Abel vê Palmeiras inteligente e afirma: “jogamos com as armas que tínhamos”

Abel Ferreira em jogo do Palmeiras contra o Atlético-MG, durante partida válida pela primeira partida das semifinais da Libertadores 2021, no Allianz Parque.
Cesar Greco

Substituição de Dudu, que saiu irritado da partida, também foi assunto na coletiva de Abel

O primeiro jogo da semifinal da Libertadores entre Palmeiras e Atlético-MG, que ocorreu no Allianz Parque na noite de ontem, terminou empatado em 0 a 0. Para o técnico Abel Ferreira, o Verdão cumpriu com sabedoria boa parte do plano traçado pela comissão técnica.

“Parte do nosso plano foi cumprido. A gente sabia da força do adversário pelo lado esquerdo, por conta do Guilherme Arana. Analisamos a forma que eles fazem gols e a maioria saía dos pés dele. Então queríamos fazer nossas transições por lá. Infelizmente não tivemos a capacidade de fazer isso bem, até houve algumas oportunidades. Mas, sim, era o que a gente queria. Fomos muito bem sem bola, tivemos atitude e fomos inteligentes. Agora: com bola, vamos melhorar para o próximo jogo”, disse o comandante em entrevista coletiva.

Ainda sobre a partida, Abel detalhou o jeito do Atlético-MG atuar e destacou a importância do Palmeiras não ter sofrido gol.

“Nós não conseguimos jogar e nem o adversário. Eles tiveram o pênalti, mas a posse de bola deles ocorreu fora do nosso bloco, que foi bem compacto no nosso corredor central. A gente tinha que fazer isso porque era a forma de se defender bem contra uma equipe que gosta de atrair. A todo instante o Nacho, Diego Costa e o Hulk saiam das suas posições para buscar a bola e criar espaços na nossa defesa. Percebam que o Atlético ficou muito com muita posse, mas trocou passes atrás da linha da bola, fora do bloco”, explicou.

“Vínhamos de uma sequência de jogos com gols sofridos e agora nas últimas duas partidas não sofremos, isso passa confiança à equipe. Um time que não é sólido defensivamente não ganha nada. Eles investiram forte em jogadores de ataque e fazem gols com facilidade. Jogamos com as armas que tínhamos, está tudo em aberto”, acrescentou.

Ao ser questionado porque a escalação inicial não contou com nenhuma Cria da Academia, o treinador apenas disse: “Foi coincidência. Observo os treinos e escolho aqueles que entendo que fará o melhor para o Palmeiras no jogo, não por questão de idade. Hoje [terça-feira], curiosamente os escolhidos eram os mais experientes. Tenho que ser leal aos princípios, acreditar em todos os jogadores, não importa se é jovem ou não, e é isso que faço”.

Abel comenta a reação de Dudu ao ser substituído

No segundo tempo, Abel optou por substituir Dudu, que mostrou irritação ao sair de campo, e colocar Wesley. O técnico comentou a reação do camisa 43 e admitiu que ainda “precisa ver as imagens”.

“Acredito que ele estava chateado pelo jogo que fez. O Dudu sabe que pode fazer mais. Ele também sofreu uma marcação cerrada e individual do Mariano, isso dificultou. Entretanto, ninguém aqui está acima dos interesses da equipe e todos os assuntos resolvemos cara a cara. O Dudu não faltou com respeito, apenas acredito que ele ficou frustrado porque não conseguiu desenvolver em campo”, finalizou.

O jogo da volta ocorrerá na próxima terça-feira no Mineirão, às 21h30, com a presença de torcida. Além da vitória, qualquer empate com gols classifica o Verdão à final da Libertadores.

Dudu evolui fisicamente e seu protagonismo fica mais evidente

Matheus Fernandes e Dudu em disputa durante treino na Academia de Futebol
Cesar Greco

Antes, atuando mais pelas beiradas, Dudu é visto como “assistente” por Abel e vem sendo um dos criadores de jogadas

Mesmo ainda não tendo atingido a melhor condição física, nos últimos jogos, Dudu tem apresentado o futebol que o torcedor palmeirense se acostumou a ver desde sua chegada, em 2015. Melhor jogador do Palmeiras na ‘Era Allianz Parque’, o camisa 4+3 foi um dos grandes destaques na classificação sobre o SPFC na Copa Libertadores.

O jogo de ida contra o rival, que ocorreu 41 dias depois de sua representação na Academia de Futebol, foi o primeiro que o ‘Baixola’ participou durante os 90 minutos desde a sua saída para o Al Duhail, do Catar.

Seu desempenho impressionou até mesmo o treinador Abel Ferreira, que após o jogo afirmou em entrevista coletiva: “O Dudu está cada vez mais adaptado às nossas exigências coletivas. A capacidade física dele foi a que mais me impressionou. Mostrou o quanto ele pode nos ajudar, com ou sem a bola”.

Se no primeiro duelo frente ao SPFC Dudu ‘impressionou’, o segundo jogo – uma semana depois – confirmou sua ascendência como um dos protagonistas do Verdão. Ele foi o responsável por anotar o segundo gol da noite, que trouxe tranquilidade ao time; além disso, obteve bons índices de ataque – 91% na precisão dos passes e ganhou 10 disputas. Após essas duas partidas, tornou-se titular da equipe e repetiu a boa atuação contra Cuiabá e Athlético-PR.

Em 2021, Dudu participou de dez jogos pelo Palmeiras, sendo metade como titular, e foi às redes adversárias uma vez. No histórico geral, o meia-atacante contabiliza 315 partidas pelo Verdão, com 71 gols marcados e 78 assistências.

Abel enxerga Dudu como um “assistente”

Com 1,66m e muita velocidade, desde o início da sua carreira, Dudu foi visto como o típico jogador de beirada. Seu primeiro técnico no clube foi Oswaldo de Oliveira, que sempre o escalou desta forma.

Sua movimentação em campo começou a mudar com o técnico seguinte, Marcelo Oliveira. O treinador, campeão da Copa do Brasil de 2015 com o Verdão, tinha como uma de suas ‘marcas registradas’ a troca de posição de Dudu com Robinho – eles se alternavam entre a faixa lateral e a central.

Deste campeonato em diante, Dudu foi ano após ano se transformando em um jogador que, apesar de uma predominância por atuar pelos lados, ocupa também toda a faixa do campo de ataque, como é possível observar nos mapas de calor abaixo:

Mapa de calor do Dudu em 2017
Mapa de calor do Dudu em 2017 – SofaScore
Mapa de calor do Dudu em 2018
Mapa de calor do Dudu em 2018 – SofaScore

Sendo agora comandado por Abel Ferreira, Dudu é visto pelo treinador com um jogador “assistente” e seu ‘oponente’ na briga pela posição é Gustavo Scarpa, que vinha atuando mais centralizado.

Na derrota do Verdão para o Fortaleza, no último dia 7, Abel foi questionado sobre os dois e declarou que, apesar de terem algumas características diferentes, “os dois possuem uma similaridade em campo, são dois assistentes, que resolvem jogos através de seus passes”.

Nas dez partidas que fez até aqui nesta segunda passagem, o ídolo palmeirense criou quatro grandes chances para os companheiros e deu outros 15 passes para finalizações.

Mapa de calor do Dudu em 2021
Mapa de calor do Dudu em 2021 – SofaScore

Após mais de cinco anos, Dudu deixa o Palmeiras

Após uma longa novela, finalmente foi feito o anúncio oficial: Dudu está fora do Palmeiras. O atacante foi emprestado ao Al Duhail-QAT por um ano, com opção de compra. Pelo empréstimo, o Palmeiras receberá limpos € 6 milhões. Caso queira ficar com o jogador em definitivo, o clube catari deverá desembolsar mais € 7 milhões daqui a um ano. Os valores não parecem compatíveis com o tamanho do jogador. Parecem combinar mais com a estatura do atleta.

A saída de Dudu representa a perda do maior ídolo recente da História do clube. No século 21, nenhum jogador fez tantos gols com a nossa camisa – foram 70. Na sequência, longe, vêm Vágner Love (54) e Willian (46). Na lista de jogos, Dudu, com 305, só perde neste século para Marcos (392) e é seguido por outro goleiro, Fernando Prass que atuou 274 vezes com nossa camisa.

Mais do que os números, Dudu foi o símbolo de uma nova era. Depois de anos de péssimas administrações, Dudu foi contratado de forma agressiva e destaque de um elenco totalmente renovado. Sua contratação foi um chapéu comemorado pela torcida nos dois maiores rivais. O próprio jogador tratou de oficializar o simbolismo da transação ao comemorar um gol num Derby pegando emprestado um chapéu de um jornalista.

Sua chegada, que coincidiu com os primeiros jogos no Allianz Parque, foi fundamental na explosão de novas assinaturas do Avanti e da grande virada administrativa e esportiva que o clube deu a partir de 2015. Foi protagonista na conquista de três grandes títulos e um símbolo da postura desejada em campo, jogando sempre com entrega total. Sua saída dói, e muito.

Dói, mas passa

Quando um ídolo dessa envergadura deixa o clube, é sempre um golpe para a torcida. É doloroso, é deprimente, mas faz parte. Como todos estão cansados de saber, os jogadores passam e o clube continua. A saída de Dudu precisa ser superada – e será, mais cedo, ou mais tarde.

Embora a diretoria tenha acenado em off com reposições, é bem pouco provável que aconteça. A rigor, a reposição foi feita antes mesmo de sua saída, com a chegada de Rony. À época, foi pontuado que o Palmeiras não precisava de mais um jogador para a função de atacante de flanco, por melhor que fosse a qualidade do novo contratado. Agora faz sentido.

Enquanto não tinha a saída definida, Dudu estava sendo cotado por Vanderlei Luxemburgo para jogar por dentro – algo que ele poderia fazer bem, mas que ainda era uma incógnita. O fato é que, com Willian, Rony, Veron, Wesley e Luan Silva à disposição, taticamente a saída de Dudu não abre nenhum grande buraco no elenco, desde que Luxa encaixe bem alguém para fazer o miolo.

Em valores absolutos, a transação é muito boa. Excepcional, na verdade. São quase R$ 2 milhões mensais, entre salários e outras obrigações, economizados. E claro, cerca de R$ 45 milhões no caixa, que provavelmente abaterão parte dos cerca de R$ 170 milhões que o clube passou a dever para a Crefisa da noite para o dia, em valores corrigidos. O que é bastante questionável é se Dudu vale isso ou muito, muito mais.

Ele volta?

Dudu e Vitor Hugo

O modelo da transação foi um empréstimo com opção de compra. Hoje, ninguém gostaria de ter perdido Dudu, uma referência técnica, artilheiro e homem com participação decisiva com dezenas de assistências. Mas uma vez que ele saiu, o time vai superar sua saída e se readaptar. Muitos jogadores poderão ganhar espaço e crescer muito.

Daqui a um ano, se Dudu voltar, o Palmeiras deixará de ganhar mais € 6 milhões. É como comprar o jogador de volta. A pergunta é: valerá a pena pagar esse valor por um jogador de 28 anos? Hoje, a maioria dos palmeirenses, ainda machucados com sua saída, diria que sim, mas daqui a um ano, talvez a resposta seja outra. Vai depender muito do encaixe do time.

O fato é que sua volta não depende do Palmeiras, e sim do clube catari, para quem a quantia é irrisória. A não ser que Dudu não se adapte e que faça força para deixar o Oriente Médio, é bem pouco provável que a compra não seja concretizada. O que nos permite pensar de forma bem concreta que este “até breve”, na verdade, é mesmo um “adeus”.

Tanto a torcida quanto o clube precisam superar sua saída. E isso vai acontecer. Nada como uma sequência de jogos para que voltemos a olhar para a frente.

Gratidão

Dudu

Nestes pouco mais de cinco anos, Dudu fez tudo o que a torcida queria de um jogador em campo: marcou gols em todos os principais rivais, tirou sarro, montou de cavalinho, deu tranco em juiz, meteu gol de cobertura e meteu gol em final, foi o maior artilheiro e o jogador com mais assistências.

Dudu foi ídolo e referência também para as crianças, que viam nele o principal motivo para serem palmeirenses e jogadores de futebol quando crescerem. Nossa torcida aumentou demais por causa de Dudu, que conseguiu um fato raro: mais de cinco anos vestindo a mesma camisa.

Depois de usar o mesmo nome de um consagrado ídolo que até busto tem na sede do clube; com a mesma camisa 7 consagrada por Julinho Botelho, Jorginho e Edmundo, Dudu vai deixar muitas saudades e merece toda a gratidão da torcida do Palmeiras. Que seja muito feliz na sequência de sua carreira.

E se acabar voltando, claro, vai ter lugar no time. No coração da torcida, o lugar já está cativo.


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O significado da permanência de Dudu

Dudu e Vitor Hugo

O Palmeiras anunciou no sábado a extensão do contrato de Dudu por mais um ano – seu contrato, que ia até o final de 2022, agora vai até dezembro de 2023 – mais cinco anos, o máximo que a legislação permite.

A permanência de Dudu certamente foi a melhor notícia para a torcida do Palmeiras nesta janela de transferências. O melhor jogador do futebol brasileiro ao final de cada temporada, diante do cenário financeiro internacional, normalmente é dado como perda certa a ser reposta pelos clubes. Nessa condição, não é incorreto dizer que o Palmeiras fez a melhor ‘contratação’ entre todos os clubes do país.

Como não podia deixar de ser, a notícia deixou a torcida extremamente empolgada. Além de manter no Verdão um jogador extra-classe e com isso sustentar o status de melhor elenco do país, a condição de ídolo parece ficar cada vez mais evidente – algo perfeito num cenário onde a necessidade por adoração a personalidades é uma regra.

O anúncio, no entanto, talvez precise ser melhor compreendido.

Ele fica – até a próxima janela

Zé Roberto, Dudu e Borja comemoram gol do Palmeiras

Foi comunicado que atleta e clube encerraram todas as conversas para uma possível transferências e que Dudu jogará no Palmeiras – pelo menos até a próxima janela – ou seja,  ele poderá sair do Palmeiras no meio do ano.

As circunstâncias que envolveram sua permanência estão ligadas à mudança nas regras de contratação por que passou o futebol chinês, que agora tem mais restrições para contar com atletas estrangeiros – tal mudança facilitou, inclusive, que o Palmeiras conseguisse o empréstimo de Ricardo Goulart. Mas isso não impede que, para o replanejamento das próximas temporadas, Dudu não volte a ser alvo dos clubes orientais.

As negociações entre o Palmeiras e os agentes de Dudu caminharam para a permanência diante de uma série de fatores, que certamente envolveram ajustes financeiros – tanto em sua multa rescisória, quanto em seus salários. Mas não garantem nada em relação ao que vai acontecer depois de julho. Se desta vez houve acordo, significa que está ótimo para todos – até a próxima rodada de negociação.

Isto precisa ficar bem claro para a torcida, que parece ter esquecido que o contrato anterior já era longo e que mesmo assim Dudu poderia sair a qualquer momento. O que deve ser comemorado é que as probabilidades de saída, a cada renovação, ficam cada vez menores – à medida que a idade do craque vai avançando, ele se torna menos atrativo para outros mercados. O Palmeiras tem, hoje, o privilégio de manter no elenco um atleta espetacular no auge de sua forma física e técnica.

Ídolo ou não: isso importa?

Dudu
Divulgação

É muito comum inserir a idolatria como tema nas discussões sobre futebol. Especular se um jogador é ou não ídolo de uma torcida é um dos esportes preferidos nas mesas redondas sobre o nada que infestam as televisões – e parte das torcidas curiosamente parecem adorar o assunto, afinal, os entendidos estão lá decidindo por eles quem são seus ídolos.

A idolatria é uma relação que deveria ser mais particular. Cada um decide, muitas vezes involuntariamente, o que sente em relação a cada atleta que tem o privilégio de vestir a camisa sagrada de nosso time. Lances rápidos, ou mesmo pequenos gestos fora de campo muitas vezes tocam pontos de nosso subconsciente e fazem com que uma relação de profundo respeito e afeto passe a ser cultivada – e essa relação aumenta ou diminui de intensidade a cada partida, a cada semana, com novos gestos.

Dudu
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A permanência de Dudu foi encarada por muitos como um gesto de amor ao clube. De fato, já são quatro anos completos, três títulos nacionais e uma relação muito bem construída com a torcida. No sábado, foi possível ler nas redes sociais que, com a decisão, Dudu entrava de vez para o rol de grandes ídolos do Palmeiras – como se esse rol existisse formalmente.

Como todo mundo, Dudu é, antes de tudo, uma pessoa que tem suas ambições pessoais, tem família e usa sua ocupação profissional para satisfazer suas necessidades. Neste momento, o pacote Palmeiras lhe dá as melhores condições, e foi isso que o fez tomar essa decisão. No que ficamos muito satisfeitos! Ontem, mesmo num jogo morno, Dudu foi um dos melhores jogadores do time.

Que o camisa 7, a cada ponto de tomada de decisão, sempre faça suas ponderações com a direção do clube, e que enquanto estiver valendo a pena tê-lo como jogador do Verdão, como agora, que ele decida por ficar.

A hora da despedida sempre chega, mais cedo ou mais tarde. Que o Palmeiras, os palmeirenses e o próprio Dudu aproveitem bem esta permanência e curtam muito tudo o que ela vem nos dando: um jogador que se entrega totalmente em campo, capaz de jogadas espetaculares, que incendeia a torcida no Allianz Parque, que amedronta os adversários e que é fundamental para a conquista de títulos.

Avanti!

Digna de todos os elogios a forma com que Alexandre Mattos comunicou a torcida da extensão de contrato de Dudu. No vídeo, o dirigente deixa claro que os ajustes financeiros que propiciaram a conclusão do acordo só aconteceram graças aos recursos do Avanti.

Nosso programa de sócio torcedor sempre deve ser a fonte de receita mais valorizada pelo clube. Todos sabemos como as receitas vindas dos contratos com a TV e com patrocinadores são importantes no modelo econômico do clube, mas a fonte mais pulverizada, e por isso mais segura, é a que vem da torcida.

Essa retomada à valorização do Avanti, deixado um pouco de lado nas últimas temporadas em detrimento à excessiva valorização da relação com a patrocinadora, é um excelente sinal. As coisas podem caminhar em paralelo, de forma equilibrada.

O clube precisa agora voltar a fazer do sócio Avanti um apoiador satisfeito. Os serviços seguem confusos e pouco eficientes. A propaganda feita por Mattos tem um significado muito grande, mas o torcedor, sobretudo aquele que deixou de apoiar mensalmente nos últimos anos, precisa se sentir recompensado em todos os sentidos para reativar a relação.


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Regulamentação do uso de redes sociais pelos atletas: já passou da hora

Dudu InstagramEm sua conta no Instagram, ontem, Dudu manifestou-se aparentando uma certa resignação. A imagem ao lado reproduz a postagem: “Feliz ou não, é a lei da vida. Seguir em frente com a cabeça erguida. Superando tudo que está por vir”.

Pouco depois, O atacante retirou o trecho “Feliz ou não, é a lei da vida”, mas já era tarde. Centenas de torcedores manifestaram toda sua indignação e intolerância para com o atleta, como se ele houvesse desrespeitado o Palmeiras.

Dudu teve uma proposta financeira muito alta da China e quis sair. Talvez as críticas desmedidas e raivosas de alguns torcedores em outros episódios de tensão tenham pesado em seu desejo; talvez tenha sido só a grana mesmo. Mas a diretoria do Palmeiras, após vender Keno, não abriu mão do camisa 7 para não prejudicar ainda mais o projeto esportivo de 2018 e manobrou para que Dudu permanecesse no clube pelo menos até o fim deste ano – seu contrato vai até 2022.

A mensagem de Dudu não foi negativa, muito menos desrespeitosa ao Palmeiras. Foi um desabafo pessoal, de quem queria algo mas teve que se resignar com um desfecho diferente. Parece que alguns torcedores não sabem conviver com esse tipo de manifestação e se sentem ofendidos com o fato de existir no mundo um atleta que prefere não estar no Palmeiras, por algum motivo. Parece que os jogadores são obrigados a amar o Palmeiras como se fossem os próprios torcedores. É muito melindre.

O dia seguinte: feliz!

Hoje Dudu chegou à Academia de Futebol para o treino da manhã e não aparentava nenhuma negatividade, como se pode ver abaixo, na sequência de tweets dos setoristas Thiago Ferri, do Lance, e Rodrigo Fragoso, do Esporte Interativo:

Dudu parece focado no trabalho, feliz, e possivelmente segue tendo em vista uma transferência ao final da temporada. Isso não impede que o atleta tenha um bom desempenho até o final do ano; o tom de resignação de sua mensagem transparece exatamente isso.

Podia ter evitado

Dudu
Djalma Vassão/Gazeta press

O inferno das redes sociais já condenou Dudu. Sabemos, no entanto, que esses chiliques são efêmeros e duram, se tanto, duas semanas – a não ser que o jogador demonstre apatia em campo e/ou tenha mais episódios de destempero que remetam à manifestação de ontem. Neste caso, a sementinha plantada no Instagram tende a virar uma árvore de frutos bem amargos. Dudu será vaiado e perseguido – e se o time desgraçadamente acabar eliminado de forma precoce de alguma competição, será prudente evitar até visitas a supermercados e agências bancárias.

Talvez Dudu tenha tentado passar uma mensagem de positividade, com foco na maturidade em aceitar uma situação que não considerava a melhor para si, mas que aceitou pelo bem do grupo, para cumprir uma palavra empenhada. Talvez ele estivesse tentando mostrar que sabe levantar a cabeça e seguir em frente. Sabe-se lá qual o foco principal da mensagem. Mas em tempos de absoluta intolerância e falta de raciocínio, a postagem se mostrou um desastre. Se bem assessorado, ele podia ter evitado.

O uso de redes sociais por parte de jogadores não pode ser comparado aos de pessoas comuns. Atletas profissionais são figuras públicas e representam o clube que os pagam. Em casos extremos algumas declarações podem até condenar uma temporada inteira – como pode ter acontecido com o “áudio vazado” de Felipe Melo no ano passado.

Enquanto os clubes não regulamentarem o uso das redes sociais por parte dos atletas que mantêm sob contrato, terão que conviver com a tensão permanente de terem que desarmar uma bomba-surpresa. Se essa regulamentação for redigida de forma criteriosa, contemplando apenas os assuntos sensíveis, e for muito bem explicada e assimilada pelos jogadores sem deixar a impressão de ser um mero instrumento repressivo e ditatorial, todos têm a ganhar, principalmente os próprios atletas.


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