A batalha dos treinos abertos: o Derby começou muito mais cedo

Maurício GaliotteO Derby decisivo do Paulistão, marcado para domingo, começou na segunda-feira, quando Palmeiras e SCCP divulgaram que fariam treinos abertos para seus torcedores em seus respectivos estádios no sábado pela manhã.

A PM logo se manifestou de forma contrária, informando não ter efetivo suficiente para garantir a ordem em dois eventos ao mesmo tempo com tamanho potencial destrutivo. Com base nesse parecer, o Ministério Público, através do procurador Paulo Castilho, “proibiu” os treinos abertos.

Os clubes deram de ombros. Cientes de que o MP não tem poder para proibir um evento dentro de propriedade particular, bateram o pé e confirmaram os treinos. Começou então uma verdadeira batalha nos bastidores: os dois clubes, cheios de vontade de promover eventos de aproximação com suas torcidas na véspera de uma data tão importante, e o MP, preocupado com os prováveis efeitos devastadores da realização simultânea dos dois treinos – e entendam “devastadores” como quiserem: tanto para a população em si, como para as pretensões políticas dos responsáveis pela segurança pública.

O Palmeiras jogou de forma magistral: usou o SCCP como aliado para confirmarem os treinos e assim colocar o MP nas cordas; não sem ter a certeza de ter protocolado o pedido nos órgãos competentes antes do rival. O MP foi obrigado a aceitar a realização dos treinos e a negociar com os clubes para desmembrar os horários – algo que tem como único critério objetivo para decisão a antiguidade do protocolo. Como o do Palmeiras é mais antigo, sobrou para o SCCP, que não tinha como bater o pé sem se responsabilizar por eventuais incidentes.

Assim, a estratégia do Palmeiras foi perfeita e funcionou apenas por um motivo: conhecia e fez valer seus direitos, seguindo a regra com rapidez, mostrando organização e agilidade. O MP perdeu porque tentou usar um poder que não tinha; Castilho não conseguiu intimidar Mauricio Galiotte e Andrés Sanchez. E o SCCP perdeu porque possivelmente confiou na condição de ser, sempre, o preferido. O Palmeiras, ao sacar o protocolo do bolso e usar a imprensa para tornar pública essa condição, ganhou o jogo.

Primeiro round

Essa batalha, claro, foi apenas o primeiro round do Derby – mas foi vencida pelo Palmeiras com requintes de crueldade. Nossa diretoria manipulou os bastidores com maestria, usando apenas a lei, a estratégia e a organização.

Mas de que valeu essa batalha, afinal?

Para a diretoria do Palmeiras, bastante. Mauricio Galiotte vinha de uma série de episódios em que havia deixado a impressão de fraqueza absoluta nos bastidores, fazendo com que a confiança da torcida, e talvez até de seus comandados, não fosse a ideal. Ao sair como vencedor na questão dos treinos abertos, obrigando o MP e o SCCP a cederem, mostrou uma face diferente que, caso tenha continuidade nos próximos episódios, pode lhe render muitos dividendos políticos, além do mais importante: garantir o respeito ao Palmeiras.

Fazer o treino aberto terá um efeito moral sensacional em nossos jogadores. Uma festa desse quilate no campo onde será realizada a final, na véspera, vindo de dois resultados excepcionais, é tudo o que o time precisa para afirmar a confiança.

Andrés SanchezO mesmo não se pode dizer do efeito que o treino aberto terá no rival, nas circunstâncias que vai acontecer: transparecendo fragilidade por ter sido forçado a alterar o horário, a dois dias de distância da partida, para “apoiar” um time que vem de uma derrota incontestável em casa e precisa do resultado. Tudo isso pode fazer com que o evento seja um tiro no pé, e em vez de dar embalo ao time, acabe criando mais pressão e deflagrando medo nos jogadores.

É claro que o placar de 1 a 0 não garante nada, muito menos essas conjecturas a respeito dos treinos abertos. O Palmeiras precisa entrar em campo no domingo e garantir lá dentro o título paulista. Mas que saímos mais fortalecidos ainda do episódio, não há dúvidas. VAMOS PALMEIRAS!