Os vilões, os herois e a confiança de volta

O Verdão entrou em campo no último sábado contra o Fluminense precisando de apenas uma coisa: vencer. E conseguiu, graças à estratégia pragmática de Cuca e ao calendário, que colocou diante do Verdão o Fluminense, adversário providencial para tirar qualquer zica. Deu ruim? Chama o Série C, que resolve…

Brincadeiras à parte, nosso treinador armou o time de forma a voltar a finalizar e encontrar os gols, mesmo sem um centroavante. Willian Bigode, sabemos, não tem como maior qualidade ser o homem de referência na área, tampouco cabeceador. Sem ter como segurar os zagueiros e descartando os cruzamentos pelo alto, a saída foi usar e abusar das ultrapassagens pelos flancos, buscando invadir a área pelos lados e rolando a bola para quem chega de trás. Foi assim que saiu o segundo gol, feito por Keno após jogada de Roger Guedes, e foi assim que Tchê Tchê, Guerra e o próprio Roger Guedes conseguiram finalizar contra o gol de Júlio César.

Cuca e Abel
César Greco / Ag.Palmeiras

A estratégia é simples, mas eficiente, sobretudo quando o adversário não a espera. Abel deve ter lido os últimos jogos do Palmeiras e provavelmente notou o exagerado número de bolas altas buscando o cabeceio de Willian, isolado. Talvez por isso tenha posicionado Henrique como volante, para tentar ganhar o meio-campo, trocando com Wendel, bem mais baixo.

Abel foi surpreendido, mas talvez Levir Culpi não seja, assim como Jorginho e todos os nossos próximos adversários. Cuca precisa seguir buscando alternativas para chegar ao gol caso um caminho se mostre bloqueado – de preferência, aproveitando o enorme talento reprimido de Borja. Nas próximas partidas o desenvolvimento coletivo precisa voltar a ser o foco, mesmo que isso signifique deixar mais alguns pontos pelo caminho. Mas no sábado, vencer era fundamental.

Prass e Guedes: os heróis

Depois de algumas falhas, Fernando Prass se reabilitou plenamente com duas defesas espetaculares – a segunda, numa cabeçada à queima-roupa de Marcos Júnior, garantiu a vitória num momento crucial.

Fernando Prass
César Greco / Ag.Palmeiras

Para recuperar o apoio total das arquibancadas, foi fundamental ter mantido a confiança em si mesmo – as mensagens de apoio nas redes sociais, nos momentos delicados, certamente ajudaram – parabéns aos torcedores que mantiveram a fé em nosso ídolo.

Aparentemente desmotivado e envolvido em rumores de saída do clube, Roger Guedes estava quietinho em seu canto; a vida de Léo Pelé estava muito fácil diante da partida discretíssima do camisa 23, até os 39 do primeiro tempo. Foi quando baixou o Edmundo no moleque e ele passou no meio de dois marcadores como faca quente na manteiga, chegando ao fundo e servindo Keno para desempatar o jogo. Com a confiança restabelecida, incomodou demais a defesa do Fluminense até o lance final – literalmente.

Laterais: os vilões

Willian não fez uma boa partida, mas ao menos se posicionou bem na área, sempre preocupando a dupla de zaga carioca e abrindo espaços para a chegada dos companheiros – e mesmo assim, foi o responsável pela casquinha na jogada de Cucabol que abriu o placar.

Definitivamente estamos com problemas nas laterais. Zé Roberto, há muito tempo, não consegue fazer uma partida consistente na marcação e já deixou de ser uma opção confiável. O veteraníssimo, em sua última temporada como profissional, merece todo nosso respeito, mas deve seguir como opção para situações específicas, quando sua experiência for mais importante que sua força defensiva. Como seu reserva é Egídio, podemos dizer que temos um problema de elenco, já que Michel Bastos “improvisado” é hoje, tranquilamente, a melhor escolha para a posição.

Jean
César Greco / Ag.Palmeiras

Mas quem vem decepcionando mesmo é Jean. Depois de um jogo muito forte contra o Vasco, na reestreia de Cuca, quando jogou no meio-campo, o camisa 2 vem fazendo uma sequência muito pobre e prejudicando o time – pode-se dizer hoje, sem medo de errar, que é o jogador que está em pior fase no elenco. No clássico no Morumbi, perdeu um pênalti e definiu a derrota. No sábado, errou tudo o que tentou, sendo o responsável direto pelo gol do adversário.

Fabiano, apesar de ter sido o autor de dois gols históricos, não consegue engrenar. Mattos já foi ao mercado para reforçar o setor e trouxe Mayke, que até agora não encaixou. Jean será importante como opção no meio-campo, já que Arouca, Moisés e agora Felipe Melo estão fora de combate. Vamos precisar apoiar demais os três laterais direitos do elenco, principalmente Jean, e torcer para que ele recupere seu bom futebol.

Avanti!

O Palmeiras, a despeito da indignação da imprensa e dos rivais que fazem pressão para que o clube pare de contratar (“não vale bomba!”), tem que reforçar essas carências de elenco – um lateral esquerdo e um atacante para disputar a posição com Borja; e quem sabe, um volante – só temos Tchê Tchê e Thiago Santos, pendurado, à disposição; com Jean como opção. O Verdão já fez duas investidas frustradas no mercado (Marco Rúben e Richarlison) para o ataque e precisa resolver isso rápido.

Enquanto os reforços não chegam, fica a boa sensação de ver que Cuca, na hora do aperto, conseguiu surpreender o adversário. Deixou de lado o desenvolvimento em banho-maria do time e buscou a vitória a qualquer custo – algo que será fundamental para as copas, que claramente são as prioridades do ano.

Com a vitória, a confiança está de volta. O time reagiu e demonstrou que é capaz de buscar os resultados cruciais; o queixo voltou a ficar duro e não quebrou no primeiro golpe; a bipolar torcida voltou a pensar positivo e a ser uma aliada do time, e não uma âncora – sem perder o senso crítico, jamais. Assim, vai! VAMOS PALMEIRAS!


O Verdazzo é patrocinado pela torcida do Palmeiras.

Aqui, o link para se tornar um padrinho do site: https://www.padrim.com.br/verdazzo