Mesmo com números positivos, Borja segue contestado por sua grossura

Borja e Mayke
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A torcida do Palmeiras vive um carrossel de emoções com Miguel Borja no comando do ataque. O colombiano já marcou dez gols este ano, deu algumas assistências, foi artilheiro do Campeonato Paulista e segue fazendo gols – ontem, em Lima, deixou sua marca mais uma vez e ainda teve participação importante no primeiro gol.

Mesmo com todos esses números, o atacante que custou R$ 35 milhões ao Palmeiras ainda faz boa parte da torcida arrancar os cabelos com sua evidente grossura, comprovada após mais de um ano como jogador do Verdão.

No ano passado, Borja tinha como justo escudo a famosa “barreira do idioma”, além da “personalidade introvertida”. O principal problema, entretanto, era a adaptação ao estilo do futebol brasileiro, bem diferente do que estava acostumado a jogar na Colômbia. Era mais do que justo exercitarmos a paciência.

Hoje, Miguel já aprendeu a marcar, a se posicionar e a se deslocar de forma que participe mais do jogo e renda mais para o grupo. E é exatamente aí que notamos o quanto ele é grosso. A dificuldade para dominar uma bola é gritante. Como ele maltrata a criança!

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra

Comemoração em Lima, pela Libertadores
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Na Colômbia, Borja só tinha que se preocupar em dar um toque na bola – normalmente direto para o gol. No máximo, uma ajeitada para depois soltar a patada. Nessas condições, ficava difícil detectar o quanto ele tem problemas para fazer um domínio, ou para levantar a cabeça e enxergar o que fazer, ou para executar bem um passe.

Encantados com seus canhonaços, nem notamos que ele é péssimo cabeceador e que tê-lo no ataque significa abrir mão de jogadas aéreas como alternativas para buscar o gol.

Mas ele está longe de ser o pior atacante do mundo. Já tivemos centroavantes muito, mas muito mais grossos que Borja, e nem precisamos voltar demais no tempo para lembrar de exemplos claros. A questão é que, mesmo com essa grossura, ele tem números muito bons este ano, além de uma postura profissional irretocável. Há até quem feche os olhos para suas deficiências, satisfeito com os resultados entregues.

Tudo isso nos leva a pensar sobre a posição de quem está insatisfeito: choram de barriga cheia ou têm todo o direito de pensar mais alto ainda, sonhando com um centroavante que seja, ao mesmo tempo, letal nas finalizações mas que também tenha mais intimidade com a bola e participe com mais elegância e principalmente, mais efetividade nas jogadas?

O fator grana

Borja
Marco Galvão/Estadão Conteúdo

Um dia acreditamos que Borja seria o atacante de nossos sonhos. O estilo de jogo na Colômbia mascarou suas deficiências e pagamos nele um valor muito, mas muito acima do que hoje sabemos que ele realmente vale. E é preciso fechar essa conta, sobretudo depois que a Receita Federal mudou a regra do jogo e Borja, assim como outros atletas que vieram com apoio financeiro da Crefisa, passaram a ser dívida do clube e não risco do patrocinador.

Entra também na equação o reserva: Deyverson, este sim, um fracasso completo, um atacante ruim em todos os sentidos que também não custou barato – cerca de R$ 16 milhões. O pior é que ele nem tem as características de um centroavante nato e Borja acaba sendo o único realmente especialista na posição do elenco.  A única forma de recuperar o investimento feito no jogador que veio do Alavés seria na venda de Miguel – é pouco provável que o Palmeiras salve mais que R$ 5 milhões neste equívoco que usa a camisa 16.

Temos três cenários possíveis no superaquecido mercado de julho:

  1. Borja se destaca na Rússia e um time pequeno da Inglaterra paga até mais que a grana nele investida em 2017. No lucro, o Palmeiras traz um centroavante artilheiro e bom de bola, e segue com Deyverson no banco;
    • Uma variação desta possibilidade seria vender também o Deyverson e trazer outro centroavante para o banco – teríamos uma dupla de centroavantes totalmente nova para o segundo semestre e a situação financeira resolvida;
  2. O Palmeiras não consegue nenhuma boa oferta por Borja, que segue no elenco; Mattos mesmo assim traz um atacante de ponta e Miguel vai para o banco; o Palmeiras se livra de Deyverson por uma ninharia e resolve de vez o problema do comando de ataque – mas acaba com as chances de ter sucesso financeiro na operação, amargando um enorme prejuízo;
  3. Nada acontece e o Palmeiras segue com Borja e Deyverson – o colombiano fazendo seus gols, o treinador recorrendo ao camisa 16 quando necessário e o Palmeiras ponteando os campeonatos – sempre sonhando como poderia ser mais fácil se tivéssemos um centroavante que fizesse gols e que ainda chamasse a bola de “meu amor”.

A novela ainda tem chão. A seguir, cenas dos próximos capítulos.


Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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Borja: é preciso ouvi-lo mais e falar menos

por Douglas Monaco*
Borja
César Greco/Ag.Palmeiras

É fato que o desempenho de Miguel Angel Borja nestes primeiros meses após sua contratação pelo Palmeiras tem frustrado/preocupado a torcida e alimentado dois focos de negatividade contra o jogador: os (maus) profissionais da pretensa imprensa esportiva têm se esbaldado em criticar a contratação e em “profetizar” que Borja será um mico no clube; os políticos do clube têm exercido a habitual pressão contra os dirigentes que trouxeram o jogador, marcadamente o executivo de futebol, Alexandre Mattos.

Observando a coisa de fora desde a chegada dele, a impressão que dá que está faltando ouvi-lo mais. Tem muita gente dizendo o que é que ele tem de fazer para render bem. Mas não tenho certeza de que ele tem sido ouvido, de como ele tem recebido essa enxurrada de conselhos e de como ele tem convivido com tanta expectativa.

Mais à frente, explico melhor o que quero dizer, mas antes acho importante descrever o que vi nele desde a sua chegada.

O desempenho visível de Borja

Os primeiros minutos contra a Ferroviária foram apoteóticos, desde o frisson que antecedeu sua entrada no jogo vindo do banco até o golaço num contra-ataque que demonstrou força, velocidade, rapidez de raciocínio e perícia na finalização.

Depois, veio outro golaço numa sexta à noite contra o Red Bull em Campinas, também vindo do banco. Aí veio uma sequência que começou com aquela sensação de “uuuuhh” no jogo contra o Tucuman, lá, em que ele finalizou bem várias vezes, mas em todas, por pouco, a bola não entrou.

Borja
Marco Galvão/Estadão Conteúdo

A sequência seguiu com algumas oscilações de rendimento, pênalti perdido contra o Peñarol no Allianz Parque, reações espalhafatosas a substituições durante os jogos, bons jogos contra o Novorizontino, a debacle contra a Ponte Preta e a declaração um pouco controversa do então treinador sobre “Borja ter vindo a peso de ouro e sentir-se incomodado por não estar rendendo proporcionalmente”.

Tudo isso gerou uma nuvem de dúvida sobre ele: “vale tudo que custou”? “É um Obina gourmetizado”? “Foi contratado com base em pouca observação”? Parece que torcida e “emprensa” acabaram fomentando essas versões.

Trocou-se o treinador e logo na coletiva de apresentação de Cuca – o novo-antigo treinador – este prometeu mantê-lo nos jogos até o fim para ele se sentir à vontade. Na reestreia de Cuca, Borja pôs duas para dentro, foi mantido até o fim do jogo e a coisa parecia solucionada.

Mas com novas oscilações, substituições e até idas para o banco, as dúvidas voltaram; hoje, a grande colocação é que falta a ele assimilar ideias que Cuca requer de seus jogadores, inclusive o centroavante: movimentação, recomposição e bote no homem com a bola.

Suspeitas

Suspeita 1

Parece que o Borja está sem autoconfiança, errando passes e toques simples que um jogador da qualidade dele normalmente não erra. A sensação é que ele tem ouvido tanto sobre coisas em que tem de evoluir que passa por um autoquestionamento generalizado que o está inibindo até de fazer coisas básicas.

E essa inibição o atrapalha em momentos mais cruciais, como a escolha que fez na última quarta-feira na finalização defendida pelo goleiro, após jogada e passe geniais do Alejandro Guerra. Vendo o lance com atenção, percebe-se que havia espaço para ele fintar o goleiro para a direita e finalizar para o gol vazio. Ele tem habilidade e velocidade para isso, conforme demonstram as dezenas de gols feitos em 2016.

A impressão é que, ao invés de optar por um lance com um certo risco, mas que para ele com sua categoria, seria perfeitamente exequível, ele quis resolver logo e “se livrar da pressão”.

Suspeita 2: falta ouvi-lo

Borja
AFP

A impressão é que muito tem se falado com ele, mas pouco se tem ouvido dele. E às vezes, para algumas pessoas, o “ouvir” tem de ir além de perguntar “como vai” ou “vem cá e me conta o que está acontecendo”.

Quero dizer: é fundamental entender a história da pessoa a quem se quer ensinar algo, para que se possa formular o ensino levando em conta as premissas da pessoa, e até palavras a que a pessoa esteja acostumada.

Eu assistiria a muitos jogos dele do tempo pré-Palmeiras, buscaria informações sobre a trajetória da carreira, quais características dele foram valorizadas nos momentos em que ele foi subindo desde a base até ser eleito “Rei da América” em 2016.  Esse conhecimento possibilitaria dizer o que se quer dele hoje em palavras que ele entende e que refletem conceitos e práticas que foram fatores de seu sucesso.

Outro efeito importante dessa iniciativa seria que Borja ganharia mais confiança nos que o comandam, algo que, por sua vez, fortaleceria a sua autoconfiança.

Momentâneo pessimismo

Fiz questão de escrever este texto porque, francamente, neste momento sinto me um pouco pessimista quanto às reais chances de sucesso dele. Nem de longe por desconfiança quanto a ele ou quanto à comissão técnica, que entendo ser da maior competência, principalmente o treinador.

Mas, no contexto de nosso clube – zumbis do conselho, cornetagem da torcida, inveja da “emprensa” etc. -, não consigo enxergar condições de se dar tempo a ele para esse desenvolvimento.

Há algumas semanas, em “¿Qué pasa, Miguelito?”, o Verdazzo pedia à torcida do Palmeiras que tivesse mais paciência com Borja. Corretamente, o texto apontava para as qualidades do jogador como justificador dessa paciência.

Meu temor é que as condições para a concessão de tal paciência estejam se deteriorando.

Por isso é que uma atenção mais integral, mais detida na pessoa dele e em entendê-lo pode ser o fator decisivo – e urgente – em extrair desse grande profissional todo o potencial que ele tem para oferecer.

Que nosso treinador – que parece ser um cara muito humano, além de possuir extrema competência no trabalho – tenha essa sensibilidade e consiga falar com o Borja, “na língua do Borja”.

#ForzaCuca
#ForzaBorja

* Douglas Monaco é leitor e padrinho do Verdazzo.

¿Qué pasa, Miguelito?

Em meio aos bons resultados em campo, um jogador tem decepcionado bastante em 2017: Miguel Borja. O atacante colombiano, que foi uma das transações mais caras da história do futebol brasileiro, ainda não encaixou no Palmeiras. Nem Eduardo Baptista, em quatro meses; nem Cuca, em algumas semanas, conseguiram extrair do colombiano seu enorme potencial.

O desempenho aquém do esperado – “apenas” seis gols em 16 jogos – já faz com que os torcedores mais impacientes comecem um processo de fritura no jogador. O velho problema de confundir uma postura exigente com burrice: perder a paciência com Borja é diminuir ainda mais as chances dele reverter a tendência – e tudo o que mais queremos é que ele corresponda às expectativas.

Borja
César Greco / Ag.Palmeiras

Quando um jogador é fraco tecnicamente e não tem condições de vestir a camisa do Palmeiras, a vaia se justifica. Mais ainda, quando o jogador não se esforça e parece estar em campo nos fazendo um favor. O colombiano não parece ser nenhum dos dois casos.

Pessoalmente, Borja, de 24 anos, parece ser muito retraído. Já passou por rápidas experiências fora da Colômbia – na Argentina e na Itália – e não foi bem sucedido. Para marcar gols, precisa se sentir em casa, e só o tempo pode proporcionar isto a ele no Brasil.

O fato de ter sido objeto de um investimento muito alto e a colossal recepção no aeroporto de Guarulhos também contam na pressão, que vem tanto de torcedores insatisfeitos quanto dele próprio. As demonstrações de irritação do colombiano parecem ser muito mais consigo mesmo do que com outros fatores. Depois de ganhar a garantia de 90 minutos na estreia de Cuca, contra o Vasco, ele voltou a ser sacado nos jogos seguintes, quando teve atuações discretas e obviamente deve ter se sentido muito frustrado.

Para poucos

Não é todo jogador do Palmeiras que merece o luxo de uma dose extra de paciência da torcida. Borja, certamente, é um deles. Seu faro de gol é notável. Seu imenso talento está dentro da área, onde ele ainda não teve tantas chances de atuar – Cuca, assim com Eduardo, está tentando fazê-lo evoluir com deslocamentos para longe do gol. Talvez seja hora de desistir dessa ideia e adaptar um pouco mais o jeito do time a uma arma potencialmente letal – pelo menos neste momento em que a confiança anda em baixa.

Nossa torcida já mostrou que é capaz de relevar uma sequência de más atuações; Dudu é o exemplo mais evidente: campeão pelo clube e ídolo, símbolo da raça que a torcida tanto valoriza, nosso capitão vem fazendo partidas piores que as de Borja e é poupado da ira da torcida – corretamente. E se já nos mostramos capazes de relativizar as más atuações de um jogador que já rendeu muito no passado, podemos também fazer o mesmo com um cara que pode render muito no futuro e que vem dando claras demonstrações de que precisa de apoio e paciência.

VAMOS BORJA! VAMOS PALMEIRAS!

No ataque do Palmeiras, todo mundo mete gol

Willian Bigode
César Greco / Ag.Palmeiras

Com os três gols marcados contra o Peñarol na quarta-feira, o Palmeiras chegou à marca de 37 gols na temporada, um dos melhores ataques do país entre os times que disputarão a Série A este ano – ainda mais levando-se em conta o nível dos campeonatos disputados pelo Verdão até agora.

Mas tão importante que a quantidade de gols marcados é a variedade de artilheiros no elenco do Verdão.

Ao marcar o gol da vitória aos 54 minutos do segundo tempo na última quarta-feira, Fabiano se tornou o 16º jogador do Palmeiras a ir às redes nesta temporada. Esta expressiva marca, que poucos clubes conseguem atingir no espaço de um ano inteiro, foi alcançada por nosso elenco no início do mês de abril.

Os destaques da lista, claro, são os jogadores de ataque. Entre parênteses, o número de jogos disputados. Confira:

  • 6 GOLS
    Willian Bigode (18)
  • 5 GOLS
    Dudu (17)
  • 4 GOLS
    Borja (9) e Roger Guedes (14)
  • 2 GOLS
    Jean (13), Michel Bastos (15), Raphael Veiga (9), Tchê Tchê (10), Keno (15) e Barrios (2)
  • 1 GOL
    Fabiano (10), Mina (8), Felipe Melo (16), Rafael Marques (2), Vitinho (4) e Guerra (9)
  • SEM GOLS
    Edu Dracena (14), Zé Roberto (14), Vitor Hugo (12), Thiago Santos (12), Egídio (10), Alecsandro (7), Erik (6), Antônio Carlos (4), Thiago Martins (2), Moisés (2), Hyoran (2), Mailton (1) e Arouca (1).

Já está chato falar da vastidão de nosso elenco. Mas os números atingidos pelo time até agora não mentem. Eduardo Baptista tem conseguido revezar bem os jogadores e, além de Felipe Melo, apenas Dudu e Willian romperam a marca dos 15 jogos entre os jogadores de linha – não por coincidência, são os dois maiores goleadores do time. Willian, mesmo sem ser titular indiscutível, é o jogador que mais vezes entrou em campo na temporada.

Esses números sugerem que o elenco, além de variado, é equilibrado e não depende de individualidades. Todos os setores do elenco chegam às redes, em jogadas ensaiadas ou em bola rolando; em cruzamentos, tabelas envolventes ou chutes de fora. O repertório é vasto.

Comparação

Alguns times também têm conseguido números expressivos nestes primeiros meses do ano, mas têm ressalvas. O SPFC tem a melhor média de gols marcados, mas também sofre muitos gols, denotando um grande desequilíbrio entre ataque e defesa. Outros ataques que conseguem destaque precisam ser ponderados pelos níveis dos campeonatos disputados: o campeonato paulista é, de longe, o que mais exige dos grandes. O Vitória tem 27 gols marcados em dez jogos – no campeonato baiano. O Galo tem marca semelhante no mineiro.

E esses times, em comparação ao Palmeiras, certamente perdem na hora de contabilizar o número de jogadores em condições de marcarem gols. Os elencos são curtos, e quando a maratona de jogos cobrar a conta, não terão peças de reposição à altura. Aliás, já tem rival perdendo jogador importante e a dependência vai começar a ficar escancarada. Desse mal, não sofremos.

Tudo isso faz com que nossa confiança para a sequência do ano permaneça alta. O protagonismo do Verdão vai continuar incomodando. VAMOS PALMEIRAS!

“Devolvam esse Borja!”

César Greco / Ag.Palmeiras

Miguel Borja foi o reforço mais caro do Palmeiras para a temporada. O atacante colombiano de 24 anos teve grande destaque na campanha do Atlético Nacional na conquista da Libertadores do ano passado e o Verdão investiu mais de US$ 10 milhões em sua contratação.

Nas duas primeiras partidas, o cartão de visitas: um gol com pouco mais de dez minutos em campo, contra a Ferroviária, decidiu um jogo que estava ficando complicado; e contra o Red Bull, foi mais uma vez às redes no lance final do jogo. Em 65 minutos em campo, totalizando 37 segundos com a bola no pé, meteu dois gols.

Mais do que os gols, sua postura em campo é claramente diferenciada. Borja é forte fisicamente, ganha sem muita dificuldade as disputas com os zagueiros adversários; demonstrou excelente coordenação e tempo de passadas para equilibrar o corpo e fazer a finalização da melhor forma possível, e uma ótima pontaria – os dois gols marcados mostraram enorme precisão. Na verdade, todas essas qualidades saltam aos olhos e é desnecessário ressaltá-las ao leitor mais atento.

Mas no último jogo a bola não entrou. Borja teve três chances claras de gol e falhou em todas:

  • na primeira, bateu de chapa, de primeira, após cruzamento rasteiro de Keno; pegou Lucchetti no contrapé mas o goleiro fez o milagre ao se contorcer todo e espalmar a bola;
  • na segunda, Dudu deu um passe açucarado para o colombiano, que estava mais aberto pela esquerda – deixando claro que não é jogador que fica fixo no meio dos zagueiros. Borja cortou pelo meio, tirou do zagueiro com muita facilidade e soltou o canudo com a direita – a bola bateu na orelha de Lucchetti, que virou o rosto para o lado;
  • na terceira, no segundo tempo, mais uma vez Dudu serviu o camisa 12, que ajeitou rapidamente o corpo dentro da área e teve tudo para fazer o segundo gol, mas ao bater de curva no canto direito de Lucchetti tirou demais e a bola saiu raspando a trave.

Foram três finalizações de gente grande. A maioria delas nem teria acontecido ou não teria levado perigo, fosse Borja um atacante comum. Mas isso não importa para a torcida do Palmeiras nas redes sociais.

A cornetagem em cima do colombiano, que aconteceu sobretudo no Twitter, foi insana. Os próprios palmeirenses que pediram, no calor do jogo e das chances desperdiçadas, que ele fosse devolvido para a Colômbia ou vendido, admitem que as postagens não devem ser levadas a sério.

Qualquer pessoa razoável consegue separar postagens feitas na emoção de opiniões que mereçam maior consideração. Os tweets tem carimbo de data e hora, é fácil saber quando o torcedor está usando o cérebro ou a ponta do dedão do pé para decidir o que tuitar. Mas nem todo mundo tem o cuidado de verificar o momento da postagem e as consequências dos tweets viram interações que beiram o absurdo.

Há também os tweets que são reflexos amplificados daquela opinião com a qual o autor já casou. Ele decidiu que odeia determinado jogador, e mesmo numa noite em que o dito tem uma boa atuação, ele espera o primeiro toque errado na bola para descarregar no teclado toda sua revolta.

Ligar para a ex, de madrugada, bêbado

Tuitar durante um jogo, sobretudo em momentos tensos, é uma ideia tão boa quanto ligar para a ex de madrugada, bêbado, depois de uma balada com o placar zerado. Há quem goste de viver esse tipo de emoção.

Cabe a quem está lendo dar todo o tipo de desconto e não entrar na onda. Vale sempre uma checada no perfil do autor, se o tweet realmente chamou sua atenção – muitas vezes é apenas um troll. Mesmo operando há mais de dez anos, o Twitter ainda é mal utilizado por muita gente por pura falta de entendimento da ferramenta – por quem escreve, por quem lê e por quem se dá o direito de julgar.

Filtro ligado é fundamental. Não fosse por ele, e o Borja já poderia começar a pensar em jogar no SCCP ou no Flamengo. Que tal?