Exclusivo: saiba quem é o centroavante que está muito próximo de reforçar o Palmeiras

Pois é, nem no Dia da Mentira o torcedor se livra desse mal. A ansiedade por saber que seu clube ganhará um “reforço” é maior do que fazer sua parte para manter o ambiente no clube o mais tranquilo possível. Manchetes como a deste post, evidentemente falsa, é uma arma poderosíssima para que os editores fiquem muito contentes com seus repórteres-fuxiqueiros.

É claro que o elenco tem algumas lacunas e o próprio treinador, Abel Ferreira, externou a necessidade de contratação – mais especificamente, de um centroavante. E estamos todos esperando para saber quem será o reforço para o setor ofensivo.

Esta é a deixa para que, em praticamente todos os dias do ano, fofoqueiros de plantão cravem negociações como concluídas, quando ainda estão em andamento ou sequer acontecem. Prestam serviços a agentes de jogadores ou simplesmente buscam um tapinha nas costas do chefe. Isso sem mencionar os profetas de rede social que têm por estranho objetivo ficarem famosos por serem “bem informados”.

Fomentar especulações sempre ajuda o vendedor. A pressão pela contratação aumenta; o preço sobe. A cada vez que um abençoado começa a fofocar sobre o suposto interesse do Palmeiras em qualquer jogador, o número sobe alguns décimos ou mesmo pontos inteiros na escala percentual – isto, aplicado a dezenas de milhões de reais, quer dizer bastante coisa. Isso se é que a negociação realmente existe.

Caso recente

Para o torcedor se livrar dessa tentação, basta lembrar do que passou com o recente episódio “Borré”.

O Palmeiras até fez, de fato uma proposta ao agente do jogador, que, como sabemos, só usou o Verdão (e posteriormente o Grêmio) para se valorizar e ganhar tempo em busca de uma transferência para a Europa.

O torcedor que participou dos chats nas lives da TV Palmeiras ou que comentou posts dos canais oficiais do clube em redes sociais e vociferou “cadê o Borré?” fez papel de trouxa do colombiano e de seu staff. Era exatamente isso que eles queriam. E é isso que ocorre, digamos, em 90% das conversas – ou é um chute muito errado estimar que apenas 1 em cada 10 nomes ventilados no Palmeiras são efetivamente contratados?

Qual a diferença entre saber que determinado jogador pode jogar no Palmeiras alguns dias antes, e de saber que esse jogador foi efetivamente contratado, alguns dias depois? Ele só poderá entrar em campo depois que assinar o contrato, de qualquer forma. De que adianta “saber” alguns dias antes?

Juntando o fato de que não adianta nada ter essa informação com antecedência com a vergonha de ser massa de manobra de empresários em 90% dos casos em que a negociação não se concretiza, dá pra concluir que alimentar especulações dando audiência e espalhando os links é um ato de extrema falta de inteligência.

Embarcar em novela de mercado de futebol é assinar um atestado de baixa capacidade cognitiva.

É por isso que você nunca deve clicar em manchetes como a do título deste post. A nós, torcedores, cabe apenas esperar pelo anúncio oficial. Aqui no Verdazzo, você só verá algo parecido no Dia da Mentira. Mas por aí, tem todo dia. E se em vez de ao menos repensar seu papel nesta situação você simplesmente ficou bravo porque achou que teria uma informação em primeira mão e foi tapeado… bem feito! PRIMEIRO DE ABRIL!


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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Dá um descanso pra corneta e vamos, todos juntos, pra cima deles!

Após a rodada de meio de semana, foram definidos os semifinalistas do Campeonato Paulista, bem como os confrontos da penúltima fase do torneio. Palmeiras x Ponte Preta; SCCP x Mirassol, decidirão em partidas únicas os finalistas, que disputarão o título em ida e volta, na quarta-feira (5) e no sábado (8).

Campeonato Paulista 2018

Os acontecimentos dos últimos anos levaram o torcedor do Palmeiras a perder o encanto por uma das rivalidades mais ricas do futebol mundial: o Derby, principalmente em confrontos pelo Campeonato Paulista.

Atitudes desrespeitosas, antiéticas, antidesportivas, para não dizer “criminosas”, esfriaram o desejo por reviver tantas vezes quanto possíveis o que já foi – e que talvez ainda seja – o maior clássico do futebol brasileiro.

Nosso torcedor, cada vez mais exigente, anda mais ranzinza e corneteiro do que nunca, com ou sem razão. O comportamento padrão dos últimos anos tem sido elogiar quem não veste nossa camisa e espinafrar quem nos defende.

O absurdo chega ao limite de verem com simpatia até uma volta de Deyverson, como se ele não tivesse sido a encarnação do demônio enquanto estava por aqui. Ou criarem ranço por causa do posicionamento político de Felipe Melo, que expõe suas preferências num cenário de alta intolerância, sem nenhum freio.

Tudo isso foi motivo para criar alguma barreira entre o time e a torcida na disputa final do estadual deste ano. Desprezo, indiferença e até, pasmem, torcida contra, foram alguns dos desejos verificados em alguns torcedores.

Mas é certo que esses palmeirenses são exceções que, pelo inusitado das manifestações, acabam chamando atenção. São apenas uma minoria, muito jovens e imaturos, ou apenas “xaropes” mesmo, que aparentam ter mais relevância numérica do que realmente têm.

Na iminência de termos, mais uma vez, um Derby decidindo o campeonato em dois jogos a partir da próxima semana, a grande maioria, silenciosa, tende a ser mordida pelo velho bichinho, principalmente os mais velhos e calejados, que acabam não resistindo e cedendo ao apelo mágico da velha rivalidade.

Todos juntos, agora

Torcida do Palmeiras no Allianz Parque

Mesmo que tenhamos ainda dois times do interior no caminho, mantendo todo o respeito por Ponte e Mirassol, é impossível não projetar os Derbies para a semana que vem. E a rivalidade, mesmo alterada pelos episódios recentes, aflora. O desejo de vencê-los passa a ter mais importância do que qualquer outra coisa.

É por isso que, neste momento, precisamos deixar de lado todos os nossos comportamentos negativos em relação ao Verdão, seja qual for o motivo, e remarmos todos na mesma direção.

Neste momento, não quer dizer nada o que você pensa ou disse do jogador que não te convence. Não faz diferença o que você acha do trabalho do treinador. Não importa o posicionamento político do jogador, nem que o presidente que você odeia levantou um troféu em nosso estádio há quase dois anos. O papel do palmeirense, neste momento, é apoiar, empurrar esse grupo pra cima daqueles caras e buscar a vitória com todas as armas possíveis.

Torcida 2003

Deixa a corneta de lado. Corta o pessimismo. Dá uma pausa na militância. Vamos abraçar o Luxa e nossos jogadores. Já a partir do confronto contra a Ponte, o elenco precisa sentir, através das redes sociais (já que as arquibancadas seguirão vazias), que estamos com eles e que eles têm por quem lutar.

Chamem por eles no Twitter e no Instagram com mensagens legais. Que eles corram também por nós, não apenas por seus salários e por suas carreiras. E cabe a nós despertar esse sentimento neles.

Se não quiser fazer nada disso, tudo bem. Fica de boa. Mas pelo menos não atrapalha. Não agora.

Podemos sair vencedores do estadual, ou não. Podemos nem chegar nas finais. Mas jamais podemos nos furtar de fazer nosso verdadeiro papel quando a disputa chega a este cenário.

Vestiário do Allianz Parque na final do Paulista-2018

Quando acabar, podemos voltar a nossos comportamentos usuais, sejam eles saudáveis ou não. Mas agora temos que entrar em “modo decisão”. O destino está nos dando a chance de vingar, pelo menos um pouco, a enorme traição de 2018. Não podemos desperdiçar.

PRA CIMA DELES! VAMOS PALMEIRAS!


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Verde não é mais a cor da inveja, e sim, da esperança

Todo ano-novo é assim: recarregamos as baterias, viramos a página e miramos nos objetivos, sejam novos, sejam os antigos que ainda não conseguimos alcançar. Fazemos reflexões, tentamos aprender com os erros para não repeti-los e esboçamos o plano de ação para mais um ciclo.

Como torcedores, ficamos limitados a torcer – a caneta está nas mãos de uma pessoa, o presidente do clube, que está rodeado de diretores, executivos e assessores para auxiliá-lo na tarefa de fazer o Palmeiras levantar títulos. Nosso papel é torcer e, eventualmente, cobrar, nos canais apropriados: a internet e as arquibancadas.

O que fizemos de errado? O que a diretoria fez de errado? O que não podemos fazer de novo? Como devemos agir este ano para que melhore em relação ao ano passado? Essas perguntas devem ser feitas por todos nós, em frente ao espelho e em nossos círculos de confiança.

E junto com esse exercício, deve vir um impulso de boa-vontade inequívoco, uma vontade legítima de fazer parte de mais uma campanha campeã, de ser uma mola propulsora rumo a novas conquistas. Conseguiremos?

Eles erraram

A diretoria errou. Avaliaram mal alguns atletas e gastaram mal. Perderam chances excepcionais de se desfazerem de atletas que não tinham nada a agregar. Falharam mais uma vez na construção de uma identidade futebolística. Pior que tudo isso: perderam desastrosamente a mão no controle financeiro. A política segue atrapalhando, e não “como sempre”: antes, os joguetes de poder apenas tornavam o ambiente carregado e tiravam o foco da direção, o que influenciava no desempenho dos atletas. Agora, além de tudo isso, a política também está interferindo de forma significativa na saúde financeira.

O Avanti foi deixado de lado e despencou. Um dos pilares mais importantes do tripé financeiro (torcida + patrocínio + televisão) que sustenta a competitividade do clube está ruindo. Decisões incompreensíveis do ponto de vista administrativo, como o adiantamento do pagamento de uma dívida escalonada também foram tomadas por viés político. Mas a pior decisão, de longe, foi assumir uma vultosa dívida que não nos pertencia.

Os bodes expiatórios de sempre foram acionados: o técnico e o diretor de futebol. Sem pulso para suportar a pressão, a diretoria defenestrou personagens importantes nas últimas conquistas do clube. Felipão, o maior técnico de nossa História, foi descartado de forma torpe.

Com o fluxo de caixa seriamente comprometido, embora os documentos oficiais estejam sendo sonegados ao conhecimento público no limite da lei, a estratégia do Palmeiras parece ser, novamente, cortar na carne – apenas quatro anos depois de ter colocado a casa em ordem e de ter voltado a beber água limpa. Essa é nossa atual realidade.

Nós erramos

Torcida do Palmeiras no Allianz Parque

A torcida caiu na pilha. Viramos o ano campeões e não resistimos à tentação de subir no salto. Verde virou a cor da inveja. Não conseguimos controlar nossas emoções e transformá-las em combustível positivo. Não empurramos nosso time pra cima dos adversários, não os esmagamos. Ao contrário, construímos uma pressão interna difícil para qualquer jogador suportar. Atletas que reconhecidamente rendem muito mais em outros clubes, refugam aqui. Decidir em casa deixou de ser nosso grande trunfo.

Será que não é hora de repensarmos a forma como cobramos desempenho de nossos atletas? Será que não é preciso ajustar a forma de manter os jogadores fora da zona de conforto? Será que os métodos vistos este ano, como apedrejamento de ônibus antes de um jogo de Libertadores e ameaças de morte não estão além de qualquer limite?

E nas redes sociais? Será que os linchamentos virtuais não estão ultrapassando as raias da sanidade? Será que quando criticamos nossos atletas, estamos fazendo para que eles rendam melhor ou apenas para aliviar nossas tensões e nossas frustrações por não sermos tão bem remunerados quanto eles? Ou estamos apenas dando showzinhos para fazer graça para nossos amigos e alimentar nossos egos? Estamos remando a favor ou contra?

Será que não existe uma maneira de canalizar melhor todo esse turbilhão de sentimentos a favor do Palmeiras, que no fundo é o que realmente interessa?

Correções

Gabriel Verón
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A diretoria, a fim de corrigir os erros administrativos cometidos recentemente, acionou a base. Nove jovens, entre os promovidos e os que retornam de empréstimo, terão a responsabilidade de fazer parte do elenco principal do Palmeiras.

Essa foi uma das exigências da torcida em seu movimento para derrubar o diretor de futebol. O desejo foi duplamente atendido e a molecada, enfim, terá uma chance.

Diante do gesto, cuja motivação não foi exatamente a de dar chance à base e sim uma conveniência financeira, a torcida precisa redirecionar a energia. O Palmeiras precisa da massa empurrando.

Esses moleques precisam de apoio, pelo menos pelo tempo necessário para crescerem e evoluírem ao ponto de poderem performar como esperamos. É muito raro um menino da base chegar pronto ao time adulto; eles precisam de paciência e de tempo, coisa que o futebol quase nunca dá. Conseguiremos fazer diferente desta vez?

Avanti!

Avanti

A torcida precisa também voltar a abraçar o Avanti. Mesmo que o programa não seja perfeito. Mesmo que não dê os retornos desejados. O Avanti, em sua essência, é a materialização do amor que sentimos pelo Palmeiras, não uma forma de obter vantagens ou contrapartidas.

Ao cancelar o Avanti como forma de “punição” ao clube por não realizar nossos desejos, fazemos exatamente o contrário do que deveríamos. A cada Avanti cancelado, um gambá dá pulinhos de alegria na Marginal e um urubu dá rasantes acrobáticos nos morros cariocas. Se você deixou o plano de lado, por qualquer motivo, volte agora!

Vamos renovar nosso compromisso com o Palmeiras. Vanderlei Luxemburgo tem muito o que provar. Não somos mais o ricaço favoritão com um olho no exterior. Voltamos a ter que provar, antes de mais nada, nosso valor aqui dentro de casa. Vamos com um monte de moleques talentosos – ainda que possamos ter algum anúncio de reforço nos próximos dias.

A chance de conquista este ano são bem menores do que as do início do ano passado – o que não significa que são desprezíveis. Nosso time segue sendo bom. Nossa torcida, quando abraça o time, é difícil de segurar. E se a roda voltar a girar, os eventuais títulos terão um sabor muito especial, diferente das conquistas que soavam como “obrigação” diante do “valor investido”.

Podemos estar diante dos troféus mais saborosos deste século. O futebol é pródigo em oferecer novas chances a todos. Vamos aproveitar melhor as nossas este ano. AVANTI! VAMOS PALMEIRAS!

Doentes da arquibancada e comunicadores do culto ao ódio conduzem o futebol a um destino sombrio

Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Na última quarta-feira, feriado no estado de São Paulo, a base movimentou o Pacaembu com 3 finais estaduais sendo disputadas ao longo do dia. Logo cedo, o Sub-15 conquistou o terceiro título em quatro anos ao bater o Santos por 5 a 0, depois de empatar o jogo de ida na Vila Belmiro por 0 a 0.

A jornada teve sequência pouco depois e o time Sub-17 tinha uma dura missão: reverter o placar de 0 a 2 que o SPFC construiu na primeira partida, no Morumbi. Gabriel Veron, grande destaque da Copa do Mundo da categoria, estava em campo envergando a 10 e com a braçadeira de capitão; Henri, Garcia e Renan, companheiros de Veron na seleção, também jogaram.

Fabio Menotti /Ag.Palmeiras

A desvantagem foi anulada ainda no primeiro tempo, com dois gols de Gabriel Silva. Marcelinho fez o terceiro aos 22 do segundo tempo e a taça parecia estar chegando, mas Mineirinho diminuiu para o SPFC aos 31, levando a decisão novamente para os penais. Três minutos depois, Gabriel Silva fez o quarto gol, o terceiro dele, e tudo estava se encaminhando para um desfecho positivo, mas a arbitragem validou um gol ilegal do SPFC já nos acréscimos.

O título foi decidido na marca de tiros livres e o visitante levou a melhor. Atletas do SPFC então provocaram nossos jogadores e a torcida, composta unicamente por palmeirenses. Um legítimo quebra-pau teve início, sendo rapidamente controlado sem maiores consequências.

À tarde, o Sub-20

Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Envolvido também na disputa do Brasileirão da categoria, do qual é finalista e enfrentará o Flamengo, nosso time Sub-20 encarou o Red Bull, sensação do torneio, dono da melhor campanha e do melhor ataque, disparado.

O Palmeiras não inscreveu Angulo na competição e ainda se ressente muito da perda de Vitão para o futebol do exterior. Com falhas na defesa, o time acabou derrotado por 2 a 0 e terá uma difícil missão no jogo de volta, marcado para domingo às 10h em Bragança Paulista.

De forma inacreditável, algumas centenas de torcedores que se prestaram a sair de casa num feriado para assistir aos jogos da base, de graça, passaram a hostilizar nossos meninos do Sub-20:

– Ô Sub-20, vai se foder, o Sub-15 é melhor do que você!

Doença

Parte da torcida está gravemente doente. Temos visto diversas demonstrações de estupidez extrema da torcida em relação aos profissionais nos últimos anos – desde a agressão a Vágner Love em 2009, o cerco a João Vítor em 2011, passando pela “xicarada” que feriu a orelha de Fernando Prass em Buenos Aires, até os recentes episódios de apedrejamento do ônibus da delegação em dia de jogo da Libertadores e de ameaça de morte a Felipão.

Bruno Henrique teve que ouvir bobagens de um torcedor ávido por “representar a torcida” – pelo menos na cabeça dele. O incauto levou uma invertida da esposa do atleta, que foi filmada e viralizou. Pois outros torcedores inacreditavelmente cercaram e intimidaram a moça, dias depois, na Arena da Baixada, indignados com sua reação.

O desejo intenso, nocivo e irracional pela vitória é motivado, aparentemente, por alguns fatores – um deles é o que está sendo chamado de “zueirofobia”. As pessoas se apegam a seus times como bandeira para “zuar”, futebol está perdendo a essência e virando o determinante para quem vai “zuar” e quem vai “ser zuado”. E ai do time se perder e fizer com que o doente “seja zuado”.

Existe também a política do clube, claro, que desde 1914 tumultua o ambiente e é nosso pior inimigo, sempre que praticada com “p” minúsculo.

Mas no caso específico deste episódio do Pacaembu, só muita frustração pessoal para fazer com que o torcedor se revolte a ponto de xingar ferozmente atletas da base. Os doentes veem a vitória do time como vitória deles próprios – talvez a única vitória possível em suas vidas miseráveis. Mesmo que sejam apenas meninos.

No limite, não parece tão absurdo imaginar que o comportamento desses lunáticos seja inconscientemente calculado, para estragar mesmo a carreira desses jovens que, caso se tornem atletas profissionais, certamente serão muito mais bem-sucedidos financeiramente que o frustrado e invejoso cidadão que está vociferando enlouquecido no alambrado.

É tudo culpa da emoção

Esse ciclo é renovado por comunicadores – profissionais e amadores – que estimulam o culto à “zoeira” ou ao ódio diante das derrotas. Hipocritamente, usam a emoção inerente ao futebol como justificativa para atitudes hediondas.

O futebol está mudando, em várias frentes. Mas o comportamento doentio da torcida, que sempre foi a razão da existência de todo o espetáculo, está direcionando o pacote para um destino cada vez mais sombrio. Está difícil se divertir no futebol, mesmo torcendo por um dos times dominantes.

Nossa equipe Sub-20 tem uma geração sensacional. Magrão, Esteves, Patrick de Paula, Gabriel Menino, Alan e Angulo têm condições de, no mínimo, serem testados no time de cima no ano que vem. A torcida clama por chances à base – mas não hesitam em detoná-los no primeiro tropeço, mesmo às vésperas de decidir o Brasileirão da categoria, e justo diante do Flamengo.

Precisamos de atitudes firmes das entidades que regulam o esporte e a sociedade. O incremento no nível da educação fundamental e da educação de torcedores parece ser o único caminho, de longo prazo, para que comunicadores e torcedores nos ajudem a desviar desse abismo para onde nos encaminhamos. O problema maior é que mudanças de longo prazo não reelegem ninguém.


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A incrível história de Kaduzera Show

Kaduzera Show é um cara legal. Bem nascido, sua família tem um patrimônio que lhe permite ter a melhor educação, um carro top e um Iphone topzera.

Nascido Carlos Eduardo, logo virou Kadu, com K mesmo. Cresceu, e do alto de seus 20 anos acrescentou o essencial sufixo “zera” em seu próprio nome do Whatsapp. Ele é o Kaduzera.

– E aíííí, como vai essa kaduzera?

Mas o apelido logo ficou pequeno. Um nome que se preza precisa de um sobrenome. Com a auto-estima sempre em alta – pelo menos aparentemente – anexou um singelo “Show” à sua alcunha whatsappiana. Assim surgiu “Kaduzera Show”.

Tudo dá certo para Kaduzera Show. Em sua facu top, está sempre cercado pela galera top. E fatura umas minas muito top entre uma viagem ou outra. Sempre para lugares top, claro. Topzera!

Ele não joga bola, não leva jeito. Ou talvez nunca tenha tentado. Mas no videogame, detona. Conhece todos os truques e combinações de botões possíveis.

– Como você acha que ele faz isso?
– Não sei!
– O que faz ele ser tão bom???

Na vida real, seu time é uma beleza. Vem ganhando vários campeonatos importantes e está sempre disputando títulos. A política do clube está meio bagunçada e disseram pra ele que é assim mesmo há mais de cem anos. Mas ele não se importa muito com essas coisas.

Top mesmo é ir ao estádio. Descobriu essa paixão há alguns anos, depois da reforma. Já tinha ido antes, mas não gostou muito do velho estádio. Agora, tudo mudou.

Aprendeu que se ficar atrás do gol, pode ser focalizado pelas câmeras da TV, principalmente na hora dos gols. Muito top!

Muitas vezes Kaduzera Show prefere comprar o ingresso mais caro, só pra ficar atrás do banco de reservas do seu time. Exigente, quer o time jogando como em seu videogame. Se não joga, xinga. Xinga muito! Xinga o técnico, os jogadores, até o médico. E mostra para eles, aos berros, como o time deveria estar jogando, lembrando de suas incríveis peripécias com o joystick na mão.

Kaduzera Show se sente muito bem nesses momentos, mas ele não entende muito bem por quê.

Ontem, seu time teve muitas dificuldades no campo. Jogando contra o lanterna do campeonato, a bola não entrava. O adversário, a exemplo do jogo anterior no mesmo estádio, veio com um esquema ultradefensivo que não usou contra ninguém em todo o campeonato. Mas para ele, isso não interessa: se todos ganham desse timeco, o dele tem obrigação de ganhar.

No jogo anterior, não ganhou. Kaduzera Show ficou muito bravo. No grupo de whats, arrepiou. Mostrou toda sua indignação, xingando muito. Mas ontem, foi diferente. Depois de uma pressão insaaaaana, o gol saiu aos 54 minutos do segundo tempo, no último lance. Kaduzera Show foi ao delírio. Afinal, seu time venceu. Logo, ele venceu!

Mas a euforia passou rápido. Enquanto dirigia de volta para casa, já digitava em seu Iphone os maiores impropérios contra o time, que sofreu demais para ganhar do lanterninha. Inadmissível, era jogo para ganhar, no mínimo, de 4 a 0!

***

Enquanto isso, ainda nos arredores do estádio, alguns grupos ainda comemoravam a vitória épica, bebendo cerveja nos botequinhos do entorno. Já passava de meia-noite e os lances mágicos daquela pressão final ainda eram lembrados pelos beberrões, com direito a vários exageros, gritos exultantes e risos. Nem queriam saber do campeonato, da tabela, de nada. Só importava saborear o momento.

A TV começou a passar os lances da partida, todos se aproximaram. Cantaram e vibraram, como se o jogo estivesse acontecendo de novo. O trabalho no dia seguinte ia ter que esperar um pouco, porque a noite ia ser um pouco mais longa.

Na sequência, o noticiário cortou para um acidente de trânsito, feio, no cruzamento da Henrique Schaumann com a Rebouças. Um carro cruzou o farol vermelho e acabou debaixo de um ônibus. O motorista estava distraído, no celular. Uma tragédia.

Vieram os comerciais e os amigos, no bar, voltaram a beber e rir, lembrando da partida.

*esta é uma história de ficção. Qualquer semelhança com nomes ou fatos terá sido mera coincidência.


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