A palavra-chave não é “investimento”. É “tempo”

O Palmeiras passou de fase ontem no Beira-Rio ao perder para o Inter por 2 a 1, se valendo da regra do gol fora de casa. A despeito da classificação, o futebol apresentado pelo time ficou longe do que esperamos de nosso time diante do invest…

Pára tudo. Que mané investimento, que frase babaca, não acham? Não é o investimento feito que aumenta ou diminui a responsabilidade dos jogadores e da comissão técnica. Muito menos seus salários. O que não está batendo é o futebol com a expectativa criada, diante do potencial dos jogadores. E isso tem uma explicação muito mais simples do que parece.

Quando Eduardo Baptista estava dando cabeçadas sem achar a solução para dar um bom padrão tático ao time, tudo o que pedíamos para ele, sem saber se Cuca voltaria a ficar disponível ou não, era tempo. A despeito de nosso time ter conquistado o Brasileiro e mantido sua base, perdemos peças importantes: apenas Moisés, o melhor jogador do Brasileirão, que se recupera de uma delicada cirurgia, e um craque do primeiro time do planeta chamado Gabriel Jesus – entre outros, que tiveram reposições que agradaram a todos.

Eduardo não tinha créditos acumulados, já chegou com um passivo familiar tremendamente injusto, e não resistiu ao tempo. Cuca, ao contrário, tem toneladas de crédito para queimar, e está precisando usá-los em troca de tempo.

Não se monta um time da noite para o dia. Eduardo teve quatro meses, evoluía muito devagar e não resistiu à volta de Cuca ao mercado. Cuca não tem o fantasma de ninguém o assombrando, a não ser o dele mesmo. Esse é o trunfo que ele deve usar para encorpar o time.

Cuca relógio
Marcos Ribolli

Borja e Felipe Melo ainda não deram o encaixe. O pitbull ainda compensa essa falta com atuações tecnicamente precisas; o colombiano, menos experiente, luta contra a frustração e o o abatimento, que o atrapalham mais ainda o colocando numa espiral negativa. Zé Roberto, Edu Dracena e Jean vivem fases técnicas horríveis. É “só” isso que Cuca tem que resolver, e isso se dará com o tempo.

A maioria dos “investimentos” dá resultado depois de algum tempo, em qualquer área da economia. Se nossa torcida quer mesmo abraçar a armadilha dos analistas de sofá e cobrar nosso time por causa do montante de dinheiro investido, que o faça após o tempo necessário para uma equipe de futebol maturar.

A classificação de ontem foi deliciosa e teve todos os ingredientes que qualquer torcida adora num mata-mata. Temos que desfrutar dela, comemorar muito.  Jogar bem, com consistência, é o que dá confiança para as próximas fases, e passamos longe disso – mas não existe mágica no futebol. Trocamos de técnico duas vezes desde dezembro, e Cuca precisa recuperar o tempo perdido com sua saída.

Se nossa torcida preferir reforçar a pressão que a imprensa decidiu colocar falando toda hora em investimento em vez de dar tempo para o treinador que todos sonhavam, vai ficar mais difícil. Prefiro ter paciência e saborear a deliciosa e sofrida classificação de ontem, confiando que, com tempo, o homem da calça vinho fará esse time cada vez mais forte para quando chegar a fase do funil. VAMOS PALMEIRAS!