Doentes da arquibancada e comunicadores do culto ao ódio conduzem o futebol a um destino sombrio

Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Na última quarta-feira, feriado no estado de São Paulo, a base movimentou o Pacaembu com 3 finais estaduais sendo disputadas ao longo do dia. Logo cedo, o Sub-15 conquistou o terceiro título em quatro anos ao bater o Santos por 5 a 0, depois de empatar o jogo de ida na Vila Belmiro por 0 a 0.

A jornada teve sequência pouco depois e o time Sub-17 tinha uma dura missão: reverter o placar de 0 a 2 que o SPFC construiu na primeira partida, no Morumbi. Gabriel Veron, grande destaque da Copa do Mundo da categoria, estava em campo envergando a 10 e com a braçadeira de capitão; Henri, Garcia e Renan, companheiros de Veron na seleção, também jogaram.

Fabio Menotti /Ag.Palmeiras

A desvantagem foi anulada ainda no primeiro tempo, com dois gols de Gabriel Silva. Marcelinho fez o terceiro aos 22 do segundo tempo e a taça parecia estar chegando, mas Mineirinho diminuiu para o SPFC aos 31, levando a decisão novamente para os penais. Três minutos depois, Gabriel Silva fez o quarto gol, o terceiro dele, e tudo estava se encaminhando para um desfecho positivo, mas a arbitragem validou um gol ilegal do SPFC já nos acréscimos.

O título foi decidido na marca de tiros livres e o visitante levou a melhor. Atletas do SPFC então provocaram nossos jogadores e a torcida, composta unicamente por palmeirenses. Um legítimo quebra-pau teve início, sendo rapidamente controlado sem maiores consequências.

À tarde, o Sub-20

Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Envolvido também na disputa do Brasileirão da categoria, do qual é finalista e enfrentará o Flamengo, nosso time Sub-20 encarou o Red Bull, sensação do torneio, dono da melhor campanha e do melhor ataque, disparado.

O Palmeiras não inscreveu Angulo na competição e ainda se ressente muito da perda de Vitão para o futebol do exterior. Com falhas na defesa, o time acabou derrotado por 2 a 0 e terá uma difícil missão no jogo de volta, marcado para domingo às 10h em Bragança Paulista.

De forma inacreditável, algumas centenas de torcedores que se prestaram a sair de casa num feriado para assistir aos jogos da base, de graça, passaram a hostilizar nossos meninos do Sub-20:

– Ô Sub-20, vai se foder, o Sub-15 é melhor do que você!

Doença

Parte da torcida está gravemente doente. Temos visto diversas demonstrações de estupidez extrema da torcida em relação aos profissionais nos últimos anos – desde a agressão a Vágner Love em 2009, o cerco a João Vítor em 2011, passando pela “xicarada” que feriu a orelha de Fernando Prass em Buenos Aires, até os recentes episódios de apedrejamento do ônibus da delegação em dia de jogo da Libertadores e de ameaça de morte a Felipão.

Bruno Henrique teve que ouvir bobagens de um torcedor ávido por “representar a torcida” – pelo menos na cabeça dele. O incauto levou uma invertida da esposa do atleta, que foi filmada e viralizou. Pois outros torcedores inacreditavelmente cercaram e intimidaram a moça, dias depois, na Arena da Baixada, indignados com sua reação.

O desejo intenso, nocivo e irracional pela vitória é motivado, aparentemente, por alguns fatores – um deles é o que está sendo chamado de “zueirofobia”. As pessoas se apegam a seus times como bandeira para “zuar”, futebol está perdendo a essência e virando o determinante para quem vai “zuar” e quem vai “ser zuado”. E ai do time se perder e fizer com que o doente “seja zuado”.

Existe também a política do clube, claro, que desde 1914 tumultua o ambiente e é nosso pior inimigo, sempre que praticada com “p” minúsculo.

Mas no caso específico deste episódio do Pacaembu, só muita frustração pessoal para fazer com que o torcedor se revolte a ponto de xingar ferozmente atletas da base. Os doentes veem a vitória do time como vitória deles próprios – talvez a única vitória possível em suas vidas miseráveis. Mesmo que sejam apenas meninos.

No limite, não parece tão absurdo imaginar que o comportamento desses lunáticos seja inconscientemente calculado, para estragar mesmo a carreira desses jovens que, caso se tornem atletas profissionais, certamente serão muito mais bem-sucedidos financeiramente que o frustrado e invejoso cidadão que está vociferando enlouquecido no alambrado.

É tudo culpa da emoção

Esse ciclo é renovado por comunicadores – profissionais e amadores – que estimulam o culto à “zoeira” ou ao ódio diante das derrotas. Hipocritamente, usam a emoção inerente ao futebol como justificativa para atitudes hediondas.

O futebol está mudando, em várias frentes. Mas o comportamento doentio da torcida, que sempre foi a razão da existência de todo o espetáculo, está direcionando o pacote para um destino cada vez mais sombrio. Está difícil se divertir no futebol, mesmo torcendo por um dos times dominantes.

Nossa equipe Sub-20 tem uma geração sensacional. Magrão, Esteves, Patrick de Paula, Gabriel Menino, Alan e Angulo têm condições de, no mínimo, serem testados no time de cima no ano que vem. A torcida clama por chances à base – mas não hesitam em detoná-los no primeiro tropeço, mesmo às vésperas de decidir o Brasileirão da categoria, e justo diante do Flamengo.

Precisamos de atitudes firmes das entidades que regulam o esporte e a sociedade. O incremento no nível da educação fundamental e da educação de torcedores parece ser o único caminho, de longo prazo, para que comunicadores e torcedores nos ajudem a desviar desse abismo para onde nos encaminhamos. O problema maior é que mudanças de longo prazo não reelegem ninguém.


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A incrível história de Kaduzera Show

Kaduzera Show é um cara legal. Bem nascido, sua família tem um patrimônio que lhe permite ter a melhor educação, um carro top e um Iphone topzera.

Nascido Carlos Eduardo, logo virou Kadu, com K mesmo. Cresceu, e do alto de seus 20 anos acrescentou o essencial sufixo “zera” em seu próprio nome do Whatsapp. Ele é o Kaduzera.

– E aíííí, como vai essa kaduzera?

Mas o apelido logo ficou pequeno. Um nome que se preza precisa de um sobrenome. Com a auto-estima sempre em alta – pelo menos aparentemente – anexou um singelo “Show” à sua alcunha whatsappiana. Assim surgiu “Kaduzera Show”.

Tudo dá certo para Kaduzera Show. Em sua facu top, está sempre cercado pela galera top. E fatura umas minas muito top entre uma viagem ou outra. Sempre para lugares top, claro. Topzera!

Ele não joga bola, não leva jeito. Ou talvez nunca tenha tentado. Mas no videogame, detona. Conhece todos os truques e combinações de botões possíveis.

– Como você acha que ele faz isso?
– Não sei!
– O que faz ele ser tão bom???

Na vida real, seu time é uma beleza. Vem ganhando vários campeonatos importantes e está sempre disputando títulos. A política do clube está meio bagunçada e disseram pra ele que é assim mesmo há mais de cem anos. Mas ele não se importa muito com essas coisas.

Top mesmo é ir ao estádio. Descobriu essa paixão há alguns anos, depois da reforma. Já tinha ido antes, mas não gostou muito do velho estádio. Agora, tudo mudou.

Aprendeu que se ficar atrás do gol, pode ser focalizado pelas câmeras da TV, principalmente na hora dos gols. Muito top!

Muitas vezes Kaduzera Show prefere comprar o ingresso mais caro, só pra ficar atrás do banco de reservas do seu time. Exigente, quer o time jogando como em seu videogame. Se não joga, xinga. Xinga muito! Xinga o técnico, os jogadores, até o médico. E mostra para eles, aos berros, como o time deveria estar jogando, lembrando de suas incríveis peripécias com o joystick na mão.

Kaduzera Show se sente muito bem nesses momentos, mas ele não entende muito bem por quê.

Ontem, seu time teve muitas dificuldades no campo. Jogando contra o lanterna do campeonato, a bola não entrava. O adversário, a exemplo do jogo anterior no mesmo estádio, veio com um esquema ultradefensivo que não usou contra ninguém em todo o campeonato. Mas para ele, isso não interessa: se todos ganham desse timeco, o dele tem obrigação de ganhar.

No jogo anterior, não ganhou. Kaduzera Show ficou muito bravo. No grupo de whats, arrepiou. Mostrou toda sua indignação, xingando muito. Mas ontem, foi diferente. Depois de uma pressão insaaaaana, o gol saiu aos 54 minutos do segundo tempo, no último lance. Kaduzera Show foi ao delírio. Afinal, seu time venceu. Logo, ele venceu!

Mas a euforia passou rápido. Enquanto dirigia de volta para casa, já digitava em seu Iphone os maiores impropérios contra o time, que sofreu demais para ganhar do lanterninha. Inadmissível, era jogo para ganhar, no mínimo, de 4 a 0!

***

Enquanto isso, ainda nos arredores do estádio, alguns grupos ainda comemoravam a vitória épica, bebendo cerveja nos botequinhos do entorno. Já passava de meia-noite e os lances mágicos daquela pressão final ainda eram lembrados pelos beberrões, com direito a vários exageros, gritos exultantes e risos. Nem queriam saber do campeonato, da tabela, de nada. Só importava saborear o momento.

A TV começou a passar os lances da partida, todos se aproximaram. Cantaram e vibraram, como se o jogo estivesse acontecendo de novo. O trabalho no dia seguinte ia ter que esperar um pouco, porque a noite ia ser um pouco mais longa.

Na sequência, o noticiário cortou para um acidente de trânsito, feio, no cruzamento da Henrique Schaumann com a Rebouças. Um carro cruzou o farol vermelho e acabou debaixo de um ônibus. O motorista estava distraído, no celular. Uma tragédia.

Vieram os comerciais e os amigos, no bar, voltaram a beber e rir, lembrando da partida.

*esta é uma história de ficção. Qualquer semelhança com nomes ou fatos terá sido mera coincidência.


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“O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Sampaio Corrêa 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras venceu o Sampaio Corrêa ontem à noite em São Luís, jogando com um time bem diferente daquele que vinha encantando nossa torcida. Apenas Felipe Melo saiu jogando no Castelão, e o time ficou muito abaixo do que os principais jogadores vinham apresentando.

A fraca atuação, apesar da vitória – achada no último lance num frango do goleiro – despertou a incontrolável vontade de cornetar de vários palmeirenses, forçadamente adormecida com as atuações quase perfeitas pelo Brasileirão. Às vezes parece até que gostaram da atuação fraca, para liberar essa energia corneteira represada. “O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Assim como a sanha corneteira de parte da torcida não é novidade, tampouco é surpresa a sede de sangue de parte da imprensa. Mas mesmo não sendo inéditas, impressiona a força que mostram ao ressurgir.

Alguns jogadores foram para a cruz, como é de praxe. E alguns mitos passaram a ser exaustivamente repetidos, correndo o risco de virarem verdades.

Querem dizer que nosso elenco ‘não é tão bom assim’?

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Muitas vezes a pressa em falar algo é o que causa certos exageros. A impressão, inegavelmente ruim, deixada pelo time que entrou em campo ontem precipitou algumas opiniões – e pior, algumas conclusões, rapidamente despejadas pela rede.

A mais grosseira delas é a de que o elenco do Palmeiras “não é tão bom assim”. Afinal, se o time fosse bom, não penaria para ganhar de um fraco time de Série C, como o Sampaio Corrêa, dizem. Como podem ser tão rasos?

O Palmeiras hoje tem o time mais forte do país, à custa de muito treinamento e entrosamento. O desentrosado onze que jogou ontem, a rigor, não pode nem ser considerado o time B, já que jogadores como Carlos Eduardo, Felipe Pires, Lucas Lima e Arthur Cabral sequer vinham entrando durante os jogos.

Felipe Melo e Moisés não é exatamente uma dupla veloz e com mobilidade – talvez isso explique um pouco os incomuns ataques do time do Sampaio. Mas com Thiago Santos alinhando ao lado de Moisés, esse problema se dissipa. E isso não quer dizer que Moisés é um jabuti que se arrasta pela meia cancha – outro mito que tentam fazer virar verdade. Basta rever o lance do quarto gol sobre o Santos para verificar a capacidade física de nosso camisa 10, que pode até não estar jogando o mesmo que em 2016, mas está longe de ser um inválido, como querem fazer crer.

Questiona-se a qualidade de Edu Dracena e Antônio Carlos – que formariam a dupla de zaga titular, facilmente, de pelo menos 15 times da Série A. O problema desta dupla é que o parâmetro atual é Luan e Gómez, praticamente intransponíveis. Não é fácil encontrar outra dupla deste quilate. Dracena e Antônio Carlos formam uma dupla forte; bem protegida, cumpre muito bem seu papel em jogos de menor apelo.

Os laterais estão longe de ser uma preocupação. Victor Luis e Mayke, que hoje estão abaixo de Diogo Barbosa e Marcos Rocha, já estiveram acima, depois de estarem abaixo. Essa ciranda entre eles vem sempre sendo nivelada por cima. Quem ainda tem dúvidas, basta fazer um exercício de comparação com qualquer dupla de laterais titulares de outros times.

E Fernando Prass, apesar da noite infeliz no Castelão, não deixou de ser um dos principais goleiros do país. E se precisar, ainda temos apenas o Jailson!

Fernando Prass (Jailson); Mayke, Edu Dracena, Antônio Carlos e Victor Luis; Thiago Santos e Moisés: esta base é suficiente para que uma linha ofensiva bem entrosada faça um bom papel nas partidas que for exigida. Entre Veiga, Goulart, Zé Raphael, Gustavo Scarpa, Willian e Hyoran, separe dois para jogarem com Dudu no time principal e ainda haverá três para o time alternativo. Entrose-os. Encaixe um centroavante. Não é forte?

A grama do vizinho

Felipe Pires e Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A boa fase de Erik no Botafogo traz à tona aquele ditado da grama do vizinho. Até os jogos regulares de Artur no Bahia estão arrancando suspiros. Isso porque Felipe Pires e Carlos Eduardo não correspondem.

Hoje fica fácil de cravar que as escolhas foram erradas. Mas poucos se lembram que tanto Artur quanto Erik tiveram chance de passar boa impressão a Felipão em janeiro, na pré-temporada, e por alguma razão não conseguiram.

Fica mais fácil ainda bancar o engenheiro de obra pronta sabendo que nenhum dos dois poderá vestir nossa camisa este ano. Assim, não poderão decepcionar de novo, como o fizeram em todas as chances que já tiveram.

O ponto é que tanto Artur quanto Erik até poderiam estar rendendo bastante neste atual elenco, servindo como opções para os jogos alternativos. Mas não deveriam suscitar críticas tão amargas, sobretudo pelo momento que o time vive. Talvez o volume de dinheiro empregado em Carlos Eduardo, desde o anúncio da transação nitidamente desproporcional, influencie nessa insatisfação. Mas mesmo assim é um exagero. Já foi.

Lucas Lima e Borja, desmotivados

Já Lucas Lima realmente preocupa. Existem algumas razões táticas para seu baixo rendimento. Suas fases excelentes no Sport e principalmente no Santos nos levaram a criar altas expectativas. E ele até teve fases interessantes no Palmeiras, sobretudo sob o comando de Roger Machado. Mas seu estilo não casa com o esquema de Felipão.

Assim como Lucas Lima, Borja parece estar atravessando uma fase de extrema desmotivação. E isso é normal num elenco com tanta qualidade: quem acaba preterido e sabe do potencial que tem já começa a se imaginar em outro clube, onde teria mais destaque. E esses dois, pela qualidade que possuem, certamente terão.

Talvez seja a deixa para Mattos começar a pensar em soluções para encaixá-los no mercado da melhor forma possível.

A lacuna que Borja deixaria no elenco precisa ser preenchida com um atleta de qualidade inquestionável. Já a de Lucas Lima comporta até um bom valor da base – Alan, por exemplo. Seria bom para Lucas Lima, para o menino da base e para a saúde financeira do clube, que verificaria uma substancial redução na folha de pagamento.

Estamos nos aproximando da janela de meio do ano e ajustes podem ser feitos. É para isso que essas janelas existem. E é para isso que mantemos o melhor profissional da área comandando nosso departamento de futebol.


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Apoiar na boa é fácil. E quando o time oscilar de novo?

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Após 26 jogos, o Palmeiras atravessa, inegavelmente, a melhor fase técnica desde o início do ano. A sequência invicta atual, coroada com a quebra de um recorde histórico da Academia de 72-73, ostenta 8 jogos, com seis vitórias e dois empates, 16 gols marcados e apenas um sofrido.

E essa contagem poderia ser bem maior. A última derrota foi na Argentina, contra o fraco San Lorenzo, num jogo atípico em que foi usada uma escalação alternativa, já que o foco da equipe estava desajustado tendo em vista a semifinal do estadual. Já poderiam ser 21 jogos sem ser batido.

Desde que Felipão reassumiu o comando da equipe, foram apenas cinco derrotas. As sequências invictas anteriores foram de 8, 3, 9, 13 e 12 jogos. Na média, uma derrota após 9 jogos.

Os números altamente positivos da sequência atual traduzem o equilíbrio impressionante alcançado entre ataque e defesa. O Palmeiras tem os melhores índices de gols marcados e sofridos no Brasileirão e na Libertadores. Não é coincidência. Resta saber se a torcida terá o mesmo equilíbrio quando o time entrar em novos períodos de oscilação.

Ápice no Mineirão?

Atlético-MG 0x2 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O jogo de ontem diante do Atlético-MG foi mais impressionante ainda pela tranquilidade com que o resultado foi conquistado. O adversário liderava a tabela com 100% de aproveitamento, vinha embalado e completo, tendo poupado o elenco no meio da semana visando exatamente o confronto contra o Palmeiras. Foi jogo grande.

O volume de jogo apresentado pelo Verdão, que dominou a partida do início ao fim, não permitindo ao adversário ameaçar o gol de Weverton e ainda proporcionando uma chuva de finalizações contra Victor em jogadas construídas das mais variadas formas, evidenciam o grau de evolução alcançado por esse grupo.

É importante salientar que o Palmeiras tomou a liderança do campeonato do Atlético, na casa do adversário, sem poder contar com Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian, três dos principais jogadores do elenco. Borja nem viajou por opção do treinador.

Felipão, em coletiva, atribuiu o ótimo desempenho da equipe ao elevado grau de consciência tática dos atletas, que sabem exatamente para onde correr e o que fazer com e sem a bola, em cada situação. Foi uma partida quase perfeita. Este é o limite deste time ou ainda é possível crescer mais?

Apanhamos para chegar neste ponto

Felipe Pires
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As oscilações verificadas no início da temporada refletem a trajetória desta evolução. Nas primeiras semanas tivemos experiências com ponteiros, usando Felipe Pires e Carlos Eduardo insistentemente, relegando Raphael Veiga e Zé Rafael a meros hóspedes da Academia de Futebol, já que muitas vezes não eram nem relacionados para o banco.

Posteriormente, com a recuperação de Ricardo Goulart, vimos um time bastante eficiente enquanto um esquema que abria mão dos ponteiros ainda era novidade. Mas no momento em que o uso de Goulart quase que como um segundo atacante foi manjado, o time voltou a ter problemas e oscilou, resultando na eliminação do estadual.

A nova lesão de Goulart, somada ao recente desfalque de Gustavo Scarpa, obrigou Felipão a rodar o elenco e rearranjar o esquema mais uma vez. Zé Rafael e Veiga ganharam espaço; Bruno Henrique voltou a ocupar o campo ofensivo. Os laterais e os volantes conseguiram uma sintonia excelente, a recomposição defensiva se manteve impecável e o time deu um encaixe melhor ainda, mesmo sem acertar totalmente o centroavante.

Diante dessa curva de crescimento e do variado leque de opções à disposição, é quase impossível não projetar o Palmeiras, neste momento, como protagonista do Brasileirão, sendo mais uma vez o time a ser batido. E é essa empolgação que nossa torcida precisa tentar conter.

Na boa e na ruim

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A ilusão de início de campeonato nos conduz à euforia, ainda mais ao verificar que nossos potenciais adversários já patinaram e que, se continuarem desperdiçando pontos, terão dificuldades em acompanhar nosso ritmo.

Jamais podemos, no entanto, nos esquecer que o campeonato é bastante longo e que fotografias de momento, ou recortes de 4 ou 5 rodadas, pouco significam num universo de 38. As oscilações voltarão a acontecer e existe sempre o risco de nosso esquema ficar manjado, mais uma vez.

A vantagem de Felipão é que ele usou cada semana desta temporada para desenvolver sistemas diferentes, que seguem na “memória tática” da equipe. Cada um desses sistemas pode ser reativado a qualquer momento, dependendo do jogo, o que torna o Palmeiras um time cada vez mais imprevisível e difícil de ser neutralizado.

A conclusão disso tudo é que o Palmeiras segue como principal favorito ao título, mas jamais podemos entrar no espírito suicida do já-ganhou – até porque, é essa empolgação que rapidamente se converte em pressão negativa na primeira oscilação – e elas vão acontecer, sobretudo quando Felipão decidir poupar os principais jogadores nos jogos que antecedem partidas decisivas pelos mata-matas.

Nossa torcida tem que buscar o mesmo equilíbrio alcançado pelo time: sem euforia, mantendo a confiança e o apoio em alta – na boa e na ruim; mostrando maturidade para estimular o elenco quando os resultados negativos aparecerem, sobretudo em eventuais e doloridas eliminações nas copas, competições que não dão margem para erros e nas quais uma partida desencaixada ou mesmo um lance infeliz podem colocar tudo a perder.

Em vez de arroubos de cólera, evocando argumentos torpes como o salário dos jogadores, o apoio será essencial para que o time consiga sair de uma eventual sequência negativa. Os jogadores e a comissão técnica, até o momento, vêm fazendo um trabalho muito bom. Resta saber se a torcida, quando for exigida, vai fazer seu papel no mesmo nível.


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Rescaldo da eliminação: o que pode (e precisa) melhorar, dentro e fora do campo

Palmeiras (4) 0x0 (5) SPFC
Fernando Dantas/Gazeta Press

A derrota nos pênaltis ontem para o SPFC na semifinal do campeonato paulista fez eclodir uma revolta que estava represada na torcida, que só não tinha vindo à tona antes devido aos placares, até então positivos. Os números vinham sendo muito bons

Como sempre, a caça às bruxas começou, a fogueira já está ardendo e o futebol segue sendo a válvula de escape para as frustrações diárias de boa parte da população – não é privilégio da nossa torcida ter esse tipo de comportamento nas derrotas.

Talvez seja por isso que a tendência de ignorar que as razões do fracasso passam por vários fatores prevalece. A raiva cega; a capacidade de tentar enxergar o retrato de forma ampla, abrindo o panorama, praticamente desaparece.

Como na maioria das vezes, uma eliminação não tem apenas uma razão. Poderíamos ter jogado bem melhor e não ter dependido de um lance aos 32 do segundo tempo anulado pelo VAR. Mas também poderíamos ter batido melhor os pênaltis. E também poderíamos ter sido mais eficientes nos bastidores para evitar o roubo institucionalizado.

Antes de falar de bola…

Respeito

O Palmeiras entrou em guerra contra a FPF há exatamente um ano, no dia 8 de abril de 2018. O roubo que aconteceu no Allianz Parque é histórico e a situação foi conduzida com o fígado por nossa diretoria. É difícil, na condição de torcedor, criticar esse posicionamento. Partir para o choque frontal vem ao encontro de nossos desejos – afinal, nossos fígados também trabalharam bastante naquela semana.

Mas o Palmeiras precisa decidir o que quer em relação ao campeonato paulista. Se quer ganhar, vai ser quase impossível se mantiver a guerra aberta. Todas as instituições – departamento técnico, imprensa, arbitragens e tribunais trabalharão contra o Palmeiras de forma determinada. Para vencer “contra tudo e contra todos”, precisa jogar muita, muita bola.

E normalmente isso não é possível em abril. Se tivesse passado ontem, muito provavelmente seria vice-campeão. O Palmeiras de 2019 ainda não está pronto para dobrar os adversários com a facilidade que a diferença de elencos sugere. Para poder disputar o estadual com chances de vencer, uma postura menos ácida e mais política precisa ser tomada.

Andar nesse fio é uma tarefa bastante complicada. O clube, diante de todas essas dificuldades, precisa de alguém com tarimba e trânsito para defender seus interesses – algo como um diretor remunerado de relações institucionais; um profissional com experiência em amarrar pontas e conduzir situações com frieza para chegar aos resultados. Ou se caminha nessa direção, ou deixa-se bem claro que não disputaremos o paulista para vencer, escalando times alternativos, recheados de moleques da base.

Temos que falar de arbitragem, sim

Flávio Rodrigues de Souza
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante da guerra aberta, os jogadores já entram mais pilhados que o normal, sabendo que seremos roubados. E fomos. A arbitragem de Flávio Rodrigues de Souza, ontem, vai lhe render troféus e medalhas. Não cometeu erros grosseiros, foi ajudado pelo VAR, teve a sorte do pé de Deyverson estar posicionado centímetros à frente de Reinaldo e com isso saiu com a avaliação muito positiva.

Mas arbitragem não se mede apenas nos lances capitais. Flávio de Souza roubou à moda antiga. Diante do jogo mais fluido do Palmeiras, amarrou a partida com as chamadas faltinhas. Truncou, inverteu, quebrou o ritmo. Erros que se diluem diante das duas midiáticas intervenções do árbitro de vídeo, que anularam gols – um para cada lado, aumentando a sensação de justiça. Mesmo jogando abaixo do que pode, se mantivesse o ritmo da partida, o Palmeiras mostrava que poderia chegar à marcação de gols.

Tenham calma, ainda falaremos sobre bola. Mas as coisas podem andar em paralelo. O fato de termos involuído dentro de campo não impede de pontuarmos mais um assalto, ainda mais considerando que as semifinais são jogos de 180 minutos e que a anulação do pênalti no Morumbi, esse sim, foi um lance grande e decisivo manipulado contra nós.

Mas vocês querem que o texto fale de bola para poderem pregar alguém na cruz. OK. Sigamos.

Dentro de campo, andamos para trás.

Felipe Melo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O sistema defensivo parecia bastante sólido – e, de fato, os números apontam para isso. Mas nas últimas partidas temos visto nossos zagueiros muito mais expostos que antes. A recomposição defensiva está falha; Felipe Melo está marcando muito mal, à distância, se movimentando pouco e preenchendo mal os espaços. Com isso, Bruno Henrique fica sobrecarregado.

Os laterais sobem ao ataque mas não têm apoio; com isso, dependem de jogadas individuais ou de tabelas fortuitas para poderem chegar ao fundo em condições de fazerem um cruzamento.

Na frente, temos três jogadores de qualidade indiscutível, que começaram a dar sinais de entendimento (importante lembrar que Dudu, Scarpa e Goulart só começaram a jogar juntos no dia 10 de março), mas nos últimos três jogos parecem já não estar mais falando a mesma língua; o entrosamento regrediu. As jogadas até começam, mas falta uma preparação mais adequada para a finalização. Isso passa também pela sintonia com o centroavante.

Nem Deyverson, nem Borja, conseguiram satisfazer a essa dinâmica. Temos no elenco um rapaz de 22 anos, cuja contratação, inclusive, precipitou o empréstimo de Papagaio, menino da base que poderia ser acionado conforme mostrasse amadurecimento. Por tudo isso, a entrada de Arthur Cabral no time parece ser a primeira atitude que precisa ser tomada pela comissão técnica para tentar corrigir o time.

Thiago Santos, com muito mais mobilidade e precisão nos desarmes, é outro que precisa ser mais acionado. Eventualmente, sua presença pode até liberar Bruno Henrique para voltar a ser o jogador “box-to-box” do ano passado, decisivo e marcador de gols.

Obviamente, para que tudo isso aconteça, o sistema geral de jogo precisa passar por uma revisão. Os laterais não podem subir sem uma cobertura bem ensaiada. As linhas precisam ficar mais próximas, mais compactas, diferente do time cada vez mais espalhado que vemos ultimamente.

O Scolarismo está falhando em sua base

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O grande problema é que Felipão não é muito adepto desse modelo de jogo mais apoiado, com linhas compactas. O Scolarismo é um sistema que joga com probabilidades; mais vertical, funciona muito bem quando a defesa está forte. Ocorre que a defesa anda mais exposta que o normal nos últimos jogos, quebrando a base do sistema.

Sem o apoio do segundo volante; o ataque depende das subidas aleatórias dos laterais para apoiar a troca de passes pelos flancos. Tem funcionado pouco. Para completar, os centroavantes vivem fases técnicas ruins e não ajudam na construção das jogadas. Por isso, as chances de tomarmos gols aumentou, e as de fazer pelo menos um por jogo, despencaram. Hoje, as probabilidades estão contra o Palmeiras, o que reflete nos últimos placares.

Para completar, cruzamos com o SPFC, um time abaixo da linha do medíocre, tentando se recuperar de uma crise técnica profunda, no pior momento possível. Uma enorme falta de sorte do calendário fez com que uma vaga fosse decidida nos pênaltis ao colocar frente a frente um time no ponto mais baixo de sua oscilação contra um que até então não tinha atravessado um momento tão bom na temporada.

Calma; tranquilidade

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Quarta-feira temos um jogo-chave na Libertadores e a vitória é mandatória. Não há tempo para implementar mudanças profundas no sistema de jogo; vamos de scolarismo puro e torcer para que as probabilidades voltem a nos sorrir.

O que pode aumentá-las é fazer as duas trocas sugeridas, introduzindo Thiago Santos e Arthur Cabral no time, simplesmente para que seus desempenhos técnicos suplantem os de Felipe Melo e Deyverson, até que eles voltem a viver momentos mais felizes.

Nosso papel, neste momento, parece ser o de cobrar por mudanças – mas sem perder a essência de torcedor. Essa essência, ao contrário do que se pensa, não é a de cornetar, e sim a de apoiar. A corneta é um aspecto eventual, válido e até necessário. Mas a função primordial do torcedor é, sempre, apoiar, empurrar o time para frente, não ser âncoras.

Segunda-feira de derrota para inimigo, em casa, com eliminação, é duro. É impossível não se deixar levar pela raiva em alguns momentos. Mas nossos cérebros continuam aqui em cima. Com calma e tranquilidade chegaremos mais rápido às correções necessárias.

Esta conversa vai continuar no Periscazzo desta noite: às 20h, ao vivo, em nosso canal do Youtube: www.youtube.com/verdazzo1914. Inscreva-se!


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