Em 2016, Palmeiras também foi cauteloso na reta final

BrasileirãoO empate de ontem no Independência deixou o Palmeiras mais perto do título do que estava antes da rodada começar. A diferença para o Inter se manteve e o Flamengo ficou um ponto a mais para trás, com uma rodada a menos por disputar. Agora, são apenas cinco jogos para o fim do campeonato e temos uma confortável diferença de cinco pontos para o segundo e sete para o terceiro.

A situação, aliás, lembra muito a de 2016. Há dois anos, a pontuação do Palmeiras, na liderança, e a do vice-líder, o Flamengo, eram as mesmas dos dois primeiros deste ano, como vocês podem conferir na tabelinha ao lado. Nos jogos finais, o Palmeiras administrou a vantagem e minimizou os riscos. O que não quer dizer que esses riscos não tenham existido.

Ontem, o Verdão empatou o jogo a 15 minutos do fim, e poderia ter perdido. Mas também poderia ter aberto o placar no primeiro tempo em três ótimos lances de Willian, Guerra e Deyverson e tornado o jogo mais fácil – são variáveis que fazem parte da imprevisibilidade do jogo.

Correr riscos ainda é uma realidade para o Palmeiras no Brasileirão; nosso clube ainda não chegou ao mesmo patamar de dominação do Barcelona na Espanha, por exemplo, mas estamos tentando caminhar nessa direção. Quem sabe, chegaremos a essa excelência em alguns anos. O Barcelona, aliás, perdeu ontem para o Bétis em casa por 4 a 3.

A reta final de 2016

2016Em 2016, a partir da rodada 34, o Palmeiras de Cuca apenas administrou a vantagem, com jogos pragmáticos onde conquistou os pontos necessários para o título. E mesmo assim correu riscos. Na rodada 34, sob chuva, venceu o Inter por 1 a 0, com gol de Cleiton Xavier no primeiro tempo, mas quase sofreu o empate numa arrancada de Anderson que chegou frente a frente com Jailson, mas concluiu por cima.

Na rodada 35, vejam só: um empate por 1 a 1 com o Atlético no Independência: Gabriel Jesus abriu o placar no primeiro tempo, mas Pratto empatou aos 13 do segundo tempo e o Palmeiras sofreu uma enorme pressão até o fim do jogo – no final, comemorou o resultado e a vantagem de quatro pontos para o vice-líder.

Na rodada 36, com um gol de Dudu de cabeça, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 no Allianz Parque abarrotado, em partida que foi bem mais difícil do que o time carioca poderia sugerir – muito por causa da postura cautelosa de Cuca, que armou o time para não correr riscos de ser surpreendido em contra-ataques. O Verdão abriu seis pontos para o Santos e ficou a um empate do título, em dois jogos.

A conquista veio na rodada 37, em mais um jogo extremamente cauteloso do Palmeiras, que venceu os reservas da Chapecoense por 1 a 0, num gol chorado de Fabiano. O desinteresse do time catarinense, focado na disputa da Sul-Americana, facilitou a missão, mas mesmo assim a vitória veio de novo pelo placar mínimo.

Quem brilha é o troféu

Campeão Brasileiro 2016Mesmo correndo alguns riscos, algo que time nenhum do planeta jamais estará imune (afinal, é futebol), o Palmeiras vai chegando cada vez mais perto de mais uma conquista para se distanciar dos outros na lista dos maiores vencedores do Brasileirão.

Felipão, a seu modo, já construiu uma espetacular sequência de 18 jogos sem derrota, mesmo sem pré-temporada, mesmo sem poder montar o elenco com peças que se encaixem a seu modelo. Ontem, armou o time de forma a minimizar mais uma vez o risco de derrota e poupou os principais jogadores para a sequência final. O time está entregando os resultados. Nosso treinador merece crédito, mesmo nos deixando apreensivos durante os jogos.

A tabela que se oferece ao Verdão é bastante convidativa; serão três jogos em casa e mais um contra o Paraná em território amigável e o Palmeiras precisa de apenas mais onze pontos para não depender de tropeço nenhum dos concorrentes.

Muricy RamalhoEm 2009, a vantagem de cinco pontos era na rodada 29, e ela se esvaiu quando Muricy colocou o time pra frente, para abrir mais vantagem, quando poderia ter fechado a casinha e administrado os pontos.

Jogar de forma cautelosa, a exemplo do que fez o time de Cuca em 2016, parece ser a melhor forma de trabalhar essa vantagem. O Palmeiras não precisa dar show nesta reta final. Não precisamos de brilho. Quem cobra brilho deste Palmeiras é por puro despeito; não podemos cair nessa. Quem brilha mesmo, sob uma chuva de papel picado e fumaça, é o troféu.


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