Respeito, muito respeito, para criticar Dudu

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras fez sua segunda partida na temporada e os jogadores mostram nitidamente que estão assimilando as orientações de Roger Machado. As jogadas já têm começo, meio e fim, mas ontem especialmente, foi necessária uma estratégia para lidar com o calor infernal que fazia em Ribeirão Preto.

Enquanto o Botafogo veio para o tudo ou nada no primeiro tempo, fazendo do time uma sanfona bem arrumadinha – se encolhendo bastante quando o Palmeiras tinha a bola, e saindo em rápidos e perigosos contra-ataques, o Verdão cadenciou o jogo, rodando a bola sem pressa e deixando os atletas do time da casa acabarem com suas energias. Os dois primeiros chutes a gol do Palmeiras só vieram após os 40 minutos.

O Botinha não era exatamente um George Foreman, mas o que o Palmeiras fez foi exatamente o que Muhammad Ali fez na célebre luta no Zaire em 1974: suportou a pressão do adversário, levando-o à exaustão, e chegou à vitória de forma extremamente fácil no segundo tempo.

Futebol não é boxe, e cada atleta tem uma forma de “se poupar”. Para quem está vendo de fora um atleta cumprindo essa orientação, um pique dado sem toda a intensidade, ou uma chegada mais leve numa dividida, pode parecer o velho corpo mole.

Logo quem?

DuduDudu não é o tipo de jogador que combina com esse tipo de estratégia, embora fosse necessário. Nosso capitão, conhecido por sua raça e dedicação durante todo o jogo, um cara que dá 110% em cada lance, transparecia apatia.

Entram também no pacote uma certa vontade de tocar de calcanhar na bola, a própria ferrugem típica de início da temporada e as informações de que recebeu propostas milionárias para jogar na China.

Foi o que bastou para alguns torcedores tomarem certas liberdades nas redes sociais. Ainda no primeiro tempo, acessaram sua conta no Instagram e fizeram ataques covardes, usando palavras duras, com todo o ódio que já é característico desta era.

Pouco depois, uma legião de palmeirenses abafou as manifestações negativas enchendo a mesma postagem com mensagens de apoio e gratidão a Dudu. O jogador que hoje é o maior símbolo da ressurreição do Palmeiras, que fez dois gols na final da Copa do Brasil contra o Santos, que marcou um gol de cabeça no Cássio e colocou um boné, que meteu gol de cobertura no Denis, que é um dos líderes de assistências do elenco e artilheiro do Allianz Parque, só pode ser desrespeitado por gente que não respeita a si mesmo.

Ninguém está acima do bem e do mal

Dudu
Divulgação

Nosso camisa 7, assim como qualquer jogador que passa pelo Palmeiras, estará sempre sendo posto à prova. Faz parte de vestir uma camisa tão pesada. Talvez ele saiba lidar com os ataques como os de ontem e tire de letra. Ou, menos provável, talvez isso tenha sido a gota d’água para que ele tome a decisão de deixar o Palmeiras e ganhar dois caminhões de dinheiro do outro lado do mundo. Esperamos que não.

Não foi só um mau primeiro tempo. Dudu jogou mal também na parte final do jogo, errando lances que não costuma errar, como aquele em que saiu de frente para o goleiro, mas não conseguiu tirar para o lado e fazer o gol. Aceitável, para início de temporada, sob um sol tão forte – e principalmente pelos créditos acumulados. Mas é claro que irrita.

Já podemos ver jogadores rendendo razoavelmente bem, como Felipe Melo, Victor Luis, Willian, Borja e Lucas Lima. Outros foram mal no primeiro jogo, mas já deram sinais de reação, como Tchê Tchê e Marcos Rocha. Dudu fez uma dobradinha de jogos ruins; pode e deve ser criticado.

As críticas, no entanto, devem estar revestidas de respeito, muito respeito. Dudu não está acima do bem e do mal, mas todos sabemos do que ele é capaz. E se continuar jogando mal, algo muito simples vai acontecer: ele vai para o banco, já que temos Willian, Gustavo Scarpa, Keno e Guerra brigando com ele por duas vagas pelos flancos. Não precisa o revoltadinho de internet demonstrar toda sua falta de atributos morais e de educação básica para tirá-lo do time.


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