Palmeiras precisa desativar o “modo Lacraia” em Deyverson

Deyverson
Reprodução

Deyverson foi um dos maiores personagens do clássico de ontem contra o SCCP. Com a bola, marcou o único gol da partida, criou chances, sofreu um pênalti não assinalado pela arbitragem e disputou todas as bolas como se fosse a última da carreira, incendiando a torcida.

O camisa 16 também agitou o estádio ao ser substituído, recebendo uma ovação que poucos conseguiram até hoje na História do Allianz Parque – e já do lado de fora, provocou Roger com uma prosaica piscadinha, o que causou um princípio de confusão à beira do gramado e fez o relógio andar um pouquinho mais.

Se fosse “só” isso, tudo certo. Mas Deyverson faz tudo isso oscilando emocionalmente de forma perigosa. Seu comportamento em campo destoa. Sua forma teatral de agitar os braços; seus mergulhos acrobáticos e as vezes em que se dirige à torcida para pedir apoio são exageradas e atraem antipatia dos adversários e das arbitragens. É o “modo Lacraia”.

Mesmo sendo uma peça importante nos últimos jogos – deu o passe que abriu caminho para a vitória sobre o Atlético-PR e marcou o gol solitário do Derby – Deyverson segue sendo uma figura questionável exatamente por esse tipo de comportamento instável.

Paga pelo que faz e pelo que não faz

Deyverson
Reuters

No Derby, Deyverson foi calçado dentro da área por Henrique, mas a forma com que mergulhou no gramado ajudou a já natural má-vontade dos árbitros em não marcar pênaltis contra o SCCP. Amarelado, procurando confusões desnecessariamente – incluindo um choque forçado com Cássio – obrigou Felipão a tirá-lo de campo, pois era nítido que seria expulso a qualquer momento.

Sua entrada em campo na partida contra o Cerro Porteño foi apoteótica. Pilhado muito acima do normal, provocou, sofreu faltas, deu piruetas, tomou encontrões e acabou expulso sem agredir ninguém – mas o árbitro considerou seu comportamento inadequado. O presidente do Cerro Porteño, Juan Zapag, chegou a afirmar em entrevista que el rúbio parecia um personagem de circo em meio a adjetivos como “drogado” e “possuído” – um claro exagero, mas que traduz o quanto o comportamento amalucado de Deyverson chama a atenção de forma negativa.

Contra o Bahia, Deyverson subiu numa disputa de bola com os braços abertos e acabou atingindo o lateral Mena. Anderson Daronco aplicou-lhe o amarelo, mas Leandro Vuaden, que comandava o sistema do VAR, recomendou a expulsão – totalmente injusta, já que o movimento foi claramente para equilibrar o corpo, tanto que os dois braços fazem o mesmo gesto. Mas como é o Deyverson (e joga no Palmeiras), o cartão vermelho foi aplicado – e a punição no STJD veio com bônus: dois jogos de gancho.

Com essa sequência que mistura comportamentos inadequados, falta de controle emocional e um jeitão estabanado, mesmo sendo importante quando está apenas jogando bola, Deyverson conseguiu uma proeza: está suspenso dos próximos três jogos do Palmeiras, por três competições diferentes. Borja sente uma lesão na panturrilha e Felipão pode precisar recorrer a Willian Bigode ou mesmo a Papagaio em partidas importantes da temporada.

Correção urgente

Deyverson e Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Deyverson vinha sendo o jogador que a torcida havia selecionado para ser pregado na cruz – nossas arquibancadas sustentam esse costume há décadas, sempre existe um que é o escolhido – mas conseguiu, com Felipão, dar a volta por cima. De perseguido passou a ser até uma espécie de xodó, para alguns. Mas ainda é possível notar na torcida quem não o veja com bons olhos. Há muitos palmeirenses que, com alguma razão, torcem o nariz para seu jeito canastrão dentro de campo – e as suspensões consecutivas reforçam esse argumento. Como se não bastasse, Deyverson não é exatamente alguém que tem uma relação íntima com a bola, o que aumenta a rejeição.

Essa divisão na torcida pode pender para qualquer um dos lados. Se a boa fase dentro de campo cessar, Deyverson voltará a ser uma unanimidade negativa. Mas se ele for corrigido, passando a dosar seus impulsos e seus trejeitos abilolados, focando em jogar bola e continuar sendo útil ao time, até aquele mesmo xarope que fica no Gol Sul sempre no mesmo ponto, posicionado para aparecer para a câmera do guindaste e criticando o camisa 16 mesmo quando ele acabou de fazer um gol (como fez ontem) pode passar a aplaudi-lo. Até ele.

Felipão mencionou de forma misteriosa na coletiva pós-jogo que existem algumas correções que precisam ser feitas fora de campo. Houve quem dissesse que é a influência excessiva da patrocinadora; outros disseram que só podia ser o “modo Lacraia” que se apossa de Deyverson nas partidas. Como nosso general deixou as tais correções no ar, que sejam as duas coisas; que todos os ajustes sejam feitos e que nosso camisa 16 seja controlado para que possa usar toda sua energia apenas em favor do Verdão, e não contra.


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As vaias no Allianz Parque e o beicinho de Deyverson

Palmeiras 5x1 Sport
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O primeiro tempo do Palmeiras contra o Sport foi muito ruim. Sem alma, o time de Alberto Valentim fez o que de pior se pode fazer para irritar nossa torcida: viraram onze Wesleys – ironicamente, o original, que dá nome à escala de vaias do Allianz Parque, estava do lado de fora do campo, com a camisa do adversário.

Onze, não: dez, já que Fernando Prass fez pelo menos meia dúzia de defesas sensacionais, mantendo o 0 a 0 no placar até o fim do primeiro tempo.

Na saída para o vestiário, o time ouviu uma sonora vaia – grau 6,5 na escala Wesley. Esperava-se que o Palmeiras voltasse diferente para o segundo tempo. Mas quem mudou a atitude, estranhamente, foi o Sport. Em vez de manter o que estava dando certo, o time, sentindo a pressão da péssima posição na tabela, se desesperou e abriu toda sua defesa para tentar forçar a marcação do primeiro gol. O Palmeiras, sem qualquer brilho, começou naturalmente a construir chances de marcar.

Mas o 0 a 0 no placar permanecia e a irritação da torcida só aumentava. Aos seis minutos, Deyverson foi lançado em boas condições para sair na cara de Magrão, mas ao disparar para receber a bola lá na frente, fez a rota errada e a bola bateu em suas costas. Vaia de grau 7.

Dois minutos depois, ele foi lançado pelo meio, dominou, colocou na frente, cara a cara com Magrão, e tocou no cantinho esquerdo, tirando do goleiro. Se ele tocasse um pouquinho mais para o meio, Magrão defenderia. A bola saiu a um fio de cabelo da trave. O estádio meteu uma vaia de grau 9 sobre o atacante, que havia marcado dois gols na partida anterior – o que não fez a menor diferença naquele momento. Talvez ele pudesse ter batido no canto direito, mas ele é apenas o Deyverson, não o Gabriel Jesus.

A meu lado, um jornalista palmeirense, sem o replay para conferir a jogada, cuspiu marimbondos. Com a chance de poder conferir pelo notebook a repetição da jogada, tentei argumentar dizendo que ele fez certinho, que a bola saiu por muito pouco, mas não adiantou. “Pra que serve essa perna esquerda dele?”, perguntava indignado.

Deyverson
Fernando Dantas/Gazeta Press

Dois minutos depois, Deyverson recebeu um passe preciso de Dudu e escorou, de pé esquerdo, para as redes de Magrão, no mesmo cantinho que havia falhado na jogada anterior. Olhei para o lado e perguntei sorrindo para o colega, já sabendo a resposta: “foi de pé esquerdo, né?”

Na comemoração, Deyverson acusou a pressão. Fez bico, chorou. Talvez tenha ficado magoado com a ingratidão da torcida, já que havia sido o carrasco do Flamengo cinco dias antes. Talvez tenha se assustado com o tamanho da vaia que recebeu, já que seu erro não foi para tanto. Ele sentiu na pele o que é ser centroavante do Palmeiras, algo que já havia demonstrado na coletiva de apresentação, quando também aflorou seus sentimentos só de vestir a camisa numa sala de imprensa.

Deyverson
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Depois de tirar o peso das costas, ele ainda fez o terceiro gol – de perna esquerda mais uma vez, para minha extrema diversão – e já se soltou um pouco mais na comemoração, pulando unha-na-mula em Keno, batendo o cumprimento que inventou com Michel Bastos e fazendo coraçãozinho. E só não fez o quarto porque Dudu foi fominha.

Certamente ele foi abordado no vestiário pelos mais experientes. Na zona mista, falou como quem tinha acabado de sair de uma sessão de media training: não estava chateado com a torcida, jamais retrucaria a arquibancada, apenas estava chateado consigo mesmo por ter perdido o gol. Nem a vó dele acreditou, mas foi a coisa certa a dizer.

Nossa torcida é assim mesmo. Quando o time joga como um bando de lesmas, como foi no primeiro tempo na noite de ontem, a ira toma conta – e sabemos como isso cresce a cada toque errado na bola. Começa com aquele 1% de descontrolados que adoram dar urros enfurecidos em direção ao gramado, mesmo sabendo que não serão ouvidos, mas que contagiam quem está ao redor. Quatro ou cinco erros depois, já são 10%, que aos berros, fazem um barulho considerável. Uma onda irracional, fora de controle, que os jogadores precisam saber como processar para transformar em combustível para sair do estado de leseira.

Deyverson
Fernando Dantas/Gazeta Press

Deyverson parece ser um bom menino e pode ser um reserva útil para nosso ataque por uns bons anos. Jogador não é máquina; tem sentimentos e não é pecado demonstrá-los – desde que isso não afete o rendimento em campo. Não se abater com vaias no Allianz Parque é básico para quem quer vencer com esta camisa – e elas vão acontecer. Não se virar contra a torcida é mais básico ainda – e ele passou muito perto de fazer isso após fazer o primeiro gol. Teve mais sorte que juízo, mas depois foi bem orientado no vestiário. Caso realmente queira ter uma carreira longa no Palmeiras, é bom que tenha aprendido a lição.

Com reforços, Palmeiras renova a esperança de seu torcedor

Torcedor de verdade não vive de título, vive de esperança. E o Palmeiras, às portas de duas grandes decisões no ano, tem motivos para renovar as esperanças, sobretudo na Libertadores.

O estúpido regulamento da Copa do Brasil limitou as inscrições ao mês de abril, impedindo que os clubes usem jogadores contratados na janela do meio do ano, que como todos sabem, é intensa.

Deyverson
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Vetar a inscrição de um jogador que já disputou a competição por outro clube faz sentido, mas não é o caso de jogadores que vêm de fora – por exemplo, Everton Ribeiro no Flamengo. No Palmeiras, jogadores como Bruno Henrique e o avante Deyverson, dariam um brilho maior à competição. É muita burrice da CBF.

O atacante recém-contratado que estava no Alavés e foi sensação na Espanha é um dos pilares da renovação da esperança do palmeirense. Deyverson, que se sente bem à vontade saindo da área como quer Cuca, deve assumir o comando do ataque do Verdão, fazendo o papel que no ano passado cabia a Gabriel Jesus.

Isso não necessariamente significa que Borja micou – é perfeitamente possível aproveitar o colombiano da mesma forma que Barrios era aproveitado no ano passado: quando eventualmente Gabriel Jesus era deslocado para o lado esquerdo. Em jogos que exigiam uma presença mais fixa na área, Cuca sacava Cleiton Xavier e deslocava Dudu para jogar por dentro.

Moisés
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A dinâmica do meio-campo também deve ganhar uma novidade que enche o torcedor de esperanças: liberado pelo DM, Moisés está na fase final de recuperação física e tem chances de jogar contra o Barcelona – embora uma previsão mais realista aponte sua volta para a segunda ou terceira semana de agosto. Com o Profeta em campo, Cuca ganha opções de variações usando-o em praticamente todas as posições do meio-campo e ataque – só não joga de centroavante.

E não podemos nos esquecer que Felipe Melo, fora há um mês por lesão, também voltou a ficar à disposição. Assim, o Palmeiras do segundo semestre que vai brigar pela Libertadores pode ter como formação básica Felipe Melo e Moisés; Willian (Borja), Guerra e Dudu; Deyverson.

Só faltaria mesmo resolver os problemas das laterais. Jean pode estar de volta também em breve – esperamos, livre dos problemas no joelho que o fizeram cair assustadoramente de rendimento. E na esquerda, vamos rezar e ter esperança.

Quem perde espaço?

Quem deve perder espaço com essas mudanças é Roger Guedes – não por seu futebol, já que vem sendo um dos jogadores mais confiáveis desde a volta de Cuca, mas sim pela tendência do jogador ser negociado. As ofertas pelos direitos econômicos do jogador estão surgindo e é bem provável que ele siga sua carreira no exterior já a partir deste segundo semestre.

SormaniA perspectiva das entradas de Deyverson e Moisés no time devolvem à nossa torcida o combustível fundamental para continuar apoiando nosso time de forma maciça: a esperança, sobretudo para a conquista da Libertadores, que é o principal objetivo do ano.

Diante da má fase atual, rivais e imprensa estão doidinhos para sapatear em cima da gente. Parece que eles não sabem com quem estão lidando. VAMOS PALMEIRAS!


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