamente seriam fáceis de se conquistar e essa sangria pode colocar em risco até a classificação para a Libertadores.

Nossa torcida é exigente e passional. Sinais de desinteresse, como os que vimos em campo ontem, não são tolerados pela maioria – mesmo num cenário de ressaca. Até os mais pacientes entrarão no modo revolta, e tome grito de “time sem vergonha” nas arquibancadas. Pichações, “conversas” na Academia e chutes nos carros serão os episódios seguintes. Os jogadores então se sentirão mais desconfortáveis ainda e naturalmente romperão qualquer compromisso com resultados até o fim do ano. Essa espiral negativa comprometerá toda a preparação para 2018, que é onde já devemos estar pensando.

Bola está com Cuca

Cabe a Cuca reverter essa tendência. Apesar de termos muitos motivos para desejar que a Chapecoense ainda conquiste muitos pontos neste campeonato, não podemos dar chances ao time catarinense na partida do próximo domingo. Ser “campeão do segundo turno”, ideia lançada em coletiva na sexta-feira, não pareceu ser um estímulo que convencesse a alguém. É preciso encontrar desafios mais inteligentes.

A semana livre, tão desejada desde o início de maio, finalmente chegou e nosso treinador terá tempo suficiente para não apenas iniciar a correção dos problemas táticos que o time apresenta, mas também para motivar o grupo a voltar a jogar bola. Passada a ressaca, o ano que vem tem que voltar a ser enxergado como algo glorioso e todos têm que desejar fazer parte desse projeto. Talvez virar a página de 2017 seja o caminho para juntar os cacos e seguir em frente – e isso se aplica também à torcida.

Esta ressaca moral tem dia, hora e local para terminar: dia 20 de agosto, às 19h, no Allianz Parque.

Ainda sem identidade, Palmeiras paga o preço do sabático de Cuca

Mattos e Cuca
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras vai a Recife com nada menos que onze desfalques, entre lesionados, suspensos e jogadores que fazem recuperação física. Cuca será obrigado a modificar bastante o time que empatou contra o Flamengo e, mais do que nunca, recorrer a seu “vasto e qualificado” elenco para jogar de forma competitiva contra o Sport, na Arena Pernambuco. O time de Luxa está em ótima fase, vem de uma goleada sobre o lanterna e será um dos jogos mais difíceis do campeonato.

Logo na sequência, o time vai a Belo Horizonte decidir a vaga nas semifinais da Copa do Brasil. Diante de imposições do regulamento, o Palmeiras voltará a perder vários jogadores, poderá contar com a volta de outros tantos, e mais uma vez terá que modificar bastante a escalação.

Pelo Brasileirão

Fabiano, Thiago Martins, Michel Bastos, Felipe Melo, Moisés, Tchê Tchê, Arouca, Guerra, Willian Bigode, Borja e Dudu estão fora do jogo contra o Sport. Jean tende a voltar ao time – não se sabe se na lateral ou no meio. Como Mayke vem subindo de produção, o camisa 2 pode jogar no meio. Zé Roberto, que seria outra opção para jogar como volante, pode também continuar na armação ou voltar para a lateral, onde jogou o segundo tempo na última partida. Raphael Veiga e Egídio estão de prontidão. No ataque, tudo indica que o trio será comporto por Roger Guedes, Deyverson e Keno – até porque, a única alternativa entre os que sobraram é Erik.

O rascunho do time que deve entrar em campo contra o Sport: Jailson; Mayke (Jean), Mina, Edu Dracena e Egídio (Zé Roberto ou Juninho); Jean (Bruno Henrique) e Thiago Santos; Roger Guedes, Zé Roberto (Raphael Veiga) e Keno; Deyverson (Erik).

Pela Copa do Brasil

Para a partida em Belo Horizonte, Cuca ganhará seis reforços, mas perderá outros cinco atletas. Felipe Melo e Guerra, que ficaram na capital paulista fazendo trabalhos físicos, juntam-se à delegação. Suspensos no Brasileirão, Michel Bastos, Tchê Tchê, Dudu e Borja voltam a ficar à disposição.

Os cinco jogadores que não podem jogar a competição, seja por já terem atuado em outros times, seja por terem chegado após o término das inscrições, são Mayke, Luan, Juninho, Bruno Henrique e Deyverson.

Assim, o rascunho do time que precisa vencer o Cruzeiro é Jailson; Jean, Mina, Edu Dracena e Michel Bastos (Egídio); Felipe Melo (Thiago Santos) e Tchê Tchê; Roger Guedes, Guerra e Dudu; Borja.

O preço do sabático

Como se pode ver, são times muito diferentes entre si, em três partidas consecutivas. Cuca, sob pressão constante, tem que extrair o melhor do elenco a cada jogo, tendo (re)assumido o comando do time há menos de três meses e com jogadores com pouco ou nenhum tempo em campo, o que dificulta demais a tarefa de dar identidade e padrão ao time – quanto mais de desenvolver variações táticas consistentes.

Todas essa situações são consequência do período sabático que Cuca tirou nos primeiros meses do ano – condição já prevista antes mesmo de sua primeira chegada. Cuca não comandou a renovação de parte do elenco no começo do ano e nosso elenco foi reforçado com peças a pedido de Eduardo Baptista, e nem todas se encaixam exatamente no modelo que Cuca, que também não deixava claro quando voltaria ao mercado de treinadores.

Diante da evolução lenta do trabalho de Eduardo Baptista e o fim das férias de Cuca, Alexandre Mattos teve que agir rápido, para não ter o risco de vê-lo assumir compromisso com um de nossos concorrentes – e tanto Flamengo, quanto Santos, Grêmio e Atlético-MG estavam vivendo períodos de instabilidade e seus técnicos balançavam.

Com a volta de Cuca, novos jogadores tiveram que ser contratados – inelegíveis para a Copa do Brasil. Todos ainda buscam a adaptação ao elenco, em pleno mês de julho, com o time já dentro dos funis das copas. Cuca declarou esta semana ter “90% do time ideal definido”, mas o que vemos em campo parece ainda bem longe disto. O Verdão ainda busca sua identidade técnica em 2017, enquanto nossos principais concorrentes já fazem ajustes finos.

O Palmeiras deveria estar vivendo um ano de plenitude, exercendo a superioridade técnica do elenco, que por sua vez traduz a excelência administrativo-financeira que o clube atingiu. Mas a interrupção do trabalho, que durou quatro meses, comprometeu todo o ano – o time segue disputando os campeonatos, mas com muito mais dificuldades do que se imaginava. Tem dois placares para reverter e em ambos a situação não é simples. No Brasileiro, até estaria no bolo, apenas um pouco abaixo do aceitável, não fosse a campanha fora da curva de nosso rival – justo eles.

O Palmeiras tem totais condições de ter sucesso ainda este ano, mesmo com todos esses problemas. Mas o ano de 2017, seja qual for o resultado em dezembro, será uma ilustração perfeita de que no futebol, nem com um clube rico e organizado, nem com todo o cuidado no planejamento, é possível se ter a certeza de conquistas ou de um ano tranquilo.

Que o raciocínio sirva para 2018: mais uma vez entraremos organizados, saudáveis financeiramente e desta vez com o mesmo técnico. Em tese, muito mais favoritos e com muito mais chances que este ano. Mas mesmo sem outro período sabático em vista, vai saber que imprevistos o destino nos reserva.