Roger Machado é o técnico a ser demitido pelo Palmeiras em 2018

Roger MachadoO título, claro, é uma provocação. No decorrer desta rápida leitura vocês entenderão o porquê.

O Palmeiras acertou com Roger Machado para dirigir o time na temporada 2018. A informação é do repórter Tossiro Neto, do portal globoesporte.com, e encerra uma novela que ameaçava se arrastar e atormentar nossa ansiosa torcida.

Muito mais importante que amainar os ânimos entre os palmeirenses, é claro, foi definir o treinador para assim dar um norte nas contratações que devem ser feitas para reforçar o time.

Com o treinador definido, os jogadores a firmarem contrato com o Palmeiras preencherão as necessidades técnicas de acordo com o planejamento tático que Roger vai implantar. Mas isso é pouco, como veremos a seguir.

Perfil do novo treinador

Roger MachadoRoger Machado mostrou em seus dois trabalhos mais relevantes – Grêmio (entre maio de 2015 e setembro de 2016) e Atlético (entre novembro de 2016 e junho de 2017) algumas qualidades interessantes:

  • Treinos curtos e intensos
  • Jogo ofensivo, propositivo
  • Rapidez na recomposição das compactas linhas defensivas e nas saídas para o ataque
  • Amplitude das linhas com a posse de bola, alargando o campo
  • Não se prende a um esquema específico

No Grêmio, em 2015, usou o 4-2-3-1, com Luan jogando com falso 9 – foi o responsável por compreender as características do menino e lançá-lo para o futebol com sucesso. O Grêmio, com um time de moleques comandado por Douglas Pança-de-Cadela, chegou em terceiro lugar no Brasileirão daquele ano.

No Atlético, preferiu o 4-1-4-1, com Rafael Carioca flutuando entre as duas linhas e Danilo, lateral de origem, formando a linha de 4 mais alta junto com Elias, Cazares e Otero – o melhor momento do Atlético na temporada.

Um de seus maiores problemas em ambos os trabalhos, de onde saiu com aproveitamento em torno de 60%, foi a fragilidade defensiva nas bolas aéreas. Para que seu trabalho apoiado em alta intensidade surta efeito, o físico dos atletas é bastante exigido – assim como era com Cuca, por razões diferentes.

Um clube que não sabe o que quer

Alexandre Mattos e Mauricio GaliotteO Palmeiras bateu na porta de Abel Braga, mas acabou ficando com Roger Machado. Perfis tão distintos sobre a mesa mostram que a diretoria está completamente perdida em relação ao que pretende para o Palmeiras no ano. Tudo o que sabe é que trará um treinador competente e que acredita em seu trabalho. A escolha foi boa, mas o clube não sabe bem a razão.

É essa falta de ambição para se criar uma filosofia de trabalho que faz com que, na primeira ou segunda oscilação – e elas virão – o técnico seja o bode expiatório de mais uma crise. Não importará se Roger, que é uma boa escolha, ainda estiver queimando as pestanas em meio ao desenvolvimento tático do time, algo que demanda muitos, muitos meses: se não vencer o Paulista provavelmente será um Eduardo Baptista reloaded: demitido, porque o Palmeiras não o contratou para executar um projeto do clube, e sim um projeto idealizado por ele mesmo que hoje provavelmente está apenas na fase de rascunho.

Por algumas circunstâncias – por exemplo, a conquista do título paulista – talvez sobreviva e chegue até a Copa do Mundo, mas se o time não estiver dando chocolate nos adversários em meados de agosto ou setembro, bastará um tropeço em casa contra um pequeno após uma derrota num clássico e a demissão se consumará.

Fica aqui registrado o desejo profundo para que a “profecia” não se concretize. Que Roger tenha tempo para implantar sua filosofia e respaldo da diretoria para, no mínimo, chegar até o fim do ano, para só então ser reavaliado – não em função de conquistas de títulos, mas do estabelecimento de um padrão convincente de jogo, em busca do tão sonhado resgate da identidade para nosso clube.

Seja bem-vindo, Roger Machado.