¿Qué pasa, Miguelito?

Em meio aos bons resultados em campo, um jogador tem decepcionado bastante em 2017: Miguel Borja. O atacante colombiano, que foi uma das transações mais caras da história do futebol brasileiro, ainda não encaixou no Palmeiras. Nem Eduardo Baptista, em quatro meses; nem Cuca, em algumas semanas, conseguiram extrair do colombiano seu enorme potencial.

O desempenho aquém do esperado – “apenas” seis gols em 16 jogos – já faz com que os torcedores mais impacientes comecem um processo de fritura no jogador. O velho problema de confundir uma postura exigente com burrice: perder a paciência com Borja é diminuir ainda mais as chances dele reverter a tendência – e tudo o que mais queremos é que ele corresponda às expectativas.

Borja
César Greco / Ag.Palmeiras

Quando um jogador é fraco tecnicamente e não tem condições de vestir a camisa do Palmeiras, a vaia se justifica. Mais ainda, quando o jogador não se esforça e parece estar em campo nos fazendo um favor. O colombiano não parece ser nenhum dos dois casos.

Pessoalmente, Borja, de 24 anos, parece ser muito retraído. Já passou por rápidas experiências fora da Colômbia – na Argentina e na Itália – e não foi bem sucedido. Para marcar gols, precisa se sentir em casa, e só o tempo pode proporcionar isto a ele no Brasil.

O fato de ter sido objeto de um investimento muito alto e a colossal recepção no aeroporto de Guarulhos também contam na pressão, que vem tanto de torcedores insatisfeitos quanto dele próprio. As demonstrações de irritação do colombiano parecem ser muito mais consigo mesmo do que com outros fatores. Depois de ganhar a garantia de 90 minutos na estreia de Cuca, contra o Vasco, ele voltou a ser sacado nos jogos seguintes, quando teve atuações discretas e obviamente deve ter se sentido muito frustrado.

Para poucos

Não é todo jogador do Palmeiras que merece o luxo de uma dose extra de paciência da torcida. Borja, certamente, é um deles. Seu faro de gol é notável. Seu imenso talento está dentro da área, onde ele ainda não teve tantas chances de atuar – Cuca, assim com Eduardo, está tentando fazê-lo evoluir com deslocamentos para longe do gol. Talvez seja hora de desistir dessa ideia e adaptar um pouco mais o jeito do time a uma arma potencialmente letal – pelo menos neste momento em que a confiança anda em baixa.

Nossa torcida já mostrou que é capaz de relevar uma sequência de más atuações; Dudu é o exemplo mais evidente: campeão pelo clube e ídolo, símbolo da raça que a torcida tanto valoriza, nosso capitão vem fazendo partidas piores que as de Borja e é poupado da ira da torcida – corretamente. E se já nos mostramos capazes de relativizar as más atuações de um jogador que já rendeu muito no passado, podemos também fazer o mesmo com um cara que pode render muito no futuro e que vem dando claras demonstrações de que precisa de apoio e paciência.

VAMOS BORJA! VAMOS PALMEIRAS!