A velha calça vinho está de volta

Pouco menos de 24 horas depois de definir a demissão de Eduardo Baptista, o Palmeiras anunciou na noite de sexta-feira a recontratação de Cuca para comandar a equipe até o final de 2018. Segundo o clube, as bases do contrato são as mesmas do ano passado.

Cuca chega como a tábua de salvação para a temporada. Eduardo Baptista vinha desenvolvendo seu trabalho e a evolução era considerada lenta demais para a urgência do Palmeiras, que investiu pesado para conquistar campeonatos importantes e as perspectivas para o curto prazo não eram animadoras – há quem pense que não eram nem para o longo, mas esta é uma discussão que perdeu a força com a volta do comandante do ênea.

Base na mão

Cuca comanda treino no Palmeiras em 2016
César Greco / Ag.Palmeiras

A volta de Cuca significa algumas etapas a menos que qualquer outro técnico teria que passar ao chegar no Palmeiras. Sua passagem recente pelo clube lhe permite já pensar na forma de armar o time, pois já conhece boa parte do elenco e a química da maioria dos jogadores jogando juntos. Dos 32 atletas do elenco profissional, 22 trabalharam com Cuca no ano passado e devem formar a base do time titular, ao menos nos primeiros jogos

É óbvio, jogadores importantes como Felipe Melo, Michel Bastos, Guerra, Keno, Willian Bigode e principalmente Borja, ainda desconhecidos do treinador, devem ter oportunidades nos primeiros movimentos. Adaptar seu esquema ao que esses jogadores podem fazer de melhor e identificar a melhor forma de dar liga com a base que já conhece será o primeiro trabalho de Cuca.

Ele é assim mesmo

Cuca conversa com Dudu em 2016
César Greco / Ag.Palmeiras

O período sabático pode acabar tendo um efeito muito positivo, talvez mais ainda do que se Cuca tivesse permanecido o tempo todo no Palmeiras. Houve desgastes significativos com o elenco no ano passado – os mais significativos foram com Barrios, que já deixou o clube, e com Rafael Marques e Dudu, que ainda sustenta a tarja de capitão que lhe foi dada pelo novo-velho treinador no ano passado.

É de se supor que se não tivesse havido a interrupção, esse desgaste teria se acentuado devido ao temperamento peculiar de Cuca. Com a aventura malsucedida sob o comando de Eduardo, as eventuais rusgas acabaram ficando para trás. Deve prevalecer a vontade que os jogadores têm de ter sucesso em campo, e é inegável que os atletas, apesar de algumas dificuldades de relacionamento, confiam nos métodos de Cuca. O trabalho recomeça com a vantagem de que os atletas já estão prevenidos sobre todas suas manias. Todo mundo quer voltar a ser campeão e sabe que ele “é assim mesmo”; o objetivo maior do grupo deve prevalecer sobre os problemas individuais.

Acertando no erro

Cuca conversa com Maurício Galiotte e Alexandre Mattos
César Greco / Ag.Palmeiras

O desfecho da recontratação de Cuca recoloca o Palmeiras como o grande favorito do ano. As perspectivas instáveis para o curto prazo sob o comando de Eduardo Baptista viraram uma quase certeza de conquistas – ao menos para a torcida.

Ainda sob o encanto da conquista do Brasileirão, uma das soluções defendidas pela simplicidade da torcida para o problema da saída de Cuca era a manutenção de Alberto Valentim como tapa-buraco “até o fim do Paulista”, tempo considerado suficiente para que o treinador resolvesse suas questões familiares e pudesse reassumir o comando a tempo de conduzir o Verdão a novas conquistas. De forma prudente, Maurício Galiotte optou por virar a página e investir num reinício que, sabemos, não foi satisfatório.

Cuca de fato voltou a estar disponível e o sonho se realizou. Eduardo Baptista, cruelmente, acabou funcionando apenas como tampão, por sua própria incapacidade de conseguir resultados rápidos. Ele sabia que teria que conviver com o fantasma do ex-treinador o tempo todo e não conseguiu se impor. A sucessão de equívocos acabou sendo premiada pelo destino, que recolocou Cuca na rota do Palmeiras. Tudo acabou dando mais certo do que o esperado.

A velha calça vinho

Cuca comanda o time em 2016
César Greco / Ag.Palmeiras

A chegada de Cuca incendeia o imaginário do torcedor palmeirense. Não há como não se empolgar diante de sua volta ao comando do time. Flashes da trajetória vencedora de 2016 inevitavelmente voltam a nossas mentes.

Que se apresente quem não andava suspirando de saudades de um time que começava o jogo a mil por hora, sufocando os adversários e abrindo o placar antes dos dez minutos; com variações de esquema no mesmo jogo que confundia os adversários e tornando-os presas fáceis; com jogadores sabendo exatamente o que fazer e quando fazer, jogando tão bem fora de casa quanto dentro do Allianz Parque; com uma defesa sólida e saídas rápidas para o ataque, cheio de jogadas ensaiadas e muitos gols de bola parada; com intensidade o tempo todo sob a orientação de um sujeito de cabelo esquisito, de calça vinho, agachado na beira do campo.

Estamos às portas de reviver tudo isso.

Bonança

Cuca está de volta ao VerdãoCuca vai levar ainda um certo tempo para recolocar o Palmeiras nesse caminho e temos pela frente jogos importantes – o início do Brasileirão, onde cada jogo significa pontos fundamentais para a conquista; o mata-mata da Copa do Brasil contra o Inter e a partida crucial para garantir a passagem do time para a sequência da Libertadores.

Todos esperamos que Cuca, como uma espécie de feiticeiro, faça o time rapidamente a realizar os sonhos da torcida, mas a realidade é cruel e talvez pontos e partidas importantes sejam perdidas nesse processo de readaptação. Mas aconteça o que acontecer, Cuca não é filho do Nelsinho, não é inexperiente, não tem cara de perdedor, e saberá pilotar a Ferrari. Não há nenhuma predisposição contra ele, e se os bons resultados demorarem para chegar, a paciência da diretoria, de conselheiros e da torcida será infinitamente maior. Sua chegada afasta a nuvem negra que injustamente pairou sobre a Academia de Futebol desde o primeiro minuto da chegada de Eduardo Baptista ao clube.

Depois da tempestade, chegou a bonança. Bem-vindo de volta, comandante!


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