Com maturidade, 2017 pode ser o novo 1995

Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Ainda pensando numa grande arrancada para se aproximar do líder, o Verdão vinha de uma boa sequência e tinha pela frente uma tabela bastante favorável – passando pelo Santos, a tendência era encostar no rival em algumas rodadas, impressão que se fortaleceria ontem com mais um tropeço do SCCP.

Só que mais uma vez o Palmeiras não fez sua parte. A derrota no clássico de sábado foi mais um grande desapontamento no ano. É possível arrumar algumas desculpas, e algumas podem até justificar – parcialmente – o mau resultado: o estado do gramado, que nivelou por baixo a técnica dos dois times, é uma delas. Mas a decepção por estar praticamente fora da última disputa do ano é o sentimento que predomina na torcida.

Ainda dá

O empate do SCCP diminuiu a tragédia. Na previsão feita no fim de agosto, estaríamos neste momento a onze pontos de distância, e estamos a doze. Um pequeno ajuste, e seguimos no jogo. Esperávamos uma derrota em Porto Alegre, contra o Grêmio – é nesse jogo que precisamos recuperar o que perdemos no sábado, e isso não parece tão impossível quando nos lembramos que a partida será quatro dias antes da semifinal da Libertadores e o professor Renight deve colocar o sub-13 em campo.

O que torna difícil manter a chama de esperança acesa são nossos próprios erros. Para tirar esses doze pontos, tínhamos uma pequena margem para erro, a qual praticamente esgotamos no clássico. Para chegar ao título, o Palmeiras precisa ser praticamente perfeito a partir de agora. É muito difícil, mas ainda dá.

Decepção e maturidade

Se a tendência de passar o ano em branco se confirmar, o ano de 2017 tende a ficar marcado pelo sentimento de frustração, diante da expectativa que foi criada. Mas fica longe de ser um dos piores anos de nossa História.

Mesmo sem os resultados esperados, o Palmeiras está sendo um dos protagonistas. Foi por muito tempo o centro dos noticiários esportivos. Disputou quatro campeonatos com chances reais de vencer – perdeu três em detalhes de mata-mata e ficou longe do título no Brasileirão pela Lei de Guardiola – uma sequência ruim nas sete rodadas iniciais tornou proibitivos tropeços no resto da tabela. Os naturais tropeços continuam vindo e isso está determinando esta situação difícil.

Mas é muito melhor ter um ano como o nosso, de frustração dentro de um cenário de protagonismo, do que seguir sendo coadjuvante, sabendo que não vai chegar longe em campeonato nenhum mesmo antes deles começarem, e ainda se preocupando com rebaixamento. Esta situação incongruente com nossa gigantesca História foi corriqueira para o Palmeiras nos primeiros 12 anos deste século, mas quem a vive hoje são outros clubes.

O fato do Palmeiras ter feito um “enorme investimento” em 2017 e não ter conquistado títulos é uma decepção, mas está longe de ser um desastre. O departamento de futebol segue muito bem estruturado e as finanças estão em ordem; o clube tem poderio econômico para ir ao mercado e continuar se fortalecendo.

A História mostra anos parecidos com 2017 encravados em eras de muitas conquistas. O mais evidente deles é 1995. Não ganhamos nada;  a Terra continuou girando, o trabalho foi aperfeiçoado e mais títulos vieram nos anos seguintes. Para que o ciclo se repita, é preciso que lições sejam aprendidas e ajustes sejam feitos, em todos os níveis – desde a presidência até os jogadores.

São esses ajustes que devem ser cobrados da diretoria pelos conselheiros e pela torcida; de forma propositiva e não politiqueira; pensando em formas de melhorar, não de provar que tinha razão nisso ou naquilo. Enquanto o time ainda se desdobra buscando uma reação quase impossível para ainda tentar salvar o ano, é hora da comunidade palmeirense mostrar maturidade pensando em retomar o ciclo vencedor no ano que vem, quando certamente continuaremos protagonizando o futebol brasileiro.


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