Arbitragens: alguém está deixando de fazer algo que deveria estar fazendo

Heber Roberto LopesNo dia 31 de outubro, após a partida contra o Cruzeiro, na qual Héber Roberto Lopes assaltou o Palmeiras, o Verdazzo publicou este post, a respeito de atitudes que o Palmeiras precisaria tomar para não ser mais roubado pelas arbitragens.

Destaque para este trecho:

“O Palmeiras precisa reagir em relação a esse roubo à mão desarmada do qual foi vítima ontem. Até a imprensa reconhece que o clube foi prejudicado. Se a diretoria se calar depois desta operação, nossos objetivos desta reta final de campeonato virarão pó.

É necessário um soco na mesa. Uma coletiva deve ser convocada para que o Palmeiras declare sua total indignação contra a arbitragem nociva de Heber. Pressão total no juiz do Derby, que ainda não foi definido. A cota de roubos sobre nós foi definitivamente esgotada para 2017.”

Pois não se ouviu um pio da diretoria. Fomos tungados no Derby e perdemos a chance de vencer mais um campeonato – pior, ele foi parar nas mãos do nosso rival.

Pior:  para nossa surpresa, nem depois do Derby a cota de roubos de 2017 foi esgotada. Ontem o Palmeiras conseguiu ser prejudicado DUAS VEZES pelos juízes da FPF, em jogos da base. Tanto no Sub-17, quanto no Sub-20, os árbitros prejudicaram severamente o Palmeiras, como veremos a seguir.

Sub-17

Flávio Roberto Mineiro Ribeiro
Fábio Menotti/Ag.Palmeiras

O árbitro Flávio Roberto Mineiro Ribeiro, de apenas 22 anos, mostrou total despreparo para apitar uma partida importante. Talvez tenha sido a primeira vez que conduziu um jogo com transmissão ao vivo pela TV e isso tenha mexido com seu emocional. Talvez ele seja apenas mais um torcedor com o apito na mão. Ou talvez ele seja apenas ruim. Mas o fato é que ele expulsou Alan, do Palmeiras, sem a menor necessidade.

A sequência dos fatos: aos 5 minutos do segundo tempo, Alan foi atingido no rosto numa disputa de bola e reclamou da complacência do árbitro – por isso, foi advertido com cartão amarelo. É necessário pontuar que o time da Ponte Preta estava jogando duro, batendo em todos os lances, e o árbitro passivamente permitia, enervando nossos jogadores.

Aos 8 minutos, após mais uma entrada desleal de um atleta campineiro sobre o goleiro Magrão, que recebia atendimento no gramado, Alan reclamou mais uma vez enquanto bebia água. Não foi acintoso. Não foi sequer desrespeitoso. O juiz o expulsou, mostrando vermelho direto, com o agravante da expressão corporal totalmente desmedida – algo que Cuca uma vez descreveu como “puxar o cartão como quem saca uma arma”.

A súmula da partida corrobora com a descrição.

Súmula - Sub-17

A Ponte Preta venceu o jogo e foi campeã paulista da categoria.

Sub-20

Algumas horas depois, o Sub-20 entrou em campo também contra a Ponte Preta para disputar a primeira partida da final da categoria. Vencia o jogo por 1 a 0. Era fácil notar no árbitro Rodrigo Batista da Silva, de 27 anos, alguma afetação no gestual – mas até então sua atuação não interferia na partida até que, aos 9 minutos do segundo tempo, marcou um pênalti absurdo. A entrada de Maílton foi absolutamente limpa. O vídeo diz mais que qualquer descrição.

O jogo terminou empatado e o Palmeiras ainda tem a chance de chegar ao título na decisão que acontece no próximo sábado.

Roubar o Palmeiras é algo crônico

As arbitragens têm o vício de proteger os grandes – seja pela pressão no estádio, seja por temerem represálias vindas dos bastidores. O que já não é correto – mas como diria o filósofo Vanderlei, “pertence ao futebol”.

Só que essa tendência não se aplica ao Palmeiras. Parece algo crônico, enraizado nas arbitragens. Notamos até iniciantes como os de ontem – 22 e 27 anos – nos roubando. Se o Palmeiras voltou a exercer sua grandeza modernizando sua estrutura, sanando suas finanças e montando plantéis de respeito, está sendo tratado como pequeno nos bastidores. Ninguém nos respeita.

Claro que não é só culpa das arbitragens

O Palmeiras cometeu erros estratégicos importantes durante a temporada de 2017. Se esses equívocos não tivessem sido cometidos, possivelmente chegaríamos a resultados melhores, mesmo sendo prejudicado pelas arbitragens.

Tais erros, no entanto, não anulam a necessidade de apontar os prejuízos causados pelos homens do apito e de cobrar atitudes enérgicas de nossa diretoria. Corrigir os erros internos e proteger o clube contra arbitragens nocivas são ações que podem e devem acontecer em paralelo.

No profissional, é difícil acreditar em arbitragens idôneas. Na base, no entanto, parece um pouco demais pensar em esquemas de favorecimento. Ainda mais pelo fato dos juízes serem jovens, parece muito mais que seja apenas ruindade.

De qualquer forma, precisa prevalecer a lei não-escrita vigente: não se rouba time grande. Se isso não se aplica a nós nem na base, como esperar que aconteça no profissional? No dia em que tal lei for abolida – e tomara que seja logo – será menos inaceitável ser tão frágil nos bastidores enquanto outras camisas importantes do futebol brasileiro usufruem dessa prerrogativa e vencem campeonatos.

Enquanto o Palmeiras seguir sendo fraco nos bastidores, não adianta nada ter tanto sucesso no campo financeiro e administrativo. Vai continuar perdendo campeonatos na mão grande e ainda teremos que ouvir que é choro de perdedor.

E como faz para deixar de ser roubado, para ser forte nos bastidores? Quem tem obrigação de saber exatamente como se faz isso é quem senta na cadeira de presidente de um grande clube de futebol.

Alguém está deixando de fazer algo que deveria estar fazendo.


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